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sábado, 4 de março de 2023

DEUS AGE NA INCONSCIÊNCIA por Alsibar Paz

 


DEUS AGE NA INCONSCIÊNCIA

Por Alsibar Paz

O pequeno exemplo que vou dar aqui é apenas representativo de um padrão que se repetiu ao longo de toda minha vida, em todas as áreas. Eis o relato:

Todos os dias, eu compro pão na mesma padaria que fica a umas seis quadras da minha casa. Às vezes, quando estou mais cansado e já é tarde, vou de carro. Mas, quando ainda é cedo, gosto de ir à pé. Nessa padaria, não falta  pão sempre novinho e quentinho e, por isso, sempre que posso, vou lá. Hoje, foi um dos dias que decidi ir à pé. A primeira “coincidência” foi que decidi fazer um outro trajeto, passando antes em um mercadinho para comprar banana. A segunda, foi que ainda pensei em pegar uma rua diferente no começo, mas acabei decidindo  ir pela de sempre até certa altura e, de lá, desviar o caminho para comprar as frutas.

Lá na frente, peguei um atalho para o mercadinho das bananas antes de passar pela padaria, quando dobro na esquina, que olho para minha esquerda, tenho um susto. Por alguns instantes, fico totalmente confuso sem entender o que está acontecendo. De repente, a padaria que sempre compro pão — e que faltavam ainda umas quatro quadras para chegar— estava do meu lado, com logotipo, balcão, balconistas e tudo . Ou seja, rapidamente conclui que eles haviam se mudado no final de semana para um local mais próximo da minha casa. Mas, o mais “estranho” nisso tudo, foi eu ter ido exatamente na direção da padaria, por uma rota totalmente improvável, tudo de forma natural e inconsciente.

Ao recapitular todos os grandes eventos da minha vida, vi que eles ocorreram em momentos de inconsciência e espontaneidade : a compra do terreno no qual morei boa parte da minha vida e onde meus irmãos e minha mãe estão morando agora, relacionamentos diversos, conhecer pessoas maravilhosas que foram — e continuam sendo — muito importantes na minha vida, compra de apartamento, concursos, empregos, etc. Tudo veio naturalmente, eu não precisei “pensar” nessas coisas, nem ficar “consciente” para que elas chegassem até a mim. Pelo contrário, vieram em momentos de completo esquecimento de mim mesmo, de forma totalmente despretensiosa, espontânea e inconsciente. Ou seja, aconteceram quando eu não estava  esperando, nem praticando nada, nem técnica, nem meditação nenhuma, tampouco “observando” nada.

Daí, só posso concluir uma coisa: a falácia dos defensores da tal “consciência” como canal de conexão com Deus. Não estou falando aqui sobre "tomar consciência" de um pensamento, um sentimento, uma crença errada, uma contradição, um comportamento inadequado, um bloqueio ou trauma, vê-los, compreendê-los e  depois  “soltá-los” — não é isso. Estou me referindo ao que "todos" os gurus, líderes, instrutores, psicanalistas, influenciadores, youtubers, psicólogos, terapeutas, etc. falam em uníssono: "FIQUE CONSCIENTE !' como se a inconsciência o apartasse  da possibilidade de “ascensão e conexão divina " — o que quer que isso signifique.

O episódio de hoje, apenas me fez relembrar e reafirmar aquilo que já defendi em um capítulo inteiro do meu livro “ Lúmina – A Jornada do Despertar”: essa  “meditação consciente”, como ensinada modernamente, reforça e potencializa o ego. E, por isso, que quanto mais “consciente” você for, menor será a probabilidade de penetração da luz divina com seus insights, intuições e inspirações. Isso  acontece por que o ego funciona como uma espécie de barreira impedindo a passagem da Luz Divina.

A consciência é importante como forma de autodescoberta e autoconhecimento, mas ela não pode ser transformada em uma técnica a serviço do ego. Ela vem por si mesma, naturalmente, ao longo do dia. De repente, nos damos conta de algo errado, contraditório ou inadequado em nós e é essa percepção que nos faz mudar de rumo. Mas isso não tem nada a ver com a “prática da consciência” como um ato intencional, constante e contínuo  resultante da intenção, do esforço e da vontade. Não. Nesse caso, não é meditação. É apenas o ego se autoenganando, se autorreforçando e se autoiludindo.

Alsibar Paz

27/02/23

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quarta-feira, 23 de novembro de 2022

QUANDO A MEDITAÇÃO SE TORNA UMA PRISÃO by Alsibar Paz

Uma das grandes descobertas do caminho espiritual é, sem dúvidas, a Meditação. Praticada por monges e adeptos de quase todas as religiões, meditar traz benefícios não só espirituais, mas também físicos. No campo terapêutico, ela ajuda a diminuir o stress, a pressão alta, insônia, ansiedade, nervosismo; melhora  a concentração, o equilíbrio, etc. além de vários outros benefícios para a saúde e o bem estar. Todavia, no campo "espiritual' ou 'psicológico', sua ação é bastante limitada.

Para entender esse problema é preciso saber o que é Meditação. Meditar é uma técnica ou ação que visa a um resultado. Por exemplo, se tenho algum medo, ou fico muito nervoso diante de alguma situação - puxar papo com alguém, falar em público, andar de avião, etc.- a meditação ajuda a estabilizar a mente, levando-a a um estado de maior equilíbrio e relaxamento. 

Durante a meditação, a mente tende a se acalmar por conta da desaceleração causada por pequenas ações como, por exemplo, a observação da respiração, dos pensamentos, do silêncio mental, do momento presente, etc. Em todos esses casos, há sempre um 'fazedor", uma entidade, um 'eu' atuando sobre a realidade, além de um objetivo - aquilo que pretendo alcançar: calma, equilíbrio, paz, saúde, autocontrole, etc. É importante notar que há sempre uma dualidade (eu e o problema que quero resolver ) e um conflito entre 'aquilo que é ' (o fato, a realidade) e aquilo que 'deveria ser' ( o ideal, o objetivo). Para aqueles que buscam resultados de ordem física e psiquíca, a meditação é perfeita como parte da terapia. Mas se você busca resultados de ordem espiritual, a meditação técnica tem pouca utilidade, podendo, inclusive, tornar-se um obstáculo.

Explico: se você procura a Verdade, Realidade, Deus, iluminação ou despertar espiritual, então a meditação poderá até lhe ajudar no começo, mas depois terá que ser abandonada. O motivo é bem simples: se você anseia transcender a dualidade, alcançando a unidade, a meditação - enquanto prática ou técnica - mantém justamente aquilo que você quer se libertar. Como já citei antes, na meditação existe um 'meditador' manipulando conscientemente uma técnica, visando um determinado fim. A dualidade será mantida enquanto psicologicamente houver um observador (eu) de um lado e a coisa observada (situação que quero me livrar) do outro. E também enquanto existir o 'agora' e o 'futuro" que é aquilo que pretendo alcançar ( tempo psicológico). Como sair desse dilema?

É o seguinte: na verdadeira Meditação não pode haver prática, nem praticante, nem técnica nenhuma ( incluindo a tal da observação dos pensamentos ou do agora). No verdadeiro estado meditativo não existe um  ' eu' consciente da meditação, do problema, do agora ou do objetivo futuro, pois todos esses elementos são verdadeiras prisões para aqueles que buscam a libertação do tempo, do conflito e do ego.

Tudo isso é confirmado por Krishnamurti que, certa vez, ao responder a seguinte pergunta feita por seu sobrinho Jiddu Narayan:

' Qual é a essência da meditação?', disse:

- É nunca estar consciente de que se está meditando!

 By Alsibar Paz

22/11/22

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sábado, 10 de novembro de 2018

OS NÍVEIS MEDITATIVOS


OS  NÍVEIS MEDITATIVOS
by Alsibar




Alguém me perguntou : como saber em qual nível meditativo se está?

Primeiro, vamos conhecer alguns níveis de consciência meditativa. Para isso,  vamos dividi-los em 7 níveis , começando pelo 1 como sendo o nível de consciência normal das pessoas comuns também conhecido como "normose" ou "nível normal neurótico". Abaixo desse, vamos criar o  nível “zero” como sendo o estado patológico. Então ficaria assim:

0-      O PATOLÓGICO- Nessa faixa estão as pessoas que sofrem de depressão, ansiedade , síndrome do pânico , esquizofrenia etc. Esse nível piora à medida que desce abaixo do zero, por exemplo: -1, -2... Até alcançar um estado de completo desequilíbrio e loucura mental. São casos que necessitam de um diagnóstico médico e são tratados com terapias , medicação e, em casos muito graves, internamento.

1-      A NORMOSE - Nesse nível estão as pessoas consideradas “normais” pela sociedade. São pessoas que nunca se interessaram, leram ou praticaram nenhum tipo de meditação. São totalmente dominadas pelos pensamentos, identificadas com o corpo e com a dimensão mental/material. São totalmente dominadas pelos pensamentos, desejos e impulsos inconscientes.  Há alguns subníveis a saber:

1. Religiosos : os que professam alguma religião já estão um pouco mais avançadas em relação àquelas que não têm. Todavia, transformaram a religião numa espécie de balcão de negócios. Barganham com Deus.  Então, para agradar a Deus e ter dele algum benefício vão à missa ou aos cultos, dão dízimos ou ofertas e costumam ser muito ativos em suas igrejas. Sua vida espiritual se resume a irem às missas, cultos, rezar, orar, ler a  Bíblia ou seu livro religioso específico, fazer alguma caridade ou alguma ação social. Seu sentido de felicidade está ligado às coisas , pessoas e posição social. Muitas têm aquele tipo de fé que se traduz em petições- como se Deus fosse um atendedor de desejo. Mas, apesar da fé, vivem com medo de tudo e não se contentam em deixar que Deus lhes guie a vida. São diligentes no cumprimento dos seus rituais religiosos pois assim se sentem mais seguras e próximas de Deus.

