sábado, 16 de fevereiro de 2019
domingo, 10 de fevereiro de 2019
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
EGOCÍDIO SIM, SUICÍDIO NUNCA!
Quem
nunca pensou em suicídio? Em arrancar de vez aquela dor insuportável do peito através de um ato impensável que desse cabo a todo sofrimento? Mas e se a morte não for o fim? E se, como dizem os
espíritas, a dor continuar mais poderosa ainda do outro lado ? E se, além do corpo, a mente
continuar atormentada por todas as suas memórias e angústias? Será que vale a
pena correr o risco de perder o dom precioso da vida sem nenhuma garantia de se
conseguir alcançar o objetivo de simplesmente apagar, sumir, desaparecer? E há
outra saída para o sofrimento? Existe sim : o egocídio. Se vc tem coragem de
matar o corpo, mesmo com toda a dor e medo que isso acarreta, dou-lhe uma dica:
ao invés de matar o corpo mate o ego.
Com a morte do primeiro você não tem certeza de nada, mas com a morte do
segundo eu lhe asseguro que você conseguirá
reduzir ou até exterminar por completo sua dor interna.
Mas,
por incrível que pareça, acabar com o ego pode até ser mais difícil do que
matar o corpo. E sabe por quê? Porque o ego é você. Quando alguém pensa em
morrer, em geral, é apenas uma forma desesperada de tentar livrar-se do
sofrimento ou de algo que ele não consegue suportar. Essa é exatamente a
atitude extrema de um ego poderoso, que de tão forte não aceita sofrer e quer
que as coisas aconteçam exatamente do seu jeito. Todavia, para aqueles que
procuram fugir à dor pelo caminho errado aviso : tenho 99.9% de certeza que a vida
continua. Mas, o mais agravante, a sua mente moldará o seu próximo corpo de
acordo com seu estado mental e suas atitudes. Não sou espírita, nem acredito na
visão espírita do pós-morte. Apenas vejo como uma questão de lógica: em todo o
universo existem leis. O ser humano , assim como tudo mais, está sujeito a
elas. Matar ou matar-se- o que dá no mesmo- constitui um grave erro com consequências bastante graves
pela gravidade do delito.
Ao
invés de se jogar numa empreitada tão arriscada e de resultados tão
imprevisíveis por que não buscar a morte da raiz de todos os problemas que é o ego?
Mas, detalhe, o ego não é uma entidade que se possa matar totalmente. E nem é
necessário pois o ego nada mais é do que uma instância do ser necessária à sobrevivência.
Todavia, você pode matar aquilo que no ego te causa sofrimento que é exatamente
sua força e centralidade. A dor não vem do
ego em si, mas sim dele querer dominar todo o seu ser. Quando não
há sabedoria, nem luz interior- o ego usurpa o trono e passa a comandar todo o
reino interior. Então, dominado pela ignorância, arrogância e prepotência egóica você é levado a buscar o prazer , fama
ou poder- a todo custo, sem aceitar a derrota, as limitações e os reserves da
vida. E o resultado disso tudo? Muito
sofrimento que pode levar ao desespero.
Cometa o egocídio. Mate a vitalidade do ego. Deixe-o sem comando. Destrone-o. E assim,
sua vida será leve como uma pena sendo levada calmamente pela brisa divina. Só
assim, seus dias de angústia , dor e sofrimento interno terminarão. E então você olhará para o ego e ele estará lá
pronto a lhe servir- e não mais a lhe atormentar. E, só assim, haverá liberdade
e felicidade tanto dentro quanto fora de você. Não acredita? Experimente pois,
ao contrário do suicídio, você pode cometer egocídio quantas vezes quiser ao longo da vida. E o melhor: continuará vivo para experimentar seus
resultados e usufruir da paz imensurável do verdadeiro nirvana, ou céu
interior.
Faça
isso e comprove você mesmo os resultados.
