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domingo, 25 de setembro de 2011

MISTÉRIOS PARADOXAIS



Só somos,
Quando não somos.
Só achamos quando não buscamos,
E só quando  não estamos,
É que achamos.
Quando
Encontramos  a Verdade
 Nada muda,
E tudo muda.

Só meditamos,
Quando não  há meditador.
Se há meditador,
Não há meditação.


A verdade
não é a Verdade.
Se ainda há verdade,
É porque ainda não a encontramos.
Quando a Verdade se revela,
Ela não é.
E por isso “ É”

Só na consciência,
Se revela a Verdade
Mas se estou consciente dela,
Ela deixa de sê-la.

O Autoconhecimento,
Não é se autoconhecer.
É conhecer, apenas.
Não há um alguém,
Conhecendo alguém.

O Não-caminho,
É o verdadeiro Caminho.
O Não-Movimento
É o verdadeiro movimento.
A não-busca,
É a verdadeira busca.
A não-ação,
É a verdadeira ação.

Não há o tornar-se,
Há apenas o SER.
E o verdadeiro SER,
É o Não-ser.

Da quietude,
Surge  o movimento.
O movimento,
Vem da quietude.
O homem sábio,
Não sabe que o é.

O “ EU SOU”,
Se manifesta,
Quando “NÃO-SOU”.

A verdadeira Luz,
Não é luz,
Ela só existe,
Quando não há
Nem luz,
Nem escuridão.

A verdadeira Paz,
Não é paz
Nem conflito.
Só quando,
Paz e conflito,
Inexiste,
Existe a verdadeira
Paz.

O nada,
Não é o Nada.
Nem o vazio,
        É o Vazio.
A mente,
Não está parada,
Nem em movimento.
Só quando não há,
Nem movimento,
Nem quietude,
É que há,
A Verdadeira
Quietude.

Não há silêncio,
Nem barulho.
Só quando não há,
Nem barulho,
Nem silêncio,
É que existe o verdadeiro
Silêncio.

Libertação,
Não é o contrário da prisão.
Só quando não há,
Nem prisão, nem libertação
É que  existe a verdadeira
Libertação.

Não há iluminação,
Nem  Ilusão.
Só quando estes dois inexistem,
É que vem a verdadeira,
Iluminação.

Não há ascenção,
Nem queda.
Não há controle,
Nem descontrole.
Não há carne,
Nem espírito.
Não há tristeza,
Nem alegria.
Não há separação,
Nem união.
Não há um,
Nem múltiplos,
Não há fragmentação,
Nem totalidade.

Quando a mente,
Liberta-se de toda dualidade,
E da não-dualidade,
Ela alcança a verdadeira,
Unidade
Quem a isso compreende
Alcança
O  
 INONIMÁVEL
UNO.

ALSIBAR ( sob inspiração do TAO)


msn: alsibar1@hotmail.com

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O PODER DO “ EU SOU” - THE POWER OF "I AM", AUM

Cristo Interno- Eu Sou - Aum

(Você já percebeu quantas vezes a Bíblia cita a expressão “Eu Sou” tanto no antigo quanto no Novo Testamento? Qual seria o verdadeiro sentido do “Eu sou”? É possível entrarmos em contato com o “Eu sou”? Como fazê-lo? É o que analisaremos no texto abaixo.)

