terça-feira, 18 de setembro de 2012

QUE O ENTENDIMENTO SEJA A LEI - J. Krishnamurti



( Um dos mais  belos, raros e reveladores  diálogos de Krishnamurti)
Na Sétima Concentração Internacional realizada em Erde, Ommen, Holanda, Agosto de 1928, foram feitas ao Sr. Krishnamurti muitas perguntas concernentes as questões que perturbam, na atualidade, a mente de numerosas pessoas. As respostas a essas perguntas foram de natureza tão fundamental e de tão vasto alcance, que julgamos imperioso publicá-las. Haverá muitas pessoas que encontrarão nas suas respostas uma solução para as próprias dificuldades.

Krishnamurti: Responderei a todas estas perguntas, segundo o meu ponto de vista, sem basear as minhas respostas em qualquer autoridade que seja. Sei que todos vós desejaríeis que se fundassem as minhas respostas na autoridade, mas sinto dizer-vos que ficareis desapontados a esse respeito. Não vou instar-vos a aceitar aquilo que tenho como a Verdade absoluta; deixo-o ao vosso critério, pois somente este é valioso, somente este é duradouro, e somente ele vos deve guiar, sustentar e proteger. Prosseguiremos, pois, tendo isso em mente, e peço-vos paciência e atenção, pois bem sei que no próximo ano se não compreenderdes inteligentemente, fareis as mesmas perguntas.
Pergunta: Certos conceitos que tem sido emitidos a respeito de vós e de vossa obra parecem diferir tão fundamentalmente de vossa doutrina e da Verdade que expondes, que gratos vos seríamos se nos pudésseis expressar uma opinião, a esse respeito. Em 1925 elegestes sete Apóstolos, sendo que cinco restantes não haviam ainda alcançado o necessário grau de Arhat. Dizeis agora que não tendes discípulos.
Krishnamurti: Repito que não tenho discípulos. Cada um de vós é discípulo da verdade, desde que compreenda a Verdade e não se ponha a seguir outros indivíduos. Não tenho seguidores. Espero que não considereis a vós mesmos como meus seguidores, porque, se o fizerdes, estareis pervertendo e traindo a Verdade que eu defendo. Não tenho discípulos; não tenho seguidores; mas, se compreenderdes a Verdade que vos ofereço, em toda a sua simplicidade e grandeza, e amardes essa verdade pela sua própria beleza, tornar-vos-eis então discípulos dessa Verdade. Não tenhais cuidados sobre quem é discípulo e quem não o é. Que empenho o vosso de julgar os outros! Aspirais à qualidade de discípulo com o fito de serdes persuadidos ou dissuadidos, com o fito de vos arrimardes em alguém, de serdes protegidos por alguém; mas, meu amigo, quando dependeis de outra pessoa, ai de vossa vida! – Espero, pois que esteja agora perfeitamente claro que não necessito de discípulos nem de seguidores; porque eu sustento que ser discípulo de um indivíduo qualquer é trair a Verdade. A única maneira de alcançar a Verdade é ser discípulo da própria Verdade, sem necessitar de intermediário. Não vos choqueis, não vos sintais desapontados – a Verdade nem sempre é aprazível. A Verdade é rude para aqueles que não compreendem, mas a Verdade é amável, delicada, generosa e encantadora para aqueles que compreendem. Nessas condições, amigo não existe a categoria de discípulo, a não ser para aqueles que compreendem que ser discípulos não é seguir indivíduos, porém só a Verdade em seu sentido absoluto, a Verdade infinita. E vós que tanto vos deleitais como vosso culto das personalidades, que tanto vos deleitas com vossos intermediários, achareis difícil aceitar a Verdade, mas não estou aqui para vos agradar. Não vos torneis seguidores nem discípulos de indivíduos, mas tornai-vos o tabernáculo da Verdade sem princípio nem fim, e então as questões concernentes a quem é apóstolo, quem é discípulo, quem é Arhat, se dissiparão, porque nenhum valor tem.
Quando galgais uma encosta elevada e encontrais pelo caminho indicadores da direção, vós vos detendes para adorar esses indicadores, ou prosseguis a marcha, deixando-os para trás? Ponderai com toda a seriedade sobre este assunto; deliberai, criteriosamente, com vosso coração, e por esse meio alcançareis o entendimento. Não há compreensão no culto das personalidades. Os rótulos que adorais carecem de significação. Bem sei que terei dúvidas sobre o que estou dizendo, e que minhas afirmativas suscitarão em vós um sentimento de incerteza, mas, meu amigo, eu vos digo que a verdade nada tem que ver com as personalidades mesquinhas e tirânicas que adorais, sejam elas quais forem. A Verdade transcende todas as graduações, porquanto essas graduações só existem por causa das limitações humanas.
Pergunta: A Igreja Católica Liberal e Ordem Co-Maçônica foram apontadas como duas organizações especialmente escolhidas pelo “Senhor” Maitreya para levar avante a vossa obra. Mas vós dizeis que todos os rituais e cerimônias são desnecessários e “reduzem” a Verdade.
Krishnamurti: Continuo a sustentar que todas as cerimônias são desnecessárias à evolução espiritual. Quanto vos agradaria se eu dissesse, pela maneira mais autoritária, que elas são necessárias, ou que não o são! Quanto vos deleitaria se eu dissesse: “A Vontade, senhores, continuais a celebrar as vossas cerimônias!” ou “Não, senhores, deixai de celebrar cerimônias” – porque vos sentiríeis então em vosso elemento.
PERGUNTAA Igreja Católica Liberal e Ordem Co-Maçônica foram apontadas como as duas organizações especialmente escolhidas pelo "Senhor" Maitreya para levar avante a vossa obra. Mas vós dizeis que todos os rituais e cerimônias são desnecessários, e “reduzem” a Verdade.
KRISHNAMURTI: Continuo a sustentar que todas as cerimônias são desnecessárias à evolução espiritual. Quanto vos agradaria se eu dissesse, pela maneira mais autoritária, que elas são necessárias, ou que não o são! Quanto vos deleitaria se eu dissesse: "À vontade, senhores, continuai a celebrar as vossas cerimônias!" ou "Não, senhores, deixai de celebrar cerimônias" - porque vos sentiríeis então em vosso elemento. Mas, porque eu não digo tal coisa, porque não baseio o que expresso em autoridade alguma, ficais intrigados, e na vossa ansiedade dá-se uma confusão de propósitos, acentuando-se o que não é essencial e perdendo-se de vista o que é essencial. Eu digo que todas as cerimônias não são essenciais para o preenchimento da vida. Mas, replicareis: "Que direis das cerimônias da Igreja Católica Liberal e da Co-Maçonaria?”Amigo, vós deveis formar vossa opinião a esse respeito. Não é a mim que cabe formá-la. Como vos agradaria, se eu formulasse uma opinião para vós! Sois todos como crianças incapazes de se susterem nas pernas e caminhar desamparadas. Há dezessete anos que vos preparais e estais presos na vossa própria criação. Não vos sirvais de mim como de uma autoridade, não digais que Krishnamurti desaprova as cerimônias. Eu não aprovo, nem reprovo. Se desejais celebrar cerimônias, vós as celebrareis, e essa é uma razão suficiente em si mesma; se não desejais celebrá-las, não as celebrareis, e também essa é uma razão suficiente em si mesma. Tais dificuldades só se manifestam quando o indivíduo está empenhado em obedecer, quando está atemorizado - atemorizado pela idéia de perder o maná espiritual que julga existir na organização de que faz parte. Nenhuma organização, por mais amadurecida pela tradição, por mais firmemente estabelecida que seja, contém a verdade. Se desejais procurar a Verdade, deveis fazer-vos ao largo, distanciar-vos das limitações da mente e do coração humanos, e descobri-la então, - e essa Verdade está dentro de vós mesmos. Não é muito mais simples fazer da própria Vida o alvo, da própria Vida o guia, o Mestre e o Deus, do que ter intermediários, gurus, que inevitavelmente “reduzirão” a Verdade e, portanto, a trairão?
PERGUNTADizem que, com vossa vinda a evolução foi acelerada em todos os seres e que o número de Iniciados, no mundo, crescerá rapidamente. Mas vós dizeis que esses degraus, no Caminho, não são essenciais e que a libertação pode ser alcançada em qualquer fase da evolução.
KRISHNAMURTI: Digo que a libertação pode ser alcançada em qualquer degrau da evolução, pelo homem que compreende, e que não é essencial render culto a esses degraus, como vós o fazeis. Assim como tendes, na vida mundana, um sentimento de classe, que vos infunde reverência pelos títulos aristocráticos, assim também tendes um sentimento de classe de ordem espiritual; não há muita diferença entre estas duas coisas. Por essa razão, deveis desenvolver a compreensão e o desejo de alcançar vosso alvo, e esquecer todos esses graus e as pessoas neles situadas. Que valor têm eles para vós?
Porque perdeis de vista alvo da vida, porque não desejais alcançá-lo com todo o ardor, com todo o interesse e energia, esses graus, com os seus rótulos, vos prendem e escravizam. Seguramos um brinquedo à frente de uma criança, à fim de estimulá-la a andar, e a criança que é sensata não se põe a adorar esse brinquedo, porque o seu desejo é andar. Vós não sois crianças. Entretanto, estais adorando um brinquedo. Eu vos digo que a Vida é muito séria para brincar-se com ela, e, como já disse, é chegado o tempo de decidirmos se vamos continuar, como crianças, a admirar brinquedos, ou se vamos ser homens e mulheres adultos, dispostos a rejeitar tudo quanto é pueril, a fim de descobrir a Verdade. Encontrar e estabelecer a Verdade depende de vós mesmos e de ninguém mais. Se eu destruisse todos os vossos arrimos atuais, logo inventaríeis outros, para satisfazer o vosso desejo de apoio, inventaríeis logo outras idéias fantásticas. Direis que não creio em nada dessas coisas. Não creio nem descreio. Para mim elas têm valor insignificante, em comparação com a jóia mais preciosa deste mundo, que é a Vida.