2-      O MEDITADOR TÉCNICO -Nesse nível estão as pessoas que já praticam ou estão começando a praticar a meditação convencional, tradicional que faz uso de técnicas para controlar a mente. Essas técnicas incluem postura, consciência da respiração e uso de mantras para acalmar os pensamentos. Em geral buscam algum benefício de ordem física, espiritual ou emocional. Nesse nível a pessoa já sabe que pode “controlar” seus pensamentos e sua instabilidade mental através de técnicas específicas e da prática constante.

3-      ABANDONANDO AS TÉCNICAS-Esse é um nível um pouco mais profundo pois já se percebeu que a própria prática da técnica se torna uma espécie de prisão em si. Nesse nível a mente está muito mais silenciosa e consciente de si. A pessoa já consegue silenciar a mente fora do momento meditativo. Sua meditação extrapola os limites da prática e da técnica e se torna cada vez mais natural e espontânea surgindo naturalmente ao longo do dia e nos afazeres diários.



4-     NENHUMA TÉCNICA- Nesse nível há um silêncio profundo e imperturbável que caracteriza o estabelecimento da paz interior. A paz já pode ser sentida e percebida tanto pelo “meditador” quanto pelos que estão ao redor. Uma paz que se torna bem-aventurança em alguns momentos. Há insights e “coincidências” que estranhamente começam a acontecer de forma natural. A mente se torna cada vez mais estável e silenciosa. A intuição aflora. Sente-se uma proteção e uma presença constante de algo sagrado e desconhecido.

5-       NOVOS DESPERTOS - é o nível daqueles que "despertaram" mas ainda são muito novos na vivência desse estado por isso ainda cometem erros e tropeços. A compreensão está aflorando aos poucos e em alguns momentos ela é plena e noutras confusa. Como, por exemplo : U.G. Krishnamurti- que durante toda sua vida orbitou ao redor de grandes despertos como Ramana Maharish e Jiddu Krishnamurti tendo alcançado um estado de Despertar, mas ainda muito tênue e sujeito a variações e instabilidades.



6-      OS GRANDES DESPERTOS:  São aqueles plenamente despertos  tais como Jiddu Krishnamurti, Dogen, Ramana Maharish, Yogananda, Ramakrishna e assim por diante. É um nível de plena paz e unidade  com a Divindade, Tao, Realidade, Eternidade etc. Mas, esse nível não é o ultimo. O ápice é o nível do Cristo, de Buda , Babaji e outros grandes avatares.

7-      OS GRANDES AVATARES tais como Cristo, Buda e Babaji . Daí por diante deve haver novos e infinitos níveis mas estão além da nossa compreensão no atual estágio de desenvolvimento da nossa consciência.

Lembrando que esses níveis não são estanques nem fixos, eles foram aqui apresentados apenas com uma finalidade didática. Deve haver sub-níveis entre um e outro, mas esse tipo de apresentação ajuda o espiritualista a “se situar” e perceber onde, em que nível meditativo, ele se encontra e assim trabalhar em seu crescimento e evolução espiritual.


Ressalto que a própria pessoa deve fazer essa análise , ninguém pode dizer a outrem em que “nível” meditativo ela se encontra. É uma análise íntima e pessoal do indivíduo com ele mesmo e com sua própria consciência. Esse percebimento situacional pode ajudar o caminhante inexperiente em seu próprio processo evolutivo e  autoconhecimento. Além disso, estar em um nível mais profundo ou elevado não pode e nem deve ser motivo de orgulho. Pelo contrário, quanto mais evoluída é a pessoa, menos ela tem consciência de seu posicionamento ou nível. Daí, se conclui, que essa percepção de faixa ou nível espiritual só vai interessar aos que estão nos primeiros níveis pois quanto mais a pessoa desce para dentro das profundezas do Desconhecido, menos ela se compara aos outros e menos ela tem consciência de seu próprio progresso ou "valor" espiritual . Quanto maior é a descida, menor a consciência de si enquanto alma iluminada ou desperta, uma vez que ela se encontra em um nível de completo abandono e entrega ao Senhor . Ela é, mas não sabe que é por que vive como uma criança inconsciente de si enquanto ego, pessoa ou indivíduo separado do todo.

( Repostagem permitida desde que com os devidos créditos e endereço eletrônico do site)



Alsibar, 10 de novembro de 2018






domingo, 5 de agosto de 2012

O QUE FAZER QUANDO A MEDITAÇÃO NÃO FLUI?

Quando a meditação não flui- http://alsibar.blogspot.com

No texto abaixo, faremos uma rápida explanação sobre a essência da Meditação e a contribuição de mestres modernos como Ramana e Krishnamurti para sua compreensão e aprofundamento. Depois, analisaremos alguns fatores que dificultam ou facilitam a Meditação.  Logo em seguida, apresentaremos algumas sugestões e dicas, que podem  ajudar o meditador em momentos de dificuldade. Por fim, apresentaremos uma técnica pré-meditativa chamada de “ Exercício do Stop” ensinada por Gurdjieff . Boa leitura!
  A meditação pode ser definida como um estado de total relaxamento e descanso mental, em que o EGO-PENSAMENTO está temporariamente “inativo”. Não é necessariamente um estado de NÃO-PENSAR, mas um estado de completa consciência e atenção em que não há um centro (ego) traduzindo, julgando, interpretando ou nomeando o que vê. Todos os grandes mestres do passado já ensinavam o valor e a importância da meditação. Buda e Jesus, por exemplo, sempre falaram sobre a importância da VIGILÂNCIA. Estar vigilante é estar alerta, atento a tudo - tanto interiormente quanto exteriormente. Mas não é apenas isso. Isso é apenas uma parte do “processo” meditativo. Durante séculos muita gente meditou errado. Disso resultou tormentos, conflitos e um interminável sofrimento. Foram mestres modernos como Krishnamurti, Ramana Maharshi e Lahiri Mahasaya,  que ampliaram nosso conhecimento sobre meditação, apontando erros cometidos ao longo dos séculos .

 Krishnamurti e Ramana, trouxeram, talvez, a maior de todas as contribuições para o entendimento da meditação. Segundo eles, na Meditação não há EGO. De forma muito simples isso pode ser explicado da seguinte forma: onde há EGO (inconsciência) não há meditação ( consciência) e onde há meditação,  não há EGO . Daí ser imprescindível a ausência deste último para que a meditação ocorra. Em outras palavras, o ego-pensamento impede a meditação. Todavia, no momento em que dele tomamos consciência – enquanto desejos, impulsos e pensamentos- ele se enfraquece e sua ação fica limitada. Ramana deixa bem claro que o EGO é uma ilusão. Ele só existe no estado mental de inconsciência e ignorância. Quando ficamos plenamente conscientes, percebemos que não há ali ego algum. O que víamos era uma espécie de delírio, resultante de nossa inconsciência. Buda também ensinou a mesma coisa através do famoso exemplo da corda e da cobra: o EGO é semelhante ao homem que, em seu delírio, confunde uma corda com uma cobra. Da mesma forma , Krishnamurti afirma em outras palavras: a meditação só acontece quando não há “observador”(ego), nem coisa observada, mas apenas a observação.  Em suma, Meditação pode ser resumida em uma única palavra: CONSCIÊNCIA.

          O problema que iremos examinar agora é o que fazer quando a meditação não está fluindo. Ou seja, qual a melhor atitude quando percebemos que não estamos conseguindo ficar conscientes de nós mesmos. Quando tomamos consciência de  nossa total inconsciência e automatismo.

Apesar de sabermos que não há métodos de meditação- o que é uma verdade- isso não significa que não haja meios ou maneiras de facilitar seu nascimento ou surgimento. O relaxamento é um desses caminhos. Por isso, que a maioria dos métodos de meditação começam com alguns exercícios de relaxamento. Na verdade, são preliminares, preparações para que a meditação possa "acontecer".  Ou seja, nem sempre quem senta em meditação, está realmente meditando. Muitas vezes a meditação não flui, pois esta não pode ser controlada pelo desejo, vontade ou pensamento . O máximo que se pode fazer é sentar-se sem fazer nada ( Zazen). Mas até mesmo isso é difícil pois, mesmo quando o corpo físico está parado, a mente continua plenamente ativa. E quando a mente está muito ativa o que acontece? Não conseguimos observar os pensamentos ou qualquer outra coisa pois somos arrastados pelos turbilhão de imagens, memórias, impressões , ansiedade e stress. Ora, se meditação é um estado de consciência plena , então quanto maior a agitação dos pensamentos, mais difícil será entrar em meditação. Por isso que um certo nível de relaxamento e descanso é absolutamente necessário. Mas como alcançar esse nível de tranquilidade em meio ao ritmo caótico da vida  moderna?

Quem medita há muitos anos já deve ter percebido que a intensidade da meditação está diretamente relacionada a vários fatores, muitas vezes, difícil de determinar e identificar. Estados internos, mudanças repentinas, perdas,  quantidade de energia, cansaço, stress, alimentação, ambiente etc. tudo isso pode influir na meditação, provocando-a, intensificando-a, enfraquecendo-a ou até mesmo impedindo-a. Muitas vezes temos a impressão que a meditação é uma espécie de estado que não pode ser controlado por vontade própria. E isso é confirmado por todos os grandes mestres. Krishnamurti dizia que o meio é o fim-eles não estão separados. Ninguém medita para alcançar o Desconhecido. Meditar é entrar no Desconhecido. Dessa forma, não há dúvidas sobre o caráter  “incontrolável” da meditação, pois é um estado, energia ou movimento que não se submete à vontade ou caprichos de ninguém.