Alsibar
Fev, 2019
https://alsibar.blogspot.com/2019/02/egocidio-sim-suicidio-nunca.html
https://alsibar.blogspot.com/2019/02/egocidio-sim-suicidio-nunca.html
sábado, 26 de janeiro de 2019
A GUERRA DE NARRATIVAS
Quando
adolescente, eu achava que para se
entender um fato, fosse qual fosse, bastaria ter conhecimento do mesmo. Por
exemplo, aconteceu um acidente, um assassinato, uma eleição, uma guerra etc. e isso encerrava o caso. Ledo engano. Muito
mais tarde, fui entender que por trás de todos os fatos
existe algo fundamental que funciona como uma espécie de lente através do qual
o fato é percebido por um ou outro ângulo: a narrativa. Então, aqueles que
fazem a narrativa detêm o poder da lente. E esse poder é tão forte que pode
mudar os rumos da história e os destinos dos povos e nações.
Sim,
vivemos uma guerra de narrativas e não há como escapar disso. Elas nos
bombardeiam todos os dias, desde a infância, através dos meios mais simples aos
mais complexos de tal forma que um dos maiores desafios do homem moderno é saber
separar a narrativa do fato. Ora, se quando
se é um adulto já é difícil tal habilidade, imagina quando se é criança ou
adolescente- ainda incapaz de perceber
que há sempre uma intenção por trás das narrativas. Assim, os
bombardeios de narrativas começam ali mesmo na família. Desde cedo, nos ensinam
narrativas de cunho religioso ou mítico,
que nos ajudam na formação dos valores e
personalidade. Mais tarde, na escola, começam as narrativas históricas,
políticas e sociais que dizem pretender preparar os jovens para a vida e o
trabalho. Depois, começam as narrativas
da mídia que supostamente nos informam mas que, de fato,mais manipulam do que
informam.
Entre
o fato e a narrativa existe a verdade. E
a grande dificuldade é saber extrair da narrativa sua casca de manipulação e subjetividade para
que reste apenas a pura polpa da verdade. Peguemos alguns exemplos práticos
para ilustrar o tema: o período histórico brasileiro de exceção entre os anos
1964 e 1985 foi uma ditadura militar ou regime militar? O impeachment da Dilma
foi golpe ou ação natural da democracia? E o impeachment de Collor? Venezuela é
ditadura ou democracia? Maduro é um tirano ou um estadista democrático? Lula é um perseguido político ou apenas um político
corrupto? E assim por diante. Ao ler cada uma dessas questões, cada pessoa terá
uma reação diferente dependendo de sua própria lente-narrativa que traz dentro
de si.
Em
um mundo cada vez mais multimidiático o papel e a importância das narrativas não
pode ser ignorado, nem subestimado. Faz parte do processo de autoconhecimento
conhecer seus próprios filtros através do qual se faz a percepção, leitura e compreensão do mundo . Libertar-se dos seus
próprios filtros pode ser difícil e até doloroso, pois pode significar abrir mão de suas próprias opiniões,
convicções e supostas verdades. Então,
da próxima vez em que ouvir uma notícia, saiba que existe uma narrativa por
trás dela e que esta pode não ser necessariamente a verdade. Estar consciente
do papel das narrativas como processos internos de filtragem para a
interpretação e compreensão do mundo externo pode libertar o homem da tirania
invisível que o reduz a um mero marionete de ideologias- sejam elas de
esquerda, centro ou direita.
Alsibar, Jan- 2019
https://alsibar.blogspot.com/2019/01/a-guerra-de-narrativas.html
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
COMO ASSIM NÃO HÁ NINGUÉM AQUI?
Uma análise não apaixonada do estilo de vida dos gurus ocidentais neo-advaitas.