Podereis alcançar a libertação em qualquer degrau da evolução, se possuirdes um desejo ardente de alcançá-la, se nutrirdes o anelo de rejeitar todas as coisas que não são essenciais de vos agarrardes, tão fortemente como a morte, às coisas que são vitais, essenciais. E para determinardes o que é essencial e vital, deveis observar, deveis estar atento para tudo quanto se passa em redor de vós. A vida é uma tela tecida dos fatos comuns de cada dia e, se não utilizardes esses fatos, perdereis o significado das pequeninas coisas, com as quais as grandes coisas são construídas.
PERGUNTADisseram-nos que a Mãe Universal irá manifestar-se a fim de completar a vossa obra que odiscípulo através do qual Ela atuará já foi eleito. Mas vós nos dizeis que, na Verdade, não existem estas distinções de macho fêmea, porque a Vida é uma só.
KRISHNAMURTI: Digo que a Vida é uma só, embora as expressões da Vida sejam múltiplas. Na Verdade, não existe nem macho nem fêmea; como pode existir? Tendes um corpo diferente do meu; mas, não tendes a mesma tristeza, as mesmas dores, as mesmas ansiedades, e as mesmas dúvidas? O de que necessitais é uma mente pura e um coração cheio de amor, e então todas essas coisas perderão a importância, Ninguém vai completar a minha obra, senão vós mesmos. Talvez o que digo não vos agrade e, por isso, desejeis outra imagem para adorar e tereis uma tal imagem, por vós mesmos fabricada, seja esta ou outra qualquer. Enquanto não aspirardes à Verdade no seu sentido absoluto, enquanto não aspirardes à liberdade, inventareis para vós mesmos muitas frases, muitas imagens, muitos rótulos, e vos enleareis nas complicações das filosofias e das crenças. Se desejardes a Verdade como um homem que se afoga deseja o ar, não necessitareis dessas complicações. Mas, preferis satisfazer-vos com coisas fáceis, agradáveis, suaves, a enfrentar uma luta rude com vós mesmos, a compreender a vós mesmos e, assim, vencerdes.
Não ides, depois, citar-me como autoridade. Recuso-me a servir-vos de apoio. Não irei para uma clausura, para ser venerado por vós. Quando trazeis para dentro de um quarto o ar puro da montanha, perde esse ar a pureza e sobrevém a estagnação: e nenhum homem judicioso se deixará prender nessas coisas que pervertem e fazem estagnar a mente e o coração.
Porque eu sou livre, porque encontrei esta Verdade que não tem limites, que não tem princípio nem fim, não me deixarei condicionar por vós. Podeis expulsar-me de vossos corações e de vossas mentes, mas eu não vos servirei de arrimo, nem me deixarei prender na clausura de vossas pequeninas ilusões.
PERGUNTADizeis que não há Deus; que não há nem bem nem mal; que não existe lei moral. Em que difere, pois, vossa doutrina da de qualquer materialista?
KRISHNAMURTI: Minha doutrina difere totalmente da do materialista, e se não o percebestes, lamento-vos. Eu nunca disse que não há Deus. O que eu disse é que só existe Deus conforme se manifesta em cada um de nós, e que, quando houverdes purificado aquilo que está dentro de vós mesmos, achareis a Verdade. É claro que Deus existe; mas não vou empregar a palavra Deus, porquanto ela assumiu um significado muito especial e estreito. Para uns ela sugere um punho possante e iroso; para outros, um ser de longas barbas; para outros, uma Inteligência Onipotente, Onisciente e, Suprema. Isso eu prefiro chamar Vida, porque nos aproxima mais da Verdade, porquanto vós tendes de lidar com a própria Vida, e não com o culto que rendais a um ser exterior, enganando a vós mesmo. A Verdade, tal como a Vida, é como o raio de sol: se sois sensato, abrir-lhe-eis as janelas; se não sois sensato, descereis as cortinas. Se estivésseis enamorado da Verdade, essas imagens não teriam mais valor nenhum para vós.
“... que não existe nem bem nem mal”. Está visto que não há nem o bem nem o mal. O bem é aquilo que não tememos; o mal, aquilo que tememos. Se, portanto, destruirdes o temor, estareis espiritualmente preenchidos; mas, se ficardes condicionados pelo temor como o estais - continuará a existir o mal, o bem e a moral, para sustentar-vos, na vossa fraqueza.
Quando estiverdes enamorados da vida e puserdes esse amor acima de todas as coisas, e julgardes por esse amor, e não pelo vosso temor, desaparecerá então esta estagnação que chamais moral; o que ocupará vosso pensamento será, então, o quanto estais enamorados da Vida, e não quanto mal e quanto temor existe no vosso coração. Ou, melhor vós julgareis pelo vosso amor, e não pelo vosso temor. Eu sei que vos proíbem de julgar; mas, como sempre julgais, porque então não julgar de acordo com a Verdade? E para julgardes segundo a Verdade, é preciso que estejais, apaixonados pela Vida; mas, então, nunca julgareis, em circunstância alguma. Porque não estais enamorados da vida, vós julgais pelos vossos padrões de moralidade; pelo bem e pelo mal; pelo temor de céu e inferno; e por isso opondes uma barreira àquele amor, àquela compreensão da vida.
PERGUNTASustentam certas pessoas que, se bem Instrutor Universal não se preocupa com a fundação de uma nova religião, Bodhisattva Maitreya, em Sua Consciência Cósmica maior, se interessa por todas as religiões e credos, e os apoia.
KRISHNAMURTI: Mas, que idéia confortável! Como adorais as palavras! Vós estais enamorados de rótulos, e não da Verdade. Que significais por "Consciência Cósmica"? A Vida? Como é possível dividir a Vida em Instrutor Universal e Bodhisattva? O” gente de pouco entendimento! Percebeis o que esta pergunta implica? - O que vos agrada atribuis ao Bodhisattva; o que vos desagrada atribuis ao Instrutor Universal ou - quem sabe? - a Krishnamurti. Mas, que é que vós mesmos pensais? Onde ficou vossa compreensão, depois de tantos anos? Como enganais a vós mesmos com todas estas palavras! Dividis a Vida em Instrutor Universal e Bodhisattva, e o que é agradável procede de um, o que não é agradável procede do outro ou, se nenhum dos dois serve, então procede de Krishnamurti. Que tem a Verdade com os termos "Instrutor Universal", Bodhisattva, ou Krishnamurti? Que tem a vida com esses nomes? Se fordes arrebata dos, agora, pela minha autoridade, sereis arrebatados, futuramente, por outra autoridade qualquer. Obedecereis a mando da autoridade e desobedecereis a mando da autoridade. Vossa compreensão fica muda, no caso. Desejais conforto a toda hora e esse conforto vós o encontrais em palavras na autoridade, nos deuses e dogmas.
Mas, se puderdes perceber que não existe conforto, e sim compreensão, não ficareis enredado em palavras, em idéias, ou no que dizem os livros, ou à sombra dos deuses que adorais. Que pressa tendes em julgar, sem conhecimento! Em aceitar, sem compreensão!
PERGUNTADisseram, também, que Christo atua essencialmente através da Igreja Católica Liberal e somente uma parcela de sua Consciência se manifesta através de Krishnamurti. Podeis dar-nos vossa opinião a respeito desses dois pontos?
KRISHNAMURTI: Vós aceitais o que vos agrada, e rejeitais o que vos desagrada. A Verdade, que é a Vida, nada tem com pessoa alguma nem com organização alguma. Amigo, estais a brincar com estas coisas. Não são elas de importância capital para vós, mas para mim elas são de vital interesse. Importa-me muito a Verdade e o despertar em cada um de vós o desejo de descobrir essa Verdade. O que vos importa é a consciência de Krishnamurti. Mas como o podeis saber, se não conheceis nem Krishnamurti nem o Christo? Não sei quem vos diz essas coisas, mas, como vos seduzem os belos efeitos de palavras! -- Não me interessam organizações. Não me interessam sociedades, religiões, dogmas; o que me interessa é a Vida, porque eu sou a Vida. Não almejais a Vida e o preenchimento da Vida, que é a Verdade; uma passageira sombra de conforto, nesta ou naquela organização, uma dose de palavras suaves e de idéias agradáveis, são suficientes para vossa limitada compreensão. Assim, pois, amigo, estais preso nessas coisas. Porque à Vida vós antepondes as organizações, a autoridade de outro, as frases de outro, estais prisioneiro e sufocado. Eu vos falo a respeito do cume da montanha, que não conhece sombras, que nunca está toldado de nuvens, que é constante e eterno, e o que vos interessa são os vales que jazem à sua sombra. Se desejais compreender o cume da montanha, deveis deixar o vale, e não permanecer nele, adorando, de longe, o alto da montanha. - Amigo, não vos preocupeis sobre quem eu seja; vós nunca o sabereis. Não desejo que aceiteis qualquer coisa do que vos digo. Nada necessito de qualquer de vós; não desejo a popularidade; não preciso de vossa lisonja nem de vossa obediência. Porque estou enamorado da vida, nada preciso. Estas questões não são de grande importância; o que tem importância é o fato de que estais obedecendo à autoridade e permitindo que vosso julgamento seja pervertido por ela: Vosso julgamento, vossa mente, vossos afetos, vossa vida, estão sendo pervertidos por coisas destituídas de valor, e é nisso que reside o sofrimento.
