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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

ACONTECEU UMA MUTAÇÃO - O "MEU DESPERTAR" (ALSIBAR)




( Diálogo real sobre um acontecimento pessoal)
Esse diálogo é a transcrição  fiel de uma conversa real que tive recentemente .  E  por ter sido espontânea, pareceu-me adequado registrá-la aqui no blog. Um amigo virtual de muitos anos, puxou o assunto a respeito de algo que aconteceu comigo . Experiência, fenômeno, despertar, iluminação, ou só uma forma diferente de ser, agir e perceber o mundo ? Use o termo que preferir. Vou apenas descrever o fenômeno e cada um faça seu próprio julgamento.

De antemão, quero dizer que não me tornei  mais santo, nem mais perfeito do que ninguém- mas também não me tornei "menos". Continuo sendo eu mesmo, mas parece ter havido uma mutação no funcionamento ordinário da mente. O fato é que o sentido do "pensamento-eu"  cessou seu constante fluxo. Com isso, não sinto mais o tempo como antes. Não há mais a dor do conflito psicológico. Penso que foi o despertar de uma condição natural da mente, mas que provocou uma mudança radical no "eu" e, consequentemente, causou mudanças profundas em mim.
Todo mundo tem uma singularidade. Algo em que se é peculiarmente bom. Uns são bons em matemática, outros em dançar, cantar, lutar, cozinhar, ganhar dinheiro, estudar, escrever... Eu gosto da espiritualidade e por isso me dediquei a vida toda ao seu estudo. Desde muito novo, ainda na puberdade, mergulhei em leituras, pesquisas, estudos e práticas diversas. Talvez tenha a ver com outras encarnações.
Penso que esse acontecimento incomum seja o coroamento de uma jornada que levou toda uma vida. Uma busca incessante pela Verdade com sinceridade e fé. Mas o que aconteceu exatamente?

Aconteceu uma mutação decorrente de algo que não pode ser detectado de forma objetiva e direta, mas pode ser inferido através de  sinais indiretos. Achei importante escrever sobre ela como forma de ajudar outras pessoas a encontrarem-na. Atualmente,  está muito difícil saber que rumo tomar. É raro encontrar alguém que possa nos indicar a direção certa para o verdadeiro Despertar . Afinal, hoje em dia, todo mundo é mestre,  guru ou iluminado.  A internet está lotada de informações nem sempre confiáveis. O que era para ser uma coisa boa tornou-se um grande problema, gerou muita confusão e dúvidas. É difícil para um buscador iniciante saber em quem confiar e quais orientações seguir.

Tudo está sob o controle da Inteligência Suprema. Não busco nem desejo nada mais. Não quero honras, nem glórias- até mesmo por que não mereço nenhuma. Estou aberto e disponível a ajudar outros caminhantes. Quero, no máximo, ser uma placa luminosa numa noite escura ajudando os  perdidos a encontrarem seu rumo. Agradeça pela placa mas siga seu caminho. Não se apegue a ela. Não a use como gaiola, nem muleta. Ela não é uma “tábua de salvação” pra você se agarrar .Caminhe com suas próprias pernas. Movimente-se por si mesmo. Assim como  "algo sagrado" aconteceu comigo também pode acontecer  com  você. Mas esqueça tudo o que você aprendeu sobre isso.  Pode ser que os livros estejam totalmente equivocados. Talvez isso não tenha nada a ver com o que você sabe ou imagina que sabe. Abandone suas idealizações. Penso que esse fenômeno é experimentado por cada pessoa de uma forma diferente. Todavia, há alguns elementos  comuns e universais.
A transcrição do diálogo abaixo nada mais é do que uma forma de ajudá-lo nessa sua jornada interior. Ela deve ser feita somente por você mesmo e por ninguém mais:
R-Passou por alguma experiência ultimamente? Aconteceu alguma coisa com você?

Seria legal  que você fizesse um relato do que aconteceu com você amigo. Servirá para outros buscadores.

A – É complicado falar sobre isso porque é muito pessoal e subjetivo.

