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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O FIM DO MUNDO, A TIRANIA DO MEDO E A ILUSÃO DO DESEJO

THE END OF THE WORLD, THE TYRANNY OF FEAR AND THE ILLUSION OF DESIRE
O FIM DO MUNDO

Por que o medo sempre foi usado como armas de dominação das massas? Será que realmente precisamos dele para alguma coisa? Mudaremos ou salvaremos o mundo através do cultivo do medo? Qual é a relação entre o medo e o desejo?Será que não precisamos nos libertar destes dois para sermos realmente livres ? No texto abaixo refletiremos sobre estes e outros pontos relativos ao desejo, o medo e o fim do mundo.
OS PRIMÓRDIOS
A história do homem é uma história de bravura, de lutas, guerras, dominações, mas também é uma história de desejo e medo - muito medo. Desde a pré-história o homem oscila entre o medo do desconhecido, a necessidade de lutar pela própria sobrevivência e o desejo de expandir-se através de novos horizoantes. Diante do medo o que resta ao homem fazer? Confiar, crer em forças maior do que ele como o trovão, o fogo, o vento, o mar, a natureza e os animais. Ao render culto a essas forças primais procurava ele tornar o desconhecido menos arriscado e, ao mesmo tempo, fortalecer-se de coragem e fé para enfrentar os desafios das lutas diárias- de sobrevivência, dominação ou expansão. Os  líderes religiosos sempre souberam do poder do medo, por isso, entre todos os povos e culturas – Astecas, Maias, Íncas,  Egípcios, Gregos , Romanos, Hindus-  foi marcante a presença de rituais “sagrados” muitos deles envolvendo sacríficios de toda espécie e natureza – inclusive de humanos. Esse poder, de tão notável,  foi muitas vezes usado pelos governos  – tiranos ou não- para dar legitimar suas ações aqui na terra. Assim, não era raro que o líder religioso e o líder terreno andassem  paripasso fortalecendo-se  mutuamente  e cooperando na manutenção do status quo.
O MEDO , O DESEJO E  A TIRANIA CATÓLICA
A história nos mostra que sempre foi assim. O medo  e o desejo moveram o homem em boa parte dos acontecimentos históricos da Idade Média. A igreja católica  é conhecida por protagonizar ações em que  usou o medo  e o desejo como principais armas de opressão : muitos temiam o inferno  e desejavam ardentemente o céu, oferecido aso fiéis através das indulgências vendidas a peso de ouro a todos que obedecessem  sem questionar  as suas ordens e ditames – por mais  absurdos e cruéis que pudessem ser. Foi através do cultivo do medo da condenação eterna e pela promessa do céus – por meio do perdão dos pecados –que  muitos reis e imperadores, se renderam ao poder da Igreja. Foi assim, que ela consolidou-se como principal aliada do Estado.  Chegou ao ponto de não precisar mais de discursos, passou usar a própria força e os poderes temporais a ela concedidos, para forçar e amedrontar a todos que a ameaçavam. O medo deixou de ser  algo abstrato e passou a ser uma ameaça verdadeira: aqui merecem ser lembrados os temíveis tribunais de inquisição, as fogueira de mataram tantos e as Cruzadas. Mas, é bom lembrar que tudo isso iniciou-se com o medo do inferno e o desejo de se alcançar os céus. O resultado disso tudo foram séculos e séculos de dominação tirânica  através do medo e do desejo.
HOMENS LIVRES QUE MUDARAM O MUNDO
Mas – graças a Deus- apareceram homens livres do medo da Igreja e sua teologia e estes homens mudaram a história. Homens como Francisco de Assis, Martinho Lutero, João Calvino, Rei  Henrique VIII ,dentre outros, tiveram a coragem de romper definitivamente com o medo que tanto oprimia os homens. Livres do medo, estes homens ousaram enfrentar a ira de uma organização poderosíssima e tirânica como o foi a Igreja Católica durante a Idade Média. Isso prova que a liberdade sempre começa na consciência. Uma mente livre atua destruindo grilhões e amarras que prendem a si mesmo e aos outros. Por isso que a liberdade nunca é bem vinda, seja onde e quando for. Homens como Jesus Cristo, Gandhi, Krishnamurti e outros grandes – mártires ou não- são verdadeiras ameaças ao poder estabelecido. Eles não se submetem ao poder do medo. Suas mentes e consciências são livres de tal forma que  não temem a morte, a dor e o sofrimento. O que não significa que são tolos, sabem a hora de agir e até que ponto podem ir. Realizam, assim, o que Jesus disse “ Sêde mansos como as pombas e prudentes como as serpentes”.
O MEDO , O DESEJO E  A TIRANIA NA SOCIEDADE MODERNA
O problema todo é que este problemática não é exclusividade da Idade Média. Até hoje o medo e o desejo são usados como forma de dominação em todas as áreas e setores da sociedade moderna. É um verdadeiro câncer que atinge a toda humanidade, com raríssimas excessões.  É o professor que não aceita que o aluno discorde de suas posições. É a mãe e o pai que exigem obediência irrestrita dos seus filhos- mas não explica o porquê. É o marido que ameaça a esposa com violência e até morte caso ela ouse desobedecê-lo.  São os patrões que não aceitam ser contrariados. São as seleções para empregos  ou promoções de cargos internos, em que os mais independentes e questionadores são banidos pois representam uma ameaça .  São aqueles que são rechaçados de uma empresa ou instituição por terem a coragem de denunciar os erros e as falcatruas. São as religiões que, como na idade média, continuam usando o medo do inferno e o desejo de viver no céu – para manter seus domínios sobre as  mentes de seus seguidores. São as crenças de que quanto mais você desejar e quanto mais ambições tiver melhor será. São os chamados movimentos religiosos que  alimentam a busca por estados superiores de consciência ou despertar  como se este fosse resultado do desejo, esforço ou disciplina;  É a crença geral e dominate de que devemos  esforçar-mo-nos para ser mais, ser melhor, mais caridosos,  mais bondosos – como se o ser humano pudesse tornar-se melhor através do desejo, do medo e do tempo. E assim por diante. E ai daqueles que discordem deles! Ai daqueles que ousem ter opiniões próprias! São taxados de obssediados, endemoniados ou  mentalmente desequilibrados. Isso ocorre em quase todas as religiões e movimentos religiosos - com raríssimas excessões.
