domingo, 13 de janeiro de 2013

A VIDA APÓS A MORTE: TUDO SOBRE “ O OUTRO LADO”: SRI YUKTÉSWAR




( Após sua morte, o grande iogue Sri. Yuktéswar materializou-se para seu discípulo Yogananda e respondeu-lhe todas as perguntas sobre o destino do homem no "além" .Um relato raríssimo sobre o “outro lado” como você nunca ouviu antes. Uma das descrições mais completas e detalhadas sobre  as diversas e misteriosas dimensões pelas quais a alma  humana viaja rumo ao Infinito. 
Simplesmente imperdível !)

Sri. Yuktéswar e Yogananda

Sentado em meu leito no hotel de Bombaim, às três horas da tarde de
19 de junho de 1936 - uma semana após a visão de Krishna -- fui
interrompido em minha meditação por uma luz beatífica. Ante Meus olhos
abertos e atônitos, o quarto inteiro transformou-se num mundo estranho; a
luz do sol transmutava-se num esplendor sobrenatural.
Sentindo-me arrebatado em ondas de êxtase, contemplei a figura ele
Sri Yuktéswar, em carne e osso!
- Meu filho! - exclamou o Mestre com ternura e um sorriso de anjo
sedutor.

Pela primeira vez em minha vida não me ajoelhei a seus pés para
saudá-lo, mas avancei no mesmo instante para apertá-lo em meus braços,
avidamente. Momento divino! A angústia dos meses anteriores extinguiu-se,
fez-se imponderável se comparada à beatitude torrencial que me inundou
então.

- Mestre meu, bem-amado de meu coração, por que me deixou? --
Atribuo esta incoerência ao meu excesso de alegria. - Por que permitiu que
eu fosse a Kumbha Mela? Com que amargura venho me recriminando por
me haver afastado de sua presença!

- Eu não quis interferir, você era feliz em sua expectativa de conhecer
o local de peregrinação onde encontrei Bábají pela primeira vez. Deixei-o
apenas por breve momento; não estou com você de novo?

- Mas é o senhor de verdade, Mestre, o mesmo Leão de Deus? Está
usando um corpo igual ao que enterrei sob as cruéis areias de Puri?

- Sim, meu filho, sou eu mesmo. Este é um corpo de carne e osso.
Embora eu o veja como etéreo, para a sua vista é físico. Com os átomos
cósmicos, criei uma forma inteiramente nova, exatamente igual ao
corpo-físico-de-sonho-cósmíco que você depositou sob as areias-de-sonho
de Puri, em seu mundo-de-sonho. Em verdade, ressuscitei - não na Terra,
mas num planeta astral. Seus habitantes estão melhor capacitados que a
humanidade terrena para seguir os meus elevados padrões espirituais. Você
e seus entes queridos, os que alcançaram o êxtase, para lá irão algum dia;
estaremos todos juntos.

- Imortal guru, conte-me ainda mais!
O Mestre teve um riso breve, cheio de jovialidade. - Por favor, querido -

disse ele. - Não quer afrouxar um pouco o seu abraço?
- Só um pouquinho! - Eu o estivera abraçando com uma pressão de
polvo. Percebi o mesmo débil, aromático e natural odor que fora
característico de seu corpo terreno. O emocionante contato de sua carne
divina ainda persiste nas faces internas de meus braços e nas palmas das
mãos, sempre que relembro aquelas horas gloriosas.

- Como os profetas são enviados à Terra para ajudar os homens a
esgotarem seu carma físico, assim Deus me enviou a um planeta astral com
a missão de salvador - explicou Sri Yuktéswar. - Esse globo chama-se
Hiranyaloka ou “Planeta Astral Iluminado”. Lá estou auxiliando seres
adiantados a se desembaraçarem de seu carma astral e a se libertarem,
portanto, dos renascimentos astrais. Os residentes em Hiranyaloka têm
elevado desenvolvimento espiritual; todos adquiriram, em sua última
encarnação terrestre, o poder, conferido pela meditação, de abandonar
conscientemente o corpo na hora da morte. Ninguém poderá entrar em
Hiranyaloka se não tiver experimentado na Terra, não apenas sabikálpa
samádhi, mas também o estado superior de êxtase, nirbikalpa sainádhi364.

