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domingo, 28 de agosto de 2011

OS ESTÁGIOS MEDITATIVOS : EM QUAL VOCÊ ESTÁ? The meditative stages:in what are you?


O que é meditação e qual sua importância? Como saber se você está meditando corretamente e não se auto hipnotizando ou  se iludindo? Quais as características dos estágios meditativos e em qual você se encontra? Qual a importância da auto avaliação e auto percepção no processo de amadurecimento espiritual? Acompanhe-nos neste artigo e vamos refletir  juntos sobre tais questões imprescindíveis para o buscador e meditador sincero.
Meditar é um “ato” tão vital como respirar, comer, dormir e evacuar. Uma pessoa que não medita vive uma vida que carece de sentido, sabedoria e clareza. Poderíamos dizer que o indivíduo vagueia, caminha perdido de um lado para o outro, mergulhado na escuridão de sua própria ignorância . Sem meditação, somos escravos de forças obscuras e desconhecidas que nos manipulam como verdadeiros marionetes . Somos jogados de um lado para o outro, como um tronco em meio a um rio sem rumo . Ficamos ao sabor do turbilhão das águas e das ondas do destino- para onde vamos? Não sabemos. A vida torna-se uma tenebrosa floresta escura, cheia de surpresas, riscos, desafios e constantes perigos . Por isso pedimos, rezamos,  oramos como forma de tornar a jornada menos dolorosa, perigosa e insegura.
A meditação não muda a vida. Ela muda o indivíduo. A vida continua com sua imprevisibilidade, inconstância e riscos, mas a percepção da pessoa muda completamente. Enquanto um homem sem meditação é vítima das forças inconscientes que ele não controla , o homem que medita  percebe claramente a origem dessas forças e aprende a lidar com elas. A meditação traz o autoconhecimento, a sabedoria , a luz e a energia necessária  ao bem viver e ao enfrentamento dos grandes desafios da vida. Resulta daí a serenidade,  a harmonia e a clareza interior, sem as quais não há  paz, nem felicidade.
Por isso, é tão importante compreender o que é meditação- esta  dimensão esquecida do ser. Lá – dizem os mestres- encontra-se uma parte de nós que trazemos ao mundo quando nascemos. Esta natureza primal, original, pura e rica continua aqui, em algum lugar, debaixo das “camadas” dos nossos pensamentos, condicionamentos, preocupações e ansiedades. A meditação é como uma sonda  que nos leva até as profundezas abissais do oceano. Dentro de nós há uma dimensão escura, misteriosa e desconhecida. Quem não desce até lá torna-se um  indivíduo vazio, doente, fragmentado e neurótico . Sem meditação não há transformação interior, sem a qual ninguém amadurece, cresce ou evolui.
Mas para meditar, é preciso saber como meditar. Então como saber se estamos meditando corretamente? Se “aquilo” que estamos “praticando” é a meditação verdadeira e eficaz? Para aprofundarmos nestas questões, refletiremos sobre os estágios meditativos, comuns às pessoas geral, considerando que todas estão de alguma forma meditando, mesmo que não tenham consciência disso.
PRIMEIRO ESTÁGIO: A NORMOSE
O primeiro estágio é a “normose” em que vive a massa em geral.  Ou seja, é a vida “normal” de todo mundo. Esta normalidade  parece saudável mas é doentia- daí o termo “normose”  . Neste estágio vive boa parte das pessoas que conhecemos. Elas nunca ouviram falar em meditação e - se ouviram- nunca praticaram ou deram a menor importância a ela. São pessoas que vão vivendo a vida sem muitas preocupações  até que a morte, a doença, a perda e a dor batem-lhes às portas e lhe “cobram” por tudo que pensaram, sentiram, fizeram- ou deixaram de fazer.  É o momento das crises. Muitos mudam de atitudes à partir dessas crises. Alguns, ao perceber as consequências dos  maus hábitos, tentam abandoná-los e, para isso, procuram tratamentos,  convertem-se a alguma religião ou entram para  algum movimento ou organização . Outros , ao contrário, não estão nem aí pra nada. Continuam vivendo da mesma forma -apesar das crises- sem perceber nenhuma relação de causa e efeito entre suas ações e os acontecimentos críticos de sua vida .  Estes  vão “vivendo” aos trancos e barrancos , muitas vezes de forma inconsciente e inconsequente. Surgem, então novas crises, às vezes de forma sucessiva até chegar a velhice, a doença e a morte. Muitos não conseguem passar do primeiro para o segundo estágio pois estão- como quê- mortos em vida.
