terça-feira, 4 de outubro de 2011

AS RELIGIÕES E A NATUREZA HUMANA: ONDE VOCÊ SE ENCONTRA? The religions and the human nature: where are you?



Como o homem escolhe sua religião? O que a religião tem a ver com as nossas tendências e com o nível de desenvolvimento intelectual e espiritual de cada um?Em qual degrau ou “nível” você se encontra?Vamos refletir sobre isso?
Dizer que escolhemos as religiões ou caminhos de acordo com nosso nível de desenvolvimento espiritual pode parecer- à primeira vista- um disparate. Mas, a literatura espiritualista está repleta de afirmações que corroboram esta tese. Gurdijieff dizia que há sete níveis de homens e cada um escolhe seu caminho de acordo com o nível em que se encontra. Assim, há uma religião para os chamados homens “comuns” que são os que estão nos níveis 1, 2 e 3. G. explica que a religião do homem nº 1, está baseada em ritos, sacrifícios e cerimônias. A do nº 2 é a da emoção, da adoração, da fé e do entusiasmo. A do nº 3 é a baseada na teoria, no intelecto, nas argumentações e e na retórica. Quanto à religião do homem nº 4 em diante, explica G. pegando o Cristianismo como exemplo:
“De fato, o Cristianismo nºs 1, 2 e 3 não passa de uma imitação exterior. Só o homem nº 4 se esforça para tornar-se um cristão e só o homem nº 5 pode realmente ser um cristão. Porque, para ser um cristão, é necessário ter o ser de um cristão, isto é, de viver de conformidade com os preceitos de Cristo. Os homens nº 1, 2 e 3 não podem viver de conformidade com os ensinamentos de Cristo, porque para eles tudo “acontece”. São arrastados ao acaso dos acontecimentos, vão à deriva. Não são seus senhores e, por conseguinte, mesmo que decidam ser cristãos, não podem realmente ser cristãos” (F.E.D-pg94)*
Tendo em mente que os ensinamentos de G. tem sua origem nas escolas de mistério e que estas encerram verdades profundas e reveladoras- não devemos então desprezá-los. Outra fonte, que nos esclarece sobre isso, é o próprio Bhagavad-Gita. Krishna diz que a fé dos homens pode ser de três tipos de acordo com os modos da natureza que cada um adquire: bondade, paixão e ignorância.  Afirma, Krishna :
“Os homens no modo da bondade adoram os semideuses; os no modo da paixão adoram os demônios; e os no modo da ignorância adoram fantastmas e espíritos”(B.G.)**
A seguir, Krishna explica em detalhes as práticas devocionais e os caminhos de cada um, de acordo com sua natureza.
 Deixando de lado as citações dos livros sagrados- que nos serviram de introdução a este estudo- vamos refletir em conjunto sobre a questão: religião versos nível de desenvolvimento espiritual, sempre lembrando que -o objetivo aqui não é defender uma posição radical e absoluta - mas sim ajudar na reflexão livre e imparcial sobre esta questão.
Ora, parece-me haver, não apenas sete ou três tipos de homens de acordo com seus níveis espiritual e intelectual, mas diversos tipos , níveis e subníveis. Obviamente, quando se estabelece números como sete ou três, há aí uma clara preocupação com a simplicidade e a pedagogia daquilo que está sendo ensinado. Mas, ao observarmos a realidade e os fatos, percebemos que assim como há tantos e variados tipos de homens- há também caminhos e religiões. Todavia, a questão fundamental é : essas variedades de religiões são prejudiciais ou benéficas à humanidade? Até que ponto poderemos considerar os diversos caminhos, movimentos, seitas e religiões como algo nocivo ao homem?
Tudo depende do ponto de vista e dos referenciais adotados. Em uma visão mais geral e superficial, poderemos dizer que todas religiões desempenham um importante papel na direção, orientação e iluminação humana. E, talvez, esteja aí a explicação do porquê de haver tantos e variados caminhos . Ora, será que todos os homens devem realmente seguir apenas um único caminho? Por mais que queiramos dizer que há único e verdadeiro caminho, sabemos que na prática, isso não ocorre. Todas as religiões e seitas dizem a mesma coisa. Todos os gurus e líderes asseveram a superioridade de seus caminhos em detrimento dos outros. E o que acontece de fato? Uma infinidade de rotas, de vias, que o homem leigo em sua busca- se depara, sem saber ao certo, para onde seguir.
Assim, vejamos, por exemplo as religiões cristãs pentecostais e neo-pentecostais.  Elas atendem a um certo tipo de mentalidade. Ou seja, a uma demanda que , do contrário, caso não existissem- poderia deixar muita gente perdido e sem rumo. Por isso que, em geral, percebe-se uma predominância de ex-drogados, ex-alcoólatras, ex-traficantes, ex-viciados etc. Aquele caminho, seguido e defendido por eles, se apresentam como tábua de salvação de muitos males e vícios prejudiciais a sua vida profissional, social e familiar. Sem esta “ferramenta”, sem esse apoio que a religião lhes proporciona, o que seria dessas pessoas? Muitas delas, através da religião que lhes fortalece fé e autoestima, conseguem ressignificar suas vidas e passam a ter força e energia para superar barreiras, alcançar a prosperidade e serem “felizes”-dentro da concepção do que para elas significa felicidade.
Da mesma forma há outras religiões e outros caminhos que as pessoas seguem de acordo com o que lhes parece conveniente e apropriado para sua própria vida. Assim, quando um pentecostal, sai da igreja católica- por exemplo- ele se considera mais “evoluído’ por que abandonou as imagens, os santos e a autoridade eclesiástica da igreja católica- isso lhes dá uma sensação de renovação e de que “agora” está realmente seguindo Cristo. E assim por diante. As pessoas seguem aquilo que na sua visão vai lhes trazer benefícios como paz, tranquilidade, felicidade, renovação, prosperidade, significado à vida etc. Nesta visão, cada religião tem uma função própria , atendendo cada uma, um nicho, ou parcela de homens, de acordo com suas necessidades, tendências, tipos e níveis.Independente de crermos nisso é o que realmente acontece no mundo. Percebemos, assim, que no caminho da nossa evolução espiritual, as religiões funcionam como degraus que nos impulsionam para o próximo nível.
Sendo assim, está tudo perfeito, não? Em um determinado nível sim. Em outro nem tanto. A questão é a seguinte: os diversos caminhos, em geral, elevam seu nível acima do que você estava antes . Todavia, normalmente, ela não te eleva a um nível acima dela própria causando, assim, uma espécie de estagnação. Ou seja, é melhor eu “ser” um cristão pentecostal, do que ser um traficante. Todavia, se não procurar elevar meu nivel espiritual , correrei o risco de ficar preso apenas à leituras,  pregações e proselitismos, esquecendo-me da transformação interior e da vivência verdadeira dos ensinamentos de Cristo.
Com base nesta perspectiva é que criei o esquema abaixo, partindo do 1 até o 10. Lembrando que, esse esquema, procura apenas organizar as coisas, dentro de uma perspectiva subjetiva e pessoal. A aparente gradação, não tem caráter absolutista , sendo apenas uma forma de organizar as coisas, facilitando a visão e o entendimento.Procuro, com este esquema, ajudar aqueles que estão buscando encontrar-se, mas sentem-se perdidos nesta infinidade de caminhos e informações. Que todos possam encontrar seu próprio caminho e aqueles que já encontraram, que possam se autoanalisar e refletir sobre o mesmo. Aceito as discordâncias, mas quero reafirmar que o que posto aqui não tem nenhum caráter de imposição de autoridade de qualquer espécie. Não sou dono da verdade e acho que ninguém o é. Defendo, no entanto, a busca baseada na reflexão, na investigação, no descobrimento e no eterno aprendizado. Que cada um possa encontrar sua luz  e seu caminho!
O ESQUEMA DAS RELIGIÕES X NATUREZA HUMANA
§  10    Negação total  das crenças, dos livros, dos gurus, das técnicas, das disciplinas e dos “caminhos”- foco na meditação, investigação e no autoconhecimento: apela à liberdade,  independência  e total autonomia do homem
§  9      Seguir ensinamentos e práticas provenientes de antigas organizações esotéricas para desenvolver a mente, o espírito e os poderes “ocultos”: aproximam-se de um ideal de liberdade, mas ainda atuam dentro da esfera do EGO, do conhecido
§  8      Praticar técnicas e seguir gurus- apela à dependência psicológica e à busca de uma segurança e estabilidade interior
o   7      Religiões que defendem a prática aliada à ações, como a caridade- apelam à esperança, à prática aliada à fé racional através do cultivo das virtudes
·        6      Religiões que defendem a prática proselista, a autoridade  dos livros sagrados e a fé  cega- apelam à crença, à fé cega e à ambição material e espiritual .
§  5      Religiões que defendem a adoração a santos,  imagens, e a obediência à hierarquia- apelam ao medo, à obediência e à autoridade espiritual.
o   4      Monismo- ex: cristianismo, apela à unificação das crenças e práticas sob comando de um Deus único
·        3       Politeísmo- ex: religiões pagãs- apela às paixões humanas
§  2       Sacrifícios de animais- ex: bramanismo antigo- apela às supertições e ao medo
·        1 Sacrifícios de humanos- ex: religiões tribais pré-colombianas. Apela ao medo


