terça-feira, 3 de julho de 2012

QUEM TEM MEDO DE U.G. KRISHNAMURTI?

Upaluri Gopari Krishnamurti
( Achei este artigo na Internet sobre  U. G. Krishnamurti que muitos confundem com J. Krishnamurti. O autor ( ou seria autores?) traça um pouco da  vida, personalidade e  ensinamentos deste iconoclasta aparentemente mais radical que o próprio Krishnamurti. Vale a pena conferir.)
Falar sobre U.G. Krishnamurti (Upaluri Gopari Krishnamurti ) não é fácil. Trata-se de um filósofo radical e polêmico, que suscita reações extremadas com relação a seu ensino. Veja aqui uma pequena amostra de suas mensagens, verdadeiros artefatos explosivos a detonar conceitos estabelecidos:
"Fazer amor é guerra; causa-efeito é o lema de mentes confusas; yoga e dietas saudáveis destroem o corpo; o corpo é imortal, e não o espírito; não há nada dentro de você exceto medo; comunicação é impossível entre seres humanos;  Buda foi um excêntrico..."
Que significa tudo isso? a meu ver, é iconoclastia pura. Ele destrói todos os ícones, e derruba todos os conceitos afirmando as antíteses dos mesmos, chocando aos leitores.
Muitos sairão correndo perante o louco, o anticristo, o nihilista. Tais declaraçoes, porém, têm o poder de nos revelar a nós mesmos, o quanto somos apegados ao nosso mundo interior, edificado sobre o medo e a esperança, e formado por palavras, imagens, conceitos, crenças e descrições que fazem sentido para nós e de algum modo nos dão segurança e conforto psicológico.
Os que desejam a religião como uma estrada pavimentada até o Divino recusarão mesmo o simples tomar conhecimento de suas mensagens, e, com isso, certamente estarão afirmando e defendendo a si próprios, ou, seja, aquelas opiniões, crenças e ideologias com que se identificam.
Vejamos mais um trecho das declarações de U.G.:
"Todas as palavras que usamos são "sobre", "a respeito de", "acerca de"... elas não têm realidade. São abstrações mentais, agem no plano virtual."
De fato, tudo o que sabemos, conhecemos, vem de fora de nós. Quando nascemos, somos como tábula rasa em matéria de conhecimentos, crenças, etc (mas não em matéria de tendências ou propensões, que são inatas).
O que acontece então? Em primeiro lugar nossos pais vão nos ensinando os nomes e descrições das coisas. Depois as escolas, universidades, igrejas, a cultura vigente, etc., vão formando nosso ego mental, nossa personalidade (que, como se sabe, vem do grego: PERSONA, quer dizer Máscara).

Note-se que a sociedade, seus valores e suas leis, sistemas políticos e religiosos, produz um grande conjunto de informações e valores que, paulatinamente, vai sendo incorporado às crianças, recriando em suas mentes uma cópia do mundo que os envolve.
Em toda essa massa de informações estão incluídos inúmeros conteúdos psicológicos, de natureza tribal, política, moral ou religiosa, que definem, condicionam e limitam a consciência humana. E nesses limites, estreitos ou amplos, surge e se desenvolve a noção sermos, cada um de nós, um sujeito pessoal, permanente, único e separado (que chamamos de ego), o qual tende a se apegar a esses valores e defende-los tenazmente, recusando qualquer visão de mundo que possa ameaçar seus conteúdos fundamentais.
Veja o leitor por si mesmo, ao ler algumas impiedosas declarações de U.G., caso sinta alguma opinião ou valor sendo confrontado, se instintivamente não se "fecha" em si mesmo, recusando tais mensagens:
"serviço humanitário é um total cultivo do ego; ir à igreja ou ir ao bar para um drink são idênticos; Deus, Amor, Felicidade, o inconsciente, morte, reencarnação e alma são invenções de nossa rica imaginação; Freud é a fraude do século 20, enquanto J. Krishnamurti é sua maior impostura..."
Note que U.G. derruba todas as imagens e conceitos, não poupando nada nem ninguém, chegando a atacar imagens consideradas intocáveis ou sagradas como Buda, Jesus, Freud e mesmo Jiddu Krishnamurti, o famoso sábio indiano do século XX, com o qual ele, U.G., tem bem mais que o nome em comum (nos nomes próprios indianos, o sobrenome vem primeiro, e o nome vem por último).
Ressalte-se que U.G. teve uma relação forte com J. Krishnamurti, que também o respeitava; na verdade, U.G. bebeu nas águas límpidas desse sábio maravilhoso, antes de perder tudo na vida, a partir dos 49 anos de idade, quando teve início um processo que ele chamou de "calamidade", levando-o a separar-se de sua família, perder suas posses, seu prestígio (era um orador muito conceituado), e também a viver um bom tempo como mendigo na Inglaterra, indo depois à Suiça e ao Consulado da índia a fim de pedir repatriamento para a sua terra natal, pensando consigo mesmo:

"Lá (na índia ) ao menos eles não poderão me expulsar, afinal eu nasci naquele país. Quem sabe eu possa sentar-me sob uma árvore banyan e mendigar meu sustento para as pessoas que passam".
Quem recusar sumariamente sua mensagem e passar adiante, conservando intacto seu edifício mental, perderá a grande oportunidade de ver transformar-se em cinzas suas convicções, que não são suas, posto que não as descobriu nem criou, apenas aceitou por medo ou conveniência.
Desabando esse edifício, o Ser, até então limitado ao pequeno ego mental, terá oportunidade de se liberar de toda sorte de entulho e poderá então, por assim dizer, se reconciliar com o Mistério de onde veio. Normalmente, porém, nós não apenas consideramos que essas convições não são obstáculo ao famoso "religare" com o princípio Divino, mas, muito ao contrário, consideramos que as mesmas são exatamente o caminho para esse objetivo...
Isso mostra o quanto somos escravos de nossos conteúdos mentais; isso é inegável, embora raramente o percebamos. O pensamento e a palavra são a base de toda crença; mas a palavra, seja ela qual for, é sempre SOBRE, acerca de, a respeito de alguma coisa.
Tudo o que temos são idéias, pensamentos, palavras que representam alguma coisa, e tudo vai aos poucos formando a nossa interpretação sobre uma certa Realidade que permanece intocada. Nossa visão sobre o mundo espiritual fica limitada pelas crenças que temos, e, como disse U.G., a palavra torna-se a máscara da Realidade subjacente a todos nós.
Nossa existência é complexa, e o ser humano, ignorante acerca dessa Realidade além do mental, além das projeções humanas, e sem perceber absolutamente que ele "não sabe e não sabe que não sabe", e que, além disso, não se pode traduzir essa Realidade em crenças, palavras e conceitos, se entope de lendas, mitos, ilusões e fantasias para ajudá-lo na incerteza e na falta de sentido de seus caminhos.
Dessa ignorância decorre que somos apenas as idéias e sentimentos que temos, idéias essas que nos são passadas pelo convívio social e pela experiência. Nossa mente é formada por seus conteúdos, os quais estão continuamente se manifestando e chocando-se uns com os outros, em conflito, alternando-se no "poder", etc.

