segunda-feira, 1 de agosto de 2011

BABAJI E KRISHNAMURTI: EM BUSCA DO ELO PERDIDO

http://alsibar.blogspot.com: Babaji e Krishnamurti: em busca do elo perdido

Existe alguma relação entre Babaji e Krishnamurti? Será que há algo em comum entre estas duas figuras aparentemente tão díspares e distantes? Será que ambos participaram de uma grande missão espiritual iniciada no começo do século por seres celestiais , coordenada pelos planos divinos? O ensaio abaixo reflete sobre a  suposta relação entre Babaji e Krishnamurti
De antemão esclareço: o que vai ser discutido aqui tem como único objetivo apontar caminhos,  fazer inferências, tecer hipótese a partir de indícios. Não há a defesa de nenhuma verdade absoluta. Nós, como seres pensantes, temos não só o direito, mas o poder de refletir, analisar e investigar. Mesmo que não possamos, ainda, chegar à verdade última dos fatos. Os sábios sempre nos alertaram sobre os perigos e inutilidade de querer conhecer coisas que estão além do nosso alcance . Geralmente, são assuntos que nada acrescentam às nossas vidas pois não nos libertam , nem transformam. Todavia, isso não nos tira o direito à investigação e à análise de qualquer assunto importante. É neste espírito de imparcialidade e desapego que trataremos deste delicado assunto . Tenhamos-lo como uma prosa, curiosa e divertida. Mas que pode, também, ser verdadeira.
Começaremos nossa abordagem tratando sobre algumas curiosidades e mistérios que envolveram a vida de Krishnamurti. A verdade  é que ninguém conseguiu saber quem era Krishnamurti – nem ele mesmo. Muitas pessoas tentaram elucidar seu mistério de diversas formas, mas não conseguiram. Ele nunca esclareceu nada sobre si mesmo- fosse em público, ou reservado.  Rom Landau em seu livro “God is my Adventure” teve várias conversas informais com Krishnamurti  e questionou-lhe sobre quem ele era. Novamente K. não esclareceu. Muitas pessoas ja haviam perguntado se ele seria o Instrutor do Mundo, uma espécie de messias da Nova Era.  Ele nunca afirmou, nem negou. Quantas vezes não teve que enfrentar  audiências ávidas elucidar seu mistério  e enigma? De onde provinha sua sabedoria e sua luz?   E como explicar sua bem-aventurança quase palpável? E aquela a atmosfera espiritual que o circundava? Ninguém sabia. Ele sempre se recusou a penetrar mais a fundo nestas questões. Para ele, essas perguntas eram irrelevantes, de menor importância. Costumava dizer: "O importante não é o vaso, mas a água que mata a sede" .
 Mas será que ele estava mentindo ao dizer que não sabia quem era? Pouco provável. No leito de morte, suas últimas palavras antes do momento fatídico foram “ a água não sabe o que a água é”. Será que seu mistério ficou na eternidade ou temos chances esclarecer este enigma ? A resposta veio dele mesmo. Ao ser  questionado sobre isto por Emily Lutyens, K. respondeu que ele mesmo não poderia fazer esta investigação. Mas que, os outros poderiam: 
     “ Tenho certeza que se os outros concentrarem suas mentes nisso, eles poderão fazê-lo. Eu estou absolutamente certo disso. Absolutamente”. 
  Em suma, o próprio Krishnamurti afirmou que poderíamos compreender o seu fenômeno e que todos poderiam tentar se quisessem. O certo é que o próprio K. não fez questão de esclarecer seus próprios "enigmas". Ao fazer isso, deu-nos uma importante lição: a de que não precisamos decifrar os grandes mistérios da vida para sermos felizes.  O que realmente importa é vivê-la plenamente, em perfeita paz, liberdade e sabedoria .
Tendo esclarecido estes pontos vamos ao que interessa. Passaremos a abordar vários aspectos que demonstram que Krishnamurti não foi uma pessoa comum e que sua vida foge à qualquer explicação racional . Várias são as questões que envolvem a vida de K.. Mas vamos investigar apenas as mais relevantes:
O primeiro questionamento é : Krishnamurti nasceu iluminado ou alcançou-a após longos anos de treinamento e meditação? É  fato que Krishnamurti, desde muito jovem, já dava sinais de sua elevada estirpe espiritual. Ora, por qual outro motivo aquela criança  comum e raquítica poderia ter chamado a atenção do suposto vidente Charles Leadbeater -seu "descobridor"? Mas sei que somente este fato não sustenta a tese de iluminação inata. Mas, o que dizer, quando professores e amigos de infância confirmam que o jovem Krishnamurti vivia num profundo estado contemplativo de forma que chegaram a considerá-lo um retardado ? Mas há ainda um outro ponto que confirma esta tese : o próprio Krishnamurti afirmou que  em toda sua vida nunca teve  conflitos, nem fatores formadores do Ego. Certa vez, ele disse a Mary Zimbalist, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa:
 “Como este vazio não foi preenchido pelas coisas da Teosofia? Como ele não se tornou um ser abominável- cínico e amargo- com toda aquela adulação? Este vazio nunca desapareceu, desde a infância até hoje- oitenta anos ou mais- a mente deste homem está constantemente vazia”. 
