George Ivanovich Gurdjieff foi um dos mestres espirituais mais importantes do século XX. Seus ensinamentos e estilo, influenciaram grandes personalidades do meio espiritual e esotérico tais como Samael Aun Weor , Osho e seu mais famoso discípulo P.D. Ouspensky. Também é considerado um dos pais do Eneagrama, método de autoconhecimento que faz muito sucesso nos meios espirituais e psicológicos.
Gurdjieff escreveu três livros famosos que compõem a série " Sobre tudo e todas as coisas" a saber: “Relatos de Belzebu a seu Neto”, “Encontros com homens notáveis” e o último inacabado " A vida é real apenas quando EU SOU". O mais popular deles é o segundo. Relata alguns episódios de sua busca espiritual, quando viajou por mosteiros e escolas do Tibet e regiões do Oriente Médio. Este livro virou filme e é considerado um clássico do espiritualismo.
Os ensinamentos de Gurdjieff se confundem com os das tradições esotéricas tais como, Maçonaria, Rosa Cruz, Gnose e Teosofia. Seus defensores dizem que esta similaridade é devido ao fato de que estes conhecimentos provêm de uma mesma fonte, remontando às antigas escolas de mistérios do Egito, Índia, Grécia e Israel com os quais G. teria entrado em contato em suas viagens.
Mas Gurdjieff foi além de um simples repassador de conhecimentos . Ele não só popularizou estes ensinamentos como também impôs sua marca pessoal ao sistema. A partir de grupos organizados por ele e seus discípulos, surgiram muitas escolas baseadas em seus ensinamentos em vários países, como a Escola G. do Quarto Caminho, dentre outros. É importante lembrar que há vários ramos e escolas que se declaram ligadas diretamente a G. Mas, na verdade, houve apenas três grandes grupos originais: os ligados a Ouspensky, J.G. Bennet e Madame de Salszman.
O sistema de G. utiliza-se de conceitos da ciência, da matemática e da psicologia para dar soluções a problemas espirituais complexos . As leis do universo são explicadas dentro de princípios matemáticos que se estendem também ao homem- considerado um microuniverso. O ensinamento de G. parece trazer respostas a muitos questionamentos e dúvidas. É difícil não ficar fascinado desde o primeiro contato com estes princípios e leis. Eu mesmo fiquei, assim como Ouspensky-seu ex-discípulo mais famoso. O livro “Fragmentos de um ensinamento desconhecido – em busca do milagroso” relata a história de Ouspensky e seus anos de convivência com Gurdjieff. Um grande clássico, imprescindível para quem quer se aprofundar no assunto e conhecer um pouco mais do que eu relato aqui.
Ouspensky conta toda sua trajetória com G. desde o início até o rompimento, anos mais tarde. Mas qual teria sido o motivo desta ruptura ? O fato é que após tantos anos de convivência e aprendizado, Ouspensky ficou insatisfeito com o andamento do "trabalho". Mas o que realmente teria acontecido? O que Ouspensky viu que o levou a tomar esta decisão?
Em alguns momentos, ele escreveu sobre a necessidade de separar a pessoa de Gurdjieff de seu ensinamento. Comigo também tive essa sensação em relação a G.. Primeiramente, fiquei apaixonado por seus ensinamentos mas, depois, comecei a ter a impressão de que eu não estava indo a lugar nenhum. E , realmente, toda vez que tentava por em prática alguns de seus métodos as coisas pareciam piorar. Senti que havia algo errado . E não sabia ao certo o que era. Ouspensky não deixa claro os motivos de sua separação. Sua amizade e consideração por G. pode ter lhe impedido de esclarecer melhor esta questão. Todavia, ele dá algumas pistas. Ouspensky cita dois motivos no livro : o trabalho começou a ficar repetitivo e enfadonho - ou seja os alunos pareciam estar caminhando em círculos; e, o segundo motivo, as atitudes estranhas e um tanto “cruéis” de G. em relação aos seus discípulos.
