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domingo, 24 de outubro de 2021

SOBRE KRISHNAMURTI E YOGANANDA

 



Recentemente, houve no grupo de mentoria que oriento, uma discussão acerca da validade de ensinamentos espirituais diferentes daquele apontado por Krishnamurti e no caso específico, o caminho de Yogananda. É inevitável que haja um choque entre essas duas visões tendo em vista que ambos apontam caminhos diversos para o mesmo objetivo. Mas quem está correto? Por que essas duas correntes, aparentemente verdadeiras, são tão diferentes entre si?

Paramahansa Yogananda e seus mestres estão inseridos no contexto da tradição religiosa hindu. Mesmo que sua mensagem seja universal, não tem como se desprender da influência da tradição, sociedade e cultura em que viviam. Isso aconteceu com todos os grandes mestres. Buda dialogou com o Brahmanismo, a corrente hindu predominante na sua época. Seus ensinamentos e visão estão recheados de termos e expressões dessa tradição, seja afirmando, refutando ou simplesmente referenciando. Jesus, apesar de ter vivido a experiência do  Despertar  como um fenômeno Universal, Eterno e Humano, não teve como se livrar do peso da cultura e da sociedade em que estava inserido. Os elementos de seu discurso e ensinamentos, tais como: termos, linguagem, exemplos e expressões foram inevitavelmente tirados do seu próprio background, do contexto em que ele vivia e fora criado. O discurso é um fenômeno social, influenciado e condicionado pelo meio em que se vive. No caso de Krishnamurti, por mais que tenha se livrado do peso da sua educação e cultura em que crescera, e por mais universalista que se tentasse ser, era inevitável falar sobre mestres, tradições, religiões, condicionamentos, organizações, meditação, iluminação, etc. —até mesmo como forma de refletir sobre suas influências e limitações em nossas vidas. A questão, portanto, não é se livrar totalmente dessas influências, mas saber até que ponto ela atrapalha e altera  nossa percepção da Verdade, daquilo que é verdadeiro.

Yogananda não lutou contra o seu meio, condicionamento e tradições — pelo contrário, ao reafirmar e confirmar seus valores e crenças, tornou-se ele mesmo uma peça fundamental para sua legitimização e validação. É preciso ter o discernimento para saber onde termina o campo puramente social, cultural e religioso e começa a experiência pura da verdade universal. Os elementos puramente culturais são, por definição, superficiais e convencionais. Servem para comunicar, dentro de suas limitações, a experiência que está além de toda linguagem. Por isso que JK sempre enfatizava que a experiência não é palavra, a coisa não é o objeto, a palavra não é a coisa. A “coisa” está muito além de toda expressão, mas a linguagem é fundamental para poder transmiti-la aos outros. Consciente dessa questão e vendo que, muitas vezes, as pessoas se apegam ao meio e esquecem o fim, adoram o dedo mas esquecem a Lua, JK enfatizou essa problemática de uma maneira radical, como nem mesmo o Zen o fez. Assim fazendo evitou, dentro dos limites do possível, usar palavras e expressões com significados estabelecidos pelas tradições religiosas. Muitas vezes, perdia quase uma hora tentando explicar os novos sentidos que estava dando a cada palavra e expressão. Assim, termos como : observação, atenção, inteligência, meditação, verdade, ordem,  tempo, Deus, ação,  religião, etc. foram todos ressignificados. Yogananda e seus mestres não foram por essa direção. Ao contrário, tentaram trazer para a humanidade um novo impulso, um novo ânimo e esperança dentro da própria tradição. Conseguiram? Talvez sim, talvez não.

O caminho de Yogananda e seus mestres se apresenta como uma nova perspectiva dentro do caminho milenar da Yoga Tradicional. Sua Kriya Yoga nada mais é do que a releitura do caminho dos grandes mestres do passado, os Rishis ou grandes sábios da Índia antiga. Ao apresentar ao mundo a existência de grandes almas iluminadas (Yogues) vivendo nesse mundo, alguns deles, como seu próprio mestre, a poucas quadras de sua casa, ele ajudou a tirar o iluminado do pedestal de distanciamento e sacralidade presente no imaginário popular. O próprio Yogananda, talvez influenciado por essa perspectiva idealizada, duvidou da iluminação de seu próprio mestre e o abandonou, indo em busca de um Yogue distante, recluso e renunciante. Ora, por que será que Yogananda abandonou seu mestre? Claro que ele não fala. Todavia, é óbvio que de alguma forma ele não estava satisfazendo suas expectativas e aspirações. O fato é que Sri. Yuktéswar era um homem inserido na sociedade e  foi caracterizado no livro como um mestre rígido, às vezes imaturo, às vezes infantil — quando, por exemplo, não cumprimentou Babaji mostrando-se ressentido por ele não ter lhe esperado no Kumb Mela — e muito emotivo ( por exemplo, quando Yogananda foi para o Ocidente ele caiu em prantos). Ou seja, talvez ele fosse, “humano demais” para os padrões de Yogananda. Mas, ficou a grande lição que aponta na mesma direção de Krishnamurti: somos todos seres humanos sujeitos a falhas, erros e imperfeições.