R- Em que momento? O que você fez? Ou você não fez? É tipo uma entrega? Sim...então fale o que você puder

A-  Vou falar pra você porque é uma conversa... Já para escrever um texto sobre isso fica complicado. Um texto não pode ficar tão vago,  fugaz e subjetivo.
Aconteceu uma mudança . Tá tudo diferente. Mas eu não posso tocar nisso. A mente não pode se apropriar disso. Só se manifesta quando a mente não está lá observando. Posso até tentar falar sobre coisas tangenciais. Mas sobre o que está no centro do acontecimento , não.
Mudanças gerais de percepção. Mudança nos sonhos. Desapego, silêncio e muitos insights.
R- Tá tudo mais leve?
A- Muito mais leve. Eu diria:  totalmente leve.
R- E quanto a situações que criam raiva ou outros sentimentos?
A-Não criam mais. Eu ainda sinto mas não afetam a paz da mente. Não perturbam-na . Se eu fosse Advaita ( linha não-dualista da filosofia Vedanta) eu diria: nada atinge aquela presença  (risos)
R- Que mais?
A- Amor, compaixão, energia, intuição mais desenvolvida, desapego das coisas...
R- O que você diz sobre encontrar a Fonte dos pensamentos e a investigação?
A- Bobagem.
R- Ué?...  Li um relato seu sobre seu vislumbre . O que me chamou atenção foi que você usa as palavras humildade e entrega
A-Isso.
R-Isso foi fundamental?
A- Muito. Entregar tudo é um ato de humildade- interiormente falando.
R- Você diz que não tem a ver com anos de meditação
A- Penso que não tem.
R- Mas em algum momento você fez algo que desencadeou isso.
A- Sim, agradeci a Deus e depois larguei tudo.
R-Abandonou como? Através de oração? Entregou tudo ao Pai?
A- Deixei de ficar tentando como eu sempre fazia : tentando ficar atento. Tentando ficar consciente. Essas coisas.
R-Parece uma parada total , "total stop!"
A- Isso mesmo.
R- Para isso há uma renúncia de sua parte. Entregar nas mãos de Deus. Você deve ter entregado humildemente o seu coração a Deus e Ele fez o trabalho. Isso é muito bonito irmão. Ramana ensinava 2 caminhos :Vichara e a rendição a Deus . Que maravilha! Então quando estamos tentando fazer na verdade estamos bloqueando a ação de Deus? Você  vê isso?
A- Isso. Exatamente assim...Penso que é ação da "graça" . Você mesmo não pode fazer nada de forma direta...A única coisa que você pode "fazer" é deixar de fazer. Deixar de pelejar... De querer estar no controle...Porque até mesmo a observação, se houver um observador, é ainda o ego no controle. Na verdadeira observação não há consciência da própria observação. Talvez seja difícil de entender mas é assim mesmo. Até quando tentamos ficar conscientes... Ficar presentes ou  buscamos a tal "matriz" do pensamento... Ainda é você ( o ego) agindo. E é exatamente esse agir... Que é o obstáculo.
Por exemplo : quando você foca a atenção no presente, é uma ação do ego ainda. Sutil mas é. Eu também não acredito que a Vichara funcione. Porque há alguém ainda ali se auto questionando... E esperando uma resposta... Ou talvez... Esperando alcançar um estado de consciência... Se você largar tudo de uma vez o que resta? Nada. É o fim. É a extinção do Ego-ator... Ego-buscador... Ego-dor... Então... O que sobra?
Um silêncio... Mas que nem silêncio é porque não pode ser nomeado. É algo que a mente-pensamento não alcança . Não entende . Não toca . Não consegue ver. Descrever. Nem explicar.
R-E quanto aos pensamentos que surgem? Diminuíram?
A- Alguns continuam. Mas passam muito rápido. Raramente os percebo. Mas há sempre um sentido na mente de presença desse algo. E que os pensamentos não  conseguem alcançá-lo, nem abalá-lo, nem atingi-lo. Agora, quando estou raciocinando de forma proposital... Ponderando, refletindo  ou racionalizando  sobre algo...Então eles aparecem como se eu estivesse falando mentalmente. Mas depois...Volta aquele estado.
O silêncio está sempre lá... Mas raramente o percebo diretamente... O que há é uma percepção indireta. Sabe, quando você vê algo  sem olhar diretamente pra esse algo? Eu "percebo" mas não foco minha atenção lá. Em geral minha mente fica num estado de total liberdade, como  se eu não a tivesse mais. Sem barreiras. Sem limites, nem fronteiras.
Como se fosse uma bolha no mar... Cujas ondas não entram nem movem. Uma bolha estável. Tudo se movendo ao meu redor como ondas. Os acontecimentos , os problemas, stress, bagunça, barulho, caos...E a mente intocável, inabalável. inatingível.
Os sonhos são um capítulo à parte. Parecem muito reais e sempre transmitindo paz e luz. E pouquíssimo sono à noite. Acordo de madrugada sem sono mas o corpo está  com as energias totalmente restauradas. Sem cansaço mental, só físico.
R-Caramba cara... nunca vi isso.