Então qual a saída pra quem deseja meditar mas não está conseguindo? Primeiramente, não se deve ter expectativas, nem desejos de alcançar “algo”. A pessoa deve manter-se totalmente solta, livre e relaxada reduzindo ao máximo a ação do ego. É no estado de silêncio mental que a meditação começa realmente a fluir. É desse silêncio e tranquilidade que a energia da meditação começa a atuar. Mas alcançar este estado é muito difícil. Em suma, não podemos controlar a meditação, mas podemos controlar o estado que cria as condições necessárias para seu aparecimento. Ou seja, o estado pré-meditativo. Aquele que prepara o terreno para o seu florescimento. Há várias dicas e sugestões seguras, usadas há milênios por meditadores experientes. Buda ensinou uma bastante simples: ficar consciente da respiração. Consiste apenas em ficar cônscio, prestar atenção ao  entrar e sair do ar através narinas e boca. Na Yoga, ensina-se uma variação desse mesmo exercício que tem um efeito mais poderoso e imediato que é a retenção momentânea do ar inspirado nos pulmões por alguns instantes. Depois ir gradualmente expirando o ar pela boca – geralmente com o auxílio de um mantra que pode ser o " Sou-hum". Sou-para inspiração. Hum- para a expiração. Tudo de forma natural e sem exageros. Lembrando: esses exercícios são preliminares. Não são a Meditação propriamente dita.

Todavia, uma das técnicas que mais eficazes é o exercício do “Stop”, ensinado por Gurdjieff. No sistema de G., este exercício deve ser coordenado por um mestre. Apesar dele ter dito que é impossível alguém “despertar” sem a assistência direta de um mestre- o que foi questionado por Krishnamurti e Ramana- você pode tentar esse exercício sozinho, contanto que tenha completa seriedade e obediência às regras do mesmo, do contrário não funcionará. O exercício é extremamente simples, mas muito poderoso . Ele consegue quebrar ou reduzir bastante  a corrente que nos prende ao automatismo diário pois atua em todos os centros ao mesmo tempo: o motor, intelectual e emocional. É de conhecimento dos sábios antigos que somos um sistema integrado e que tudo está diretamente ligado: pensamento, respiração, sentimentos e posturas. Se mudamos os pensamentos, automaticamente a respiração, o sentimento e a postura também mudarão.  Da mesma forma se mudamos o ritmo da respiração ou os sentimentos, isso alterará os pensamentos e a postura. E se mudamos a postura, os outros três sofrerão mudanças significativas também. O exercício do ‘Stop” atua principalmente nas posturas e movimentos automáticos, mas atinge todos os outros centros pois ele consegue atuar nos sentimentos, pensamentos e ritmo da respiração de uma forma integrada e imediata. É como  um tratamento de choque no EGO. Pode ser usado em momentos críticos de grande stress em que precisamos meditar ou relaxar, mas não estamos conseguindo.

O exercício original é muito parecido com a brincadeira de “estátua”. Quando o mestre grita “Stop”, você deve manter-se na mesma posição sem se mexer até uma segunda ordem. Nesse momento você deve ficar totalmente consciente de si, da postura, do pensamento, dos sentimentos, sensações, sons, cheiros etc. Para realizá-lo sozinho, você tem que fazer da LEMBRANÇA DO EXERCÍCIO O SEU MESTRE. Assim, toda vez que se lembrar, dê a si mesmo a ordem :“Pare!”, então você deve “parar” tudo e ficar totalmente consciente ou alerta. Obviamente se você estiver dirigindo, ou fazendo algo que seja perigoso pra sua integridade física você não poderá parar a atividade- mas apenas ficar consciente dos seus pensamentos, sentimentos, sensações etc no exato momento da lembrança, durante o tempo que você conseguir.  Apresento abaixo o exercício original , retirado do livro escrito por P. D. Ouspensky,  considerado um dos mais importantes discípulos de Gurdjieff:
 O Exercício do "Stop"
OS CENTROS MOTOR, INTELECTUAL E EMOCIONAL
" O homem é incapaz de mudar a forma de seus pensamentos e de seus sentimentos enquanto não tiver mudado seu repertório de posturas e movimentos do pensamento e do sentimento, e cada um tem um número determinado delas. Todas as posturas motoras, intelectuais e emocionais estão ligadas entre si".
"É uma ilusão crer que nossos movimentos sejam voluntários. Todos os nossos movimentos são automáticos. E nossos pensamentos, nossos sentimentos também o são. O automatismo de nossos pensamentos e de nossos sentimentos corresponde de maneira precisa ao automatismo de nossos movimentos. Um não pode ser mudado sem o outro. De maneira que, se a atenção do homem se concentrar, digamos, na transformação de seus pensamentos automáticos, os movimentos e atitudes habituais intervirão imediatamente no novo curso de pensamento, impondo-lhes as velhas associações habituais".
"Nas circunstâncias usuais, não podemos imaginar o quanto nossas funções intelectuais, emocionais e motoras dependem umas das outras; e, no entanto, não ignoramos quanto nossos humores e nossos estados emocionais podem depender dos movimentos e das posturas. Se um homem assume uma postura que nele corresponde a um sentimento de tristeza ou de desencorajamento, pode estar certo, então, de que rapidamente se sentirá triste ou desencorajado. Uma mudança deliberada de postura pode provocar nele o medo, a aversão, o nervosismo ou, ao contrário, a calma. Mas como todas as funções humanas - intelectuais, emocionais e motoras - têm seu próprio repertório bem definido e reagem constantemente umas sobre as outras, o homem nunca pode sair do círculo mágico de suas posturas".
 O  EXERCÍCIO DO “ STOP”
 "Para opor-se a esse automatismo e adquirir um controle das posturas e movimentos dos diferentes centros, existe um exercício especial. Consiste no seguinte: a uma palavra ou a um sinal do mestre, previamente combinado, todos os alunos que o ouvem e o que vêem devem no mesmo instante suspender seus gestos, quaisquer que sejam - imobilizar-se no lugar na mesma posição em que o sinal o surprendeu. Mais aindas, devem não só cessar de se mover, mas conservar os olhos ficos no mesmo ponto que olhavam no momento do sinal, conservar a boca aberta se estiverem falando, conservar a expressão da fisionomia e, se estivessem sorrindo, manter esse sorriso. Nesse estado de 'stop', cada um deve também suspender o fluxo dos pensamentos e concentrar toda a atenção, mantendo a tensão dos músculos, nas diferentes partes do corpo, no mesmo nível em que se encontrava e controlá-la o tempo todo, levando, por assim dizer, a atenção de uma parte do corpo a outra. E deve permanecer nesse estado e nessa posição até que outro sinal convencionado lhe permita retomar uma atitude normal, ou até que caia de cansaço a ponto de ser incapaz de conservar por mais tempo a primeira atitude. Mas não tem nenhum direito de mudar seja o que for, nem o olhar, nem os pontos de apoio; nada. Se não pode aguentar, que caia - mesmo assim, é preciso que caia como um saco, sem tentar proteger-se de um choque. Do mesmo modo, se tivesse algum objetivo nas mãos, deve conservá-lo durante tanto tempo quanto possível; e se as mãos se recusarem a obedecer e o objeto lhe escapa, isto não é considerado falta grave".
Este é o exercício. Ele é muito simples mas , paradoxalmente, muito difícil de ser executado.  Todavia, todos os candidatos ao despertar podem e devem experimentá-lo para testar e comprovar  sua eficácia. 
Boa  Sorte! 
Alsibar
Bibliografia: OUSPENSKY, P.D. Fragmentos de um ensinamento desconhecido - em busca do milagroso. São Paulo, Ed. Pensamento.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

COMO VIVER EM MEDITAÇÃO OU "PERCEPÇÃO UNITÁRIA" ?


Neste texto o Psiquiatra e pesquisador Rubén Feldman González- que conviveu com Krishnamurti-  de forma didática e objetiva o que ele entende por Meditação à qual ele chama de Percepção Unitária. Vale a pena conferir!


1) Como viver em Percepção Unitária?

Em primeiro lugar, cada vez que usamos as palavras “como” e “porquê” numa pergunta, o que acontece é que o pensamento se agita com o seu interminável vocabulário verbal, emocional e ainda visceral.
Por isso digo que o primeiro passo, o primeiro silêncio da Percepção Unitária, é suspender o pensamento e a linguagem. Fica então o puro escutar de todo o som ao mesmo tempo, tão fielmente como o faz uma audiocassete, com o acréscimo da nossa consciência e da nossa inteligência. Se escutar puramente em silêncio todo o som ao mesmo tempo, começará a ver de uma maneira total o campo visual.

A vista é como um espelho consciente que reflecte todo o visível ao mesmo tempo. Esta Percepção Unitária enche-nos de imensa paz. É necessário vivenciá-la. Que isto não fique só ao nível das palavras, como uma lição escolar que rapidamente o aluno esquece. Em Percepção Unitária temos que ser eternos alunos, sempre a começar a ver e a escutar ao mesmo tempo, em grande silêncio. O pensamento com as suas palavras, emoções e ainda reacções viscerais, voltará a emergir à consciência e então trata-se de perceber esse pensamento (medo, tristeza, etc.) como se fosse outro som, mas sem palavras. Essa “Sombra” de pensamento rapidamente se desvanece à luz da Percepção Unitária. Se se vive desta maneira o tempo todo, todo o dia, alguma vez irromperá o Segundo Silêncio do Sagrado e que eu denomino “Aquilo”, a plenitude da energia vital.