Krishnamurti e Yogananda são muito diferentes, por certo. Seus ensinamentos não têm nada a ver um com o outro exatamente porque um segue a tradição e o outro a nega. Enquanto Yogananda diz que há um caminho científico para Deus, Krishnamurti, por sua vez, o nega radicalmente. Ambos, têm lá suas razões. Particularmente, acredito que o sucesso de Yogananda se deve à presença física dos mestres. Como descrito por ele mesmo, os próprios mestres intervinham de forma direta na evolução espiritual do discípulo. Um fenômeno realmente raro, mas que nem sempre dava certo. O próprio Yogananda descreve que vivia pedindo a seu mestre pela experiência da Consciência Divina ou Samadhi e este, por sua vez, lhe dissera várias vezes que ele não estava preparado. Mas, o certo é que só o Samadhi em si não é o bastante para revelar Deus. A pessoa precisa estar também preparada para entender seu significado profundo e estar madura o bastante para que aquela experiência cause uma transformação positiva em sua vida. Além disso, um Samadhi muito intenso, ou na hora errada, pode trazer grandes problemas na psique do sujeito. Daí o cuidado e a cautela do seu mestre. Samadhi por Samadhi, o chá está aí para quem quiser, mas quantos se iluminaram através de um Samadhi artificialmente provocado? Ou até mesmo por um Samadhi acidental? Ninguém. Muitos ficaram com sérios problemas psicológicos.

Em Krishnamurti não existem mestres, nem métodos, nem organizações. Os mestres da tradição de Yogananda já se foram. E o que começou como um movimento vivo de almas  espiritualmente elevadas, agora tornou-se mais um movimento religioso nos moldes das religiões tradicionais. O dedo sobrepujou-se à Lua.  Atualmente, não há apenas uma organização da tradição iniciada por  Babají, há diversas, sem falar nas brigas jurídicas em torno da verdadeira “Kriya Yoga “, da verdadeira tradição e dos direitos autorais do legado deixado por esses grandes mestres que, diga-se de passagem, não estavam nem aí para isso. A história se repete, os mesmos erros do passado se repetem. E aí fica mais claro entender por que Krishnamurti evitou com todas suas forças criar uma nova organização religiosa. Se por um lado as organizações são importantes para perpetuar a memória e preservar os ensinamentos dos grandes mestres, por outro lado elas se tornam fator de divisão e conflito.

Por fim, cada um siga o caminho que mais lhe apetece e com o qual mais se identifica. Independente do caminho de Yogananda estar certo ou não, não é isso que vai iluminar ou impedir a iluminação daqueles que realmente estão preparados para ela. Ramana Maharshi nunca praticou nada, não seguiu método nenhum e não teve mestres, mesmo assim, naturalmente,  a Verdade despertou dentro dele. Já Nisargadatta Maharaj teve um guru que lhe ensinou um método que ele seguiu e em poucos anos se iluminou. Como disse UG, não há regras, não há meios, ninguém sabe como isso acontece. De repente, “por um golpe de sorte você tropeça nisso”. Mas, sinceramente acredito que tanto Yogananda quanto Krishnamurti têm sua validade. Aquilo que falta em Krishamurti - uma abertura maior ao misticismo mesmo que seja apartado da tradição convencional- pode ser encontrado em Yogananda. E o que falta em Yogananda - essa percepção de que Deus/a Verdade não pode ser subjugada, nem alcançada por nenhum método direto - pode ser encontrada em Krishnamurti. Na dúvida, duvide de ambos e descubra por você mesmo a verdade acerca dessa questão.

