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sexta-feira, 29 de março de 2019

A PERIGOSA “MAGIA SEXUAL GNÓSTICA” DE SAMAEL AON WEOR




Esse artigo surgiu da necessidade de esclarecer e ajudar aqueles que enveredaram pelos caminhos  obscuros e perigosos da chamada “magia sexual” de Samael Aun Weor – fundador de um dos ramos mais  sinistros da tradição gnóstica. Não confundir com a verdadeira Gnose séria , milenar e tradicional  cujos ensinamentos  remontam a fontes mais genuínas e puras : os  grandes iniciados. Não é o caso do supracitado senhor . Como o escopo desse artigo não é fazer uma  análise da biografia desse  “prestador de desserviço à humanidade”, deixo a cargo de cada um a pesquisa séria sobre o perfil  e a vida  do fundador da citada organização.

Meu objetivo aqui é mais específico.  Vou tratar da tal “magia sexual gnóstica”  que nada mais é do que a relação sexual com uma mulher  em que o homem  retém o sêmen para não ejacular e, assim, não ter orgasmo . Para os defensores de tais práticas ,  liberar o sêmen durante o coito constitui pecado gravíssimo. Talvez pior do que aqueles elencados nos  10 mandamentos .  Em seus delírios de ascese espiritual, esses indivíduos acreditam que tais práticas podem levá-los à Iluminação, Nirvana ou Despertar espiritual. Mas tais rituais não levam a nada.  No máximo produzem sensação de poder, contenção natural de energia , loucura e doenças  do aparelho reprodutor.

Samael A. Weor
Ora, aquilo que você estimula para sair, tem que sair.  Estimular o aumento do desejo até seu ápice e depois simplesmente prendê-lo, além de ser anti natural e inútil é perigoso para a saúde  em geral. Não é  difícil fazer uma ligação entre tal prática bizarra e a suposta doença que  afetou o idealizador da mesma. Algumas fontes informam que Samael  morreu de câncer de próstata- obviamente as fontes oficiais negam. Por coincidência, um velho amigo meu que entrou na gnose, começou a sentir graves dores e foi aconselhado pelo médico a parar  com tais rituais sob o risco de  complicações e doenças sérias no órgão reprodutor.

Os ensinamentos de Samael não passam de uma salada ruim feita com frutas boas. Uma colcha de retalhos mal feita forjada com ensinamentos de várias tradições e mestres diferentes. Juntou tudo o que ele achava que “funcionava”  e dispensou o que não lhe convinha. Surgiu,  assim, um sistema de ensino dos mais  estranhos e ilusórios de todos.  Samael chega a ser mais perigoso  do que Gurdjieff.  Este último, apesar de seus deslizes e fracassos pessoais, no fundo era alguém que acreditava no que pregava e tinha vontade sincera de encontrar a Verdade. Ao final da vida, G. fez depoimentos e desabafos que foram muito reveladores. Ele assume sua impotência e a falha do sistema que ele  mesmo ensinou. Por esse ato de honestidade e coragem eu o  admiro. Apesar disso, seus discípulos continuaram ensinando aquilo que o próprio G. desacreditou no final de sua vida. De fato, o sistema de G.é incompleto e  falho. Um grande fracasso. Isso foi dito pelo próprio G. e pelo seu mais famoso discípulo : o Ouspensky.
Gurdjieff e Ouspenski

Samael não era tão nobre quanto Gurdjieff. Será por conta da retenção do sêmen que potencializou sua prepotência e cegueira espiritual? Em geral, os defensores dessas práticas são violentos e belicosos quando tratam da defesa de suas crenças e ídolo.  Normalmente são indivíduos inteligentes, capazes de escrever bem - e muito- sobre assuntos aparentemente profundos e coerentes mas que não passam de  fragmentos plagiados.  Samael já “copiava e colava” muito antes da  chegada da internet. O resultado é um aleijão, um Frankstein  feito de partes de ensinamentos de diferentes tipos- todos mal compreendidos.  

O ensinamento de Samael tem forte apelo sobre as mentes mais imaturas- espiritualmente falando- porque há neles grandes verdades- mas como estão fragmentadas, não levam a nada, não servem pra nada, não funcionam. São como  os “odres” velhos  em vinhos novos citados por Jesus. Ou os retalhos velhos em tecidos novos. Sua "mistureba" reflete não uma sabedoria profunda, mas a obra de alguém louco, narcisista e megalomaníaco. Uma das maiores fraudes do milênio passado.