É bem conhecida a metáfora budista que compara a mente a uma casa sem amo: cada vez que um dado conteúdo, na forma de pensamento, torna-se preponderante, faz o papel de amo da casa toda, e determina o rumo de nossa ação, o que causa inúmeras consequências, podendo ser inclusive motivo de dores e arrependimentos mais tarde. Pode-se dizer então que, como entidade independente, "a mente é um mito", como diz U.G.: há apenas conteúdos repletos de energia emocional que querem se repetir, propagar, se manifestar indefinidamente.
Ao perceber o constante ruído de emoções e pensamentos autônomos, compulsivos e conflitantes, surge naturalmente no ego o desejo de ficar livre de tudo isso, visando o sossego mental, a paz, a felicidade. Surgem então variadas técnicas de concentração, meditação, contemplação, rezas, terços, repetições de mantras, etc., as quais se transformam em práticas visando a um objetivo: o silêncio da mente, mediante o qual se pretende fazer a limpeza do elo de conexão com o Universo, a Verdade, o Divino.
Não percebemos, porém, que qualquer atividade onde há um "sujeito" (o ego) visando a um objetivo distante (o Divino, a Paz, a Felicidade, etc), exigirá o dispêndio de esforço ao longo do tempo, para obter méritos e aperfeiçoamento - e isso reforça o próprio ego que se deseja silenciar ou transcender.
Ou seja, enquanto houver "alguém" que quer atingir "algo", será recriada a relação dual que está na raiz da separação entre o homem e Deus.
Que fazer? ficamos então numa situação delicada: de um lado, a mente (muitas vezes comparada a um macaquinho pulando de galho em galho) nos leva a preocupações, ansiedade e todo tipo de tormentos; de outro, vemos que esse mesmo macaquinho quer encontrar uma solução para o barulho e a tagarelice, forçando-se ao silêncio, o que gera esforço mental inútil e até perigoso (aqui é bom que se saiba que o desgaste energético que o ego faz para se manter quieto, meditativo, contemplativo, etc., pode provocar danos neurológicos).
Acontece que o silêncio da mente não pode advir de uma ação intencional do ego, que é a raiz da tagarelice; ao tentar se anular, ele estará apenas de perpetuando. Mas pode advir da compreensão de que a idéia de ego também é uma construção mental, desprovida de realidade. Nesse caso, todo esforço torna-se inteiramente desnecessário; não se trata de religar o ego a Deus, mas simplesmente de perceber que não há nada separado da Totalidade, a não ser a idéia da separação - e, portanto, o movimento de busca de uma Realidade transcendente acaba sendo a perpetuação do buscador.
Por isso U.G., como um mestre radical que é, acentua que a busca é o último obstáculo do buscador, e deve cessar. Ele se refere ao "estado natural", como um lago tranquilo sem ondulações, que é a própria Felicidade - porém qualquer movimento, mesmo no sentido de encontrar essa bem aventurança, já insere a dualidade, a perturbação e a ansiedade.
O "estado natural" de que ele fala é sem dúvida um estado de silêncio, de vazio interior, sendo impossível de se conseguir intencionalmente pela prática de técnicas meditativas, terapias, rituais, contemplação, etc, visto que esses processos estão sempre recriando a relação sujeito-objeto, a qual supõe sempre o tempo, o esforço e o vir a ser.
Por isso U.G. diz que "o estado natural é acausal - está além do fazer, da causa e efeito".
Assim, se o ego, reconhecendo seu estado de tormento interior, percebe de maneira profunda, completa e total que nada pode fazer para atingir a união tão almejada com o Divino, então ele pode cessar todo o esforço e repousar exatamente nessa bem-aventurança.
Porém, a maior parte da humanidade prefere ter o conforto de uma crença "oficial", de uma religião organizada em cima do ensino dos grandes Mestres da humanidade. é verdade que, geralmente, não se trata de experiência própria; achamos que sabemos algo porque "acreditamos" em conteúdos, crenças e lições que ouvimos de terceiros, sendo essas crenças e práticas o suposto caminho para se livrar de nossas dores, temores e mazelas.
Pessoas assim, necessariamente, recuarão imediatamente ao tomar algum contato com U.G., tachando-o de hermético, radical, seco, autoritário, etc, o que é sem dúvida uma interpretação compatível com seus valores e crenças, porém inteiramente desprovida de liberdade: concordamos com quem concorda conosco, e discordamos de quem de nós discorda; porém, jamais vamos a um estado de consciência além do concordar e discordar.
Aqueles que, porventura, estiverem num processo que se pode chamar de "o despertar da compreensão", terão uma visão muito diferente. Não tendo conteúdos ou pontos de vista radicais a defender, poderão descobrir em U.G. uma extrema beleza e compaixão, que inclusive se recusa a se declarar como tal, preferindo que essa percepção surja naturalmente, espontaneamente.

Não será esse o extremo do amor, que, como o perfume de uma flor, não pede para ser apreciado, mas está disponível para todos?
Para terminar, mais um pensamento de U.G. Krishnamurti, que, de certa forma, resume todo o seu ensino:

"A assim chamada realização de si mesmo é a descoberta, para si mesmo e por você mesmo, de que não existe você mesmo para ser descoberto".
E.F.L. Costa  (Dhyan 1) e  JC Cavalcanti
Site do qual foi extraído o texto:

domingo, 1 de julho de 2012

QUEM FOI OSHO? SEGUNDA PARTE - Who was Osho? Second Part

Quem foi Osho? Segunda Parte. Who was Osho? Second Part- http://alsibar.blogstpot.com
     