By Alsibar Paz

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

BABAJI – O AVATAR DO NOVO MILÊNIO ?- Is Babaji- the New Mileniun's Avatar ?


Babaji

Você já ouviu falar em Babaji? Se não, conheça a história deste  iogue extraordinário. Se já conhece, conheça mais detalhes sobre sua vida e reflita conosco sobre os principais eventos  envolvendo este verdadeiro avatar do novo milênio.

Babaji não é um nome.         É um título como Cristo e Buda. Etimologicamente significa “pai” e Ji é um sufixo de respeito e reverência . Por exemplo, Krishnamurti era carinhosamente chamado de Krishnaji, por seus amigos indianos. Babaji, da mesma forma, é um título de carinho e reverência – mas é provável que ele  tenha usado vários nomes e formas, em diferentes épocas e regiões.
Babaji  foi o guru de Lahiri Mahasaya, mestre do mestre de Paramahansa Yogananda – autor do best seller “Autobiografia de um Iogue”. Ninguém o conhecia, a não ser, poucos devotos privilegiados. Coube a Yogananda divulgar ao mundo a existência desse avatar extraordinário, cuja idade, sabedoria e poder são incalculáveis.  Apesar de idade indefinida, se apresenta frequentemente como um jovem bonito, de longas cabeleiras cor de bronze. Outros autores  afirmam que ele já fora um ser humano mortal como nós, que nasceu 200 anos d.c. na Índia, tendo alcançado o estado de imortalidade plena após longos anos de prática ióguica. Mas é estranho, que nunca se tenha ouvido falar em Babaji antes de Yogananda. O fato é que após o “Autobiografia” apareceram vários relatos de supostas visões e aparições de Babaji.
A fama de Babaji e sua extraordinária presença causou tal “frisson” no mundo que houve até mesmo um Babaji “fabricado”.  Suas fotos e vídeos “fervilham” na Internet,  ao simples digitar de seu nome. Todavia, sabe-se que não é o mesmo Babaji de Yogananda. Esse rapaz já era conhecido na região de Haidakhan como Wilson Baba, filho de mãe indiana e  pai inglês. Devido a sua incrível aparência com as descrições do grande iogue imortal, não custou ser confundido com Babaji- coisa que ele pessoalmente nunca afirmou -mas também não negou. O fato é que este rapaz foi crescendo e, ao poucos, foi engordando,  distanciando-se, assim, da imagem do grande Babaji descrita por seus verdadeiros discípulos. Suas últimas aparições em vídeo,  mostram um homem abatido , aparentando tristeza em meio a reverências e rituais de adoração. Ele não parecia nem sereno, nem feliz. Morreu cedo, aos 28 anos, no ano de 1984- causa da morte não divulgada.
Mas sobre  o verdadeiro Babaji  sabemos muito pouco. Nunca teremos como saber se as pessoas que dizem tê-lo visto- realmente o viram. Além disso, há muitos “gurus” por aí se auto intitulando encarnação de Babaji. Obviamente há muita exploração comercial em torno deste nome. O verdadeiro Babaji, passou séculos, ou até milênios sem se mostrar ao mundo. Por que iria aparecer agora  na Internet, através de organizações religiosas pouco confiáveis? A imagem de um “avatar popstar’ não combina com o iogue recluso e humilde que Yogananda nos apresentou em seu livro.
Tudo que sabemos de Babaji não fora contado por ele próprio, mas nos chegou através de relatos dos próprios discípulos. Yogananda nos oferece testemunhos em terceira, segunda e primeira mão. Na sequência: aqueles contados por Lahiri Mahasaya e seus discípulos diretos. Depois, aqueles contados por seu mestre Sri Yuktéswar- que foi abençoado com um encontro com o mahavatar em uma Kumb Mela (Festival Religioso). E finalmente, por Yogananda que descreve seu memorável encontro com o guru imortal. O que passa disso é contestável, não podendo se afirmar se é verdadeiro ou falso. Assim sendo, está no âmbito das possibilidades e não da Verdade. Já o testemunho de Yogananda e seus mestres antecessores são dignos de nossa confiança e gratidão.
No âmbito das possibilidades, afirmam alguns autores que Babaji, iniciou importantes santos , sábios e iluminados famosos entre eles: "Shankaracharya, o grande reformador do Hinduismo do século 9º d.C., e Kabir, o santo do século 15 amado pelos Hindus e por muçulmanos. No século 19, Madame Blavatsky, a fundadora da sociedade de Teosofia, o identificou como “Matreiya”, o Buddha vivo, ou o “Professor do Mundo para a era vindoura"*.Tendo sido um dos mestres que iniciou Krishnamurti e provavelmente acompanhou-o  durante toda sua missão na Terra. Fato que não surpreende, pois o próprio Krishnamurti refere-se em seu diário sobre a presença constante do “outro”,  “uma presença”, “o abençoado” sentida não apenas por ele, mas por outras pessoas também. Se  tais afirmações forem verdadeiras, Babaji foi responsável pelos maiores acontecimentos no âmbito da espiritualidade, contribuindo decisivamente para a elevação da consciência espiritual da humanidade.




