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domingo, 8 de janeiro de 2012

PERGUNTAS E DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE MEDITAÇÃO E DESPERTAR - The most frequent questions about Meditation and Awakening


Devido a diversos questionamentos e dúvidas sobre meditação e autoconhecimento , resolvi escrever este artigo com o objetivo de esclarecer alguns pontos de difícil entendimento sobre o "mecanismo" do despertar. As respostas e reflexões aqui apresentadas, devem ser consideradas dentro da visão relativista das coisas e não como verdades absolutas. Não falo como guru, mas como um irmão mais velho que devido à experiência e maturidade, pode ajudar os mais novos e inexperientes a encontrar seu próprio caminho.
1.     Alguns instrutores e movimentos religiosos pregam que tudo já é perfeito. Ora, se assim o é, então por que precisamos meditar?
A ideia de que não precisamos fazer nada, pois tudo “já é perfeito” é uma concepção que deve ser compreendida corretamente sob o risco de tornar-se fonte de ilusões. Podemos dizer que esta concepção é  correta e errônea ao mesmo tempo. Do ponto de vista do Absoluto, tudo já é perfeito, pois tudo ‘JÁ É’. Se Deus é tudo e tudo é Ele, então tudo é perfeito, pois Ele é Perfeito e todas as coisas são do jeito que são porque não poderiam ser melhores- pois se pudessem certamente seriam. 

Todavia, sob o ponto de vista da relatividade, ou seja, do ponto de vista do observador em sua subjetividade,  nada está perfeito. Pelo contrário, há muito o que "fazer", mas este “fazer” tem que ser corretamente compreendido. Nada pode ser feito enquanto formos escravos das ilusões. Assim, temos muito o que fazer sim. E o que podemos fazer? Libertar-nos da ilusão do ego-pensamento. Este é o primeiro passo. Um homem sob efeito de bebida, sono ou delírio, nada pode fazer por si mesmo.  Da mesma forma é a humanidade. Enquanto  o indivíduo não se autoconhecer e não "acordar", suas ações serão confusas e equivocadas. No Quinto Evangelho, Jesus fala o seguinte:

" Assumi meu lugar no mundo e revelei-me a eles na carne. Encontrei todos embriagados. Não encontrei nenhum sedento e minha alma ficou aflita pelos filhos dos homens, porque estão cegos em seus corações e não tem visão. Pois vazios vieram ao mundo e vazios procuram deixar o mundo. Mas, no momento, eles estão embriagados. Somente quando superarem a embriaguez,  mudarão a maneira de pensar." (aforismo 28)

Jesus diz que estamos "embriagados", ou seja, estamos sob o efeito de uma espécie de droga, ou força que nos tira a clareza de percepção para podermos agir de maneira correta e sábia. Em outras culturas e religiões essa força é chamada de Maya, Ilusão ou Ignorância. O primeiro passo é libertar-se dela, o resto virá por si mesmo.

2.     O que nos resta fazer então?
No atual estado em que se encontra, só há um caminho possível ao homem: acordar!  Você confiaria nas palavras de um homem bêbado, drogado ou  hipnotizado? Certamente que não. Da mesma forma é a humanidade. Tudo o que ela fala, sente ou faz é desprovido de verdade e consistência. Se observarmos bem, há uma enorme distância entre  os discursos e as ações e – o pior- o homem não percebe suas próprias contradições. Desejam  ir para o Norte, mas se dirigem para o Sul. Diz querer “amar o próximo” mas tudo o que faz aponta no sentido contrário. A contradição está na raiz de quase tudo o que o homem diz e faz. Por isso, só lhe resta uma coisa: Despertar!  Do contrário, não sairá do lodaçal em que se encontra. Nesse estado de confusão, tudo o que ele faz, pensa e diz, ocorre apenas em sua mente , como num sonho. Exatamente como foi retratado no filme Matrix… apenas sonha que faz, mas na realidade está dormindo.

3.     Qual o caminho do DESPERTAR?
A MEDITAÇÃO.

4.     O que é MEDITAÇÃO?
Não é fácil definir meditação. Talvez nem haja definição para ela. Krishnamurti deu mais de mil definições sobre meditação ao longo de sua vida. Há coletâneas completas somente sobre isso.  Cada vez que ele falava, dizia algo diferente, ampliando ou explorando outras perspectivas desse “misterioso estado”.  Seria mais fácil dizermos o que ela "não é". Primeiramente, ela não é um método ou uma técnica que se possa praticar. Há centenas ou milhares de ‘métodos” de meditação por aí. Krishnamurti foi o sábio que mais insistiu sobre a natureza “não-metódica” da Meditação. Até mesmo o Zazen,  que originalmente surgiu como um “não-método”- ainda é ensinado por alguns instrutores como sendo algo que se deva praticar. Poucos, muito poucos compreendem o verdadeiro espírito do Zazen- “o sentar-se sem fazer nada”. Não há Zazen enquanto houver um aspirante que pratica um método pra se alcançar um estado. Somente quando não houver nenhum “praticante”, nem “prática”, nem nada a se realizar… é que surge o verdadeiro Zazen ou Meditação.
Ora,  até a Bíblia  fala sobre a Meditação como um estado de repouso e tranquilidade. Jesus afirma no Quinto Evangelho:

“vós também, buscai um lugar para vós no repouso, a fim de que não vos torneis um cadáver e sejais devorados"(afor-60).

