terça-feira, 27 de novembro de 2018

O VISLUMBRE DA LUZ




Aqueles que almejam o Divino devem entender que Ele sempre está aqui. O que está bloqueado é nossa a percepção mental e espiritual. Esse bloqueio é uma espécie de segurança para o próprio aspirante pois o impacto de sua presença pode ser devastador- como o foi para algumas pessoas que tiveram o vislumbre sem o devido preparo- uns enlouqueceram , outros entraram em depressão ou cometeram suicídio.

 Um dos mestres de Yogananda dizia que uma manifestação divina no momento inapropriado poderia fulminar todas as células do corpo. Daí a necessidade de preparação e distância na medida certa. A preparação é necessária para fortalecer o cérebro de forma que ele possa ser capaz de perceber o vislumbre . O distanciamento é para que esse vislumbre seja na dose correta para poder garantir a segurança física, mental e espiritual do aspirante.

Quando Jiddu Krishnamurti viveu essa preparação, ele sentia como se houvesse seres de luz abrindo-lhe o cérebro, fazendo uma espécie de assepsia - para ver quanto " Dele poderia se manifestar"- uma experiência não muito agradável para o indiano imaturo, ainda novato nos mergulhos profundos da Consciência Divina.

O certo é que Ele vai aos poucos se mostrando de forma delicada, como um Sol nascendo no horizonte de uma praia com nuvens bloqueando parcialmente seu aparecimento. Ninguém pode olhá-lo diretamente mas sempre de forma indireta, como está escrito em Êxodo 33-20: " aquele que vê minha face não viverá". E sempre com os "pés descalços" em sinal de veneração e humildade. Há nítidos sinais de mudanças ocorrendo na mente, no espírito e no corpo físico. Nada pode ser feito, nem tocado. 
Ao homem só resta a entrega e a confiança.

(Alsibar)

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

UM CONTO ZEN, NUNCA É APENAS UM CONTO...


O abade do Mosteiro chegou para inspecionar o progresso espiritual dos monges . Ao chegar na sala do zazen-do estavam todos sentados com o rosto voltado para a parede na clássica posição de zazen. Ao aproximar-se do primeiro, sussurrou ao seu ouvido , de modo que ninguém mais pudesse ouvi-lo::
- O que vc está fazendo ai?
- Ora, mestre! Estou meditando!
O mestre disse: Saia já desta sala! Você é indigno de sentar-se nela.
E assim foi sucessivamente, perguntando um por um e a resposta era sempre a mesma, ou muito parecida - com poucas variações. Ate que restou apenas o cozinheiro. Aproximou-se dele e perguntou-lhe ao ouvido:
-O que você está fazendo ai meu jovem?
- Nada senhor!
- Como nada? Você está ai, sentado , olhando para a parede com a coluna ereta. Diga-me, que você está fazendo ai?
- Nada, senhor! Absolutamente nada! Nem mesmo estou aqui.
O mestre então reclinou-se em sinal de respeito e disse:
- Encontrei um verdadeiro discípulo de Buda!
( Alsibar)
A MEDITAÇÃO QUE SE PRATICA DE FORMA DELIBERADA E CONSCIENTE NÃO É MEDITAÇÃO!

“Mas a meditação tornou-se algo que você pratica, você segue um sistema , um método . Faz Ioga como parte da meditação. A meditação é isso? Preparação e meditação? Preparar-se através de um sistema. Preparar-se através da ioga, repetição de mantras etc. Repousando por 20 minutos pela manhã, por 20 minutos à tarde e 20 minutos ao anoitecer, tirar um cochilo, repousar... seja lá o que for. E praticar tudo isso , dia após dia. A meditação é isso? A maioria de nós medita deliberadamente, conscientemente...pratica conscientemente com o objetivo de meditar. Ou pratica, segue , obedece a um padrão , para depois aprender o que é ser consciente. Existe uma grande quantidade de gente seguindo alguém para lhes ensinar como ficar consciente. Tudo isso soa como uma tremenda tolice. Então o que é Meditação? É uma pergunta interessante porque a meditação consciente, o processo deliberado para se sentar corretamente, respirar etc... para conscientemente , deliberadamente meditar, NÃO é meditação. É como trabalhar conscientemente para ser um executivo, tentar conscientemente ser um milionário, para ter bastante dinheiro- é a mesma coisa. Você quer um resultado. Você quer paz de espírito, quer silêncio.” Jiddu Krishnamurti- A morte não está no final da vida- 1985- you tube.
https://www.youtube.com/watch?v=T1ZjGJFnYx0&t=3613s

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

sábado, 10 de novembro de 2018

OS NÍVEIS MEDITATIVOS


OS  NÍVEIS MEDITATIVOS
by Alsibar




Alguém me perguntou : como saber em qual nível meditativo se está?

