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domingo, 30 de março de 2014

KRISHNAMURTI EXALTA JESUS CRISTO!


Esse é o último dia de uma série de entrevistas que o escritor e jornalista Rom Landau teve com  Jiddu Krishnamurti em Carmel- Califórnia. Nessas conversas, publicadas no livro " God is my Adventure", o pesquisador tenta esclarecer algumas dúvidas que sempre pairaram sobre a figura e a história de J.K. . Em termos de registro, é uma referência rara a Jesus demonstrando, o grande respeito e admiração que K. tinha pelo mestre nazareno. Leia o final da entrevista e tire suas próprias conclusões.(Alsibar)

Na véspera de minha partida, quando chegamos ao nosso local favorito, sob os pinheiros do outeiro, senti que aquela era nossa última conversa. Comumente as despedidas trazem a meus lábios palavras que me sentiria acanhado de pronunciar em circunstâncias menos excepcionais. A presença de Krishnamurti, entretanto, excitou minhas faculdades emotivas sem fazer-me sentir como um tolo. "Krishnaji", disse pegando-lhe as mãos entre as minhas, "minha visita chega ao fim. Sou-lhe muito grato por estes maravilhosos dias. Entretanto, quero ainda falar-lhe sobre um assunto que já discutimos várias vezes."

"Que é? Não se sinta acanhado diga."

"Compreendo seu ponto de vista de que sua missão não é agir como um médico, não lhe sendo possível prescrever pílulas espirituais para as criaturas. Mas, ainda assim, diga-me: Como pretende você ajudá-las? Sei que deseja que todos vivam tão integralmente que se tornem verdadeiros e tão verdadeiramente que sejam capazes de se libertarem do espírito de posse, da inveja, da cobiça. Mas uma tal revolução interior exige força que só bem poucos possuem. Você o conseguiu, e encontra-se no topo de uma montanha na qual vive em estado de unidade com o mundo, o que significa em êxtase constante. Entretanto, você se esquece de que nós todos, milhões e milhões de seres, vivemos nas vastas planícies, ao pé da montanha. Poucos suportariam uma vida de êxtase contínuo. Ela os abrasaria; viver em permanente estado de percepção, coisa essencial, os destruiria. Compreendo que seja esse o alvo; compreendo que seja a única vida que valha ser vivida; mas não julgo que estejamos tão amadurecidos que possamos fazê-lo"

Krishnamurti chegou-se para bem perto de mim - como já fizera várias vezes antes - olhou profundamente em meus olhos e disse com sua voz melodiosa: "Você tem razão. Eles vivem nas planícies e eu vivo, como você disse, no alto da montanha; mas eu espero que aumente sempre o número de seres humanos capazes, de suportar o ar fresco do tope da montanha. Um homem infinitamente maior que qualquer um de nós teve que seguir seu caminho até chegar ao Gólgota, não importava se seus discípulos o podiam seguir ou não; não importava que sua mensagem fosse imediata ou tivesse de esperar por séculos. Como pode você esperar que eu tenha algo a ver com o que deve ser feito e como ser feito? Se alguém esteve no topo da montanha, já não pode voltar à planície. Pode apenas tentar fazer com que outros sintam a pureza do ar e gozem a vista infinita e se tornem uno com a beleza da vida ali".

Desta vez não havia tristeza na voz de Krishnamurti e, em seu olhos, percebia-se uma luz que era amor, compaixão, simpatia, que antes já me comovera várias vezes. Quando nos levantamos e subimos vagarosamente a colina que levava à sua casa, não havia nele o menor sinal de desânimo. O sol se deitava, e faixas de nuvens verdes e rosas se espalhavam por todo o céu. A noite desce rapidamente nessas regiões, e dentro de poucos minutos a luz desaparece.

X

Apertamo-nos as mãos e desci em direção à praia, como fizera diariamente desde que chegara a Carmel. Era natural que nesse último dia em que o visitava, toda a vida de Krishnamurti se desdobrasse diante de mim. Haverá outra vida nos tempos modernos que se compare à dele? Tem havido muitos Mestres e Instrutores, Ioguis e Lamas adorados por seus seguidores. Mas nenhum deles foi arrebatado de sua existência comum para ser ungido como o prometido Instrutor do Mundo. Nenhum deles foi aceito pelo Oriente e pelo Ocidente, pelo mais antigo continente e pelo mais novo, pelos cristãos, hindus, judeus e muçulmanos, por crentes e agnósticos.

Nem Ramakrishna, nem Vivekananda foram educados e criados para sua futura missão de Messias; nem Gandhi, Mrs. Baker Eddy, Steiner ou Mme. Blavatsky conheceram tão estranho destino. Nem nos registros dos místicos do Ocidente, nem nos livros dos ioguis e santos do Oriente encontramos a história de um "santo" que depois de vinte e cinco anos de preparação para um destino divino resolve tornar-se num ser humano comum, renunciando não apenas aos bens materiais, mas também a todas as suas pretensões religiosas. Estava quase escuro e as primeiras estrelas começavam a aparecer. A atenção não era dispersada por luz, cores e aspectos do dia. O misterioso exemplo do notável fado de Krishnamurti tornava-se mais claro, e comecei a compreender o que queria ele dizer quando me contara que até pouco antes a vida fora um sonho para ele, mal tendo consciência da existência externa em seu derredor. Não teriam sido os anos de preparação? Não teriam sido os anos durante os quais o homem Krishnamurti procurava encontrar-se a si mesmo, para substituir aquele primitivo "eu" através do qual a Sra. Besant e Charles Leadbeater, a teosofia e uma estranha credulidade agiram durante mais de vinte anos?

Efetivamente, não era única a história de Krishnamurti? O mestre que renuncia ao trono no momento do seu despertar, no instante em que dentro dele o Deus tem de ceder o lugar ao homem, e o homem pode começar a achar Deus dentro de si? Mesmo durante os anos em que seu espírito penava em sonhos, não estivera ele cheio de uma verdade que ainda hoje é tão misteriosa que não chegamos a compreendê-la?

(Do livro de Rom Landau “God is my Adventure”.
Tradução de Marina Brandão Machado).

quinta-feira, 16 de maio de 2013

"SEDE TRANSEUNTES!"



Jesus disse: Sede transeuntes!

O que é ser um transeunte?

Um transeunte é alguém que está de passagem por algum lugar.
 Consciente disso, ele não se apega a nada pois sabe que, logo logo, terá que partir. Assim deveria ser a atitude do ser humano em relação às coisas que ele considera seu pois, na realidade, nada é dele.
Quando menos se espera, a Vida, o Destino e a Morte leva tudo : as riquezas, a juventude, a saúde, aqueles a quem se ama.
Ser um transeunte é compreender a natureza transitória de todas as coisas e viver com elas, sem a elas se apegar  . 
O apego surge do desejo de possuir e da identificação com o pensamento “meu”.
A vida é semelhante a uma casa de veraneio ou “resort” em que se vai  passar alguns dias.
 Enquanto a pessoa está por lá, ela pode desfrutar do conforto e da beleza- comer, beber, passear, brincar- usufruir de tudo enfim. 
Mas um hóspede não deve se apegar às coisas, pessoas e lugares em que está hospedado sob o risco de, quando chegar a separação , sofrer por  não ter aprendido que na vida tudo é transitório e que os seres humanos são meros transeuntes.
 ( Alsibar)
http://alsibar.blogspot.com

sexta-feira, 29 de março de 2013

O SIGNIFICADO DA PAIXÃO DE CRISTO- The meaning of the Passion of the Christ




Qual o profundo significado por trás da Paixão de Cristo? Qual mito Jesus encarnou através do seu exemplo de amor e sacrifício pela humanidade? O que isso tem a ver com a vida de cada um de nós? Por que é tão importante meditar sobre isso, não só agora, mas ao longo do ano?  Qual a diferença entre o Jesus humano e o Cristo Universal? Talvez este artigo lhe ajude a esclarecer melhor estas e outras questões afins. Seja muito bem vindo!