“Você
não é uma pessoa”, “ Não há nada acontecendo!”, “ É tudo uma grande brincadeira”,
“ Não há ninguém aí” são algumas das frases feitas repetidas à exaustão por
qualquer estudante noviço da filosofia hindu conhecida como Advaita-Vedanta. Advaita significa “não-dual”. É a compreensão
profunda de que, em última instância, tudo é UM pois em essência tudo é Deus, Brahman
( aham brahmasmi). Esse despertar
profundo para a natureza essencial das coisas surge com a chamada Iluminação
espiritual e reflete a visão avançada de grandes mestres espirituais do Oriente
e Ocidente. Mas, quando indivíduos repetem
essas frases superficialmente sem a devida realização interior, elas além de superficiais, são perigosas. Quem está de posse de um grande poder, mas
não sabe como usá-lo, pode causar grandes danos a si mesmo e às pessoas ao seu
redor. Esse é o caso da filosofia Advaita-Vedanta quando usada por indivíduos
inteligentes e hábeis oradores, mas sem a devida maturidade espiritual.
O auto-proclamado guru advaita pode ser um sujeito
perigoso e espiritualmente imaturo. Perigoso porque se utiliza de uma filosofia espiritual profunda e milenar para manipular as pessoas. E imaturo pelas mesmas razões. Ele se
aproveita da ingenuidade das pessoas, de suas fragilidades emocionais e
espirituais e da falta de conhecimento desses, para vender a imagem de um sábio
com profunda realização espiritual. Todavia, dificilmente alguém irá culpá-lo por não honrar o que prega, uma vez que o
que prega não passa de palavras, chavões e frases de efeito- muitas vezes sem
sentido ou lógica. Ao pregar que a lógica, o sentido e a coerência
pertencem à mente, ele abre um precedente perigoso. Assim, toda vez que alguém tentar criticar suas atitudes usando a mente lógica analítica, ele dirá: vá além da mente, vá além da lógica, isso
é o ego. E, consequentemente, ele estará livre para fazer o que quiser, como quiser, com quem quiser e quando quiser.
Os
últimos fatos, relatos e acusações envolvendo o guru
advaita jamaicano conhecido como Mooji poderiam ser perfeitamente explicados por essa descrição
acima. Mas, calma, antes de sair por aí condenando-o é bom fazer uma análise de
seus ensinamentos e se estes não corroboram ou até legalizam um tipo de
comportamento aético e sem limites. Há rumores diversos desde lavagem
cerebral à exploração financeira e comportamento sexual "inapropriado" para um
mestre espiritual. Mas, veja bem, alguma mulher o denunciou por abuso sexual?
Existe algum processo contra ele por pedofilia, estupro ou assédio sexual?
Provavelmente não e sabe por quê? Porque tudo que ele tá fazendo - caso sejam verdades as acusações- pode até ser imoral, vergonhoso e socialmente condenável mas não é ilegal. Os limites do permitido ou não permitido são muito vagos. Além disso, ninguém sabe exatamente o que aconteceu e nem como aconteceu.
Até
agora não tive conhecimento de nenhuma acusação formal contra Mooji. O que veio
a público é que ele adora as mulheres novinhas e que seu relacionamento com
elas não parece ser muito adequado para os padrões morais mais conservadores de espiritualidade. Mooji, apesar de se dizer
da linhagem espiritual direta do grande mestre Ramana -que era um sanyasyn- está muito mais para discípulo
do ex-guru Osho - o Rajneesh-conhecido
por sua filosofia hedonista e libertária de defesa do sexo livre e do prazer como forma de se alcançar o despertar espiritual. O problema não está, a meu ver, no comportamento em si, mas na manipulação e uso pessoal de verdades espirituais profundas que estão sendo virtuadas para satisfazer os desejos pessoais do guru. O que é deveras perigoso e controverso. Não sou contra o sexo. Mas o uso do poder espiritual para ganhos pessoais me parece não ser um comportamento correto e digno de um mestre.
A raiz do problema pode estar , talvez, na própria transmissão do ensinamento . Ao se reduzir algo complexo e profundo como o Advaita-Vedanta a simples chavões como: não há “indivíduo”, não há “ego”, tudo é apenas um grande sonho, sem
lei, nem ordem etc não se está dando margem à interpretações errôneas e manipulações grosseiras? Ora, se os gurus advaitas pregam que "não há ninguém fazendo nada” pois tudo é apenas uma “grande
ilusão”- então não há limites, nem regras, nem respeito a nada. O “mestre” é o "deus" que ensina aos seus discípulos – mas principalmente às
discípulas- como encontrar o paraíso na Terra. Este é sempre ao seu lado, aos seus pés, nos
satsangs, nos “retiros” , no seu Ashram ( Comunidade) e se for jovem e bonita-
na sua cama.