Primeiro, vamos conhecer alguns níveis de consciência meditativa. Para isso,  vamos dividi-los em 7 níveis , começando pelo 1 como sendo o nível de consciência normal das pessoas comuns também conhecido como "normose" ou "nível normal neurótico". Abaixo desse, vamos criar o  nível “zero” como sendo o estado patológico. Então ficaria assim:

0-      O PATOLÓGICO- Nessa faixa estão as pessoas que sofrem de depressão, ansiedade , síndrome do pânico , esquizofrenia etc. Esse nível piora à medida que desce abaixo do zero, por exemplo: -1, -2... Até alcançar um estado de completo desequilíbrio e loucura mental. São casos que necessitam de um diagnóstico médico e são tratados com terapias , medicação e, em casos muito graves, internamento.

1-      A NORMOSE - Nesse nível estão as pessoas consideradas “normais” pela sociedade. São pessoas que nunca se interessaram, leram ou praticaram nenhum tipo de meditação. São totalmente dominadas pelos pensamentos, identificadas com o corpo e com a dimensão mental/material. São totalmente dominadas pelos pensamentos, desejos e impulsos inconscientes.  Há alguns subníveis a saber:

1. Religiosos : os que professam alguma religião já estão um pouco mais avançadas em relação àquelas que não têm. Todavia, transformaram a religião numa espécie de balcão de negócios. Barganham com Deus.  Então, para agradar a Deus e ter dele algum benefício vão à missa ou aos cultos, dão dízimos ou ofertas e costumam ser muito ativos em suas igrejas. Sua vida espiritual se resume a irem às missas, cultos, rezar, orar, ler a  Bíblia ou seu livro religioso específico, fazer alguma caridade ou alguma ação social. Seu sentido de felicidade está ligado às coisas , pessoas e posição social. Muitas têm aquele tipo de fé que se traduz em petições- como se Deus fosse um atendedor de desejo. Mas, apesar da fé, vivem com medo de tudo e não se contentam em deixar que Deus lhes guie a vida. São diligentes no cumprimento dos seus rituais religiosos pois assim se sentem mais seguras e próximas de Deus.

2-      O MEDITADOR TÉCNICO -Nesse nível estão as pessoas que já praticam ou estão começando a praticar a meditação convencional, tradicional que faz uso de técnicas para controlar a mente. Essas técnicas incluem postura, consciência da respiração e uso de mantras para acalmar os pensamentos. Em geral buscam algum benefício de ordem física, espiritual ou emocional. Nesse nível a pessoa já sabe que pode “controlar” seus pensamentos e sua instabilidade mental através de técnicas específicas e da prática constante.

3-      ABANDONANDO AS TÉCNICAS-Esse é um nível um pouco mais profundo pois já se percebeu que a própria prática da técnica se torna uma espécie de prisão em si. Nesse nível a mente está muito mais silenciosa e consciente de si. A pessoa já consegue silenciar a mente fora do momento meditativo. Sua meditação extrapola os limites da prática e da técnica e se torna cada vez mais natural e espontânea surgindo naturalmente ao longo do dia e nos afazeres diários.



4-     NENHUMA TÉCNICA- Nesse nível há um silêncio profundo e imperturbável que caracteriza o estabelecimento da paz interior. A paz já pode ser sentida e percebida tanto pelo “meditador” quanto pelos que estão ao redor. Uma paz que se torna bem-aventurança em alguns momentos. Há insights e “coincidências” que estranhamente começam a acontecer de forma natural. A mente se torna cada vez mais estável e silenciosa. A intuição aflora. Sente-se uma proteção e uma presença constante de algo sagrado e desconhecido.

5-       NOVOS DESPERTOS - é o nível daqueles que "despertaram" mas ainda são muito novos na vivência desse estado por isso ainda cometem erros e tropeços. A compreensão está aflorando aos poucos e em alguns momentos ela é plena e noutras confusa. Como, por exemplo : U.G. Krishnamurti- que durante toda sua vida orbitou ao redor de grandes despertos como Ramana Maharish e Jiddu Krishnamurti tendo alcançado um estado de Despertar, mas ainda muito tênue e sujeito a variações e instabilidades.