( Segunda parte do texto do Christopher Calder - ex- discípulo do Osho- sobre o fenômeno da Iluminação em que comenta também sobre alguns episódios da vida e da  complexa personalidade do polêmico guru indiano)
    Iluminação não é algo que você possui; é algo que você canaliza
Você pode usar qualquer termo para definir o fenômeno da iluminação mas, em termos científicos, é correto dizer que nenhum ser humano tem poder em si mesmo. Até mesmo a energia química do nosso metabolismo é emprestado do sol, que irradia luz para a terra, que então é convertida pelas plantas, através da fotossíntese, no alimento que comemos. Você até  compra seu pão no supermercado, mas a energia calórica que ele contém originou-se de reações termonucleares no centro profundo de uma estrela próxima. Nossos corpos físicos operam com poder estelar. Qualquer energia “espiritual” que nós canalizamos também vem de muito longe, de todos os cantos do Universo, da absoluta TES ( Tempo-Energia- Espaço),  além dos oceanos e galáxias, e do infinito. Nenhum ser humano possui o Átman e ninguém pode falar pela TES.
O Vazio não tem ambições ou personalidade de qualquer espécie, assim Rajneesh pôde falar apenas por sua própria mente animal. A mente animal pode querer discípulos para “ controlar o mundo todo”, mas o vazio não se importa- pois ele está além de qualquer motivação. O fenômeno que chamamos Rajneesh, Bhagwan e Osho, foi apenas uma lente temporária da energia cósmica, não a totalidade  cósmica propriamente dita.
Rajneesh e o famoso místico Greco-armênio George Gurdjieff, com frequência usavam o poder do átman para angariar óbvios ganhos pessoais. Ambos usavam sua consciência cósmica para dominar e seduzir mulheres. Gurdjieff tinha vergonha deste comportamento e prometeu muitas vezes, ao longo de sua vida, parar com esta prática, que era uma combinação de desejo masculino comum, potencializado pela poderosa vantagem do poder oceânico supra-mental. Rajneesh foi muito além e usou o poder, canalizado da energia cósmica, para manipular as massas, ganhar um tipo de status quase-político e engrandecer a si mesmo - muito mais do que era honesto ou útil para seus discípulos. No Oregon, Rajneesh declarou para a mídia: “ Minha religião é a única religião”. Diplomacia e modéstia não eram seus pontos fortes.
George Gurdjieff
Até onde eu saiba, George Gurdjieff nunca chegou aos extremos da auto-indulgência de Rajneesh, e ele até avisava aos seus discípulos para não ter fé cega nele. Gurdjieff queria que seus discípulos fossem livres e independentes, combinando as habilidades de raciocínio mental claro e consciência cósmica. Rajneesh, ao contrário, parecia acreditar que apenas seus pensamentos e ideias tinham valor, uma vez que, apenas ele era “iluminado”. Isso foi um grande erro de julgamento e revelou uma falha essencial em seu caráter. Infelizmente, quando Rajneesh alcançou a habilidade de canalizar completamente o poder do Àtman, ele falhou em aplicar a sabedoria necessária para o auto-domínio. Assim, sua mente humana se rebelou tanto contra o ascetismo asiático que ele falhou em assegurar que seu poder- emprestado- fosse usado apenas para o bem dos outros. Rajneesh era guiado por fortes ambições pessoais, não apenas pela compaixão.
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 “ O poder é o maior dos afrodisíacos”- Henry Kissinger
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Rajneesh deixou a Índia em 1981, em parte para escapar do pagamento de quatro milhões de dólares em imposto de renda que devia ao governo indiano. Assim que ele desembarcou do jato 747 e deu seu primeiro passo nos Estados Unidos, Rajneesh declarou “ Eu sou o Messias que a América estava esperando”. [ Milne, Bhagwan: The God That Failed]. Após uma breve estadia na recém adquirida casa em estilo medieval em Montclair, Nova Jersey, Rajneesh comprou  o rancho Big Muddy com 64.000 acres perto da pequena cidade de Antelope, no leste do Oregon, por seis milhões de dólares.
Rajneesh criou sua comuna no deserto do Oregon de sua própria mente poderosa e nomeou-a “Rajneeshpuram”. Ele estabeleceu-se como seu maior ditador, suas fotos estavam em todos os lugares como um pesadelo Orwelliano. J. Krishnamurti chamou Rajneesh de criminoso e o Rajneeshpuram “ um campo de concentração sob a ditadura de um iluminado”. Poonjaji, o mais famoso discípulo de Ramana, referiu-se a Rajneesh como “ um porco” por exaltar a si mesmo, diante dos olhos dos seus discípulos, em proporções desonestas. A  posição de Poonjaji era que até os iluminados permanecem seres humanos, sem ser santos ou superheróis. E que todos nós compartilhamos a mesma identidade cósmica não importando nossa posição ou classe social.
U. G. Krishnamurti
    U. G. Krishnamurti, um famoso rebelde anti-guru, foi mais crítico ainda com Rajneesh ( ver foto de U.G). Durante meados dos anos 70, Rajneesh deixou de enfatizar seus próprios métodos de meditação e começou a vender terapias de grupo ao estilo ocidental como forma de ganhar dinheiro. Era difícil fazer dinheiro com as técnicas autênticas de meditação pois todas elas eram fáceis de aprender e poderiam ser feitas sozinho, sem a ajuda de um professor. Um dos grupos que Rajneesh vendeu aos estudantes foi o “Tantra” , que  consistia basicamente em discípulos femininos e masculinos fazendo sexo uns com os outros. U. G. Krishnamurti chamou Rajneesh publicamente de “ o maior cafetão do mundo” porque “ Ele ganhava dinheiro usando garotos e garotas e ficava com ele para si mesmo”. Em 1971 Rajneesh me disse diretamente, em uma reunião face a face, que U.G. Krishnamurti era “realizado”. Depois das várias críticas públicas de U.G., Rajneesh contra-atacou chamando U.G. de um “guru impostor”.
Guerra de gurus à parte, a atmosfera totalitária do Rajneeshpuram foi a principal razão de eu não ter  me estabelecido na comuna –não mais que duas breves visitas. Eu estava interessado em meditação, não em um grande campo prisional onde os seres humanos eram tratados como insetos, sem inteligência própria. Rajneesh enfatizou tanto que seus discípulos obedecessem as ordens sem questioná-las que eles fizeram exatamente isso quando Ma Anand Sheela, a secretária pessoal de Rajneesh, deu ordens absurdas para que cometessem crimes que o próprio Rajneesh ( creio) nunca as teria aprovado.
Quando você destrói a inteligência dos seres humanos, você cria uma situação que é altamente perigosa e destrutiva para o espírito humano. Você não pode salvar as pessoas de seus egos, exigindo deles “ entrega total”. A atitude antidemocrática de forçar uma obediência cega não funcionou bem para Hitler, Stalin ou para Bhagwan Shree Rajneesh. A Alemanha, Rússia e a comuna do Rajneesh em Óregon foram totalmente destruídas pelo governo imperial totalitário. A diversidade de opiniões é sempre saudável porque ela serve para contrabalancear a arrogância míope daqueles que querem ser reis. Rajneesh nunca entendeu essa verdade histórica e refería-se a democracia com desprezo chamando-a de “bobocracia”. Rajneesh era um aristocrata imperialista, não um generoso e liberal democrata, e ele transformou seu desprezo pelo processo democrático em uma ação  bastante explícita  no Óregon.    
Numa tentativa de subverter as eleições locais no Condado de Wasco, Rajneesh trouxe no ônibus que levava os discípulos quase 2000 moradores de rua das maiores cidades americanas, um esforço desonesto para manipular o processo de votação à seu favor. Alguns dos novos eleitores eram doentes mentais, deram-lhes cerveja misturada com drogas para mantê-los manipuláveis. Alegações confiáveis foram feitas de que um ou outro morador de rua morrera devido a uma overdose da mistura de droga e cerveja e que seus corpos foram enterrados no deserto. Até onde eu saiba,  esta acusação, não teve uma prova conclusiva. O esquema de fraude da eleição montado por Rajneesh falhou, e os pobres e deficientes mentais foram devolvidos para as ruas após o término das eleições- foram usados e depois abandonados.    
Rajneesh usava as pessoas, falava pelos cotovelos  e traiu a confiança de seus próprios discípulos. Esta traição levou Vivek,  sua namorada e amiga de longo tempo, a cometer suicídio por overdose de comprimidos para dormir. Rajneesh chegou a mentir sobre sua morte, caluniando seu grande amor em sua tumba, quando falsamente afirmou que ela estava cronicamente deprimida devido a alguma instabilidade emocional intrínseca. Vivek nunca foi deprimida.  Eu a conhecia durante muitos anos.  Ela foi a mulher mais radiante que eu já vi na vida .
Vivek era uma entusiástica estudante de meditação, mas seu único método de meditação foi estar com Rajneesh e absorver sua tremenda energia. Quando seu único verdadeiro amor sucumbiu à insanidade,  o próprio viver  tornou-se dolorosamente insuportável. Rajneesh levou-a ao suicídio porque ela não conseguia entender, nem tolerar seu colápso e declínio mental. Rajneesh mentiu sobre sua morte para evitar assumir a responsabilidade por seu próprio comportamento bizarro - a verdadeira causa do desespero de Vivek.
O jovem Acharya Rajneesh começou sua vida como um professor que condenava falso gurus, e terminou sua vida como um dos maiores charlatães que o mundo já conheceu. É difícil compreender o fato de que ele era um iluminado quando ainda era um anti-guru puritano, e que  continuou iluminado mesmo quando se tornou  o supremo guru da corrupção e auto-indulgência . Rajneesh destruiu seu próprio ensinamento porque ele descartou a Verdade em favor do que ele chamava de “ mentiras úteis”. Uma vez que você envereda pelo caminho errado, fora da verdade pura e simples, você perdeu seu caminho. Nenhum ser humano pode negligenciar os fatos com tanta regularidade sem se lançar em um mar de confusão. Porque quando você ignora os fatos, você despreza o próprio chão no qual você pisa. Pequenas mentiras tornam-se grandes mentiras, e a verdade  que você esconde agora , torna-se seu inimigo, não seu aliado e amigo.
     Rajneesh superestimou a si mesmo e subestimou seus próprios discípulos. Os buscadores sinceros ao redor dele poderiam ter facilmente recebido a verdade  e já estavam motivados sem a necessidade de propaganda. Rajneesh tornou-se um guru famoso por tanto tempo que ele passou a ver a si mesmo de forma grandiosa. Ele foi, realmente, uma figura histórica, mas ele não era o ser humano perfeito que fingia ser. Ninguém é! Seus discípulos mereciam honestidade, mas ele os alimentou com contos de fadas “ para fortalecer-lhes a fé”.
Jiddu Krishnamurti
Jiddu Krishnamurti foi mais honesto do que Rajneesh. Pois repetia incessantemente que devido à natureza intrínseca do universo, “ não existe autoridade”. Ardorosos discípulos de Rajneesh não prestaram atenção aos avisos de Krishnamurti e depositaram uma fé cega em um homem que afirmava ser o sabe-tudo, ter todas as respostas e que irrefletidamente afirmou em 1975  nunca ter cometido um único erro em toda sua vida. É claro que Rajneesh cometeu tantos erros como qualquer outro ser humano. Mas, fica óbvio que sua iluminação existencial básica não era garantia de uma sabedoria funcional e pragmática .
Rajneesh foi um filósofo brilhante, mas ele  tornava-se um bebê perdido na floresta quando penetrava no mundo da ciência. Preocupado com a superpopulação mundial, Rajneesh pressionava seus discípulos para se submeterem ao procedimento de esterilização  reprodutiva. Infelizmente, ele pouco sabia sobre o crescimento demográfico da população. A atual expansão populacional é, em grande parte, um fenômeno da população pobre das nações do Terceiro Mundo. Não sendo, originalmente, um problema dos Estados Unidos, Canadá e Europa, onde as taxas de natalidade estão, na verdade, decaindo. A América do Norte e Europa estão experimentando um crescimento populacional apenas devido à imigração legal e ilegal proveniente das nações do Terceiro Mundo. Fazer seus discípulos ocidentais cortarem cirurgicamente suas capacidades reprodutivas apenas aumenta o desequilíbrio. Muitos antigos discípulos agora se arrependem de terem atendido suas inconsequentes ordens  sem questionamentos.