A CRENÇA NO FIM DO MUNDO
A PROFECIA DOS MAIAS ESTARÁ CORRETA?
Dentre os vários medos do homem, o do fim do mundo afigura-se como um dos mais temidos e prejudiciais. Ora, o fim do mundo é anunciado desde o tempo de Jesus, principalmente pelos apóstolos que agarraram-se às supostas profecias de Jesus sobre o fim dos tempos. Uma das sentenças mais intrigantes e que suscita polêmica é a seguinte “ Em verdade vos digo que não passará esta geração até que isso tudo aconteça” ( MT 24 : 3- 34). Ora, obviamente ele não estava falando do fim do mundo físico, senão nem estaríamos aqui comentando estas questões.  Estaria ele referindo-se a  outros “finais” como por exemplo, as guerras ou o holocausto que arrasaram os Judeus? Estaria ele falando  da morte dos próprios apóstolos martirizados em defesa da fé que propagavam e defendiam? Ou será que falou isso mesmo? Será que entenderam e registraram sua palavras corretamente? Ou seja, talvez tenha ele tenha se referido a outro fim, mas não no fim do mundo material.
TRAGÉDIA , DECEPÇÃO E A CRENÇA NO FIM
ADEPTO DA  FAMILY RADIO DE "MALAS PRONTAS"
 Mas muita gente ainda acredita  e prega o fim do mundo. O problema é que os anos vão passando e o fim não vai chegando, mesmo assim, esta crença vai fazendo estragos à medida que vai sendo anunciada por líderes malucos ou altamente espertos. Quem esquece de líderes religiosos  como Jim Jones em 1978, David Koresh em 1993 e Marshall, Applewhite e Bonnie Nettles (Heaven's Gate) em 1997 ? E o que dizer de Jonas Wendell, Charles Taze Russel , William Millers,  Joseph Flanklin Rutheford e outros profetas do Fim do Mundo que anunciaram e reanunciaram o fim do mundo  várias vezes, gerando muita confusão, frustação e decepção ? Por último,  a imprensa mundial  informou que um grupo religioso conhecido como Family Radio liderado pelo pastor Harold Camping, de 89 anos marcou a data final para a 21 de Maio de 2011, como nada aconteceu, obviamente ele já remarcou a data para  21 de Outubro de 2011. Outros, já adiaram a data um pouquinho mais a data  e fixaram-na para 2012.Além desses casos mais notórios, há centenas de outros casos que envolvem anônimos. Recentemente, a televisão reportou o caso de umas famílias que – crendo-se eleitos e confiantes no arrebatamento- picotaram dinheiro, deixaram os empregos e o lar- e saíram sem destino caminhando ao longo das estradas pois acreditavam que iriam ser arrebatados ao longo do caminho. Ora até quando iremos conviver com tanta estupidez ? Até quando as sementes perniciosas de crenças como estas continuarão fazendo suas vítimas? 
OS VERDADEIROS ILUMINADOS  NÃO ALIMENTAM O MEDO
Quero deixar bem claro que não estou aqui como defensor de minha verdade, mas também questiono todos aqueles que agem como se a detivessem - ainda convencem os outros de que a tem. Mas, se realmente essas pregações escatológicas tivessem alguma valia ou importância, teriam sido anunciadas pelos verdadeiros iluminados  que visitaram nossa terra  até pouco tempo. Seres como Paramahansa Yogananda, Sri Yukteswar, Lahiri Mahasaya, Babaji ( o verdadeiro), Krishnamurti, Ramakrishna, Ramana Maharish teriam, de alguma forma, nos alertados para a proximidade do fim, mas por que não o fizeram? É simples, porque os verdadeiros homens de Deus, os verdadeiros sábios e avatares sabem que não se vence o medo com o medo. Sabem que o medo não liberta o homem, mas  apenas aprisiona-o mais ainda. Sabem que o medo não pode ser usado como ferramenta de  dominação e convencimento de ninguém. Sabem o mais óbvio: não se liberta o homem do medo usando o próprio medo como fator de libertação – é impossível. É uma grande incoerência. Quem assim o faz, prova não ser  iluminado, atesta para si mesmo e para os outros que não é um “ser liberto”.
O VERDADEIRO DESPERTO NÃO ALIMENTA ILUSÕES
Os verdadeiros  “despertos” não se preocupam com o tempo, com o amanhã ou com o futuro. Seria contraditório se o fizessem. Eles querem exatamente o contrário: libertar-mo-nos do tempo, pois no tempo, só há miséria, dor e sofrimento. É a dimensão do tempo e do desejo que nos mantém presos nas nossas próprias ilusões. O medo é um dos piores entraves no caminho para o despertar. É ele que alimenta as crenças, é ele que mantém a doentia relação guru- discípulo- relação esta que trouxe mais males que benefícios pois afigura-se  como campo fértil da exploração, da dominação e do medo. O verdadeiro guru está além dessa dependência e também não a alimenta. O problema é que nem todos os gurus são verdadeiros e são raros os  verdadeiros que saem do anonimato- por alguma razão especial o fazem- mas não por sua própria vontade e glorificação. Talvez, haja momentos  em que os verdadeiros gurus tornam-se conhecidos – como no caso da linhagem que iniciou-se com Babaji e continuou com Yogananda- mas estes acontecimentos  são excessões, não são regras. Além disso, tudo o que Yogananda escreveu e todos os milagres que ele presenciou não teriam sido possíveis se não houvesse uma ordem superior autorizando. Ou seja, não foi pela vontade dele, nem dos iogues que ele conviveu, que estes fatos foram por ele testemunhados e posteriormente revelados ao mundo. Mas foi por uma ordem superior, por uma causa que somente podemos inferir, mas dificilmente saber.
YOGANANDA , OS GURUS E O PROBLEMA DAS CRENÇAS
Autobiografia de um Iogue