Muito Obrigado!
Alsibar (inspirado)
msn: alsibar1@hotmail.com
* Fragmentos de um ensinamento desconhecido- em busca do milagroso- P. D. Ouspensky-Editora Pensamento
** O Bhagad-gita- como ele é" A. C. Bhaktivedanta swami Prabhupada -1986

sábado, 1 de outubro de 2011

O AMOR , A ENTREGA E O ÊXTASE- The Love , the Surrender and the Ecstasy


O que é o amor ?  É emoção? É sensação? É algo forjado pelo pensamento? Podemos amar de maneira proposital e consciente? O que é a entrega? Existe entrega enquanto há EGO? Vamos refletir juntos sobre tema intrigante?

O poeta e compositor mineiro Paulinho Pedra Azul, já dizia “ O amor, será belo se dois serem um”. Jesus, já afirmava no quinto evangelho “Quando fizerdes do dois um e quando fizerdes o interior como o exterior, o exterior como o interior, o acima como o embaixo e quando fizerdes do macho e da fêmea uma só coisa, de forma que o macho não seja mais macho nem a fêmea seja mais fêmea (…) então entrareis no Reino”. E a explicação é muito simples. O Amor é a experiência da Unidade com tudo e com todos. Isso só pode ocorrer na ausência completa do EGO. O EGO não pode amar. É contrário a sua natureza. Como poderia? Ego é interesse, desejo, ambição, pensamento, tempo, limitação. Tudo que o EGO faz tem um interesse e um motivo por trás. E o que tem interesse e motivo é falso. “ Ao terminares tudo o que tens de fazer dizeis : sou servo inútil, apenas fiz minha obrigação”- disse Jesus nos evangelhos canônicos. “ A ação que é feita com interesse de ganho é ação no modo da ignorância” Afirma Krishna no Bhagavad-Gita. Resumo da ópera : enquanto há EGO , não há AMOR. Um é a negação do outro. Do que se infere uma coisa simples: enquanto houver o observador- o pensador- não há espaço para o amor. Amor não é emoção. Amor não é sensação. Amor não é desejo. Se a sua “experiência” com o amor resume-se  a estes três aspectos- é melhor refletir sobre o que você está realmente sentindo. Será que não está havendo um equívoco? Não seria melhor observar este sentimento, não à luz do pensamento- mas da sabedoria, da percepção direta- sem a interferência das palavras ?
Ora, certamente, que podemos descobrir a Verdade diretamente, por nós mesmos e não de acordo com opiniões – seja de quem for. A mente, o pensamento, adora se apoderar de tudo. Nesse suposto “domínio” de tudo ele se sente seguro e feliz- na ilusão de que entendeu. Na ilusão de que está sentindo algo sagrado e valiosos. Ora, mas será que algo tão sagrado e puro- como o amor- pode ser tocado pelo pensamento? Sabemos o que é o pensamento. Conhecemos suas artimanhas, sua astúcia, sua megalomania. Importa ir além dele. Importa que ele se extinga e morra por inanição. Só assim poderemos vislumbrar algo realmente sagrado e puro. Algo que denominamos de Amor- mas que na verdade- está além de toda classificação, de todas as palavras e denominações.
Temos mania de separar e classificar o amor. Dizemos que ele é sensual (eros) e fraterno (ágape). Mas quem fez essa divisão? O pensamento, não? Ora, quando o pensador se extingue há alguma divisão e classificação? Ou tudo se reduz ao UM? O Um não significa sentir pelos seus amigos a mesma coisa que você sente por sua mulher. Significa que não há mais o EGO fragmentando e classificando as coisas em termos de palavras e definições. Então cada coisa passa a ter seu lugar, campo e função. Estabelece-se uma nova ordem  e harmonia que o pensamento não conhece. Então não irás mais confundir “desejo” com amor. Não irás confundir “ apego” com amor. Nem “sentimento de posse” com amor. Nem “ciúmes” com amor. Nem mesmo “emoção” com amor.
Muitos de nós apenas buscam a sensação que o “amor” proporciona . Mas isto nada mais é do que um processo biológico, resultado da ativação de  proteínas na química cerebral : tais como a serotonina e a dopamina. Isso já está cientificamente comprovado. Quando o cérebro deixa de produzi-las o que resta? Nada. Por isso que as pessoas se separam e se casam tanto. Estão sempre buscando novas sensações, procurando sentir o “barato” que aquele estado lhe proporciona. Quando o cérebro deixa de produzir aquelas substâncias, dizemos : “acabou o amor. Tenho que procurá-lo novamente !” E passamos a vida  buscando sentir aquilo novamente.  Em geral, nos iludimos pensando que o erro está no outro. Buscamos mil e um motivos para justificar o término dos nossos casamentos e relacionamentos. Não existem relacionamentos eternos e perfeitos. Isso é uma idealização. Uma perigosa e confortável ilusão que nos agarramos por não querermos encarar a realidade. Nada neste mundo do pensamento é perfeito e duradouro. Tudo o que o pensamento cria, toca e deseja tranforma-se, deteriora-se e morre- pois esta é a sua natureza. Embora ele não queira aceitar isso. E nem pode, pois é próprio da natureza do EGO desejar a continuidade, a segurança e o conforto.