Os anos foram se passando e a questão relacionada ao sistema de Gurdjieff continuava me intrigando. O “trabalho sobre si”, ensinado por ele, tinha como principal objetivo despertar o homem do seu "sono". Isso deveria começar pela tentativa de "lembrança de si". E para, isso, usavam-se vários métodos e exercícios. Dentre eles a técnica do “Stop!” descrito por Ouspensky . Em linhas gerais, o exercício consistia em ficar estátua quando o mestre desse a ordem : pare! O discípulo tinha que parar exatamente na posição em que se encontrava, independente do que estivesse fazendo. Mesmo que estivesse bebendo chá quente, comendo, tomando sopa , ou mergulhado dentro d’água . Deveria ficar naquela posição, totalmente consciente da postura, emoções, pensamentos, sentimentos etc, permanecendo assim até segunda ordem do mestre . Ouspensky conta que isso criava situações um tanto quanto constrangedoras, dolorosas, dramáticas e até cruéis. Muitos alunos abandonaram o "trabalho" por não suportarem a pressão desses métodos.
O objetivo principal do sistema de G. era fazer o homem "despertar" através do conhecimento da máquina humana. Esse processo deveria começar pelo conhecimento do centro motor. E daí a importância de exercícios como o "stop!". Através dele, o homem poderia se autoconhecer melhor e ainda desenvolver sua vontade e disciplina sob o comando de um mestre desperto. Mas, estaria Gurdjieff realmente “desperto” no sentido em que ele dava a esta palavra? Não é estranho que um mestre desperto sofra dois acidentes de carro, sendo que , o último quase o levou à morte? E como explicar sua aparente voracidade pelo dinheiro? E sobre o uso que ele fez de seus poderes de telepatia e hipnose-com fins puramente egoístas - fato este confessado por ele próprio em seu último livro ? Serão essas as atitudes de um homem realmente desperto ou estaria ele dormindo tanto quanto os outros?
Afora isso, sempre tive curiosidade em saber o que aconteceu com os grupos de G. após sua morte. Aí entra outro fato curioso. Quem me deu esta resposta foi uma respeitada escritora e jornalista inglesa chamada Joyce Collin-Smith em seu livro “Não Chame ninguém de Mestre – como aprender com líderes espirituais sem transformá-los em gurus”*. Ela relata que depois da morte de G. os grupos ficaram divididos e sem rumo. Muitos tornaram-se adversários entre si, não podendo nem mesmo conversar uns com os outros. Na busca por uma liderança espiritual, alguns grupos aderiram a gurus exóticos como, por exemplo, o Maharishi Mahesh Yogue , de quem Joyce tornou-se secretária particular.
Joyce também descreve fatos desconhecidos da vida dos discípulos mais próximos de G. e dos díscipulos destes como, por exemplo, Ouspensky e seu pupilo Rodney Collin- de quem ela era cunhada. É desconcertante e doloroso perceber como estas pessoas, tão próximas de Gurdjieff, não só não despertaram, como perderam-se totalmente, beirando a loucura e o suicídio- fato este que realmente aconteceu com Rodney. Triste também foi saber que Ouspensky terminou seus dias fazendo experiências com drogas alucinógenas como é descrito por ela neste dramático relato :
Ora, segundo Krishnamurti, o despertar é resultado de um trabalho pessoal, individual e solitário e não coletivo- como pregava Gurdjieff. Os conceitos de "lembrança de si" e " Consciência de si" são legítimos mas totalmente mal compreendidos e erroneamente abordados no sistema de G. Em suma, há um fundo de verdade nesses ensinamentos mas, repito, estão vagos, fragmentados e incompletos. Além disso, os métodos ensinados por G. tem resultados contrários ao que se propõe. Meios errados só podem levar a resultados errados. Não sei se no sistema original usava-se esses métodos, ou se muitos desses princípios foram acrescentados a posteriori por G. - conforme sua conveniência. Não dá pra saber se os "furos" neste sistema é resultado da má compreensão do sistema original, por serem incompletos mesmo, ou por terem sido propositadamente alterados por G. .
Uma coisa que sempre me intrigou foi o título do livro de Ouspensky: "Fragmentos de um ensinamento desconhecido". Isso já nos dá uma pista de que o sistema de G. está incompleto, sendo, na verdade, parte de um ensinamento muito maior e mais profundo. Além disso, por tudo o que se conta no livro de O., pelos acontecimentos dramáticos na vida de G. e pela ineficácia prática de seus ensinamentos, tudo isso nos deixa, no mínimo, desconfiados.