Capa do Album Sgt Peppers


Em destaque Sri. Yuktéswar, Babaji, Yogananda e Laíri Mahasaya


Huberto Rohden
 Saindo do âmbito das possibilidades, é fato que Babaji iniciou um movimento espiritual no mundo moderno sem precedentes. Sua vida, seu exemplo, sua história e o de seus quatro iogues discípulos ( Lahiri Mahasaya, Sri, Yuktéswar e Yogananda), promoveram um grande reavivamento espiritual no mundo todo. É difícil encontrar um buscador ou espiritualista que não conheça Yogananda ou Babaji. Aqui no Brasil, o grande espiritualista e escritor Huberto Rohden era discípulo indireto de Yogananda.  Até mesmo os Beatles prestaram homenagens a Babaji e seus discípulos diretos, estampando-os na capa do famoso álbum Sgt Peppers . O livro  Autobiografia foi lido por milhares, milhões de pessoas e quem o lê sente acender a chama da busca pela evolução espiritual. É difícil não querer emprestá-lo ou presenteá-lo a um amigo ou parente , foi assim que ele veio ao meu conhecimento e ao conhecimento de muitos.
Mas, é bom que se diga, Babaji não é propriedade de ninguém.  Assim como os cristão não são “donos” de Cristo, nem Buda é propriedade dos budistas. Assim também é sua mensagem.  Apesar de haver muita gente querendo tirar vantagem ou explorar os incautos usando o nome sagrado de Babaji, sabemos que ele mantém-se acima dessas mesquinharias e pobreza humanas. Algumas organizações e movimentos se arvoram em únicas autoridades sobre a legitimidade de  seus ensinamentos. Desta forma, criam um falso mistério, um hermetismo tolo e medieval.  Babaji, autorizou dar iniciações em Ioga, a todos que sinceramente se interessassem pela senda espiritual. No entanto, sabemos que estas iniciações, se tornaram  objetos valiosos no mercado espiritual- onde quem manda é quem tem mais. Mas, “não há nada de oculto que não venha ser revelado” já dizia o Cristo. Para que esse hermetismo estúpido? Os ensinamentos de todos os mestres nunca foram reservados a poucos escolhidos. Se não, estaríamos impedindo que todos tivessem acesso igual ao Reino dos Céus, Nirvana ou Moksha ( Libertação). Não há nenhum segredo. Todos os que pagaram para “conhecer” a “verdadeira ioga de Babaji” são unânimes : é a mesma mensagem do Bhagavad Gita, de Sankara, de Buda, de Cristo , de Krishnamurti e outros mais. Em essência é exatamente a mesma. Então para que tanto mistério? 
Não sejamos tolos.  Babaji está além de todas as organizações e movimentos religiosos, e acima todas essas “querelas” infantis . Quem realmente é BABAJI? O que ele disse e fez ? Não temos como saber. Penso que  ninguém está autorizado a se fazer porta-voz do Infinito- a não ser os grandes – os iluminados- que ele próprio escolheu cujos nomes são centenas de vezes citados aqui. Pode ser que Ele esteja juntamente com outros avatares, cuidando de questões cósmicas sobre o destino do Universo,  pode estar - humilde e anonimamente- servindo aos famintos e necessitados – como fez quando Sri. Yuktéswar o encontrou numa Kumb Mela na Índia. Pode estar socorrendo os aflitos- em suas orações e dores profundas . Pode estar influenciando e comandando acontecimentos de magnitude mundial ou cósmica. Pode estar inspirando escritores e buscadores no mundo todo. Pode estar em nossos corações, na natureza, num cachorro que chutamos por desprezo e arrogância. Como saberemos? Então o que nos resta fazer?
Resta-nos mergulhar na sabedoria . Quanto mais profunda for o nosso autoconhecimento, maiores serão nossas chances de entrar em sintonia não só com Babaji, mas com Cristo,  Buda etc. Lá, na região do imensurável, além de todas palavras, descrições , pensamentos e desejos é que poderemos ter um vislumbre dos avatares, seres que são a própria divindade encarnada.  Krishnamurti, pouco antes de morrer disse: 

 “Se vocês viverem os ensinamentos poderão tocar aquela energia imensa, vasta e infinita”. 