Obviamente, o lugar de repouso não é um lugar físico, mas a Alma, ou o Ser do homem. Ainda no Evangelho de Tomé, ele esclarece: 

“ Se vos perguntarem: 'qual o sinal do vosso Pai em vós? Dizei: é movimento e repouso” (afor- 50).

Concepções análogas são encontradas nos ensinamentos de outros mestres e iluminados. “O estado de Imobilidade”- ensinado por Babají através de seus discípulos. O estado de “tranquilidade mental”, ensinado por Krishnamurti como condição prévia ao Estado Criador. O  ‘testemunhar silencioso’ de Ramana Maharish. E ainda, Krishna, no Bhagavad-Gita quando exalta " a mente estável” do Iogue auto-realizado. Tudo isso aponta para a grande importância que o silêncio e a paz mental tem  no processo do "despertar".
Daí se conclui: a meditação é a percepção ou descoberta desse estado de "paz, tranquilidade e repouso interior". Mas, essa paz  não surge como fruto de um esforço, de um desejo, de uma busca, de uma técnica ou disciplina. É um estado em que  não há um “eu” observando, há apenas a observação.  Nesse estado não há futuro, nem passado, nem presente- pois todas as concepções de tempo, são de natureza mental.  É uma dimensão Atemporal, além do tempo psicológico e do centro-observador.
Ora, quem é este ‘centro’? É o EGO não? Significa dizer que quando estamos ‘em meditação” não há mais separação ou divisão entre “sujeito e objeto”, “observador e coisa observada”. As concepções de tempo e espaço também desaparecem. E o indivíduo ver-se a si mesmo livre dos grilhões do tempo e das ilusões mentais. 
Concluindo: o homem pode e deve “fazer” algo: descobrir esta dimensão atemporal, incognoscível e insondável dentro de si.  Ao encontrá-lo não haverá mais dúvidas e nenhum "fazer" ou "praticar". Apenas um eterno e constante fluir, um morrer e renascer que ocorre de forma natural, sem a participação direta do "eu-ator". É um estado sem continuidade, sem tempo, sem medo ou ilusões.

5.     Por último, qual sua opinião sobre os gurus, as religiões e movimentos  organizados?
Tudo tem sua  importância e papel dentro do Plano Divino. As religiões, os movimentos e gurus tem, certamente, uma função dentro da Conjuntura Cósmica Universal, do contrário, não existiriam. É como se o Universo fosse um grande corpo onde todos realizam algum tipo de trabalho e exercem funções específicas- por mais simples que seja- tem sua importância. 