Ou seja, Krishnamurti nasceu iluminado. Condição que já   se manifestava muito antes dos anos de "treinamento" da sociedade Teosófica. Daí, vem o óbvio: se ele nasceu iluminado, então veio em uma missão específica. Os budistas chamam tais seres de 'Aranhats", ou "Bodisatavas" : seres libertos que reencarnados na terra  para ajudar a humanidade em seu trabalho de libertação.
É de conhecimento geral que Krishnamurti  possuía poderes de cura, telepatia e clarividência. Há ainda casos de transfiguração. Certa noite,  uma amiga sua, hóspede  em sua casa, o viu transfigurar-se em Buda. Sua outra biógrafa, Pupul Jayakar, descreve o período em que seus chacras se desenvolveram plenamente e como ele fora assistido por seres celestiais- os chamados -“spotless”- os puros, os imaculados. Além do mais, quando criança, costumava encontrar-se com os mestres em viagens astrais ou em estado de vigília. K. nunca negou nem confirmou a existência dos mestres. Mas, já adulto,  relatou como foi a última vez em que viu um deles: K. estava  meditando  quando percebeu a presença física de um mestre sentado  em posição de lótus na porta do seu quarto. K. decidiu  ir até ele, para comprovar a realidade do que estava vendo. Mas, quando chegou muito próximo, quase tocando o "mestre", este desapareceu e K. nunca mais o viu.Todavia,  ao longo de sua vida, continuou sentindo a presença abençoada de algo ou alguém.   Em seu diário, K. descreve como esta presença sempre o acompanhava e como este fenômeno era sentido pelos outros também.  Refletindo sobre estes estranhos fatos, percebo que o caminho de K. tinha que ser da forma que foi.  Ele não poupou esforços para ensinar a Verdade independente de crenças ou supertições. Ao fazer isso, impediu que sua mensagem se transformasse em mais uma religião .Do contrário,  sua obra e missão não teria tido o impacto que teve .
O fato é que a humanidade precisava de um choque. E Krishnamurti nos proporcionou este choque ao questionar nossas crenças cristalizadas e nossas velhas estruturas psicológicas, morais e "espirituais". Afirmar ou negar os fenômenos extrafísicos em nada contribui para o despertar. Mas ao afirmá-los, isto apenas fortalece o nosso sono. Mas é bom deixar claro, Krishnamurti não nega o oculto, o além, os fenômenos etc. Ele apenas desloca nossa atenção para coisas mais importantes e significativas. Ele nos faz refletir sobre os motivos profundos de nossos questionamentos e angústias.  Por que  queremos conhecer o além? Por que a vida por si só não nos satisfaz? Será por que queremos segurança ? Será por que desejamos a permanência e  a continuidade também no pós-morte? Krishnamurti, nos faz refletir sobre a raiz de nossos desejos, sobre a natureza do EGO e suas atividades. Ao fazer isso, ele nos leva até a essência do verdadeiro espírito da religião. A religião em seu sentido real e profundo, desprovida das invenções e supertições humanas. Em geral, as tradições e religiões organizadas se sustentam de nosso medo, insegurança e pobreza espiritual. Mas, K. nunca negou nada. Mas também não afirmou . Nem mesmo a existência ou não-existência dos mestres. Seres que muito provavelmente o acompanharam até seus últimos dias. K  costumava dizer que sentia-se protegido por uma força ou um poder que ele chamava de “o outro”. Mas quem foram estes seres misteriosos que o  acompanhavam e o protegiam? Quem foram os "imaculados" que cuidaram da "limpeza" de seu cérebro? É o que vamos investigar no próximo parágrafo.
 O elo de ligação entre Babaji e Krishnamurti pode estar exatamente nestes seres que o assistiam em sua missão.  Apesar da aparente distância , um olhar mais cuidadoso e imparcial perceberá uma misteriosa ligação entre os dois. Babaji  pode ter sido um dos mestres que o jovem K. visitava constantemente em suas famosas viagens astrais . Não sou teosofista e não estou defendendo a existência dos mestres – crença que muitos utilizam para explorar e se automistificar. Mas, se queremos encontrar a Verdade, devemos estar abertos à investigação sem radicalismos ou preconceitos .  Ou seja, será tão impossível assim que Babaji tivesse sido um dos que deram assistência à missão de Krishnamurti? Penso que não. Pelo contrário, percebo que há um elo de ligação muito forte entre os dois, inclusive, nos ensinamentos. Na verdade, não sabemos quase nada sobre  Babají, nem mesmo seu verdadeiro nome.  Pois Babaji é um título, assim como Cristo e Buda e significa "reverendo pai" .  Não conhecemos sua vida, nem a essência de seus ensinamentos – exceto o que nos foi passado por Paramahansa Yogananda - o que é muito pouco . O próprio Yogananda diz em seu livro que a elevação espiritual de Babaji está além de nossa compreensão. Obviamente, seres como este são universalistas e apartidários. Agem, muitas vezes, de forma anônima e podem, inclusive, usar outros nomes. Surgem em diversas épocas, usando formas e estratégias diferentes de acordo com cada cultura e tempo.Seu trabalho deve ser amplo e vasto, não se restringindo a um movimento religioso, como , por exemplo, aquele fundado por Yogananda na América. 