 “Os habitantes de Hiranyaloka já ultrapassaram as esferas astrais
ordinárias para onde quase todas as pessoas da Terra devem ir ao morrer;
nelas destruíram muitas sementes cármicas relativas a suas ações passadas
no mundo astral. Apenas devotos adiantados realizam com eficiência esse
trabalho redentor nas esferas astrais365. Então, o fim de livrarem inteiramente
sua alma de todos os traços de carma astral, a lei cósmica impeliu estas
criaturas de aspiração mais alta a renascerem em novos corpos astrais em
Hiranyaloka, o céu ou sol astral, onde me encontro para ajudá-los. Vivem
também em Hiranyaloka seres quase perfeitos vindos do mundo causal
superior.”

Minha mente encontrava-se, a essa altura, em tão perfeita sintonização
com a de meu guru, que ele me comunicava suas imagens-palavras, em
parte através da linguagem e em parte pela transmissão de pensamento.
Assim eu recebia, rapidamente, seus tablóides de idéias.

- Você leu nas Escrituras - continuou o Mestre - que Deus encerrou a
alma humana em três corpos, sucessivamente: o corpo causal ou de idéias;
o sutil corpo astral, sede das naturezas mental e emocional do homem; e o
grosseiro corpo material. Na Terra, o homem está equipado com os sentidos
físicos. Um ser astral age através de sua consciência e sentimentos, e de um
corpo feito de vitátrons. Um ser em corpo causal paira no beatifico reino
das idéias. Meu trabalho relaciona-se com aqueles seres astrais que estão
se preparando para entrar no mundo causal.

- Mestre adorável, por favor, fale-me ainda mais sobre o cosmos astral.

- Embora eu tivesse afrouxado um pouco o meu abraço a pedido de Sri
Yuktéswar, meus braços ainda continuavam a rodeá-lo. Tesouro acima de
todos os tesouros, meu guru se rira das Morte para chegar até mim!

- Existe uma infinidade de esferas astrais, fervilhantes de seres
começou o Mestre. - Seus habitantes usam veículos astrais, ou massas de
luz, para viajar de um a outro planeta - mais depressa que as energias
elétricas ou radioativas.

“O universo astral, composto de diversas vibrações sutis de luz e calor,
é centenas de vezes maior que o cosmos material. A criação física inteira,
como sólida barquinha, está dependurada do gigantesco aeróstato luminoso
que é a esfera astral. Assim como numerosos sóis e estrelas físicas vagam
pelo espaço, existem também, no astral, incontáveis sistemas solares e
estelares. Seus planetas contam com sóis e luas mais belos que os físicos.
Os luminares astrais se parecem com as auroras boreais - a aurora do sol
astral deslumbra mais que os tênues raios do despontar da lua astral. E dias
e noites são muito mais longos que os da Terra.

“O universo astral é, pois, infinitamente belo, limpo, puro e ordenado.
Não existem planetas mortos nem terrenos estéreis. Os defeitos, lamentados
na Terra, lá estão ausentes: ervas daninhas, bactérias, insetos, serpentes.
Ao contrário das estações e climas variáveis do globo terrestre, os planetas
astrais mantêm uma temperatura uniforme de eterna primavera, caindo, às
vezes, neve de luminosa alvura e chuvas de luz multicolorida. Lá, sobejam
lagos opalinos, mares rebrilhantes, e rios com os matizes do arco-íris.

“O universo astral ordinário - não o céu sufilíssimo de Hiranyaloka - é
povoado por milhões de seres astrais, vindos, mais ou menos recentemente,
da Terra; e também por míríades de fadas, sereias, peixes, animais,
duendes, gnomos, semideuses e espíritos, todos residindo em diferentes
planetas astrais de acordo com suas qualificações cármicas. Reservam-se
várias moradas planetárias ou regiões vibratórias para espíritos bons e para
espíritos maus. Os bons podem viajar livremente, mas as entidades
prejudiciais estão confinadas a zonas restritas. Aqui, os seres humanos
vivem na superfície da terra, os vermes no interior do solo, os peixes na
água e os pássaros no ar; lá, também, os seres astrais se encaminham a
regiões vibratórias adequadas a seus diferentes estágios de evolução.

“Entre sombrios anjos caídos, expulsos de outros mundos, surgem
atritos e declaram-se guerras com bombas “vitatrônicas” ou raios vibratórios
da mente, mântricos367. Estes marginais habitam regiões de trevas densas,,
no cosmo astral inferior, saldando as dívidas de seu mau carma.