2) A palavra “discernimento” é usada pelo amigo Armando Clavier (um dos tradutores de Jiddu Krishnamurti para o espanhol) com o objectivo de traduzir a palavra “insight”. Este é só um dos erros de tradução de J.Krishnamurti. Quando comentei com ele sobre estes erros, Krishnamurti respondeu-me: “diga-lhes para aprenderem inglês”.

Na realidade, continuando com este exemplo, a palavra “insight” em inglês implica uma súbita compreensão total de algo em particular e por isso creio que, “discernimento” não é a boa tradução da palavra “insight”.
A inteligência discerne ou discrimina entre o MOMENTO em que é necessário concentrar-se e pensar, para fazer um bolo, para construir uma ponte, para escrever uma receita médica, etc., e o MOMENTO (sempre já) em que pensar não é necessário, e então podem-se viver longos períodos de cada dia no êxtase da Percepção Unitária, sem deixar de ver “as sombras” quando emergem à consciência.

3) Um dia falamos com Jiddu Krishnamurti deste problema, de como entrar em Percepção Unitária. Pedi-lhe como viver nesse óbvio “samadhi”, no qual ele mesmo vivia a maior parte do tempo. Perguntou-me porque usava eu o sânscrito se estávamos a falar em inglês e porque queria eu complicar “algo que é muito simples”. Disse-lhe que mo explicasse sem usar essa repetida palavra “meditação”, que já tem tantos significados e que na realidade não significa nada. Ele sorriu e consideradamente usou as palavras “Percepção Unitária” (que eu já usava) para descrever o mesmo que eu trato de descrever cada vez que falo de Percepção Unitária. Além disso pediu-me que continuasse a usar as palavras “Percepção Unitária” em vez de “meditação”. Na sua última conferência em Inglaterra disse que já não iria usar a palavra “meditação”.

quinta-feira, 29 de março de 2012

O QUE IMPULSIONA A EVOLUÇÃO HUMANA


Apenas a MEDITAÇÃO pode nos revelar a natureza divina do nosso ser.  Até  o homem se libertar de todas suas ilusões internas, ele será apenas EGO e nada mais. E o EGO não é divino pois é uma entidade forjada na obscuridade da nossa inconsciência. Neste estado de inconsciência, o EGO é criado pela ilusão da separação, pelos desejos , pelo vir-a-ser, pelas memórias, expectativas e pensamentos reativos . Por isso a Atenção Plena, ou Meditação é tão fundamental. A consciência é o verdadeiro impulsionador da Evolução humana. É ela que divide os homens em sábios e ignorantes. Sábio é quem está consciente de si, ignorante é quem vive na inconsciência. Quanto maior for a INCONSCIÊNCIA maior será ignorância do espírito . E quanto maior a CONSCIÊNCIA mais  elevado será o espírito.
(Alsibar)
http://alsibar.blogspot.com
msn: alsibar1@hotmail.com

domingo, 22 de janeiro de 2012

O RETORNO DE JESUS E O FIM DO MUNDO EM 2012 - The returning of Jesus Christ and the end of the world in 2012

Alsibar: O retorno de Jesus e o fim do mundo- http://alsibar.blogspot.com.
Qual a verdade ou falsidade sobre as profecias que anunciam o retorno de Cristo? Como devemos considerar esse tema ao mesmo tempo apaixonante e complexo? E os profetas atuais, qual sua importância e papel? E como separar fatos de especulações? Será mesmo que o mundo irá se acabar em 2012? Afinal, que temos a ver com tudo isso e o que podemos fazer independente de seu cumprimento ou não? Vamos refletir juntos?
Não sei se ainda me surpreendo com a capacidade do homem de iludir-se e iludir os outros. Acho que já a perdi. Não me espanto mais . Tornou-se algo comum ver pessoas de bem, inteligentes e capacitadas regressarem a níveis primitivos de infantilidade, imbecilidade e ingenuidade. Falo tanto dos que arriscam seus empregos e credibilidade ao sairem pregando profecias absurdas, quanto daqueles que acreditam nelas.  E por que absurdas? Porque o sujeito promete, marca a data, nada se cumpre e ele sai incólume . Obviamente, ele sempre tem uma desculpa para o seu ‘equívoco’. Às vezes tem várias: é o “pessoal” que mudou de ideia; é ele que “não entendeu bem a profecia”; é que está faltando algo que ele “precisa terminar”. E o sujeito continua falando as mesmas bobagens em congressos, reuniões, revistas e programas, como se nada tivesse acontecido. Dizem os tais profetas que não teriam motivos para mentir. Que isso está sendo uma provação também pra eles. E com isso sensibilizam os outros com seu melodrama. Na verdade, estão apenas usando uma estratégia de convencimento conhecida e amplamente usada por mágicos, hipnólogos e marqueteiros.Ou seja, ativam sua emoção,  de forma a enfraquercer sua razão. Isso evita que sejam percebidas suas incoerências, absurdos e mentiras.
Primeiramente, nenhuma profecia é clara e nada do que se diz numa profecia acontece exatamente do jeito que está descrito. Foi assim com as profecias dos profetas judeus, foi assim com as profecias de João e Nostradamus. Além disso,  interpretar uma profecia é algo extramente complexo, principalmente se ela tiver sido escrita na antiguidade. Ora, peguemos o exemplo de Jesus. Por que os Judeus não creram que ele foi o messias prometido? Certamente porque ao comparar a história de Jesus com o que diziam os profetas, perceberam que não era a mesma coisa. Ou seja, só há três possibilidades:  ou Jesus não é o messias, ou os profetas erraram, ou a interpretação está errada. Obviamente, os judeus preferiram ficar com a primeira. Os cristãos com a terceira. Ou seja, não desautorizaram os profetas- porque aí seria negar a divindade de Jesus. Mas preferiram interpretar  as profecias, buscando encontrar elementos  que confirmassem a tese de que Jesus era, de fato, o messias anunciado. Obviamente que algumas coisas ficaram de fora- as que não confirmaram a tese. Mas as que confirmaram, foram relevadas ao máximo. Mas, os judeus preferiram seguir outro caminho.
Peguemos alguns exemplos.  Na profecia de Malaquias 4:5, ele diz: “ Eis que vos enviarei o profeta Elias antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor”. Ou seja, os judeus estavam esperando que o profeta Elias retornasse antes do messias. Mas Elias não veio. Ora, se Elias não retornou, então o messias também não. Então como resolver esta questão? Muito simples, para os que acreditam em reencarnação, João Batista é Elias reencarnado. E isto é confirmado em várias páginas do Evangelho pelo próprio Jesus. Mas, se judeus e cristãos não acreditam em reencarnação, como fica? Um dilema, obviamente. Pois, ou João Batista é Elias reencarnado e Jesus é o messias. Ou, João Batista não é Elias e Jesus não é o messias. Tornou-se assim, novamente, uma questão de interpretação. E cada um interpretou da forma que lhe foi mais conveniente. Há ainda outras controvérsias. Nas profecias dizia-se que o nome do messias seria Emanuel e não Jesus; as profecias sobre o lugar de seu nascimento que não batem com as profecias: Galiléia ou Belém? Pois Belém não ficava na região da Galiléia e sim na Judéia. Então porque o chamavam de Galileu? E a genealogia de Jesus que em Mateus é descrita através de José. Mas José não é seria pai biológico. Dentre outras coisas que uma pesquisa mais acurada e imparcial pode revelar.
Por isso que esta história de profecia é sempre um terreno perigoso, complexo e incerto. Quantos finais de mundo já foram anunciados? Quantos retornos de “Cristo” as igrejas e religiões anunciaram desde o tempo de Jesus? E quantas vezes erraram, ou, talvez, tenham acertado? Vamos pegar o exemplo das profecias no tempo de Jesus. Quando Jesus estava vivo, não havia nele nenhum sinal especial que o indicasse, sem sombras de dúvidas que ali estava o messias. Como a vida de Jesus foi, no tempo, algo comum e corriqueiro, como saber se o messias já estava na terra ou não? Afinal, naquele tempo era comum aparecerem profetas e messias-boa parte deles fajutos. E como saber que aquele era verdadeiro? Como saber se os fatos a ele atribuídos eram  verdadeiros-pois havia muita gente que dizia fazer o mesmo? Ora, isso acontece ainda hoje. Quantos atualmente se  consideram “avatares, iluminados, profetas, santos” etc. etc.? Se mesmo com toda a exposição na mídia e com todo avanço tecnológico e científico , ainda existem “avatares fabricados”, imagina naquele tempo. Vemos isso na televisão diariamente: são milagreiros fazendo mais milagres do que Jesus. E “avatares” que erram até mesmo a profecia de sua própria morte. Como podem querer saber o destino dos homens e do universo? Como podem se achar a “encarnação do  todo poderoso”?
Mas mesmo quando eles erram – como vários erraram- vem sempre alguém para justificar o erro. Em outras palavras, não importam o quanto errem, o quanto enganem o povo. Estamos no campo da fé. E onde há fé e crença, não há necessidade de  razão, reflexão, verdade e coerência. Como disse o psicólogo americano Michael Shermer : “não evoluimos para questionar e duvidar”. Há ainda outra questão: só cremos no que nos convém, no que nos conforta, no que se encaixa em nossas expectativas e esperanças. Por isso, os Judeus não creram em Jesus. Eles estavam esperando o grande libertador. Alguém mais poderoso que Moisés, Salomão e Davi. Viviam com esta esperança, alimentaram-na de geração em geração. Não era possível que o messias já estivesse na terra. Eles não viram os grandes “sinais”, nem as transformações e mudanças que tanto aguardavam e que acreditaram ter sido prometidas pelos profetas. Será que não estamos vivendo o mesmo contexto? Será que não está acontecendo a mesma coisa? E se estiver? E se Jesus já tiver retornado e ninguem tiver percebido? Será que o julgamento dos vivos e dos mortose não já estaria acontecendo, mas ninguém está percebendo?  Será possível que o fim já não estaria  acontecendo ? Como saberemos?
Não temos como saber. Repito, não temos como saber. Tudo o que se disser neste particular não passará de especulação. Sem falar nos aproveitadores que se utilizam das profecias para explorar, enganar e conquistar mais fiéis. Saem dizendo asneiras, procurando em suas religiões os personagens e sinais citados nas profecias. Obviamente, que tais sinais e personagens só podem surgir na religião deles. Nunca nas adversárias. Sempre foi assim.  O fato é que não temos como saber se as profecias dos Maias falam sobre o fim do mundo físico, material, ou apenas sobre o término de um ciclo. E isso não é motivo pra pânico. Talvez seja motivo de alegria. De 2011 pra cá vi mudanças profundas na vida de várias pessoas - tanto conhecidas quanto desconhecidas. Tanto na minha vida, quanto na vida de amigos e familiares. Certamente, independente de profecias, estamos vivendo um momento de profundas mudanças. Quem tem  mais sensibilidade e está mais atento, percebe uma poderosa energia de mudança no ar. Mudanças de paradigmas espirituais e uma concepção inovadora sobre  religião e espiritualidade- muito além da visão tradicional. O novo homem se sente mais confiante, maduro, autônomo e capaz de seguir seu próprio caminho. Não se sente mais escravo dos deuses, nem das religiões ditas “sagradas e autorizadas”. Hoje, há uma consciência cada vez mais presente de que o homem é um “deus adormecido”. Precisando, somente despertar para este fato. Sem necessidade de intermediários, sejam eles quais forem.
Sim, muitos profetas que no  século passado anunciaram o retorno do Cristo para este final de milênio, podem ter acertado. O problema é que eles estavam esperando uma coisa, e pode ter acontecido outra. Exatamente como há dois mil anos atrás. Jesus já pode ter retornado sem ninguém perceber. E nunca saberemos como e de que forma ele veio. Se foi num disco voador, se foi encarnado em uma pessoa,  em várias pessoas, ou apenas como uma “elevação da consciência” sentida através das vibrações, pessoas e acontecimentos inusitados.  Mas, exatamente por não sabermos ,  é que temos que “orar e vigiar”. Estar “preparados” pois, talvez isso tudo já esteja acontecendo, ou já tenha acontecido e não tenhamos percebido- exatamente como no tempo de Jesus. 