É fato que depois de Yogananda, o mundo não teve mais nada parecido. Não foi por falta de tentativas. Há vários escritores, "iogues", e ex-discípulos de Yogananda que dizem ter passado por experiências similares as dele -inclusive com encontros com Babaji- mas seus testemunhos não tem a força e a influência alcançada por Yogananda e seu  Autobiografia de um Yogue. É como se aquele "portal" do miraculoso, tivesses sido aberto por ele, mas encerrou-se nele também. Dificilmente a humanidade vai ter outro acontecimento como este na terra. O motivo é porque quando a  humanidade tem conhecimento desses fatos e pessoas extraordinárias, ele multiplica os vários problemas  e ilusões que já existem.  Explicando : é  fato que Yogananda com seu relato em primeira mão reviveu a chama da espiritualidade em vários corações desiludidos e desacreditados. Mas também é fato que as revelações por ele trazidas, até hoje provocam prejuízos de inimagináveis consequências  tais como: as várias correntes que usam o nome de Babaji para se promoverem, as brigas pelos direitos autorais da verdadeira Kriya Yoga, as  várias pessoas que se autoproclamadas encarnações de Babaji e Yogananda que pipocam na Internet, e os vários movimentos religiosos que se apóiam na tradição e autoridade de Yogananda como forma de “legitimar” seus movimentos e organizações- e assim por diante. Talvez, por isso, Krishnamurti tenha recusado, até o último momento a dar descrições sobre o além, sobre quem era, sobre quem o acompanhava, ou  sobre o “outro lado”. Disse ele  certa vez :“ É que se abrirmos esta porta, não poderemos conter o que está por trás dela”. Isso basta para percebermos o quanto é tolo ficarmos discutindo sobre o além, sobre o futuro,  sobre a iminência ou não do fim do mundo. Nada disso nos transforma, nada disso nos liberta, nenhum significado tem para nossas vidas.
QUAL MUNDO QUEREMOS SALVAR ?
O MUNDO DA MATRIX OU ILUSÃO
A necessidade e importância do despertar independe de  quando será o fim do mundo - hoje, amanhã ou no próximo ano que importa? “ Onde estiver teu coração aí estará o teu tesouro”. “Onde estiverem os cadáveres alí se juntarão as águias”. Onde quer que estejamos, neste ou noutro mundo qualquer, seja físico ou não, ali estará nossa consciência ou desperta ou adormecida. Se ela estiver desperta aqui, assim o estará em qualquer dimensão ou mundo. Se adormecida aqui, assim o estará em qualquer outra dimensão ou plano. Por isso, importa trabalharmos para o despertar aqui e agora, pois somente no aquiagora, o eterno presente, pode o homem se libertar das ilusões do ego e do tempo. Por isso, aos arautos e profetas do fim do mundo e a todos aqueles que comungam da mesma crença, não esqueçam que nada adianta viver falando no fim do mundo, quando não se trabalha para o despertar. Seria muito mais útil e produtivo alertar para um fato que pode ser constatado por qualquer um : o nosso mundo já acabou há muito tempo.  Nós vivemos em um mundo de ilusões, de sonhos, de pensamentos reativos e de desejos. O mundo que queremos salvar simplesmente não existe. Não sabemos o que é a vida, tudo o que fazemos nesta vida é apenas resultado de um emaranhado complexo de fatores, de causas e efeitos, cujo centro é desprovido de qualquer essência. Ou seja, o que somos? Condicionamentos? Desejos? Pensamentos? Memória? É este o mundo que queremos salvar? Para quê? Para perpetuarmos a ilusão e o consequente sofrimento?
 OS SONHOS CONTINUAM NO ALÉM?
A MEDITAÇÃO  E AS VIAGENS ASTRAIS