Assim, quando Krishna diz no Bhagavad-Gita: “ Eu sustento todo o Universo com apenas uma centelha do meu esplendor”. Entendemos que Deus não pode ser compreendido pela nossa limitada capacidade mental. Babaji é apenas uma manifestação da Consciência Suprema e Infinita. Jesus é a encarnação do Pai, mas não é o Pai em seu esplendor – é apenas uma parte encarnada, separada Dele. Através destas manifestações humanas, tais seres de luz tentam lembrar-nos de nossa origem divina. Tanto nos evangelhos canônicos, quanto nos apócrifos de Tomé , Jesus afirma que ele é  " Aquele que é". Ou seja, Jesus é o mesmo que afirmou no Antigo Testamento :“ Eu Sou o que Sou”; Jesus afirma isso em vários momentos e passagens da Bíblia : " Antes que Abraão fosse EU SOU"; " Sois deuses. Sois todos filhos do Altíssimo". O que isso tem a ver? Simples, estes exemplos nos mostram que Deus sempre acompanhou de perto os grandes acontecimentos espirituais da humanidade. Em todas as épocas, povos e culturas. O que é confirmado também por Krishna no Bhagavad-Gita:
  " Sempre e onde quer que haja um declínio da religião, e uma ascensão predominante de irreligião, então eu  próprio desço. Para salvar os piedosos, aniquilar os canalhas e estabelecer os princípios da verdadeira religião eu próprio advenho milênio após milênio"
     Por isso, por que se admirar que Babaji possa ter participado ativamente da missão de Krishnamurti ?  Ora, ao longo dos anos e séculos, as organizações religiosas, tradições e gurus,  deturparam a originalidade e a pureza do Dharma- a Verdade Universal.  Não será plausível que mestres como Babaji, Buda e Cristo se preocupem com a humanidade, trabalhando para restabelecer a originalidade dos verdadeiros ensinamentos?
Sim. Krishnamurti representou um marco revolucionário na história da espiritualidade . A missão que empreendeu é comparável a de Jesus em relação ao judaísmo e a de Buda em relação ao  hinduísmo. Talvez leve um certo tempo para a humanidade perceber isso . E, certamente, muitos nunca perceberão- como até hoje muitos não acreditam nem Jesus, nem sua divina missão. Posicionamento aceitável dentro da concepção do “livre arbítrio”. Mas, percebe-se que cada  dia que passa, mais pessoas estão sendo tocadas e influenciadas pela visão inovadora de Krishnamurti. Isso nos leva a  refletir sobre a veracidade ou não da profecia que prenunciava a  vinda  do Instrutor do Mundo. Li, em algum lugar, que esta profecia deve ser vista sob uma outra ótica. A   vinda do Instrutor do Mundo,  não seria a encarnação de apenas um Avatar específico.  Mas a encarnação de várias consciências iluminadas. Assim, seres como Krishnamurti, Ramana, Lahiri Mahasaya, Sri, Yuktéswar, Sri. Aurobindo, Ramakrishna, Yogananda dentre outros seriam, em conjunto, como antenas de altíssima capacidade . Estes seres, como poderosíssimas antenas espirituais, captariam essas frequências, contribuindo, assim, para a iluminação e elevação da consciência terrestre. Assim, não haveria apenas um Instrutor do Mundo, mas vários deles. Seriam essas várias consciências de elevadas estirpes espirituais, que encarnaram na Terra para a Iluminação da Humanidade, neste período de transição de eras.
O que foi exposto acima não é para ser motivo de defesa ou combate, mas apenas de reflexão.  Seria, uma hipótese, uma explicação possível para acontecimentos que estão ainda sem uma boa explicação.  Assim, o legado de Krishnamurti não seria "dele". Mas fluía através dele. Tendo ele sido apenas um instrumento de forças superiores, algo como um canal ou "porta-voz".  É verdade que sua mensagem continuará sendo ignorada por muitas pessoas. Talvez  por pura ignorância, radicalismo ou, até mesmo, preconceito. É óbvio que estas "consciências superiores" não estão filiadas a nenhuma organização- seja qual for.  São seres de elevadíssima estatura espiritual, muito além de nossas disputas partidárias e mesquinhas.  Os Avatares são como pontas de icebergues. São apenas pequenas amostras, gotas de um oceano de Luz, Amor e Sabedoria cuja compreensão está muito além de nossa capacidade . Por isso é que os iluminados verdadeiros são tão importantes. São  eles  que nos retransmitem a vontade Divina . Sem eles não teríamos como saber nada sobre nossa miserável e atrasada condição humana. E nem o caminho para a ascensão, evolução e libertação da mesma. 
Assim, mesmo que esta hipótese sobre K. possa parecer absurda e estranha, pode ser que não seja. Ora, se todos nós somos em essência Luz , e se esta Luz ou Consciência Superior se manifestou em Jesus, Buda, Babaji e Krishnamurti então é totalmente aceitável a possibilidade deste "trabalho em parceria". Mesmo que pareçam separados e distantes, sabemos que, em essência,  todos apontam para um mesmo sentido e direção .  

