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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O APEGO E A DOR- The attachment and the pain


É possível compreender e se libertar do apego ? Qual a relação entre apego e dor? É possível alguém viver desapegado, sem se tornar insensível, cruel e frio?O que a meditação tem a ver com isso tudo?
As tradições religiosas em geral pregam que o apego é uma das causas do sofrimento humano. Na vida diária, não é difícil perceber o quanto o apego  causa dor. Não é fácil separar-se das coisas que tanto se ama -seja o que for: um amor, um parente, um amigo, um trabalho, um animal, um objeto, uma rotina, um lugar, nosso corpo, a juventude, a vida etc. Essas coisas são muito caras e ninguém quer perdê-las ou delas se separar. Diante das inevitabilidades da vida- a perda, a separação, a velhice e a morte -a pessoa sente o quanto aquele apego pode custar-lhe caro. Em geral, as pessoas não sabem lidar com aquela dor tão peculiar a esses momentos. Será possível compreender o apego e dele se libertar? É possível gostar, amar, sentir, sem se apegar e sem se tornar uma pessoa distante, fria e insensível?
Não é possível compreender o desapego sem compreender o apego. Por que a mente se apega a qualquer coisa? É por que lhe dá prazer não? Ninguém se apega ao que não traz satisfação, conforto e felicidade. Ao analisar bem esse assunto, apesar do apego estar ligado a uma sensação de prazer, o que o alimenta não é a experiência em si- mas sim o desejo de continuidade . Posso ter várias experiências prazerosas, senti-las, vivê-las plenamente e quando elas cessarem, não permitir que a lembrança daquela experiência se transforme em um "desejo por mais"? Afinal, é isso que causa o sofrimento, não ? Ou seja, posso viver cada instante, sem desejar a continuidade daquele instante? Por exemplo: posso viver o prazer de estar ao lado da pessoa amada- mas quando não estiver, não sofrer por isso? Posso viver a alegria de estar em um lugar lindo e maravilhoso- mas quando não estiver mais- posso deixar as experiências e lembranças lá- sem transformá-las em um motivo de pesar? Posso viver cada momento, tão plenamente, que  não reste nenhuma sensação de insatisfação e incompletude?
O apego nada mais é do que o desejo de continuidade de uma experiência de prazer ligado a algo ou alguém. Uma vez que perco aquilo que me dava prazer, sendo o meu presente triste e vazio, lembro-me das experiências do passado e  desejo ardentemente sua continuidade como forma de amenizar meu sofrimento. Em suma: o ciclo do apego pode ser resumido na seguinte fórmula:

PRAZER> PERDA> DOR> MEMÓRIA> DESEJO DE CONTINUIDADE

não necessariamente nesta sequência. O ser humano está acostumado a considerar essa cadeia como algo normal e natural.  E, por nunca questionar sua validade, de repente, se vê nas garras da dor e do sofrimento. Mas é possível ser uma pessoa saudável, ter uma vida normal e equilibrada- sem cair nas  armadilhas do apego?
Conhecer o ciclo do apego é o primeiro passo para a libertação. O problema, pelo que percebo, não está na experiência do prazer- mas no  desejo de continuidade, ativado pela memória, tendo como causa principal, a dor causada pela separação. Posso olhar minha dor diretamente sem medo- sem justificá-la, sem nomeá-la, sem procurar dela fugir? Posso simplesmente olhar como minha mente cria este ciclo, ficar consciente dele, percebê-lo claramente sem querer alterá-lo ou dele escapar? Posso ficar com o “fato” e compreendê-lo em sua totalidade-de forma que aja apenas o fato e nada mais?

 Certamente que perceber o fato inclui a percepção de todo o ciclo- minha dor, minhas memórias e meu desejo de fuga ou continuidade. Em geral, são as memórias a causa dos tormentos pois a mente é escrava das memórias, das imagens do passado. As imagens da pessoa, coisa ou situação  continuam, ainda por muito tempo, vivas em na mente. Quando a mente percebe que a realidade é outra, que estas coisas não existem mais, o que ela faz? Ela reativa as lembranças como forma de evitar a realidade dolorosa. Mas -você pode perguntar- apenas a compreensão e a percepção de tudo isso é capaz de  libertar do apego e da dor ?  