          Muita gente não entende por que Jesus passou por todos aqueles sofrimentos e humilhações que culminaram com sua morte trágica. Algo curioso costumava acontecer comigo quando adolescente.  Eu gostava de assistir filmes e peças que retratavam a Paixão e sempre tinha esperança que Pilatos fosse absolvê-lo no final. Como se eu pudesse testemunhar um outro fim pra aquela história fatídica. Havia sempre a esperança de que isso acontecesse, mesmo sabendo de sua total impossibilidade. Antes de proferir sua sentença memorável, eu sentia uma certa hesitação em Pilatos e  achava que a qualquer momento ele iria absolvê-lo. Eu torcia por isso. Mas logo depois vinha o gesto inevitável e com ele, a tragédia da Paixão.
Prometeu- o Enforcado

        Nesse momento, Jesus não é apenas o rebelde sentenciado pelas leis de Roma, astuciosamente manipuladas pelos  doutores da Lei judaica. Jesus encarna o mito do Redentor do mundo. Aquele que dá sua vida à humanidade. No Tarô Mitológico, ele é representado pela carta do Enforcado- simbolizado  pelo titã Prometeu. Segundo a mitologia, foi Prometeu quem criou o homem com barro e água. Zeus, temendo que os homens se tornassem iguais aos deuses,  impede-lhes que descubram a existência do fogo. O Rei dos deuses tentava manter a humanidade em seu estágio bestial e primitivo. Mas Prometeu rouba o fogo dos deuses e dá-lo aos homens. Quando descobre, Zeus fica enfurecido e prende Prometeu em uma colina submetendo-o a uma terrível tortura: durante o dia uma águia come-lhe o fígado, que cresce novamente durante noite em um ciclo interminável de agonia e dor. Prometeu se sacrifica pela humanidade por que a ama como parte de si mesmo. Exatamente como Jesus Cristo, o Nazareno.

        Jesus foi além do Mito, daí sua força e poder. Ele é o verdadeiro Salvador da Humanidade. Não mais um mito fictício como Prometeu- mas alguém real, histórico, de carne e osso. Saber que alguém como ele existiu nos eleva à condição de deuses potenciais, pois ele é igual a nós em manifestação e essência.  A manifestação é a carne e a essência é a centelha divina que anima o homem.

O Cristo Universal

         Eis por que a Paixão de Cristo vem comovendo pessoas do mundo todo ao longo de séculos e milênios. Numa outra perspectiva, a morte do Jesus humano, representa a morte do EGO. Essa morte nunca é indolor pois o EGO não quer morrer. Ele se recusa, pois teme o sofrimento . Mas sem a morte do EGO,  Jesus não poderá se transformar no Cristo, o Messias, o Salvador do mundo. Seu sacrifício não é apenas um capricho de um Deus cruel que envia seu filho para ser morto pelos homens. Deus se fez carne em Jesus. É o próprio Deus que se sacrifica pela sua criação e sofre junto com ela. Deus na forma de Jesus  nos dá o maior de todos os ensinamentos: o do seu próprio exemplo de amor ilimitado e doação incontestável.
         
Se o Jesus humano que representa o EGO não morrer, o Cristo que representa a Consciência divina não nascerá em nós, ou melhor,  não ressuscitará. Refletir e meditar no sentido mais profundo da Paixão , Morte e Ressurreição de Cristo pode levar-nos a compreender nosso próprio processo de crescimento e evolução , impulsionando o despertar da  CONSCIÊNCIA  CRÍSTICA em nós!

Namastê!

Alsibar
http://alsibar.blogspot.com

sábado, 3 de setembro de 2011

MAGIA, PODER E PERIGO NO CAMINHO DO MEDITADOR- Magic, Power and Danger on the Meditator's Way

O iogue e a magia - http://alsibar.blogspot.com/

Você sabe como funciona a magia? Sabia que usamos esse poder naturalmente em nosso dia-a-a ? Qual a relação entre poder e meditação? Faça conosco uma viagem rumo ao universo da magia e do poder, refletindo sobre estas e outras questões.

O MAGO
A  magia negra esteve, durante muito tempo,  relacionada à idéia de rituais macabros, feitiços, porções,  maldições,  sacrifícios de animais etc. Mas, o  que pouca gente sabe é que a  magia trabalha com o domínio de forças da natureza, invisíveis , imperceptíveis e ignoradas pela grande massa. O mago aprende a identificar e dominar conscientemente essas energias, direcionando-as conforme sua vontade e desejo. A diferença entre um mago e uma pessoa comum é que enquanto o primeiro manipula essas forças de modo consciente,  o segundo não tem consciência de como estas forças atuam em suas vidas. Assim, além de não saberem direcionar essas forças para benefício próprio, tornam-se vítimas delas sendo, inclusive, usadas por elas. Essas forças atuam constantemente em nosso dia-a-dia e , muitas vezes não percebemos o estrago que elas nos causam. São muitas vezes responsáveis por discórdias, brigas, desentendimentos, separações e até tragédias,  refletindo também sobre nosso campo mental, espiritual e físico.
AS FORÇAS
Deixando um pouco de lado o clima de mistério, muitas dessas forças são bem conhecidas de todos nós pois são comuns em nossa vida. Pensamentos, desejos,  intenções, emoções e vontades- são poderosas forças do Universo.  Elas influenciam nossa vida, as pessoas e o meio em que vivemos. Pensamentos e sentimentos de ódio, fúria ou inveja são verdadeiras bombas energéticas que, quando detonadas, causam danos a si mesmo  e aos outros-incluindo o ambiente. Quem nunca se sentiu mal ao chegar em um local com atmosfera "pesada"? Ou não suportou a “energia” de uma pessoa? Estamos continuamente  usando ou manipulando essas energias em nossa vida diária.Por isso que a vigilância é tão importante.  Aqueles que se vigiam protegem tanto a si mesmo, quanto aos outros. Além disso, vigiar-se é uma forma eficaz de se autoproteger contra os ataques energéticos dos outros. É assim que em nossa vida diária atuamos  como verdadeiros magos, manipulando forças ou sendo manipulados por elas, mesmo que não saibamos ou não estejamos conscientes disto.
OS PODERES E A CONSCIÊNCIA PARCIAL
Todavia, há poderes  que só tem eficácia quando usados de forma consciente e proposital. São os poderes da mente, da vontade direcionada, do desejo intenso , da visualização, da palavra intencional, do pensamento controlado e da “mentalização”. Neste tipo de poder, a pessoa  está em um nível mais elevado de consciência mas ela ainda é limitada e parcial.  Daí o grande perigo. O problema é que, mesmo usando esses poderes de forma consciente o indivíduo ainda não está livre da ILUSÃO do EGO.  Isso me lembra aquelas cenas em que  os super-vilões vibram  quando tem em mãos  armas superpotentes  prontos para dominar o mundo. Assim também é o EGO quando descobre o grande poder que ele tem em mãos. Poder que pode controlar quase tudo. Ainda bem que é “quase”, já imaginou o estrago que um EGO  superpoderoso causar às pessoas, ao ambiente, ao mundo? A história está cheia de exemplos desses.
OS PERIGOS DO USO DOS PODERES
Devemos ter cautela ao usar estes poderes para realização de sonhos, objetivos e planos. Muitas pessoas,  por imaturidade, ingenuidade ou maldade mesmo, usam desses poderes para influenciar fatos, manipular, e prejudicar as pessoas. Obviamente, nem sempre são bem sucedidas . Mas, uma coisa é certa, a força que movemos para o bem ou para o mal retornam para nós com muito mais força. Mas mesmo aqueles que movem essas forças apenas para alcançar objetivos e realizar sonhos, que não estão causando mal a ninguém, correm um sério risco . Quando você se dedica a algo com bastante intensidade e energia, a chance de alcançá-lo é  grande. O problema é quando nos tornamos  excessivamente ambiciosos, materialistas, ou tiranos. O indivíduo torna-se totalmente cego, o que leva ao enfraquecimento das dimensões emocional, social, espiritual de sua vida. Quando se dá conta da gravidade da situação, muitas vezes já é tarde demais. É quando vem a doença, as tragédias ou até mesmo a morte. O filme “ O Advogado do Diabo” com Keanu Reeves e Al Pacino ilustra com maestria esse processo . Por isso que a meditação é tão necessária. Sem ela o homem caminha num limbo, perdido em meio à escuridão, sujeito às surpresas, ataques e perigos  de seu próprio EGO.
OS SIDHIS OU PODERES IÓGUICOS
Outro tipo de poder são os do iogues, místicos e santos. A tradição cristã tem vários casos e exemplos deste tipo em sua história, Francisco de Assis, Santo Expedito, Santo Antonio e muitos outros. A tradição hindu, ao longo dos séculos e milênios, produziu grandes iogues em sua história. Por isso, a tradição iogue  reconhece os poderes como eventos naturais no processo de evolução e desenvolvimento do ser. Os sidhis – como são conhecidos - são tratados por Patanjali, no Yoga Sutras, como resultado natural da meditação profunda ou Samadhi. No livro Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda, há vários relatos desse poderes fantásticos, tais como: telepatia, bilocação, materializações, curas, premonições, ressuscitamento, dentre outros. Mas o que pouca gente sabe é que mesmo um iogue pode se tornar um mago negro. Basta, para isso, que ele use seus poderes - geralmente alcançado após anos de prática de alguma técnica- passe a usá-los para fins unicamente pessoais e egoístas.
O IOGUE LADRÃO
Sri Yuktéswar, o mestre de Yogananda, contou  que conheceu “um muçulmano autor de prodígios”.  Este muçulmano, chamado Afizal Khan, aprendera uma técnica com um mestre iogue que lhe dava domínio sobre um dos reinos invisíveis. Após anos e anos de prática, ele finalmente alcançou o domínio completo do poder de materialização e teletransporte de objetos. Mas, lamentavelmente, passou a usá-lo para roubar as pessoas. Sri. Yukteswar contou que o viu fazer várias materializações. Não eram jóias pequenas, nem cinzas, nem objetos produzidos num palco de fundo preto. Ele viu um banquete inteiro ser produzido na sua frente saído do “nada”. Mas então porque ele roubava? A explicação  dada  foi a seguinte: os objetos astralmente produzidos tem pouca durabilidade, ou seja, desmaterializam-se rapidamente.  Ao contrário dos objetos do mundo material cuja durabilidade e consistência é bem maior. Por isso,  ele ambicionava as coisas produzidas pelo processo natural, por serem mais duráveis e, portanto , mais valiosas. Não contarei detalhes, nem o final desta história fascinante descrita no Autobiografia.  Citei esse caso aqui, apenas para mostrar que mesmo um iogue, ou meditador  corre também o risco de se perder ao longo do caminho- talvez até mais do que os outros . 
O CASO  FAMOSO DE UM SUPOSTO “ IOGUE” DO MAL
É importante registrar que a literatura  espiritualista já registra vários casos de iogues que passaram para o “outro lado”. Tudo indica que não resistiram à tentação dos poderes e passaram a usá-los de forma incorreta e egoísta. Se há egoísmo é porque ainda há EGO. O que demonstra que existe sim possibilidade dos poderes se desenvolverem mesmo que a pessoa não esteja ainda totalmente livre das ilusões. Quando isso acontece, o estrago é grande. Joyce Collin Smith, prestigiada escritora e pesquisadora britânica, no livro, “NÃO CHAME NINGUÉM DE MESTRE”*, cita o caso de um conhecido “iogue e guru” espiritual que fez muito sucesso nos anos 60. Por ter sido sua secretária particular durante muito tempo, ela testemunhou vários absurdos cometidos por este senhor e como ele usava seus poderes de telepatia e hipnotismo para alcançar seus objetivos. Segundo seu relato em primeira mão, este homem foi tornando-se cada vez mais estranho e arrogante, até trasnformar-se num completo e perigoso  “bruxo do mal”. Estes casos alertam-nos para os perigos ao longo do caminho do meditador . Todavia, não são apenas os meditadores e  iogues que podem tornar-se magos negro. Qualquer pessoa que não se vigie, pode, mesmo inconscientemente, atuar como um mago das trevas.
VIGILÂNCIA SEMPRE!
Por isso que a vigilãncia é tão  importante.  Àqueles que buscam apenas realizar seus objetivos através das famosas técnicas de desenvolvimento dos poderes da mente, tais como, mentalização, visualização, força de vontade etc. Cuidem-se ! Pois enquato o EGO ainda estiver atuando,  se ainda houver qualquer vestígio de desejo e ambição, o risco de problemas no presente e no futuro é grande. Para aqueles que meditam e buscam a libertação ou despertar, o cuidado deve ser  redobrado, pois quando os poderes despertam, a tentação de usá-los para fins pessoais é maior ainda. É bom lembrar que ao longo da nossa vida,  movemos e manipulamos forças desconhecidas e por isso devemos ter cautela, para não nos tornarmos presas fáceis de forças e energias negativas. Para que isso não aconteça, e não venhamos a sofrer as consequências do uso errado dessas forças, temos que vigiar nossos pensamentos, emoções e ações. Como se processa essa vigilância? Para que não haja mal entendidos vamos explicar melhor.  Para as  pessoas que não são meditadoras ou buscadoras, mas apenas querem ter uma vida “normal”, é importante vigiarem seus pensamentos , sentimentos, ações, palavras e emoções negativos, para que não atraiam coisas ruins para suas vidas. Lembrem-se o quanto essas coisas são poderosas e perigosas.Para aqueles que usam esses poderes conscientemente para realização de objetivos, devem cuidar ou vigiar, para não serem tragados pela ambição, autoritarismo, egoísmo, orgulho ou materialismo exacerbado. Faça autorreflexões periódicas, reze, ore ou medite, procure sempre manter o equilíbrio entre as diversas dimensões da vida.
A VIGILÂNCIA NÃO-DUAL DO MEDITADOR