Só quando o homem liberta-se dos tentáculos do EGO- que é o desejo de permanência e continuidade. Só quando o pensador – que também é EGO- se extingue totalmente, pela percepção de suas próprias limitações e natureza, é que algo novo, original e verdadeiro pode “surgir”. Nesse “algo” não há amanhã, não há passado, nem futuro. Nele todas as coisas se esclarecem e se unem. Não há espaço para lamentações, apego, ciúmes, ou fragmentações. Não há espaço para  sentimento de posse ou exigências de qualquer espécie. Sei que muitos não me entenderão. E com razão - pois só conhecemos a dimensão do pensamento. E o que estou falando está além dele, transcende ele. E somente aqueles que alcançam esta dimensão podem “sentir” isso- pois não é do reino das palavras, nem das definições. O “pensador-EGO” tenta aproximar-se dele, dominá-lo, apossar-se dele como faz com tudo e todos a seu redor- mas não consegue. Simplesmente porque esse algo está totalmente fora do seu alcance .
Quando todas as barreiras da ilusão forem dissipadas. Quando não existir mais sentimentos de “EU” ou “MEU”. Quando, por um instante que seja, o homem conseguir se libertar, sair do reino do pensamento e do EGO. Então algo de novo surgirá. Não tente senti-lo. Não tente vê-lo. Não tente tocá-lo, nem dominá-lo.  Alguns chamam isso de entrega. Não gosto deste termo pois abre margem para muitos mal-entendidos. Se você entender “entrega” como “alguém se rendendo ou se entregando a algo ou alguém”- está errado - pois a ilusão da dualidade continua. Na verdadeira entrega  não há um alguém (EU, EGO) entregando-se a algo/alguém (Deus, Guru). O “AMOR”, só pode surgir quando não há mais nada em termos de idéias e conceitos.  Assim, somente com a extinção e superação de conceitos como  “EGO”, “DEUS”, “ENTREGA”, “AMOR” é que o ser humano poderá realmente “perceber” ou “sentir” algo que está além do  campo de atividade do EGO. Do contrário, estaremos apenas nos iludindo, nos dopando, nos hipnotizando. E isso terá o mesmo efeito que qualquer droga química que causa prazer, euforia, sensações e dependência .
O amor é a negação de todo o caos criado e mantido pelo pensamento fragmentado e fragmentador. Nós só podemos nos aproximarmos dele de maneira indireta e negativa- ou seja compreendendo o que ele não é. Se tentarmos contatá-lo de maneira positiva- através de nossos conhecimentos, pensamentos e desejos- ele se esquivará pois ele é a única coisa no universo que é incriado e não-condicionado. E somente atingindo o estado de não-condicionamento, de “limpeza” total do pensador, do passado e do conhecido -é que este algo poderá surgir. Mas ele só “surge” quando não estamos mais aí para experimentá-lo, para explorá-lo, para usá-lo a nosso bel-prazer. Em outras palavras:  a verdadeira entrega  é uma consequência natural da extinção do EGO. Somente quando "ele" desiste de querer dominar, classificar e usufruir de tudo, é que o AMOR- a experiência máxima da Unidade- poderá vir à tona.
A relação homem mulher é apenas uma representação desta Unidade ensinada pelos grandes mestres, sábios e iluminados. O homem comum só alcança a Ananda, ou êxtase da Unidade nos raríssimos momentos do sexo. Mas o místicos e iluminados alcançam este estado, de forma  natural e espontânea. O amor é a experiência máxima da Unidade, da Totalidade, consigo mesmo, com o outro e com o Universo. É a experiência mística por excelência pois não existe mais EGO, com sua sensação de fragmentação e separatividade. 
Mas este estado não pode ser desejado nem buscado. Somente quando, pela meditação e autoconhecimento, o homem se liberta das ilusões do EGO, é que este algo surge. Enquanto houver qualquer movimento do desejo e do EGO- tanto em níveis conscientes e inconscientes. Enquanto houver busca, esforços ou motivos  por mais sutis que sejam- o Amor não surgirá. Chame-o de Amor, Verdade, Deus, Cristo, Buda- como quiser. Não fará diferença pois ele está além de todas as palavras, conceitos e definições .
Que tal experimentar este novo caminho e descobrir a Verdade por si mesmo? A hora é agora!
Alsibar ( inspirado)