Desencorajar os seguidores a compor famílias é um artifício comum dos gurus para prevenir que seus discípulos gastem dinheiro com filhos ao invés de disponibilizarem seu dinheiro em prol do próprio guru. Discípulos sem filhos são mais subservientes e trabalham melhor. Além disso, a esterilização sexual se encaixa nos planos de negócio de Rajneesh e seu desejo de criar um exército de seguidores que sentiam que “ apenas a relação com o guru era o que importava”. Rajneesh era filho de um ambicioso negociante Jainista e ele era muito mais parecido com seu pai do que imaginava. A iluminação de Rajneesh era revestida por uma mente sintonizada com  os negócios e o  ganhar dinheiro.
Em 1980, Rajneesh declarou que a epidemia da Aids iria matar rapidamente três quartos da população mundial e que a maior guerra nuclear estava muito próxima. Ele achava que poderia escapar do holocausto nuclear construindo abrigos subterrâneos; e reduzir a velocidade da expansão da Aids fazendo seus discípulos lavar as mãos com alcool antes das refeições. Suas orientações mais sensatas foram para que seus seguidores usassem sempre preservativos. Para reforçar suas regras sexuais, que também envolvia elaboradas instruções sobre o uso de luvas de borracha durante as relações sexuais, Rajneesh encorajava seus discípulos a espionarem uns aos outros, e que reportassem os nomes daqueles que não estavam obedecendo suas ordens.
    O desastre de Rajneesh de apontar a si mesmo como sendo o único grande cérebro do universo foi agravado pela  falta de aptidão de raciocinar de acordo com o mundo real. E isto era visível mesmo antes dele  ter começado a inalar óxido nitroso e tomar altas doses de Válium ( Diazepan) . Rajneesh não entendia de método científico. Se ele achava que algo era verdadeiro, em sua própria mente tornava-se verdadeiro. Rajneesh podia criar magníficos sonhos filosóficos e viciou seus discípulos em imaginários mundos de aventuras espirituais, mas estes sonhos não conseguiriam sustentar-se se submetidos a qualquer teste da realidade empírica. No mundo da ciência, você tem que provar o que você diz através de testes. No mundo da filosofia e religião, você pode falar o que quiser e jogar a prudência no lixo. Se suas palavras soam boas para as massas, elas irão vendê-las quer  sejam fatos ou ficção.
Rajneesh governava seu império deserto como um senhor da Guerra com seu próprio exército privado e governo fantoche. Suas visões e ideias, falíveis ou não, eram aceitas sem questionamentos como sendo a palavra de Deus. Seus discípulos eram julgados pela capacidade de se render à sua vontade, e qualquer visão contrária eram tachadas como  falta de fé e espiritualidade. Como as condições no rancho  tornaram-se progressivamente desagradáveis, um número de discípulos  começou a fugir escondidos na carroceria de caminhões. Sua busca por liberdade aborreceu Rajneesh, que ordenou que os “desiludidos” deveriam pedir sua permissão para partirem. Rajneesh, então, ameaçou dramaticamente suicidar-se,  caso outros escapassem por meios furtivos.    
O raciocínio deficitário de Rajneesh tornou-se mais visível ainda durante e depois do escândalo da comunidade do Óregon. Depois de ter sido preso e deportado dos Estados Unidos, Rajneesh furiosamente declarou ser a América um “ país desgraçado” e chamou os Americanos de “subhumanos”, ignorando o fato de que foi ele, um indiano, quem assumiu a culpa por crime de imigração fraudulenta e que foi Sheela, uma indiana, quem ordenou os mais sérios crimes que levaram seu império à ruína. Mesmo aos cinquenta anos, Rajneesh ainda mentia à sua maneira e ainda exigia ser o centro da atenção. Em 1988,  já doente e sofrendo de demência induzida pela drogas, Rajneesh afirmou publicamente que sua caixa de brinquedos, sua coleção de carros caríssimos e seus relógios incrustrados de jóias, tinham sido levados dele. 
Os discípulos de Rajneesh achavam que eles estavam seguindo um legítimo “ mestre iluminado”. Na realidade, eles tinham sido enganados por um animal humano altamente falível que ainda era um adolescente em seu coração. Rajneesh havia prejudicado não apenas a si mesmo pessoalmente, mas ele deturpou o próprio fenômeno da iluminação. A fantasia idealizada do iluminado perfeito não existe em nenhum lugar do mundo real, e nunca existiu. O universo é tão grandioso e complexo que ninguém pode ser seu “mestre”. Nós todos somos sujeitos, não mestres, e aqueles que fingem ser infalíveis e “sabe-tudo” acabam parecendo mais tolos, pois a história inevitavelmente prova que eles estavam errados.
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“ A Natureza não usa nada como modelo. Ela está preocupada apenas em aperfeiçoar as espécies. Ela está tentando criar espécies perfeita, não seres perfeitos”- U. G. Krishnamurti.
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Os sábios famosos da antiguidade parecem perfeitos para nós porque eles tornaram-se maiores do que mitos vivos. O longo tempo que  passou permitiu que seus seguidores cobrissem os defeitos dos seus gurus. Exatamente como fazem os discípulos de Rajneesh que estão censurando a história para encobertar  os grandes defeitos do seu mestre. Rajneesh nunca foi mais infalível do que qualquer outro ser humano. Infelizmente, a consciência cósmica não produz automaticamente maior inteligência, sabedoria e honestidade .
Rajneesh morreu viciado em Válium ( Diazepan) e experimentou todos os sintomas negativos do vício das drogas, que incluem fala arrastada, paranóia, pobre capacidade de julgar, e uma dramática baixa inteligência. Em determinado ponto, sua paranóia e confusão eram tão grandes que ele achou que um grupo de alemães cultistas tinham jogado um encanto maligno nele. Sua deficiências físicas e o abuso de drogas eram simplesmente mais fortes do que um cérebro mortal poderia suportar. Sua grande falha, seu desprezo pelo conceito comum de verdade , foi sua principal derrota, e por este crime ele deve ser considerado totalmente responsável.
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“ Nunca dê uma boa oportunidade a um trouxa”- W. C. Fields
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( Traduzido por Alsibar -  http://alsibar.blogspot.com  )
   Leia a primeira parte em:

domingo, 24 de junho de 2012

ILUMINAÇÃO OU LOUCURA?


Iluminação ou Loucura? http://alsibar.blogspot.com


Qual a diferença entre  iluminação e  loucura? Como o buscador pode diferenciar uma coisa  da outra? Por que a Iluminação é tão parecida com a Loucura? O que a História tem a nos ensinar sobre isso? Como podemos nos proteger dos perigos de uma mente insana?  Vamos refletir ?

A História é, sem sombra de dúvidas, uma grande professora. Ela nos ensina  verdades  incontestáveis. Fatos contra os quais, “não há argumentos”. E ela nos ensina que, no passado, já  existiram líderes espirituais absolutamente insanos.  Esses líderes carismáticos  seguem um roteiro muito parecido.  Em geral começam sua carreira de forma simples e humilde. À medida que vão tomando conta do poder e o poder vai tomando conta deles, seu  modus operandi   vai mudando.  O que começou de uma forma simples e humilde aos poucos sofre profundas transformações. Como uma criança que vai crescendo até tornar-se adulto, assim também são os movimentos religiosos. Com o tempo a organização se torna tão poderosa que o próprio fundador  perde o controle sobre a mesma. Torna-se uma espécie de refém. À esta altura ninguém mais reconhece a organização original, nem o seu criador. Para atender às demandas peculiares a qualquer organização, o líder , muitas vezes, tem que trair seus próprios princípios e ensinamentos. Talvez, por isso, que os grandes mestres espirituais como Lahíri Mahasaya e Krishnamurti foram tão aversos às organizações. Sabiam dos riscos e, como dizia Osho no começo de sua carreira de guru: “ organizar a verdade é matá-la”. Ele mesmo tornou-se um dos maiores exemplos dessa verdade.

Sathya Sai Baba simulando uma "materialização"
 Os líderes espirituais  fundam organizações , comunidades e movimentos que duram um certo tempo.  Às vezes longo, às vezes rápido como um meteoro. Muitos desses casos,  terminam em tragédia. Noutros, o fôlego de vida é maior. Em alguns casos, o protagonista vive uma tragédia interna. Que é mantido em oculto pelos assessores e discípulos mais próximos, de forma a esconder a fragilidade daqueles que veneraram como a um deus.  Como exemplos de tragédia interna podemos citar Sathya Say Baba e Rajneesh. O primeiro, apesar de ser adorado como um avatar,  foi publicamente denunciado como prestigitador, pedófilo e responsável indireto por alguns assassinatos ocorrido em seu ashram. O segundo, foi preso nos Estados Unidos e deportado sob alegação de vários crimes, alguns comprovados e outros não. Todavia, sua maior tragédia foi seu suposto vício em óxido nitroso e Diazepan. O que escondia uma personalidade megalomaníaca e desajustada, culminando com seu “suicídio”. Se foi volutário ou involuntário- nunca saberemos.

  Há, entretanto, tragédias famosas cujo comportamento de seus protagonistas não deixam dúvidas quanto ao seu caráter insano. Esses tornaram-se exemplos clássicos do estrago que um líder espiritual carismático pode fazer na vida das pessoas. Alguns desses casos fazem parte dos anais da História. E para que ninguém esqueça, vamos relembrar algumas das mais famosas tragédias ocorridas no universo da espiritualidade contemporânea.

Jim Jones
 Jim Jones (1931-1978) foi um dos casos mais marcantes e chocantes. Nascido em Indiana, Estados Unidos parecia, no começo, uma pessoa boa e humilde. Homem de grande carisma e influência, seu movimento se expandiu rapidamente, chegando a ter mais de 20 mil membros.  Fundou vários templos e criou uma comunidade agrícola chamada  “ Templo dos Povos”. Não tardou a aparecer várias acusações contra a seita, dentre elas: ameaças físicas e morais aos seus membros , tortura psicológica, exigência de entrega das propriedades ao movimento e de 25% da renda de cada membro à organização, isolamento de crianças em relação a seus pais, interferência de Jones na vida sexual e no casamento de seus membros etc.