A-Geralmente fico quieto... E fico num estado de sono... Mas acordado. O corpo totalmente relaxado. Mas a consciência desperta. Já durante o dia...
R-Isso . Isso...então é verdade... Ramana falava de estar na vigília mas dormindo...incrível.
A- ...Já durante o dia, eu estou tão relaxado que chego a roncar. Me peguei roncando várias vezes. Outras pessoas também perceberam e me chamaram a atenção para isso porque eu não percebia. Eu resolvi checar . E vi que era verdade. E o curioso... Algumas vezes não estou nem sentado ou descansando. Estou fazendo alguma coisa, por exemplo, lavando os pratos, cortando uma laranja. Outras vezes estou sentado : no computador, comendo, tomando café... De repente escuto meu ronco. Levei um susto na primeira vez que o ouvi.
R-Nossa!!! Você chegou lá mesmo.
A- Algumas pessoas ao meu redor estão admiradas com a minha calma. Mas é que fico sentindo uma sensação boa, de paz e total liberdade.
R- Confesso que até eu estou admirado com tudo isso. Eu queria que você falasse desta auto entrega e rendição.
A- Sim. Você simplesmente para de querer qualquer coisa, ou melhor, de desejar qualquer coisa. Incluindo o tal “despertar”, a iluminação, Deus...Daí em diante, onde quer que você esteja, você está feliz. Em qualquer situação. Você se pega cantando. Sorrindo. Vem ondas de alegria. Mas são sem motivos... é algo que flui independente de você. E nem sempre você percebe. Você simplesmente se deixa levar. Desiste de lutar, de buscar, de fazer, de querer, de desejar.
R- Mas isso parece não ser uma ação sua
A- Não é. Não é uma ação minha.
R- Algo intervém.
A- Isso. Não há mais nenhum tipo de ansiedade em relação a fazer qualquer coisa. Onde quer que eu esteja, me sinto bem. Completo, satisfeito, feliz e em paz.
R-Você falou que em algum momento você fez a rendição. De que forma?
A-Usei esse termo pra me referir à desistência de tudo. Rendição a esse silêncio. A essa “coisa”. Não é um termo muito exato. "Rendição" porque desisti de querer, de buscar, de desejar, de tentar, de fazer.. Não é  uma rendição a algo tangível, nem a uma ideia. Eu me rendi... Ou seja : desisti de tudo que eu achava que era certo e verdadeiro e que era a base, a raiz do meu fazer. E que criava o  "fazedor", o ator, o experimentador... O tempo, a dor... O ego enfim.
R-Parece que houve a morte do ego em você. Erase the ego.
A-Isso . Pelo menos desse ego-pensamento centrado na memória
R- Mas não foi uma atividade sua. Interessante isso tudo. Fico muito feliz amigo pela vitória.
A- Não foi. Nem poderia ser.
R- Deus te abençoe! 
A- Esse relato tá servindo pra mim também como uma forma de entender um pouco mais sobre isso.
R- Mais alguma coisa?
A-Outras coisas que percebi: aumento da fé . Mas não uma fé intelectual. É como se eu soubesse com certeza que Deus está no comando de tudo. Mas não tenho consciência da certeza. Apenas sei que é assim. Aumento da intuição e muitos insights. Além do aumento da capacidade de "penetração" em assuntos de ordem espiritual ou existencial. Às vezes falo coisas que nem sei de onde vem. Coisas que nunca pensei antes. Mas que vêm na hora da conversa, do diálogo. Acho que era o que Krishnamurti chamava de inteligência criadora . Penso que é só. ( risos)
Ahhh... Lembrei de outra coisa. Desapego do corpo e diminuição dos desejos. Tenho que me concentrar bastante pra me “trazer” de volta... Pro corpo. Essa parte tá sendo muito delicada.
R- Uma coisa que já me falaram é que JK não era realizado... ele tinha percepções...
A-Krishnamurti sempre foi uma polêmica. Desde que era um adolescente. Nunca será uma unanimidade porque ele foi um ser humano real, não uma imagem idealizada. Os conservadores nunca o aceitarão. Mas isso acontece  porque idealizamos os iluminados como seres perfeitos, sem erros, sem máculas e infalíveis. Mas não são. Nenhum foi. Só os mitos e as imagens são "perfeitos" porque não são humanos. Até Jesus Cristo teve seus momentos de fraqueza . Por isso que a sociedade da época resistiu tanto em aceitá-lo. Por que ele não parecia um ser humano "perfeito" como, em geral, idealizamos. Jesus bebia vinho. Adorava festas e banquetes. Era amigo dos ricos e prostitutas. Vestia roupas boas. Sentia raiva, tristeza, teve medo e desânimo. Ele era muito “humano” pra ser o Messias que eles esperavam- isso  era inaceitável para os padrões das pessoas daquela época  (até hoje é).
Falam coisas parecidas sobre Krishnamurti. Os conservadores querem colocar os iluminados em um molde pré-fabricado , em um padrão. Impossível. Um iluminado é um ser livre... Não tem que se encaixar em padrão nenhum.