A vida verdadeira, o verdadeiro mundo está aqui- exatamente onde nos encontramos apenas a Mente nos impede de percebê-lo. Nosso trabalho deve se concentrar no despertar pois nele é que se encontra a única saída possível. Assim dizia Buda, Jesus e assim reafirmou Sri. Yukteswar  “um ser terreno não desenvolvido permanece a maior parte do tempo no profundo estupor do sono da morte e dificilmente tem consciência daS belas esfera astrais”. Isso também pode ser comprovado por qualquer pessoa ao dormir. Os projetores conscientes (aquelas  pessoas que ‘acordam’ dentro dos sonhos) sabem que quanto mais conscientes ficarem durante o dia, maior é a chance de se ter sonhos lúcidos. Isso pode ser comprovado por qualquer um, não precisa “crêr”. Implica dizer que toda nossa energia e atenção deve concentrar-se no despertar, do contrário continuaremos dormindo - tendo  alguns momentos de semi-consciência e raríssimos momentos de verdadeira consciência.
O DESEJO E O MEDO IMPEDEM O DESPERTAR
Que me perdoem todos que acreditam no fim do mundo.  Não esqueçam que crenças, são apenas crenças e que não podemos tê-las como Verdade. A Verdade está aqui diante de nós. Ela encontra-se na percepção do que somos e a consequente libertação de todo o medo e desejo . Medo e desejo são irmãs, como faces de uma mesma moeda. O desejo de se alcançar qualquer coisa ou estado neste ou noutro mundo nos aprisiona cada vez mais nessas esferas terrenas ou astrais. Buda já dizia que  “ o desejo é a raiz de todo o mal”. Sri. Yuktésar afirmou categoricamente que “ o poder dos desejos não realizados  é a raiz de toda escravidão humana”. (A.Y-457). Krishnamurti costumava dizer que o próprio desejo de se alcançar a Verdade ou Deus  impedia-nos de percebê-la, pois desejo é tempo, é pensamento, ou seja é a perpetuação do próprio EGO.
MEDITAÇÃO : O CAMINHO DA LIBERTAÇÃO
A MEDITAÇÃO É A SAÍDA

Por fim, é bom ficarmos alertas para esses dois grandes fatores da escravidão humana : desejo e medo. Ora, porque desejamos? É simples, porque temos medo. Desejamos o céus porque tememos o inferno. Desejamos a saúde porque tememos a doença. Desejamos o sucesso e abundância porque tememos as dificuldades e a escassez. Desejamos um amor porque tememos a dor da solidão. Desejamos a iluminação e a bem-aventurança  porque tememos a ilusão e o sofrimento -e assim por diante. Assim sendo, devemos estar conscientes do medo e do desejo, e não tentar vencê-los com mais medo e desejo – um eterno círculo vicioso muito difícil de escapar e perceber. Somente com o não-desejo, somente com a quietude da meditação, somente com o percebimento sem escolha, sem desejos de ser, vir-a –ser ou não-ser é que o homem pode libertar-se. A Bíblia já anunciava “aquietai-vos e sabei que Sou Deus”. Apenas na quietude da verdadeira meditação, libertos do tempo, do esforço e do medo é que o homem vai libertando-se aos poucos dos grilhões de Maia ou Matrix. Assim, anunciou os grandes avatares, assim alertou-nos os iluminados e assim nos diz nossa própria inteligência, razão e experiência.
Abaixo a pedagogia do medo! Não precisamos de mais medo, basta-nos o que já temos! Necessitamos sim do despertar e esse só vem quando não há mais nenhum resquício de medo ou  desejo. Inclusive do medo do Fim do Mundo e do desejo de se alcançar o céu, o paraíso ou até mesmo o Nirvana.