A resposta a esse questionamento é a seguinte : enquanto não houver o percebimento de que o próprio desejo de se libertar da dor é em si o alimento da dor- nunca haverá libertação. Assim, o que fazer? Diretamente nada. Indiretamente,  muita coisa. A própria percepção clara e direta deste ciclo – “percepção sem escolha” como diz Krishnamurti- faz a mente libertar-se deste ciclo. Em outras palavras, quando a mente percebe que qualquer movimento da sua parte não pode transformar ou mudar esse ciclo- então o que ela deve fazer? Relaxar, não? E esse próprio perceber e consequente relaxamento e quietude- produzirá uma mudança  independente de qualquer ação direta por parte da mente.
Agora, ao se perceber todo esse ciclo o que se pode fazer em relação a isso?  É possível tornar cada experiência um momento novo e único? É possível olhar diretamente para a realidade independente do que ela seja, de forma que não haja mais a tristeza, nem a memória, me impelindo a evitar a dor e desejar o prazer? Em outras palavras, posso viver cada momento, sem permitir que a memória me roube a experiência direta com o agora -que é único -seja ele o que for ? Isso é uma maneira de viver que poucos, muito poucos conhecem. Em geral só vive-se de memórias, lembranças, medo e desejos e a vida se torna uma eterna busca pelas experiências passadas e que se tenta revivê-las. Nesse ínterim, perde-se o aquiagora- que não é bom nem ruim- somente é.
Sim- é possível um novo caminho. Mas para isso, é necessário aprender a experimentar a realidade do agora- “que é”- sem medos, receios e sem a interferência da palavra, das memórias e imagens do passado. A meditação é exatamente a vivência dessa  outra maneira viver a vida. Na meditação, vive-se o presente plenamente. No presente não há perdas,  pois ele é completo em si- não deixa margens para ideais, imagens, desejos ou lembranças. Na meditação, tudo o que existe, existe neste momento de percepção. E se tudo- absolutamente tudo o que precisamos está no aquiagora- não haverá carência psicológica de espécie alguma e- consequentemente- nenhum espaço para o apego, nem para a dor.
Experimente e constate por si mesmo!
Alsibar- (inspirado)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

É POSSÍVEL LIBERTAR-SE DO SOFRIMENTO? Is it possible to be free of the suffering?

O homem sempre buscou a libertação do sofrimento

O sofrimento é algo muito complexo. O que os mestres têm a dizer sobre isso?  Existe um estado livre do sofrimento físico ? E do psicológico? Neste texto, faremos algumas reflexões sobre o sofrimento e sua libertação.

    Há pessoas que se “acostumam” com o sofrimento por vários motivos. Por medo, comodismo ou por que aprenderam a ver o sofrimento como uma coisa natural. Há muitas pessoas nesta situação. É a esposa que sofre com a violência do marido. É o casal acostumado às brigas e à infelicidade; os solitários, as viúvas e aqueles que sofrem grandes perdas. Mas, acostumar-se com o sofrimento não é a mesma coisa que libertar-se dele. O que realmente nos interessa é a libertação do sofrimento psicológico. Não é disso que os mestres iluminados falaram ao longo dos séculos?
É possível libertar-se do sofrimento?
   É possível alcançarmos a Libertação ou Moksha?  Buda chamou esse estado de Nirvana. Ele compreendeu a cadeia do sofrimento e ensinou à humanidade o caminho de sua  extinção. Outros mestres, como Cristo e Krishnamurti, também ensinaram este caminho- cada um a seu modo.  Para Buda, todo homem deve buscar as causas do sofrimento em sua origem. Extirpando-se as causas, eliminam-se os efeitos.O homem assim liberto não retornaria mais a esse mundo. Livra-se do Samsara- a roda de nascimentos e mortes. 
Jesus: a Verdade liberta do inferno interior
         Para Jesus, a Verdade liberta o  homem da angustia e do tormento do inferno- um estado de espírito sintetizado pela expressão "choro e ranger de dentes". Krishnamurti, advoga uma libertação realizável no aqui agora. Ora, a liberdade só pode acontecer no agora. Mesmo que exista um paraíso ou um céu não há salvação para o homem que não extirpou de si a causa da dor, a saber: o EGO. Assim, onde ele estiver seja na Terra, nos céus, no paraíso ou em qualquer outro suposto plano invisível-lá estará o seu inferno particular . Por isso que o céu e o inferno são considerados estados da alma. Pois "onde estiver seu coração- aí estará o seu tesouro”.
A libertação é possível no aqui agora
     Infere-se, então que a libertação deve ser “buscada” no agora e dentro do homem. E será possível ao homem alcançar a libertação ao longo da vida? Sim, é possível. Do contrário, qual seria o sentido de tudo isso?  Essa libertação deve estar acessível a todos os homens- se eles não encontram é por que não a buscam. Mas o que é esta libertação? Como vive alguém que alcançou ou descobriu este estado? 
No passado o anacoreta simbolizava a  espiritualidade