Por último, se você é um  buscador ou meditador, fica uma importante advertência: tenham mais cuidado pois “ a quem mais foi dado, mais será pedido”.  Todavia, esta vigilância do buscador não se dá de forma dualística, como normalmente acontece com as outras  pessoas. A vigilância do meditador ocorre na Unidade, quando não há observador e objeto observado. Nesse estado de pura e simples observação, sem interferência ou qualquer tipo de ação direta por parte do meditador é que a verdadeira vigilância acontece.  Não há alguém vigiando, nem nada para ser vigiado. Há apenas o estado de VIGILÂNCIA ou ALERTA. Nesse estado de Unidade, Tranquilidade e Paz, o meditador não precisa temer o despertar dos poderes - contanto que permaneça um simples expectador dos mesmos. Aconteça o que acontecer deve continuar fixo na Unidade da Meditação ou Consciência Passiva, sem que o Ego interfira ou se utilize dos mesmos para seus propósitos egoístas. Esta  é, normalmente, a orientação de todos os sábios, iogues e iluminados, é o "movimento em repouso”- citado por Jesus no quinto evangelho.
“CHORO E RANGER DE DENTES”
Este é o caminho mais seguro para evitar que o meditador transforme-se num perigoso Mago Negro. É bom lembrar que todo aquele  que usar seus poderes, ocultos ou não, terá que prestar contas ao Universo. Caso tenha feito bom uso dos mesmos, terá sua recompensa , caso contrário, pagará caro  pela inconsequência e irresponsabilidade de seus atos. E aí “haverá choro e ranger de dentes”- como disse o grande mestre nazareno.
AUTOR: ALSIBAR (inspirado)
http://alsibar.blogspot.com
MSN: alsibar1@hotmail.com
*O livro  Não Chame Ninguém de Mestre de Joyce Collin Smith pode ser baixado gratuitamente no link abaixo:
http://www.4shared.com/document/umXCtaOe/Joyce_Collin-Smith_-_No_Chame_.htm%20

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

DEUS É UMA PESSOA? Reflexões sobre a visão antropomórfica de Deus- Is God a person? Reflecting on God's Anthropomorphic Vision

A Criação e o Caos
Como explicar o fato de uma criança inocente ser raptada durante uma missa e ser cruelmente assassinada? Como entender o fato de uma pessoa sofrer um acidente fatal ao fazer uma peregrinação  religiosa de agradecimento por ter sido salva de um acidente? Abaixo refletiremos sobre estas e outras questões que desafiam a  visão antropomórfica de Deus pregada pela maioria das religiões tradicionais.

FATOS QUE DESAFIAM A VISÃO ANTROPOMÓRFICA DE DEUS

Alguns fatos são tão intrigantes que põe em cheque a  lógica das religiões tradicionais, no que concerne à visão de Deus. Estes eventos sinistros, desafiam a nossa compreensão, o bom senso, e abalam a coerência  do discurso teológico tradicional. Será mesmo que Deus pode ser considerado um ser antropomórfico? ( forma e atributos humanos). Quando, diante de tragédias dolorosas, dizemos: “é a vontade de Deus!” não estamos tornando-o igual a nós e, consequentemente, reduzindo-o a nossa condição? Mas será que esta visão de um Deus pessoal é correta? Ora, se Deus é Onipotente, Onisciente e Onipresente e se tem vontades e emoções similares aos humanos por que permitiria tais acontecimentos ? Essa tese não tornaria Deus um ser sádico, cruel e omisso? Obviamente que isso não faz sentido. Então como poderemos lidar com tais questões de maneira, no mínimo, coerente?

COMO SABER QUAL É A VONTADE DE DEUS?