Vi, num templo indiano, uma família de símios - pai, mãe e filho. O filhote estava sempre agarrado à mãe, não a deixando nunca. E, numa fazenda de criação de leões, na Califórnia, eu vi uma leoa com seu filhotinho. Este andava livremente pelos arredores, independente da mãe. Que preferis: ser apegado como o macaco ou independente como o leão? O homem que deseja libertar-se de todas as suas limitações, deve jogar para longe todos os arrimos. Se desejásseis subir às alturas, não levaríeis convosco todos os vossos haveres, vossos títulos, vossos rituais e vossos amigos. Abandonaríeis todas essas. coisas, para subirdes sozinho. Subir livre de embaraços não significa egoísmo. Não vos torneis a enganar com essa idéia. Se desejais subir, será sensato fazê-lo com determinação, com perseverança, sem a carga de complicações. A Verdade não depende de pessoa alguma, por mais que ameis essa pessoa. Ela está acima das pessoas, acima dos deuses que imaginais e dos lúgubres santuários dos templos. Eu sei o que sou; sei qual é a minha finalidade na Vida, porque sou a própria Vida, sem nome, sem limitação. E porque eu sou a Vida, desejo instar-vos a adorar essa vida, não na forma que é Krishnamurti, porém a vida que reside dentro de cada um de nós. Lançai fora toda essa bagagem de crenças, religiões e cerimônias, e encontrareis a Verdade.
PERGUNTADevemos entender que não há razão para temermos levar até às suas últimas conclusões o que as vossas palavras implicam?
KRISHNAMURTI: Porque o temeis? De que tendes medo? Medo de que o que eu digo seja a Verdade? Medo de abandonardes as coisas a que há tanto tempo vos apegais? Como julgais possível achar alguma coisa na vida se tendes medo de levar vossos pensamentos e sentimentos até as ultimas conclusões?
Amigo, vós alcançareis a Verdade se deitardes fora o que haveis adquirido, e não se vos apegardes a essas coisas. Esta é a única maneira de se achar a Verdade. Se desejais dinheiro, não procedeis com crueldade para acumulardes vossas riquezas? Mas não desejais a Verdade por essa maneira. Não quero dizer que sejais egoístas e cruéis - porque, quando caminhais na direção da Verdade, não há lugar para o egoísmo e a crueldade. Se praticais qualquer ação impelido pelo medo ou a mando de outro, ai de vós, porque ao longo deste caminho jaz a tristeza e a dor.
PERGUNTATendes uma doutrina para as massas, e outra para vossos discípulos escolhidos?
KRISHNAMURTI: Não tenho discípulos escolhidos. Quem são as massas? Sois vós. Ë em vossas mentes que existem as distinções entre as massas e os escolhidos, entre o mundo exterior e o mundo interior. É em vossas mentes que corrompeis, que "reduzis" a Verdade. Ó amigo! Se estais enamorado da vida, vós envolvereis todas as coisas nesse amor, tanto as transitórias como as permanentes. Quereis uma doutrina especial para uns poucos eleitos, porque em vossos corações existe a segregação, a separação; desejais ,confinar as águas puras da vida e guardá-las para vós. Podeis perguntar ao sol se ele brilha para as massas ou para uns poucos eleitos? Podeis perguntar às chuvas se elas se destinam às planícies ou às montanhas? Se não compreendeis, suporeis, como sempre se supôs, que o meu ensino se destina a uns poucos e por essa forma "reduzireis" e traireis a Verdade. Porque existe limitação em vosso, coração, dividis a água da vida, que se destina aos reis e aos mendigos, indistintamente. Quer proceda de uma fonte de ouro, quer de um regato, essa água é a mesma e acalma a sede de todos, sem distinção de pigmentos, castas, credos e dos especialmente eleitos. É porque durante tantos anos; durante tantos séculos, durante tantas idades, a Verdade tem sido limitada e "reduzida", que novamente desejais limitá-la, e com efeito já o estais fazendo, quando perguntais "A Verdade destina-se às massas ou a poucos escolhidos?". Dizeis que as massas não compreendem; que lhes é dificílimo aprender; que somente uns poucos são capazes de alçar-se às alturas. Julgais que eu não possuo tanta afeição e tanto amor como qualquer de vós? Mas, porque já subi todos os vossos degraus, eu vos digo: Não subais esses degraus, mas evitai-os, deixai-os de lado e reuni as vossas forças para a ascensão.
PERGUNTADizeis que Deus só existe em nós, e que não há outro Deus. Tereis a bondade de explicar um pouco mais essa importante asserção, já que todo o mundo crê num Deus fora de nós, um Criador, de todas as coisas, e vós mesmo falais do Bem-Amado, do Guru - o nome não tem importância - e outros falam do Budha, do Christo, de Deus. Como podeis conciliar esses conceitos?
KRISHNAMURTI: Uni-vos com a vida, e vos unireis com todas as coisas. Como está dito nessa pergunta, os nomes não têm importância. Se estais enamorado da Vida, então vós vos unireis com a Vida, quer a chameis Budha ou Christo, quer lhe deis outro nome qualquer. Como podereis unir-vos com a Vida? Não o 'podereis, certamente, se criardes complicações, porem podereis se criardes o ardente desejo da Verdade, o qual destrói todas as complicações. Mas dizeis: "Como poderei ficar enamorado da Vida?" Pela experiência. "Como poderei colher experiência?" Aceitando a experiência. "Como poderei aceitá-la?" - Não vos separeis da Vida. Vedes ao redor de vós tristezas e sofrimentos sem fim e, se vos limitardes a ver, sem observar, não haverá confortamento do coração nem purificação da mente.
PERGUNTA: Diz Krishnamurti que não devemos seguir nem obedecer a autoridade alguma. Até que ponto pode esse princípio aplicar-se aos membros da Sociedade Teosófica que, a muitos respeitos, são governados pela autoridade? Ou, também, até que ponto é ele aplicável à autoridade do próprio Krishnamurti?
KRISHNAMURTI: Eu preferia que não dissésseis: "Diz Krishnamurti ...". Se citais a mim, ao lado de todas as outras autoridades a que vos submeteis, perdereis a água preciosa que eu vos trago. "Diz Krishnamurti que não devemos, seguir nem obedecer a autoridade alguma. Até que ponto pode esse princípio aplicar-se aos membros da Sociedade Teosófica que, a muitos respeitos, são governados pela autoridade? Ou, também, até que ponto é ele aplicável à autoridade do próprio Krishnamurti?".
Quereis que vo-lo diga? Não obedeçais. Porque vos sujeitardes a outros indivíduos? Porque estais prontos a aceitar, vós criais a autoridade e essa é a raiz venenosa, essa é a semente que vos cumpre destruir. Desejais adquirir o conforto pela obediência. Não penseis que eu esteja em oposição a Sociedade Teosófica. Não estou. É desperdício de energia estar em oposição a qualquer coisa, que seja. Se começardes a espalhar que eu vos incitei à desobediência, estareis criando outra autoridade, à qual rendereis culto. E se obedecerdes, porque eu vo-lo aconselhei, estareis igualmente criando outra autoridade, à qual rendereis culto. Ignoro que na Sociedade Teosófica sejais impelidos à obediência. Ignoro-o; pode ser que sim, mas isso não me interessa. Se não for na Sociedade Teosófica que obedeceis, vós o fareis em outra organização qualquer. O desejo de obedecer é inato em cada um de vós e é esta a razão por que criastes essas organizações. O que me interessa é a purificação do vosso desejo e não o estabelecimento de uma autoridade. Desejo é vida, e se fortalecerdes esse desejo, se purificardes esse desejo, se o enobrecerdes, se lhe derdes vitalidade, lhe derdes o êxtase da demanda de um alvo, quebrareis então todas essas coisas pequeninas que vos barram o caminho. Não fui sempre instado pelos meus amigos a seguir esta ou aquela coisa? Não me disseram eles, sempre: "Cuidado com o que fazeis, com o que dizeis! - Tomai cuidado de vossa posição. - Deveis dizer isso e não deveis dizer aquilo. "A paciência é um dom divino! - Tivesse eu obedecido a qualquer deles, jamais teria encontrado aquela felicidade eterna e absoluta. Porque pus em dúvida justamente as coisas que eles sustentavam, porque nunca aceitei prontamente coisa alguma que me fosse apresentada, eu encontrei aquele Reino que é eterno e imutável; eu preenchi a Vida. E desejo dizê-lo a vós: Fazei o mesmo; mas não o façais porque eu o digo, porém porque vós também desejais entrar nesse Reino, vós também desejais encontrar aquela paz absoluta, aquela libertação que é o ápice de toda a experiência, aquela Verdade que não é criação de pessoa alguma, de nenhuma organização, de nenhuma igreja.
PERGUNTA: Sois o Christo, de volta ao mundo?
KRISHNAMURTI: Amigo, quem julgais que eu sou? Se eu disser que sou o Christo, vós ireis criar uma nova autoridade. Se disser que não o sou, criareis igualmente outra autoridade. Julgais que a Verdade tem algo que ver com o que vós pensais que eu seja? Vós não estais interessados na Verdade; estais interessados no vaso que contém a Verdade. Não desejais beber da água, mas desejais saber quem foi que modelou o vaso em que está contida a água. Amigo, se eu vos digo que sou o Christo e outro disser que o não sou, onde ficareis? Lançai fora o rótulo, que nenhum valor tem. Bebei a água, se ela é pura. Eu vos digo que possuo essa água pura; possuo o bálsamo que purifica e que cura soberanamente. E vós me perguntais: "Quem sois? -