6-      OS GRANDES DESPERTOS:  São aqueles plenamente despertos  tais como Jiddu Krishnamurti, Dogen, Ramana Maharish, Yogananda, Ramakrishna e assim por diante. É um nível de plena paz e unidade  com a Divindade, Tao, Realidade, Eternidade etc. Mas, esse nível não é o ultimo. O ápice é o nível do Cristo, de Buda , Babaji e outros grandes avatares.

7-      OS GRANDES AVATARES tais como Cristo, Buda e Babaji . Daí por diante deve haver novos e infinitos níveis mas estão além da nossa compreensão no atual estágio de desenvolvimento da nossa consciência.

Lembrando que esses níveis não são estanques nem fixos, eles foram aqui apresentados apenas com uma finalidade didática. Deve haver sub-níveis entre um e outro, mas esse tipo de apresentação ajuda o espiritualista a “se situar” e perceber onde, em que nível meditativo, ele se encontra e assim trabalhar em seu crescimento e evolução espiritual.


Ressalto que a própria pessoa deve fazer essa análise , ninguém pode dizer a outrem em que “nível” meditativo ela se encontra. É uma análise íntima e pessoal do indivíduo com ele mesmo e com sua própria consciência. Esse percebimento situacional pode ajudar o caminhante inexperiente em seu próprio processo evolutivo e  autoconhecimento. Além disso, estar em um nível mais profundo ou elevado não pode e nem deve ser motivo de orgulho. Pelo contrário, quanto mais evoluída é a pessoa, menos ela tem consciência de seu posicionamento ou nível. Daí, se conclui, que essa percepção de faixa ou nível espiritual só vai interessar aos que estão nos primeiros níveis pois quanto mais a pessoa desce para dentro das profundezas do Desconhecido, menos ela se compara aos outros e menos ela tem consciência de seu próprio progresso ou "valor" espiritual . Quanto maior é a descida, menor a consciência de si enquanto alma iluminada ou desperta, uma vez que ela se encontra em um nível de completo abandono e entrega ao Senhor . Ela é, mas não sabe que é por que vive como uma criança inconsciente de si enquanto ego, pessoa ou indivíduo separado do todo.

( Repostagem permitida desde que com os devidos créditos e endereço eletrônico do site)



Alsibar, 10 de novembro de 2018






quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Quem mais se aproxima das trevas : a esquerda ou a direita?