Um dos sinais que apontam para o auto engano e auto mistificação é a mania de grandeza. Esse senhor, segundo eles mesmos, se considerava um grande avatar, uma espécie de messias da Nova Era. O pior é que  apenas ele era o sábio, o ungido, o iluminado.   Os outros ele desprezava. A forma desonesta e mesquinha com que forjou seu sistema chega a ser desprezível.  Ele se aprofundava nos ensinamentos de algum iluminado ,  líder ou mestre espiritual , depois “roubava”  algum ponto de seu ensinamento  para compor seu próprio  sistema. Ao terminar sua rapinagem intelectual, ele encontrava alguma maneira  de desqualificar aqueles de quem ele se beneficiara. Não é difícil encontrar   depoimentos   em que  Samael subestima Jiddu Krishnamurti chamando-o de “bodhisatawa iludido, perdido e traumatizado”- apesar de ter copiado vários pontos de seus ensinamentos. A mesma coisa ele fez com vários outros autores e mestres. Uma forma clara de auto promoção e tentativa fracassada de manter a exclusividade do papel do  avatar da era moderna.

Essa prática chamada de magia sexual provavelmente foi copiada de livros sagrados da tradição budista tibetana  e hindu conhecida comoTantra. O problema é que o Samael não tinha capacidade espiritual e intelectual para entender o verdadeiro sentido do Tantra. Essa tradição, em geral, usava  simbologia para expressar verdades profundas- exatamente para não dar pérolas aos porcos. Para afastar os desavisados e oportunista como o próprio Samael.  Vide  o Bardo Todol- o Livro Tibetano dos Mortos, que todos acham se tratar de um tratado sobre a morte , mas é sobre a Iluminação em vida.O sagrado está velado aos que não o merecem. E continuará assim, pois mesmo depois desse meu artigo esclarecedor, muita gente não entenderá nada do que eu expliquei . E mesmo que entenda não aceitará. Mas é pra ser exatamente assim. Desta forma, os verdadeiros ensinamentos continuarão preservados . A Verdade continuará velada aos despreparados e profanadores do templo.

A verdadeira magia sexual ensinada pelas grandes tradições é INTERNA. Não tem nada a ver com retenção de fluidos físicos produzidos pela estimulação natural do corpo . A inversão da energia sexual ocorre em nível sutil, interno. E não é nem mesmo uma energia material- é tão sutil que não pode ser manipulada , nem medida. A energia que se acumula com a retenção do sêmen ou com o celibato- por exemplo- é uma energia de ordem física. Serve para dar mais vigor, energia e potencializar os centros energéticos ou chakras- mas não é o trampolim para o Despertar . Ninguém se torna Iluminado por não fazer sexo. Ou porque faz sexo mas não ejacula. Tudo isso são ilusões e enganos.

Um dia, talvez , essas pessoas que defendem e praticam tais ritos, consigam se libertar dessa grande e perigosa ilusão. Esse artigo pretende contribuir para isso. Abandonem as superstição e  práticas erradas.  Sejam  honestos consigo mesmos e tenham coragem de se livrar de algo absurdo e anti-natural que é a prática da magia sexual gnóstica. Peçam a Deus com humildade que lhes revelem a Verdade e se o fizerdes com fé e sinceridade  vocês terão a resposta. Só assim vocês compreenderão que a Iluminação não tem nada a ver com prática nenhuma , muito menos com rituais estranhos , bizarros e prejudiciais.

Acorde enquanto é tempo!   Não seja insensato e inconsequente. Não deixe   a prepotência e a cegueira lhe levarem ao mesmo destino daquele que iniciou toda essa sandice grotesca chamada  magia sexual . Você não precisa ter o mesmo fim do Samael. O tempo urge, liberte-se agora!