R-“If that mind-free consciousness, which is at the meeting point of deep sleep and waking, somehow becomes continuous, then the state that then dawns is declared by sages to be the state of deliverance.”- Maharshi’s Gospel
( Se aquela consciência livre-da-mente, que está no ponto de encontro entre o sono profundo e a vigília, de alguma forma se torna contínua, então o estado que está nascendo é declarado pelos sábios como sendo o estado de libertação) - Evangelho de Ramana
A-Very interesting! ( Muito interessante)
R- Isso que você experimenta é o que os sábios também experimentam. Mesmo acordado na vigília está dormindo. E como é a sensação de estar dormindo então?
A- Muito boa, maravilhosa até. É um sono muito profundo e restaurador. Talvez, por isso, o corpo não precise dormir tanto.
R-Nossa! A gente lê uma porrada de livros, faz isso e aquilo e a coisa é diferente.
A- Isso.
R-E quanto aos pensamentos do passado que surgem?
A- Não os vejo.
R-Não?
A- Não. Ou quando aparecem... é como se não tivessem força sobre mim... são muito fracos, sem força nenhuma... logo esvanecem.
R-Incrível mesmo amigo. Me diz uma coisa para terminar, e aquela história de que não existem os outros, só existe você?
A- Nem os outros, nem você existe.
R- Como assim?
A- Se ainda existe o “você”, então ainda há dualidade. Você perde o sentido da separação. Psicologicamente falando, é claro.
R- Isso é o máximo!
A- Fisicamente há separação, óbvio. Você tem um corpo. Precisa cuidar dele. Mas internamente você não tem mais esse sentido.
R- Disseram que a consciência cria o corpo, tipo uma projeção.
A- Isso são conjecturas. Pode ser , pode não ser...Tá mais pra ser verdade isso. Mas não faz diferença saber sobre isso... Esses tipos de questões passam a não ter muita importância.
R- Importa o que os outros digam sobre seu novo estado? Existe uma certeza absoluta em você sobre isso?
A- Não. Nenhuma certeza. Muito menos absoluta... Se houvesse certeza seria da mente. Não posso ter certeza acerca disso. Não sinto certeza, nem dúvida. Algo aconteceu que não posso, não devo, nem tenho como dissecar isso com a mente- porque está fora do alcance dela.
R- Obrigado pela conversa então!
A- Disponha amigo!

Ps:Os fatos  narrados acima  começaram a acontecer no dia  28 de Outubro de 2018, entre 19:00 e 21:00 e seus efeitos duraram por mais ou menos dez meses. Sua intensidade foi diminuindo com o tempo mas deixou mudanças profundas e permanentes até hoje  07/06/2020.
( Transcrição feita por Alsibar)

Acesse nosso canal Despertares com Alsibar no You Tube e saiba mais sobre a mutação interior: 

https://www.youtube.com/channel/UCHPD3246MYTUENpcvdW6-DA?view_as=subscriber
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#alsibardespertar
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ANO NOVO… VIDA NOVA?