Há uma lógica e um sentido para tudo que existe. É como numa escola: qual o sentido do jardim de infância? Preparar as bases para  estudos mais avançados não? Os homens são como crianças em uma escola. Alguns precisam do "Bê-A-BÁ, outros já leem com facilidade, há alguns que  dominam a escrita e a leitura , há ainda aqueles com habilidades mais avançadas e que são capazes de desenvolver estudos mais complexos e abstratos. Mas penso que todos chegarão lá, uns mais rápido, outros mais devagar... outros quase parando . O "objetivo" é que todos cheguem ao ensino Superior onde possam tornar-se "mestres de si mesmos" de sua própria jornada e aprendizado. Os primeiros estágios são extremamente dependentes. Os intermediários se caracterizam por uma dependência relativa. Os últimos estágios são marcados pela capacidade de se guiar, estudar e aprender de forma autônoma e independente. Obviamente,  a ajuda dos outros sempre será importante, mas não haverá mais a dependência da autoridade espiritual, característica dos estágios iniciais.
Assim também é o homem em sua "embriaguez". Muitos são como crianças inseguras que precisam do apoio das religiões e dos gurus para sustentá-los ao longo do "caminho" que acreditam existir. Outros, são como adolescentes: já demonstram um certo nível de autonomia, independência e coragem- mas ainda muito limitado e imaturo. Outros são como adultos, mas mesmo esses há diferentes níveis. Há adultos maduros, seguros e independentes e há adultos  medrosos e inseguros. O fato é que, a variedade de religiões e “caminhos” refletem a variedade de níveis evolutivos do próprio homem. Se existisse apenas uma religião, muitos pereceriam pois não conseguiriam se “enquadrar” em um modelo apenas. Daí a importância de haver um “caminho” adequado ao estágio evolutivo de cada pessoa. Isso demonstra que a Sabedoria Cósmica Universal ultrapassa a visão limitada e radical de alguns religiosos conservadores. Não há verdade absoluta, nem apenas um caminho, e talvez não exista "Caminho". Cada um entenderá conforme seu grau evolutivo de compreensão e maturidade espiritual.
Por mais que não se queira, as concepções religiosas individuais e coletivas, evoluem à medida que o próprio indivíduo, ou humanidade evolui. Assim, não há religiões, nem caminhos certos ou errados.  Há religiões "erradas" ou inadequadas para determinados tipos de indivíduos. Mas, estas, por sua vez, podem se adequar perfeitamente em outros tipos de pessoas - exatamente como uma roupa, ou calçado.  Por exemplo: seria errado e até “impossível” colocar um Phd para estudar no “jardim”- pelo simples fato de que ele já ultrapassou aquele nível de compreensão. Da mesma forma, seria ‘errado’ colocar uma criança do jardim pra fazer o Ensino Médio, ou Graduação- por razões óbvias.
Mas o certo é que todos estão aqui para evoluir através do despertar da consciência. E assim como há crianças que repetem o mesmo ano várias vezes, há também indivíduos que ficam estagnados em um mesmo nível durante toda uma vida o que pode levar anos, séculos ou milênios- caso exista a reencarnação. Por isso que todos deveriam buscar o crescimento e a evolução interior independente de religião, movimento ou organização. Ninguém precisa deixar sua religião, guru ou movimento desde que estes não limitem ou impeçam a evolução e  o amadurecimento espiritual. 

Assim, quando chegar a hora de partir, parta. E quando se sentir seguro e maduro,  siga seu caminho sem medo.  Cuide para não cair na ilusão de que  alguém (guru, mestre, ou organização) possa lhe dar a Paz, a Luz, a Verdade ou a Salvação . Lembre-se que sua parte é ficar consciente disso como uma realidade intrínseca que já está aqui agora e que ninguém pode dá-la - pois nunca foi perdida. Os mestres, tais quais professores, apenas apontam o caminho do aprendizado, mas eles não podem aprender ou estudar por você.  Cada um deve fazer sua parte. Do contrário corre-se o risco de se "repetir de ano" várias vezes.

A meditação e o autoconhecimento não são práticas- no sentido literal da palavra- são níveis de percepção e compreensão que traz a sabedoria e nos permite avançar de "série" à medida em que você se expande, se aprofunda e se ilumina. E assim, caminha-se em direção a estudos mais avançados aqui mesmo ou em outras dimensões...  Por que não?
Muito Obrigado!
Alsibar ( inspirado)
http://alsibar.blogspot.com
Contatos, perguntas, sugestões e críticas enviem para:
email e msn: alsibar1@hotmail.com
Facebook: Alsibar Barbosa

terça-feira, 4 de outubro de 2011

AS RELIGIÕES E A NATUREZA HUMANA: ONDE VOCÊ SE ENCONTRA? The religions and the human nature: where are you?