“Em vastos reinos acima da lúgubre penitenciária astral, tudo é
resplandecente e formoso. O cosmo sutil, por sua natureza, acha-se mais
sintonizado com a vontade de Deus e com Seu plano de perfeição que a
Terra. Todo objeto astral manifesta-se primordialmente pela vontade
declarada dos seres astrais. Estes possuem o poder de modificar ou realçar
a graça e a forma de qualquer objeto já criado pelo Senhor. A Seus filhos
astrais, Ele deu a liberdade e o privilégio de modificarem ou aperfeiçoarem à
vontade o cosmo astral. Na Terra, para transformar um sólido em líquido ou
alterar-lhe a forma, é preciso submetê-lo a processos físicos ou químicos,
enquanto os sólidos astrais são convertidos em líquidos astrais, gases
astrais ou energia atômica astral, apenas e instantaneamente, pela vontade
de seus habitantes.

“A Terra mergulha nas sombras das guerras e dos assassínios, rios
continentes, nos mares e no ar - continuou meu guru. - Nos domínios astrais,
porém, observa-se uma igualdade e harmonia felizes. Os seres astrais
desmaterialízarn suas formas e voltam a materializá-las, à vontade. Flores,
peixes ou outros animais podem se metamorfosear temporariamente em
homens astrais. Todos os seres do astral são livres para assumir qualquer
forma e podem facilmente conversar entre si. Nenhuma lei natural, fixa,
definitiva, os limita: a qualquer árvore astral se pode pedir, por exemplo, que
produza mangas astrais, flores ou, separadamente, qualquer outro objeto,
com êxito. Existem certas restrições cármicas mas nenhuma distinção se faz,
no mundo astral, quanto ao desejo de possuir esta ou aquela forma. Tudo
vibra com a luz criadora de Deus.

“Ninguém nasce de mulher; seres astrais, por meio de sua vontade
cósmica, materializam sua prole em formas expressivamente esculpidas,
astralmente condensadas. Quem recentemente desencarnou no mundo
físico integra-se numa família astral por convite, atraída por tendências
mentais e espirituais semelhantes.

“O corpo astral não está sujeito ao frio e ao calor, ou a outras
condições da natureza. Sua anatomia inclui um cérebro astral ou o “lótus de
mil pétalas de luz”e seis centros despertos no sushumna ou eixo astral
cerebrospínal. Do cérebro astral, o coração retira energia cósmica e luz,
enviando-as aos nervos astrais e às células do corpo astral ou “vitátrons”. Os
seres astrais podem alterar suas formas por energia “vitatrônica” ou por
santas vibrações mântricas.

“Em muitos casos, o corpo astral é uma cópia exata da última forma
física. A face e a figura de uma pessoa astral assemelham-se aos que
possuía durante a mocidade em sua última jornada terrena. Às vezes,
alguém, como eu, prefere conservar a aparência que tinha em sua velhice”. -
O Mestre, a quintessência da juventude, riu jovialmente.

“Ao contrário do mundo físico tridimensional, só conhecido por meio
dos cinco sentidos, as esferas astrais são perceptíveis ao sexto sentido, a
intuição, que inclui os demais. Os seres astrais vêem, escutam, cheiram,
saboreiam e apalpam por meio da multisciente sensação intuitiva. Possuem
três olhos, dois dos quaís parcialmente fechados. O terceiro e principal olho,
verticalmente colocado na testa, está aberto. Os seres astrais têm todos os
órgãos externos dos sentidos - olhos, ouvidos, nariz, língua e pele - mas
empregam o sentido da intuição para experimentar sensações através de
qualquer parte do corpo; podem ver por meio do ouvido, do nariz ou da pele,
escutar pelos olhos ou pela língua, saborear através dos ouvidos ou da pele,
e assim por diante

“O corpo físico do homem encontra-se exposto a inúmeros perigos e
facilmente se machuca ou se mutila; o etéreo corpo astral pode, às vezes,
ser cortado ou esmagado, mas cura-se instantaneamente por mera
expressão da vontade.”

- Gurudeva, todas as pessoas astrais são belas?