Ano novo... vida nova? http://alsibar.blogspot.com- Imagem da Internet

( ÚLTIMA MENSAGEM DO ANO)

O final de ano se aproxima e com ele renovam-se as esperanças de mudanças e dias melhores. Mas é possível haver mudanças significativas se interiormente não mudo? Como posso esperar dias melhores se , interiormente, não  melhoro? E ainda, há mudança verdadeira no âmbito do “conhecido”?Neste artigo, refletiremos sobre estas e outras questões cruciais para quem quer realmente “mudar de vida”. Você é nosso convidado!

Este ano foi um ano de grandes mudanças paradigmáticas. Tenho visto isso tanto em níveis pessoais quanto coletivos. Minha própria vida sofreu grandes transformações em 2011. E tenho testemunhado essas mudanças na vida de muita gente também. Familiares, amigos, pessoas famosas… Parece haver um padrão cósmico impulsionador de grandes mudanças. Para melhor, obviamente. Familiares meus conseguiram empregos depois de longo tempo desempregados. Outros viajaram para outras cidades, para recomeçarem uma nova vida. Por onde olho vejo mudanças em todos os níves, âmbitos e áreas.
Particularmente, muita coisa mudou em minha vida neste ano. Cito mudanças em nível interno e externo. Em nível interno, aprendi a meditar- após anos e anos achando que sabia. Comecei a “ensaiar” a meditação desde os meus nove anos. Hoje estou com trinta e nove e , somente neste ano, percebi que não sabia de nada. E que aquelas práticas de nada me serviram… ou melhor, serviram, mas muito pouco. Após isso, muita coisa mudou. Resolvi criar um blog e comecei a fazer parte das redes sociais. Isso me abriu novos horizontes e perspectivas. Através do blog pude compartilhar com os outros minhas impressões, reflexões e aprendizado. Através das comunidades e redes sociais, conheci muitas pessoas, fiz novos amigos, aprendi com também. Hoje posso dizer que transito entre esses dois mundos – o real e o virtual- e estou feliz com isso. As redes sociais, se bem usadas, podem ser grandes intrumentos de evolução e crescimento . O aprendizado só realiza-se nas relações, no contato e nas trocas de experiências. Quando estamos abertos, tudo pode transmutar-se em aprendizado- inclusive os mal entendidos, as disputas infantis, os erros, as ilusões, as brigas, as agressões gratuitas. Temos apenas que aprender a lidar corretametne com isso, nunca se considerando superior ou inferior a ninguém. A todos estes companheiros virtuais, o meu agradecimento por me ajudarem a crescer. Espero que não tenha ficado mágoas. Da minha parte não ficou nenhuma. Peço desculpas se feri alguém, magoei ou disse algo que atingiu pessoalmente a quem quer que seja. Tudo que escrevo, tem apenas um objetivo: contribuir para o crescimento, aprendizado e esclarecimento interior. Apenas isso.
Mas, quero agradecer especialmente àqueles que gostam do que escrevo. Àqueles que me “seguem” no blog, aos que contribuiram com uma visita, um comentário, uma palavra de incentivo, uma experiência,  um elogio, ou até mesmo com uma crítica. Amigos, é pra isso que estamos aqui: para aprender. Dizer que a vida é uma escola, é mais do que um cliché. É uma realidade. Todo dia aprendemos, e quanto mais abertos estivermos ao aprendizado, mais evoluiremos. Evoluir não significa tornar-se mais do que ninguém. Significa alinhar-se aos poderes criativos da vida, às forças evolutivas do Universo, que amorosamente velam e cuidam de toda Criação – incluindo nós- a humanidade. Evolução nada tem a ver com sentir-se superior a ninguém. É justamente o contrário: quanto menos nos sentimos superiores, mais caminhamos em direção à Luz. Aqueles que sentem-se evoluindo, como algo consciente e intencional, não estão, em absoluto. A Evolução Interior só ocorre na ausência da autoafetação, na ausência da sensação do “EU”. Assim, enquanto houver em nossa mente o sentimento de “eu estou evoluindo”. Não há evolução nenhuma. Por um motivo muito simples: não há evolução na mente, no “conhecido”. A mente que diz a  si mesma: “eu estou evoluindo”, continua limitada dentro de suas próprias limitações psicológicas. Só há evolução, mutação, transformação, fora do conhecido, fora da mente, fora do “eu sou”- enquanto expressão verbalizada do pensamento.