 Ora, independente das profecias serem verdadeiras ou não, o que isso significa pra nossa vida? O que alguém deve fazer ao saber que o mundo pode estar se acabando e que o Cristo já pode ter retornado ? Não seria,  buscar o despertar, a evolução, a transformação interior? E, mesmo que tudo isso fosse apenas uma “piração coletiva”, isso nos isentaria de fazermos a nossa parte? Claro que não. Na verdade, nada muda em nossa vida, quer acreditemos nas profecias ou não. Tudo continua a mesma coisa. Se as profecias servissem  para nossa transformação e despertar então haveria um sentido para elas. Mas não mudamos. Continuamos com nossos sonhos, ilusões e estupidez.
Na verdade, muitos se apoderam dessas "revelações" para fortalecer mais ainda o caos, o sono e a confusão. Em nada contribuem para uma real salvação humana no que tange ao seu despertar. Querem ser famosos, vender livros, aparecer na mídia, serem entrevistados e bajulados. Passam horas e horas discutindo o “sexo dos anjos”. Mas não dispensam um minuto para o que realmente importa: o despertar do homem. Em raros momentos falam de “amor”- coisa que Jesus pregou há milênios e que ninguém nunca ouviu- como ouvirá agora? Mas por que não ouviram? Por que não quiseram? A resposta é simples : ninguém ouve se está dormindo. Muito menos 'amar'. Não há amor sem autoconhecimento. Por isso, a necessidade prioritária para o  despertar da ‘consciência’.  O amor de alguém que dorme é desprovido de verdade, uma vez que é contraditório. Lá no fundo, seus reais motivos são outros. Muitos só querem ser admirados por suas “maravilhosas e abnegadas ações”. Ações humanitárias que disfarçam suas verdadeiras intenções: ganhar status, ter poder e serem famosos. Como poderão ser amados e respeitados se não agirem desta forma? Todos sabem que o ser humano, em sua maioria, é idealista. E quando encontramos alguém que se encaixa nesses modelos idealizados, passamos a admirá-los. Eis, então o Avatar, o Santo, o Bemfeitor.
   Enquanto isso? Muitos sonham um dia poder ser como eles. E enquanto lutam pra realizar esses ideais… dormem. Ficam tão ocupados e envolvidos com "a obra" que não tem tempo de pensar no despertar. Tal atitude alimenta-nos  a ilusão de estarmos  cooperando com Deus, ajudando em sua obra celestial. Isso nos faz importante por estarmos “contribuindo” para o bem da humanidade. Ora, não será isso uma grande petulância? Não sabemos amar nem a nós mesmos, nem aos nossos familiares e amigos e queremos amar a humanidade. Essa humanidade não existe. É uma abstração conveniente e confortadora, que satisfaz os discursos vazios e demagógicos. Não cumprimos nem o pequeno e queremos fazer o grandioso. Não somos fiés nem no pouco e queremos sê-lo no muito. A salvação do mundo deve começar primeiramente consigo mesmo. Do contrário, tudo será pura mentira e autoenganação.

    Não importa se o mundo vai acabar em 2012, ou se Jesus já retornou ou se virá apenas daqui a dez ou cem anos. Jesus já veio há mais de 2000 anos atrás, isso sim é importante. Assim como ele, tantos outros vieram chamar nossa atenção para o que realmente importa: a condição  humana de ignorância e ilusão. Mas há forças no Universo que não querem que o homem desperte para a Realidade. Exatamente como no filme Matrix. Estas forças existem tanto dentro quanto fora do homem. Ao indivíduo, e somente a ele, cabe a missão de buscar e lutar por seu despertar. Mesmo que venham os Sócrates, os Platões, os Budas, os Cristos, os Ramanas, os Babajis e os Krishnamurtis, dentre outros, gritando para que despertemos- nada ouviremos pois nosso sono é profundo e pesado. O trabalho de despertar exige de nós um sacrifício nada fácil e simples: a morte de nós mesmos. Temos que morrer, sacrificar tudo o que somos, do contrário não renasceremos. Mas tememos perder a nós mesmos. Tememos arriscar tudo pelo Desconhecido e, por isso, preferimos a segurança ilusória do conhecido.
A Meditação nos prepara para o salto no Desconhecido. Esse Desconhecido é sentido como morte, vazio, nada, pelo EGO. Mas a mente-ego não quer morrer. Por isso, ela não suporta a não-mente. Ela  quer ser "alguém’, ser importante, ser o centro de tudo. Ela pensa que sabe o que é a felicidade, geralmente ligada à noção de prazer , satisfação e realização. Ela sente o "não-ser-nada" como sofrimento, não porque seja assim, mas por temer o que não conhece e não controla. Assim, ela estabelece para si um ideal de felicidade e faz tudo para alcançá-lo.  O ego-mente não abre mão disso, pois essa é sua natureza. Mas na Meditação percebemos que o EGO com seus pensamentos, desejos e buscas são como pesadas nuvens impedindo a visão do céu infinito. Nuvens que nos identificamos como sendo nós mesmos. De tão identificados e apegados, esquecemos que além das nuvens há um céu Infinito e que lá encontra-se a Luz da verdadeira felicidade. O ego não quer o Desconhecido por temê-lo. Prefere o conhecido por ser mais prazeroso e  seguro. Mesmo que isso signifique viver de ilusões.Todavia, no NÃO-SER-NADA, está o SER-TUDO.  No Desconhecido, encontra-se o Eterno. 


  Não deixemos o DESPERTAR para amanhã. O amanhã poderá não vir. A qualquer hora o fim pode chegar de forma inesperada: seja através da morte natural ou mesmo pelo tal “Fim do Mundo”. Meditar, significa viver a eternidade no agora e não no "depois" . Nessa dimensão não existe o tempo. Mas apenas "o que é"... o aqui e agora. Quanto mais conscientes desta dimensão interna, mais e mais despertos estaremos. Um homem desperto não se engana nem engana aos outros. Não se ilude nem ilude aos outros. Ele está preparado e atento. Vigia constantemente sua "casa" pois não sabe o dia, nem a hora em que o "ladrão" virá.   Sua oração é sua comunhão com o Eterno alcançada durante a Meditação.   Por não ser mais controlado pelo pensamento, eleva-se acima deste nível ordinário de compreensão e  alcança o plano da Consciência. Somente tal homem saberá viver, agir e amar verdadeiramente , sem medos, sonhos ou ilusões! 
Que cada um possa buscar seu próprio despertar no agora, independente do amanhã - pois amanhã poderá ser tarde demais!
Muito Obrigado!
Alsibar ( inspirado)

domingo, 8 de janeiro de 2012

PERGUNTAS E DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE MEDITAÇÃO E DESPERTAR - The most frequent questions about Meditation and Awakening


Devido a diversos questionamentos e dúvidas sobre meditação e autoconhecimento , resolvi escrever este artigo com o objetivo de esclarecer alguns pontos de difícil entendimento sobre o "mecanismo" do despertar. As respostas e reflexões aqui apresentadas, devem ser consideradas dentro da visão relativista das coisas e não como verdades absolutas. Não falo como guru, mas como um irmão mais velho que devido à experiência e maturidade, pode ajudar os mais novos e inexperientes a encontrar seu próprio caminho.
1.     Alguns instrutores e movimentos religiosos pregam que tudo já é perfeito. Ora, se assim o é, então por que precisamos meditar?
A ideia de que não precisamos fazer nada, pois tudo “já é perfeito” é uma concepção que deve ser compreendida corretamente sob o risco de tornar-se fonte de ilusões. Podemos dizer que esta concepção é  correta e errônea ao mesmo tempo. Do ponto de vista do Absoluto, tudo já é perfeito, pois tudo ‘JÁ É’. Se Deus é tudo e tudo é Ele, então tudo é perfeito, pois Ele é Perfeito e todas as coisas são do jeito que são porque não poderiam ser melhores- pois se pudessem certamente seriam. 