- A beleza no mundo astral é uma qualidade do espírito e não se
aquilata pela conformação exterior - respondeu Sri Yuktéswar. - Os seres
astrais, por isso, atribuem pouca importância às feições. Eles têm o
privilégio, entretanto, de se revestirem, à vontade, de corpos astralmente
materializados, novos e coloridos. Assim como os homens mundanos
envergam novo traje para acontecimentos de gala, também as pessoas
etéreas encontram oportunidade de se adornar com formas esculturais.
“Festas de regozijo nos planetas astrais superiores, como Híranyaloka,
ocorrem quando um ser, por seu adiantamento espiritual, liberta-se do
mundo astral e acha-se preparado assim para ingressar no céu do mundo
causal. Nessas ocasiões, o Pai Celestíal Invisível e os santos n'Ele imersos,
materializam-se em corpos de Sua própria escolha e participam das
celebrações astrais. Para agradar a Seu devoto bem-amado, o Senhor
assume a forma sob a qual este mais O adora. A quem O cultuou com
devoção, Deus aparece como Divina Mãe. Para Jesus, o aspecto de Pai
Infinito sobrepassava todas as demais concepções. A individualidade
conferida pelo Criador a cada uma de Suas criaturas faz que todo tipo de
demanda, concebível ou inconcebível, ponha à mostra a versatilidade do
Senhor! “- Meu guru e eu rimos felizes.

“Amigos de vidas passadas facilmente se reconhecem uns aos outros
no mundo astral - continuou Srí Yuktéswar, em sua encantadora voz de
flauta. Rejubilando-se com o caráter imortal da amizade, eles experimentam
a indestrutibilidade do amor, de que tantas vezes se duvidou, na hora das
tristes e ilusórias separações na Terra.

“A intuição dos seres astrais perfura o véu e observa as atividades
humanas na Terra; o homem, ao contrário, não pode ver o mundo astral, a
menos que seu sexto sentido esteja desenvolvido. Milhares de habitantes da
Terra vislumbraram momentaneamente um ser astral ou um mundo astral

“Os residentes adiantados de Hiranyaloka permanecem, em geral,
despertos em êxtase durante os longos dias e noites astrais, ajudando a
resolver problemas intricados de governo cósmico e de redenção de filhos
pródigos, almas apegadas à Terra. Quando os seres de Hiranyaloka dormem
têm, às vezes, visões astrais semelhantes ao sonho. Suas mentes, como de
hábito, estão absortas no estado consciente da mais elevada beatitude
nirbikalpa.

“Os habitantes de todas as regiões dos mundos astrais ainda estão
sujeitos a agonias mentais. As mentes hipersensíveis dos seres mais
adiantados, em planetas como Hiranyaloka, sentem dor aguda se algum erro
é cometido, de percepção da verdade ou de conduta. Estes seres mais
evoluídos esforçam-se para harmonizar cada um de seus pensamentos e
atos com a perfeição da lei espiritual.

“As comunicações entre os habitantes astrais efetuam-se inteiramente
por telepatia e por televisão astrais. Lá se desconhecem a confusão e a
incompreensão oriundas da palavra oral e escrita, que os moradores da
Terra estão obrigados a suportar. Exatamente como os homens numa tela
de cinema parecem mover-se e participar de atividades ao longo de uma
série de cenas luminosas, sem respirar de verdade, também os habitantes
do mundo astral andam e trabalham como imagens de luz inteligentemente
guiadas e coordenadas, sem necessidade de retirar forças do oxigênio. O
homem depende de sólidos, líquidos, gases e energia para a sua
subsistência; os moradores do astral alimentam-se principalmente de luz
cósmica.”

- Mestre meu, os seres astrais comem alguma outra substância?
Eu sorvia seus maravilhosos esclarecimentos com a receptividade de
todas as minhas faculdades - mente, coração e alma. As percepções
superconscientes da verdade são permanentemente reais e imutáveis,
enquanto as experiências e impressões fugazes dos sentidos são apenas
temporária e relativamente verdadeiras; a memória que delas o homem
conserva logo perde a vivacidade. As palavras de meu guru imprimiram-se
de modo tão indelével no pergaminho de meu ser que, a qualquer momento,
transferindo minha mente para o estado de superconsciência, posso reviver
com nitidez a divina experiência.

“Legumes de tessitura luminosa são abundantes nos solos astrais -
respondeu ele. - Os moradores do mundo astral consomem vegetais e
bebem o néctar que jorra de gloriosas fontes de luz e que flui nos regatos e
rios astrais. Exatamente como na Terra é possível extrair do éter as imagens
invisíveis dos homens, torná-las visíveis por meio de um aparelho de
televisão e, posteriormente, dissolvê-las de novo no espaço, assim também
os invisíveis projetos estruturais de plantas e legumes, criados por Deus e
flutuantes no éter, condensam-se num planeta astral pela vontade de seus
habitantes. Do mesmo modo, nascidos da fantasia insubmissa destes seres,
jardins inteiros de perfumada flora materializam-se para retornar mais tarde à
invisibilidade etérea. Se os moradores de planetas celestiais, como
Hiranyaloka, estão quase livres da necessidade de comer, ainda mais
excelsa é a existência incondicionada de almas quase completamente livres
no mundo causal, cujo único alimento é o maná da bem-aventurança.