        Essa é uma questão complexa que confundiu muita gente ao longo dos séculos. Antes, muita gente tinha mente que uma pessoa liberta viveria como um anacoreta, um sanyasin (renunciante). Assim, muitas pessoas se afastavam da vida mundana, abandonavam casa, família e emprego e iam para as cavernas ou para algum mosteiro dedicar-se à vida espiritual. Acreditavam, assim, estar trilhando o caminho da Libertação ( Moksha). Mas essa concepção mudou radicalmente. Depois do advento de mestres como Lahiri Mahasaya, Sri Yuktéswar e Krishnamurti- hoje compreendemos melhor este estado que tem mais a ver com   renúncias internas do que externas.

Lahiri Mahasaya- o iogue pai de família
  Conta-se que certa vez Yogananda foi dominado por um intenso desejo de ir para os Himalayas para dedicar-se completamente à meditação e alcançar a Graça Divina. Sri. Yuktéswar, seu mestre alertou-lhe “Deus não está nos Himalayas”. Lahiri Mahasaya foi um outro exemplo atípico. Apesar de ser um grande iogue, de profunda sabedoria e elevação espiritual não se isolou do mundo, nem abandonou seu lar. Continuou tendo uma vida familiar relativamente normal, trabalhando e cuidando da esposa e dos filhos.

          Krishnamurti também ensinou-nos  que um iluminado não está obrigado a viver isolado do mundo. Ao questionar os motivos ocultos que fazem uma pessoa fugir da sociedade sob o pretexto de uma suposta renúncia, fez-nos refletir que nem sempre a atitude exterior corresponde à interior- sendo, esta última, mais importante. Se alguém renuncia com o intuito de alcançar algo, isto é renúncia? Ou seria apenas uma troca? Ou seja, se alguém   abandona o mundo “ material” mas deseja alcançar as riquezas do mundo espiritual- isso é renúncia? Ou a verdadeira renúncia é ação que nada pede, nada almeja, sendo assim, completa em si mesma?
Krishnamurti: a verdadeira  renúncia é interior.
     Destarte, a vida espiritual foi mal compreendida durante muito tempo. Hoje sabemos que que só há um tipo de renúncia : a interna. É quando o sujeito se desapega das sua posses internas, dos desejos, do pensamento, da ambição, da arrogância, do orgulho, do EGO enfim. Ser interiormente livre é a verdadeira libertação. Ninguém precisa deixar família, rotina, trabalho, amigos Se  ocorrer alguma mudança exterior, isso terá sido de forma natural e espontânea. Resultado de uma compreensão mais profunda da vida e de si mesmo. 
  Compreender o sofrimento,  penetrá-lo, ver a verdade sobre ele- é certamente o começo de sua libertação. O sofrimento físico decorrente de doenças, velhice, fome, violência, privações etc sempre existirão. Como disse Buda  : viver é estar sujeito ao sofrimento ; a velhice, a doença, a morte e a dor sempre acompanharão a todos. Mas existe a libertação do sofrimento psicológico?

 Este é outro ponto que pouca gente compreendia e que Krishnamurti esclareceu de forma magistral. Muita gente pensava que Buda falava de um estado de total dormência ou vazio em que não era possível sentir dor alguma- nem mesmo a física. Hoje graças à visão lúcida de um Buda moderno como K. compreendemos que a libertação só se pode dar no nível psicológico e não físico. O próprio K., inclusive, sofreu muitas dores em seus últimos dias de vida levando-o a tomar altas doses de morfina. O corpo continua sensível não só as dores, mas ao prazer físico. O ideal de insensibilidade buscado erroneamente por muita gente, mudou para uma busca pela hiper sensibilidade. Como dizia K. "precisamos de uma mente sensível aos sons, ao ambiente, à natureza".
Nosso sofrimento é de natureza perceptiva
      A libertação, portanto,  pode ser encontrada, ainda nesta vida .Alguém disse certa vez, que todos os nossos problemas são de natureza perceptiva. Sendo assim, a forma como você percebe as coisas, a si mesmo e ao mundo determina a intensidade do seu sofrimento. Essa mudança de PERCEPÇÃO  não carece de esforço, tempo, disciplina, método ou mestres.  Pode e deve ser feito no aqui agora . Ela  não é um resultado de um longo processo, nem está no fim de uma longa jornada. Está além do tempo e do espaço. Krishnamurti novamente   dá uma reviravolta nas crenças estabelecidas e subverte a lógica cartesiana do pensamento religioso dominante e explica que "A liberdade está no começo- não está no fim.”
Se você realmente compreendeu isso, então já encontrou a Libertação.
       Namastê!
Alsibar (inspirado)
http://alsibar.blogspot.com