A eterna busca humana pela Felicidade parece estar na raiz de todo esse problema. Ao perceber esse desejo profundo no aspirante, o guru esperto cria um ambiente favorável à uma vida livre da pressão e da exigência moral da sociedade. Mas que, ao mesmo tempo, cria outros problemas colaterais, outras demandas e pressões. Quando se ensina que a Felicidade deve existir aqui e agora, abre-se mil e uma possibilidades, mas mesmo essas têm seus limites. E, ao não respeitar os limites e não ensinar o respeito a esses limites, o guru abre a “caixa de pandora” juntamente com todos os males.
A eterna busca humana pela Felicidade parece estar na raiz de todo esse problema. Ao perceber esse desejo profundo no aspirante, o guru esperto cria um ambiente favorável à uma vida livre da pressão e da exigência moral da sociedade. Mas que, ao mesmo tempo, cria outros problemas colaterais, outras demandas e pressões. Quando se ensina que a Felicidade deve existir aqui e agora, abre-se mil e uma possibilidades, mas mesmo essas têm seus limites. E, ao não respeitar os limites e não ensinar o respeito a esses limites, o guru abre a “caixa de pandora” juntamente com todos os males.
A
grande questão é que o “guru” está sempre numa posição privilegiada de poder. E a tentação para dela se aproveitar é grande e nem sempre ele consegue resisti-la. Em geral, o líder prega que a Felicidade espiritual inclui a temporal- e é verdade. Mas isso não significa o colapso da sensatez e do razoabilidade. Caso Mooji tenha feito realmente o que apontam as acusações, ele não fez nada diferente do Osho, do Michel/ Andreas do Holly Hell,
do Satya Sai Baba, do Swami Rama e do
brasileiro Prem Baba . Todos eles se aproveitaram de sua posição de poder e status espiritual para ter
tudo o que todo homem e toda mulher sonha: o máximo de felicidade e prazer –
mesmo que isso custe o sacrifício da ética e do respeito às fragilidades e limites dos outros. Isso tudo prova que o chavão de que “não há ninguém aqui” , não passa de uma falácia resultante da manipulação de uma verdade profunda e sutil, que é o Advaita.
Se
há alguém aqui para ser explorado é porque há alguém numa posição de poder para
explorar. Assim como, em casos mais extremos, sempre haverá alguém para
responder por seus atos perante a lei e a justiça. E diante dela , não adianta
esbravejar o velho chavão de que “não existe ninguém aqui”.
O ser humano existe no tempo e espaço como sujeito social e, portanto, deve responder
criminalmente por seus atos perante a lei e à sociedade. E quando, porventura, algum
guru neo-advaita, ou qualquer outro, for condenado por seus atos ilegais, vai compreender
finalmente que por mais que insista na inexistência de “alguém” dentro do ser
humano, há sim alguém que chora, que sofre, que pensa , que sente e que merece
respeito, consideração e a proteção da lei
quando necessário.
Alsibar
http://alsibar.blogspot.com/
sábado, 19 de janeiro de 2019
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
O VELHO PANG
O velho Pang de nada precisa no mundo,
Tudo com ele é vazio, mesmo a cadeira que não possui.
O Vazio absoluto reina em seu lar
E que lar vazio, sem tesouros.
Ao nascer do Sol, caminha pelo Vazio
Ao pôr-do-sol, adormece no Vazio.
Sentado no Vazio, entoa seus cantos vazios
E suas vazias palavras retumbam no Vazio.
( Pang Chu-Shih, século IX)
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
EXPLOSÃO OU A ILUMINAÇÃO DE VIMALA THAKAR
Vimala Thakar é considerada uma das poucas “discípulas”
iluminadas pelos ensinamentos de Jiddu
Krishnamurti. Sei que o termo “ discípula” pode chocar muita gente pois JK não aceitava alunos. Mas considerá-la apenas uma ouvinte ou amiga também não seria
correto. Nesse diálogo, Vimala descreve como Krishnamurti a levou até a o que
ela chamou de “Explosão” ou seria melhor dizer "Iluminação?" vale a pena conferir!