domingo, 25 de setembro de 2011

MISTÉRIOS PARADOXAIS



Só somos,
Quando não somos.
Só achamos quando não buscamos,
E só quando  não estamos,
É que achamos.
Quando
Encontramos  a Verdade
 Nada muda,
E tudo muda.

Só meditamos,
Quando não  há meditador.
Se há meditador,
Não há meditação.


A verdade
não é a Verdade.
Se ainda há verdade,
É porque ainda não a encontramos.
Quando a Verdade se revela,
Ela não é.
E por isso “ É”

Só na consciência,
Se revela a Verdade
Mas se estou consciente dela,
Ela deixa de sê-la.

O Autoconhecimento,
Não é se autoconhecer.
É conhecer, apenas.
Não há um alguém,
Conhecendo alguém.

O Não-caminho,
É o verdadeiro Caminho.
O Não-Movimento
É o verdadeiro movimento.
A não-busca,
É a verdadeira busca.
A não-ação,
É a verdadeira ação.

Não há o tornar-se,
Há apenas o SER.
E o verdadeiro SER,
É o Não-ser.

Da quietude,
Surge  o movimento.
O movimento,
Vem da quietude.
O homem sábio,
Não sabe que o é.

O “ EU SOU”,
Se manifesta,
Quando “NÃO-SOU”.

A verdadeira Luz,
Não é luz,
Ela só existe,
Quando não há
Nem luz,
Nem escuridão.

A verdadeira Paz,
Não é paz
Nem conflito.
Só quando,
Paz e conflito,
Inexiste,
Existe a verdadeira
Paz.

O nada,
Não é o Nada.
Nem o vazio,
        É o Vazio.
A mente,
Não está parada,
Nem em movimento.
Só quando não há,
Nem movimento,
Nem quietude,
É que há,
A Verdadeira
Quietude.

Não há silêncio,
Nem barulho.
Só quando não há,
Nem barulho,
Nem silêncio,
É que existe o verdadeiro
Silêncio.

Libertação,
Não é o contrário da prisão.
Só quando não há,
Nem prisão, nem libertação
É que  existe a verdadeira
Libertação.

Não há iluminação,
Nem  Ilusão.
Só quando estes dois inexistem,
É que vem a verdadeira,
Iluminação.

Não há ascenção,
Nem queda.
Não há controle,
Nem descontrole.
Não há carne,
Nem espírito.
Não há tristeza,
Nem alegria.
Não há separação,
Nem união.
Não há um,
Nem múltiplos,
Não há fragmentação,
Nem totalidade.

Quando a mente,
Liberta-se de toda dualidade,
E da não-dualidade,
Ela alcança a verdadeira,
Unidade
Quem a isso compreende
Alcança
O  
 INONIMÁVEL
UNO.

ALSIBAR ( sob inspiração do TAO)