Sri Yuktéswar, por ocasião de sua ressurreição, disse que a meditação profunda é a porta para contatar os planos superiores- o Causal Superior- onde pairam as grandes almas libertas ( A. Y.-463). Muitas pessoas, já sentiram ou perceberam a  presença abençoada dos mestres, tanto em meditação, quanto em profunda e verdadeira oração ( Unidade Frequencial).  Essas manifestações são íntimas e pessoais e não devem ser divulgadas, ou usadas para fins de autopromoção pessoal- exceto quando atendem a uma orientação superior.

Babaji não é “mais um deus”, ele é um ser divino, um avatar, como Cristo, Buda, Krishnamurti e outros. São nossos irmãos que amorosamente descem ao mundo, num esforço hercúleo para, através de seus ensinamentos e exemplo, nos mostrar a luz da VERDADE e o caminho da LIBERTAÇÃO, para que um dia possamos despertar  nossa própria  natureza divina e, assim, realizarmos o  que Cristo  e o próprio Jeová afirmam na Bíblia:
 “SOIS DEUSES! SOIS TODOS FILHOS DO ALTÍSSIMO!” (JOÃO 10:34; Sl 82:6)
AUTOR : ALSIBAR
htpp://alsibar.blogspot.com
MSN: alsibar1@hotmail.com
Referências:
·         Autobiografia de um Iogue- Paramahansa Yogananda- Self Realization Fellowship – Brasil- 2008.
·        * Babaji Kriya: http://www.babaji.ca/portuguese/babaji.php

quinta-feira, 21 de julho de 2011

MITOS E VERDADES SOBRE ILUMINADOS - MITHS AND TRUTHS ABOUT ENLIGHTEDS

      
·        Todo iluminado é pobre .
Mito. Por definição o iluminado não tem apegos nem ao luxo nem à pobreza. Pode ser extremamente pobre de bens materiais como Ramakrishna e Ramana Maharshi. Pode ter uma vida modesta como trabalhador  ou exercer uma profissão, como o foram Lahiri Mahasaya e Sri. Yuktéswar. Ou levar uma vida de classe média alta, como o foi Krishnamurti.  Este último,  apesar de gostar de carros, morar em casas bonitas, usar roupas elegantes e frequentar bons restaurantes, não considerava-se dono dessas coisas. Não andava com dinheiro e dizia que tudo que precisava era um lugar para dormir, roupas para usar e comida para se alimentar.
 
·        O Iluminado não tem vícios, desejos, nem defeitos.
Mito. O vício está ligado ao corpo. Sri. Nisargadatta Maharaj fumava e também comia carne – um hábito considerado um pecado mortal pelos conservadores hindus. Krishnamurti, apesar de não ser hindu, era vegetariano, não fumava e não bebia. Todavia, chegou a manifestar desejos carnais, pois  teve  um relacionamento amoroso com  Rosalind Willians Raja Gopal- esposa de seu secretário particular. Isso foi revelado em um livro lançado pela filha de Raja Gopal , Radha Sloss “Lives in the Shadow With J. Krishnamurti”- ainda sem tradução para o português. Este fato não foi desmentido nem por sua  biógrafa, Emily Lutiens, nem pelas fundações que o representam. Para mim,  isso não foi motivo de escândalo ou diminuiu a minha admiração por Krishnamurti, pelo contrário, fiquei satisfeito em saber que ele era tão humano quanto nós e que também teve seus defeitos, deslizes e processo  de desenvolvimento. Além disso, está coerente com seus ensinamentos, pois nunca pregou a castidade, nem a repressão dos desejos biológicos. O iluminado não é um ser “celestial”, “infalível” , ou “perfeito” ele é tão humano e divino como todos nós somos. É bom sabermos que eles não nasceram prontos e que também passaram por um processo de desenvolvimento e maturação, como nós estamos passando, o que nos serve de motivação para buscarmos  nossa própria Iluminação. Para encerrar este assunto, K. nunca se arvorou em santo, ou casto, ou perfeito ou qualquer outra coisa. Sua fala era que  não importava quem era o orador, e sim se o que ele falava era verdadeiro ou não. 