Ora, pra que não haja dúvidas, refletiremos um pouco mais sobre o que é o “conhecido”. O conhecido é tudo o que conhecemos, pensamos, projetamos, desejamos, verbalizamos. É todo o nosso “background”, tudo o que ficou acumulado em nossa mente através de séculos de história. Tudo isso nos é repassado pela educação, pelas experiências vividas, pelos familiares, amigos, sociedade, livros, meios de comunicação etc. Tudo isso fica acumulado na MEMÓRIA. E essa memória, que é tudo o que somos, projeta e busca a transformação, a mutação, a Felicidade, a Iluminação, Deus etc. Mas por que essa mutação nunca acontece? Por que a paz nunca chega? Por que não encontramos a Verdade, Deus, o Desconhecido? Muito simples. Porque na memória, no conhecido não pode haver nada de novo. Pelo simples fato que o conhecido é a continuidade do velho, do passado. E na continuidade não pode haver rompimento. Sem rompimento, sem a morte do “velho”, não pode haver renascimento, renovação. E , assim, como pode haver alguma mudança ou mutação?
Não pode. Simplesmente não pode. As mudanças ocorridas no âmbito do conhecido são superficiais. Não atingem o fundo, o centro, a raiz. E assim, nada muda realmente, há apenas “remendos”, “gambiarras”. Sei que muitos almejam mudanças. Infelizmente, muitos se contentam com os remendos e as gambiarras. Se  o telhado é velho e tem goteiras, nos contentamos em “tapar” algumas delas. São resultados imediatos. Mas, se o telhado é velho, temos que trocá-lo completamente, não? Gambiarras apenas nos dão uma passageira e ilusória sensação de segurança, paz e conforto. Mas quando vem uma chuva mais forte, logo, logo, abre-se uma goteira e temos que consertá-la de novo, e de novo… e assim passamos a vida inteira. E o que são essas gambiarras em nossa vida? São nossos conceitos de felicidade . Muitos se contentam com um bom emprego, estabilidade financeira, uma boa casa, um bom carro, uma esposa bonita. Outros querem fama, dinheiro e poder. Ao alcançarem isso, pensam: agora estou feliz e seguro. Não mais sofrerei. Mas, o que acontece de fato? Não custa muito e essas “gambiarras” se mostram frágeis, passageiras, e ineficazes. Diante da perda, da velhice, da dor, da doença e da morte, essas gambiarras são inúteis. De repente percebemos que tudo o que somos e temos é “poeira ao vento,” como cantou Sarah Brightman em “Dust in the Wind”.
Pouquissímas pessoas procuram a riqueza interior. Não a riqueza falsa da mente ilusória. Mas a riqueza que apenas o Desconhecido pode nos proporcionar. Quando nos daremos conta que apenas no Desconhecido pode haver verdadeira mutação e evolução? Todavia, não conhecemos o que é isso. Mas todos nós entramos em um estado parecido, à noite, quando dormimos. No sono, entramos no Desconhecido. O sono é um grande mistério. Cientistas o estudam há anos tentando entendê-lo. Porque dormimos? O que ocorre com as células durante o sono? Porque nos reabastecemos de energia ao dormimos? Dormir é dar repouso ao nosso consciente ( conhecido). O estado meditativo pode ser descrito como “ um sono acordado”. É o momento em conseguimos acalmar nosso “consciente”, sem no entanto, perdermos a “consciência”. Em outras palavras, o consciente “adormece”, mas continuamos acordados e “conscientes”. O corpo atinge um relaxamento muito próximo ao do sono. Às vezes ouvimos o corpo “roncar”, ou respirar profundamente, sinais característicos do sono profundo. Isso é Meditação.
