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| Iluminação ou Loucura? http://alsibar.blogspot.com |
Qual a diferença entre iluminação e loucura? Como o buscador pode diferenciar uma
coisa da outra? Por que a Iluminação é
tão parecida com a Loucura? O que a História tem a nos ensinar sobre isso? Como
podemos nos proteger dos perigos de uma mente insana? Vamos refletir ?
A
História é, sem sombra de dúvidas, uma grande professora. Ela nos ensina verdades
incontestáveis. Fatos contra os quais, “não há argumentos”. E ela nos
ensina que, no passado, já existiram
líderes espirituais absolutamente insanos. Esses líderes carismáticos seguem um roteiro muito parecido. Em geral começam sua carreira de forma simples
e humilde. À medida que vão tomando conta do poder e o poder vai tomando conta
deles, seu modus operandi vai mudando. O que começou de uma forma simples e humilde
aos poucos sofre profundas transformações. Como uma criança que vai crescendo
até tornar-se adulto, assim também são os movimentos religiosos. Com o tempo a
organização se torna tão poderosa que o próprio fundador
perde o controle sobre a mesma. Torna-se uma espécie de refém. À esta
altura ninguém mais reconhece a organização original, nem o seu criador. Para atender às demandas peculiares a qualquer organização, o líder , muitas vezes, tem que trair seus
próprios princípios e ensinamentos. Talvez, por isso, que os grandes mestres
espirituais como Lahíri Mahasaya e Krishnamurti foram tão aversos às
organizações. Sabiam dos riscos e, como dizia Osho no começo de sua carreira de
guru: “ organizar a verdade é matá-la”. Ele mesmo tornou-se um dos maiores
exemplos dessa verdade.
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| Sathya Sai Baba simulando uma "materialização" |
Os líderes espirituais fundam organizações , comunidades e movimentos
que duram um certo tempo. Às vezes longo,
às vezes rápido como um meteoro. Muitos desses casos, terminam em tragédia. Noutros, o fôlego de
vida é maior. Em alguns casos, o protagonista vive uma tragédia interna. Que é
mantido em oculto pelos assessores e discípulos mais próximos, de forma a
esconder a fragilidade daqueles que veneraram como a um deus. Como exemplos de tragédia interna podemos
citar Sathya Say Baba e Rajneesh. O primeiro, apesar de ser adorado como um avatar, foi publicamente denunciado como prestigitador,
pedófilo e responsável indireto por alguns assassinatos ocorrido em seu ashram.
O segundo, foi preso nos Estados Unidos e deportado sob alegação de vários
crimes, alguns comprovados e outros não. Todavia, sua maior tragédia foi seu
suposto vício em óxido nitroso e Diazepan. O que escondia uma personalidade
megalomaníaca e desajustada, culminando com seu “suicídio”. Se foi volutário ou
involuntário- nunca saberemos.
Há, entretanto, tragédias famosas cujo
comportamento de seus protagonistas não deixam dúvidas quanto ao seu caráter
insano. Esses tornaram-se exemplos clássicos do estrago que um líder espiritual
carismático pode fazer na vida das pessoas. Alguns desses casos fazem parte dos
anais da História. E para que ninguém esqueça, vamos relembrar algumas das mais
famosas tragédias ocorridas no universo da espiritualidade contemporânea.
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| Jim Jones |
Jim Jones (1931-1978) foi um dos casos mais
marcantes e chocantes. Nascido em Indiana, Estados Unidos parecia, no começo,
uma pessoa boa e humilde. Homem de grande carisma e influência, seu movimento
se expandiu rapidamente, chegando a ter mais de 20 mil membros. Fundou vários templos e criou uma comunidade
agrícola chamada “ Templo dos Povos”.
Não tardou a aparecer várias acusações contra a seita, dentre elas: ameaças
físicas e morais aos seus membros , tortura psicológica, exigência de entrega
das propriedades ao movimento e de 25% da renda de cada membro à organização,
isolamento de crianças em relação a seus pais, interferência de Jones na vida
sexual e no casamento de seus membros etc.
A tragédia teve início quando a organização foi acusada do sequestro de um dos filhos de um
ex-membro do movimento chamado John Victor. O pai de John, Timothy Stoen, apelou para o congressista Leo Ryan e este, devido a grande repercussão do caso,
foi até o local para investigar estas e outras acusações que pesavam contra o
movimento. Após o primeiro dia de uma gentil e calorosa recepção, Ryan e sua
comitiva de repórteres- além de um ex-membro- foram brutalmente assassinados
pela Brigada Vermelha- a guarda pessoal
de Jim Jones. Após esse episódio, Jim pois em prática seu plano de suicídio
coletivo. Uma tragédia em que morreram 918 pessoas, incluindo 270 crianças.