SEGUNDO ESTÁGIO: PERCEBIMENTO DA RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO
O segundo estágio é daqueles que percebem claramente a relação entre suas atitudes e sua vida.  Compreendendo que seu universo interno influencia os acontecimentos externos, busca ele se auto melhorar. Mas,  logo, logo sente que o  auto- melhoramento não é algo tão simples e fácil de se realizar. Nessa hora, muitos se convertem a alguma religião. Todavia, não tarda para o indivíduo se deparar com uma dura verdade: a religião só melhora uma coisinha aqui e outra ali- não toca na essência. Pois o “centro” gerador das ilusões e da dor (EGO) continua agindo sutilmente. O egoísmo continua disfarçado de ações sociais, de amor, fé, caridade etc. E se o indivíduo for sincero, perceberá o quanto é difícil extirpar as raízes do ego. O buscador sincero observará, intrigado, que a ignorância, a inveja, a inquietação, a ambição e o desejo continuam tão fortes quanto antes. Ou seja, fica claro que qualquer força externa não pode trazer a transformação interna. Neste estágio, algumas pessoas começam a procurar por vias mais “alternativas’ como ioga, meditação e terapias na esperança de transformar o centro. Nessa hora, fica claro para o sujeito que ele tem que realizar um trabalho de dentro pra fora e, assim, ele chega ao terceiro estágio.
TERCEIRO ESTÁGIO : DEPENDÊNCIA DE TÉCNICAS E  GURUS
O terceiro estágio é o da dependência de técnicas e gurus. É quando o sujeito começa a “praticar” técnicas de meditação, ou seguir os "gurus" na esperança de finalmente encontrar a paz  e a luz tão desejada. Todavia, se for sincero, perceberá que as técnicas e os gurus “funcionam” até um certo ponto, mas não vão muito longe. É verdade que ele passa a sentir-se mais sereno, seguro e auto-centrado. Talvez chegue até mesmo a sentir  ondas de êxtase e desperte alguns poderes- resultado de mantras e técnicas que expandem a consciência. Mas , ao constatar que essas coisas são instáveis e passageiras e que os gurus só podem ajudar até certo ponto- o sujeito vê-se novamente mergulhado na depressão, tristeza e frustração. É uma fase confusa pois ele achava que já havia chegando "lá" e , de repente, vem um “vento” que derruba todo seu castelo de sonhos. Nessa fase ele aprende que não deve se apegar aos gurus,  nem aos estados internos de bem aventurança- mesmo que tenham lhe custado bastante tempo, esforço e dedicação . Confuso, sua mente explode em questionamentos: tanta meditação, esforços e dinheiro gastos em "satsangas" pra quê? Essa é uma hora delicada pois, em geral, ele está ligado ao guru e ao movimento- que lhe deu amizades e um sentido pra viver. Mas  se for sincero e corajoso haverá uma chance de avançar mais um estágio no aprendizado. Caso contrário, poderá se revoltar, tornando-se amargo e descrente , voltando ao velhos hábitos doentios e à antiga vida desregrada da qual se absteve  com grande esforço e sacrifício .