No antigo testamento, no livro de Êxodo , Moisés pergunta a Deus “ Qual o seu nome?”, e ele responde “ Eu Sou o que Sou. Disse mais : Assim dirás aos filhos de Israel : Eu Sou me enviou a vós outros.” (Ex. 3:14-15). No último livro da Bíblia, em Apocalípse, Jesus diz “ Eu Sou o Alfa e o Ômega, aquele que é, que era e que há de vir” Ap.1:8).Nos evangelhos, são inúmeras as passagens em que Jesus refere-se a si mesmo como o “EU SOU”:
·        Desde já vos digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer creiais que EU SOU! (Jo. 13:19)
·         Quando levantardes o filho do homem, então sabereis que EU SOU! ( Jo. 8:28)
·        Se não crerdes  que “EU SOU” morrereis em pecado ( Jo. 8:24)
·         Em verdade, em verdade vos digo antes que Abrãao existisse EU SOU! (Jo. 8:58)
Além destas citações, são famosas as frases em que disse: “ Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida; Eu Sou a porta; Eu Sou o Bom Pastor; Eu Sou a Luz do Mundo: Eu Sou o Pão da Vida, Eu Sou a videira verdadeira” - dentre outras mais. Ou seja, a expressão “EU SOU” é usada na Bíblia com um significado especial, não é simplesmente um pronome pessoal de primeira pessoa  mais um verbo de ligação, é também um nome próprio e uma forma de expressar ou tentar definir o que é indefinível: Deus. 