Há, certamente, muitas coisas além de nossa compreensão. Todavia , este argumento não pode ser usado sempre que nossas  crenças são desafiadas pelos fatos chocantes. O problema é que muitas religiões defendem a concepção de um deus antropomórfico somente quando assim lhe parece conveniente. Por exemplo, quando querem impor regras estritamente humanas , em nome de Deus.  Como alguém pode saber o que Deus quer ou não de nós? Alguns podem responder: “está nos livros sagrados”. Mas existem tantos e vários livros sagrados, tantas traduções e interpretações que não dá pra sabermos qual a mais verdadeira ou "autorizada".

A verdade é que, durante muito tempo, as religiões tradicionais usaram tais expedientes  para explorar, dominar e oprimir. A história já nos provou que este é um caminho perigoso , cujas consequências danosas a humanidade conhece muito bem. Quando edificamos uma “autoridade espiritual” o resultado são as divisões, os conflitos e as guerras. Não há religião, livro sagrado, ou intérpretes mais verdadeiro, sagrado ou autorizado do que o outro. Tais concepções fortalecem o fanatismo possibilitando a prática da crueldade em nome do Amor. No novo milênio, a humanidade precisa ultrapassar esse nível de compreensão puramente sectária, para uma visão mais essencial e universalista acerca da vontade divina.

 NÃO EXISTEM AUTORIDADES OU INTERMEDIÁRIOS

Temos  que entender uma coisa simples: ninguém é dono da verdade e ninguém é autoridade espiritual de nada. Aqueles que se autointitulam intermediários entre Deus e o Homem estão mentindo e explorando. Ninguém deveria aceitar como VERDADE concepções  radicadas no sectarismo,  na fé cega,  em teorias e especulações . A história nos mostra que muitas dessas visões e princípios  são impostas pelo poder estabelecido como forma de dominar as massas. Muitas delas, caíram, por terra com o passar dos anos diante da incontestabilidade dos fatos. Hitler pregava  a pureza e superioridade da raça ariana sobre outras "assim chamadas" sub-raças. A igreja católica pregava que o negro não tinha alma, que a Terra era o centro do Universo e que o papa era infalível. Dizia-se na antiguidade que o Império Romano era invencível e, mais recentemente, que o Titanic era o navio mais seguro da época.  Exemplos de crenças aceitas como verdade incontestável e que posteriormente provaram-se infundadas é o que não falta. Ou seja,  frequentemente nos vemos diante de situações que desafiam nossas crenças e certezas acerca da vida, levando-nos a reinventá-las ou repensá-las. Mas, infelizmente, muitos preferem continuam acreditando cegamente em algo - mesmo que seja totalmente sem fundamento.

NADA SABEMOS

Esses fatos apontam para uma coisa básica,  mas que teimamos em não aprender : NADA SABEMOS. Os cientistas vivem refazendo suas teorias e explicações acerca do Universo. Debruçam-se anos e anos à procura de fórmulas matemáticas e equações que consigam explicá-lo e não encontram. Assim também é na nossa vida. Como explicar a crueldade? As coincidências sinistras? As fatalidades? Devemos simplesmente fazer de conta que Deus  estava ausente ou estava “ocupado” demais e não viu  o que estava acontecendo? Sabemos que não  é assim. Uma concepção antropormófica de Deus  não se sustenta diante de tais fatos . Assim , não podemos considerar Deus uma pessoa, com sentimentos e emoções humanas pois, desta forma, ele perderia seus principais atributos: o de Amor,  Sabedoria e Poder Ilimitados e não seria, portanto, Deus. Infelizmente, é devido a concepções tradicionalistas como estas, que muita gente abandona a  espiritualidade para abraçar o ateísmo. Que nada mais é do que outra forma de crença. Isso é lamentável. Essas concepções equivocadas, ao invés de aproximar as pessoas de Deus , tem o poder de afastá-las.

SOMOS CO-CRIADORES DO UNIVERSO

Também é comum vermos alguns religiosos pregarem que se deve “exigir” coisas de Deus.  Alguns pedem, gritam, tentando impor suas vontades, como se Deus fosse alguém que cedesse às pressões humanas. Agimos com Ele como se fôssemos crianças choronas e teimosas  que pedem aos pais coisas que não podem ser atendidas. E, por incrível que pareça, boa parte dos desejos são atendidos ( não esqueçamos que a própria Bíblia diz que "somos deuses", portanto, co-criadores do Universo). Assim, quando pelejamos ou insistimos com Deus, muitas vezes somos atendidos. Mas isso não significa que essa seja “a vontade de Deus”- talvez seja a nossa própria vontade posta em ação.  Apesar de Jesus ter dito “pedi, pedi e dar-se-vos-á”, ele enfatizou várias vezes, que devemos nos resignar à Vontade do Pai que sabe, melhor que ninguém, o que é melhor pra nós. Não é à toa que na oração do Pai Nosso, ele  diz " Seja feita a tua Vontade assim na terra como no céu." 

SEJA FEITA A TUA VONTADE !

No Pai Nosso, Jesus diz : seja a feita a Tua Vontade.  Significando que não devemos pelejar contra a vontade de Deus. Mas, muitas vezes não ficamos satisfeitos. Vivemos reclamando ou infelizes e, muitas vezes, praguejando. O que se deve entender é que há momentos na vida para cada coisa. Há momentos de  ação e momentos de resignação. Aprender a diferenciar os dois é o começo da sabedoria.  Certa feita, Jesus disse : até o cabelo de vossas cabeças estão contados e não cai uma folha que não seja pela vontade do Pai. Eis então  o argumento perfeito para os ateus : se Deus é ilimitadamente poderoso e compassivo porque não age de forma a evitar calamidades, injustiças e crueldades? A resposta do senso comum  seria: ele é bom, mas é justo. Todavia, há centenas e milhares de casos em que crianças inocentes são vítimas de crueldade e injustiça. Sabemos que as religiões orientais, notadamente budismo e hinduísmo,  explica tudo isso através da crença na reencarnação e no carma. Mas será que essas explicações são capazes de nos trazer a paz e conforto? Para alguns, talvez sim. Todavia, não podemos considerar as crenças como sendo fatos. O fato é que são crenças. Será que não haveria uma outra forma de se considerar a questão, sem precisarmos recorrer às crenças?

 CONHECER A VERDADE PELA EXPERIÊNCIA DIRETA

Os verdadeiros místicos e sábios dizem que sim. Eles não defendem qualquer posição radicada na fé cega ou crenças. Em geral, são contra todo tipo de radicalismos e sectarismos, pois sabem  que tanto a crença quanto a descrença , impedem a experiência direta da Verdade ou Deus. Por isso defendem que o homem deve conhecer a Verdade diretamente. Sendo este o única caminho capaz de nos trazer a verdadeira paz e libertação da dor. 

A IDÉIA  ANTROPOMÓRFICA DE DEUS TRAZ DIVISÕES

Deus não pode ser reduzido às proporções humanas. Quando assim o fazemos, nós o destruímos . Como o Imensurável pode se encaixar dentro dos estreitos limites e medidas humanos? A idéia antropomórfica de Deus, torna-o mais próximo da gente mas, ao mesmo tempo, o distancia pois deixamos de vê-lo como a Essência de tudo que há no Universo. Essa centelha essencial se manifesta em todas as coisas, inclusive no homem. O deus antropomórfico, traz divisões e guerras pois as religiões dominantes  sempre brigam pela supremacia do seu deus, em detrimento dos outros "deuses". A verdade é que, as diversas formas e  imagens existentes sobre Deus refletem a cultura de um determinado povo, região e época. Talvez o Hinduísmo seja uma das poucas religiões tradicionais que aceitam a multiplicidade de manifestações divinas. Mesmo assim, ainda há grupos que discutem sobre qual é  a forma mais original, a mais poderosa ou suprema se é Brahma, Krishna, Shiva, Kali etc

DEUS É INFINITO, INCONCEBÍVEL E INCOGNOSCÍVEL

Os grandes místicos e sábios não se preocupam com tais dilemas. Suas experiências de Deus vão além de todo sectarismo . Assim, se entendemos que Deus é inconcebível, incognoscível, atemporal e ilimitado então resolvemos vários dilemas. Quando consideramos Deus como sendo "alguém"- no sentido humano, os fatos tomam aparência de crueldade e injustiça. Ora, se Deus é ILIMITADO e INFINITO, não podemos querer “abarcá-lo” ou “prendê-lo” nas garras da nossa lógica finita e limitada . Consciente disso é que o sábio reconhece sua própria limitação e lida com a questão de outra maneira  : se a vida no parece incompreensível isso se deve ao fato de atribuirmos a Deus  valores e medidas estritamente humanos. Então, concluímos que há coisas no Universo que nossa limitada capacidade nunca compreenderá. Ora, se não conseguimos compreender o simples universo visível, como compreenderemos o que é Invisível, Incondicionado, Atemporal e Infinito? Por isso, Lao Tsé dizia no Tao Te Ching: “o Inconcebível que se pode conceber não é o Inconcebível… o Sábio deve auscultá-lo no silêncio”. Posições bastante similares são compartilhadas por outros místicos e iluminados como Krishnamurti, Buda,  dentre outros.