Como o homem escolhe sua religião? O que a religião tem a ver com as nossas tendências e com o nível de desenvolvimento intelectual e espiritual de cada um?Em qual degrau ou “nível” você se encontra?Vamos refletir sobre isso?
Dizer que escolhemos as religiões ou caminhos de acordo com nosso nível de desenvolvimento espiritual pode parecer- à primeira vista- um disparate. Mas, a literatura espiritualista está repleta de afirmações que corroboram esta tese. Gurdijieff dizia que há sete níveis de homens e cada um escolhe seu caminho de acordo com o nível em que se encontra. Assim, há uma religião para os chamados homens “comuns” que são os que estão nos níveis 1, 2 e 3. G. explica que a religião do homem nº 1, está baseada em ritos, sacrifícios e cerimônias. A do nº 2 é a da emoção, da adoração, da fé e do entusiasmo. A do nº 3 é a baseada na teoria, no intelecto, nas argumentações e e na retórica. Quanto à religião do homem nº 4 em diante, explica G. pegando o Cristianismo como exemplo:
“De fato, o Cristianismo nºs 1, 2 e 3 não passa de uma imitação exterior. Só o homem nº 4 se esforça para tornar-se um cristão e só o homem nº 5 pode realmente ser um cristão. Porque, para ser um cristão, é necessário ter o ser de um cristão, isto é, de viver de conformidade com os preceitos de Cristo. Os homens nº 1, 2 e 3 não podem viver de conformidade com os ensinamentos de Cristo, porque para eles tudo “acontece”. São arrastados ao acaso dos acontecimentos, vão à deriva. Não são seus senhores e, por conseguinte, mesmo que decidam ser cristãos, não podem realmente ser cristãos” (F.E.D-pg94)*
Tendo em mente que os ensinamentos de G. tem sua origem nas escolas de mistério e que estas encerram verdades profundas e reveladoras- não devemos então desprezá-los. Outra fonte, que nos esclarece sobre isso, é o próprio Bhagavad-Gita. Krishna diz que a fé dos homens pode ser de três tipos de acordo com os modos da natureza que cada um adquire: bondade, paixão e ignorância.  Afirma, Krishna :
“Os homens no modo da bondade adoram os semideuses; os no modo da paixão adoram os demônios; e os no modo da ignorância adoram fantastmas e espíritos”(B.G.)**
A seguir, Krishna explica em detalhes as práticas devocionais e os caminhos de cada um, de acordo com sua natureza.
 Deixando de lado as citações dos livros sagrados- que nos serviram de introdução a este estudo- vamos refletir em conjunto sobre a questão: religião versos nível de desenvolvimento espiritual, sempre lembrando que -o objetivo aqui não é defender uma posição radical e absoluta - mas sim ajudar na reflexão livre e imparcial sobre esta questão.
Ora, parece-me haver, não apenas sete ou três tipos de homens de acordo com seus níveis espiritual e intelectual, mas diversos tipos , níveis e subníveis. Obviamente, quando se estabelece números como sete ou três, há aí uma clara preocupação com a simplicidade e a pedagogia daquilo que está sendo ensinado. Mas, ao observarmos a realidade e os fatos, percebemos que assim como há tantos e variados tipos de homens- há também caminhos e religiões. Todavia, a questão fundamental é : essas variedades de religiões são prejudiciais ou benéficas à humanidade? Até que ponto poderemos considerar os diversos caminhos, movimentos, seitas e religiões como algo nocivo ao homem?
Tudo depende do ponto de vista e dos referenciais adotados. Em uma visão mais geral e superficial, poderemos dizer que todas religiões desempenham um importante papel na direção, orientação e iluminação humana. E, talvez, esteja aí a explicação do porquê de haver tantos e variados caminhos . Ora, será que todos os homens devem realmente seguir apenas um único caminho? Por mais que queiramos dizer que há único e verdadeiro caminho, sabemos que na prática, isso não ocorre. Todas as religiões e seitas dizem a mesma coisa. Todos os gurus e líderes asseveram a superioridade de seus caminhos em detrimento dos outros. E o que acontece de fato? Uma infinidade de rotas, de vias, que o homem leigo em sua busca- se depara, sem saber ao certo, para onde seguir.
Assim, vejamos, por exemplo as religiões cristãs pentecostais e neo-pentecostais.  Elas atendem a um certo tipo de mentalidade. Ou seja, a uma demanda que , do contrário, caso não existissem- poderia deixar muita gente perdido e sem rumo. Por isso que, em geral, percebe-se uma predominância de ex-drogados, ex-alcoólatras, ex-traficantes, ex-viciados etc. Aquele caminho, seguido e defendido por eles, se apresentam como tábua de salvação de muitos males e vícios prejudiciais a sua vida profissional, social e familiar. Sem esta “ferramenta”, sem esse apoio que a religião lhes proporciona, o que seria dessas pessoas? Muitas delas, através da religião que lhes fortalece fé e autoestima, conseguem ressignificar suas vidas e passam a ter força e energia para superar barreiras, alcançar a prosperidade e serem “felizes”-dentro da concepção do que para elas significa felicidade.
Da mesma forma há outras religiões e outros caminhos que as pessoas seguem de acordo com o que lhes parece conveniente e apropriado para sua própria vida. Assim, quando um pentecostal, sai da igreja católica- por exemplo- ele se considera mais “evoluído’ por que abandonou as imagens, os santos e a autoridade eclesiástica da igreja católica- isso lhes dá uma sensação de renovação e de que “agora” está realmente seguindo Cristo. E assim por diante. As pessoas seguem aquilo que na sua visão vai lhes trazer benefícios como paz, tranquilidade, felicidade, renovação, prosperidade, significado à vida etc. Nesta visão, cada religião tem uma função própria , atendendo cada uma, um nicho, ou parcela de homens, de acordo com suas necessidades, tendências, tipos e níveis.Independente de crermos nisso é o que realmente acontece no mundo. Percebemos, assim, que no caminho da nossa evolução espiritual, as religiões funcionam como degraus que nos impulsionam para o próximo nível.
Sendo assim, está tudo perfeito, não? Em um determinado nível sim. Em outro nem tanto. A questão é a seguinte: os diversos caminhos, em geral, elevam seu nível acima do que você estava antes . Todavia, normalmente, ela não te eleva a um nível acima dela própria causando, assim, uma espécie de estagnação. Ou seja, é melhor eu “ser” um cristão pentecostal, do que ser um traficante. Todavia, se não procurar elevar meu nivel espiritual , correrei o risco de ficar preso apenas à leituras,  pregações e proselitismos, esquecendo-me da transformação interior e da vivência verdadeira dos ensinamentos de Cristo.
Com base nesta perspectiva é que criei o esquema abaixo, partindo do 1 até o 10. Lembrando que, esse esquema, procura apenas organizar as coisas, dentro de uma perspectiva subjetiva e pessoal. A aparente gradação, não tem caráter absolutista , sendo apenas uma forma de organizar as coisas, facilitando a visão e o entendimento.Procuro, com este esquema, ajudar aqueles que estão buscando encontrar-se, mas sentem-se perdidos nesta infinidade de caminhos e informações. Que todos possam encontrar seu próprio caminho e aqueles que já encontraram, que possam se autoanalisar e refletir sobre o mesmo. Aceito as discordâncias, mas quero reafirmar que o que posto aqui não tem nenhum caráter de imposição de autoridade de qualquer espécie. Não sou dono da verdade e acho que ninguém o é. Defendo, no entanto, a busca baseada na reflexão, na investigação, no descobrimento e no eterno aprendizado. Que cada um possa encontrar sua luz  e seu caminho!
O ESQUEMA DAS RELIGIÕES X NATUREZA HUMANA
§  10    Negação total  das crenças, dos livros, dos gurus, das técnicas, das disciplinas e dos “caminhos”- foco na meditação, investigação e no autoconhecimento: apela à liberdade,  independência  e total autonomia do homem
§  9      Seguir ensinamentos e práticas provenientes de antigas organizações esotéricas para desenvolver a mente, o espírito e os poderes “ocultos”: aproximam-se de um ideal de liberdade, mas ainda atuam dentro da esfera do EGO, do conhecido
§  8      Praticar técnicas e seguir gurus- apela à dependência psicológica e à busca de uma segurança e estabilidade interior
o   7      Religiões que defendem a prática aliada à ações, como a caridade- apelam à esperança, à prática aliada à fé racional através do cultivo das virtudes
·        6      Religiões que defendem a prática proselista, a autoridade  dos livros sagrados e a fé  cega- apelam à crença, à fé cega e à ambição material e espiritual .
§  5      Religiões que defendem a adoração a santos,  imagens, e a obediência à hierarquia- apelam ao medo, à obediência e à autoridade espiritual.
o   4      Monismo- ex: cristianismo, apela à unificação das crenças e práticas sob comando de um Deus único
·        3       Politeísmo- ex: religiões pagãs- apela às paixões humanas
§  2       Sacrifícios de animais- ex: bramanismo antigo- apela às supertições e ao medo
·        1 Sacrifícios de humanos- ex: religiões tribais pré-colombianas. Apela ao medo