Depois de ler um post no Facebook em que o autor usa o Gita para fundamentar sua posição contra o candidato Jair Bolsonaro resolvi escrever esse pequeno artigo como contraponto ao mesmo. Não sou nenhum erudito ou estudioso profundo do Gita. Mas, como percebi que a análise em questão, apesar de ser de autoria de um professor em filosofia e lógica, revela-se absurda, simplória e superficial, senti-me confiante em fazer uma breve análise demonstrando exatamente o contrário do que o mesmo tenta demonstrar.
A começar pela própria história que serve de pano de fundo para o Gita: uma guerra (batalha de Kuruksetra) contra os usurpadores do Reino. De um lado estão os Pandavas, assessorados por Krishna e Arjuna, que representam respectivamente a Luz e a dúvida, e do outro lado está o exército de   Kauravas que representam as trevas, o mal, a ignorância. Ora, Arjuna não quer lutar, porque vê do outro lado seus parentes, tios e primos. Fica em dúvida e esmorece. Ao ver isso, Krishna, a Luz da Suprema Sabedoria, lhe diz para que ele pegue sua arma e  lute. Os defensores do desarmamento talvez não entendam essa atitude de Krishna, todavia, deve-se lembrar que o dever de um guerreiro é lutar. Um dos pilares do Gita é exatamente o cumprimento do dever de cada um, sem apego. Ora, é dever do Estado e direito do cidadão assegurar-lhe a segurança, mas na falta do primeiro o cidadão tem sim o dever de defender sua família e propriedade, mas sem apego e sem se considerar proprietário de nada, pois tudo pertence a Deus. Mas cada pessoa tem seu dever e segundo  o Gita, este deve ser cumprido.
Vejamos alguns trechos desse comecinho do Gita:
“Quando a irreligião predomina na família, ó Krishna, as mulheres da família se corrompem, e da degradação das mulheres, ó descendente de Vrisn vem progênie não desejada. Quando há aumento de população não desejada, cria-se uma situação infernal tanto para a família como para aqueles que destroem a tradição familiar. Em tais famílias corruptas, não há oferecimento de oblações de alimento e água para os ancestrais.”
Nas primeiras falas de Arjuna, vê-se a importância que o mesmo dá a família, a tradição e como ele ataca a corrupção. Esse zelo pela família e tradição é próprio das pautas políticas de direita mais conservadora. Ao contrário dos socialistas de esquerda-cuja pauta prega a ideologia de gênero e a destruição da célula familiar , como preconiza o filósofo comunista  Antonio Gramsci que defende a destruição da família, da religião e da moral como forma de dominar a sociedade- é a famosa “ revolução cultural”, ensinada por ele e tão bem aprendida pelos esquerdistas tupiniquins.
E mais a frente ele diz :
Devido aos atos malévolos dos destruidores das tradições familiares, todos os tipos de projetos de comunidades e atividades para o bem-estar da família são devastados.”. Ó , mantenedor das pessoas, eu ouvi através da sucessão discipular que aqueles que destroem as tradições familiares residem sempre no inferno”
Esse verso reforça a tese da defesa das tradições familiares como central na visão de Arjuna neste momento. Visão essa totalmente alinhada com a posição do candidato Bolsonaro, ao contrário de seu adversário, com seu famoso “kit-gay” para as escolas, a ausência de Deus, e o materialismo Marxista. Não é à toa que nos países socialistas ou comunistas a religião é proibida e o culto a Deus é substituído pelo culto ao Líder Político do país, ou o culto à personalidade.
Os críticos podem argumentar que Krishna logo depois o repreende por se lamentar por algo que não é “digno de pesar”. Mas, logo depois ele se explica, demonstrando que ninguém “mata nem morre” porque a Alma é imortal. E que ele, Arjuna, deve lutar sim pois é esse o seu dever. Quando alguém com a mente equânime, cumpre seu dever, sem se importar com derrota ou vitória, esta pessoa está iluminada pela consciência divina. Ou seja, Krishna não refuta o argumento em si de Arjuna sobre a importância da família, tradição e religião. Apenas diz que ele não pode usar esse argumento para justificar sua fraqueza e covardia e que ele deve  lutar pois esse é seu dever divino ( Darma).
“Considerando seu dever específico como ksatriya, você deve saber que não há melhor ocupação para você do que lutar sob os princípios religiosos; e por isso não há necessidade de hesitação.”
Nesse trecho o próprio Krishna defende a importância da religião e dos princípios religiosos. Basta uma olhada rápida nos movimentos de esquerda para ver que esse povo, em sua maioria e boa parte dos seus líderes, não se importam com a religião, nem a respeitam. Há casos de manifestações públicas de uso de espaços e símbolos religiosos de forma profana e desrespeitosa. Novamente, vemos que o posicionamento conservador, de defesa da ordem , da lei e da religião , está muito mais alinhado com o Gita do que o posicionamento subversivo da esquerda.
Bolsonaro não é nenhum santo. É um ser humano. Mas ele já deu várias entrevistas em que se considera numa missão divina. E que se  for da vontade de Deus ele chegará lá. Bolsonaro, ao reconhecer que está à serviço do Senhor Deus, se aproxima muito mais do Gita, do que seus rivais esquerdistas. O falso ego é aquele que se considera mais do que Deus. O “ Eu Iluminado” é aquele que se submete à vontade do Senhor:
“Só uma pessoa que tenha renunciado a todos os desejos para gratificação dos sentidos, que vive livre de desejos, que renunciou a todo o sentido de propriedade e está desprovida de falso ego - pode alcançar a paz verdadeira. Portanto, sem se apegar aos frutos das atividades, deve-se agir por uma questão de dever; pois trabalhando sem apego a pessoa alcança o Supremo.”