A importância da obra e do trabalho de Gurdjieff é incontestável. Todavia, seu sistema parece falho e ineficaz, pois se não levou nem o próprio G. ao despertar, nem os seus discípulos diretos, nem ninguém- então... isso é no mínimo estranho e merece nossa desconfiança e profunda reflexão.
Autor : Alsibar
Obs: o texto poderá ser usado integralmente desde que seja informada a fonte e o link originais.
Referências:
Ouspensky, P. D.- Fragmentos de um ensinamento desconhecido – em busca do Milagroso – Editora Pensamento, Rio de Janeiro.
Gurdjieff escreveu três livros famosos que compõem a série " Sobre tudo e todas as coisas" a saber: “Relatos de Belzebu a seu Neto”, “Encontros com homens notáveis” e o último inacabado " A vida é real apenas quando EU SOU". O mais popular deles é o segundo. Relata alguns episódios de sua busca espiritual, quando viajou por mosteiros e escolas do Tibet e regiões do Oriente Médio. Este livro virou filme e é considerado um clássico do espiritualismo.
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| G. teria aprendido seu sistema das Escolas de Mistério |
Mas Gurdjieff foi além de um simples repassador de conhecimentos . Ele não só popularizou estes ensinamentos como também impôs sua marca pessoal ao sistema. A partir de grupos organizados por ele e seus discípulos, surgiram muitas escolas baseadas em seus ensinamentos em vários países, como a Escola G. do Quarto Caminho, dentre outros. É importante lembrar que há vários ramos e escolas que se declaram ligadas diretamente a G. Mas, na verdade, houve apenas três grandes grupos originais: os ligados a Ouspensky, J.G. Bennet e Madame de Salszman.
O sistema de G. utiliza-se de conceitos da ciência, da matemática e da psicologia para dar soluções a problemas espirituais complexos . As leis do universo são explicadas dentro de princípios matemáticos que se estendem também ao homem- considerado um microuniverso. O ensinamento de G. parece trazer respostas a muitos questionamentos e dúvidas. É difícil não ficar fascinado desde o primeiro contato com estes princípios e leis. Eu mesmo fiquei, assim como Ouspensky-seu ex-discípulo mais famoso. O livro “Fragmentos de um ensinamento desconhecido – em busca do milagroso” relata a história de Ouspensky e seus anos de convivência com Gurdjieff. Um grande clássico, imprescindível para quem quer se aprofundar no assunto e conhecer um pouco mais do que eu relato aqui.
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| O raio da criação, segundo o sistema de Gurdjieff |
Em alguns momentos, ele escreveu sobre a necessidade de separar a pessoa de Gurdjieff de seu ensinamento. Comigo também tive essa sensação em relação a G.. Primeiramente, fiquei apaixonado por seus ensinamentos mas, depois, comecei a ter a impressão de que eu não estava indo a lugar nenhum. E , realmente, toda vez que tentava por em prática alguns de seus métodos as coisas pareciam piorar. Senti que havia algo errado . E não sabia ao certo o que era. Ouspensky não deixa claro os motivos de sua separação. Sua amizade e consideração por G. pode ter lhe impedido de esclarecer melhor esta questão. Todavia, ele dá algumas pistas. Ouspensky cita dois motivos no livro : o trabalho começou a ficar repetitivo e enfadonho - ou seja os alunos pareciam estar caminhando em círculos; e, o segundo motivo, as atitudes estranhas e um tanto “cruéis” de G. em relação aos seus discípulos.
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| P. D. OUSPENSKY |
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| O "trabalho sobre si" deveria começar pelo Centro Motor |
Meu objetivo aqui não é julgar G. mais sim a eficácia de seu sistema para o objetivo principal a que se propõe: o despertar . Parto da premissa que ele mesmo ensinou: somente alguém desperto pode despertar outra pessoa. Particularmente, creio que o principal furo nos ensinamentos de G. é que seu sistema mantém e fortalece a dualidade CONTROLADOR X CONTROLADO. Segundo G., o homem é uma entidade condicionada e fragmentada não sendo, portanto, um indivíduo, na acepção da palavra.