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CRISES REPETITIVAS - Repeated Crises

  


O que são as crises? 
São situações de ruptura que desencadeiam mudanças . Elas são decisivas para produzir transformações necessárias à expansão da vida. Certas situações críticas são tão dolorosas que deixam marcas profundas em nossa psique - e até no corpo. Doenças  físicas e  psicológicas tais como: stress, pressão alta, depressão, distúrbios mentais e comportamentais- são alguns exemplos de marcas deixadas pelas crises.  Algumas crises são passageiras, outras estão sempre se repetindo, numa espécie de "eterno retorno"- mudam o cenário e os personagens - mas o roteiro básico é essencialmente o mesmo. É difícil entender como os mesmos problemas  teimam em retornar- por mais que tentemos evitar. Quem nunca teve uma sensação de " Dejavú" do tipo: "eu já vivi isso antes". A impressão é de estar preso  numa espécie de  “looping” do tempo. A questão é : como libertar-se desse círculo vicioso?

O COMEÇO DA LIBERTAÇÃO
 Perceber a própria parcela de culpa no encadeamento das crises é o começo da libertação. Entender o processo de fuga também. Fugir para as igrejas, drogas, futebol, relacionamentos, estudo, trabalho, sexo ou alguma outra atividade superficial, não impede o reaparecimento desses pesadelos recorrentes. Mudanças superficiais não atingem o cerne do problema e, por isso, eles voltam a aparecer. É necessário que se extraia as raízes do problema, de forma que não cresçam mais.  Mas onde estão estas raízes? Como exterminá-las de forma que não voltem a brotar?

PRIMEIRO PASSO : ASSUMIR A CULPA

  Ao admitir que as raízes estão dentro de si , um trabalho sério de libertação começa a ser realizado. Mas admitir isso não é fácil . A dor causada pela percepção da verdade sobre nós mesmos é muito forte- em alguns casos- insuportável . Olhar para si mesmo, ver os próprios erros e falhas é um verdadeiro chute em nosso orgulho . Isso pode ser angustiante, principalmente para aqueles que  idealizam demais a si mesmos.  Todavia, a verdade é que a situação crítica é criada pelas atitudes, pensamentos e sentimentos plantados no ontem. É preciso ter coragem  para admitir que tudo o que está ocorrendo - todas as crises e suas repetições - é resultado de nossas próprias ilusões e falhas do passado.

SEGUNDO PASSO: ARRANCANDO AS RAÍZES

Depois do primeiro passo, vem o segundo: arrancar as raízes causadoras das crises . Ora, isto poderá ser feito através de alguma ação direta da vontade? Ou haverá outra possibilidade?  Existe uma ação que não parta do ego, do centro- causador de todo o problema? Esta ação não é algo que se faz -mas surge com o percebimento da verdade sobre si mesmo- sem condenação ou julgamento- de qualquer espécie. É nessa hora que se deve ter muito cuidado . Deve-se olhar para si mesmo como realmente se é- e não a imagem idealizada criada por nós. Ora, se já nos vemos como seres perfeitos, completos e acabados - não há chances de mudanças ou transformação.  O que somos realmente? Ego, tristezas, desilusões, sofrimento, esperanças, condicionamentos, memória, vazio, desejo, conflitos etc. E, partindo desse pequeno feixe de retalhos - nos identificamos com algo maior que nós: Deus, Luz, Eu Sou etc. Mas quando o ego se  identifica com algo maior do que ele o resultado final é sofrimento e decepção. Tem-se que ver a realidade do que somos- não através do filtro do ego, da palavra, do pensamento- e sim no silenciar destes.

TERCEIRO PASSO : A VERDADE LIBERTA

Encarar a verdade transforma e liberta . Talvez, em nossa essência, sejamos luz, amor, paz etc. Mas não é isso que importa  nesta questão. É preciso que a pessoa se veja como é na atualidade e não na possibilidade.   E o que somos atualmente? Somos um movimento de forças em perpétuo conflito e contradição . Um emaranhado de energias desconexas e impessoais buscando a supremacia, a continuidade e a felicidade permanente . Um monte de lixo , metais comuns sendo cuidado como se fosse ouro . Talvez haja ouro por baixo de tanto lixo, mas isso é apenas uma possibilidade .
Enquanto a pessoa  não encarar sua própria verdade interior, a MATRIX da ilusão continuará dominando e escravizando .Daí a importância do estar consciente de seus próprios movimentos e realidade interna de forma direta- sem intermediários.