Krishna, O Senhor Supremo, abomina os canalhas. E ele mesmo renasce para restabelecer a ordem de tempos em tempos. Canalhas são todos aqueles que enganam, roubam, usurpam o povo. Ora, quer alguém mais canalha do que um sujeito mentiroso e corrupto?  Então afirma Krishna:
“Sempre e onde quer que haja um declínio na prática religiosa, ó descendente de Bharata, e uma ascensão predominante de irreligião -ai então Eu próprio descendo. Para salvar os piedosos e aniquilar os canalhas bem como para restabelecer os princípios da religião, Eu próprio advenho milênio após milênio.”
Sobre a questão das mulheres, o autor do texto argumenta que Bolsonaro não trata as mulheres igualmente- e que isso contraria o Gita- que prega a equanimidade. Quando Krishna fala de mente equânime é um estado de completa unidade com o Todo- em que a diferença “observador e coisa observada” deixa de existir. Ou seja, a vitória sobre dualidade . A mente nesse estado está iluminada, em paz e harmonia. Não quer dizer com isso que, em termos sociais, as diferenças deixam de existir. Ora, a sociedade é diversa. A própria Índia tinha seu sistema de castas- não para privilegiar alguns em detrimento de outros- mas para demonstrar que as pessoas são diferentes conforme sua natureza- obviamente- se todos fossem tivessem vocação para soldado como ficariam os médicos, professores, veterinários, cantores, atores, mecânicos etc? Então o próprio Krishna diz que ele mesmo criou as divisões sociais.  Uma mente equânime não quer dizer que a pessoa não saiba a distinção entre uma cobra e um peixe, ou entre uma pedra e um pão-isso seria idiotice.  Samadi é o estado de união profunda em que a mente está completamente integrada , harmoniosa , una e em paz. Em suma, é uma “ uma mente estável”, controlada, silenciosa , quieta e, ao mesmo tempo, alerta.
“As quatro divisões da sociedade humana foram criadas por Mim, de acordo com os três modos da natureza material e o trabalho atribuído a eles. E, embora Eu seja o criador deste sistema de trabalho, você deve saber que Eu, sendo imutável, não trabalho. Aquele que se satisfaz com os ganhos que vêm por si mesmos, que está livre da dualidade e não inveja, que é estável tanto no êxito como no fracasso, nunca se envolve, embora execute ações.
Outra ponto a ser considerado é o respeito às escrituras sagradas. Como o próprio Krishna diz que desce ou envia seus enviados , quando necessário, as escrituras cristãs, hindus ou budistas devem ser respeitadas. Os socialistas não respeitam religião, nem muito menos as escrituras, óbvio. Para eles, apenas Marx, Gramsci e seus seguidores valem a pena ser lidos e venerados. Quando Bolsonaro bota Deus acima de todos, ele está claramente reconhecendo a autoridade divina que nos fala através das escrituras, nesse caso específico, a cristã.
“Mas as pessoas ignorantes e infiéis que duvidam das escrituras reveladas, não alcançam a consciência de Deus. Para a alma que dúvida não há felicidade nem neste mundo nem no próximo. A pessoa que trabalha com devoção, que é uma alma pura e que controla sua mente e sentidos, é querida por todos, e todos são queridos por ela. Embora sempre trabalhe, tal homem nunca se envolve.”
Todos sabem que Marx e Gramsci eram ateus. Que os líderes comunistas são ateus .Vide a China , Coreia do Norte e outros países comunistas/socialistas/esquerdistas. E compare com esse verso do Gita:
“Os canalhas que são grosseiramente tolos, os mais baixos da humanidade, cujo conhecimento é roubado pela ilusão e que participam da natureza ateísta dos demônios, não se rendem a Mim.”
O posicionamento de Bolsonaro em relação a Deus e à religião é muito claro. Sua fé em Deus e nos valores religiosos e morais são inegavelmente características que se opõe à ideologia materialista comunista.
“Aqueles que estão assim confundidos são atraídos pelas visões demoníacas e ateistas. Nesta condição iludida, suas esperanças de liberação, suas atividades fruitivas e seu cultivo de conhecimento são totalmente frustrados.”
Por fim, vejam o que diz Krishna sobre os homens demoníacos:
“Os homens demoníacos, refugiando-se na luxúria insaciável, no orgulho e no falso prestígio, e encontrando-se assim iludidos, estão sempre entregues a trabalhos sujos, atraídos pelo que não é permanente. Eles acreditam que gratificar os sentidos até o fim da vida é a necessidade primordial da civilização humana. Desse modo, não há fim para sua ansiedade. Estando atados por centenas e milhares de desejos, por luxúria e ira, eles acumulam dinheiro através de meios ilegais para gratificação dos sentidos.”
O grifo é meu. Aqui fica claro a posição do Gita em relação aos corruptos, aqueles que “ acumulam dinheiro através de meios ilegais”. É público e notório os escândalos e roubos dos petistas desde o Mensalão até o Petrolão e outras dezenas de escândalos. Sem falar no seu próprio Guru,  o Lula, que além de ter sido condenado e estar preso, ainda responde a vários outros processos por corrupção e lavagem de dinheiro.
Esse é um pequeno artigo sem muita pretensão feito apenas para demonstrar que a tese que afirma o Gita vai contra as posições políticas do candidato Bolsonaro é uma falácia e não se sustenta. Bolsonaro representa a religião, os bons costumes, a família, o conservadorismo , a honestidade-mas nunca a perfeição- pois é humano e , como tal, tem seus defeitos e imperfeições. Quem vota nele sabe que ele não está envolvido em nenhum esquema de corrupção e que ele representa a esperança de um novo capítulo na política e na sociedade brasileira. Nesse momento, ele traz de volta o respeito às instituições, à ordem e à religião- ao contrário dos seus opositores, que pregam e estimulam a destruição de todos os valores religiosos, morais e tradicionais.
Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!
Alsibar