·        O iluminado deve levar uma vida casta e renunciada.
Mito. Lahiri Mahasaya era casado e pai de família e chegou a ter dois filhos. Trabalhava como contador para sustentar sua família e continuou casado até a morte. Ramakrishna também era casado com Sarada Devi.
·        O iluminado não tem emoções humanas, não hesita e não se abala com nada.
Falso. Conta-se que Sri Yukteswar chorou muito quando Yogananda viajou para a América. Jesus agonizou no jardim do Getsêmani e pediu ao pai para afastar o cálice -que foi um apelo para Deus libertá-lo do drama que estava prestes a viver. É dito também que ele chorou sobre Jerusalém. Krishnamurti mostrava impaciência e irritação em público, fato notado por muitas pessoas e até mesmo por Mary Zimbalist- sua secretária particular. E, mesmo Babaji, hesitou quando quis despojar-se de sua manifestação carnal e pediu a opinião de sua irmã Mataji, esta aconselhou-o para nunca deixar sua forma humana e assim, ele o fêz – fato descrito por Yogananda no livro Autobiografia de um Yogue.
·        O iluminado sabe de tudo.
Outro grave erro. O iluminado sabe de tudo acerca das ilusões da mente , da libertação e da compreensão da Verdade. Mas, não sabe tudo. Certa vez Krishnamurti estava no Brasil e alguém perguntou-lhe como seria seu futuro. Ele respondeu que não era advinho. E realmente não era. Talvez haja casos  específico em que, de repente, a intuição do iluminado se amplia fazendo-o perceber coisas além do normal. Mas, estes são casos raros, não são regras e nem está no controle do Iluminado a manipulação de tais poderes. Nem mesmo Jesus manipulava seus poderes a seu bel prazer pois tudo era feito pela vontade do Pai- como ele mesmo dizia.
·        O iluminado tem poderes.
Em tese sim, mas nem sempre e não necessariamente. Na literatura budista não há um só caso de milagres atribuído a Buda. Nem por isso ele deixou de ser iluminado. Jesus fazia muitos milagres, mas, entende-se que tinha a ver com a particularidade de sua missão aqui na terra. Mas, mesmo esses, nunca eram atribuídos a si mesmo, mas como obras do Pai. Krishnamurti tinha poderes de cura, mas raramente os usava e não gostava que este fato fosse mencionado. Vários de seus amigos e conhecidos mais próximos testemunharam vários casos de curas atribuídas a Krishnamurti. Diziam que, na juventude ele lia cartas antes de serem abertas, percebia auras e ainda tinha poderes de telepatia. Lahiri Mahasaya fez vários milagres, inclusive de curas de doenças graves, bilocação, materialização, tendo, inclusive, ressuscitado algumas pessoas. Assim também, com menos regularidade o fez Sri Yukteswar. E Babaji é , em si mesmo, um grande milagre, pois  se diz que ele é imortal e não há limites para os seus poderes. Mas o fato é que ter poderes e demonstrá-los não significa a comprovação de que alguém é iluminado.
·        O iluminado não sonha .
Verdade. Por definição o iluminado extinguiu a barreira entre o consciente e o inconsciente. Tudo nele é consciência, não havendo, pois, necessidade de sonhar. Em geral eles dormem pouco e vivem a maior parte do tempo em meditação. Krishnamurti descreve em seu diário que costumava  “experimentar certos estados interiores ocorridos durante o sono” (DK-13). Lahiri Mahasaya quase não dormia, viviam quase que constantemente em samadhi ou consciência desperta.
·        Manifestação da Ananda ou Bem-aventurança.
Verdadeiro. Esse é um dos critérios mais convincentes sobre a iluminação: a existência da Ananda, Bem-aventurança, ou êxtase místico. Em que difere os êxtases de Krishnamurti de qualquer outro santo cristão ou iogue hindu? Nada. A diferença parece estar apenas em elementos periféricos tais como a cultura em que o místico foi criado, condicionando, assim a forma como ele interpreta seus estados místicos. Destarte, Francisco de Assis, vivia a paixão de Cristo e isto se refletia em seu corpo através das chagas assim como santa Tereza de Neumann, a estigmatizada católica (AI-394).Um hindu provavelmente terá visões de Krishna ou algum outro avatar. Mas a descrição da profundidade, da intensidade e da natureza intrínseca dos êxtases são muito parecidos – senão similares. Foi através de Sri. Yuktéswar que eu tomei conhecimento, pela primeira vez, sobre este importante critério revelador do estado búdico. Ao responder a uma pergunta de Yogananda sobre quando ele iria encontrar Deus, o Jnanaavatar (encarnação da sabedoria )responde: “Pode-se adquirir o poder de controlar o universo inteiro e, no entanto, descobrir que Deus se esquiva. O progresso espiritual não é medido pela exibição de poderes externos, mas apenas pela profundeza da bem-aventurança alcançada em meditação”.
Alsibar