EU SOU TODAS AS COISAS, PORQUE EU SOU A VIDA!
             Fonte: http://www.lojajinarajadasa.com/4.g.100.html
               www.lojajinarajadasa.com

domingo, 16 de setembro de 2012

O FIM DA “ERA DOS GURUS” ? The end of Professional "Gurus" ?


Novo Milênio: o Final da "Era dos Gurus"?

 O novo milênio representa, para muita gente, uma nova era de elevação da consciência espiritual. Muitas pessoas já compreendem a importância da autonomia, independência e liberdade no processo do despertar. Em tal contexto, questiona-se o papel e a função dos gurus profissionais.  Será o fim do domínio dos tradicionais gurus e "autoridades" espirituais? O ser humano finalmente chegou à maturidade espiritual? Este artigo se propõe a analisar esta e outras questões afins.


Na Índia antiga os gurus educavam os jovens
   O mestre espiritual, ou guru, sempre desempenhou um papel de destaque em todas as sociedades ao longo dos séculos. Nas civilizações antigas, como Índia e Grécia, ele era o responsável pela educação e formação dos jovens. Infelizmente, com o passar dos séculos, a profissão de guru foi se tornando algo questionável. No século XX, a imagem do guru renunciante e espiritualizado tornou-se cada vez mais rara. Ao ganhar o status de deus, o guru passou a ser considerado alguém acima do bem e do mal. Um ser com poderes irrestritos e absolutos, de caráter infalível e atitudes incontestáveis. Isso propiciou o surgimento de gurus megalomaníacos geralmente envolvidos em escândalos e crimes de toda espécie. 

           Ao contrário dos  gurus da antiguidade, os “autoproclamados gurus”, ou gurus profissionais, são pessoas que acreditam ser iluminadas ou fingem sê-lo, mas que, na verdade, são pessoas comuns. Em geral, possuem ótima oratória e forte magnetismo pessoal, qualidades que quando usadas incorretamente se transformam em perigosas armas de dominação mental. Muitos desses gurus são verdadeiros hipnotizadores e usam todos os recursos para manipular e explorar pessoas com dificuldades emocionais, mentais ou espirituais. Vale tudo para a realização de seus objetivos mundanos de expansão, fama, poder e riqueza. 

Quase mil mortos na tragédia de Jonestown
O século XX foi fértil em produzir gurus profissionais. Verdadeiros psicopatas, caras-de-pau e sem o mínimo de escrúpulos  . Alguns como Jim Jones e David Kolesh levaram centenas de inocentes à morte. A grande pergunta que se faz é se, no novo milênio, os gurus profissionais terão tanto destaque como tiveram no  passado. Afinal, se é verdade que a humanidade vive um despertar gradativo e coletivo, aproxima-se o tempo em que  “ser desperto”, tornar-se-á regra e não excepção. Então que lugar terão os gurus profissionais cujo o discurso  se fundamenta no suposto poder de despertar os outros com a "graça" de sua presença?

Krishnamurti, Ramana, Lahiri Mahasaya, Nisargadatta
     Com o advento de seres espirituais como Lahíri Mahasaya, Krishnamurti, Nisargadata Maharaj e Ramana Maharish a compreensão do papel do "guru” passou por uma drástica e total reformulação. Com Lahíri Mahasaya, o iogue pai de família, ficou comprovado que família e emprego não são empecilhos à vida espiritual. Nisargadata chegou a uma conclusão parecida.Ora, se “tudo é um”, que diferença faz viver em uma caverna ou num quarto? Por isso, abandonou a ideia de se isolar nas cavernas do Himalaya e continuou sua vida normalmente. Durante o dia trabalhava na sua quitanda e à noite atendia os discípulos e visitantes. Ramana Maharish,  um tradicional mestre advaita, também compreendeu que a verdadeira renúncia não era externa e sim interna, por isso, não exortou o abandono das coisas exteriores, e sim das “ilusões internas do EGO”. Por último, Krishnamurti, que apesar de ter sido um grande mestre espiritual, não abandonou um estilo de vida considerado “burguês” por muitos críticos. Através dos ensinamentos e do exemplo destes mestres espirituais autênticos, o guru deixou de ser um “parasita do povo”, abrindo assim uma nova concepção sobre a figura do guru no novo milênio.

Ser desperto não concede privilégios, nem autoridade
 Não se pode esquecer que o novo milênio é agora. Por isso, está cada vez mais comum encontrar pessoas despertas, ou despertando. Muitos, já compreendem que ser “desperto” não concede privilégios a ninguém, nem muito menos o status de superioridade espiritual . Viver à custa dos outros, não prover seu próprio sustento, pode até ter sido normal no passado. Hoje, os tempos são outros. Teremos cada vez mais profissionais e especialistas “despertos”, cada um “fazendo a diferença” em sua própria área de atuação. Serão cientistas, educadores, biólogos, físicos, escritores, intelectuais, artistas etc que contribuirão para a edificação de novos paradigmas,  constituindo, assim, os fundamentos sobre os quais serão erguidos um novo mundo e uma nova consciência .

Será o fim dos gurus profissionais?
   No novo milênio, ninguém será considerado especial apenas por ser “desperto”. Ser desperto será regra e não exceção. Assim, desde muito cedo, as crianças conviverão com pessoas espiritualizadas- famílias, amigos e educadores- que lhes ensinarão que o despertar só depende delas mesmas. Ninguém fará da espiritualidade uma profissão, nem uma desculpa para ser adorado ou bajulado. Se a pessoa insistir em viver apenas da espiritualidade, sem querer estudar ou trabalhar  será, certamente, criticado. Afinal, ninguém mais aceitará a ideia “ultrapassada” de que família, estudo e trabalho são obstáculos à espiritualidade. Em um mundo de “despertos”, o guru que não trabalha será uma aberração, uma anomalia. Os gurus perderão seu status de “deus”, pois aumentará cada vez mais o número de pessoas espiritualmente despertas. Será que isso já não está acontecendo? Será que não se aproxima o fim da era dos “gurus profissionais”?

               Talvez, esta geração ainda presencie o fim da era dos gurus. Um novo mundo em que todos sejam, ao mesmo tempo seu próprio mestre e discípulo. Uma sociedade sem exploração, ou manipulação, em que ser “desperto” seja algo comum e ordinário. Talvez, chegue o dia, em que causará estranheza e perplexidade o fato de alguém querer ser considerado especial ou superior, apenas por ser aquilo que ele originalmente "é”.

Que venham então os novos tempos!

Alsibar

http://alsibar.blogspot.com


sábado, 8 de setembro de 2012

10 DICAS PARA MUDAR O COMPORTAMENTO



      Muitos querem mudar. Tornar-se uma pessoa melhor, mais amorosa, menos agressiva, menos arrogante, orgulhosa , irritadiça; menos amarga, mal-humorada; menos preguiçosa, mais disciplinada, menos nervosa, impaciente etc. Mas não sabem como operar esta mudança. Se este é o seu caso, eu lhe afirmo que a mudança é possível.  Se o seu problema é  puramente psicológico, ou seja, não se origina em algum desequilíbrio ou deficiência de base orgânica, química ou biológica, saiba que é possível sim tornar-se uma pessoa melhor. Não importa se você é jovem ou velho, a mudança pode acontecer em qualquer idade. O que se precisa é de uma mente aberta, disposta a aprender. Leia com atenção as dicas abaixo e surpreenda-se.