 A tragédia teve  início quando a organização foi  acusada do sequestro de um dos filhos de um ex-membro do movimento chamado John Victor. O pai de John, Timothy Stoen,  apelou para o congressista Leo Ryan  e este, devido a grande repercussão do caso, foi até o local para investigar estas e outras acusações que pesavam contra o movimento. Após o primeiro dia de uma gentil e calorosa recepção, Ryan e sua comitiva de repórteres- além de um ex-membro- foram brutalmente assassinados pela Brigada Vermelha-  a guarda pessoal de Jim Jones. Após esse episódio, Jim pois em prática seu plano de suicídio coletivo. Uma tragédia em que morreram 918 pessoas, incluindo 270 crianças. Todas tomaram ou injetaram veneno no corpo. Jim Jones também morrera . Seu cadáver fora encontrado  com um único tiro na cabeça.

David Koresh
David  Koresh (1959-1993) foi outro líder estadudinense  messiânico do Ramo Davidiano- “um grupo religioso originado de um cisma na década de 1950,  da Igreja Adventista do Sétimo Dia na década de 1930”.  Sua trajetória não foi muito diferente da do seu compatriota Jim Jones. David  primeiro se autoproclamou “Profeta”, depois proclamou-se a si mesmo “ O Cristo” anunciado pelo apocalípse.  Não custou a envolver-se em diversos escândalos de pedofilia, abuso infantil, estupro, poligamia, dentre outros.  A  justiça americana foi acionada,  fechando o cerco contra a seita. A comunidade se viu, rapidamente, cercada de policiais em meio a tiroteios. No desfecho final, David Koresh e mais 76 membros morreram incendiados ou alvejados por armas de fogo. Há várias controvérsias sobre os autores do incêndio e dos disparos, se dos próprios membros ou dos agentes do FBI.  

Marshal Applewhite
Há ainda , outro caso mais recente: a do americano  Marshal Applewhite e a seita Heaven’s Gate ( Portão do Céu).  Eles acreditavam que o planeta estava passando por uma espécie de  “reciclagem” (limpeza espiritual) e que para sobreviverem teriam que abandonar a terra .  Para isso,  teriam que pegar uma “carona na calda do cometa”  Hale Bopp quando este estivesse em seu brilho máximo. Eles acreditavam que o suicídio era o caminho para que pudessem alcançar a “Próxima Dimensão ou Próximo Passo”. A seita deixou um triste  saldo de 39 mortos por suicídio.

Há um elemento curioso na história dos líderes espirituais: quase todos se consideram uma espécie de novo messias ou salvador. Osho, ao desembarcar na América pela primeira vez, disse solenemente “ eu sou o messias que a América esperava”. Sathya Sai Baba era adorado como um Avatar- a encarnação do próprio Deus. Jim Jones, não ficou por baixo. Ele  considerava-se a si mesmo a encarnação de vários iluminados do passado, dentre eles, Jesus, Buda e Gandhi. No Brasil temos o Inri Cristo- que se autoproclama encarnação de Cristo. O sentimento messiânico  é um elemento comum a quase todos os líderes espirituais carismáticos. Esse sentimento está na base de toda a trágédia pois, ao se considerarem deuses, colocam-se acima do bem e do mal.  Alguém assim, fará tudo para realizar  seus desejos de poder e domínio e não aceitará -em absoluto- ser contrariado. Mesmo que tenha que enganar, matar ou morrer .

Exemplos de líderes religiosos messiânicos são incontáveis. Mas por que será que a grande maioria dos líderes religiosos carismáticos  se autoproclamam a reencarnação de Deus, Buda, ou de algum outro líder espiritual do passado? Talvez uma das explicações seja a proximidade aparente entre a Loucura e a Iluminação.

Qual a linha que divide a loucura da iluminação? A grande maioria dos iluminados foram considerados loucos . Alguns sofreram perseguição  e pagaram com a morte. Outros, foram celebrados em sua “loucura divina” como, por exemplo, o sábio Ramakrishna, conhecido como o “Louco de Deus”.  O iluminado , em alguns momentos, parece perder o contato com a realidade imediata, ligando-se a uma realidade mais ampla e vasta.   O louco vive à margem da sociedade, isolado em seu mundo interno, particular e próprio. Alguns iluminados também viveram fechados para o mundo externo, totalmente absortos em seu interior, de tal forma que perderam a noção do eu e do meu- como no caso de Ramana Maharish .   Como se vê, loucura e iluminação tem elementos muito parecidos,  mas qual seria a principal  diferença entre um louco e um Iluminado?

Há dois pontos fundamentais que caracterizam um iluminado: a tranquilidade interior e a ausência do EGO ( sentimento de separativadade). Segundo o Bhagavad-Gita,  o iluminado é aquele que alcançou a “equanimidade mental plena”. Ou seja, enquanto um psicótico comum é arrastado pelas ondas  oscilantes da mente instável, o Iluminado vive num estado de total relaxamento  e estabilidade mental . Poderíamos dizer que o que diferencia um sábio , de um  neurótico e de psicótico é o nível de stress . Enquanto no primeiro a ansiedade e inquietação estão em níveis negativos, no segundo estão em níveis  razoáveis e socialmente aceitáveis ; já no último, os níveis são altíssimos chegando a causar delírios e alucinações. Assim, não seria exagero afirmarmos que quanto maior o nível de ansiedade e stress, maior a  loucura. Quanto mais  profunda a tranquilidade  interior –mais sábios e espiritualmente maduro seremos. A principal marca do iluminado é a quietude, a dos psicóticos e neuróticos é a inquietude .  Uma das causas da ansiedade é um EGO forte e poderoso. O Iluminado  não mata o ego, mas "doma-o", usa-o como um instrumento. Os megalomaníacos são totalmente dominados pelo EGO. Por isso seu impulso descontrolado pelo poder, domínio e fama. Talvez isso explique por que eles nunca se consideram reencarnações de alguém humilde e desconhecido- mas sempre de pessoas famosas e conhecidas.

Todavia, nem todos os líderes espirituais  declaram publicamente que são a encarnação de algum profeta ou entidade superior. Mas, suas atitudes e obsessão pelo poder denunciam em atos o que eles nunca assumem em palavras. Esta é outra diferença básica entre iluminação e loucura: enquanto um iluminado não quer nada pra si, pois vive interiormente feliz e satisfeito,  o psicótico está sempre insatisfeito. Suas ações visam sempre a expansão. Por isso o forte proselitismo e as propagandas desses movimentos. Enquanto o iluminado, em geral, é recluso e arredio aos holofotes, o psicótico busca exatamente os holofotes pois é através disso que ele aumenta  seu poder e expande seus "negócios".