Assim, o que chamamos de indivíduo trata-se de uma conjunção de diversos "Eus" conflitantes e contraditórios entre si. O problema está no caminho ensinado por ele para se alcançar a unidade ou integração. Após anos e anos de tentavas frustradas, finalmente cheguei à seguinte conclusão: não há despertar na dualidade, na divisão, no conflito. A ideia de juntar os diversos fragmentos do EGO para se criar um super EU capaz de subordinar e liderar os outros é totalmente equivocada e leva a resultados contrários aos pretendidos.
Esse entendimento só me foi possível quando entrei em contato com os ensinamentos de Krishnamurti - uma visão oposta à pregada por Gurdjieff . Apesar do objetivo ser o mesmo- despertar a consciência - os meios empregados pra isso são totalmente diferentes. K. ensina que enquanto houver a dualidade observador versus coisa observada o despertar é impossível. Isso coloca abaixo os fundamentos do sistema de Gurdjieff que se baseia totalmente nessa dualidade.
Em outras palavras, não é possível um trabalho sobre si mesmo, nos moldes pregados por G., simplesmente por que o EGO não pode analisar e libertar o próprio EGO. Além disso, não posso também analisar meus defeitos, nem lutar contra os mesmos de forma direta porque a força e o conflito apenas fortalecem ainda mais o EGO. Quando um EGO vence e controla os outros EGOs continua sendo EGO-mais fortalecido e poderoso. Sendo assim, ao invés de extingui-lo estamos, na verdade, fortalecendo-o. É como se estivéssemos usando gasolina para apagar o fogo. O resultado é um completo fracasso. É importante frisar, ainda, que- contrariando G., Krishnamurti ensina que o conflito não cria energia- pelo contrário- faz é desperdiçá-la. Portanto, a fricção como forma de se criar energia, que é um dos fundamentos dos exercícios e disciplinas das Escolas- na verdade causa o efeito contrário. Há novamente um fundo de verdade nessa premissa- mas não é da forma que G. ensinou e usou.
Assim, o que chamamos de indivíduo trata-se de uma conjunção de diversos "Eus" conflitantes e contraditórios entre si. O problema está no caminho ensinado por ele para se alcançar a unidade ou integração. Após anos e anos de tentavas frustradas, finalmente cheguei à seguinte conclusão: não há despertar na dualidade, na divisão, no conflito. A ideia de juntar os diversos fragmentos do EGO para se criar um super EU capaz de subordinar e liderar os outros é totalmente equivocada e leva a resultados contrários aos pretendidos.
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| Krishnamurti e Gurdjieff: meios diferentes para fins iguais |
Esse entendimento só me foi possível quando entrei em contato com os ensinamentos de Krishnamurti - uma visão oposta à pregada por Gurdjieff . Apesar do objetivo ser o mesmo- despertar a consciência - os meios empregados pra isso são totalmente diferentes. K. ensina que enquanto houver a dualidade observador versus coisa observada o despertar é impossível. Isso coloca abaixo os fundamentos do sistema de Gurdjieff que se baseia totalmente nessa dualidade.
Em outras palavras, não é possível um trabalho sobre si mesmo, nos moldes pregados por G., simplesmente por que o EGO não pode analisar e libertar o próprio EGO. Além disso, não posso também analisar meus defeitos, nem lutar contra os mesmos de forma direta porque a força e o conflito apenas fortalecem ainda mais o EGO. Quando um EGO vence e controla os outros EGOs continua sendo EGO-mais fortalecido e poderoso. Sendo assim, ao invés de extingui-lo estamos, na verdade, fortalecendo-o. É como se estivéssemos usando gasolina para apagar o fogo. O resultado é um completo fracasso. É importante frisar, ainda, que- contrariando G., Krishnamurti ensina que o conflito não cria energia- pelo contrário- faz é desperdiçá-la. Portanto, a fricção como forma de se criar energia, que é um dos fundamentos dos exercícios e disciplinas das Escolas- na verdade causa o efeito contrário. Há novamente um fundo de verdade nessa premissa- mas não é da forma que G. ensinou e usou.