msn: alsibar1@hotmail.com

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

AQUELE QUE SE AUTOCONHECE - The one who knows himself


O que é o autoconhecimento ? Como supostamente vive e age uma pessoa que se autoconhece? Que relação tem o autoconhecimento com as necessidades psicológicas e biológicas do sujeito? Vamos investigar juntos?
O autoconhecimento, não é um processo com começo, meio e fim. Não é uma espécie de curso ou habilidade que se aprende, alcança-se um resultado e depois se esquece. “Aquele que se autoconhece” é apenas uma expressão para referir-se ao indivíduo que alcançou o pleno conhecimento dos limites, funções, artimanhas e ilusões do ego. E soube ir além disso tudo. A verdade é que  o autoconhecimento nunca chega a um fim. É um processo dinâmico, ilimitado, infinito. Vivemos em constante mutação. Nossos pensamentos, atitudes, emoções e reações estão em constante e perene movimento. As situações, as percepções e o que passa em nossa consciência- é um universo infinito- sempre se autorrenovando, sempre se recriando. E é nesse mundo de relações variadas e infinitas que o autoconhecimento se realiza. 
Alguém que “alcançou” este estado, é alguém que  tem plena consciência de si. Suas atitudes estão em plena harmonia com o que prega e ensina. Sem as famosas contradições e incoerências  que caracterizam boa parte dos homens. Sendo assim, não é um hipócrita. Não pode ser.  Há nele uma harmonia. Uma perfeita conexão entre mente, corpo e espírito. Mas, essa integração, não é alcançada através do pensamento. O pensamento não integra. Ele desagrega, desuni, fragmenta. Por isso que este homem tornou-se um verdadeiro “indivíduo” no sentido pleno da palavra: aquele que é indiviso, uno em si mesmo. Aquele que se autoconhece é alguém humilde  não de uma forma consciente e proposital. Ele não quer “tornar-se” humilde para ganhar a aprovação das pessoas ou as beneces dos céus. Sua humildade é um fenômeno natural. É o resultado, uma consequência de sua  libertação do sentido do “falso eu”, ou ego. Há dentro dele uma dimensão desconhecida e inexplorada. E é a partir dessa dimensão que ele percebe o mundo ao seu redor.
O homem que se autoconhece vive em duas dimensões diferentes: a interior e a exterior. Exteriormente, ele vive uma vida comum. Trabalha, estuda, ama, come, bebe, dorme, lê, se diverte- faz tudo o que uma  pessoa normal faz. Mas, como seu mundo interno é de silêncio, paz e harmonia, isso acaba se exteriorizando na maneira dele tratar as pessoas , a vida e as coisas em geral. Mas não dá para descrevê-lo ou prever suas atitudes, pois  elas não estão radicadas no conhecido ou previsível. Elas são como o rio, como o vento, como a natureza – às vezes selvagem, às vezes ordenada. Às vezes um cosmos, à vezes um caos. Às vezes criação e às vezes destruição. Nosso pensamento – lógico e racional- não consegue compreendê-lo, nem acompanhá-lo.
 Todavia, uma coisa é certa: o homem que se autoconhece é alguém liberto do conflito,  da dor, da angústia, da dúvida, da arrogância, do orgulho  e do egoísmo. Os desejos biológicos e as necessidades humanas ainda o acompanham- mas ele os vê como fenômenos passageiros, assim como o são seus pensamentos, suas emoções e todas as coisas no Universo. Livre da ignorância e cegueira , ele não quer ser melhor ou superior a ninguém, pois  não há mais o desejo de ser “mais” ou melhor . Ele se sente feliz e satisfeito dentro de si, independente de qualquer situação ou de qualquer coisa.
 Este homem é um verdadeiro espiritualista. Ele nunca se arvorará como dono da VERDADE , nem dono de nada, pois está livre dos pensamentos de “EU” e “MEU”. Por isso, aceitará as opiniões contrárias uma vez que  está livre da ilusão de que existe uma verdade absoluta. Ele não precisa “provar nada pra ninguém”. Nem é candidato a nada, nem quer juntar nada no céu. Assim,  não quer ser santo- no sentido em que a sociedade entende. Sabe ele, que enquanto houver ego, não poderá haver paz, nem paraiso- seja neste ou em qualquer outro mundo. Por isso, seu céu e seus tesouros - é a paz abundante e ilimitada- que nenhum dinheiro poderá comprar ou pagar.
O homem que se autoconhece superou suas necessidades psicológicas, não as biológicas.  Por isso não será contra o prazer- pois é parte da vida e das necessidades do corpo. Sabe ele, que este tem suas próprias necessidades e seu próprio ritmo de desenvolvimento. Libertar-se do domínio do pensamento e do ego, não significa negar o corpo. Este  deve  ser considerado como um instrumento ,  um carro ou um animal do qual nos beneficiamos e que- por isso- devemos cuidar e zelar para que não quebre, não se acabe, não adoeça, nem morra.
Aquele que se autoconhece continuará agindo, fazendo sua parte, cumprindo sua missão. Mas sua mente estará totalmente liberta do EGO ou do “FALSO EU” como diz o GITA. Viverá na Consciência, na percepção clara do  aquiagora que é Atemporal , Eterno e Desconhecido. É livre, não porque pensa que é- mas porque superou os limites do pensamento através do verdadeiro autoconhecimento!
ALSIBAR (inspirado)
msn:alsibar1@hotmail.com



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

É POSSÍVEL LIBERTAR-SE DO SOFRIMENTO? Is it possible to be free of the suffering?

O homem sempre buscou a libertação do sofrimento

O sofrimento é algo muito complexo. O que os mestres têm a dizer sobre isso?  Existe um estado livre do sofrimento físico ? E do psicológico? Neste texto, faremos algumas reflexões sobre o sofrimento e sua libertação.

    Há pessoas que se “acostumam” com o sofrimento por vários motivos. Por medo, comodismo ou por que aprenderam a ver o sofrimento como uma coisa natural. Há muitas pessoas nesta situação. É a esposa que sofre com a violência do marido. É o casal acostumado às brigas e à infelicidade; os solitários, as viúvas e aqueles que sofrem grandes perdas. Mas, acostumar-se com o sofrimento não é a mesma coisa que libertar-se dele. O que realmente nos interessa é a libertação do sofrimento psicológico. Não é disso que os mestres iluminados falaram ao longo dos séculos?
É possível libertar-se do sofrimento?
   É possível alcançarmos a Libertação ou Moksha?  Buda chamou esse estado de Nirvana. Ele compreendeu a cadeia do sofrimento e ensinou à humanidade o caminho de sua  extinção. Outros mestres, como Cristo e Krishnamurti, também ensinaram este caminho- cada um a seu modo.  Para Buda, todo homem deve buscar as causas do sofrimento em sua origem. Extirpando-se as causas, eliminam-se os efeitos.O homem assim liberto não retornaria mais a esse mundo. Livra-se do Samsara- a roda de nascimentos e mortes. 
Jesus: a Verdade liberta do inferno interior
         Para Jesus, a Verdade liberta o  homem da angustia e do tormento do inferno- um estado de espírito sintetizado pela expressão "choro e ranger de dentes". Krishnamurti, advoga uma libertação realizável no aqui agora. Ora, a liberdade só pode acontecer no agora. Mesmo que exista um paraíso ou um céu não há salvação para o homem que não extirpou de si a causa da dor, a saber: o EGO. Assim, onde ele estiver seja na Terra, nos céus, no paraíso ou em qualquer outro suposto plano invisível-lá estará o seu inferno particular . Por isso que o céu e o inferno são considerados estados da alma. Pois "onde estiver seu coração- aí estará o seu tesouro”.
A libertação é possível no aqui agora
     Infere-se, então que a libertação deve ser “buscada” no agora e dentro do homem. E será possível ao homem alcançar a libertação ao longo da vida? Sim, é possível. Do contrário, qual seria o sentido de tudo isso?  Essa libertação deve estar acessível a todos os homens- se eles não encontram é por que não a buscam. Mas o que é esta libertação? Como vive alguém que alcançou ou descobriu este estado? 
No passado o anacoreta simbolizava a  espiritualidade

        Essa é uma questão complexa que confundiu muita gente ao longo dos séculos. Antes, muita gente tinha mente que uma pessoa liberta viveria como um anacoreta, um sanyasin (renunciante). Assim, muitas pessoas se afastavam da vida mundana, abandonavam casa, família e emprego e iam para as cavernas ou para algum mosteiro dedicar-se à vida espiritual. Acreditavam, assim, estar trilhando o caminho da Libertação ( Moksha). Mas essa concepção mudou radicalmente. Depois do advento de mestres como Lahiri Mahasaya, Sri Yuktéswar e Krishnamurti- hoje compreendemos melhor este estado que tem mais a ver com   renúncias internas do que externas.