AUTOR :ALSIBAR  ( Sob inspiração?)

domingo, 24 de julho de 2011

AMY WINEHOUSE: A MATRIX FAZ MAIS UMA VÍTIMA - Amy Winehouse: Matrix 's newest victim



Michael Jackson, Amy Winehouse, Elvis Presley, Elis Regina, Janis Joplin e Cássia Eller
IMarilyn Monroe, Elvis Presley, Michael Jackson, Janis Joplin, e no Brasil :Elis Regina Cássia Eller e, a  última vítima : Amy Winehouse, dentre outros, o que as mortes trágicas dos artistas famosos nos ensinam? Que lições podemos tirar de tragédias como estas? O que isto tem a ver com todos nós? É o que tentaremos explorar no texto abaixo.
 Amy Winehouse era considerada uma das maiores divas da música soul. Talento inato, voz singular e uma vida permeada por escândalos envolvendo bebida e droga, logo cairam ao sabor da imprensa sensacionalista e também da imprensa séria e especializada. Nesta última, o destaque eram elogios de público e de  crítica que tornaram-na uma estrela de talento reconhecido e valor musical incontestável. Rapidamente a diva ganhou o mundo. Milhares de fãs no mundo todo, inclusive no Brasil, reafirmava o talento da grande estrela britânica. A grande incoerência disso tudo é que a popstar, apesar do dinheiro, fama e reconhecimento, não parecia  feliz e realizada. Será isso um fato isolado ou ele diz respeito a todos nós? Não teria isso a ver com a falsa idéia de que o dinheiro e a fama podem nos trazer felicidade? Será que também não compartilhamos desta ilusão?
É fato que boa parte da estrutura social e psíquica da sociedade capitalista está cada vez mais prisioneira de concepções errôneas sobre a felicidade e o bem estar. Quando somos muito pobres, melhorar de vida passa ser nosso principal escopo na vida. Mas quando já temos tudo, de repente, vem a desgraçada constatação : já tenho tudo e mesmo assim não sou feliz, como pode ser? E então o que o indivíduo faz? Se tivesse um pouco de sabedoria – como parece ter alguns famosos como Jim Carrey e Oprah Winfrey - voltam-se para o interior, para a meditação, para o autodescobrimento e ali, encontram o equilíbrio necessário para suas vidas. Mas, se por infelicidade,  azar, ou carma, refugiam-se nas drogas e na bebida, passam a trilhar um caminho perigoso onde a perspectiva de um fim trágico torna-se  inevitável.
Alguém um dia me perguntou se a meditação pode salvar as pessoas do vício das drogas. Acredito que pode, mas é muito mais difícil e complexo. Digo isso por uma constatação muito simples: os não viciados em drogas são viciados em outras coisas como, por exemplo, no pensar automático, nos devaneios, na religião, no futebol etc – elementos que funcionam como “amortecedores” usando a terminologia de Gurdjieff. Esses amortecedores são mecanismos usados pela Matrix (Ilusão) para que não percebamos nossas próprias contradições e assim, possamos de repente, despertar ou querer despertar. Assim, os amortecedores são muito diversos e ao gosto de cada um. Pode ser jogos, sexo, pessoas, livros, cigarro, religião e daí por diante. Não há problema no uso de alguns amortecedores quando você está consnciente do que são. Mas os amortecedores que atingem o corpo físico e o prejudica, são muito perigosos pois podem levar à doenças graves e à morte.
Assim, para despertar, o viciado tem uma tarefa hercúlea pela frente: além de lutar contra os vícios normais da sociedade (normose), tem que enfrentar o vício das células cerebrais , do corpo físico e da mente (sensações) pois tudo isso está dominado pelas drogas químicas. Ou seja, não quer dizer que ela não possa ser usada como coadjuvante. Pode, mas apenas como coadjuvante, pois sabemos que é um problema por demais complexo e ainda não foram descobertas  receitas fáceis e infalíveis que combatam eficazmente este problema.