Todavia, sob o ponto de vista da relatividade, ou seja, do ponto de vista do observador em sua subjetividade,  nada está perfeito. Pelo contrário, há muito o que "fazer", mas este “fazer” tem que ser corretamente compreendido. Nada pode ser feito enquanto formos escravos das ilusões. Assim, temos muito o que fazer sim. E o que podemos fazer? Libertar-nos da ilusão do ego-pensamento. Este é o primeiro passo. Um homem sob efeito de bebida, sono ou delírio, nada pode fazer por si mesmo.  Da mesma forma é a humanidade. Enquanto  o indivíduo não se autoconhecer e não "acordar", suas ações serão confusas e equivocadas. No Quinto Evangelho, Jesus fala o seguinte:

" Assumi meu lugar no mundo e revelei-me a eles na carne. Encontrei todos embriagados. Não encontrei nenhum sedento e minha alma ficou aflita pelos filhos dos homens, porque estão cegos em seus corações e não tem visão. Pois vazios vieram ao mundo e vazios procuram deixar o mundo. Mas, no momento, eles estão embriagados. Somente quando superarem a embriaguez,  mudarão a maneira de pensar." (aforismo 28)

Jesus diz que estamos "embriagados", ou seja, estamos sob o efeito de uma espécie de droga, ou força que nos tira a clareza de percepção para podermos agir de maneira correta e sábia. Em outras culturas e religiões essa força é chamada de Maya, Ilusão ou Ignorância. O primeiro passo é libertar-se dela, o resto virá por si mesmo.

2.     O que nos resta fazer então?
No atual estado em que se encontra, só há um caminho possível ao homem: acordar!  Você confiaria nas palavras de um homem bêbado, drogado ou  hipnotizado? Certamente que não. Da mesma forma é a humanidade. Tudo o que ela fala, sente ou faz é desprovido de verdade e consistência. Se observarmos bem, há uma enorme distância entre  os discursos e as ações e – o pior- o homem não percebe suas próprias contradições. Desejam  ir para o Norte, mas se dirigem para o Sul. Diz querer “amar o próximo” mas tudo o que faz aponta no sentido contrário. A contradição está na raiz de quase tudo o que o homem diz e faz. Por isso, só lhe resta uma coisa: Despertar!  Do contrário, não sairá do lodaçal em que se encontra. Nesse estado de confusão, tudo o que ele faz, pensa e diz, ocorre apenas em sua mente , como num sonho. Exatamente como foi retratado no filme Matrix… apenas sonha que faz, mas na realidade está dormindo.

3.     Qual o caminho do DESPERTAR?
A MEDITAÇÃO.

4.     O que é MEDITAÇÃO?
Não é fácil definir meditação. Talvez nem haja definição para ela. Krishnamurti deu mais de mil definições sobre meditação ao longo de sua vida. Há coletâneas completas somente sobre isso.  Cada vez que ele falava, dizia algo diferente, ampliando ou explorando outras perspectivas desse “misterioso estado”.  Seria mais fácil dizermos o que ela "não é". Primeiramente, ela não é um método ou uma técnica que se possa praticar. Há centenas ou milhares de ‘métodos” de meditação por aí. Krishnamurti foi o sábio que mais insistiu sobre a natureza “não-metódica” da Meditação. Até mesmo o Zazen,  que originalmente surgiu como um “não-método”- ainda é ensinado por alguns instrutores como sendo algo que se deva praticar. Poucos, muito poucos compreendem o verdadeiro espírito do Zazen- “o sentar-se sem fazer nada”. Não há Zazen enquanto houver um aspirante que pratica um método pra se alcançar um estado. Somente quando não houver nenhum “praticante”, nem “prática”, nem nada a se realizar… é que surge o verdadeiro Zazen ou Meditação.
Ora,  até a Bíblia  fala sobre a Meditação como um estado de repouso e tranquilidade. Jesus afirma no Quinto Evangelho:

“vós também, buscai um lugar para vós no repouso, a fim de que não vos torneis um cadáver e sejais devorados"(afor-60).

Obviamente, o lugar de repouso não é um lugar físico, mas a Alma, ou o Ser do homem. Ainda no Evangelho de Tomé, ele esclarece: 

“ Se vos perguntarem: 'qual o sinal do vosso Pai em vós? Dizei: é movimento e repouso” (afor- 50).

Concepções análogas são encontradas nos ensinamentos de outros mestres e iluminados. “O estado de Imobilidade”- ensinado por Babají através de seus discípulos. O estado de “tranquilidade mental”, ensinado por Krishnamurti como condição prévia ao Estado Criador. O  ‘testemunhar silencioso’ de Ramana Maharish. E ainda, Krishna, no Bhagavad-Gita quando exalta " a mente estável” do Iogue auto-realizado. Tudo isso aponta para a grande importância que o silêncio e a paz mental tem  no processo do "despertar".
Daí se conclui: a meditação é a percepção ou descoberta desse estado de "paz, tranquilidade e repouso interior". Mas, essa paz  não surge como fruto de um esforço, de um desejo, de uma busca, de uma técnica ou disciplina. É um estado em que  não há um “eu” observando, há apenas a observação.  Nesse estado não há futuro, nem passado, nem presente- pois todas as concepções de tempo, são de natureza mental.  É uma dimensão Atemporal, além do tempo psicológico e do centro-observador.
Ora, quem é este ‘centro’? É o EGO não? Significa dizer que quando estamos ‘em meditação” não há mais separação ou divisão entre “sujeito e objeto”, “observador e coisa observada”. As concepções de tempo e espaço também desaparecem. E o indivíduo ver-se a si mesmo livre dos grilhões do tempo e das ilusões mentais. 
Concluindo: o homem pode e deve “fazer” algo: descobrir esta dimensão atemporal, incognoscível e insondável dentro de si.  Ao encontrá-lo não haverá mais dúvidas e nenhum "fazer" ou "praticar". Apenas um eterno e constante fluir, um morrer e renascer que ocorre de forma natural, sem a participação direta do "eu-ator". É um estado sem continuidade, sem tempo, sem medo ou ilusões.

5.     Por último, qual sua opinião sobre os gurus, as religiões e movimentos  organizados?
Tudo tem sua  importância e papel dentro do Plano Divino. As religiões, os movimentos e gurus tem, certamente, uma função dentro da Conjuntura Cósmica Universal, do contrário, não existiriam. É como se o Universo fosse um grande corpo onde todos realizam algum tipo de trabalho e exercem funções específicas- por mais simples que seja- tem sua importância. 

Há uma lógica e um sentido para tudo que existe. É como numa escola: qual o sentido do jardim de infância? Preparar as bases para  estudos mais avançados não? Os homens são como crianças em uma escola. Alguns precisam do "Bê-A-BÁ, outros já leem com facilidade, há alguns que  dominam a escrita e a leitura , há ainda aqueles com habilidades mais avançadas e que são capazes de desenvolver estudos mais complexos e abstratos. Mas penso que todos chegarão lá, uns mais rápido, outros mais devagar... outros quase parando . O "objetivo" é que todos cheguem ao ensino Superior onde possam tornar-se "mestres de si mesmos" de sua própria jornada e aprendizado. Os primeiros estágios são extremamente dependentes. Os intermediários se caracterizam por uma dependência relativa. Os últimos estágios são marcados pela capacidade de se guiar, estudar e aprender de forma autônoma e independente. Obviamente,  a ajuda dos outros sempre será importante, mas não haverá mais a dependência da autoridade espiritual, característica dos estágios iniciais.
Assim também é o homem em sua "embriaguez". Muitos são como crianças inseguras que precisam do apoio das religiões e dos gurus para sustentá-los ao longo do "caminho" que acreditam existir. Outros, são como adolescentes: já demonstram um certo nível de autonomia, independência e coragem- mas ainda muito limitado e imaturo. Outros são como adultos, mas mesmo esses há diferentes níveis. Há adultos maduros, seguros e independentes e há adultos  medrosos e inseguros. O fato é que, a variedade de religiões e “caminhos” refletem a variedade de níveis evolutivos do próprio homem. Se existisse apenas uma religião, muitos pereceriam pois não conseguiriam se “enquadrar” em um modelo apenas. Daí a importância de haver um “caminho” adequado ao estágio evolutivo de cada pessoa. Isso demonstra que a Sabedoria Cósmica Universal ultrapassa a visão limitada e radical de alguns religiosos conservadores. Não há verdade absoluta, nem apenas um caminho, e talvez não exista "Caminho". Cada um entenderá conforme seu grau evolutivo de compreensão e maturidade espiritual.
Por mais que não se queira, as concepções religiosas individuais e coletivas, evoluem à medida que o próprio indivíduo, ou humanidade evolui. Assim, não há religiões, nem caminhos certos ou errados.  Há religiões "erradas" ou inadequadas para determinados tipos de indivíduos. Mas, estas, por sua vez, podem se adequar perfeitamente em outros tipos de pessoas - exatamente como uma roupa, ou calçado.  Por exemplo: seria errado e até “impossível” colocar um Phd para estudar no “jardim”- pelo simples fato de que ele já ultrapassou aquele nível de compreensão. Da mesma forma, seria ‘errado’ colocar uma criança do jardim pra fazer o Ensino Médio, ou Graduação- por razões óbvias.
Mas o certo é que todos estão aqui para evoluir através do despertar da consciência. E assim como há crianças que repetem o mesmo ano várias vezes, há também indivíduos que ficam estagnados em um mesmo nível durante toda uma vida o que pode levar anos, séculos ou milênios- caso exista a reencarnação. Por isso que todos deveriam buscar o crescimento e a evolução interior independente de religião, movimento ou organização. Ninguém precisa deixar sua religião, guru ou movimento desde que estes não limitem ou impeçam a evolução e  o amadurecimento espiritual. 