Muito Obrigado!
Alsibar (inspirado)
msn: alsibar1@hotmail.com
* Fragmentos de um ensinamento desconhecido- em busca do milagroso- P. D. Ouspensky-Editora Pensamento
** O Bhagad-gita- como ele é" A. C. Bhaktivedanta swami Prabhupada -1986

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

DEUS É UMA PESSOA? Reflexões sobre a visão antropomórfica de Deus- Is God a person? Reflecting on God's Anthropomorphic Vision

A Criação e o Caos
Como explicar o fato de uma criança inocente ser raptada durante uma missa e ser cruelmente assassinada? Como entender o fato de uma pessoa sofrer um acidente fatal ao fazer uma peregrinação  religiosa de agradecimento por ter sido salva de um acidente? Abaixo refletiremos sobre estas e outras questões que desafiam a  visão antropomórfica de Deus pregada pela maioria das religiões tradicionais.

FATOS QUE DESAFIAM A VISÃO ANTROPOMÓRFICA DE DEUS

Alguns fatos são tão intrigantes que põe em cheque a  lógica das religiões tradicionais, no que concerne à visão de Deus. Estes eventos sinistros, desafiam a nossa compreensão, o bom senso, e abalam a coerência  do discurso teológico tradicional. Será mesmo que Deus pode ser considerado um ser antropomórfico? ( forma e atributos humanos). Quando, diante de tragédias dolorosas, dizemos: “é a vontade de Deus!” não estamos tornando-o igual a nós e, consequentemente, reduzindo-o a nossa condição? Mas será que esta visão de um Deus pessoal é correta? Ora, se Deus é Onipotente, Onisciente e Onipresente e se tem vontades e emoções similares aos humanos por que permitiria tais acontecimentos ? Essa tese não tornaria Deus um ser sádico, cruel e omisso? Obviamente que isso não faz sentido. Então como poderemos lidar com tais questões de maneira, no mínimo, coerente?

COMO SABER QUAL É A VONTADE DE DEUS?