“Um ser astral liberto da Terra encontra-se com uma multidão de
parentes, pais, mães, esposas, maridos e amigos, havidos em diferentes
encarnações na Terra370, à medida que essas criaturas regressam, de
tempos em tempos, a várias regiões do cosmo astral. Por isso, sente-se
confuso ao tentar saber a quem amar especialmente; aprende assim a
dedicar amor divino e igual a todos, como filhos e expressões
individualizadas de Deus. Embora a aparência externa dos seres queridos
possa haver mudado, menos ou mais, de acordo com o desenvolvimento de
novas qualidades na última vida, o ser astral em prega sua infalível intuição
para reconhecer todos aqueles que uma vez meu em outros planos dá
existência, e ara recebê-los com alegria ao chegarem a seu novo lar astral.
Em virtude de cada átomo na criação estar dotado de individualidade
inextinguível371, um amigo astral será reconhecido, seja qual for o traje de
que se revista, assim como na Terra se descobre, observando-se
atentamente, a identidade de um ator, apesar da caracterização que o
disfarça.

“O espaço de tempo em que um ser se demora no mundo astral é mais
longo que na Terra. Em média, o período de vida de um ser astral adiantado
é de quinhentos a mil anos, medido segundo os padrões de tempo terreno.
Determinadas sequóias sobrevivem à maioria das árvores durante milênios;
certos jogues vivem várias centenas de anos embora a maior parte faleça
aos sessenta anos; alguns seres astrais ultrapassam o período médio de
vida astral. Os visitantes do mundo astral nele residem por períodos mais
curtos ou mais prolongados de acordo com o peso de seu carma físico, que
os atrai de regresso à Terra dentro de um prazo específico.

“O ser astral não tem de lutar dolorosamente contra a morte, no
momento de desprender-se de seu corpo luminoso. Muitos, não obstante,
sentem-se um pouco nervosos à idéia de se despojarem do invólucro astral
para continuarmos apenas com o mais sutil, o causal. O inundo astral
acha-se livre da morte, da doença e da velhice indesejável - três pavores que
são a maldição da Terra, onde o homem permitiu à sua consciência
identificar-se quase inteiramente com um frágil corpo físico, exigindo o
socorro constante do ar, do alimento e do sono a fim de subsistir.

“A morte física caracteriza-se pelo desaparecimento da respiração e
pela desintegração das células orgânicas. A morte astral consiste na
dispersão dos vitátrons, unidades de energia de que depende a vida dos
seres astrais. Na morte física, o homem perde consciência carnal e torna-se
cônscio de seu corpo sutil no mundo astral. Experimentando a morte astral, a
seu devido tempo, um ser passa, da consciência de nascimento e morte
astrais, à de nascimento e morte físicos. Estes ciclos periódicos de
alojamentos astrais e físicos constituem o destino inelutável de todos os
seres não-fluiníriados. Conceitos de céu e inferno, -nas Escrituras, às, vezes
despertam no homem memórias de sua longa série de experiências no
agradável reino astral e no decepcionante mundo terrestre, revolvendo
arquivos mais profundos que a subconsciência. “

- Bem-amado Mestre - supliquei - pode descrever com maiores
detalhes a diferença entre renascimento na Terra e renascimento nas
esferas astrais e causais?