1.     10 dicas para “operar” mudanças no comportamento.

1.     Medite sempre que puder- escolha alguns momentos do dia para entrar em contato com sua Consciência Silenciosa que é livre, harmoniosa e infinita.

2.     Não force nada. Não lute contra nada. Evite todo e qualquer conflito. Ele apenas desgasta a energia necessária à transformação.

3.     Não fique “monitorando” a mudança. Nem fique ansioso para que ela aconteça. Essa própria ansiedade e expectativa  são obstáculos à transformação.

4.      Relaxe  conscientemente em seu ser e do próprio ser surgirá a energia que opera a mudança, trazendo paz e harmonia.
  
5.     A mudança é sim possível, mas ela não pode ser operada pelo EGO-PENSAMENTO, mas apenas pelo SER-CONSCIÊNCIA-SILENCIOSA.

6.     Deixe as coisas fluirem naturalmente. Mas não esqueça de ficar Consciente. Consciência transforma e liberta. Inconsciência paralisa e escraviza.

7.     Vá para “dentro” sempre que puder. Ir para dentro é voltar sua atenção para seu mundo interno. Ao fazer isso você se desligará mais dos estímulos externos e perceberá que internamente existe um universo esperando ser explorado. Faça isso como um prazer, não como uma obrigação.

8.     Fique consciente da respiração. Ela nos ajuda a relaxar. Respiração, mente e comportamento estão diretamente ligados entre si.

9.     Encontre dentro de si a Felicidade que não tem causa. Que existe por si mesma. Independente de qualquer situação, pessoa ou coisa.

10.     Procure lembrar-se de ficar consciente no dia-a-dia. Sempre que puder e lembrar: no ônibus, na escola, na sala de espera do médico etc . Observe suas reações diárias. Mas não as julgue, nem condene. Apenas observe-as, fique atento a elas.
  
           Conclusão:
 É importante ressaltar que a mudança acontece independente de você. Uma mudança natural, espontânea que nasce do despertar da dimensão do Ser-Consciente em nós. O céu e o inferno estão dentro de nós. O céu é a CONSCIÊNCIA, o inferno a INCONSCIÊNCIA- a causa de todos nossos males. Relaxe nessa consciência e deixe que ela opere em você de dentro pra fora. Nada mais é necessário.

Namastê!
Alsibar


sábado, 18 de agosto de 2012

KRISHNAMURTI, INSTRUTOR DO MUNDO? (Segunda Parte)

Krishnamurti, Instrutor do Mundo? http://alsibar.blogspot.com

Nesta parte do artigo, James Santucci continua analisando as três outras visões sobre o projeto de Krishnamurti- Instrutor do Mundo através do olhar de supostos clarividentes, pesquisadores, escritores e intelectuais- teósofos ou não. Leia o artigo completo e tire suas próprias conclusões. Após a leitura, responda se puder: afinal, Krishnamurti foi ou não o  Instrutor do Mundo esperado por muitos?

Krishnamurti e o Projeto de Instrutor do Mundo: algumas percepções teosóficas. ( Segunda Parte)
Por  James Santucci
Texto Principal
Segunda Visão: O projeto foi genuíno, mas FALHOU
Charles Webster Leadbeater
Muitos  Teosofistas acreditam que seja por causa da clarividência de Leadbeater, ou um poder transcendente agindo sobre ele, que ele percebeu o grande potencial espiritual em Krishnamurti quando eles se conheceram na praia ao lado da sede internacional da Sociedade Teosófica em maio de 1909. Naquela época, Krishnamurti era um adolescente, magro, desnutrido e sujo. Quanto a sua capacidade mental, Krishnamurti foi mesmo considerado estúpido pelo Teosofista Ernest Wood, que tentou ajudá-lo com o seu dever de casa. Leadbeater também foi o primeiro a comunicar a idéia de que Krishnamurti deveria ser treinado como o veículo para o Senhor Maitreya . ( 27 ) Como o suposto vidente e previdente  autor do projeto da vinda de um grande instrutor, a visão de Leadbeater sobre a realização do projeto carrega um certo peso. Existe, no entanto, um problema na avaliação de seus artigos e declarações públicas, pois Leadbeater sempre apoiava a posição de Annie Besant em público, mesmo quando ele achava que ela estava errada. ( 28 ) Como Besant estava convencida de que Krishnamurti era o Instrutor do Mundo, Leadbeater não iria decepcioná-la. Em seu artigo mais importante sobre o assunto, "És tu aquele que deve vir ?", afirmou, referindo-se a Krishnamurti:" Este é aquele que deve vir, e não há necessidade de procurar em outro lugar, como já disse, eu sei que o Instrutor do Mundo, muitas vezes fala por meio de Krishnaji ", e, em seguida, vem a reviravolta", mas também sei que há ocasiões em que Ele não faz. " ( 29 )

O que Leadbeater realmente pensava foi expresso apenas em privado, por exemplo, em 1927, em Adyar de Adrian Vreede, a um colega bispo da Igreja Católica Liberal, a quem ele confidenciou que "A Vinda tinha dado errado." ( 30 ) Por que Leadbeater manteve suas opiniões para si mesmo  e por que ele pensou que a "vinda" tinha dado errado é difícil descobrir . Ele estava visivelmente perturbado com as revelações ocultas de 1925 provenientes da propriedade Teosófica em Huizen, Holanda, onde o teosofista George Arundale e outros estavam transmitindo mensagens dos Mestres. ( 31 ), supostamente por ordem dos Mestres, Arundale nomeou dez apóstolos, anunciou o falecimento de iniciações, consagrou uma abadessa, e deu muitas instruções. Estas mensagens nunca foram aceitas por Leadbeater como verdadeiras  e o próprio Krishnamurti reagiu com ceticismo, mesmo com sarcasmo. Krishnamurti disse que "tudo estava corrompido." ( 32 ) Besant, porém, aceitou-os e divulgou muito do seu conteúdo em seus discursos públicos, o que colocou Krishnamurti em uma situação extremamente difícil. Leadbeater disse a Adrian Vreede que "esta explosão [de revelações questionáveis] tem feito mais para impedir a vinda do Senhor do que qualquer outra coisa. "( 33 ) Para resumir, é claro que Leadbeater acreditava que o projeto era genuíno, que Krishnamurti era ocasionalmente ofuscado por Maitreya, mas que algo havia dado errado. Leadbeater responsabilizou não só o próprio Krishnamurti pelo  fracasso do projeto, mas também influentes teosofistas iludidos .

Geoffrey Hodson
Uma descrição clarividente de um discurso de Krishnamurti no camping da Estrela, em Ommen, 1927 pode ser encontrada no artigo Geoffrey Hodson em "O Fogo do Campo Brilha." ( 34 ) Suas visões de que Krishnamurti fora ofuscado pelo Cristo ou Senhor Maitreya  poderia ter convencido muitas pessoas que a vinda foi um sucesso. Mas  será que Hodson havia realmente se  convencido? Inicialmente sim, mas mais tarde, nem tanto, se acreditarmos em John Robertson, que escreveu uma biografia inédita sobre a vida do Hodson. Hodson  disse a Robertson que a vinda não tinha  "cumprido rigorosamente os termos do pronunciamento original;" que "em certas  raras ocasiões este ofuscamento fora experimentalmente iniciado", mas essas manifestações eram "muito suaves e breves." Quanto às razões para encerrar o experimento, Hodson pensou que "talvez o peso provou-se grande demais para Krishnamurti." Hodson disse a Robertson que o médico de Krishnamurti tinha dito (citando Hodson), que a "tensão sobre o sistema nervoso e psicológico de Krishnamurti era muito grande, mesmo depois de apenas alguns minutos de utilização de seus veículos por um Ser superior." Outro fator foram as circunstâncias e ações que haviam "ferido profundamente suas susceptibilidades" (provavelmente referindo-se às manifestações de Huizen). Ou a morte em 1925 de seu amado irmão Nityananda, cuja vida Krishnamurti achava ser crucial para o seu destino, foi um fator importante "em sua decisão de retirar-se do papel que poderia ter sido seu." De acordo com Robertson, Hodson também disse que " isso  não nega ,de forma alguma,  o fato do plano original ter sido exatamente uma `tentativa 'experimental  de usar  Krishnamurti como um veículo e que esta foi formada e comunicada por um Mestre de CW Leadbeater. Na verdade, o Sr.Hodson afirmou que ele tinha razão de estar firmemente convencido de que este era realmente o caso. "
Infelizmente , como tem sido apontado pelo autor alemão Peter Michel, muitos dos escritos de Hodson, que contém seus pontos de vista sobre Krishnamurti não foram publicados. ( 36 ) Estes incluem "Os Anos Inesquecíveis", um manuscrito que contém as suas lembranças e visões no período de 1923-1930 aproximadamente. As entradas de seu "diário oculto", para os mesmos anos, que não foram incluídos na publicação editada por sua esposa, ( 37 ) sobre sua biografia "O ocultista de Aquário." Ele  ainda publicou um pequeno livro em 1935, “Krishnamurti e a Busca da Luz”, no qual defendeu a Teosofia e a Sociedade Teosófica contra a iconoclastia de Krishnamurti, porque sentiu que "os princípios da justiça ,  jogo limpo e cortesia recíproca têm sido tão flagrantemente atacado por cerca de sete anos, e que, finalmente, eu fui movido a uma resposta. " Como membro da Sociedade Teosófica "nem sempre foi capaz de alcançar a calma filosófica dos líderes", então ele tinha de expressar sua opinião sobre os ensinamentos de Krishnamurti. De acordo com Hodson os ensinamentos de Krishnamurti eram "uma extraordinária mistura de raros lampejos de sabedoria transcendental, penetrante inteligência, incompreensão, intolerância, preconceito e aversão. " ( 38 )  Anos mais tarde, Hodson amenizou seu ponto de vista. Ele afirmou que "os esplêndidos ensinamentos, verbais e escritos, .. demonstram que ele é de fato, em seu próprio direito, uma alma avançada, com uma mensagem inspiradora para entregar para a humanidade. "( 39 ) Com base em sua clarividência, Hodson aceitou o projeto como genuíno, viu o Cristo operando através de Krishnamurti, mas depois teve razões para concluir que Krishnamurti tinha rejeitado o seu papel. Apesar disso e do fato de Krishnamurti ter se tornado preconceitoso contra Teosofia, Hodson achava que ele tinha algo importante a dizer.