RECONHECENDO NOSSAS LIMITAÇÕES

Desta forma, quanto mais tentamos entender as razões e o sentido das coisas, mais confusos e perturbados ficamos. Por isso é dito que o “sábio cala”. Não há nada a se falar ou discutir sobre Deus pois nunca teremos capacidade para compreendê-lo em sua magnitude e amplidão. Neste particular, os mitos e os símbolos exercem uma função  importante : são tentativas de comunicar de maneira simples e inteligível, concepções complexas e profundas. Como entender quando Krishna diz no Bhagavad- Gita: “ Eu sustento todo o Universo com apenas uma centelha do meu esplendor”? Como entender o Amor de Deus? Como entender a morte, a solidão, as perdas, as tragédias e o sofrimento que atingem a todos- muitas vezes sem   nenhum motivo aparente e de forma "injusta" pelos padrões humanos? Como entender o episódio que envolveu Hitler e sua escalada ao poder, permitindo assim, o Holocausto?  Só nos resta reconhecer nossas limitações e abandonarmos essa mania de querer entender as razões de tudo.

SOBRE A NECESSIDADE DAS CRENÇAS

Uma outra questão seria : será que as crenças  são necessárias a uma conduta ética e uma vida plena, equilibrada e saudável? Talvez para algumas pessoas a resposta seja sim. Todavia, algumas vezes, elas são verdadeiros empecilhos e até mesmo prejudiciais. Mas se tua crença não cria divisões, não incita ao ódio,  ou à ilusão, então não há problemas, desde que você esteja plenamente consciente de que  crenças não são a VERDADE. É algo que você escolhe confiar porque lhe parece razoável, ou lógico, ou porque lhe ensinaram assim. Mas temos que compreender que podem não ser exatamente como acreditamos que seja.  Então a questão sobre se Deus existe, qual sua aparência e quais suas "vontades e desejos"- nunca serão completamente respondidas. E qualquer que seja a conclusão que cheguemos, por mais confortadoras que sejam, não deixarão de ser crenças. Falando isso não estou afirmando que são falsas- as crenças podem ser verdadeiras ou não. Simplesmente não temos como comprová-las, se tivéssemos não seria crença. Mas, será possível irmos além das crenças? Sim, é possível.

INDO ALÉM DAS CRENÇAS E CONCEPÇÕES INTELECTUAIS

Para aqueles que não se satisfazem com as crenças, mas querem encontrar a Verdade, experimentá-la e vivê-la como uma experiência direta, então só resta um caminho : a MEDITAÇÃO. Todos os grandes mestres sem excepção, a ensinaram.  A meditação pode  transformar, iluminar, libertar  e unir os homens pois não está radicada em concepções teóricas,  mas na experiência direta e objetiva da verdade . A meditação pode libertar os homens das falsas concepções e fazê-los penetrar na dimensão do Desconhecido. Lá estão todas as respostas e o bálsamo para todas as dores. Quando o homem se liberta das limitações do pensamento, do tempo e do desejo passa ele a sintonizar-se com aquela Energia ilimitada, infinita e atemporal chamada Deus. Chegando aí o indivíduo não se questiona mais, não se confunde mais, nem exige, nem pede mais nada. Passa também a compreender que  Deus é simplesmente o Absoluto, sendo assim, é tudo o que existe: o perceptível  e o imperceptível,  o imanente e o transcendente; o que está dentro, fora, acima, abaixo e além.

HUMILDADE E FÉ DO HOMEM SÁBIO

Quando a mente questionadora silencia, não há mais espaço para sectarismos, radicalismos ou discussões teóricas acerca do transcendental. Ao  reconhecer suas limitações, o homem sábio demonstra humildade e fé no Absoluto. Também demonstra verdadeira confiança no Amor e na Proteção Divina pois não suplica ou impõe nada à Divindade. Se Deus é o criador e mantenedor Supremo, ele  nunca pode estar “ausente” ou “omisso”. Mas não compete a nós questionar suas atitudes e os movimentos do Destino Inexorável. Quando sentimos a existência de uma Força Superior do Universo, então qual o sentido da inquietação, medo ou preocupação? O sábio  relaxa pois sabe que Universo  existe por si mesmo e que sua vida não depende de sua medíocre e limitada vontade. Tudo que existe vive pela “vontade” do PAI. A "vontade do Pai" é apenas uma metáfora usada por Jesus  para expressar o fato de que o Universo é regido por Leis e Forças Superiores, matematicamente exatas, Infinitas, Inteligentes e Autocriadoras.

DEUS “É  O QUE É”

E se aceitamos que Deus  é o Absoluto Insondável, e portanto cria, destrói, comanda, sustenta e controla tudo no Universo, desde o pequeno átomo até as galáxias infinitas, então compreenderemos quando Ele afirma na Bíblia que “É O QUE É”.  E assim compreendemos quando os sábios afirmam que perceber  "o que é", é perceber a Verdade, o Desconhecido, Deus, enfim.

AUTOR : ALSIBAR (inspirado)

http://alsibar.blogspot.com



sexta-feira, 26 de agosto de 2011

BABAJI – O AVATAR DO NOVO MILÊNIO ?- Is Babaji- the New Mileniun's Avatar ?


Babaji

Você já ouviu falar em Babaji? Se não, conheça a história deste  iogue extraordinário. Se já conhece, conheça mais detalhes sobre sua vida e reflita conosco sobre os principais eventos  envolvendo este verdadeiro avatar do novo milênio.

Babaji não é um nome.         É um título como Cristo e Buda. Etimologicamente significa “pai” e Ji é um sufixo de respeito e reverência . Por exemplo, Krishnamurti era carinhosamente chamado de Krishnaji, por seus amigos indianos. Babaji, da mesma forma, é um título de carinho e reverência – mas é provável que ele  tenha usado vários nomes e formas, em diferentes épocas e regiões.
Babaji  foi o guru de Lahiri Mahasaya, mestre do mestre de Paramahansa Yogananda – autor do best seller “Autobiografia de um Iogue”. Ninguém o conhecia, a não ser, poucos devotos privilegiados. Coube a Yogananda divulgar ao mundo a existência desse avatar extraordinário, cuja idade, sabedoria e poder são incalculáveis.  Apesar de idade indefinida, se apresenta frequentemente como um jovem bonito, de longas cabeleiras cor de bronze. Outros autores  afirmam que ele já fora um ser humano mortal como nós, que nasceu 200 anos d.c. na Índia, tendo alcançado o estado de imortalidade plena após longos anos de prática ióguica. Mas é estranho, que nunca se tenha ouvido falar em Babaji antes de Yogananda. O fato é que após o “Autobiografia” apareceram vários relatos de supostas visões e aparições de Babaji.
A fama de Babaji e sua extraordinária presença causou tal “frisson” no mundo que houve até mesmo um Babaji “fabricado”.  Suas fotos e vídeos “fervilham” na Internet,  ao simples digitar de seu nome. Todavia, sabe-se que não é o mesmo Babaji de Yogananda. Esse rapaz já era conhecido na região de Haidakhan como Wilson Baba, filho de mãe indiana e  pai inglês. Devido a sua incrível aparência com as descrições do grande iogue imortal, não custou ser confundido com Babaji- coisa que ele pessoalmente nunca afirmou -mas também não negou. O fato é que este rapaz foi crescendo e, ao poucos, foi engordando,  distanciando-se, assim, da imagem do grande Babaji descrita por seus verdadeiros discípulos. Suas últimas aparições em vídeo,  mostram um homem abatido , aparentando tristeza em meio a reverências e rituais de adoração. Ele não parecia nem sereno, nem feliz. Morreu cedo, aos 28 anos, no ano de 1984- causa da morte não divulgada.
Mas sobre  o verdadeiro Babaji  sabemos muito pouco. Nunca teremos como saber se as pessoas que dizem tê-lo visto- realmente o viram. Além disso, há muitos “gurus” por aí se auto intitulando encarnação de Babaji. Obviamente há muita exploração comercial em torno deste nome. O verdadeiro Babaji, passou séculos, ou até milênios sem se mostrar ao mundo. Por que iria aparecer agora  na Internet, através de organizações religiosas pouco confiáveis? A imagem de um “avatar popstar’ não combina com o iogue recluso e humilde que Yogananda nos apresentou em seu livro.
Tudo que sabemos de Babaji não fora contado por ele próprio, mas nos chegou através de relatos dos próprios discípulos. Yogananda nos oferece testemunhos em terceira, segunda e primeira mão. Na sequência: aqueles contados por Lahiri Mahasaya e seus discípulos diretos. Depois, aqueles contados por seu mestre Sri Yuktéswar- que foi abençoado com um encontro com o mahavatar em uma Kumb Mela (Festival Religioso). E finalmente, por Yogananda que descreve seu memorável encontro com o guru imortal. O que passa disso é contestável, não podendo se afirmar se é verdadeiro ou falso. Assim sendo, está no âmbito das possibilidades e não da Verdade. Já o testemunho de Yogananda e seus mestres antecessores são dignos de nossa confiança e gratidão.
No âmbito das possibilidades, afirmam alguns autores que Babaji, iniciou importantes santos , sábios e iluminados famosos entre eles: "Shankaracharya, o grande reformador do Hinduismo do século 9º d.C., e Kabir, o santo do século 15 amado pelos Hindus e por muçulmanos. No século 19, Madame Blavatsky, a fundadora da sociedade de Teosofia, o identificou como “Matreiya”, o Buddha vivo, ou o “Professor do Mundo para a era vindoura"*.Tendo sido um dos mestres que iniciou Krishnamurti e provavelmente acompanhou-o  durante toda sua missão na Terra. Fato que não surpreende, pois o próprio Krishnamurti refere-se em seu diário sobre a presença constante do “outro”,  “uma presença”, “o abençoado” sentida não apenas por ele, mas por outras pessoas também. Se  tais afirmações forem verdadeiras, Babaji foi responsável pelos maiores acontecimentos no âmbito da espiritualidade, contribuindo decisivamente para a elevação da consciência espiritual da humanidade.