Todas tomaram ou injetaram veneno no corpo. Jim Jones também morrera . Seu
cadáver fora encontrado com um único
tiro na cabeça.
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| David Koresh |
David Koresh (1959-1993) foi outro líder
estadudinense messiânico do Ramo
Davidiano- “um grupo religioso originado de um cisma na década de 1950, da Igreja Adventista do Sétimo Dia na década
de 1930”. Sua trajetória não foi muito
diferente da do seu compatriota Jim Jones. David primeiro se autoproclamou “Profeta”, depois
proclamou-se a si mesmo “ O Cristo” anunciado pelo apocalípse. Não custou a envolver-se em diversos
escândalos de pedofilia, abuso infantil, estupro, poligamia, dentre outros. A
justiça americana foi acionada,
fechando o cerco contra a seita. A comunidade se viu, rapidamente,
cercada de policiais em meio a tiroteios. No desfecho final, David Koresh e
mais 76 membros morreram incendiados ou alvejados por armas de fogo. Há várias
controvérsias sobre os autores do incêndio e dos disparos, se dos próprios
membros ou dos agentes do FBI.
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| Marshal Applewhite |
Há
ainda , outro caso mais recente: a do americano
Marshal Applewhite e a seita Heaven’s Gate ( Portão do Céu). Eles acreditavam que o planeta estava
passando por uma espécie de “reciclagem”
(limpeza espiritual) e que para sobreviverem teriam que abandonar a terra
. Para isso, teriam que pegar uma “carona na calda do
cometa” Hale Bopp quando este estivesse
em seu brilho máximo. Eles acreditavam que o suicídio era o caminho para que
pudessem alcançar a “Próxima Dimensão ou Próximo Passo”. A seita deixou um
triste saldo de 39 mortos por suicídio.
Há um
elemento curioso na história dos líderes espirituais: quase todos se consideram
uma espécie de novo messias ou salvador. Osho, ao desembarcar na América pela
primeira vez, disse solenemente “ eu sou o messias que a América esperava”. Sathya
Sai Baba era adorado como um Avatar- a encarnação do próprio Deus. Jim Jones,
não ficou por baixo. Ele considerava-se
a si mesmo a encarnação de vários iluminados do passado, dentre eles, Jesus,
Buda e Gandhi. No Brasil temos o Inri Cristo- que se autoproclama encarnação de Cristo. O sentimento messiânico é um elemento comum a quase todos os líderes espirituais carismáticos. Esse sentimento está na base de toda a
trágédia pois, ao se considerarem deuses, colocam-se acima do bem e do mal. Alguém assim, fará tudo para realizar seus desejos de poder e domínio e não aceitará
-em absoluto- ser contrariado. Mesmo que tenha que enganar, matar ou morrer .
Exemplos
de líderes religiosos messiânicos são incontáveis. Mas por que será que a
grande maioria dos líderes religiosos carismáticos se autoproclamam a reencarnação de Deus,
Buda, ou de algum outro líder espiritual do passado? Talvez uma das explicações
seja a proximidade aparente entre a Loucura e a Iluminação.
Qual a
linha que divide a loucura da iluminação? A grande maioria dos iluminados foram
considerados loucos . Alguns sofreram perseguição e pagaram com a morte. Outros, foram celebrados
em sua “loucura divina” como, por exemplo, o sábio Ramakrishna, conhecido como o “Louco de
Deus”. O iluminado , em alguns momentos,
parece perder o contato com a realidade imediata, ligando-se a uma realidade
mais ampla e vasta. O louco vive à
margem da sociedade, isolado em seu mundo interno, particular e próprio. Alguns
iluminados também viveram fechados para o mundo externo, totalmente absortos em
seu interior, de tal forma que perderam a noção do eu e do meu- como no
caso de Ramana Maharish . Como se vê, loucura e iluminação tem elementos
muito parecidos, mas qual seria a
principal diferença entre um louco e um
Iluminado?
Há dois
pontos fundamentais que caracterizam um iluminado: a tranquilidade interior e a
ausência do EGO ( sentimento de separativadade). Segundo o Bhagavad-Gita, o iluminado é aquele que alcançou a
“equanimidade mental plena”. Ou seja, enquanto um psicótico
comum é arrastado pelas ondas oscilantes da mente instável, o
Iluminado vive num estado de total relaxamento e estabilidade mental . Poderíamos dizer que o
que diferencia um sábio , de um
neurótico e de psicótico é o nível de stress . Enquanto no primeiro a
ansiedade e inquietação estão em níveis negativos, no segundo estão em níveis razoáveis e socialmente aceitáveis ; já no
último, os níveis são altíssimos chegando a causar delírios e alucinações.