Durante a Meditação não há “eu”, ou EGO (conhecido). Há apenas o Desconhecido, sendo este, a ausência de qualquer pensamento identificador, ou formador do EGO. Embora possa haver os pensamentos, mas não nos identicamos com ele, pois o observamos como “uma testemunha”- como diria Ramana Maharish. O silêncio e a consciência são “sinais” de que transcendemos o “conhecido”. Se, por um instante que seja, consigo perceber , observar e sentir as coisas que acontecem dentro e fora de mim- esse é o Desconhecido. Essa observação deve partir não de um “centro” analisador ( EGO). Ela deve ser sem centro. Sem a dualidade: observador e coisa observada. Não pode haver direcionamento, nem desejo de duração, nem de controle. De repente, estamos nele, e pronto. Se não estamos, não tem problema. Não podemos ‘dominar” o estado de atenção, querer prorrogá-lo ou estendê-lo. É como se ele tivesse vida própria. É um movimento que manifesta-se por si mesmo. Krishnamurti costumava dizer que “perceber a desatenção, é atenção”. Ou seja, se percebemos que passamos o dia todo desatentos, aproveite esse momento para manter a atenção e não pra autocensurar-se, ou criticar-se porque “perdeu” o dia sem conseguir ficar “atento”. Além disso, no estado de “atenção”, que é o estado em que não há observador e coisa observada, mas simplesmente, “observação silenciosa e passiva”, se realmente estás neste estado, não há “ninguém” para reclamar ou censurar-se pelo dia “perdido” em “desatenção”. Se existe esse “alguém”, então não estás em meditação. No estado meditativo não existe ninguém pra dizer nada, para reclamar de nada, pra criticar nada. Há apenas um silêncio, que nem mesmo silêncio é. Pois não é do reino das palavras.
Por fim, quero conclamar a todos que querem mudanças no próximo ano. Àqueles que não aguentam mais viver sob domínio da dor e da ilusão. Àqueles que querem encontrar uma vida mais plena, rica e feliz. A todos que procuram a paz, a paz verdadeira, não a ilusória. Quero dizer a todos, que há sim uma saída da Matrix. Mas encontrá-la é muito difícil. Não que realmente o seja. Mas porque não queremos abrir mão de nada. Queremos mudanças, mas não queremos mudar. E para mudar, precisamos ter coragem e humildade para aprender. O EGO, que é a presença da Matrix em nós, não aceita que “não sabe”, que está confus e que não tem a “receita”. Não admite que precisa de ajuda. Não tem coragem de jogar-se no Desconhecido, pois o Desconhecido não oferece segurança nenhuma. Só o EGO oferece segurança e conforto- mas são ilusórios. Não são reais. Mas muitos preferem viver de sonhos e ilusões, a ter que enfrentar a VERDADE e a REALIDADE.
E a verdade é que não existe segurança, nem paz, nem conforto no conhecido, na mente, no EGO. Só quando não estamos mais à procura de paz conforto e segurança. Só quando abrimos mão da continuidade do EGO. Só quando desistimos de nossas razões e certezas. Só quando houver uma quebra total deste padrão psicológico do conhecido- a que todos estamos presos- é que poderá haver algo de Real e Verdadeiro. Algo que não foi produzido pelas ações mesquinhas e medíocres da mente-pensamento-ego . Mas, sei que a mente de muitos, nessa hora, vai escandalizar-se e dizer: “isso não existe! Não existe nada fora de mim! Isso é um desparate! Uma loucura”. E continuarão com suas vidinhas medíocres, insossas, sem brilho, sem vida, sem profundidade. Pois é muito mais fácil e cômodo continuar com o conhecido, afinal, é o que eu já conheço. Que importam as crises? Que importam as quebras de expectativas? Que importa se me apego a tudo o que amo ? Que importa se tudo isso pode acabar a qualquer hora? Que importa o sofrimento, as crises e a dor?
Mas quando o “inesperado” bate a nossa porta.  Quando a dor e o desespero entram em nossas vidas sem serem convidados. Só então, começamos a refletir sobre nossa ela. É a morte de um parente, é a velhice que nos chegou tão rapidamente. É a dor da solidão. São as ingratidões. São as doenças. As fatalidades da vida que nos deixam impossibilitados de viver e ser quem somos. Nessa hora falta-nos dinheiro e, muitas vezes, os amigos. É a morte da esposa querida, do filho querido, de um ente querido. É a nossa própria morte. É a dor da separação e da perda. Qual de nós está preparado para perder objetos, pessoas, cargos, saúde, dinheiro? Quase ninguém não é? Mas qual de nós está preparado para abrir mão de idéias, concepções, pensamentos, posições e certezas? Qual de nós tem coragem de abrir mão de seus pensamentos, de seu EGO e da sensação de segurança, conforto e paz que ele traz- mesmo que saibamos ser ilusórias? Quem tem coragem de renunciar ao Conhecido, sabendo que não terá nada em troca? Afinal, renunciar para ganhar, não é renúncia, é? Só há renuncia verdadeira quando nada esperamos como recompensa.Mas é mente é esperta e ladina. Ela nunca faz nada “sem motivo”. Sempre faz visando algo em troca. Algum retorno, alguma recompensa. Alguma vantagem. E isso não é renúncia, em absoluto.