Capa do Album Sgt Peppers


Em destaque Sri. Yuktéswar, Babaji, Yogananda e Laíri Mahasaya


Huberto Rohden
 Saindo do âmbito das possibilidades, é fato que Babaji iniciou um movimento espiritual no mundo moderno sem precedentes. Sua vida, seu exemplo, sua história e o de seus quatro iogues discípulos ( Lahiri Mahasaya, Sri, Yuktéswar e Yogananda), promoveram um grande reavivamento espiritual no mundo todo. É difícil encontrar um buscador ou espiritualista que não conheça Yogananda ou Babaji. Aqui no Brasil, o grande espiritualista e escritor Huberto Rohden era discípulo indireto de Yogananda.  Até mesmo os Beatles prestaram homenagens a Babaji e seus discípulos diretos, estampando-os na capa do famoso álbum Sgt Peppers . O livro  Autobiografia foi lido por milhares, milhões de pessoas e quem o lê sente acender a chama da busca pela evolução espiritual. É difícil não querer emprestá-lo ou presenteá-lo a um amigo ou parente , foi assim que ele veio ao meu conhecimento e ao conhecimento de muitos.
Mas, é bom que se diga, Babaji não é propriedade de ninguém.  Assim como os cristão não são “donos” de Cristo, nem Buda é propriedade dos budistas. Assim também é sua mensagem.  Apesar de haver muita gente querendo tirar vantagem ou explorar os incautos usando o nome sagrado de Babaji, sabemos que ele mantém-se acima dessas mesquinharias e pobreza humanas. Algumas organizações e movimentos se arvoram em únicas autoridades sobre a legitimidade de  seus ensinamentos. Desta forma, criam um falso mistério, um hermetismo tolo e medieval.  Babaji, autorizou dar iniciações em Ioga, a todos que sinceramente se interessassem pela senda espiritual. No entanto, sabemos que estas iniciações, se tornaram  objetos valiosos no mercado espiritual- onde quem manda é quem tem mais. Mas, “não há nada de oculto que não venha ser revelado” já dizia o Cristo. Para que esse hermetismo estúpido? Os ensinamentos de todos os mestres nunca foram reservados a poucos escolhidos. Se não, estaríamos impedindo que todos tivessem acesso igual ao Reino dos Céus, Nirvana ou Moksha ( Libertação). Não há nenhum segredo. Todos os que pagaram para “conhecer” a “verdadeira ioga de Babaji” são unânimes : é a mesma mensagem do Bhagavad Gita, de Sankara, de Buda, de Cristo , de Krishnamurti e outros mais. Em essência é exatamente a mesma. Então para que tanto mistério? 
Não sejamos tolos.  Babaji está além de todas as organizações e movimentos religiosos, e acima todas essas “querelas” infantis . Quem realmente é BABAJI? O que ele disse e fez ? Não temos como saber. Penso que  ninguém está autorizado a se fazer porta-voz do Infinito- a não ser os grandes – os iluminados- que ele próprio escolheu cujos nomes são centenas de vezes citados aqui. Pode ser que Ele esteja juntamente com outros avatares, cuidando de questões cósmicas sobre o destino do Universo,  pode estar - humilde e anonimamente- servindo aos famintos e necessitados – como fez quando Sri. Yuktéswar o encontrou numa Kumb Mela na Índia. Pode estar socorrendo os aflitos- em suas orações e dores profundas . Pode estar influenciando e comandando acontecimentos de magnitude mundial ou cósmica. Pode estar inspirando escritores e buscadores no mundo todo. Pode estar em nossos corações, na natureza, num cachorro que chutamos por desprezo e arrogância. Como saberemos? Então o que nos resta fazer?
Resta-nos mergulhar na sabedoria . Quanto mais profunda for o nosso autoconhecimento, maiores serão nossas chances de entrar em sintonia não só com Babaji, mas com Cristo,  Buda etc. Lá, na região do imensurável, além de todas palavras, descrições , pensamentos e desejos é que poderemos ter um vislumbre dos avatares, seres que são a própria divindade encarnada.  Krishnamurti, pouco antes de morrer disse: 

 “Se vocês viverem os ensinamentos poderão tocar aquela energia imensa, vasta e infinita”. 

Sri Yuktéswar, por ocasião de sua ressurreição, disse que a meditação profunda é a porta para contatar os planos superiores- o Causal Superior- onde pairam as grandes almas libertas ( A. Y.-463). Muitas pessoas, já sentiram ou perceberam a  presença abençoada dos mestres, tanto em meditação, quanto em profunda e verdadeira oração ( Unidade Frequencial).  Essas manifestações são íntimas e pessoais e não devem ser divulgadas, ou usadas para fins de autopromoção pessoal- exceto quando atendem a uma orientação superior.

Babaji não é “mais um deus”, ele é um ser divino, um avatar, como Cristo, Buda, Krishnamurti e outros. São nossos irmãos que amorosamente descem ao mundo, num esforço hercúleo para, através de seus ensinamentos e exemplo, nos mostrar a luz da VERDADE e o caminho da LIBERTAÇÃO, para que um dia possamos despertar  nossa própria  natureza divina e, assim, realizarmos o  que Cristo  e o próprio Jeová afirmam na Bíblia:
 “SOIS DEUSES! SOIS TODOS FILHOS DO ALTÍSSIMO!” (JOÃO 10:34; Sl 82:6)
AUTOR : ALSIBAR
htpp://alsibar.blogspot.com
MSN: alsibar1@hotmail.com
Referências:
·         Autobiografia de um Iogue- Paramahansa Yogananda- Self Realization Fellowship – Brasil- 2008.
·        * Babaji Kriya: http://www.babaji.ca/portuguese/babaji.php