domingo, 7 de agosto de 2011

DEUS, A CRIAÇÃO E O HOMEM SEGUNDO A GNOSE

GOD, THE CREATION AND THE MAN ACCORDING TO GNOSIS


Os cristãos gnósticos sustentavam que, no início, havia apenas Um. Esse Deus único era totalmente espírito, totalmente perfeito, impossível de ser descrito, muito além de atributos e qualidades. Esse Deus não é somente desconhecido dos seres humanos; ele é icognoscível. Os textos gnósticos não explicam porque isso acontece, exceto quando sugerem que ele é tão “outra coisa” que as explicações- as quais requerem tornar conhecível algo que não é conhecível comparando-o a algo mais- simplesmente não pode funcionar.
De acordo com os mais variados mitos gnósticos, esse Deus único icognoscível por alguma razão criou um reino divino a partir de si mesmo. Em alguns desses mitos, de algum modo as essências perfeitas desse Único tornam-se elas mesmas autoexistentes. Assim, por exemplo, esse Único passa a eternidade pensando. Ele pensa, é claro, somente em si mesmo pois ele é tudo que há. Seu próprio pensamento, porém, deve existir, pois ele pensa. Dessa forma, seu pensamento se torna uma entidade própria. Além disso, esse único sempre existe e, portanto, sua existência eterna, sua eternidade, existe, tornando-se uma entidade própria. Esse Único está vivo; na verdade, ele é Vida, e assim sua própria vida existe. A Vida então se torna uma entidade própria. E assim por diante.
Dessa forma, emergem desse Único outras entidades divinas, emanações do Um, camadas eons( Pensamento, Eternidade, Vida etc); além disso, alguns desses eons  produzem suas próprias entidades, até que haja um reino inteiro de eons divinos chamado às vezes de Totalidade ou, usando um termo grego, o Pleroma.
Os mitos gnósticos são desenvolvidos para mostrar não somente como esse Pleroma  veio a existir no passado da eternidade, mas também como o mundo em que vivemos veio  a existir e como nós mesmos chegamos aqui. O que esses mitos parecem ter em comum é a idéia de que há um tipo de movimento para baixo, dos espíritos para a matéria, e de que a matéria é uma degeneração da existência, o resultado de uma pertubação no Pleroma , uma catástrofe no cosmo. Em alguns desses sistemas, é o aeon   final o problema, um aeon chamado Sabedoria ou, usando o termo grego, Sofia. Os mitos têm modos diferentes de explicar como a “queda” da Sofia do Pleroma levou às terríveis consequências do mundo material. Um dos mitos mais familiares se encontra no Livro Secreto de João, um relato de uma revelação feita por Jesus a João, filho de Zebedeu, após a ressurr.eição. Esse livro foi um dos trabalhos descobertos (em várias versões) perto de Nag Hammadi, em 1945; uma versão desse mito pode ser encontrada nos resumos de Irineu. Neste mito gnóstico, Sofia decide gerar um ser divino sem a assistência de seu consorte masculino, levando a uma criação malformada e imperfeita. Temerosa de que seu ato incorreto fosse descoberto, ela retira sua criação do reino divino para uma esfera inferior onde ninguém possa vê-lo, deixando-o então, à sua própria sorte. Ela o chama de IALDABAÓ, um nome remininescente de  “Iavé o Senhor dos Sabás”, do velho testamento, pois esse ser divino malformado e imperfeito é o Deus judaico.
Adão e Eva no Éden
De acordo com essa forma de mito, Ialdabaó consegue, de alguma forma, roubar o poder divino de sua mãe. E se muda para bem longe dela e usa seu poder para criar outros seres divinos menores – as forças cósmicas malignas do mundo- e o próprio mundo material. Já que é o criador, ele é frequentemente chamado o Demiurgo ( em grego “aquele que faz” ) Ialdabaó é ignorante acerca do reino acima dele, e então declara tolamente : “ Eu sou Deus e não há outro Deus além de mim”. (Is 45:5-6). No entanto, é mostrada  a ele e aos auxiliares divinos , que o ajudaram a criar o mundo, uma visão do verdadeiro Deus único; eles, então, declaram entre si : “Criemos um homem à imagem e semelhança de Deus” ( isto é, do verdadeiro Deus que eles tinham acabado de ver –cf Gn 2;70. E assim eles fazem Adão. Mas Adão, não tendo nele um espírito, é completamente imóvel. O Deus único e verdadeiro então engana Ialdabaó transportando o poder de sua mãe para essa criatura inanimada, soprando nele o fôlego da vida, dessa forma transmitindo o poder de Sofia para os seres humanos, tornando-os animados e dando-lhes um poder ainda maior do que as forças cósmicas menores que Ialdabaó havia criado. Quando essas forças percebem que o homem criado é maior do que elas, atiram-no no reino da matéria. Entretanto, o Deus único e verdadeiro envia seu próprio Pensamento ao homem, para instruí-lo sobre sua verdadeira natureza divina, sobre o modo como desceu ao reino da matéria e sobre a maneira pela qual ele pode ascender novamente.
Outros mitos tem diferentes formas de descrever a criação do mundo material e a criação dos seres  humanos. O que eles compartilham é a noção de que a realidade em que vivemos não foi idéia ou criação do Deus único e verdadeiro, mas o resultado de um desastre cósmico, e que dentro de alguns seres humanos reside uma centelha do divino que precisa ser liberada a fim de retornar a seu verdadeiro lar.
O único modo pelo qual essa salvação pode ocorrer é através do aprendizado, por parte da centelha divina, do conhecimento secreto que pode trazer  a libertação de seu enclausuramento  no mundo da matéria. O conhecimento, portanto, é central para esses sistemas. Como Jesus indica a seu irmão, Judas Tomé, em um dos tratados de Nag Hammadi :
“ Enquanto me acompanhas, embora não compreendas, na verdade já chegaste a conhecer, e serás chamado ‘aquele que conhece a si mesmo’. Pois aquele que não conhece a si mesmo não conhece nada, mas aquele que conheceu a si mesmo já alcançou, ao mesmo tempo, o conhecimento sobre a profundidade do tudo” ( Livro de Tomé, o Contendor 2.138.14-18).
Extraído do livro “ Evangelhos Perdidos- de Bart D. Ehrman 185-187-Ed. Record)
MSN: alsibar1@hotmail.com