Cyril Scott
Entre 1920 e 1932 o compositor Inglês e teósofo, Cyril Scott, escreveu, de forma anônima, três livros de ocultismo ainda populares, que contam a história de um poeta, Charles Broadbent, e seu professor espiritual, Justin Moreward Haig (ele mesmo era um discípulo iniciado por um Mestre da Sabedoria, chamada de "Sir Thomas"). ( 40 ) Considerado por muitos como ficção, o autor falou sobre o último livro da série, que as "várias situações no livro foram corretamente retratado, mas os personagens, por razões óbvias, tinham necessariamente de ser camuflados." ( 41 ) Neste terceiro livro , “O Iniciado no Ciclo Escuro”, dois capítulos foram inteiramente dedicado à Krishnamurti, ( 42 ) e "suas partes mais valiosas foram contribuições do Mestre Iniciado ". ( 43 ) No início da conversa gravada no segundo dos dois capítulos, Haig afirma que "em vez de dar à luz a um novo ensinamento tão necessário, ele [Krishnamurti] escapou das responsabilidades de seu cargo como profeta e instrutor, revertendo a um encarnação passada, e a uma antiga filosofia ". Haig, em seguida, afirmou que Krishnamurti está ensinando a versão  Advaita (monista) da filosofia Vedanta. "Sir Thomas", acrescentou que esta é uma "filosofia de chelas, e um dos caminhos para a Libertação mais comumente mal interpretado ". Ele também advertiu -àqueles que sobem a "escada incompleta para Deus" de Krishnamurti - de dois perigos. " Perigo Número um: Krishnamurti põe de lado as definições e classificações consagradas pelo tempo, deixando o aspirante sem uma verdadeira escala de valores . Perigo Número Dois: subir sua escada especial exige meditação constante o que, por sua vez, necessita da proteção constante de um Guru -  e Guru  não é permitido por Krishnamurti. " Como sua última avaliação, quando perguntado se  "A missão de Krishnamurti deve ser considerada como um fracasso total", ele afirmou: "Verdade, verdade. Um sucesso, enquanto ainda ofuscado pelo Instrutor do Mundo, ... uma falha depois." ( 44 ) Em suma, Krishnamurti rejeitou o seu papel, desenterrou um velho ensinamento e o transformou em algo perigoso.

Durante uma palestra em 1936 Krishnamurti foi questionado sobre sua reação à alegação em “O Iniciado no Ciclo Escuro” de que seu ensino é "Advaitaismo (Monismo) , uma filosofia só para os iogues e chelas, e perigoso para o indivíduo médio."  A  resposta de Krishnamurti foi como se segue: "Certamente, se eu considerasse que o que eu digo é perigoso para a pessoa média, eu não iria falar. Então, é  você que deve considerar se o que digo é perigoso. As pessoas que escrevem livros deste tipo estão, consciente ou inconscientemente, explorando os outros. Eles têm machados para moer, e comprometeram-se com um determinado sistema, eles trazem a autoridade de um mestre, da tradição, da superstição, das igrejas, que geralmente controlam as atividades de um indivíduo. O que há no que eu estou dizendo que seja tão difícil ou perigoso para o homem médio?"A questão sobre a dificuldade do ensino de Krishnamurti foi respondida em "Sir Thomas" , as últimas palavras sobre Krishnamurti no livro de Scott:" Porque ele alcançou um certo estado de consciência e evolução e, em sua modéstia, ele não consegue ver que os outros não a alcançaram. Portanto, ele prescreve para os outros o que só é adequado para si mesmo. "

David Anrias
Um dos personagens dos Livros de Iniciação de  Scott  é um astrólogo chamado David Anrias. Seu nome verdadeiro era Brian Ross, um teósofo Inglês, que tinha trabalhado para Annie Besant na Índia. ( 47 ) Ele alegou ter estado em contacto com os Mestres, alguns cujas mensagens e retratos, ele publicou em “Através dos olhos dos Mestres”. Em um outro livro posterior,  Anrias torna conhecido que este livro ", foi inspirado em parte com o objetivo de neutralizar a dúvida lançada por Krishnamurti sobre o poder dos Mestres para promover a evolução da humanidade." ( 48 ) A mensagem mais importante veio do próprio Senhor Maitreya e tratou quase que exclusivamente sobre Krishnamurti. Maitreya disse que ele foi "limitado pelo Karma na escolha do Médium [dele]", que ele tinha que usar "um corpo físico selecionado pelos Senhores do Karma", e que era "inexperiente em muitos aspectos, para a difícil tarefa de um Instrutor Espiritual ". Por que Krishnamurti tinha tido iniciações na linha dos Devas-da-Evolução, "tornou-se quase impossível para ele continuar a ser utilizado como meu medium." Sua principal crítica foi que "embora Krishnamurti estivesse correto ao enfatizar a necessidade do pensamento independente, ele estava errado ao supor que todas as pessoas, independentemente do Karma passado e atuais limitações, poderia  chegar imediatamente àquele ponto que ele próprio só havia alcançado através de vidas de esforço , e com a ajuda dessas Forças Cósmicas  que  se debruçaram sobre ele, visando exclusivamente  sua função de Arauto da Nova Era "( 49 ) Resumidamente: Krishnamurti era um veículo deficiente, tomou as iniciações erradas, e promulgou um grande erro.
Alice Bailey
Alice Bailey alegou ter sido contactada pelo mestre tibetano Djual Kul, que transmitiu a ela um corpo volumoso de ensinamentos. Nos ensinamentos de Djual Kul,  Cristo desempenhou um papel proeminente e era esperado para retornar à Terra. Este retorno "será expresso ... por um surgimento da consciência de Cristo nos corações dos homens em todos os lugares" e muitos "serão ofuscados 'por Ele. " Desta forma, "Ele vai duplicar a si próprio repetidamente." Seu trabalho com Krishnamurti foi um dos primeiros experimentos, como meio de preparação, mas "foi apenas parcialmente bem sucedido. O poder usado por Ele foi distorcido e mal aplicado por causa do tipo de devoto que a Sociedade Teosófica é composta, em grande parte e o experimento foi levado a um fim. " ( 50 ) A posição Bailey parece ser a de que o projeto era genuíno, mas experimental, e foi encerrado porque os teosofistas não eram as pessoas do tipo certo.