Lahiri Mahasaya- o iogue pai de família
  Conta-se que certa vez Yogananda foi dominado por um intenso desejo de ir para os Himalayas para dedicar-se completamente à meditação e alcançar a Graça Divina. Sri. Yuktéswar, seu mestre alertou-lhe “Deus não está nos Himalayas”. Lahiri Mahasaya foi um outro exemplo atípico. Apesar de ser um grande iogue, de profunda sabedoria e elevação espiritual não se isolou do mundo, nem abandonou seu lar. Continuou tendo uma vida familiar relativamente normal, trabalhando e cuidando da esposa e dos filhos.

          Krishnamurti também ensinou-nos  que um iluminado não está obrigado a viver isolado do mundo. Ao questionar os motivos ocultos que fazem uma pessoa fugir da sociedade sob o pretexto de uma suposta renúncia, fez-nos refletir que nem sempre a atitude exterior corresponde à interior- sendo, esta última, mais importante. Se alguém renuncia com o intuito de alcançar algo, isto é renúncia? Ou seria apenas uma troca? Ou seja, se alguém   abandona o mundo “ material” mas deseja alcançar as riquezas do mundo espiritual- isso é renúncia? Ou a verdadeira renúncia é ação que nada pede, nada almeja, sendo assim, completa em si mesma?
Krishnamurti: a verdadeira  renúncia é interior.
     Destarte, a vida espiritual foi mal compreendida durante muito tempo. Hoje sabemos que que só há um tipo de renúncia : a interna. É quando o sujeito se desapega das sua posses internas, dos desejos, do pensamento, da ambição, da arrogância, do orgulho, do EGO enfim. Ser interiormente livre é a verdadeira libertação. Ninguém precisa deixar família, rotina, trabalho, amigos Se  ocorrer alguma mudança exterior, isso terá sido de forma natural e espontânea. Resultado de uma compreensão mais profunda da vida e de si mesmo. 
  Compreender o sofrimento,  penetrá-lo, ver a verdade sobre ele- é certamente o começo de sua libertação. O sofrimento físico decorrente de doenças, velhice, fome, violência, privações etc sempre existirão. Como disse Buda  : viver é estar sujeito ao sofrimento ; a velhice, a doença, a morte e a dor sempre acompanharão a todos. Mas existe a libertação do sofrimento psicológico?

 Este é outro ponto que pouca gente compreendia e que Krishnamurti esclareceu de forma magistral. Muita gente pensava que Buda falava de um estado de total dormência ou vazio em que não era possível sentir dor alguma- nem mesmo a física. Hoje graças à visão lúcida de um Buda moderno como K. compreendemos que a libertação só se pode dar no nível psicológico e não físico. O próprio K., inclusive, sofreu muitas dores em seus últimos dias de vida levando-o a tomar altas doses de morfina. O corpo continua sensível não só as dores, mas ao prazer físico. O ideal de insensibilidade buscado erroneamente por muita gente, mudou para uma busca pela hiper sensibilidade. Como dizia K. "precisamos de uma mente sensível aos sons, ao ambiente, à natureza".
Nosso sofrimento é de natureza perceptiva
      A libertação, portanto,  pode ser encontrada, ainda nesta vida .Alguém disse certa vez, que todos os nossos problemas são de natureza perceptiva. Sendo assim, a forma como você percebe as coisas, a si mesmo e ao mundo determina a intensidade do seu sofrimento. Essa mudança de PERCEPÇÃO  não carece de esforço, tempo, disciplina, método ou mestres.  Pode e deve ser feito no aqui agora . Ela  não é um resultado de um longo processo, nem está no fim de uma longa jornada. Está além do tempo e do espaço. Krishnamurti novamente   dá uma reviravolta nas crenças estabelecidas e subverte a lógica cartesiana do pensamento religioso dominante e explica que "A liberdade está no começo- não está no fim.”
Se você realmente compreendeu isso, então já encontrou a Libertação.
       Namastê!
Alsibar (inspirado)
http://alsibar.blogspot.com