sexta-feira, 15 de julho de 2011

LAHIRI MAHASAYA : O YOGUE PAI DE FAMÍLIA

Lahiri Mahasaya - imagem da internet
                                                                 
         Lahiri Mahasaya causa um misto de espanto e admiração a todos que tomam conhecimento de sua vida singular. De um simples pai de família,  a um dos maiores yogues da história, seu principal mérito foi ter conseguido conciliar o ideal de vida yogue  com a vida familiar. Mesmo após seu despertar ou iluminação,  L.M. não abandonou seus deveres de marido e pai de família.  Trabalhava como contador numa companhia de trens, teve dois filhos e amparou sua esposa na velhice, cuidando para que ela tivesse amparo financeiro mesmo após sua morte. Provou através de seu exemplo, que a verdadeira renúncia é interna e que não há necessidade de isolamento e abandono da vida cotidiana  para aqueles que almejam dedicar-se à vida espiritual. 

          Mestre de Sri Yukteswar - guru de Paramahansa Yogananda- Lahiri encontrou seu eterno guru Babaji apenas na meia idade . Yogananda descreve este fascinante encontro no livro Autobiografia. Após ter encontrado um jovem yogue numa solitária e distante caverna no Himalaia,  L.M. reconheceu nele seu grande mestre Babaji e, aquela caverna, como sendo sua morada na última encarnação- pois tivera sido um  yogue renunciante. Após o miraculoso reencontro, Lahíri volta pra casa e conta aos amigos o acontecido. Mas ninguém lhe dá créditos, pensam que ele teve alguma alucinação. Para comprovar a veracidade de suas palavras, L.M. invoca seu mestre que se materializa diante do olhar espantado dos amigos.  Depois disso, L.M. passou a viver uma vida comum, parte do dia dedicado ao trabalho e afazeres cotidianos e parte dedicada à meditação e vida espiritual. Lahiri Mahasaya realizou vários milagres, curas e outros grandes prodígios. Sempre de forma discreta e humilde, sem nunca "pavonear-se" de nada. Após sua aposentadoria do trabalho, era frequentemente visto em posição de lótus, mergulhado em profunda meditação extática ou mahasamadi. Esta foto é o registro de um desses momentos, seus olhos fechados, a expressão misteriosa e enigmática, revelam o regozijo interno da Ananda, ou Êxtase espiritual.

     A história desta foto é digna de nota pois Yogananda conta que ninguém conseguia fotografar o grande yogue por mais que tentasse, uma vez que o mesmo era averso a fotografias. Houve uma vez que, apesar de seus protestos, tiraram uma foto dele juntamente com os discípulos. Todavia, ao ser revelada, o espaço destinado à imagem de Lahiri estava vazia. O fato foi amplamente comentado e divulgado.
     Um fotógrafo e discípulo chamado Ganga Dar Babu tentou pegá-lo uma vez , de surpresa enquanto meditava profundamente, mas a imagem não apareceu na hora da revelação . Após várias tentativas infrutíferas, o fotográfo desistiu e apelou diretamente ao guru que disse :
 "- Eu sou espírito. Pode sua câmera fotográfica refletir o espírito Onipresente?"  
     Foi então que o fotógrafo se arrependeu e implorou ao yogue uma foto do seu "templo corpóreo". Desta vez, o yogue consentiu e pediu que ele viesse no dia seguinte que ele posaria para uma foto. Destarte, foi que conseguiram uma foto do grande mestre yogue.
      Pelo que parece, só  há uma foto do yogue e várias versões da mesma. Apesar de mudar alguns detalhes, como as vestimentas e características do corpo, o semblante extático é o mesmo.