O QUARTO ESTÁGIO: O PERCEBIMENTO DO EGO
Mas, se for humilde e franco consigo mesmo, poderá ir para o quarto estágio. É quando ele percebe o seu erro : a prática deliberada das técnicas de meditação reforça e perpetua o EGO. O próprio desejo pelo céu, nirvana,  êxtase  ou iluminação eram obstáculos à libertação. Além disso, sem perceber alimentava o ego ao considerar-se sábio, iluminado ou salvo-pura prepotência e arrogância disfarçada. Os pensamentos e os condicionamentos ainda o aprisionavam de forma sutil e quase imperceptível. Nessa hora ele compreende que a mente encontra o que ela deseja. Mas o que se encontra não é a “verdade” mas apenas uma falsa verdade, uma ilusão resultante de seu próprio desejo. Esta, como uma miragem, esvanece-se ao primeiro sopro dos inconstantes ventos da vida. Assim percebendo, ele procura meditar corretamente, agora não mais desejando alcançar nada. Compreende que para entrar na “outra dimensão” não pode ir com seu EGO, com seus desejos e pensamentos. Tem que “abrir”  mão de tudo que lhe é querido e caro: sonhos, pensamentos, anseios, conhecimentos, lembranças, desejos, arrogância, orgulho, bondade, caridade ,  falsa humildade, busca, iluminação etc. Somente quando “morrer” completamente para tudo que ele representa e pela qual vive- é que poderá finalmente renascer na dimensão do Desconhecido. Então estará preparado para o quinto estágio.
QUINTO ESTÁGIO : APRENDENDO A MEDITAR
O quinto estágio começa quando o indivíduo aprende realmente a meditar. Nessa fase, o ego começa a ser consumido na chama da verdadeira meditação. E assim o ego vai perdendo sua força e poder. É neste estágio que o meditador aprende duas coisas importantes: a identificar o EGO e a tratá-lo adequadamente com cautela e cuidado, reconhecendo sua ação sutil, sua natureza traiçoeira e enganadora.  O mais importante durante a meditação é que o OBSERVADOR (ou seja, o "centro") esteja ausente. E como ele fica ausente? Tornando-se uma simples testemunha ocular e passiva de tudo o que é observado. É importante lembrar que o OBSERVADOR é o verdadeiro EGO. Aquilo que é observado ( pensamentos, sentimentos, sensações, emoções, desejos etc) não deve induzir à ação de qualquer tipo.  Quando “o observador” se intromete na observação - criticando, julgando, condenando, ou nomeando- na mesma hora o ego se fortalece  e se perpetua. Alcançar o estado de ‘ completa ausência’ do OBSERVADOR é o maior desafio do meditador. Sem este estágio, a meditação não acontece, não se realiza, tornando-se  uma “prática” inútil e até mesmo prejudicial. Se não atentar para estes cuidados, o sujeito fica preso num círculo vicioso e não avança para o próximo estágio.
O SEXTO ESTÁGIO: O SILÊNCIO E A PAZ INTERIOR
O sexto estágio é o do silêncio pleno e da paz interior. É quando não há mais a divisão OBSERVADOR (você que está se auto observando) e objeto OBSERVADO( as coisas que você percebe em si mesmo), havendo tão somente a OBSERVAÇÃO ou CONSCIÊNCIA SILENCIOSA , QUIETA E NÃO DIRECIONADA. Neste estágio entramos na UNIDADE , não há eu, nem ego, nem deus (ideia), nem nirvana (a concepção), nem céu (idealizado) há apenas a percepção de uma dimensão ou  estado ILIMITADO  e ATEMPORAL do qual não podemos dizer muita coisa e cujas definições são incapazes de descrevê-lo. É uma fase misteriosa e muito sutil. A paz e a tranquilidade são sinais claros desta fase. Não é resultado de um ato deliberado da mente- mas já é em si- um vislumbre do próximo estado meditativo: o da Iluminação .