Guy Ballard
De acordo com Guy Ballard, um engenheiro de minas americano interessado pelo oculto, o Adepto Saint Germain se aproximou dele com o pedido para se tornar um mensageiro para os adeptos. Isso aconteceu no verão de 1930 nas encostas do Monte Shasta, na Califórnia, quase exatamente um ano depois de Krishnamurti ter dissolvido a Ordem da Estrela. Ballard concordou e escreveu Mistérios Desvelados sob o nome Godfre Ray King e fundou, com sua esposa Edna, o " MOVIMENTO EU SOU ". ( 51 ) Eu conheci três ex-integrantes do "Movimento EU SOU” , eles lembravam os anos 1920 e 1930 e tinham algum conhecimento sobre Teosofia e Krishnamurti,  eles concordavam que a razão para a fundação do "Movimento EU SOU" foi o fracasso de Krishnamurti - os Mestres da Sabedoria tiveram que abrir um novo canal para dar um novo ensinamento, porque Krishnamurti não fez isso. Não há referência direta a Krishnamurti na literatura do Movimento "EU SOU" que apoie essa visão, e seus líderes atuais, quando questionados sobre a possível ligação entre a alegada falha de Krishnamurti e a fundação do Movimento "EU SOU", podem afirmar apenas que, de alguma forma, a Teosofia havia fracassado e que era este o motivo pelo qual  os Mestres haviam procurado Ballard. Apesar disso, algumas passagens encontradas na literatura “ EU SOU”, tem uma relação direta com nosso assunto. Elas podem ser encontradas no "Discurso Kuthumi," uma mensagem do Adepto Kuthumi dada através de Ballard em 19 de dezembro de 1937, em Los Angeles. Embora Krishnamurti não tenha sido mencionado pelo nome, e da passagem se referir, possivelmente, a uma multidão de indivíduos, a plausibilidade de que ele se refere também a Krishnamurti tem que ser considerado seriamente:
 “Em nosso esforço para ajudar e trazer à tona, através de Teosofia, a Glória e a correta compreensão da Vida, até o momento quando  Nós poderíamos ter trazido esta Verdade, mais uma vez a humanidade não daria obediência suficiente. Por que a Humanidade, a  preciosa humanidade , não obedece à Lei da Vida - amar uns aos outros, para que se torne possível para a grande Verdade chegar intocada, não adulterada por opiniões humanas ? Amados, há mais de seiscentos anos, os Grandes Mestres Ascensionados tem tentado abrir o caminho para que essa Compreensão maior chegue à humanidade; mas  antes que esta Poderosa Verdade começasse a expandir sua Luz, os indivíduos com opiniões humanas, dela se apoderaram e tentaram fazê-La obedecer-lhes, em vez deles obedeceram-Na ... Percebem , Amados, o que tudo isso significa para nós, Morya e Eu - nós dois que fomos tão sérios e sinceros? No entanto, nosso amado Saint Germain realizou em três anos muito mais do que fizemos, nos muitos anos de nossos humildes esforços.” ( 52 )

A última frase soa arrogante, mas não é sem substância, se  considerarmos a observação sobre o Movimento "EU SOU"  feita pelo  erudito religioso e teosofista Robert Ellwood que "em seu àpice, no final dos anos trinta, ele (o Movimento ) deve ter representado a maior difusão popular dos conceitos Teosóficos nunca antes atingido. " ( 53)
Será que Krishnamurti tentou submeter as revelações, que inicialmente vieram através dele, às suas próprias opiniões e, por isso, não pôde transmitir toda a verdade, que foi revelada através de outro veículo? A antecipação de Krishnamurti a uma parte dessa crítica pode ser encontrada nas últimas frases de seu famoso discurso da dissolução da Ordem da Estrela. "Por dois anos eu estive pensando sobre isso, lentamente, cuidadosamente, pacientemente, e eu já decidiu dissolver a Ordem, uma vez que eu sou seu chefe. Você pode formar outras organizações e esperar outra pessoa. Com isso eu não estou preocupado, nem com a criação de novas jaulas, [nem] novas decorações para essas gaiolas. " ( 54 )

Elizabeth Clare Prophet
Como líder de um novo movimento religioso Elizabeth Clare Prophet afirma ser a mensageira para a Grande Fraternidade Branca e, como tal, "tem ditados" de diferentes Mestres da Sabedoria. O movimento , conhecido anteriormente como a Summit Lighthouse e, mais recentemente, como a Igreja Universal e Triunfante, tem suas raízes na Teosofia e no " Movimento EU SOU" . ( 55 ) Com o segundo, a Summit Lighthouse tem tanto em comum, que um estudo holandês da organização afirmou que talvez se pudesse ver a Summit Lighthouse, como o  Movimento "EU SOU"  "ressuscitado de suas cinzas". ( 56 ) Os ditados foram publicados em uma base semanal durante os últimos trinta e cinco anos. Em 1975 Kuthumi entregou uma mensagem com um par de parágrafos dedicados a Krishnamurti. Ele declarou abertamente ("deixe as fichas caírem onde elas podem") que Krishnamurti era "o instrumento de uma filosofia que não é e não  representa de forma alguma os verdadeiros ensinamentos da Grande Fraternidade Branca" e que Krishnamurti apresentou "calculados e astuciosos desvios às almas em busca da verdade. " No que diz respeito à vinda e o seu fracasso Kuthumi afirmou que, apesar de Krishnamurti ter sido "selecionado para fazer o treinamento vocacional para representar os Instrutores do Mundo e do Buda vindouro, Senhor Maitreya," ele "não passou no teste do intelecto e das sutilezas do orgulho espiritual, "como resultado disso ele está agora" denunciado pela Irmandade ", enquanto ele mesmo", denuncia os verdadeiros professores e o caminho da iniciação. " ( 57 )

Mais cedo, no mesmo ano, El Morya  supostamente ditou, em particular, uma série de cartas à Profeta. Na última carta da série, ele dá uma visão cronológica dos diferentes projetos que os Mestres estavam envolvidos começando com Blavatsky e Mary Baker Eddy. Sobre estes dois pioneiros espirituais ele disse que embora eles fossem "às vezes afligidos por  seus próprios preconceitos e o peso da consciência de massa, essas testemunhas codificaram a Verdade e a lei do Oriente e do Ocidente como o auge de um processo que custou milhares de anos de suas almas" para destilação do Espírito." No parágrafo seguinte ele então faz o que só se pode ser tomado como uma referência velada à Krishnamurti. "Esses mensageiros não são treinados em um dia ou um ano ou uma vida. Encarnação após encarnação, sentam-se aos pés dos mestres e recebem as emanações de seu manto no poder de sua palavra e exemplo. Muitos outros que foram selecionados para executar um serviço semelhante à hierarquia, falharam em suas iniciações através do orgulho de seu intelecto e relutância em fundir totalmente sua identidade com a Chama. Eles se tornaram , assim, totalmente auto-iludidos e eles continuam a atrair almas inocentes no caos da sua ilusão . " ( 58 ) Por duas razões esta citação pode ser interpretada como referindo-se a Krishnamurti. O mais forte é a frase chave "aos pés dos mestres", que é também o título da primeira publicação de Krishnamurti, e considerado um clássico Teosófico. A segunda razão é o lugar que o parágrafo tem no panorama cronológico. Ele é colocado entre o parágrafo sobre Blavatsky e Eddy, e um parágrafo sobre Guy e Edna Ballard, que são apresentados como " experimentos  representantivos e verdadeiros de Saint Germain". ( 59 ) Isto sugere um olhar para  os mensageiros que supostamente falharam no período entre a morte de Blavatsky em 1891 e o encontro entre Guy Ballard e Saint Germain, em 1930. Este período abrange exatamente o início do tempo  da Sociedade Teosófica sob a liderança de Besant,  terminando com a revogação - ou auge, dependendo do ponto de vista - do seu projeto do Instrutor mundial com a dissolução da Ordem da Estrela em 1929 pelo próprio Krishnamurti. Se estas duas razões se sustentam, e o parágrafo for realmente uma referência à Krishnamurti, então é a avaliação mais grave sobre ele já registrada.

Em suma, de acordo com os Mestres da Profetisa, Krishnamurti foi selecionado e treinado pelos Mestres para um papel importante e, posteriormente, tropeçou em seu orgulho e enganou almas vulneráveis ​​com uma filosofia sutil, mas errada.

[Veja também o texto de uma palestra feita por Elizabeth Prophet sobre Krishnamurti não utilizado nos parágrafos anteriores]

Peter Michel
Dentre os diversos estudos sobre a vida e os ensinamentos de Krishnamurti, talvez um se destaca por causa pela exploração de uma grande variedade de temas e questões relacionados à Krishnamurti. Destaca-se também por ser muito simpático aos conceitos  e experiências Teosóficas, enquanto que , no coração, está de acordo com Krishnamurti. Este estudo realizado pelo autor alemão Peter Michel é intitulado Krishnamurti - Amor e Liberdade.