By Alsibar
EXPLOSÃO
No dia 14 de
agosto, tive outra entrevista com Krishnamurti. Enquanto eu estava esperando
por ele sua anfitriã teve a gentileza de vir e ter uma palavra comigo.
"Você entende
o que Krishnaji diz?" Ela perguntou.
Eu disse: 'Eu sinto
que sim - Se assim posso dizer. Mas todo mundo pode entender se quiser, não
pode ? Não há nada de difícil o que ele
diz é tão simples.
Krishnaji saiu
daqui a pouco e me levou a uma sala onde nos acomodamos para uma conversa
séria. Aqui estão as notas da nossa conversa.
Vimala Thakar :
Estou compartilhando com você minha experiência. Eu decidi, após uma grande
hesitação, contar-lhe sobre o estado atual da minha mente, porque isso o
preocupa de certa forma ...
Krishnamurti : Você
não precisa hesitar em nada. Você pode dizer qualquer coisa para mim - a favor
ou contra. Entende?
V . Já falei sobre
a invasão de uma nova consciência, irresistível e incontrolável.
Eu lhe contei como
isso varreu tudo. Agora - isso tem algo a ver com essa cura. Se tivesse vindo
de forma independente, eu não teria me sentido como me sinto hoje. Se a mente
tivesse vindo, digamos, enquanto escutava você, eu não teria sentido o que
sinto hoje.
Hoje sinto que os
dois estão relacionados. E sinto-me profundamente grato a você por ambos.
Esse sentimento de endividamento torna a mente pesada e
desconfortável. Suas palestras me ajudaram e sou profundamente grato a você
pelas conversas.
Mas meu amor por você nunca foi sobrecarregado com um
sentimento de endividamento antes. Hoje é.
K . Espere um pouco. Quem te disse que os dois estão
relacionados?
V . Ninguém. Eu sinto.
K . Seu sentimento pode estar errado. Talvez você esteja
confundindo os dois. Você não me deve nada no mundo. Você entende isso? A cura
aconteceu. Levou duas pessoas - você e eu - para que isso acontecesse. Por que
não deixar isso assim? É muito simples.
V . Tem certeza de que os dois não estão relacionados?
K . Sim. Com certeza. Você tem escutado as palestras.
Você tem uma mente séria. As conversas estavam mergulhando profundamente em seu
ser. Elas estão operando o tempo todo. Um dia você percebeu a verdade.
O que eu fiz para isso? Olhe aqui, você estava andando em
uma floresta. Você se encontrou com outra pessoa.
Ele disse: 'Se você andar desse jeito, pode chegar mais
cedo'. Você andou. Você chegou. Você agradeceu a pessoa. É tão simples quanto
isso.
Por que você acha que deve algo a mim? Por que fazer um
problema disso?
V . Eu não posso te dizer por quê. Mas sinto-me comprometida
com você.
K . Tudo bem, por que você se sente incomodado com isso?
V . Porque meu carinho se sente magoado com isso. A obrigação
e o endividamento parecem ter poluido o amor e a amizade . Nosso relacionamento
parece estar mudando.
K . Meu Deus! Nosso relacionamento não precisa e não deve
mudar. Deveria ser tão livre quanto antes. Eu me pergunto se você está com medo
...
V . Sim, Krishnaji. Eu sinto uma espécie de espanto, um
tipo de medo ...
K . Esse é o ponto crucial. Não há nada para sentir medo.
Eu não fiz nada para você. Eu não sei como a cura acontece. Eu sei tanto quanto
você. Voce entende? Jogue isso fora. Eu sentirei muito se nosso relacionamento
for afetado por isso. Vimalaji, a terra estava pronta para receber as chuvas.
Ela recebeu com total abandono. Não admira que haja nova vida.