Assim, quando chegar a hora de partir, parta. E quando se sentir seguro e maduro,  siga seu caminho sem medo.  Cuide para não cair na ilusão de que  alguém (guru, mestre, ou organização) possa lhe dar a Paz, a Luz, a Verdade ou a Salvação . Lembre-se que sua parte é ficar consciente disso como uma realidade intrínseca que já está aqui agora e que ninguém pode dá-la - pois nunca foi perdida. Os mestres, tais quais professores, apenas apontam o caminho do aprendizado, mas eles não podem aprender ou estudar por você.  Cada um deve fazer sua parte. Do contrário corre-se o risco de se "repetir de ano" várias vezes.

A meditação e o autoconhecimento não são práticas- no sentido literal da palavra- são níveis de percepção e compreensão que traz a sabedoria e nos permite avançar de "série" à medida em que você se expande, se aprofunda e se ilumina. E assim, caminha-se em direção a estudos mais avançados aqui mesmo ou em outras dimensões...  Por que não?
Muito Obrigado!
Alsibar ( inspirado)
http://alsibar.blogspot.com
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email e msn: alsibar1@hotmail.com
Facebook: Alsibar Barbosa

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ANO NOVO… VIDA NOVA?

Ano novo... vida nova? http://alsibar.blogspot.com- Imagem da Internet

( ÚLTIMA MENSAGEM DO ANO)

O final de ano se aproxima e com ele renovam-se as esperanças de mudanças e dias melhores. Mas é possível haver mudanças significativas se interiormente não mudo? Como posso esperar dias melhores se , interiormente, não  melhoro? E ainda, há mudança verdadeira no âmbito do “conhecido”?Neste artigo, refletiremos sobre estas e outras questões cruciais para quem quer realmente “mudar de vida”. Você é nosso convidado!