  Enfim, esclareço que tudo o que foi discutido acima não afigura-se como um posicionamento radical e absoluta . E também sei que estas suposições foram fundamentadas em conjecturas e indícios.  Muito embora, saiba que isso não invalida meus argumentos, pois há tantas coisas em nossas vidas que não podemos provar, mas que, nem por isso, deixam de ser verdadeiras. Sei, no entanto, que a reflexão acima  tece uma hipótese razoável, dentro do estrito espírito daqueles que buscam  a verdade acima de tudo, sempre com liberdade, imparcialidade e independência.
Muito Obrigado!
AUTOR: ALSIBAR (inspirado)


http://alsibar.blogspot.com.br

5 comentários:

  1. Creio que a lucidez destas colocações estão habilitadas a trazerem conforto a quem se destituir - ainda que só por um instante...o instante de sua leitura - de toda ideia preconcebida!

    Hoje compreendi o porquê do 'inspirado' em sua assinatura.
    Confraternos abraços.

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  2. Meu caro... Afinidades... A Luz Procura e segue a luz... talvez Todos estivessem presentes no divino palco Krishnamurtiano... Claro, uma teia... são o que São... E quantos outros estiveram com a Presença de Krishnamurti? mas Ele encarnou. Muito bom artigo!!!

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  3. Todavia as últimas palavras de K, antes de morrer, não foram animadoras, no sentido da "energia" que se referia, quanto à habitar outro corpo em séculos.

    Ou seja, seria K um maravilhoso acaso que, eventualmente, se repete?

    Desculpem é que sou praticamente um agnóstico e não creio em "planos" do Eterno e coisas assim.

    Acho apenas a "proposta " de K, interessante e diferente de outros, ditos, mestres.

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  4. Olá Alsibar !
    Fui conduzida até aqui , pois sinto ( sei ) que algo diferente espera por mim.
    Nada do que fiz , li , aprendi .........me levou a encontrar a Verdadeira Felicidade !
    Mas tudo o que tenho lido " aqui " vibra em mim !
    Já tinha lido textos de K , e assistido a alguns vídeos !
    Não existem palavras que possam definir o que sinto !!!!!! Pois nem eu sei o que sinto !!
    Não acredito em nada !
    Descartei tudo que aprendi , pois não me levou a lado nenhum........uma autentica ilusão !!!
    Muito interessante esta tua inspiração !
    Obrigado .

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