V . Assim seja Krishnaji. Deixe-me apenas confessar que
essa invasão repentina me desconcerta. Não é devido a qualquer coisa que eu
tenha feito. Como se não estivesse relacionado a mim como um efeito está
relacionado à sua causa. Desceu com uma força irresistível. A intensidade e a
profundidade da força não aumentam, nem diminuem.
K . Isso acontece. Por que não observar isso?
Eu me preparei para sair. Krishnamurti sabia que eu
estava saindo de Gstaad para Zurique na mesma noite. Então ele disse:
'Espero encontrar você em excelente saúde quando nos
encontrarmos na Índia. Tenha uma viagem agradável.
Enquanto eu caminhava de volta ao hotel, conheci o Sr.
B., que estava atuando como psiquiatra em Nova York. Ele havia percorrido todo
o caminho para participar das palestras. Ele estava no mesmo hotel e nos
encontramos várias vezes durante a quinzena.
B . Vimala, fui abalado por todas as conversas de
Krishnamurti. Nós aprendemos que o inconsciente é indestrutível. Krishnamurti
diz: "Isso pode soltar isso".
Eu aprendi que demorou um milhão de anos para a mente humana e o cérebro se
desenvolverem até o estado atual. Krishnamurti diz: "Você pode pular para fora dessa mente e do cérebro". É
fantástico e incrível.
V . Não é incrível nem fantástico. Ele não está apresentando
uma teoria ou idéia que você possa aceitar ou rejeitar. Ele comunica sua
experiência. Ele é um desafio para sua ciência da psicologia.
Por que um grupo
de vocês não deveria levar isso para uma investigação científica? Por que não
investigar se o consciente e o inconsciente podem ser eliminados?
Krishnamurti não é bobo. Ele sabe o que ele diz e ele diz
o que ele quer dizer.
B . Você concorda com Krishnamurti, que o inconsciente
pode ser destruído completamente?
V . Eu não sou um estudante de psicologia. E não há nada
para concordar. Eu vejo que o que ele diz é verdade.
B . Desculpe-me por ser pessoal. Você destruiu?
V . Você não pode destruí-lo, meu querido. Ele se destrói.
Alguém vê que ele foi eliminado. Isso é
tudo.
Saí de Gastaad à noite e à meia-noite estava em Zurique.
No dia seguinte escrevi duas cartas, uma para o meu pai e outra para
Krishnamurti.
Para meu pai eu escrevi:
'Tudo desapareceu. Uma tremenda tempestade varreu tudo
com um só golpe. Não é que "a evolução cósmica torna-se consciente de si
mesma". É vida de novo. Uma jornada murcha eu sei que não! Por que eu sei que não! Sem emoção! Nenhum entusiasmo.
Mas uma chama intensa de paixão está consumindo todo o ser. Eu gostaria de
poder descrever a força da integridade que me faz andar agora
sem medo. Eu
gostaria de poder descrever como testemunhei o ego sendo despedaçado e sendo
jogado aos ventos. Eu gostaria de poder comunicar o que é esse desnudamento! Ou
podemos chamá-lo de ex-centramento? O centro do pensamento se dissolve no nada.
As palavras podem soar familiares. Talvez você diga
termos e frases do tipo Krishnamurti. Mas você está bem ciente de que frases
emprestadas não podem transmitir a vida. Nem podem permitir que alguém veja a
realidade. Eles não podem lhe dar coragem moral para bater e derrubar a casa em
que você viveu até agora.
Apenas a verdade libera. Apenas a verdade transmite uma
vida nova. A verdade respira inocência em você.
Destruição
e criação se misturam nessa respiração.
Para
Krishanmurti eu escrevi:
'Eu não
estou fazendo' um problema 'do evento. Estou tentando entendê-lo em relação à
vida total. Você pode me dizer: 'É simples'. Minha mente olha como algo
estranho. É simples ver a mente total nascendo
novamente? Se alguém que de repente testemunhou isso acontecer, sente-se
sobrecarregado, você o chamaria de um distúrbio emocional?