Este ano foi um ano de grandes mudanças paradigmáticas. Tenho visto isso tanto em níveis pessoais quanto coletivos. Minha própria vida sofreu grandes transformações em 2011. E tenho testemunhado essas mudanças na vida de muita gente também. Familiares, amigos, pessoas famosas… Parece haver um padrão cósmico impulsionador de grandes mudanças. Para melhor, obviamente. Familiares meus conseguiram empregos depois de longo tempo desempregados. Outros viajaram para outras cidades, para recomeçarem uma nova vida. Por onde olho vejo mudanças em todos os níves, âmbitos e áreas.
Particularmente, muita coisa mudou em minha vida neste ano. Cito mudanças em nível interno e externo. Em nível interno, aprendi a meditar- após anos e anos achando que sabia. Comecei a “ensaiar” a meditação desde os meus nove anos. Hoje estou com trinta e nove e , somente neste ano, percebi que não sabia de nada. E que aquelas práticas de nada me serviram… ou melhor, serviram, mas muito pouco. Após isso, muita coisa mudou. Resolvi criar um blog e comecei a fazer parte das redes sociais. Isso me abriu novos horizontes e perspectivas. Através do blog pude compartilhar com os outros minhas impressões, reflexões e aprendizado. Através das comunidades e redes sociais, conheci muitas pessoas, fiz novos amigos, aprendi com também. Hoje posso dizer que transito entre esses dois mundos – o real e o virtual- e estou feliz com isso. As redes sociais, se bem usadas, podem ser grandes intrumentos de evolução e crescimento . O aprendizado só realiza-se nas relações, no contato e nas trocas de experiências. Quando estamos abertos, tudo pode transmutar-se em aprendizado- inclusive os mal entendidos, as disputas infantis, os erros, as ilusões, as brigas, as agressões gratuitas. Temos apenas que aprender a lidar corretametne com isso, nunca se considerando superior ou inferior a ninguém. A todos estes companheiros virtuais, o meu agradecimento por me ajudarem a crescer. Espero que não tenha ficado mágoas. Da minha parte não ficou nenhuma. Peço desculpas se feri alguém, magoei ou disse algo que atingiu pessoalmente a quem quer que seja. Tudo que escrevo, tem apenas um objetivo: contribuir para o crescimento, aprendizado e esclarecimento interior. Apenas isso.
Mas, quero agradecer especialmente àqueles que gostam do que escrevo. Àqueles que me “seguem” no blog, aos que contribuiram com uma visita, um comentário, uma palavra de incentivo, uma experiência,  um elogio, ou até mesmo com uma crítica. Amigos, é pra isso que estamos aqui: para aprender. Dizer que a vida é uma escola, é mais do que um cliché. É uma realidade. Todo dia aprendemos, e quanto mais abertos estivermos ao aprendizado, mais evoluiremos. Evoluir não significa tornar-se mais do que ninguém. Significa alinhar-se aos poderes criativos da vida, às forças evolutivas do Universo, que amorosamente velam e cuidam de toda Criação – incluindo nós- a humanidade. Evolução nada tem a ver com sentir-se superior a ninguém. É justamente o contrário: quanto menos nos sentimos superiores, mais caminhamos em direção à Luz. Aqueles que sentem-se evoluindo, como algo consciente e intencional, não estão, em absoluto. A Evolução Interior só ocorre na ausência da autoafetação, na ausência da sensação do “EU”. Assim, enquanto houver em nossa mente o sentimento de “eu estou evoluindo”. Não há evolução nenhuma. Por um motivo muito simples: não há evolução na mente, no “conhecido”. A mente que diz a  si mesma: “eu estou evoluindo”, continua limitada dentro de suas próprias limitações psicológicas. Só há evolução, mutação, transformação, fora do conhecido, fora da mente, fora do “eu sou”- enquanto expressão verbalizada do pensamento.
Ora, pra que não haja dúvidas, refletiremos um pouco mais sobre o que é o “conhecido”. O conhecido é tudo o que conhecemos, pensamos, projetamos, desejamos, verbalizamos. É todo o nosso “background”, tudo o que ficou acumulado em nossa mente através de séculos de história. Tudo isso nos é repassado pela educação, pelas experiências vividas, pelos familiares, amigos, sociedade, livros, meios de comunicação etc. Tudo isso fica acumulado na MEMÓRIA. E essa memória, que é tudo o que somos, projeta e busca a transformação, a mutação, a Felicidade, a Iluminação, Deus etc. Mas por que essa mutação nunca acontece? Por que a paz nunca chega? Por que não encontramos a Verdade, Deus, o Desconhecido? Muito simples. Porque na memória, no conhecido não pode haver nada de novo. Pelo simples fato que o conhecido é a continuidade do velho, do passado. E na continuidade não pode haver rompimento. Sem rompimento, sem a morte do “velho”, não pode haver renascimento, renovação. E , assim, como pode haver alguma mudança ou mutação?
Não pode. Simplesmente não pode. As mudanças ocorridas no âmbito do conhecido são superficiais. Não atingem o fundo, o centro, a raiz. E assim, nada muda realmente, há apenas “remendos”, “gambiarras”. Sei que muitos almejam mudanças. Infelizmente, muitos se contentam com os remendos e as gambiarras. Se  o telhado é velho e tem goteiras, nos contentamos em “tapar” algumas delas. São resultados imediatos. Mas, se o telhado é velho, temos que trocá-lo completamente, não? Gambiarras apenas nos dão uma passageira e ilusória sensação de segurança, paz e conforto. Mas quando vem uma chuva mais forte, logo, logo, abre-se uma goteira e temos que consertá-la de novo, e de novo… e assim passamos a vida inteira. E o que são essas gambiarras em nossa vida? São nossos conceitos de felicidade . Muitos se contentam com um bom emprego, estabilidade financeira, uma boa casa, um bom carro, uma esposa bonita. Outros querem fama, dinheiro e poder. Ao alcançarem isso, pensam: agora estou feliz e seguro. Não mais sofrerei. Mas, o que acontece de fato? Não custa muito e essas “gambiarras” se mostram frágeis, passageiras, e ineficazes. Diante da perda, da velhice, da dor, da doença e da morte, essas gambiarras são inúteis. De repente percebemos que tudo o que somos e temos é “poeira ao vento,” como cantou Sarah Brightman em “Dust in the Wind”.
Pouquissímas pessoas procuram a riqueza interior. Não a riqueza falsa da mente ilusória. Mas a riqueza que apenas o Desconhecido pode nos proporcionar. Quando nos daremos conta que apenas no Desconhecido pode haver verdadeira mutação e evolução? Todavia, não conhecemos o que é isso. Mas todos nós entramos em um estado parecido, à noite, quando dormimos. No sono, entramos no Desconhecido. O sono é um grande mistério. Cientistas o estudam há anos tentando entendê-lo. Porque dormimos? O que ocorre com as células durante o sono? Porque nos reabastecemos de energia ao dormimos? Dormir é dar repouso ao nosso consciente ( conhecido). O estado meditativo pode ser descrito como “ um sono acordado”. É o momento em conseguimos acalmar nosso “consciente”, sem no entanto, perdermos a “consciência”. Em outras palavras, o consciente “adormece”, mas continuamos acordados e “conscientes”. O corpo atinge um relaxamento muito próximo ao do sono. Às vezes ouvimos o corpo “roncar”, ou respirar profundamente, sinais característicos do sono profundo. Isso é Meditação.
Durante a Meditação não há “eu”, ou EGO (conhecido). Há apenas o Desconhecido, sendo este, a ausência de qualquer pensamento identificador, ou formador do EGO. Embora possa haver os pensamentos, mas não nos identicamos com ele, pois o observamos como “uma testemunha”- como diria Ramana Maharish. O silêncio e a consciência são “sinais” de que transcendemos o “conhecido”. Se, por um instante que seja, consigo perceber , observar e sentir as coisas que acontecem dentro e fora de mim- esse é o Desconhecido. Essa observação deve partir não de um “centro” analisador ( EGO). Ela deve ser sem centro. Sem a dualidade: observador e coisa observada. Não pode haver direcionamento, nem desejo de duração, nem de controle. De repente, estamos nele, e pronto. Se não estamos, não tem problema. Não podemos ‘dominar” o estado de atenção, querer prorrogá-lo ou estendê-lo. É como se ele tivesse vida própria. É um movimento que manifesta-se por si mesmo. Krishnamurti costumava dizer que “perceber a desatenção, é atenção”. Ou seja, se percebemos que passamos o dia todo desatentos, aproveite esse momento para manter a atenção e não pra autocensurar-se, ou criticar-se porque “perdeu” o dia sem conseguir ficar “atento”. Além disso, no estado de “atenção”, que é o estado em que não há observador e coisa observada, mas simplesmente, “observação silenciosa e passiva”, se realmente estás neste estado, não há “ninguém” para reclamar ou censurar-se pelo dia “perdido” em “desatenção”. Se existe esse “alguém”, então não estás em meditação. No estado meditativo não existe ninguém pra dizer nada, para reclamar de nada, pra criticar nada. Há apenas um silêncio, que nem mesmo silêncio é. Pois não é do reino das palavras.
Por fim, quero conclamar a todos que querem mudanças no próximo ano. Àqueles que não aguentam mais viver sob domínio da dor e da ilusão. Àqueles que querem encontrar uma vida mais plena, rica e feliz. A todos que procuram a paz, a paz verdadeira, não a ilusória. Quero dizer a todos, que há sim uma saída da Matrix. Mas encontrá-la é muito difícil. Não que realmente o seja. Mas porque não queremos abrir mão de nada. Queremos mudanças, mas não queremos mudar. E para mudar, precisamos ter coragem e humildade para aprender. O EGO, que é a presença da Matrix em nós, não aceita que “não sabe”, que está confus e que não tem a “receita”. Não admite que precisa de ajuda. Não tem coragem de jogar-se no Desconhecido, pois o Desconhecido não oferece segurança nenhuma. Só o EGO oferece segurança e conforto- mas são ilusórios. Não são reais. Mas muitos preferem viver de sonhos e ilusões, a ter que enfrentar a VERDADE e a REALIDADE.
E a verdade é que não existe segurança, nem paz, nem conforto no conhecido, na mente, no EGO. Só quando não estamos mais à procura de paz conforto e segurança. Só quando abrimos mão da continuidade do EGO. Só quando desistimos de nossas razões e certezas. Só quando houver uma quebra total deste padrão psicológico do conhecido- a que todos estamos presos- é que poderá haver algo de Real e Verdadeiro. Algo que não foi produzido pelas ações mesquinhas e medíocres da mente-pensamento-ego . Mas, sei que a mente de muitos, nessa hora, vai escandalizar-se e dizer: “isso não existe! Não existe nada fora de mim! Isso é um desparate! Uma loucura”. E continuarão com suas vidinhas medíocres, insossas, sem brilho, sem vida, sem profundidade. Pois é muito mais fácil e cômodo continuar com o conhecido, afinal, é o que eu já conheço. Que importam as crises? Que importam as quebras de expectativas? Que importa se me apego a tudo o que amo ? Que importa se tudo isso pode acabar a qualquer hora? Que importa o sofrimento, as crises e a dor?
Mas quando o “inesperado” bate a nossa porta.  Quando a dor e o desespero entram em nossas vidas sem serem convidados. Só então, começamos a refletir sobre nossa ela. É a morte de um parente, é a velhice que nos chegou tão rapidamente. É a dor da solidão. São as ingratidões. São as doenças. As fatalidades da vida que nos deixam impossibilitados de viver e ser quem somos. Nessa hora falta-nos dinheiro e, muitas vezes, os amigos. É a morte da esposa querida, do filho querido, de um ente querido. É a nossa própria morte. É a dor da separação e da perda. Qual de nós está preparado para perder objetos, pessoas, cargos, saúde, dinheiro? Quase ninguém não é? Mas qual de nós está preparado para abrir mão de idéias, concepções, pensamentos, posições e certezas? Qual de nós tem coragem de abrir mão de seus pensamentos, de seu EGO e da sensação de segurança, conforto e paz que ele traz- mesmo que saibamos ser ilusórias? Quem tem coragem de renunciar ao Conhecido, sabendo que não terá nada em troca? Afinal, renunciar para ganhar, não é renúncia, é? Só há renuncia verdadeira quando nada esperamos como recompensa.Mas é mente é esperta e ladina. Ela nunca faz nada “sem motivo”. Sempre faz visando algo em troca. Algum retorno, alguma recompensa. Alguma vantagem. E isso não é renúncia, em absoluto.
 Mas, qual a diferença entre o sábio e o ignorante? Afinal, o sábio também adoece, tambem envelhece, também está sujeito às separações e perdas inesperadas. Qual a diferença então? Veremos: o sábio não alimenta ilusões acerca de nada. Não identifica-se com os desejos, embora eles continuem a existir. Não alimenta esperanças sobre o futuro. Não projeta sua felicidade no amanhã. Ele a vive no agora. O sábio a nada se apega, nem mesmo aos seus próprios desejos, pensamentos, emoções e reações. Ele apenas observa o infinito movimento da vida, dentro e fora de si. Se há uma dor, ele a observa. Se há paz, ele a observa. Se há desejos, novamente observa. Se há companhias e dinheiro, ele os observa. Se há ausência e carência financeira, novamente aí a observação. Se tem abundância de amigos, saúde e bens materias ele os observa. Se não há, continua observando - da mesma forma.Falando assim, parece que, ser sábio é algo morto, sem vida. Pois ele “apenas observa”. Mas , não é assim. Ele observa, está consciente, mas não rejeita nada, nem resiste a nada. Ele nem quer, nem não quer. Se veio até ele, ele pega. Se tem, ele usufrui, se não tem, ele usufrui do mesmo jeito. A pessoa sábia nada retém. E, quando deseja, está consciente dos seus desejos, enquanto desejos apenas. A pessoa sábia está sempre aprendendo e vivendo cada momento. Se o momento é de dor, ele observa e vive- sem a dualidade, sem resistência, sem considerar como sendo algo pessoal. Mas como algo da vida. Próprio da natureza das coisas. Daí vem sua paz, que não pode ser descrita nem analisada pela mente pensante.A pessoa sábia vive tudo com plenitude e totalidade. Pois na totalidade está o segredo da Felicidade. Mas não há totalidade quando há “EGO”. Não há totalidade enquanto houver a dualidade “sujeito observador- objeto observado”. Só existe paz, felicidade e harmonia, quando cessa completamente o  pensamento de “eu sou isso, ou sou aquilo”. Ou mesmo o pensamento de “não-sou”. Então o que restará depois disso?
Só vivendo pra saber. Que no próximo ano, você possa mudar pra melhor. Trazendo, assim, grandes mudanças em sua vida. Faça disso, um dos objetivos principais para o próximo ano. Não sossegue enquanto não encontrar a paz - além das palavras e conceitos. Não precisa deixar emprego,  família, amigos, rotina, sonhos, objetivos e planos. Não precisa abrir mão do seu “projeto de vida”. Não. Apenas perceberás que a verdadeira felicidade e paz, não está nas coisas, nem no futuro. Assim, poderás ser feliz no agora, mesmo sonhando, mesmo tendo projetos e planos para o futuro. Mas descobrirás uma nova dimensão. Pois antes só imaginavas a felicidade como algo abstrato e distante. Como se ela só fosse acontecer no futuro, como resultado de tuas conquistas e realizações. Mas, sabemos que não é assim. A Felicidade só pode existir no aquiagora e ela não é resultado de nada. A questão é de mudança de paradigma: se antes pensávamos em “realizar as coisas pra somente depois sermos FELIZES”.  A sabedoria nos mostra que é exatamente o contrário: "SEJAMOS FELIZES, e tudo o mais realizar-se-á".
Que a mudança possa se fazer na vida de todos no próximo ano. Que possamos continuar nesse aprendizado mútuo, despertando para uma verdade muito simples: SEM MEDITAÇÃO E AUTOCONHECIMENTO NÃO HÁ CRESCIMENTO. Nem mudanças, nem mutaçao.
Paz, Felicidade e Sabedoria , é o que desejo  a todos!
Muito obrigado por sua leitura, participação e visita!
Alsibar ( inspirado)
msn: alsibar1@hotmail.com