Assim, embora haja algumas semelhanças, a distância que separa um psicótico de um Iluminado é de “Anos Luzes”. O Iluminado é um ser com total consciência do seu mundo interno e externo. O psicótico, ao contrário, tem pouca ou nenhuma consciência de si e do outro. Muitas vezes, são extremamente egocêntricos e aversos às críticas. Enquanto o iluminado entra em sintonia com a Luz da Consciência que liberta de toda escravidão e ilusão, o psicótico vive em um mundo de ilusões que ele faz questão de proteger. Não adianta tentar demovê-lo de suas crenças e convicções, muitas vezes, absurdas e irreais. O iluminado percebe todos os níveis de realidade como parte do Absoluto. O psicótico só enxerga sua própria realidade e nada mais. E por isso os exageros, os radicalismos e os abusos que culminam, em geral, em tragédia ou fracasso.

Obviamente, que este não é um artigo científico sobre loucura e iluminação. São apenas reflexões que podem ajudar a lançar luzes sobre esta complexa questão. É sabido, no entanto,  que há vários níveis, graus e tipos de psicose . E nossas  ciência ainda engatinha nessa área . O problema  não está em ser "louco" pois, como diz o ditado, quem não tem um pouquinho disso? O problema surge quando um louco destrói vidas e deixa rastros de destruição e morte com suas idéias malucas e perigosas. Pessoas como Hitler, Jim Jones, David Koresh, e Marshal Applewhite  causaram estragos não apenas a si mesmas mas a todos  que creram em suas palavras e os seguiram. Talvez seja, por isso, que termos como “seguir” e “crer”  tenham se tornado malditos nos meios espiritualistas modernos. Sem o “crer” e o “seguir” a História provavelmente teria sido diferente, sem tantos saldos negativos de mortes e suicídios. O buscador do Novo Milênio deve substituir o "crer" e o "seguir" pelo " ver e experimentar". Talvez, assim, possamos evitar que mais tragédias e mortes envolvendo "iluminados insanos", continuem a acontecer. Infelizmente,  esses homens são bastante inteligentes e carismáticos, o que os torna extremamente complexos, sedutores e perigosos . 

Como vimos, a Loucura e a Iluminação compartilham, certamente, de traços muito parecidos. Cabe ao buscador ficar esperto e perceber a diferença entre os dois. Por isso, nunca entregue sua vida, inteligência e vontade nas mãos de um suposto guru. Ele pode ser apenas um maluco que fala bonito. Nada mais do que isso. Na dúvida, é melhor não arriscar.
O aviso está dado!
Muito Obrigado!
(Alsibar)
Fontes de Pesquisa:
 Wikipedia
Palavras de Fogo- Bhagwan Shree Rajneesh
Bhagavad Gita









sábado, 16 de junho de 2012

APRENDA A DIFERENCIAR UM VERDADEIRO MESTRE ADVAITA ( NÃO-DUALISTA) DE UM FALSO

Ramana, Shankaracarya e Ramakrishna: verdadeiros mestres advaitas ( não-dualistas)
                         
Você sabe o que é a filosofia Advaita ou Não-dualista? Sabe quem foram os grandes mestres dessa corrente filosófica indiana? Será que os atuais e autoproclamados “mestres” advaitas realmente merecem esse título? Quais contradições podemos encontrar em seus discursos e atitudes? Como reconhecer um verdadeiro mestre advaita? Quais referencias temos pra isso? Vamos pensar um pouco?

Antes de tudo,  quero deixar claro que não tenho nada contra a chamada filosofia “advaita” ou não-dualista. Pelo contrário. Acredito que sábios como Shankaracharya, Ramakrishna e Ramana Maharshi não só compreenderam a Verdade ou Dharma Universal, como também a viveram e deram provas disso através de sua própria vida e exemplo. O que critico são os assim chamados “neo-advaitas” ou pseudo-advaitas. São pessoas que se apoderaram do discurso dos verdadeiros advaitas e usam-no para exploração e autopromoção.Ou seja, pegaram apenas a parte que lhes poderia ser útil. Para impressionarem os outros e darem uma de “mestre”. Mas, em verdade, não vivem a Verdade. Pelo contrário, por usarem uma filosofia que é por definição não egoísta, para fins egoístas e pessoais, distorcem e deturpam algo que é originalmente puro, sagrado e santificado.


O Dharma, ou Verdade Universal é como a nascente de um rio,  cuja água brota pura. Mas que, ao longo do seu trajeto, vai se misturando à poluição e sujeira de toda espécie até tornar-se lama. Não podemos dizer que é a mesma água pura. Não se pode beber uma água poluída. Assim também são os ensinamentos dos “neo-advaitas”. Parecem puros, mas só na aparência. Usam de uma retórica aparentemente bela e profunda, mas essencialmente vazia por lhes faltar o espírito dos verdadeiros mestres. Não é difícil pegar-lhes em contradição. Quando falam demonstram um espírito de abnegação e desprendimento. Mas quando agem revelam um espírito ambicioso e enganador.  Não lembrando em nada, a alma daqueles que levantaram a verdadeira bandeira da visão advâitica (não-dualística) da vida.
Não é difícil diferenciar um verdadeiro mestre advaita, de um farsante. Basta olharmos além de suas palavras e discurso- que em geral são muito parecidos- para vermos suas ações e atitudes. Seu estilo de vida. E o que é dito nas entrelinhas. Um verdadeiro mestre advaita, vive sempre feliz e satisfeito com tudo. Ele não quer mudar nada pois tudo já é perfeito. Então não há nele ambição. Sendo assim, em geral, são pessoas extremamente simples, desapegadas de tudo. Até mesmo da ideia de ser algum ser especial, ou mestre predestinado. Observem a vida de um Ramana ou Ramakrishna. Não se vê neles ambição ou desejos de espécie alguma. Eles simplesmente vivem e desfrutam do eterno presente. Em geral, não fazem proselitismo , não vivem viajando para dar palestras ou até mesmo escrevendo livros. Para que se tudo “já é”  como deveria ser?