Assim, sendo, conclui-se que Deus é o Absoluto: o que é, o que foi, e o que há de vir, e que a expressão EU SOU é apenas uma forma de definir este absoluto indefinível. Daí,  podemos inferir que, como Jesus  foi o Avatar ou Encarnação da Divindade Eterna, Última e Imensurável, ao referir-se àquela força Cósmica da qual ele foi sua manifestação visível, ele se autodenominava “EU SOU”. Ao insistir na expressão “EU SOU”, estava usando uma espécie de código para dizer “ EU SOU o verdadeiro Deus, o mesmo de Moisés, Abraão e dos profetas, aquele que é, que foi e sempre será”, de forma que não houvesse dúvidas nem naquele tempo, nem nos tempos vindouros , sobre sua real identidade, natureza e missão.
Ora, na tradição Védica, o Eu Sou, já era conhecido há milênios pelos hindus como o som original OM, ou AUM. Afirmam, inclusive, que Deus, por ser Absoluto, não difere de seus atributos, ou seja : ele é o NOME (AUM, EU SOU) e o referente ( O Inominável, o Desconhecido, o Impensável, Incognoscível);  é Criador e Criatura,  Observador e coisa observada;  é o Sujeito e o Objeto. Não nos espantemos, pois quando afirmamos isso pois a lógica é simples : ser  "o que é, o que foi e o que será " é o mesmo que dizer EU SOU TUDO,  EU SOU O ABSOLUTO. Se alguém ainda tem dúvida, veja o que Jesus disse, na sentença 77, do Evangelho de Tomé, o Dídimo: “
“ EU SOU a Luz que paira acima de todas as coisas. EU SOU O TODO. Tudo se originou de mim e através de mim tudo foi feito. Cortai um pedaço de madeira, eu estarei lá. Levantai a pedra lá me achareis”
Agora, o que este conhecimento pode nos revelar? É aí onde muita gente acaba se enganando e cometendo muitos erros.  Sair por aí repetindo “EU SOU” ou AUM, não vai te colocar em conexão com Deus, por mais que se tente. Não esqueçamos que a nossa linguagem é pobre e que nossa mente - limitada pelos pensamentos e condicionamentos- não consegue compreender o Infinito, o Ilimitado. Ao afirmarem que Deus é o “EU SOU” os avatares estavam apenas tentando comunicar, apontar algo que é essencialmente indescritível e incomunicável e como não há outra forma eles usam a linguagem. Todavia, isso não significa dizer que estas palavras tenham algum poder mágico ou algo especial.  
Ou seja, não tem utilidade nenhuma repetir palavras, que são apenas recursos comunicativos limitados, na ilusão de, ao fazê-lo, estarmos contatando Deus- o Ilimitado. "EU SOU" é a vibração criadora e mantenedora do Universo; é, talvez, em nossa linguagem, a melhor expressão para definir e expressar o que é DEUS ( digo “o quê”, pois não podemos reduzi-lo a uma pessoa).
Assim, o EU SOU, é a tradução em linguagem humana, do som, ou vibração universal que é a própria essência de toda criação, da matéria, da energia, dos átomos e partículas subatômicas. É o que mantém  vivo e coeso o cosmo que conhecemos. Mas, se Deus não é a palavra o que ele é? ELE É O QUE É. Todos os grandes e verdadeiros iluminados afirmaram isso, desde Jesus, passando por Buda, até Ramana Maharshi. Buda também acreditava em Deus? Acreditar não seria a palavra mais apropriada. Buda disse “ Mais alto que o céu, mais fundo que o inferno, além das mais longínquas estrelas, há um poder estável e divino, existente antes do princípio e que nunca terá fim. Eterno como o tempo, seguro como a certeza, que impele para o bem e é súdito de suas próprias leis” ( O evangelho de Buda –Yogi Kharishnanda).Os iluminados não acreditam em Deus, eles vivem Deus, eles o sentem, o veem em tudo o que existe, e compreendem que são parte dele. Desta forma, entendemos quando Krishnamurti diz que “ Perceber a Verdade é perceber “O que É”.
Mas, como perceber o que é? O eterno “EU SOU” do Universo? Pela meditação, pelo autoconhecimento, pelo perceber as ilusões criadas pela mente. Mas nunca repitam o “EU SOU” na ilusão de que estão meditando. Repetir “EU SOU”, ou “AUM” não liberta ninguém de nada. Ninguém chega a lugar nenhum por um ato voluntário da mente pensante ou EGO. Para que repetir verbalmente o EU SOU? O que pretendemos alcançar com esta prática mecânica e pueril? Ela apenas nos põe a dormir mais ainda, na ilusão de que estamos nos libertando ou entrando em contato com Deus. Deus está além das palavras. A palavra, e a linguagem são instrumentos de comunicação humana. Nada mais. O verdadeiro poder criador encontra-se na mudança de frequência, quae se realiza quando  passamos do pensamento para o não-pensamento, o que nos possibilita o encontro com a energia criadora do universo. Mas, não forceis o pensamento a não-pensar. É outro engano. O pensamento nunca pode parar, por ser, por definição, movimento. Além disso, cairíamos na ilusão da dualidade : entidade pensante versus pensamento. Esta divisão é ilusória, como já, alertou-nos Krishnamurti, Buda e Ramana Maharshi.
Mas  quando nada fazemos ( ZAZEN), e apenas percebemos “o que é” (Krishnamurti), quando nossa mente deixar de distorcer, de enganar, de criar ilusões. Quando a “consciência pura” se faz presente em nosso ser e nos tornamos apenas a testemunha (Ramana Maharish), neste repouso começa um movimento desconhecido    (“se vos perguntarem qual é o sinal do Pai em vós dizeis : é movimento e repouso- Jesus, Evangelho de Tomé). Começa, então, o agir pelo não agir dos Taoístas (wu-wei). E começamos a perceber que sempre fizemos parte do EU SOU universal e que nunca houve separação real. É a mesma relação da onda com o Oceano, ou da vela com o Sol – tudo é Oceano ou Luz.  Acreditar-se separado é viver em dor, conflito e sofrimento. Despertar para a Unidade é encontrar a verdadeira fonte da criação e do poder.
 Mas, esse poder, não pode ser manipulado ou usado por nós enquanto estivermos na ilusão do EGO. Somente no morrer é que há um renascer. Mas o que renasce não é a mesma coisa que morreu, é algo diferente, do qual o EGO não pode compreender, contatar ou perceber. O ego morre quando morremos para toda experiência, memória, passado, pensamentos, palavras e desejos de qualquer espécie. Não pode ser chamado de entrega, porquanto o ego não pode entregar nada – quando ele entrega há sempre um desejo por trás e, neste caso, é o desejo de perpetuação.  "Extinção " seria a melhor palavra para este processo.

 Então, extinto o ego, poderá nascer aquilo “que é , que foi e será”: o Eterno, o Atemporal, o Desconhecido.  Aquilo que, ao longo dos séculos, por pura necessidade de comunicação e por causa da  pobreza da nossa linguagem , foi  traduzido pela expressão  “EU SOU”.

AUTOR: ALSIBAR, (sob inspiração?)
http://alsibar.blogspot.com