O SÉTIMO ESTÁGIO : INDESCRITÍVEL E IMENSURÁVEL
Do sétimo estágio em diante nada podemos dizer ou descrever. Mesmo os grandes iluminados- não se atrevem a descrever o que é isso. Palavras como Nirvana, moksha, céu, libertação, iluminação- são apenas rótulos que nem de longe conseguem definir os estágios mais avançados e profundos da meditação. Os hindus dizem que Deus se manifesta como bem-aventurança ilimitada e sempre renovada. Esses estados avançados e profundos são indescritíveis em nossa linguagem. Nada, em nossa limitada experiência humana, se compara à experiência do Samadhi, ou União Divina.
RESUMO DOS SETE ESTÁGIOS
Lamentavelmente, a grande maioria das pessoas não conseguem sair do primeiro estágio da "normose"- a normalidade doentia. Outros, conseguem chegar ao segundo estágio e passam a reavaliar seus atos  e pensamentos ao conhecerem a presença da lei de causa e efeito como determinante em suas vidas . Alguns chegam no terceiro estágio - o das técnicas e gurus- e se dão por satisfeito- acreditando que as sensações de paz e alegria que sentem por conta das técnicas ou da presença do guru- é tudo e que não há nada mais além disso. Difícil encontrar aqueles que conseguem chegar ao quarto estágio: o do percebimento das artimanhas sutis do seu próprio ego. É raro encontrar alguém que tenha chegado ao quinto estágio - pois precisa de humildade e coragem para admitir os próprios erros e enganos- que poucos tem. E mais raros ainda são aqueles que alcançam o sexto estágio , o do silêncio interior,  quando não existe mais a separação sujeito-objeto, mas apenas a unidade da observação ou consciência. E finalmente, raríssimos, são os que alcançam o sétimo estágio, a libertação final,  também chamada de Iluminação, Céu ou Nirvana.
EM QUAL ESTÁGIO  MEDITATIVO VOCÊ ESTÁ?
Leia o texto com calma e analise em qual estágio você está. Lembre-se que não há regras, nem sequência a ser seguida. Estes estágios podem se alternar, acontecerem em ordem inversa ou aleatória. Não existe nada que determine a ordem do crescimento, evolução ou despertar espiritual. Você pode, de repente, estar no primeiro ou segundo estágios e ter vislumbres do sexto e último estágio. Talvez não precise viver as dificuldades dos primeiros estágios, ou ainda, pule direto para o quinto sem  ter necessidade de passar pelos outros estágios. Pode ser  que já nasça no quinto e rapidamente pule para o sexto e sétimo – como aconteceu com alguns iluminados. Talvez nunca passe do primeiro e  ainda há a possibilidade de "cair" dos últimos estágios, para os primeiros- e assim por diante. Não há absolutamente regras nesta escala evolutiva, constituindo objeto pessoal, subjetivo e íntimo de cada um.
NÃO ACREDITE, MEDITE!
Ao concluir, quero esclarecer que expus minha visão sobre estes estágios de forma didática e simples para   ajudar as pessoas a avançarem em sua caminhada evolutiva, através de sua própria percepção sobre si. Lembrando que não precisam aceitar ou acreditar em nada do que eu digo, nem do que ninguém diz. Muitos dizem que é necessário várias encarnações para se alcançar o "despertar". Outros dirão que é necessário esforços enormes, anos de treinamento  e disciplina para se chegar aos estágios finais . Não dê ouvidos a ninguém. Os  sábios e iluminados dizem que já somos Budas, já somos deuses e  que não há nenhum degrau ou caminho a percorrer - mas apenas perceber, acordar, descobrir, manifestar o que já existe dentro de todo ser humano.  Mas, ninguém precisa aceitar ou acreditar em nada. Descubra a Verdade diretamente, através de sua própria experiência e vivência. E só existe um caminho pra isso: a meditação que leva ao autoconhecimento.
AUTOR : ALSIBAR (Inspirado)
MSN: alsibar1@hotmail.com
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