AUTOR: ALSIBAR
http://alsibar.blogsot.com/

    Fonte de pesquisa : Autobiografia de um yogue contemporâneo - Paramahansa Yogananda

quinta-feira, 14 de julho de 2011

PARAMAHANSA YOGANANDA E O AUTOBIOGRAFIA DE UM YOGUE

Autobiografia de um Yogue
                                  

Paramahansa Yogananda foi um dos maiores místicos do século xx. Seu trabalho no campo da espiritualidade reacendeu  a fé e a esperança em muitos corações quebrantados pela  descrença e a dúvida. O livro Autobiografia de um Yogue  já  transformou muitas vidas, tocou muitos corações e acendeu a sede pela vida espiritual autêntica.  Através dele, o mundo teve conhecimento da existência de seres iluminados que viviam na Índia em humilde anonimato: Sri Yukteswar -seu mestre; Lahiri mahasaya – o yogue pai de família; Babaji- o imortal cristo-yogue dos Himalaias. Além de muitos outros santos e sábios que cruzaram seu caminho. Um livro sobre yogues, escrito e testemunhado por um yogue autêntico- o que o diferencia dos livros escritos por repórteres, escritores, escritores ou simples curiosos- fato este que o livro único no mundo.

No livro, Yogananda relata sua própria vida tendo em foco sua jornada em busca de Deus.  Ao longo dos anos,  testemunhou casos fantásticos de milagres, telepatia, materializações, ressuscitamento, cura de doenças  e outras façanhas só vistas nas páginas da Bíblia. Mas , se fosse apenas isso, não passaria de uma obra de marketing de fenômenos espirituais e nada mais. Yogananda vai além. Esclarece dúvidas, responde questões complexas sobre nascimento, vida, morte, reencarnação, transmigração da alma, mundos extrafísicos e questões relativas ao processo de  libertação do espírito. Fala também do amor de Deus pela humanidade, e aponta-nos caminhos que podem ajudar-nos no nosso próprio autodesenvolvimento e realização.

Mas, muito cuidado o leitor de primeira viagem. O livro é tão encantador que após lê-lo ficamos sedentos de mais informações. Queremos fazer o curso de yoga por correspondência  ou até mesmo visitar a tal organização por ele fundada. Infelizmente, logo constatamos que, apesar de recente, sua organização já sofre com os problemas peculiares a todas organizações religiosas. Os discípulos diretos já se dispersaram ou morreram e os que ficaram não se entendem. Alguns se separaram e criaram sua própria organização espiritual e outros continuam, mas sem a vitalidade e o espírito do seu fundador.  Há, inclusive, polêmicas e brigas judiciais sobre  direitos autorais da técnica ensinada por Babaji e sobre os direitos autorais de tudo relacionado a Yogananda.

Além disso, ao digitar palavras como “Babaji” , "Yogananda", "Kriya Yoga" no Google surgem tantas informações desencontradas e confusas que não sabemos em quem acreditar. Há, inclusive, vários Babajis. Mas nenhum é "o Babaji" de Yogananda. O mais famoso deles é um rapaz que faleceu há poucos anos atrás. Seu nome real é Wilson Baba filho de uma indiana com um Inglês. Mas não é o grande Avatar descrito no Autobiografia. Este rapaz morreu aos 28 anos e existem várias fotos e vídeos dele na Internet. O verdadeiro Babaji nunca fora fotografado, nem filmado. As imagens que existem dele vem de um retrato falado, feito por um artista a pedido de Yogananda seguindo sua descrição. 

O "Autobiografia de um Yogue" é uma obra memórável e fascinante. Ao lê-lo, algo dentro de nós nos diz que seu relato é verdadeiro- uma vez que fora testemunhado por várias pessoas e realmente traz ensinamentos profundos dignos dos maiores  sábios que a humanidade já teve. Ao lê-lo, siga o conselho da Bíblia: analise tudo e retenha o bem. É difícil não querer comprá-lo mesmo depois de termos lido. É um livro pra se ter em casa, pra consultas periódicas e também um ótimo artigo para presente  .

 Todavia, se você não tiver condições e quiser ter um vislumbre dessa história fascinante,  você poderá baixar uma cópia  gratuita no link abaixo. Lembrando, esta cópia foi feita de forma amadora e contém alguns erros de revisão. Melhor mesmo é comprar o livro, mas se não for possível... siga seu coração :



 Boa leitura!