Deixe-me
assegurar-lhe que não é o aspecto pessoal (está acontecendo na minha vida) que
me sobrecarrega. A vida não é sua nem minha. Vida é vida. Esse fenômeno surge
como um desafio para a ciência médica e para a psicologia. Não é verdade?
É
verdade que tenho escutado suas palestras por cinco anos. Eu sabia que elas
estavam mergulnando profundamente no próprio ser. Mas certamente, isso não
poderia causar essa explosão repentina. Compreensão não explode; nem o amor
explode. Ou explode? Não que eu sinta pesar por isso. Não que eu esteja empolgada
com isso. Longe disso. Eu estou assistindo tudo com um interesse apaixonado.
Eu não
acho que vou participar de mais conversas. Eu adoraria, no entanto, vir e ver
você quando estiver na Índia. Eu adoraria ficar sentar-me tranquilamente com
você, desde que você não se importe em disponibilizar algum tempo para uma
pessoa que queira vê-lo sem qualquer propósito.
Muito
obrigado, de fato, por tudo que recebi através de você.
Depois
de passar três semanas em Zurique, fui para a Índia de avião. Eu estava bem
animada. Eu estava relaxada e feliz. Houve um intenso estado de alerta para
entender todos os movimentos da vida. A vida soprou uma chama brilhante de
interesse apaixonado.
Pode-se
chamar esse estado de profunda atenção uma experiência absolutamente nova de
meditação. Lamento que não seja correto chamá-lo de experiência ou estado.
Ambos têm um começo e um fim. No meu caso, no entanto, eu não sabia como isso
aconteceu; nem tinha ideia se continuaria para sempre, ou se interromperia o
momento seguinte.
-Vimala
Thakar
De uma
viagem eterna , p. 31-34
https://o-meditation.com/category/j-krishnamurti/vimala-thakar/
Tradução: Alsibar
Tradução: Alsibar
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
CARLOS PACCINI: DE GURU A MÚSICO INSTRUMENTAL
Carlos Paccini, alguém se lembra dele? Nascido no Estado de
Goiás, na cidade de Natividade, ficou muito famoso entre artistas e globais nos anos 90 e era conhecido como o “guru do
abraço”. Chegou a ser matéria de capa da revista Manchete e reportagem do
Fantástico.
Na época, eu era apenas um jovem “sem dinheiro no banco”, mesmo assim fiz sacrifícios até comprar seu
livro, “O Sol- A unidade do Conhecimento”. Muito simples mas bonito , profundo
e poético. Esse livro “desapareceu” lá de casa. Não me lembro se dei ou
emprestei ao meu pai.
Depois de fazer fama por mais ou menos uma década o famoso
guru sumiu da mídia e só veio a
reaparecer muito tempo depois nos Estados Unidos , agora não mais como guru mas
como um respeitado músico instrumental. Ele é a prova cabal de que o iluminado
pode escolher ser o que quiser e , não apenas, “guru” para viver à custa dos
outros.
Abaixo links com amostras de suas
músicas instrumentais:
PARA ENTENDER “BIRD BOX”
Foram tantas pessoas me fazendo perguntas sobre o último grande lançamento da
Netflix de 2018 que resolvi fazer um artigo dando minhas explicações sobre o filme. Já de início aviso:
impossível explicar o filme sem spoilers (revelações) portanto, só
leia-o depois de assisti-lo. Ou leia-o por sua conta e risco- está dado o aviso.
O filme “Bird Box” é um suspense apocalíptico
e psicológico, dirigido por Susanne Bier e baseado no livro homônimo do
escritor americano Josh Malerman. Não espere as costumeiras cenas de batalhas
entre mocinhos e monstros- tão clichês em filmes de fantasia, ação e suspense.
Há muita ação, sim- mas a questão da luta psicológica é predominante. Os
personagens são constantemente desafiados a trabalhar suas mentes, aprendendo a lidar com seus próprios medos ,
hábitos e também a conviver com os outros em um espaço
limitado. Há muitas metáforas que dariam laudas de estudos e interpretações. Mas
isso fica para outra oportunidade. O certo é que para se entender toda
comprexidade e profundidade do filme é
preciso fazer algumas relações e ler nas entrelinhas- senão o filme não passará
de um trash sem pé, nem cabeça.