domingo, 27 de maio de 2018


O DRAMA DE PERLA E SUAS LIÇÕES


Acabei de assistir ao drama da cantora Perla na tv. Depois de uma fase de muita fama, juventude, beleza e dinheiro - veio a depressão e a mania de acumular coisas . Ela guarda tudo : vestidos, objetos antigos, peças de roupas de mais de 30, 40, 50 anos. Resultado: sua casa virou um lixão de coisas imprestáveis. É tanta tralha que ela mal consegue andar em sua própria casa. Um axioma antigo diz o seguinte: o exterior expressa o interior. 

Uma mente desarrumada acaba desarrumando tudo e a casa cheia de coisas antigas e inúteis, é o reflexo disso. A pessoa não consegue se libertar do passado, nem daquilo que o representa pois cada objeto está ligado a um episódio importante do passado que acabou . No fundo, a mente continua presa a um tempo glorioso que nunca mais voltará. Apesar de ser o drama pessoal de uma personagem famosa da mídia - com certeza não é a única. E se cada um de nós não cuidarmos da nossa casa mental, poderemos certamente, cairmos na mesma situação-ou pior .


São casos emblemáticos como esses que nos fazem ver a importância da MEDITAÇÃO em nossas vidas pois ela nos treina para a renovação, a fluidez, o desapego. Ao desapegar-nos de nossos pensamentos - que forma o "eu" e que se alimenta do lixo do passado- começamos um trabalho de limpeza e renovação interior, impedindo o acúmulo de lembranças e a consequente fixação do ego.


A meditação nos limpa. É como a água que remove todas as impurezas - mesmo as mais difíceis. É dessa faxina interna diária que precisamos para prevenir e impedir de chegarmos ao mesmo ponto em que Perla chegou . Afinal, lixo acumulado, dentro ou fora, atrai coisas ruins.


Comecemos, então, a nossa faxina interna através da prática da meditação para que possamos manter não só a casa limpa, mas principalmente a nossa casa interna saudável, organizada e equilibrada. Que a Perla consiga finalmente harmonizar sua casa exterior e interior. Mas que seu caso nos sirva de lição para não deixarmos para amanhã o que deve ser feito com urgência. O tempo é agora. 


(Alsibar)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

“ A QUEM FOI DADO, MAIS SERÁ EXIGIDO” ( by Alsibar)



Hoje é dia de Corpus Christi, por coincidência, ontem vi uma postagem no Facebook sobre a supracitada máxima de Jesus. Resolvi me posicionar no post e isso gerou uma série de controvérsias e comentários. Felizmente,  a conversa se revelou muito frutífera no final: além de fazer novos amigos, pediram-me autorização pra usar o diálogo  em um grupo de estudos- o que foi uma honra pra mim . Hoje cedinho, durante minha caminhada meditativa, me veio uma grande vontade  de escrever alguns artigos sobre as máximas mais “intrigantes” de Jesus com o intuito de ajudar aqueles que  sinceramente buscam entender melhor as misteriosas palavras do Mestre Nazareno. Boa leitura e aprendizado!

“ Mas àquele a quem muito foi dado , muito lhe será exigido;  e  àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lucas 12:48)

Essa afirmação foi dita por Jesus Cristo no final da parábola do Servo Vigilante e considero-a  uma das frases mais verdadeiras, profundas e intrigantes que eu já tive a oportunidade de ler. Pra entendê-la melhor, é necessário compreender uma peculiaridade da parábola: ela tem vários níveis de entendimento e compreensão.

Em um nível mais superficial, fica-se com a impressão de que Deus é uma espécie de Senhor exigente , durão e carrasco. Esse tipo de compreensão superficial atende à mentalidade mediana das massas em geral. Eles entenderão que Deus exige vigilância constante dos seus servos em relação à obediência dos seus preceitos e ensinamentos- do contrário poderão ser “pegos” de surpresa, numa morte súbita ou na vinda repentina do Apocalipse. Nesse nível de compreensão, o medo funciona como freio de más condutas  e negligência.  Há pessoas que só entendem a linguagem do medo, precisam dele como freio para impor-lhes os devidos limites.