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A NOVA ESPIRITUALIDADE: UM HINO DE LOUVOR À VIDA




 Extraído do Manifesto Neoespiritualista *
A VIDA EM ABUNDÂNCIA
A nova espiritualidade não separa, não fragmenta, não oprime. Ela LIBERTA totalmente o homem de todas ilusões e equívocos. Ela é um hino de louvor à vida- à verdadeira vida que os grandes mestres do passado nos ensinaram. A vida em abundância não é apenas uma vida de luxo, de fama, de saúde, de felicidade no trabalho e no casamento- como pregam os livros de autoajuda. A vida em abundância é aquela em que o homem despojou-se completamente das garras mortíferas do seu ego ilusório. Esta entidade está sugando sua energia vital – impedindo-o que ele veja a Verdade. O ego é a fonte de todo o mal. Ele se disfarça de bondade, respeitabilidade, sociabilidade. Ele impunha a bandeira da ética e da moralidade- mas seus atos são pura hipocrisia e falsidade. Qualquer um que não libertou-se do ego -do mais alto sacerdote ou estadista, até o mais vil dos homens- está sujeito aos altos e baixos , às ondas instáveis do desejo, às reviravoltas do imprevisível, às ilusões da vida, à dor e ao sofrimento .
A NOVA ESPIRITUALIDADE É LIBERTADORA
A nova espiritualidade é libertadora. Ela não tira o homem do seu lar e trabalho. Não o separa da família, nem dos seus sonhos, planos e projetos. Não o prende nas garras da repressão e do conflito. Não transforma o homem em uma espécie de "zumbi" bem informado, culto e religioso. A nova espiritualidade é feita de homens livres- mas nunca inconsequentes ou irresponsáveis. Livres porque se conhecem. Conhecem sua mente. Conhecem as armadilhas do pensamento condicionado, do desejo e da praga do MAIS. O “mais” é uma ilusão perigosa nesse particular. Ele é o próprio veneno silencioso que o ego  inoculou no coração dos homens. O “mais” é uma grande ilusão que poucos percebem e, por isso mesmo, são presas fáceis dessa verdadeira maldição. Toda vez que enveredamos pelo caminho do “mais”- mais dinheiro, mais prazer, mais conforto, mais sucesso, mais virtudes, mais espiritualidade, mais amor, mais isso e mais aquilo- deixamos de viver, de ver e compreender que a eternidade,  a felicidade e a libertação, não se encontram no “mais”. Este é desejo,  é avidez, é inveja, é ego. O “mais” nos afasta da atemporalidade própria daquilo que é eternamente presente- deste eterno momento que é completo e pleno em si mesmo. É a busca pelo “mais” que nos cega, que nos distrai, que nos leva para longe da VERDADE-  QUE É. Sei que muitos terão dificuldade em compreender e aceitar isso. Mas, se parassem um só instante. Se suas mentes lhes dessem trégua um minuto que fosse. Compreenderiam que quem cria o “mais” é a mente inquieta e sempre insatisfeita.
O EGO É A PETRIFICAÇÃO DO SER
A vida não pára um só instante. Tudo se move com uma rapidez que nossos pobres olhos e mentes não conseguem perceber. Tudo se renova constantemente- mesmo que muitas vezes esqueçamos estes fatos. Somente o ego está petrificado. Nada há de mais duro, rígido e concreto do que o ego. Mesmo as pedras se movem. O ego não cede, não abre mão, não flue, não sai da pose, não se abre, não se transforma, não evolui, não cresce, nem amadurece. Não há palavras para descrever a dureza, a estratificação do ego. Mesmo quando ele finge ceder- continua firme e forte no centro- como doença maligna  e incurável. Como um vírus letal que por mais que você tente destruí-lo- continua vivo devido suas características especiais que lhe dá uma poderosa capacidade de sobrevivência.O ego somos nós. O mundo é o ego e o ego é o mundo. Ele tem mil e um disfarces, faces e fases. Quando o homem procura regenerar-se por meios superficiais e externos- o ego continua seu império de dominação. Por isso, que mesmo entrando para as religiões, mesmo praticando técnicas, mesmo lendo livros de autoajuda, mesmo ouvindo os mestres - muita gente não muda, não se transforma. O ego apenas muda de roupa. Ao viver uma vida socialmente aceitável através de um bom trabalho, posição social e hábitos saudáveis- o ego se protege, pensando que está tudo bem.  Ilude-se quem assim pensa.
O EGO BUSCA SEGURANÇA, PRAZER E CONTINUIDADE
O ego é a ilusão de segurança, de permanência, paz e conforto que todos nós procuramos ardentemente. Mas existem tais coisas? Ou tudo está em constante instabilidade, insegurança, fluidez e movimento? O ego está sempre mudando na SUPERFÍCIE. Apenas muda um detalhe ou outro no estilo de vida, por exemplo,  quando abandonamos alguns hábitos prejudiciais . Vícios grosseiros, desprezíveis e socialmente inaceitáveis. Todavia, o ego continua em outro nível. Mas, ao não perceber o perigo de outros vícios mais sutis- não vamos muito longe. Percebemos o perigo do vício da droga, das bebidas, do cigarro, do consumo desenfreado etc. Mas não percebemos o perigo do PENSAMENTO DESENFREADO, AUTOMÁTICO e REATIVO. Nem percebemos quão prejudicial é o DESEJO PSICOLÓGICO. Aceitamos essas duas serpentes como se fossem animais de estimação e com isso decretamos nossa própria ruína.
OS LIMITES DO PENSAMENTO E A LIBERDADE
A nova espiritualidade é feita de homens que pensam- mas que percebem os limites do pensamento. Sabem qual é o  lugar dele. Usam o pensamento quando necessário e útil. Não se identificam com ele, nem deixam que ele os dominem a mente e o coração. São livres, não porque venceram os “desejos da carne”, ou porque são bons ou virtuosos. São livres porque descobriram uma LIBERDADE que não é “deste mundo”- pois não foi forjada pelo pensamento. É a liberdade dos homens que venceram seu ego não pela força, esforço, disciplina ou conflito, mas pela compreensão e percepção da VERDADE. E a verdade não pertence a ninguém. Ninguém pode dá-la ou transmiti-la. Pois a verdade não é um objeto, nem muito menos um punhado de conhecimentos, nem mesmo uma experiência extra-sensorial. É a verdade do que somos. Da nossa vida cotidiana. Do nosso egoísmo. Dos nossos móveis e motivos secretos que impulsionam,  influenciam e moldam nossa vida. É a verdade sobre nossos medos, desejos e expectativas. É a verdade sobre a Ilusão  e o perigo de se viver sob o domínio do ego.