“- O homem, enquanto alma individualizada, tem um corpo essencialmente
causal - explicou Sri Yuktéswar. - Esse corpo é a matriz das 35
idéias concebidas por Deus, forças de pensamento causal, fundamentais
para que, delas, Ele pudesse formar posteriormente o sutil corpo astral, de
19 elementos, e o denso corpo físico, de 16.
“Os 19 integrantes do corpo astral são mentais, emocionais e vitatrônicos.
São eles: inteligência; ego; sentimento; mente (consciência dos
sentidos); cinco instrumentos de conhecimento, réplicas sutis dos sentidos
da visão, audição, olfato, paladar e tacto; cinco instrumentos de ação,
correspondentes mentais das capacidades executivas de procriar, excretar,
falar, caminhar e executar atividade manual; e cinco instrumentos de força
vital, com poder de realizar as funções orgânicas de cristalização,
assimilação, eliminação, metabolismo e circulação do sangue. Este sutil
envoltório astral de 19 elementos sobrevive à morte do corpo físico,
composto de 16 elementos metálicos e não-metálicos.
“Deus concebeu diferentes idéias dentro de Si mesmo, e na tela de
Seus sonhos fez a projeção delas. Assim nasceu Máya, a Sonhadora
Cósmica, gigantesca e interminavelmente ataviada com seus ornamentos de
relatividade.

“As 35 categorias ideativas do corpo causal encerram, elaboradas por
Deus, todas as complexidades de suas 19 réplicas astrais e 16 físicas. Pela
condensação de forças vibratórias, a princípio sutis e depois grosseiras, Ele
produziu o corpo astral e finalmente a forma física do homem. De acordo
com a lei da relatividade, segundo a qual a Simplicidade Prístina veio a ser
desconcertante multiplicidade, o cosmo causal e o corpo causal são
diferentes do cosmo astral e do corpo astral; o cosmo físico e o corpo físico,
igualmente, diferem, em suas características, daquelas outras formas de
criação.

“O corpo carnal é feito de sonhos materializados, solidificados, do
Criador. Dualidades sempre caracterizam a vida na Terra: saúde e doença,
prazer e dor, ganho e perda. Os seres humanos encontram limitação e
resistência na matéria tridimensional. Quando a doença ou causas diversas
abalam severamente o desejo de viver, intervém a morte; cai ao chão,
temporariamente, o pesado sobretudo da carne. A alma, porem, continua
aprisionada nos corpos astral e causal372. A força de coesão que mantém
unidos os três corpos é o desejo. O poder dos desejos irrealizados é a raiz
de toda a escravidão do homem.

“Desejos físicos radicam-se no egoísmo e nos prazeres dos sentidos. A
compulsão ou a tentação da experiência sensorial é mais poderosa que a
força do desejo referente a apegos astrais e percepções causais.
“Desejos astrais concentram-se em prazeres de tipo vibratório. Os
seres astrais deliciam-se com a etérea música das esferas e extasiam-se
com a visão do universo inteiro criado como expressão inesgotável de luz
cambiante. Também cheiram, saboreiam e tocam a luz. Assim, seus desejos
relacionam-se com seu poder de condensar todos os objetos e experiências
em formas de luz ou em pensamentos condensados ou sonhos.

“Desejos causais são realizações do intelecto. Os seres quase livres,
alojados apenas no corpo causal, vêem o cosmo inteiro como projeções das
idéias - sonhos de Deus; tudo experimentam em puríssimo pensamento.
Consideram o gozo de sensações físicas e deleites astrais, por isso,
grosseiros e sufocantes para a requintada sensibilidade da alma. Os seres
causais realizam seus desejos, materializando-os373 instantaneamente. As
almas que se cobrem somente com o delicado véu do corpo causal, podem
materializar universos, à semelhança do Criador. Tendo todos os mundos
uma só textura, a do sonho cósmico, uma alma, na diáfana veste causal, tem
vastos poderes de realização.

“Sendo invisível por natureza, a alma só pode ser percebida pela
presença de seu corpo ou corpos. A mera presença de um corpo significa
que sua existência se tornou possível devido a desejos irrealizados374.
“Enquanto a alma do homem se encontra encerrada em um, dois, ou
três frascos corporais, tampados hermeticamente com as rolhas da
ignorância e dos desejos, não pode mergulhar no oceano do Espírito.
Destruído o denso receptáculo físico pelo martelo da morte, seus dois outros
invólucros - o astral e o causal - ainda persistem e impedem que a alma se
una, com absoluta consciência, à Vida Onipresente. Quando se alcança,
através da sabedoria, a ausência do desejos, seu poder desintegra os dois
vasos remanescentes. A diminuta alma do homem emerge, livre afinal,
unificada com a Amplidão Imensurável.”

Pedi a meu divino guru que me desse maiores esclarecimentos sobre a
superior e misteriosa esfera causal.