 Mas, qual a diferença entre o sábio e o ignorante? Afinal, o sábio também adoece, tambem envelhece, também está sujeito às separações e perdas inesperadas. Qual a diferença então? Veremos: o sábio não alimenta ilusões acerca de nada. Não identifica-se com os desejos, embora eles continuem a existir. Não alimenta esperanças sobre o futuro. Não projeta sua felicidade no amanhã. Ele a vive no agora. O sábio a nada se apega, nem mesmo aos seus próprios desejos, pensamentos, emoções e reações. Ele apenas observa o infinito movimento da vida, dentro e fora de si. Se há uma dor, ele a observa. Se há paz, ele a observa. Se há desejos, novamente observa. Se há companhias e dinheiro, ele os observa. Se há ausência e carência financeira, novamente aí a observação. Se tem abundância de amigos, saúde e bens materias ele os observa. Se não há, continua observando - da mesma forma.Falando assim, parece que, ser sábio é algo morto, sem vida. Pois ele “apenas observa”. Mas , não é assim. Ele observa, está consciente, mas não rejeita nada, nem resiste a nada. Ele nem quer, nem não quer. Se veio até ele, ele pega. Se tem, ele usufrui, se não tem, ele usufrui do mesmo jeito. A pessoa sábia nada retém. E, quando deseja, está consciente dos seus desejos, enquanto desejos apenas. A pessoa sábia está sempre aprendendo e vivendo cada momento. Se o momento é de dor, ele observa e vive- sem a dualidade, sem resistência, sem considerar como sendo algo pessoal. Mas como algo da vida. Próprio da natureza das coisas. Daí vem sua paz, que não pode ser descrita nem analisada pela mente pensante.A pessoa sábia vive tudo com plenitude e totalidade. Pois na totalidade está o segredo da Felicidade. Mas não há totalidade quando há “EGO”. Não há totalidade enquanto houver a dualidade “sujeito observador- objeto observado”. Só existe paz, felicidade e harmonia, quando cessa completamente o  pensamento de “eu sou isso, ou sou aquilo”. Ou mesmo o pensamento de “não-sou”. Então o que restará depois disso?
Só vivendo pra saber. Que no próximo ano, você possa mudar pra melhor. Trazendo, assim, grandes mudanças em sua vida. Faça disso, um dos objetivos principais para o próximo ano. Não sossegue enquanto não encontrar a paz - além das palavras e conceitos. Não precisa deixar emprego,  família, amigos, rotina, sonhos, objetivos e planos. Não precisa abrir mão do seu “projeto de vida”. Não. Apenas perceberás que a verdadeira felicidade e paz, não está nas coisas, nem no futuro. Assim, poderás ser feliz no agora, mesmo sonhando, mesmo tendo projetos e planos para o futuro. Mas descobrirás uma nova dimensão. Pois antes só imaginavas a felicidade como algo abstrato e distante. Como se ela só fosse acontecer no futuro, como resultado de tuas conquistas e realizações. Mas, sabemos que não é assim. A Felicidade só pode existir no aquiagora e ela não é resultado de nada. A questão é de mudança de paradigma: se antes pensávamos em “realizar as coisas pra somente depois sermos FELIZES”.  A sabedoria nos mostra que é exatamente o contrário: "SEJAMOS FELIZES, e tudo o mais realizar-se-á".
Que a mudança possa se fazer na vida de todos no próximo ano. Que possamos continuar nesse aprendizado mútuo, despertando para uma verdade muito simples: SEM MEDITAÇÃO E AUTOCONHECIMENTO NÃO HÁ CRESCIMENTO. Nem mudanças, nem mutaçao.
Paz, Felicidade e Sabedoria , é o que desejo  a todos!
Muito obrigado por sua leitura, participação e visita!
Alsibar ( inspirado)
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