Quanto à idéia da vinda de um grande mestre espiritual, Michel afirma que é provável que a origem da idéia de Instrutor do Mundo na visão de Besant e Leadbeater "pode ​​ser encontrado em suas experiências interiores" de comunicação com os Mestres. Para ele mesmo " não parece fazer sentido considerar uma fonte externa para explicar a idéia do Instrutor do Mundo." Quanto aos seus pontos de vista sobre o sucesso da vinda, ele observa o paradoxo, que "Krishnamurti, posteriormente, foi mais considerado como um Instrutor do Mundo - em seu próprio direito – coisa que os Teosofistas, com seu ideal messiânico  que ele havia rejeitado interiormente e exteriormente por vários anos, jamais fizeram . " Ele cita Krishnamurti, numa aparente concordância, em uma entrevista interessante que Krishnamurti deu a um jornalista americano. "Os instrutores de todas as eras têm repetido a mesma mensagem essencial, mas nunca parecemos entendê-la, talvez por causa de sua simplicidade. E assim, quando se torna necessário para a humanidade receber  a Sabedoria Antiga em um novo formato, alguém, que tem o dever de repetir essas verdades, encarna-se ". ( 60 ) Respondendo a sua própria pergunta "se K` era um instrutor, como Cristo ou Buda ", Michel concorda" com Scott e Anrias que ele não era ", ao que acrescentou a observação que" K  respondia: É isto de qualquer importância? " De acordo com Michel, Krishnamurti "poderia ter sido o instrutor», "se" ele tivesse sido capaz de combinar a sua posição (não-esotérica de K.), com o melhor da tradição esotérica, como talvez tenha sido planejado. " A posição de Peter Michel parece ser muito próxima àquela descrita acima por Hodson, ou seja, Krishnamurti não era o instrutor esperado, mas seus ensinamentos são importantes. A diferença entre Hodson e Michel é que Hodson é mais é mais simpático com a Teosofia e Michel é mais simpático com Krishnamurti.

TERCEIRA VISÃO : O projeto não era genuíno e FALHOU

Rudolf Steiner

A fundação da Sociedade Antroposófica em 1912 por Rudolf Steiner foi uma conseqüência direta dos pontos de vista que mantinha sobre a segunda vinda de Cristo. Quando a Ordem da Estrela foi fundada, o Conselho da Seção Alemã da Sociedade Teosófica, da qual Steiner era então secretário-geral, declarou que ninguém poderia ser simultaneamente membro da Estrela e do TS alemão. Besant reagiu revogando a carta, que oficialmente entrou em vigor em 7 de março de 1913. Enquanto isso , Steiner fundou a Sociedade Antroposófica em 28 de dezembro de 1912, e a maioria dos teosofistas alemães seguiram-no. ( 62 )

Suas diferenças com Besant e Leadbeater sobre a natureza do Cristo foram fundamentais. Em uma série de palestras proferidas em 1911, quando ele ainda estava com a Sociedade Teosófica, ele afirmou que a primeira vinda de Cristo, "o Cristo-evento," foi um evento cósmico único e irrepetível . "Uma encarnação do Ser-Crístico em um corpo humano de carne poderia ocorrer apenas uma vez no curso da evolução da Terra." O evento essencial da vinda aconteceu durante a crucificação, quando a terra foi redimida pelo influxo do espírito de Cristo. A segunda vinda significava para Steiner "a renovação do [primeiro] Evento Crístico" e que aconteceria "no final do século XX", desta vez não de uma forma física, mas "no mundo etérico." Este " segundo Evento-Crístico"consistiria em Cristo tornar-se" Senhor do Karma para a evolução humana "e teria o efeito de que mais e mais pessoas seriam capazes de perceber" o significado e o Ser de Cristo. " ( 63 )

Steiner também discordou de Besant e Leadbeater sobre a questão de quem era  Cristo . Besant e Leadbeater o identificavam com o Bodhisattva Maitreya. Steiner disse que foram dois seres diferentes, mas afins; Cristo não era uma alma humana evoluída como o teósofo o via, mas um ser cósmico infinitamente superior . O Bodhisattva Maitreya ", que sucedeu a Gautama Buda", foi uma alma humana, que, como Yeishu Ben Pandira em uma encarnação anterior, preparou o caminho para Cristo. Este Maitreya tem "uma de suas re-encarnações ... fixado para o século XX", sobre a qual era "impossível falar aqui, mais exatamente." ( 64 )

Não será surpresa que Steiner pensou que a vinda, como previsto por Besant e Leadbeater, "significa simplesmente que o Ser-Crístico não [foi] compreendido " e que suas idéias eram "um absurdo". ( 65 ) Mas este absurdo não eram criações deles mesmos. De acordo com Steiner, os Mestres originais que haviam dirigido Blavatsky - "esses poderes supremos, que presidiram a inauguração da Sociedade Teosófica" - tinha sido sub-repticiamente substituídos por "poderes, querendo seguir seus próprios interesses especiais". Esses poderes tinham assumido "a aparência das pessoas que tinham originalmente inspirado o impulso." Steiner identificou estes impostores como sendo de origem indiana e que tinham como  motivo vingar-se do Ocidente imperialista e materialista,  difundindo o seu " próprio ocultismo nacionalista egoísta," através de um "movimento ocultista do Ocidente", isto é, a Sociedade Teosófica. Isso foi possível "por causa do próprio modo que a Inglaterra e a Índia estão carmicamente conectados entre si nos assuntos mundiais." O resultado foi que as "forças espirituais que buscavam dar à humanidade um novo impulso, sem distinção de raça, credo, ou quaisquer outros atributos meramente humanos foram represados ​​para trás." ( 66 ) Em outras palavras, de acordo com Steiner, os Mestres impostores tinham sequestrado a Sociedade Teosófica, e utilizado Besant, Leadbeater e Krishnamurti como instrumentos inconscientes em um jogo de poder oculto contra a humanidade em geral e o Ocidente em particular. ( 67 )

Albert ES Smythe
Depois que a poeira baixou, acerca dos pronunciamentos radicais de Krishnamurti  e as ações de 1929, Albert ES Smythe, então secretário-geral da seção canadense da Sociedade Teosófica, expressou o que  alguns teosofistas pensavam o tempo todo sobre Besant, Leadbeater, e o projeto da vinda do instrutor: uma "grande parte do movimento teosófico nunca compartilhou esses pontos de vista, a seção canadense da Sociedade repudiou-os primeiro." Ele chamou o projeto de uma "ilusão extraordinária" e "absolutamente contrária" à literatura da Sociedade Teosófica dos dias de Blavatsky.  Aos olhos de Smythe, Leadbeater foi o principal culpado. Ele havia "tomado" o jovem Krishnamurti, "evangelizado Sra. Annie Besant" e convenceu-a com "os argumentos mais fanáticos e ridículos" que o menino deveria tornar-se o instrutor do mundo. Felizmente , Krishnamurti viu além dela e livrou-se da " influência de seu patrono louco, sacudindo as ilusões com as quais ele havia sido cercado e agora anuncia que se desprendeu de todas estas tradições fictícias. " ( 68 ) Inocente e abusado, Krishnamurti acordou na hora de reivindicar sua independência.

ELGardner
Em 1963, um eminente teosofista Inglês, EL Gardner, escreveu um folheto sobre a clarividência de Leadbeater, que causou furor nos círculos teosóficos. ( 69 ) A polêmica de Gardner foi dizer que, embora Leadbeater  tenha descoberto o menino Krishnamurti  por um ato de clarividência genuíno, Leadbeater mais tarde foi vítima do "Kriyashakti inconsciente." Gardner definiu o termo como Kriyashakti o poder do pensamento criativo. O conceito de "Kriyashakti inconsciente" é melhor explicado pelo biógrafo de Leadbeater Gregory Tillett: " Leadbeater inconscientemente criou todo um sistema artificial, baseado em suas próprias visões fortemente arraigadas, e, novamente, inconscientemente, usou seu próprio poder oculto para vitalizar este sistema em um estado onde ele tivesse a aparência de realidade, e que apareceu como uma realidade objetiva para ele quando ele a viu em clarividência. " ( 70 ) Ou, como Gardner afirmou sucintamente "o Senhor Maitreya e os Mestres,  termos com os quais Leadbeater estava familiarizado, eram suas próprias  criações-pensamento". (71) Desta forma, Leadbeater criou,  mas também  acreditou sinceramente , no projeto da segunda vinda, nas mensagens dos Mestres e sua orientação na reforma da Igreja Católica Liberal e outros projetos.

QUARTA Visão : O PROJETO não era genuíno, mas foi bem sucedido .

Rom Landau e uma "Fonte Impecável"
A matriz não estaria completa sem alguém dizendo que o projeto não era simultaneamente verdadeiro, e milagrosamente bem sucedido. Rom Landau, que entrevistou muitos professores da metafísica na década de 1930, apresenta essa versão em seu livro “Deus é a Minha Aventura”. Ele " a ouviu pela primeira vez de Ouspensky" e desde  que sua fonte é "impecável ", ele a citou . Ressalte-se que não é necessariamente a versão do próprio Ouspensky, embora poderia ser o caso. Para citar novamente Landau: "Segundo esta versão, a visão ‘original’ de Leadbeater foi pura invenção. Juntamente com Mrs.Besant, ele deve ter acreditado que um ser humano jovem poderia  ser criado para tornar-se o messias' `- educado de forma adequada e apoiado por uma onda mundial do amor e fé implícita de grandes massas de pessoas - deveria desenvolver certas qualidades cristãs, e parece que Leadbeater e Annie Besant acreditaram até o fim que foi assim que Krishnamurti foi  se transformando naturalmente na personalidade do `Instrutor do Mundo." ( 72 ) será que grandes fins justificam grandes mentiras?
© 1997 por James Santucci. Todos os direitos reservados
Link para a primeira parte em Português:
Artigo completo em Inglês:
( Tradução Alsibar-Google Translator)