Afora isso, sempre tive curiosidade em saber o que aconteceu com os grupos de G. após sua morte. Aí entra outro fato curioso. Quem me deu esta resposta foi uma respeitada escritora e jornalista inglesa chamada Joyce Collin-Smith em seu livro “Não Chame ninguém de Mestre – como aprender com líderes espirituais sem transformá-los em gurus”*. Ela relata que depois da morte de G. os grupos ficaram divididos e sem rumo. Muitos tornaram-se adversários entre si, não podendo nem mesmo conversar uns com os outros. Na busca por uma liderança espiritual, alguns grupos aderiram a gurus exóticos como, por exemplo, o Maharishi Mahesh Yogue , de quem Joyce tornou-se secretária particular. ![]() |
| Rodney Collin |
Joyce também descreve fatos desconhecidos da vida dos discípulos mais próximos de G. e dos díscipulos destes como, por exemplo, Ouspensky e seu pupilo Rodney Collin- de quem ela era cunhada. É desconcertante e doloroso perceber como estas pessoas, tão próximas de Gurdjieff, não só não despertaram, como perderam-se totalmente, beirando a loucura e o suicídio- fato este que realmente aconteceu com Rodney. Triste também foi saber que Ouspensky terminou seus dias fazendo experiências com drogas alucinógenas como é descrito por ela neste dramático relato :
“Ouspensky, lidando com os pensamentos induzidos pelas experiências com a mescalina, concentrava-se num cinzeiro sobre sua escrivaninha e escrevia suas profundas impressões. Mais tarde, livre da droga, descobriu envergonhado que tinha rabiscado estas ridículas palavras:
"Um homem pode ficar louco com um cinzeiro".
Mais curioso ainda, foi saber que as últimas palavras do grande discípulo de G. apenas confirmam minhas suspeitas sobre a hiper-teorização e falhas no sistema ensinado por seu mestre . Segundo Joyce, ele teria dito:
“- Abandono o sistema. Comecem novamente por si mesmo.”
Por tudo que foi exposto e também pela minha própria experiência e vivência dos ensinamentos de G. posso concluir que a principal falha do seu sistema é manter , alimentar e fortalecer os Egos - tanto do mestre quanto do discípulo. Além disso, aqueles que se autodenominam “mestres” não estarão, na verdade, explorando e usando seus comandados ao sabor dos gostos e caprichos de seu EGO ? Se o mestre não é liberto, como poderá libertar os outros?
Ora, segundo Krishnamurti, o despertar é resultado de um trabalho pessoal, individual e solitário e não coletivo- como pregava Gurdjieff. Os conceitos de "lembrança de si" e " Consciência de si" são legítimos mas totalmente mal compreendidos e erroneamente abordados no sistema de G. Em suma, há um fundo de verdade nesses ensinamentos mas, repito, estão vagos, fragmentados e incompletos. Além disso, os métodos ensinados por G. tem resultados contrários ao que se propõe. Meios errados só podem levar a resultados errados. Não sei se no sistema original usava-se esses métodos, ou se muitos desses princípios foram acrescentados a posteriori por G. - conforme sua conveniência. Não dá pra saber se os "furos" neste sistema é resultado da má compreensão do sistema original, por serem incompletos mesmo, ou por terem sido propositadamente alterados por G. .
| O livro de Ouspensky |
Uma coisa que sempre me intrigou foi o título do livro de Ouspensky: "Fragmentos de um ensinamento desconhecido". Isso já nos dá uma pista de que o sistema de G. está incompleto, sendo, na verdade, parte de um ensinamento muito maior e mais profundo. Além disso, por tudo o que se conta no livro de O., pelos acontecimentos dramáticos na vida de G. e pela ineficácia prática de seus ensinamentos, tudo isso nos deixa, no mínimo, desconfiados.
A importância da obra e do trabalho de Gurdjieff é incontestável. Todavia, seu sistema parece falho e ineficaz, pois se não levou nem o próprio G. ao despertar, nem os seus discípulos diretos, nem ninguém- então... isso é no mínimo estranho e merece nossa desconfiança e profunda reflexão.
Autor : Alsibar
Obs: o texto poderá ser usado integralmente desde que seja informada a fonte e o link originais.
Referências:
Collin-Smith, Joyce – Não chame ninguém de mestre- Siciliano, 1993.
Você poderá baixar os livros acima gratuitamente nos links abaixo. Ou então vá no 4share e faça o download. É tudo grátis :
O filme “Encontro com homens notáveis” poderá ser assistido no link abaixo. É um filme antigo, com uma produção tosca, mas uma jóia rara para quem quer conhecer mais sobre a vida de Gurdjieff:
http://www.youtube.com/watch?v=hQL3jFTQJQM

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