Todavia, em um nível mais profundo a parábola revela outras nuances e significados que dispensam o medo. É ai que percebe-se:  Jesus não está falando de coisas materiais, nem mesmo de regras de conduta moral ou religiosa- mas sim de vigilância no sentido da meditação  que leva ao conhecimento e faz surgir a sabedoria. A   parábola usa termos como  Vigilância , Conhecimento , Saber... constituindo, portanto, as chaves que revelam o sentido oculto e mais profundo da mesma.

Os servos relapsos e imprudentes são todos aqueles que conhecem a Verdade sobre si mesmas ou sobre o Universo- independente de religião- mas não a vive, nem se beneficiam dela. Os servos prudentes são todos aqueles que empreenderam a viagem interior através da oração e da meditação ( Orai e Vigiai) e lá encontraram o Reino de Deus , podendo, assim, usufruir de uma vida plena e abundante pelo conhecimento da Verdade. Quando ele diz no final: "a quem mais foi dado, muito lhe será exigido" Ele está falando do verdadeiro conhecimento, da consciência, do autoconhecimento. Em outras palavras : aquele que tem mais conhecimento, maior é o seu dever e sua responsabilidade para consigo mesmo- sua própria consciência iluminada- e para com os demais.

Obviamente, aquele que tem menos conhecimento- de si mesmo, das leis da natureza, de Deus etc etc... - Não se pode exigir muito. Por exemplo, uma pessoa criada em um meio religioso  de valores e regras ultrapassadas ou absurdas- que não teve chances de conhecer outros valores mais nobres, certamente lhe será dado um desconto. É como uma criança que comete uma travessura a
primeira vez. Os pais sensatos e prudentes, devem dar  um desconto,  afinal, ela- a criança-  não tinha como saber que o que fez era uma travessura perigosa , arriscada ou danosa. Agora, depois que ela foi ensinada e lhe foi mostrado que  ela não pode, por exemplo, derramar o xampu, ou jogar água no papel higiênico, ou botar o dedo na tomada... Se depois de conhecer o que é certo, ela escolher fazer o errado- aí sim, é possível e justo cobrar e punir. O tipo de punição deve levar em conta sempre a gravidade da travessura e o lado pedagógico- do contrário- não fará sentido.

Ou seja, só posso cobrar de quem tem o conhecimento do certo e do errado. E quanto maior for esse conhecimento, maior a responsabilidade, e, portanto, a "cobrança" . Sei disso com propriedade pois tenho uma filha de três anos e uso desse critério pra decidir se a travessura é passível de punição ou não. Me questiono: ela sabia o que estava fazendo? Tinha consciência do erro? Eu já havia mostrado e ensinado a ela que este ou aquele comportamento era “errado”? Só então é possível avaliar se é cabível ou não uma “punição” com valor pedagógico ou educativo- ou não. E se sim, o tipo e a extensão dessa punição. Algumas pessoas defendem a palmada, outras não. Eu acho que a palmada só em casos extremos, quando, por exemplo, a criança tem a mania de querer meter o dedo na tomada. É melhor uma palmada, não acha?

Por outro lado, aqueles que tem o conhecimento da verdade, e que de alguma forma tiveram acesso a esse conhecimento, seja através de leituras, pelas orientações dos mestres e familiares,  pela sabedoria adquirida ao longo da vida, pelas experiências, pelo autoconhecimento, pela Meditação etc. - esses tem uma responsabilidade muito maior diante do trono de sua própria consciência. Estes, certamente, serão devidamente cobrados, na medida de seus conhecimentos.

"A quem mais foi dado, mais será exigido"- não por um Deus cruel e soberano que fica em seu trono esperando maquiavelicamente a hora de julgar e punir, mas pela sua própria consciência expandida pelo acesso a conhecimentos cada vez mais profundos e valiosos. Quem começa a trilhar o caminho da meditação e do autoconhecimento  não pode esquecer que conhecer é poder. E que, quanto maior for o poder, maior será a responsabilidade e a cobrança.

Namastê!

Alsibar 

Repostagem autorizada, desde que devidamente referenciada com nome do autor, fonte e endereço eletrônico.
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sexta-feira, 2 de junho de 2017

A CASTANHOLA E A CONSCIÊNCIA


O que tem a ver uma castanhola com a Consciência ?  À primeira vista, nada. Mas antes de começar meu relato deixe-me falar aos leitores que talvez não conheçam deste fruto, para situá-los melhor.  Aqui no Ceará tem uma árvore muito comum conhecida pelo nome de castanhola. Ela é frondosa, alta e o fruto de um sabor muito peculiar. O Juazeiro do Norte de antigamente era rico em “pés de castanhola”. Havia muitos em cada rua, cada quarteirão, talvez  por ser frondosa e sua sombra convidativa ajudando, assim, a amenizar  os efeitos do Sol escaldante e do clima  quente.