Todavia, acredito na eficácia da meditação como um tratamento preventivo. Aí eu vejo que está sua real utilidade : na fase em que o corpo ainda não tornou-se dependente da química, apesar dos vícios psicológicos e emocionais. Por isso, creio ser muito importante a divulgação e o ensino da meditação pelo mundo todo. Quando falo “meditação” não estou me referindo apenas às técnicas sentadas e ensinadas por algumas organizações e gurus. Esta pode ser de alguma valia para reintroduzir ou manter o indívíduo “são”, dentro da concepção de normose social. Falo da meditação que não tem horário – mas não impede que tenha. Que não tem posturas – mas também não impede que tenha.  Da meditação ensinada por mestres como Krishnamurti, Ramana Maharshi os patriarcas Zen. Ela começa pela busca da autocompreensão, pelao tentar descobrir o que é o EGO e como ele atua em nossas vidas. Uma meditação que motive a liberdade como primeiro e último passo para o encontro com a verdade sobre si mesmo. Uma meditação que liberte o homem de suas próprias ilusões e concepções errôneas. Que traga paz e luz fazendo-o mestre de si mesmo e não um simples seguidor de qualquer livro, guru, mestre, organização ou religião. Uma meditação que possa libertá-lo definitivamente da poderosa Matrix – tornando-o um ser realmente livre e capaz de perceber a verdade por si mesmo, onde quer que ela esteja.
Na meditação pode estar a solução para muitos problemas que afligem a humanidade, inclusive àqueles que levaram à morte Amy Winehouse e tantos outros artistas queridos. A morte trágica dos astros pops, não são fatos isolados – são sintomas de uma doença social, espiritual e psicológica que afeta a todos nós. Uns manifestam a doença de forma mais grave outros menos, mas é uma doença que atinge a todos que vivem na Matrix. Ora, o que leva uma pessoa a beber e tomar drogas ? O vazio? A tristeza? E também não fugimos de nosso vazio e tristeza através de várias fugas sociais e psicológicas? Por isso dizemos que é um problema que atinge a todos. Obviamente, que dependendo da situação e do momento em que estamos passando, esses problemas podem se agravar nos levando a situações extremas como a loucura, depressão, suicídio, drogas etc.
É bem verdade que- alguns podem alegar- vícios como o sexo, o pensamento automático, os devaneios, a religião, o futebol, os jogos, as organizações etc.são muito mais saudáveis e menos prejudiciais do que as drogas químicas. Certamente que são. Disso não há dúvidas. Mas esses vícios nos mantém escravos da Matrix, com a suave ilusão de que tudo está bem e que não precisamos buscar nossa libertação. Quero só lembrar uma coisa : por definição,  Matrix é a Máquina da Ilusão e como tal nos engana. É como o canto suave e hipnotizante de uma sereia que o põe a dormir e sonhar. Mas, quando menos se espera vem o bote, a dor, o sofrimento, as crises, a morte, a separação, as perdas e, estupefatos, não entendemos porque estas coisas acontecem em nossas vidas. É simples : na Matrix não pode haver paz duradoura. A natureza da vida e a estrutura do Universo é tal que não conseguimos dormir tranquilamente por muito tempo. Há sempre interrupções periódicas, que são as crises que já mencionei. É mais ou menos assim: sono-crise-sono;crise-sono-crise em um movimento sem fim. Não percebemos que esse círculo vicioso, esse paradgma nefasto nos acompanha a vida toda. Em parte por conta dos amortecedores, em parte porque não queremos acordar mesmo. Mas aí, é um problema de cada um. Jesus, o verdadeiro Neo da humanidade disse : “ Eis que estou à porta e bato, aquele que abrir eu entrarei e com ele cearei”. Se você não quer abrir a porta à luz da libertação, paciência! Ninguém forçará a entrada.
Mas , infelizmente, é como disse Osho “ Chame mil, cem ouvirão, dez começarão a se mexer e apenas um chegará porque dez se perderão no caminho”.Ou seja, você provavelmente não verá nenhuma relação destes fatos com sua própria vida. Sua mente dirá, algumas vezes “ Isso não tem nada a ver comigo,  problema dela que entrou neste caminho! E, muito provavelmente, você que está lendo este texto não fará nenhuma relação deste fato com sua vida, e voltará à dormir, levar sua vida “normalmente” ,sem nenhum incômodo, como se nada tivesse acontecido. Os choques que atingem os outros não são o bastante para fazer-nos refletir sobre nossa própria vida. Tragicamente, mesmo aqueles que nos atingem não nos faz procurar a libertação, pois logo vem um “amortecedor” para pôr-nos a dormir novamente.
Termino este texto deixando uma pergunta que parafraseando o Neo do século passado J. Krishnamurti que perguntava frequentemente aos seus interlocutores :“Por que você não muda?” ( Why dont you change?).  E eu pergunto : “Por que você não desperta?”.
Agora é hora de dormir : feche seus olhos!