domingo, 7 de agosto de 2011

DEUS, A CRIAÇÃO E O HOMEM SEGUNDO A GNOSE

GOD, THE CREATION AND THE MAN ACCORDING TO GNOSIS


Os cristãos gnósticos sustentavam que, no início, havia apenas Um. Esse Deus único era totalmente espírito, totalmente perfeito, impossível de ser descrito, muito além de atributos e qualidades. Esse Deus não é somente desconhecido dos seres humanos; ele é icognoscível. Os textos gnósticos não explicam porque isso acontece, exceto quando sugerem que ele é tão “outra coisa” que as explicações- as quais requerem tornar conhecível algo que não é conhecível comparando-o a algo mais- simplesmente não pode funcionar.
De acordo com os mais variados mitos gnósticos, esse Deus único icognoscível por alguma razão criou um reino divino a partir de si mesmo. Em alguns desses mitos, de algum modo as essências perfeitas desse Único tornam-se elas mesmas autoexistentes. Assim, por exemplo, esse Único passa a eternidade pensando. Ele pensa, é claro, somente em si mesmo pois ele é tudo que há. Seu próprio pensamento, porém, deve existir, pois ele pensa. Dessa forma, seu pensamento se torna uma entidade própria. Além disso, esse único sempre existe e, portanto, sua existência eterna, sua eternidade, existe, tornando-se uma entidade própria. Esse Único está vivo; na verdade, ele é Vida, e assim sua própria vida existe. A Vida então se torna uma entidade própria. E assim por diante.
Dessa forma, emergem desse Único outras entidades divinas, emanações do Um, camadas eons( Pensamento, Eternidade, Vida etc); além disso, alguns desses eons  produzem suas próprias entidades, até que haja um reino inteiro de eons divinos chamado às vezes de Totalidade ou, usando um termo grego, o Pleroma.
Os mitos gnósticos são desenvolvidos para mostrar não somente como esse Pleroma  veio a existir no passado da eternidade, mas também como o mundo em que vivemos veio  a existir e como nós mesmos chegamos aqui. O que esses mitos parecem ter em comum é a idéia de que há um tipo de movimento para baixo, dos espíritos para a matéria, e de que a matéria é uma degeneração da existência, o resultado de uma pertubação no Pleroma , uma catástrofe no cosmo. Em alguns desses sistemas, é o aeon   final o problema, um aeon chamado Sabedoria ou, usando o termo grego, Sofia. Os mitos têm modos diferentes de explicar como a “queda” da Sofia do Pleroma levou às terríveis consequências do mundo material. Um dos mitos mais familiares se encontra no Livro Secreto de João, um relato de uma revelação feita por Jesus a João, filho de Zebedeu, após a ressurr.eição. Esse livro foi um dos trabalhos descobertos (em várias versões) perto de Nag Hammadi, em 1945; uma versão desse mito pode ser encontrada nos resumos de Irineu. Neste mito gnóstico, Sofia decide gerar um ser divino sem a assistência de seu consorte masculino, levando a uma criação malformada e imperfeita. Temerosa de que seu ato incorreto fosse descoberto, ela retira sua criação do reino divino para uma esfera inferior onde ninguém possa vê-lo, deixando-o então, à sua própria sorte. Ela o chama de IALDABAÓ, um nome remininescente de  “Iavé o Senhor dos Sabás”, do velho testamento, pois esse ser divino malformado e imperfeito é o Deus judaico.
Adão e Eva no Éden
De acordo com essa forma de mito, Ialdabaó consegue, de alguma forma, roubar o poder divino de sua mãe. E se muda para bem longe dela e usa seu poder para criar outros seres divinos menores – as forças cósmicas malignas do mundo- e o próprio mundo material. Já que é o criador, ele é frequentemente chamado o Demiurgo ( em grego “aquele que faz” ) Ialdabaó é ignorante acerca do reino acima dele, e então declara tolamente : “ Eu sou Deus e não há outro Deus além de mim”. (Is 45:5-6). No entanto, é mostrada  a ele e aos auxiliares divinos , que o ajudaram a criar o mundo, uma visão do verdadeiro Deus único; eles, então, declaram entre si : “Criemos um homem à imagem e semelhança de Deus” ( isto é, do verdadeiro Deus que eles tinham acabado de ver –cf Gn 2;70. E assim eles fazem Adão. Mas Adão, não tendo nele um espírito, é completamente imóvel. O Deus único e verdadeiro então engana Ialdabaó transportando o poder de sua mãe para essa criatura inanimada, soprando nele o fôlego da vida, dessa forma transmitindo o poder de Sofia para os seres humanos, tornando-os animados e dando-lhes um poder ainda maior do que as forças cósmicas menores que Ialdabaó havia criado. Quando essas forças percebem que o homem criado é maior do que elas, atiram-no no reino da matéria. Entretanto, o Deus único e verdadeiro envia seu próprio Pensamento ao homem, para instruí-lo sobre sua verdadeira natureza divina, sobre o modo como desceu ao reino da matéria e sobre a maneira pela qual ele pode ascender novamente.
Outros mitos tem diferentes formas de descrever a criação do mundo material e a criação dos seres  humanos. O que eles compartilham é a noção de que a realidade em que vivemos não foi idéia ou criação do Deus único e verdadeiro, mas o resultado de um desastre cósmico, e que dentro de alguns seres humanos reside uma centelha do divino que precisa ser liberada a fim de retornar a seu verdadeiro lar.
O único modo pelo qual essa salvação pode ocorrer é através do aprendizado, por parte da centelha divina, do conhecimento secreto que pode trazer  a libertação de seu enclausuramento  no mundo da matéria. O conhecimento, portanto, é central para esses sistemas. Como Jesus indica a seu irmão, Judas Tomé, em um dos tratados de Nag Hammadi :
“ Enquanto me acompanhas, embora não compreendas, na verdade já chegaste a conhecer, e serás chamado ‘aquele que conhece a si mesmo’. Pois aquele que não conhece a si mesmo não conhece nada, mas aquele que conheceu a si mesmo já alcançou, ao mesmo tempo, o conhecimento sobre a profundidade do tudo” ( Livro de Tomé, o Contendor 2.138.14-18).
Extraído do livro “ Evangelhos Perdidos- de Bart D. Ehrman 185-187-Ed. Record)
MSN: alsibar1@hotmail.com

sábado, 6 de agosto de 2011

QUANDO A OBSTINAÇÃO TORNA-SE UMA PERIGOSA ILUSÃO

WHEN STUBBORNNESS BECAMES  A DANGEROUS ILLUSION


Os livros de autoajuda nos ensinam  a nunca desistir, mas será que obstinação exagerada  é uma qualidade? Será que , em alguns momentos, não devemos refletir e mudar os rumos dos nossos objetivos? Até que ponto a obstinação é saudável e quando ela torna-se uma perigosa obsessão?É o que tratatemos no artigo abaixo.
OS LIMITES DA FÉ
Quando, ao longo da vida, nos deparamos com dificuldades e problemas, normalmente recorremos à leitura de livros de autoajuda que nos esclarecem sobre a importância de ser perserverante, de lutarmos por nossos ideais e de “nunca desistirmos de nossos sonhos”. São, certamente, sugestões e conselhos importantes para aumentar nossa autoestima , autoconfiança e fé nos poderes e forças existentes no Universo. Jesus disse certa vez que se tivéssemos fé do tamanho de um grão de mostarda poderíamos mudar os montes de lugar. Obviamente, não falava literalmente, pois nunca se ouviu falar em tamanha proeza, principalmente partindo dos comuns dos mortais como nós. Mas, ao dizer tais palavras, procurava acender em nós a chama da fé em Deus e em seu poder de mover todos os obstáculos que se houvessem entre nós e nossos objetivos. Mas, o próprio mestre, alertou-nos várias vezes que devemos sempre deixar  o Pai fazer sua vontade – frase que repetimos feito gravador ao final do Pai Nosso. Mas,  mesmo se não quiséssemos, tudo no Universo, é controlado pela vontade do Pai. Quando Jesus afirmou que “ até o cabelo de vossas cabeças estão contados, e não cai um fio, nem uma folha da árvore que não seja por sua vontade” ele deixou bem claro que Deus controla e mantém todas as coisas. Afirmação, também corroborada pela tradição hindu, quando Krishna- que representa Deus- afirma no Bhagavad Gita :‘ Eu mantenho todas as coisas com apenas uma centelha do meu esplendor’. Ora, estamos então diante de um dilema difícil, complexo, que muitas pessoas não sabem como resolver e acabam trazendo grande prejuízos para sua vida : quais são os limites das  ações humanas? Até que ponto eu sou o controlador de minha vida? Quais os limites da fé e da perseverança? Quando devemos continuar porfiando e quando devemos “parar”, ou talvez, mudar de rumo?