Há, certamente, muitas coisas além de nossa compreensão. Todavia , este argumento não pode ser usado sempre que nossas  crenças são desafiadas pelos fatos chocantes. O problema é que muitas religiões defendem a concepção de um deus antropomórfico somente quando assim lhe parece conveniente. Por exemplo, quando querem impor regras estritamente humanas , em nome de Deus.  Como alguém pode saber o que Deus quer ou não de nós? Alguns podem responder: “está nos livros sagrados”. Mas existem tantos e vários livros sagrados, tantas traduções e interpretações que não dá pra sabermos qual a mais verdadeira ou "autorizada".

A verdade é que, durante muito tempo, as religiões tradicionais usaram tais expedientes  para explorar, dominar e oprimir. A história já nos provou que este é um caminho perigoso , cujas consequências danosas a humanidade conhece muito bem. Quando edificamos uma “autoridade espiritual” o resultado são as divisões, os conflitos e as guerras. Não há religião, livro sagrado, ou intérpretes mais verdadeiro, sagrado ou autorizado do que o outro. Tais concepções fortalecem o fanatismo possibilitando a prática da crueldade em nome do Amor. No novo milênio, a humanidade precisa ultrapassar esse nível de compreensão puramente sectária, para uma visão mais essencial e universalista acerca da vontade divina.

 NÃO EXISTEM AUTORIDADES OU INTERMEDIÁRIOS

Temos  que entender uma coisa simples: ninguém é dono da verdade e ninguém é autoridade espiritual de nada. Aqueles que se autointitulam intermediários entre Deus e o Homem estão mentindo e explorando. Ninguém deveria aceitar como VERDADE concepções  radicadas no sectarismo,  na fé cega,  em teorias e especulações . A história nos mostra que muitas dessas visões e princípios  são impostas pelo poder estabelecido como forma de dominar as massas. Muitas delas, caíram, por terra com o passar dos anos diante da incontestabilidade dos fatos. Hitler pregava  a pureza e superioridade da raça ariana sobre outras "assim chamadas" sub-raças. A igreja católica pregava que o negro não tinha alma, que a Terra era o centro do Universo e que o papa era infalível. Dizia-se na antiguidade que o Império Romano era invencível e, mais recentemente, que o Titanic era o navio mais seguro da época.  Exemplos de crenças aceitas como verdade incontestável e que posteriormente provaram-se infundadas é o que não falta. Ou seja,  frequentemente nos vemos diante de situações que desafiam nossas crenças e certezas acerca da vida, levando-nos a reinventá-las ou repensá-las. Mas, infelizmente, muitos preferem continuam acreditando cegamente em algo - mesmo que seja totalmente sem fundamento.

NADA SABEMOS

Esses fatos apontam para uma coisa básica,  mas que teimamos em não aprender : NADA SABEMOS. Os cientistas vivem refazendo suas teorias e explicações acerca do Universo. Debruçam-se anos e anos à procura de fórmulas matemáticas e equações que consigam explicá-lo e não encontram. Assim também é na nossa vida. Como explicar a crueldade? As coincidências sinistras? As fatalidades? Devemos simplesmente fazer de conta que Deus  estava ausente ou estava “ocupado” demais e não viu  o que estava acontecendo? Sabemos que não  é assim. Uma concepção antropormófica de Deus  não se sustenta diante de tais fatos . Assim , não podemos considerar Deus uma pessoa, com sentimentos e emoções humanas pois, desta forma, ele perderia seus principais atributos: o de Amor,  Sabedoria e Poder Ilimitados e não seria, portanto, Deus. Infelizmente, é devido a concepções tradicionalistas como estas, que muita gente abandona a  espiritualidade para abraçar o ateísmo. Que nada mais é do que outra forma de crença. Isso é lamentável. Essas concepções equivocadas, ao invés de aproximar as pessoas de Deus , tem o poder de afastá-las.

SOMOS CO-CRIADORES DO UNIVERSO

Também é comum vermos alguns religiosos pregarem que se deve “exigir” coisas de Deus.  Alguns pedem, gritam, tentando impor suas vontades, como se Deus fosse alguém que cedesse às pressões humanas. Agimos com Ele como se fôssemos crianças choronas e teimosas  que pedem aos pais coisas que não podem ser atendidas. E, por incrível que pareça, boa parte dos desejos são atendidos ( não esqueçamos que a própria Bíblia diz que "somos deuses", portanto, co-criadores do Universo). Assim, quando pelejamos ou insistimos com Deus, muitas vezes somos atendidos. Mas isso não significa que essa seja “a vontade de Deus”- talvez seja a nossa própria vontade posta em ação.  Apesar de Jesus ter dito “pedi, pedi e dar-se-vos-á”, ele enfatizou várias vezes, que devemos nos resignar à Vontade do Pai que sabe, melhor que ninguém, o que é melhor pra nós. Não é à toa que na oração do Pai Nosso, ele  diz " Seja feita a tua Vontade assim na terra como no céu." 