Ora, os grandes vilões são os
extraterrestres- que nem aparecem no filme- mas submetem a humanidade a uma
terrível condição que só atinge aqueles que entram em contato visual com eles. A “contaminação” se dá através da
visão. Por isso, todos usam uma venda ou
fecham as janelas e portas para protegerem
suas mentes e vidas- uma vez que as criaturas não invadem as casas. Esses monstros nunca são vistos de forma direta, ao contato visual, eles tomam a forma
dos piores pesadelos da pessoa, levando-a à loucura e suicídio. Por isso que as pessoas precisam das vendas quando saem à rua ou se isolam de todo contato visual externo, caso estejam em casa. A protagonista, vivida
pela talentosíssima Sandra Bullock, se vê repentinamente em meio a esse caos e
se abriga em uma casa juntamente com outras pessoas. E aí começam a viver dilemas e conflitos tendo a questão da
convivência com os diferentes e da ameaça dos monstros extraterrestres como pano de fundo.
Para entender melhor o filme , é preciso ter em
mente uma das mais famosas teorias da conspiração : a dos Arcontes. Apesar desse nome não ser mencionado no
filme, há um personagem que fala sobre ela. Segundo essa teoria, os demônios de
todas as religiões são, na verdade, extraterrestres. Ora, então por que esses
demônios sempre foram representados de formas diferentes? Por que eles tomam a
forma do maior medo das pessoas conforme
o tempo e a cultura . Mas, na verdade, seriam extraterrestres interdimensionais que se alimentam
do medo e do sofrimento humanos. Apesar de pequenas alterações na teoria
original para manter o dinamismo da trama , o cerne da narrativa dos arcontes
está lá: extraterrestres responsáveis por criar medo e sofrimento na humanidade – pois deles
se alimentariam- de acordo com a teoria . A diferença é que no filme eles conseguiram uma
forma muito mais eficaz e poderosa de fazer isso : provocando o caos e o pânico
nas cidades, ao tomar a forma daquilo que mais amedronta as pessoas. Como eles conseguiram isso? O filme não deixa claro, mas
dá uma pista de que seria o começo do
Apocalipse teria aberto uma espécie de portal para a ação livre desses seres.
![]() |
| Os Arcontes |
À certa altura da narrativa, tomamos
conhecimento de que algumas pessoas sofreram uma espécie de mutação : os loucos, os psicopatas e os cegos. Eles
são afetados de forma diferente: não cometem suicídio, mas passam a caçar as
outras pessoas , forçando-as a abrir os olhos
para serem afetadas pelos ets e assim cometerem suicídio. Ora, por que os loucos
e psicopatas não cometem suicídio? Por
que eles já vivem dominados pelo inconsciente- que é por onde os arcontes atuam. Os Ets manipula-os, usando-os para capturar
ou enganar as pessoas que se protegeram e ainda não foram afetadas por
esse distúrbio mental. Ou seja, tanto os loucos quantos os psicopatas estão a
serviço do mal representado pelos ets. E por que os cegos também não são
afetados? Por que não conseguem ver a luz do sol e, portanto, não veem as
criaturas. Mas estes últimos são totalmente imunes, ao contrário dos loucos e
psicopatas que passam a trabalhar para “eles”- os ets.
Por fim, arrisco dizer que haverá um Bird Box
2, já que muita coisa deixou de ser resolvida ou explicada. Então, assista
o primeiro e se prepare para grandes emoções caso haja um segundo. Sem
fazer essas inferências e sem compreender
a teoria por trás dele, haverá o risco de terminar o filme com a terrível
sensação do “não entendi nada”. Depois dessas explicações você poderá curtir
plenamente um grande suspense psicológico, com ótimo elenco e uma história incrível que, apesar de
ficcional, pode até ter um “pé” na realidade.
by Alsibarhttps://alsibar.blogspot.com/
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