By Alsibar
Paz
A questão da oração é fascinante e complexa.
Para entendê-la melhor, precisamos aprofundar-nos nos tipos de oração. As orações praticadas
mecanicamente e de forma superficial usando modelos padronizados têm pouco
efeito sobre a humanidade como um todo. Orar pela “humanidade” enquanto você
age de forma mesquinha e cruel, não tem valor nenhum. São palavras vazias
jogadas ao vento. Os muçulmanos, judeus, cristãos, hindus e budistas, por
exemplo, oram bastante. Isso foi, inclusive, criticado pelo próprio Jesus. O
grande Avatar observou as pessoas que oravam e viu que, em geral, tinham pouco amor em seus
corações. E, obviamente, com tanta gente orando no mundo, era de se esperar que
a humanidade estivesse em um elevado grau de espiritualidade, mas não é isso
que vemos . Então, esse tipo de oração têm pouco ou nenhum valor em termos
coletivos. Já em termos individuais, ela proporciona um pouco de relaxamento
mental através do esquecimento momentâneo dos problemas, além de fortalecer a
esperança de alguns.
A oração que mais funciona é aquela
que é feita com sinceridade do coração e que é acompanhada de um trabalho sério
de autoconhecimento, busca por elevação espiritual e transformação interior.
Esse tipo de oração tem grande poder sobre quem a pratica pois eleva as
vibrações mentais, colocando o praticante em uma maior conexão com as altas frequências
da luz. Ou seja, para benefícios individuais, ela é perfeita. Mas, em termos
coletivos, ela tem pouco efeito. Explico:
Quando, através da oração, o
praticante se coloca em um estado mental de maior sintonia com as dimensões da
luz, ele está, naquele momento, mais propenso a receber inspiração, força e energia
das dimensões superiores. Isso impacta diretamente seu próprio espírito, sua
própria consciência. Agora, em termos coletivos, o impacto não é o mesmo e por
quê? Porque o coletivo é formado de mentes individuais, e apenas aquelas mentes
que estão em uma vibração mais próxima da luz e se tornam receptivas a elas,
conseguem se beneficiar dessas vibrações produzidas por esse tipo de oração. Nesse
caso, aquele que está nesse estado de oração impacta signficativamente o campo mental coletivo, com certeza, mas não
o individual. E por que? Porque no campo individual só “entra” aquilo que o
próprio indivíduo permite. Isso é prerrogativa do chamado “livre arbítrio”.
Significando que ninguém — nem nada — poderá
transformá-lo à força, a não ser que você mesmo queira e permita.
Um bom exemplo disso é Jesus. Ora,
quando Jesus estava na Terra, ele certamente impactou as vibrações da
humanidade tornando-as um pouco menos “pesadas”. Mas, quem sentiu isso de forma
significativa? Todo mundo? Claro que não. Os romanos, os escribas, fariseus e
doutores da Lei não sentiram nada. Isso porque sua densidade espiritual não lhes
permitiam sentir nada além daquilo que estava em sua própria faixa
de densidade. E quem foi tocado pelas elevadas vibrações de luz do Cristo?
Aqueles que estavam de alguma forma, vibrando em uma frequência mais elevada do
que a considerada normal. Aí estão inclusos os apóstolos, discípulos, seguidores e admiradores de Jesus. E para
fortalecer mais ainda esse argumento é sabido que nem mesmo os irmãos de Jesus
gostavam dele. Uma boa analogia para essa situação seria o Sol: ele emana luz
para todas as pessoas, mas quem vive em uma prisão hermeticamente fechada ou em
uma caverna escura não tem acesso a essa luz. Assim também é a prisão ou
caverna escura da mente dominada pela ignorância espiritual.
Portanto, “rezar pela humanidade” com
o coração cheio de ódio, raiva, ressentimento, falsidade, inveja, mesquinhez,
crueldade e ignorância é inútil. Ao passo que, mesmo aqueles que não oram, mas
vivem uma vida compassiva, equilibrada, reta e amorosa fazem muito mais pela
humanidade do que aqueles que passam o dia todo orando a Deus pelos “outros” mas não fazem nada de concreto para melhorar a si mesmo e ao
mundo no qual vivem.
Alsibar Paz : terapeuta, escritor e instrutor de meditação
08/05/26