SEJA FEITA A TUA VONTADE !

No Pai Nosso, Jesus diz : seja a feita a Tua Vontade.  Significando que não devemos pelejar contra a vontade de Deus. Mas, muitas vezes não ficamos satisfeitos. Vivemos reclamando ou infelizes e, muitas vezes, praguejando. O que se deve entender é que há momentos na vida para cada coisa. Há momentos de  ação e momentos de resignação. Aprender a diferenciar os dois é o começo da sabedoria.  Certa feita, Jesus disse : até o cabelo de vossas cabeças estão contados e não cai uma folha que não seja pela vontade do Pai. Eis então  o argumento perfeito para os ateus : se Deus é ilimitadamente poderoso e compassivo porque não age de forma a evitar calamidades, injustiças e crueldades? A resposta do senso comum  seria: ele é bom, mas é justo. Todavia, há centenas e milhares de casos em que crianças inocentes são vítimas de crueldade e injustiça. Sabemos que as religiões orientais, notadamente budismo e hinduísmo,  explica tudo isso através da crença na reencarnação e no carma. Mas será que essas explicações são capazes de nos trazer a paz e conforto? Para alguns, talvez sim. Todavia, não podemos considerar as crenças como sendo fatos. O fato é que são crenças. Será que não haveria uma outra forma de se considerar a questão, sem precisarmos recorrer às crenças?

 CONHECER A VERDADE PELA EXPERIÊNCIA DIRETA

Os verdadeiros místicos e sábios dizem que sim. Eles não defendem qualquer posição radicada na fé cega ou crenças. Em geral, são contra todo tipo de radicalismos e sectarismos, pois sabem  que tanto a crença quanto a descrença , impedem a experiência direta da Verdade ou Deus. Por isso defendem que o homem deve conhecer a Verdade diretamente. Sendo este o única caminho capaz de nos trazer a verdadeira paz e libertação da dor. 

A IDÉIA  ANTROPOMÓRFICA DE DEUS TRAZ DIVISÕES

Deus não pode ser reduzido às proporções humanas. Quando assim o fazemos, nós o destruímos . Como o Imensurável pode se encaixar dentro dos estreitos limites e medidas humanos? A idéia antropomórfica de Deus, torna-o mais próximo da gente mas, ao mesmo tempo, o distancia pois deixamos de vê-lo como a Essência de tudo que há no Universo. Essa centelha essencial se manifesta em todas as coisas, inclusive no homem. O deus antropomórfico, traz divisões e guerras pois as religiões dominantes  sempre brigam pela supremacia do seu deus, em detrimento dos outros "deuses". A verdade é que, as diversas formas e  imagens existentes sobre Deus refletem a cultura de um determinado povo, região e época. Talvez o Hinduísmo seja uma das poucas religiões tradicionais que aceitam a multiplicidade de manifestações divinas. Mesmo assim, ainda há grupos que discutem sobre qual é  a forma mais original, a mais poderosa ou suprema se é Brahma, Krishna, Shiva, Kali etc

DEUS É INFINITO, INCONCEBÍVEL E INCOGNOSCÍVEL

Os grandes místicos e sábios não se preocupam com tais dilemas. Suas experiências de Deus vão além de todo sectarismo . Assim, se entendemos que Deus é inconcebível, incognoscível, atemporal e ilimitado então resolvemos vários dilemas. Quando consideramos Deus como sendo "alguém"- no sentido humano, os fatos tomam aparência de crueldade e injustiça. Ora, se Deus é ILIMITADO e INFINITO, não podemos querer “abarcá-lo” ou “prendê-lo” nas garras da nossa lógica finita e limitada . Consciente disso é que o sábio reconhece sua própria limitação e lida com a questão de outra maneira  : se a vida no parece incompreensível isso se deve ao fato de atribuirmos a Deus  valores e medidas estritamente humanos. Então, concluímos que há coisas no Universo que nossa limitada capacidade nunca compreenderá. Ora, se não conseguimos compreender o simples universo visível, como compreenderemos o que é Invisível, Incondicionado, Atemporal e Infinito? Por isso, Lao Tsé dizia no Tao Te Ching: “o Inconcebível que se pode conceber não é o Inconcebível… o Sábio deve auscultá-lo no silêncio”. Posições bastante similares são compartilhadas por outros místicos e iluminados como Krishnamurti, Buda,  dentre outros.