Autor : ALSIBAR
MSN: alsibar1@hotmail.com
(Poderá ser repostado desde que informado o nome do autor, a fonte e o link de origem –obrigado)

sábado, 23 de julho de 2011

“ O SEGREDO” E A MATRIX - " The Secret” and The Matrix

 ( A LEI DA ATRAÇÃO E AS ILUSÕES DA MENTE)
(The Law of Atraction and the Mind´s Illusions)
By ALSIBAR
O  livro e DVD “ O segredo” da escritora Rhonda Byrne  conseguiu fazer as pessoas acreditarem que elas podem alcançar (quase) tudo o que desejarem. Parte do seu sucesso mundial se deve exatamente à difícil façanha de potencializar essa crença . Não há problema nenhum em turbinar a fé das pessoas. A questão é que o livro, apesar de conter muitas verdades, não enfatiza a importância do desenvolvimento da espiritualidade. Seu foco abrange apenas o fortalecimento do poder criador da mente. Tal abordagem materialista pode ter consequências graves na vida do expectador mais ingênuo e imaturo . Este artigo tem como objetivo analisar as verdades e ilusões abordadas neste best-seller e alertar para os riscos advindos de uma compreensão equivocada e incompleta sobre o poder da mente dentro da Matrix.

     Durante muito tempo eu acreditei- e ainda acredito - que a mente tem poder para realizar muitas coisas. O primeiro livro que li sobre isso foi “ O poder infinito da sua mente” de Lauro Trevisan, depois vieram outros livros e autores como, Joseph Murph, Lair Ribeiro e, por último, “ O segredo”. Ora, qual a diferença deste último para os outros? De conteúdo, nada . Mas foi a primeira vez que vi um DVD tão bem produzido e com um impacto tão grande sobre a sociedade. Os testemunhos e a forma “científica”, dinâmica e inovadora com que os conceitos são apresentados explicam em parte seu estrondoso sucesso. Os recursos audio-visiuais, a dinâmica da apresentação, os efeitos de computação gráfica, as fotografias e a direção de arte são impecáveis. É impossível manter-se indiferente ou neutro ao "poder da lei da atração". “ O segredo” nos toca, nos estimula, nos faz reagir, sonhar e querer construir uma nova vida baseada em um novo paradigma. A obra nos assegura que podemos ter tudo aquilo que desejarmos bastando que confiemos, que mudemos nossos pensamentos, emoções e atitudes. Dessa forma, atrairemos tudo o que quisermos. Mas, será assim mesmo?

The book " The Secret"
    Ora, nada do que foi exposto no livro é novo. Jesus já dizia que a fé remove montanhas. Os hindus e budistas conhecem e ensinam sobre a Lei da Atração ou Lei do Carma há milênios.  Isso não é nenhuma novidade. Mas o DVD apresenta-nos essa ideia de uma forma misteriosa,  como se estivéssemos tendo acesso a um valioso segredo  guardado há milênios. O fascínio provém, em parte, dessa estratégia. Mas isso afigura-se muito mais como uma  poderosa ação de marketing do que um fato. 

         Rhonda Byrne, expõe ensinamentos que por muito tempo, eram restritos às chamadas sociedades secretas ou iniciáticas como a Maçonaria, a Rosa-Cruz, a Teosofia etc. Mas, faz tempo que os conhecimentos dessas organizações se tornaram populares. No passado, seu acesso era restrito a alguns poucos iniciados ou escolhidos . Ou seja, um dos méritos da produção do “segredo” está na forma interessante, original e pioneira de comunicar algo  que as religiões e organizações secretas já ensinavam há milênios : tudo o que você faz, pensa ou sente retorna na mesma medida para você.   Mas há outros aspectos no livro que o tornam tão fascinante e perigoso ao mesmo tempo . É o que veremos no próximo parágrafo.

“O segredo”  estimula a ambição, o desejo e a ilusão de que nós podemos concretizar absolutamente tudo o que quisermos. As consequências disto podem ser frustrantes e até traumatizantes. O EGO se inflama com a ideia do poder e a Matrix fortalece seu domínio sobre as consciências pois aí encontra-se um grande equívoco que o livro/DVD não aborda : o verdadeiro poder não provêm do EGO.  O ego é o "opositor" em nós, aquele que se divide e se separa de Deus. O verdadeiro poder vem  do Pai, de Deus. Mas quando o EGO (Ilusão-Satã) usurpa esse poder, ele nos ilude, fazendo-nos pensar que a mente tem um poder sem limites. O resultado dessa falsa concepção pode ser frustrante e devastador.