CRIANÇA CHORONA
criança chorona
Estamos diante de duas perspectivas aparentemente contrárias : fé e entrega. Mas será mesmo que se excluem? Primeiramente analisemos o que a fé, não pode  tornar-se de forma alguma. A fé nunca pode ser impositiva. Deus não é nosso capacho, nosso servo, ou “pareceiro” como diziam os antigos. Não podemos nos dirigirmos a ele pedindo, implorando, como criança birrenta e teimosa que chora por uma brincadeira, ou brinquedo, ou mesmo um passeio que o pai proíbe. Os pais, algumas ou muitas vezes, não atendem os pedidos infantis do filho. Não é porque não o ama, mas porque quer protegê-lo, por querer o melhor para ele, ou por algum outro motivo que o filho desconhece. Assim, nos assemelhamos a crianças quando, para dar vazão a nossos desejos egoístas, “aperreamos” o Supremo, na expectativa de que ele nos atenderá dependendo da intensidade de nossa insistência. Prestai atenção agora , pois isso  afigura-se de extrema importância, e sua incompreensão, poderá causar-nos muitos problemas: Deus atende a todos os desejos, mas nem todos os desejos que formulamos são bons para nós. Se o Pai, por algum motivo,  não realizou as expectativas e anseios do teu coração, é porque ou não era a hora, ou não estavas maduro o bastante para aquela experiência,  ou, talvez aquele não fosse  o teu caminho.
A INFLEXIBILIDADE E O IMPREVISÍVEL
Mas ainda há outro aspecto importantíssimo que geralmente esquecemos : muitas vezes nós mesmos impedimos a felicidade de chegar até  nós por nossa dureza ou inflexibilidade. Muitas vezes, alimentamos expectativas altas demais, ou estabelecemos critérios muito rígidos em nossos planos, e não queremos ceder, nem retroceder um milímetro que seja. Ora, se não mudamos, estamos sendo intransigentes com o universo, e como este responde a nós como um eco ou espelho, então ele também não cede, nem muda. A matemática é simples: se mudo, o universo muda e altera os padrões que estão calcificando, paralisando minha vida. Se não mudo, nada muda e, em geral, chegamos ao final da vida frustrados, decepcionados, culpando a Deus e aos outros por nossa infelicidade e infortúnio. Além disso há o fator da IMPREVISIBILIDADE que nunca atentamos ou nos lembramos. Ou seja, quando tememos a mudança,  estamos com medo do conhecido, daquilo que achamos que nos causará dano, ou falta. Mas, esquecemos de que a vida é infinita e , como tal, está sempre criando coisas novas, novas possibilidades que, muitas vezes, nem imaginávamos que pudessem acontecer. O imprevisível age de muitas formas em nossas vidas : são novas oportunidades de emprego que aparecem, oportunidades de negócio de onde menos esperávamos, promoções, cursos e capacitações que abrem novas perspectivas em nossa vida profissional, e dinheiro – sim- dinheiro que aparece de repente em sua vida – como quê do nada. Eu mesmo já passei por várias situações dessas. Na vida pessoal, são pessoas novas que conhecemos em lugares, muitas vezes, estranhos ou esquisitos.  No ônibus, em um hospital, em uma praça – um amigo meu conheceu sua esposa em uma batida de carro. Ou seja, o poder criador do universo, tem no imprevisível uma de suas mais fantásticas e fascinantes formas de expressão e devemos estar abertos  a ele. Mas, para isso precisamos ter coragem para aceitar e viver as mudanças. Ser inflexível e irredutível não nos levará ao universo mágico do imprevisível, mas nos manterá presos e acomodados na segurança doentia do conhecido, do previsível.
SABER A HORA DE MUDAR
 Alguns exemplos bem práticos podem nos dar a dimensão do mal que a irredutível obstinação pode causar: por exemplo, quando alguém coloca na cabeça que só pode ser dar bem se exercer uma profissão específica qualquer. Ora, será mesmo que  aquela profissão escolhida será o melhor para ela, por mais bonita e glamourosa que seja ? Além disso, escolher uma profissão apenas por status, dinheiro ou “glamour” não é nada inteligente. Não seria o caso de mudar, principalmente quando percebemos claramente que aquele não é o nosso caminho? Devemos ficar atentos para saber a hora de abrir mão. Se alguma coisa, um projeto, um objetivo ou até mesmo um relacionamento  já revelou-se falido  e sentimos fortemente  o impulso para a mudança - é porque é hora de mudar. Não adianta insistir, berrar, agir feito criança chorona. Há tempo para tudo nesta vida. Tempo de avançar, retroceder, parar e também de mudar. É parte do aprendizado do ser humano perceber em qual momento ou fase  sua vida  está.  A Existência nos revelará qual a melhor atitude para aquele momento, basta ficarmos atento aos sinais, internos e externos que apontam para a melhor atitude no momento.
RELACIONAMENTOS DESTRUTIVOS
 Outro exemplo clássico de frustração é quando queremos  relacionar-mo-nos com uma pessoa específica. Há casos, inclusive,  em que a pessoa já sabe que aquele relacionamento é  destrutivo, mas mesmo assim, continua insistindo nele por algum motivo : medo, insegurança, vaidade ou outro motivo qualquer. Quando isso acontece, Deus nos deixa livres para continuar naquele caminho e só lá na frente é que vamos perceber o erro de nossa atitude insensata. Então,  quando “cai a ficha”,  nos lembramos que nos foi dada a chance de nos livramos daquele caminho  doloroso mas não quiséramos ver, nem aceitar. É importante compreendermos que Deus não força nada, se percebemos o sinal e agimos, ele nos ampara e protege . Mas se, ao contrário, insistimos e teimamos, ele não interfere e permite que vivamos aquela experiência como forma de aprendizado, amadurecimento e crescimento espiritual.
FÉ NA ENTREGA
Árjuna(ego) e Krishna (EU)


Então qual seria a atitude mais correta e sábia em relação aos planos e objetivos da vida? É a de ter FÉ NA ENTREGA. Esta, me parece, ser a atitude mais correta e sábia. Quando nos entregamos à vontade de Deus,  com fé de que o Universo está cuidando de nós então as coisas fluem sem grandes esforços de nossa parte. Não podemos achar que nós movemos o Universo. Ele existe independente de nós. É o Universo quem nos move e conduz a nossa vida. Quando percebemos que nossos planos e objetivos não são nossos mas fluem através de nós, então não nos preocupamos, pois não podemos com nossas ânsias, preocupações e impaciência acrescentar “nem um côvado à nossa estatura” como bem nos lembrou o mestre Jesus.  Quando nossos sonhos e projetos, radicam em algo maior que nós, podemos ficar tranquilos pois tudo se realizará, sem ser necessários grandes esforços  de nossa  parte. Na verdade, você deve se manter sereno e confiante, observando o desenrolar dos fatos e agindo quando a situação assim o exigir, essa ação fluirá facilmente pois está de acordo com o Tao. E então, perceberemos que, NÃO somos  nós que agimos, mas é o Universo ou Deus que age através de nós. Desta forma, estabelecemos o equilíbrio em nossas vidas. Passamos a viver em um estado de paz , bem aventurança  e  a abundância passa a fluir como “rios de água viva”, tendo reflexo em todas as àreas de sua vida: pessoal, profissional e espiritual. Obviamente, não estou me referindo ao esforço despendido no trabalho e nos estudos, falo dos esforços empreendidos no sentido de forçar a realização de algo que claramente sentimos não ser viável.
O REINO DE DEUS EM PRIMEIRO LUGAR
Alguém pode argumentar: “Mas Jesus não disse, em várias passagens do evangelho, ‘batei, batei e abrir-se-vos-á’. Mas será mesmo que ele estava falando de coisas materiais, de pessoas e realizações mundanas? Ou será que ele estava falando sobre a busca espiritual? Sobre a nossa busca por Deus, Iluminação, Verdade? Ora, certamente, Jesus não iria ser tolo de incentivar em nós atitudes poeris e egoístas. Por isso ele mesmo esclarece :“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será acrescentado”. Com esta sentença ele explicou que a prioridade da nossa busca deve ser  pela sabedoria, pelo Reino de Deus dentro de nós e pois, ao encontrá-lo, tudo mais nos virá naturalmente e com abundância.Está claro, então, que nossa perseverança, insistência e teimosia, não deve ser por coisas materias de qualquer espécie. Jesus, o maior de todos os sábios e iluminados, nunca nos incentivaria o veneno do desejo- sentimento infantil, egoísta e fomentador de ilusões. Os indianos sabem há milênios que o desejo é poderoso e criador, mas também é venenoso e perigoso- pois nos prende em nossas próprias teias, também conhecida por carma. Carma é resultado dos nossos desejos, pensamentos, sentimentos e ações. É o retorno das nossas próprias vibrações,  mas essa força posta em movimento por nós mesmos, nos aprisiona mais e mais à mente, ao ego, à ilusão e, consequentemente, ao sofrimento.
OBSTINAÇÃO NÃO É OBSESSÃO
Para concluir, quero deixar a definição do Aurélio sobre obstinação. Segundo o notável linguísta, uma pessoa obstinada pode ser “perseverante, decidida e firme”, mas também pode significar  “teimosa, inflexível e irredutível”. Um dos maiores desafios do ser humano é identificar quando a  perseverança saudável torna-se  uma  estúpida teimosia  ou uma perigosa obsessão.  
Fiquem com Deus e obrigado pela leitura.
AUTOR : ALSIBAR ( sob inspiração)
MSN: alsibar1@hotmail.com