O AUTOCONHECIMENTO NÃO É UM PROCESSO DUAL

Compreender que o autoconhecimento não é um processo de análise dual constitui o quarto passo. Infelizmente,  poucas pessoas não compreendem o que é autoconhecimento. Muitos acham que é encontrar defeitos, julgá-los, admiti-los, e lutar contra eles. Nada mais equivocado . A análise parte do ego e como o ego iria analisar a si mesmo? Não pode .  A liberdade não está na autoanálise ( processo dual EGO-OBSERVADOR x EGO-OBJETO OBSERVADO). Nem mesmo na busca ansiosa pela autoconsciência, estado de alerta ou lembrança de si .  O motivo é muito simples : se há esforço, expectativa ou desejo, então o resultado será frustrante pois o ego não tem como por cabo a si mesmo. O desejo não pode cessar o próprio desejo, através do desejo. Esses são sinais claros de que o Ego "poluiu" o processo do autoconhecimento. No verdadeiro autoconhecimento, não existe dualidade. Isso é um paradoxo difícil de ser entendido. Em outras palavras: o estado de percepção/observação/autoconhecimento só se realiza através do não-esforço e da não-dualidade. Se alguém quer despertar seus poderes adormecidos tem que entrar na dimensão da unidade -onde não há nem o eu que busca (observador), nem o desejo (a ânsia pela observação), nem o objeto de busca (a transformação). Há simplesmente o observar, o perceber, o conscientizar.

APENAS FIQUE CONSCIENTE !
Quinto passo: apenas observe- sem fazer nada . Percebemos o mundo ao nosso redor através da "cortina" do EGO.  Esse EGO é como espelho distorcido que impede de ver a realidade como ela é . Essa verdade é o que você  é agora, não o que será no futuro. Evite as idealizações e projeções. Este é o verdadeiro  autoconhecimento. "Olhe" para si mesmo. Olhar é ficar consciente de seus pensamentos, desejos, emoções, sentimentos, reações e atitudes diante dos desafios e circunstâncias reais.  Mas se no começo for difícil- não deixe a ansiedade lhe dominar ."o desejo, a expectativa" de se alcançar este estado , ou mesmo de prolongá-lo -cria um novo problema. Por isso, não se esforce, não ansei por isso. Deixe que este estado "venha" naturalmente, que ele se estabeleça por si mesmo. Mas, faça sua parte: sempre que se lembrar mergulhe nisso. Evite analisar, criticar ou julgar aquilo que você percebe em você- seja o que for.  Tais atitudes apenas fortalecem o EGO, impedindo seu enfraquecimento e a transformação do centro . 

A CONSCIÊNCIA TRAZ A LIBERTAÇÃO
O sexto passo : consciência passiva . Se preferir, você pode reservar alguns momentos do dia  para entrar neste estado.   Mas , não se prenda a horários e rotinas. Todavia, se quiser, você pode reservar alguns momentos do dia - pela manhã ao acordar, à noite antes de dormir- para "VER".
Lembre-se : nesse estado, não há ator, não há entidade, não há Ego. Há apenas uma "consciência passiva" daquilo que é percebido. Mas não se deve achar que este é um estado de passividade mórbida. Não é. Há muita ação na observação silenciosa- apenas ela não é percebida pelo cérebro .Krishnamurti dizia :  "o observador é a coisa observada" . A partir daí, inicia-se um movimento, sutil, misterioso, além da atuação do ego. Esse "movimento" ativa as energias poderosas inerentes ao ser humano e elas estão fora do campo de atuação do EGO, do pensamento.

 Somente a CONSCIÊNCIA PASSIVA faz nascer o poder capaz de enfraquecer e vencer as atitudes recorrentes, mecânicas e condicionadas do EGO- responsáveis pelas crises repetitivas. Ao estabelecer-se uma mudança no centro controlados, as coisas mudam. E as crises cumprirão sua verdadeira função: a de desencadeadora de mudanças profundas no sujeito, fazendo com que ele evolua, cresça e se expanda em sua viagem rumo ao infinito!
               
Autor: Alsibar