Todavia, para fins didáticos vamos analisar alguns pontos que nos servirão de base para uma análise e reflexão:
1.Um verdadeiro mestre advaita não anda à caça de discípulos.
Por que estaria? Se Brahma, Deus, a Graça é tudo e cuida de tudo, então os discípulos virão por si mesmo. Ou não. E se não aparecerem, que importa? Afinal, tudo não já é perfeito, uma vez que tudo já é “ o que é”? Então se algum “mestre” demonstra em suas atitudes que está à procura de discípulos, desconfie.
2. Um verdadeiro mestre advaita não cobra por seus serviços
É aí que muitos se traem. Um charlatão não quer outra coisa a não ser dinheiro. Por isso cobram por tudo o que fazem. E estão sempre inventando algo: satsangs, reuniões, retiros etc. Não que não se possa cobrar. Afinal, se gastamos com um evento temos que ter retorno. A questão não é essa. A questão é que um verdadeiro mestre auto-realizado NUNCA COBRARIA. Pois eles estão além do corpo, além de qualquer consciência da necessidade do dinheiro. Sua confiança e fé na Graça Divina são tão grandes que eles simplesmente não se importam com isso. Quero frisar bem aqui, que o ponto crítico não é cobrar, mas sim se dizer mestre iluminado, demonstrando uma atitude contraditória de apego ao dinheiro. Se alguém quiser cobrar por um evento, por algum motivo, não tem problema. Mas sair afirmando que é mestre auto-realizado, revela aí uma grande contradição digna de nossa atenção e desconfiança.
3. Um verdadeiro mestre advaita nunca se considera mestre
Obviamente que na Índia existe esta tradição milenar de mestre e discípulo. Faz parte da cultura e tradição de um povo secular. Mas querer inventar isso no Ocidente soa falso e superficial. É como se quiséssemos importar a tradição da Família Real Britânica para o nosso Brasil. Simplesmente não funciona. Funciona lá porque é parte da cultura. E um verdadeiro mestre saberá manter-se distante disso, interiormente desapegado disso, pois conhece seus perigos. Assim, o verdadeiro mestre advaita, nunca se considera mestre de nada. Pois ele reconhece que só há um único e Verdadeiro Mestre: Brahman- Deus. E se, por algum motivo, Deus lhe colocou na posição de mestre, por vias naturais, ele aceita como parte do Plano Cósmico ou Divino. Mas tudo isso é feito sem nenhum traço de egoísmo ou desejos pessoais. Ao contrário dos “advaitas” ocidentais que se regalam com o título de mestre. Isso soa feio e falso por aqui. Um verdadeiro mestre advaita que nascesse aqui no Ocidente não iria pegar emprestado esse costume indiano. Pois se tudo já é. Deixa que seja do jeito que é. Cada cultura e país com seus costumes e tradições. O curioso nisso tudo, é que os tais "advaitas" só importam o que lhes interessa e convém. Deveriam importar também a tradição do desapego aos bens materiais e a renúncia espiritual.
4. Um verdadeiro mestre advaita não faz propaganda de si mesmo
Por que faria? Deus é tudo. E tudo é dele. Então porque fazer propaganda de si mesmo? Apenas se o sujeito não tiver realizado interiormente essa verdade é que faz sentido fazer a propaganda. Os verdadeiros mestres, em geral, mantem-se afastados do público e da notoriedade, pois seu único objetivo na vida é viver “agora aquilo que ele já é”. Ou seja, sua beatitude e realização interna, não lhe permitem buscar nada para si. Na realidade ele deixou completamente de buscar. E é exatamente aí que vemos que Ramana e Ramakrishna foram verdadeiros mestres autorrealizados. O silêncio, a tranquilidade e a simplicidade eram a tônica de suas vidas então para que propaganda? Para que buscar discípulos? Bastava ser e esperar. Se fosse da vontade divina os discípulos apareceriam. Senão, não apareceriam. De um jeito ou de outro eles estariam satisfeitos.
5. Os verdadeiros mestres advaitas falam pouco ou  vivem em silêncio
Por que falariam muito? Eles não querem mudar nada, nem converter ninguém, porque tudo já é do jeito que deveria ser. Por isso, em geral, vivem em silêncio contemplativo. Apenas observando a dança, o movimento do mundo. Exceto em casos muito excepcionais  é que eles falam. Assim foi com Ramakrishna e Ramana. E é assim que age um verdadeiro mestre advaita. Agora, os falsos advaitas falam muito. Querem demonstrar sabedoria e impressionar os outros. Procuram discípulos e adeptos, por isso falam pelos cotovelos, apesar de viverem afirmando que não há nada a ensinar ou aprender. Então porque falam tanto? Por que são tão verborrágicos? A resposta é simples. Porque não são o que pregam ser. Querem apoio para seu “trabalho” que , em geral, nada mais é do que a glorificação de seu próprio nome e imagem.

6. É impossível contrariar, decepcionar ou incomodar um mestre advaita
Um mestre advaita, por definição, é alguém que compreende dentro de si que Deus é tudo e que tudo já é Deus. Então tudo o que acontece, acontece por sua vontade- ou seja pela vontade Divina. Então como pode alguém assim ser contrariado? Ele não quer nada, não deseja nada de ninguém. Em seu ser há apenas silêncio e paz. Como poderia querer algo além do que já é? Mas os falsos advaitas se sentem incomodados com tudo. Qualquer coisa ou pessoa que impeça, ou atrapalhe  seus objetivos de fama e poder, são rechaçados imediatamente. Os falsos advaitas têm em mente uma obsessão: tornarem-se famosos e conhecidos. Os verdadeiro mestres advaitas, só querem uma coisa: NADA. Pois tudo, absolutamente tudo JÁ É.


7. Os falsos "mestres advaitas" falam sempre em "entrega"total
Por que será? A entrega de que falam os verdadeiros mestres é uma entrega à vida, ao aquiagora, ao "que é". Os pseudo advaitas, em geral, falam de uma entrega duvidosa, confusa pois não assumem publicamente que a "tal" entrega significa entregar sua vida , vontade e dinheiro à eles mesmos. Mas na prática é isso que acontece. Um prato cheio para os charlatães e aproveitadores. A entrega de que falam os verdadeiros mestres nada tem a ver com dar dinheiro ou seguir cegamente as ordens do mestre. O verdadeiro mestre só quer uma coisa: sua libertação e felicidade. Ele nunca vai exigir de você uma obediência cega, total e irrestrita. 


8. Os verdadeiros mestres não desprezam sua capacidade reflexiva
A capacidade reflexiva continua sendo útil mesmo após a libertação. Ela será usada na hora certa, quando necessário. Como alguém pode produzir um raciocínio coerente, lógico se não tiver a capacidade reflexiva? Todavia, essa capacidade reflexiva não mais domina a mente do homem liberto. Ele a usa como alguém usa um microfone ou celular. Após usado, é desligado e silenciado. Todavia, os falsos mestres deturpam isso a seu bel prazer. Desprezam a reflexão para, desta forma, dificultarem qualquer tentativa por parte do discípulo de refletir sobre sua própria situação. Eles não querem pessoas que pensam, que analisam e duvidam. Preferem zumbies obedientes e dependentes, seguidores cegos de todas as suas ordens, por mais absurdas que sejam.
Para finalizar, quero apenas ressaltar a última contradição dos “pseudo-advaitas”. Dizem estes “advaitas” que tudo já é. E que não há nada melhor do que SER... Mas se já somos o Ser, e tudo já é. Então, sendo assim , ninguém precisa ir a lugar nenhum, nem seguir ninguém, nem participar de encontros ou satsangs. Não se pode ensinar "ao que já é", a ser. Como ensinar a um animal a ser o que ele já é? Ou a uma planta? Ou mesmo a uma criança? Se tudo já é , então para que tanto falatório? Para que a propaganda? Para que os debates ? Para que fundar organizações e movimentos? Para que o culto à personalidade do "mestre"? Tudo já é. Não precisa de mais nada. ISSO É TUDO!
Namastê!
Alsibar
http://alsibar.blogspot.com