RECONHECENDO NOSSAS LIMITAÇÕES

Desta forma, quanto mais tentamos entender as razões e o sentido das coisas, mais confusos e perturbados ficamos. Por isso é dito que o “sábio cala”. Não há nada a se falar ou discutir sobre Deus pois nunca teremos capacidade para compreendê-lo em sua magnitude e amplidão. Neste particular, os mitos e os símbolos exercem uma função  importante : são tentativas de comunicar de maneira simples e inteligível, concepções complexas e profundas. Como entender quando Krishna diz no Bhagavad- Gita: “ Eu sustento todo o Universo com apenas uma centelha do meu esplendor”? Como entender o Amor de Deus? Como entender a morte, a solidão, as perdas, as tragédias e o sofrimento que atingem a todos- muitas vezes sem   nenhum motivo aparente e de forma "injusta" pelos padrões humanos? Como entender o episódio que envolveu Hitler e sua escalada ao poder, permitindo assim, o Holocausto?  Só nos resta reconhecer nossas limitações e abandonarmos essa mania de querer entender as razões de tudo.

SOBRE A NECESSIDADE DAS CRENÇAS

Uma outra questão seria : será que as crenças  são necessárias a uma conduta ética e uma vida plena, equilibrada e saudável? Talvez para algumas pessoas a resposta seja sim. Todavia, algumas vezes, elas são verdadeiros empecilhos e até mesmo prejudiciais. Mas se tua crença não cria divisões, não incita ao ódio,  ou à ilusão, então não há problemas, desde que você esteja plenamente consciente de que  crenças não são a VERDADE. É algo que você escolhe confiar porque lhe parece razoável, ou lógico, ou porque lhe ensinaram assim. Mas temos que compreender que podem não ser exatamente como acreditamos que seja.  Então a questão sobre se Deus existe, qual sua aparência e quais suas "vontades e desejos"- nunca serão completamente respondidas. E qualquer que seja a conclusão que cheguemos, por mais confortadoras que sejam, não deixarão de ser crenças. Falando isso não estou afirmando que são falsas- as crenças podem ser verdadeiras ou não. Simplesmente não temos como comprová-las, se tivéssemos não seria crença. Mas, será possível irmos além das crenças? Sim, é possível.

INDO ALÉM DAS CRENÇAS E CONCEPÇÕES INTELECTUAIS

Para aqueles que não se satisfazem com as crenças, mas querem encontrar a Verdade, experimentá-la e vivê-la como uma experiência direta, então só resta um caminho : a MEDITAÇÃO. Todos os grandes mestres sem excepção, a ensinaram.  A meditação pode  transformar, iluminar, libertar  e unir os homens pois não está radicada em concepções teóricas,  mas na experiência direta e objetiva da verdade . A meditação pode libertar os homens das falsas concepções e fazê-los penetrar na dimensão do Desconhecido. Lá estão todas as respostas e o bálsamo para todas as dores. Quando o homem se liberta das limitações do pensamento, do tempo e do desejo passa ele a sintonizar-se com aquela Energia ilimitada, infinita e atemporal chamada Deus. Chegando aí o indivíduo não se questiona mais, não se confunde mais, nem exige, nem pede mais nada. Passa também a compreender que  Deus é simplesmente o Absoluto, sendo assim, é tudo o que existe: o perceptível  e o imperceptível,  o imanente e o transcendente; o que está dentro, fora, acima, abaixo e além.

HUMILDADE E FÉ DO HOMEM SÁBIO

Quando a mente questionadora silencia, não há mais espaço para sectarismos, radicalismos ou discussões teóricas acerca do transcendental. Ao  reconhecer suas limitações, o homem sábio demonstra humildade e fé no Absoluto. Também demonstra verdadeira confiança no Amor e na Proteção Divina pois não suplica ou impõe nada à Divindade. Se Deus é o criador e mantenedor Supremo, ele  nunca pode estar “ausente” ou “omisso”. Mas não compete a nós questionar suas atitudes e os movimentos do Destino Inexorável. Quando sentimos a existência de uma Força Superior do Universo, então qual o sentido da inquietação, medo ou preocupação? O sábio  relaxa pois sabe que Universo  existe por si mesmo e que sua vida não depende de sua medíocre e limitada vontade. Tudo que existe vive pela “vontade” do PAI. A "vontade do Pai" é apenas uma metáfora usada por Jesus  para expressar o fato de que o Universo é regido por Leis e Forças Superiores, matematicamente exatas, Infinitas, Inteligentes e Autocriadoras.

DEUS “É  O QUE É”

E se aceitamos que Deus  é o Absoluto Insondável, e portanto cria, destrói, comanda, sustenta e controla tudo no Universo, desde o pequeno átomo até as galáxias infinitas, então compreenderemos quando Ele afirma na Bíblia que “É O QUE É”.  E assim compreendemos quando os sábios afirmam que perceber  "o que é", é perceber a Verdade, o Desconhecido, Deus, enfim.

AUTOR : ALSIBAR (inspirado)

http://alsibar.blogspot.com