            O ser humano pode  conquistar tudo : fama, poder, dinheiro, mulheres e riqueza – mas sem o desenvolvimento da sabedoria e o despertar da consciência não haverá satisfação real. O verdadeiro poder não provém do desejo ,  da vontade, nem do pensamento, mas da sintonia com algo maior, com o Pai, com a vontade  de Deus em nós. Esta se faz presente quando o ego se submete a uma vontade maior do que ele mesmo. Quando morremos para o ego e renascemos para o Cristo  Interior é que encontramos a fonte de toda sabedoria, felicidade e riqueza. “Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua Justiça e tudo mais vos será dado em acréscimo”. 

     Em outras palavras, o  Segredo sustenta uma visão dual do Universo, dando ao ego o poder de criar coisas, mas separado da força criadora do Pai. Reforça, assim, a ilusão da separação  e perpetua a prisão da Matrix . Não quer dizer , com isso, que o poder da Lei da Atração não exista. Mas enquanto o EGO persistir, por mais que se alcance o que se deseja, haverá sempre o sofrimento . O livro também comete o equívoco de passar a ideia de que os bons pensamentos lhe conectam com a Vontade do Pai. Claro que bons pensamentos são melhores do que os maus - mas ainda assim são pensamentos.  E é através dos pensamentos- positivos ou negativos- que a Matrix continua sua dominação. De fato, não existe pensamento "elevado" no sentido de sagrado, puro, essencial. Todo pensamento é memória, passado, desejo. Ele é a matéria prima do ego e é uma das ferramentas de dominação da Matrix. Somente os pensamentos conscientes e funcionais – aqueles que não são reativos, compulsivos, nem automáticos- tem sua valia e importância para coisas práticas do dia-a-dia. 

          Explicando de outra forma: todo pensamento positivo atrai coisas positivas, mas sempre dentro dos domínios da Matrix.  Isso  mantém o sujeito distraído e  apegado à essa dimensão da matéria. Perpetua, assim, a dualidade sujeito-objeto, observador x coisa observada de forma que a pessoa esqueça que está em uma prisão e não procure libertar-se . A concretização de sonhos e objetivos materiais, nesse caso, não passam de distrações para impedi-lo de ver a Verdade libertadora essencial.

          A verdadeira "vibração elevada" não está no pensamento, mas no  seu silenciar natural - como o que acontece na Meditação.  Nesses momentos de paz e serenidade, em que o ego é momentaneamente neutralizado em suas ações, o homem deixa de  ser uma entidade separada e comunga com sua dimensão infinita, atemporal e desconhecida também chamada de essência, átman ou Espírito Santo. Mas isso não está ao alcance do pensamento. Não podeis desejá-lo como quem deseja um carro, uma casa, ou um diploma universitário. Somente no despojamento do desejo  de dominação, conquista ou controle, é que algo sagrado e transcendente pode vir à tona.  A verdadeira sintonia com dimensões e vibrações mais elevadas e sutis só acontece quando esse processo é compreendido e a mente silencia por si mesma. 

Para finalizar, cito uma fala de Sri. Yukteswar, mestre de Paramahansa Yogananda:

“ Enquanto a alma do homem se encontra encerrada em um, dois ou três  recipientes corporais, fechados hermeticamente com a rolha da ignorância e dos desejos, não pode fundir-se com o mar do espírito(…). Quando se alcança, por meio da sabedoria, a ausência de desejos, seu poder desintegra os dois vasos remanescentes. A diminuta alma do homem emerge, finalmente livre, unificada com a Amplidão Universal” ( A.Y.-458).


CONCLUSÃO

“ O segredo” é um livro útil para se alcançar coisas materiais dentro da dimensão da Matrix, mas não ajuda em nada  no desenvolvimento da espiritualidade, consciência e sabedoria. O livro pode ser útil àqueles que ainda acreditam que  a felicidade depende da conquista de  coisas como dinheiro, poder,  fama e relacionamentos. Mas ele não toca na questão fundamental que é a compreensão da Felicidade, da Paz e da Libertação das ilusões.  Por mais que nos sintamos felizes em alcançar um objetivo como um emprego, um carro ou um relacionamento, não se deve esquecer que  enquanto persistir o poder centralizador do ego-pensamento como uma entidade dominante e separada, seremos  prisioneiros da Matrix e  a  real felicidade- o céu, nirvana ou moksha- não passará de uma utopia distante e inalcançável. 

Autor : Alsibar 

( repostagem autorizada, desde que seja informado o autor e o link da fonte)

Referências Bibliográficas :
·        Autobiografia de um Yogue – Paramahansa Yogananda- Self Realization Fellowship – Brasil, 2009.
·        O Segredo – Rhonda Byrne