As crianças faziam a festa comendo desses frutos já os adultos em geral não fazem questão. Quantas vezes não sentávamos no chão, pernas abertas com uma bacia cheia de castanholas entre elas- comendo até se “empanturrar”. Atualmente nem me lembro mais do seu sabor. Mas veio-me à mente um fato crucial na minha infância relacionado à castanhola que marcou para sempre a minha vida.

Não lembro qual idade eu tinha. Mas com certeza era menos de nove . Talvez uns sete ou oito. Éramos um grupo de três: eu, minha prima Ivana Lígia e meu primo Júlio, a quem chamávamos de Neto. Estávamos andando os três na avenida Padre Cícero quando, de repente caiu uma  castanhola próximo a gente. Um de nós correu para pegá-la. Era só uma castanhola que tinha que ser dividida pra três . Eu sempre fui muito matreiro. Convenci-os a comer a minha parte primeiro. O problema é que comi a castanhola quase toda. Não deixando quase nada pros outros dois. Naquela época, meus instintos eram muito apurados, principalmente os da gula. Eu era famoso na família por comer bastante de tal forma que me chamavam de “ Esmeril” ( instrumento de afiar ferramentas).

Minha prima olhou para a castanhola quase toda comida, fitou-me  furiosa e fez uma pergunta num tom de voz que  até hoje ecoa nos meus ouvidos :

- Menino , tu não tem consciência não?????

Ora, eu lá sabia o que era aquilo. Mas aquela palavra deu um estalo na minha mente. Foi a partir daquele momento que eu aprendi que havia algo chamado "consciência" que até então eu não sabia. Obviamente, o sentido que ela usou foi de “ ter ciência, conhecimento do que é justo”. Ou seja, um sentido interno de justiça para agir da forma correta em determinadas situações. No caso específico: a partilha do fruto da castanhola para os três . Eu me lembro que na hora fiquei confuso , me sentindo muito mal pelo meu erro. Mas, daí por diante , aquela palavra não saiu mais da minha cabeça. A palavra “consciência” virou um mote, um mantra  que passou a fazer parte do meu repertório linguístico desde então.

Não é que deixei de ser danado , comilão ou passei a ter "consciência" de uma hora pra outra. Mas aquela palavra me deu algo novo que até então eu não conhecia: a de que  você deve fazer o certo independente dos outros ou do medo da punição.  É entender que  o certo deve ser feito independente de alguém estar olhando ou não .Isso é a tal da consciência.

Daí por diante essa palavra fez morada na minha mente e no meu coração. E ao longo dos anos foi tomando novas nuances  e sentidos. Hoje sei  da importância de se ter uma consciência ética e moral bem formada.  Não estou dizendo que já tenho esse sentido perfeitamente desenvolvido em mim,  mas busco fortalecê-lo  e aplicá-lo no meu dia-a-dia. Nem sempre consigo , todavia, eu tento. Mas também tenho consciência de que nem  sempre consigo obedecer a essa "consciência".

O outro sentido da palavra consciência- e que foi fundamental pra mim- é o de " estar consciente", alerta, vigilante, totalmente atento ao presente, ao que acontece no aqui agora. É a mesma palavra que ouvi da minha prima na infância, mas com o sentido ampliado. Estar consciente ou ter consciência de si é o caminho para se alcançar uma Consciência maior, ou Consciência Suprema também chamada de  Deus.

Agradeço à minha família, meu avô, avó , tias e tios e também aos meus primos e primas que tanto contribuíram para que eu tomasse consciência do mundo e de mim mesmo. Eles ajudaram a regar o meu jardim, jogando sementes  que mais tarde brotariam e me fariam ser quem eu sou hoje : crítico, consciente- mas humano e falho como todos os outros. 

Nessa perspectiva da jornada interior, de ampliação e amadurecimento da consciência  , minha prima foi usada por Deus pra me dar meu primeiro "choque de consciência" , sendo assim foi, de uma certa forma, minha primeira Mestra.
Júlio, Lígia , Eu (topete) e nossa amada tia Yesus Barbosa 

Obrigado! Muito Obrigado!

Alsibar
2017