O LEMA DA NOVA ESPIRITUALIDADE: VEM E VÊ!
A nova espiritualidade não prega novos credos, nem novos “ismos”, nem novos mitos, nem novos deuses, nem mesmo novas teorias e explicações metafísicas acerca daquilo que é transcendental aos nossos sentidos. A nova espiritualidade fundamenta-se no encontro do homem consigo mesmo, com sua própria vida, com sua própria verdade. Acima e além de todos os conceitos, opiniões , dogmas, posições, pensamentos e crenças. A nova espiritualidade requer sim, uma nova postura.  Não mais do crer para ver. Nem do ver para crer. Mas do "VEM E VÊ"! Esse novo homem encontrará dentro de si uma dimensão inexplorada que sempre existiu mas que ele esqueceu ficando, assim, abandonada. Para entrar nessa dimensão, ele tem que se despojar de todos seus conceitos, preconceitos, e de tudo que representa o mundo. Do contrário a porta não se abrirá. Somente aqueles que tiverem coragem de se jogar no abismo do DESCONHECIDO é que poderão viver plenamente esse novo momento. Não se pede, com isso, que a pessoa abandone sua capacidade de raciocínio e pensamento. Mas que equilibre suas energias para que a ordem se estabeleça em seu interior naturalmente. Pois existe uma ordem universal superior tanto fora, quanto dentro de nós. Que está presente tanto no macrocosmo, quanto no microcosmo do homem, e também nos átomos e moléculas.  Desta forma, assim como ela ordena, coordena, organiza e mantém os ciclos da natureza, dos mares, dos planetas, galáxias,  do cosmos, dos átomos e do próprio corpo humano- assim também ele o fará na mente de todo aquele que  se libertou da ilusão de ser o controlador. O ego é caos, é desordem, é fragmentação e enquanto ele estiver na ilusão do comando,  a Ordem Interna do Desconhecido não se estabelecerá.
EXTIRPAR O MEDO PARA SER LIVRE
 A nova espiritualidade está fundamentada na busca  e encontro do homem com essa força, ordem, ou dimensão que existe  dentro dele mesmo. Haverá medo. É verdade. Pois estamos acostumados a controlar tudo - apesar desse controle ser apenas uma confortável ilusão. O medo é um dos maiores males que assolam a humanidade. A nova espiritualidade tem na extirpação do medo uma de suas prioridades. Sendo esta uma  missão difícil- quase impossível- pois temos medo de tudo. Medo de arriscar, medo de aprender, medo de perder nosso ego, medo de ser nada. Mas nós somos nada- por mais que não queiramos. A morte, a doença, a velhice, a miséria, a deterioração, as crises e as perdas estão aí para nos lembrar diariamente que não somos nada, que não podemos nada, que não controlamos nada.
A ORDEM CÓSMICA EXISTE INDEPENDENTE DO HOMEM
O universo com suas leis maravilhosamente perfeitas  e eternas- incompreensíveis para nossa mente humana- está aí para nos dar um recado: ele não precisa do ser humano para ser O QUE ELE É. Sendo assim, a razão nos diz que deve haver uma força que mantém , sustenta e cria tudo o que há nele. Seja o que isso for, seja que nome o dermos: energia, poder, nada, luz, espírito, Tao, Deus, Jeová, Alá, Brahman, Krishna. A lição é certa: assim como há um controle e uma ordem que cria, organiza, harmoniza, mantém, e destrói tudo no universo, deve haver também uma força que habita dentro do homem e que também traz ordem, harmonia e equilíbrio ao seu interior.
A QUIETUDE E O SILÊNCIO: ATRIBUTOS DESSA NOVA DIMENSÃO
Na nova humanidade os homens marcharão cada vez mais para o encontro com esta dimensão interna. Não através da mente, nem do pensamento, nem do desejo- pois estes caminhos já se mostraram falhos. Eles não podem levar-nos à morada desta Força Suprema, Eterna e Desconhecida. Apenas no silêncio natural de sua própria mente. Apenas através da meditação e do autoconhecimento direto, real, objetivo e verdadeiro. Somente  quando o homem encontrar sua quietude interna e ali permanecer. É que aquela Força Criadora começará a se mover e agir naturalmente e espontaneamente. Morrer para o ego, para o conhecido, para o passado é a mesma mensagem que o mestre nazareno nos ensinou há mais de dois mil anos atrás: O homem se entrega nas mãos do Pai, entrega-se à Jesus, à Krishna, a sua Luz Interior- que importa o nome e o símbolo? Morrer para renascer da água e do espírito- símbolo de renovação e purificação- para tornar-se um ser pleno, livre e verdadeiramente FELIZ. Eis que é chegada a hora em que os mortos se levantarão de sua tumbas. Mortos estávamos quando não conhecíamos a verdadeira vida. A vida do ego é morte, miséria e dor. As tumbas é onde depositamos tudo o que é morto. Lá no nosso inconsciente está toda podridão, todo o resíduo de nosso passado, todos os nossos restos mortais psicológicos. Eis que chega a hora de nos levantarmos, de acordarmos para a vida- a verdadeira Vida!
A PERCEPÇÃO DO “QUE É” NA ATEMPORALIDADE DO AQUIAGORA
Quem quiser vir, venha e veja! Não no futuro. Mas no aquiagora. Na percepção clara, direta e objetiva daquilo  “QUE É” está a libertação. Não precisa fazer nada, praticar nada,  entrar em nada, nem pagar nada.  Não podemos alterar ou mudar  “AQUILO QUE É”. Somente  “ELE” pode alterar-se a si próprio.  Perceber “ O QUE É” é libertar-se da ilusão do ego, “falso eu”, da ilusão, de maya. Mas, o que é este “O QUE É”? Os judeus o chamam de JEOVÁ : AQUELE QUE É, QUE FOI , SERÁ ! Os taoístas de TAO, os budistas de Buda, os hindus de Brahman. Mas ele também é conhecido como A FORÇA SUPREMA, O PODER SUPREMO, O ETERNO, O ATEMPORAL, O DESCONHECIDO!
Não protele. Esqueça o passado e o futuro. Fixe-se no eterno agora e liberte-se de todas as ilusões! Eis o manifesto da NOVA ESPIRITUALIDADE, do NOVO HOMEM e do NOVO AMANHÃ que se inicia  a partir do AGORA!
ALSIBAR (  inspirado)
*O Manifesto Neoespiritualista completo pode ser lido nas abas do Blog Alsibar