Assim, não seria exagero afirmarmos que quanto maior o nível de ansiedade e
stress, maior a loucura. Quanto
mais profunda a tranquilidade interior –mais sábios e espiritualmente
maduro seremos. A principal marca do iluminado é a quietude, a dos psicóticos e
neuróticos é a inquietude . Uma das
causas da ansiedade é um EGO forte e poderoso. O Iluminado não mata o ego, mas "doma-o", usa-o
como um instrumento. Os megalomaníacos são totalmente dominados pelo EGO. Por
isso seu impulso descontrolado pelo poder, domínio e fama. Talvez isso explique
por que eles nunca se consideram reencarnações de alguém humilde e
desconhecido- mas sempre de pessoas famosas e conhecidas.
Todavia,
nem todos os líderes espirituais
declaram publicamente que são a encarnação de algum profeta ou entidade
superior. Mas, suas atitudes e obsessão pelo poder denunciam em atos o que
eles nunca assumem em palavras. Esta é outra diferença básica entre iluminação
e loucura: enquanto um iluminado não quer nada pra si, pois vive interiormente
feliz e satisfeito, o psicótico está
sempre insatisfeito. Suas ações visam sempre a expansão. Por isso o forte
proselitismo e as propagandas desses movimentos. Enquanto o iluminado, em geral, é recluso e
arredio aos holofotes, o psicótico busca exatamente os holofotes pois é através
disso que ele aumenta seu poder e expande seus "negócios".
Assim,
embora haja algumas semelhanças, a distância que separa um psicótico de um
Iluminado é de “Anos Luzes”. O Iluminado é um ser com total consciência do seu
mundo interno e externo. O psicótico, ao contrário, tem pouca ou nenhuma consciência de si e do outro. Muitas vezes, são extremamente egocêntricos e aversos às críticas. Enquanto o iluminado entra em sintonia com a Luz da Consciência que liberta de toda escravidão e ilusão, o psicótico vive em um mundo de ilusões que ele faz questão de proteger. Não adianta tentar demovê-lo de suas crenças e convicções, muitas vezes, absurdas e irreais. O iluminado percebe todos os níveis de realidade como parte do Absoluto. O psicótico só enxerga sua própria realidade e nada mais. E por isso os exageros, os radicalismos e os abusos que culminam, em geral, em tragédia ou fracasso.
Obviamente,
que este não é um artigo científico sobre loucura e iluminação. São apenas
reflexões que podem ajudar a lançar luzes sobre esta complexa questão. É
sabido, no entanto, que há vários
níveis, graus e tipos de psicose . E nossas
ciência ainda engatinha nessa área . O problema não está em ser "louco" pois, como diz o ditado, quem não tem um pouquinho disso? O problema surge quando um louco destrói vidas e deixa rastros de destruição e morte com suas idéias
malucas e perigosas. Pessoas como Hitler, Jim Jones, David Koresh, e Marshal
Applewhite causaram estragos não apenas a si mesmas mas a todos que creram em suas palavras e os seguiram.
Talvez seja, por isso, que termos como “seguir” e “crer” tenham se tornado malditos nos meios
espiritualistas modernos. Sem o “crer” e o “seguir” a História provavelmente teria sido diferente, sem tantos saldos negativos de mortes e suicídios. O buscador do Novo Milênio deve substituir o "crer" e o "seguir" pelo " ver e experimentar". Talvez, assim, possamos evitar que mais tragédias e mortes envolvendo "iluminados insanos", continuem a acontecer. Infelizmente, esses homens são bastante inteligentes e carismáticos, o que os torna extremamente complexos, sedutores e perigosos .
Como vimos, a Loucura e a Iluminação compartilham, certamente, de traços muito parecidos.
Cabe ao buscador ficar esperto e perceber a diferença entre os dois. Por isso, nunca entregue sua vida, inteligência e vontade nas mãos de
um suposto guru. Ele pode ser apenas um maluco que fala bonito. Nada mais do
que isso. Na dúvida, é melhor não arriscar.
O aviso está dado!
Muito
Obrigado!
Fontes de Pesquisa:
Wikipedia
Palavras
de Fogo- Bhagwan Shree Rajneesh
Bhagavad
Gita