quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

CASULOS - Cocoons





Quais são nossos casulos físicos, espirituais e psicológicos? Até quando precisamos de casulos e quando será a hora de nos livrarmos dos mesmos? E por que será que temos tanto medo de sermos livres? É sobre isso que iremos refletir um pouco!


O ser humano tem necessidade de viver em casulos. Segundo o Aurélio, casulo vem do latim casula, diminutivo de casa. É também o invólucro de algumas sementes, insetos e larvas à base de fios de seda. Serve como proteção contra os pedradores e também fornece o ambiente ideal para grandes mudanças físicas que antecedem a fase adulta em que a larva finalmente se transforma em borboleta. “É nessa terceira fase que acontecem as grandes mudanças. A larva fica em estado de total repouso por um período que varia de uma semana a um mês e os tecidos do seu corpo vão se modificando. Quando a borboleta está pronta, ela rompe o casulo e libera as asas.”

O medo nos impede de evoluir

Romper o casulo e liberar as asas é o símbolo máximo de liberdade e plenitude. Nas borboletas, esse processo acontece de forma natural, no homem não. Este último, traz em sua constituição psicológica algo que os insetos não tem: o medo. E é este medo da liberdade que faz com que tantas pessoas se agarrem aos casulos  espirituais e psicológicos tais como religiões, métodos , gurus e filosofias. Estes refúgios não representam grande mal em si  mesmos. No entanto, quando estagnam seu processo evolutivo , impedindo a alma de avançar até sua libertação final - torna-se um grande problema.

Provavelmente, nosso primeiro casulo natural sejam nossos pais e nosso lar. Depois, durante o confuso período da adolescência, nos refugiamos nas religiões, nos movimentos e organizações. Na idade adulta, buscamos consolo na oração, no deus personificado,  na religião organizada. Quando conhecemos os mestre, os métodos de meditação etc nos sentimos seguros e confortáveis em um processo supostamente espiritual . Sem perceber, continuamos presos  a um outro casulo, pois transformamos tudo isso em prisões, não em trampolins- que é como deveria ser.
Assim como as borboletas também temos nosso casulos

O último casulo psicológico é o mais difícil de todos de ser rompido: nós mesmos. Representa tudo que nos é caro, que nos dá prazer, conforto e segurança. Inclui aí todo nosso conhecimento,  nossas crenças, verdades e certezas . Deixar “cair” tudo isso- como dizia Dogen- é  essencial para a libertação . Mas quem tem coragem de dar o salto, soltar as asas e libertar-se de tudo que  acumulou e se apegou?
Precisamos de coragem para romper casulos e ser livres

Que cada um reflita sobre o tema, procurando reconhecer seu atual estágio evolutivo , identificar seus casulos e decidir se já não é hora  libertar-se dos mesmos ou, pelo menos, de alguns. Sei que muitos não estão prontos, mas muitos estão, e não voam por simples conveniência,  medo ou apego. Que as borboletas nos ensinem a termos coragem, a sermos autônomos e verdadeiramente livres!

Fica  a reflexão!

Namastê!

Alsibar

http://alsibar.blogspot.com

Fonte de pesquisa sobre casulos:
Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-a-lagarta-se-transforma-em-borboleta

6 comentários:

  1. Medo e culpa são fortes obstáculos à liberdade. O mais interessante é que tudo indica que nessa prisão a porta esteve sempre destrancada, a questão é saber se temos coragem de enfrentar o que há além da porta. Grato!

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  2. Salve Jorge !

    Talvez a porta aberta para o Desconhecido, ofereça mais medo do que ela fechada. De tal forma que muitos preferem ela assim mesmo, pois não precisam se arriscar!
    Obrigado pela participação!

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  3. http://www.youtube.com/watch?v=n3jl7cm3LQ0

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  4. Anômimo 28 de Fevereiro 2013, 12:21

    Grato pelo vídeo

    _/\_

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  5. Grande texto, rapaz! Penso no medo que sempre retarda ou mesmo aborta nosso processo libertário, nosso florescer. E como dissestes, a maioria das pessoas não se encontra em estado favorável para romper o casulo. Forçá-las a isso poderia ser loucura. Como se um processo que em si não dependesse do tempo - restrito a este seria o casulo, este "ninho do tempo". O florescer rompe com as teias do tempo (=pensamento), mas exige um certo nível de inquietação e revolta. Como se a dor e a angústia pudessem ser as alavancas do despertar para a grande maioria de nós. O entediar-se com as rotinas e a insanidade da vida que sofremos aqui dentro, o sentir na pele todo o peso desta teia compacta. E o sentir que existe uma pele viva por baixo do casulo, existem as asas comprimidas terrivelmente dentro deste casulo. Um processo doloroso, sua dor diretamente proporcional ao apego. Um abraço, obrigado pelo texto!!! Namaskar!

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  6. Eu que agradeço amigo Lobo!! Que belo texto o seu... Namaskar!

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