“- O mundo causal é indescritivelmente sutil - respondeu ele.
Para entendê-lo, o homem teria de possuir poderes de concentração
tão extraordinários que o habilitariam a fechar os olhos e visualizar, como se
existissem unicamente em idéias, os cosmos astral e físico em toda a sua
vastidão: o aeróstato luminoso com sua sólida barquinha. Se, por meio desta
concentração sobre-humana, ele pudesse reconverter em idéias puras esses
dois cosmo, com todas as suas complexidades, alcançaria então o mundo
causal: a fronteira de fusão entre a mente e a matéria. Ali, percebem-se
todas as coisas criadas - sólidos, líquidos, gases, eletricidade, energia, os
seres todos: deuses, homens, animais, plantas, bactérias, como formas de
consciência; exatamente como um homem, ao fechar os olhos, percebe que
ele existe, apesar de seu corpo ser invisível aos seus olhos fisicos, uma
presença mental, uma idéia apenas.

“Tudo o que um ser humano apenas imagina, um ser causal converte
em realidade. Um homem dotado de grande imaginação e inteligência é
capaz - em sua mente, apenas - de saltar de planeta em planeta, de
deixar-se cair interminavelmente num abismo de eternidade, de subir como
um foguete ao pálio de galáxias, e de incidír como um holofote sobre as
vias-lácteas e os espaços constelados, Os seres do mundo causal, porém,
gozam de liberdade muito maior: projetam seus pensamentos, objetivandoos
instantaneamente, em esforço, sem qualquer obstrução material ou astral,
e sem limitação cármica.

“Os seres causais sabem, por experiência própria, que o cosmo físico
não se compõe primordialmente de eléctrons, nem o cosmo astral se
constitui basicamente de vitátrons, mas, em realidade, ambos se originam de
diminutas partículas do pensamento de Deus, fendidas e fragmentadas por
máya, a lei da relatividade que intervém para separar, aparentemente, a
criação de seu Criador.

“No mundo causal, as almas se reconhecem umas às outras como
fragmentos individualizados do Espírito beatífico; seus objetos pensados são
os únicos que as rodeiam. Os seres causais percebem que a diferença entre
seus corpos e pensamentos é uma idéia, simplesmente. Assim como o
homem, fechando os olhos, pode visualizar uma ofuscante luz branca ou
uma névoa azul desbotada, os seres causais também, por intermédio
exclusivo de seu pensamento, enxergam, ouvem, cheiram, saboreiam e
apalpam; eles criam tudo, ou tudo dissolvem, pelo poder de sua mente
cósmica.

“Tanto a morte como o renascimento no mundo causal ocorrem em
pensamento. O alimento delicioso dos seres causais é um só, a ambrosia do
conhecimento eternamente novo. Bebem dos mananciais de paz, vagam
pelo solo sem trilhas das percepções, nadam no oceano sem praias da
beatitude. Oh, contemple! Seus brilhantes corpos-pensamentos passam
zunindo vertiginosamente por trilhões de planetas criados pelo Espírito, por
recentes borbulhas de universos, por moradas estelares de sábios, e por
sonhos espectrais de áureas nebulosas, no seio azul-celeste do Infinito!

“Muitos seres permanecem durante milhares de anos no cosmo causal.
Então, depois de êxtases progressivamente mais profundos, a olma se libera
do pequeno corpo causal e incorpora-se à imensidão do cosmo causal.
Todos os 'estanques remoinhos de idéias, as ondas particularizadas de
poder, amor, vontade, alegria, paz, intuição, calma, autodomínio e
concentração, fundem-se no inesgotável Oceano de Beatitude. Não mais a
alma fruirá sua ventura como onda individualizada de consciência; agora
mergulha no Oceano Cósmico único, na totalidade das ondas - e é riso
eterno, comoção, pulsação perene.

“Quando uma alma rompe o casulo dos três corpos, escapa para
sempre à lei da relatividade, e converte-se no inefável Sempre-Existente375.
Ei-la, a borboleta da Onipresença, com estrelas e luas e sóis rebrilhando em
suas asas! A alma expandida no Espírito paira sozinha na região da luz sem
luz, da treva sem treva, do pensamento sem pensamento; inebriada com seu
êxtase beatífico, imersa no mesmo sonho de Deus, o da criação cósmica.”
Uma alma livre! - exclamei com reverência.

Quando uma alma se livra, finalmente, das três ânforas de ilusões
corpóreas - prosseguiu o Mestre - unifica-se com o Infinito sem qualquer
perda de individualidade, Cristo conquistara sua liberdade derradeira, antes
mesmo de nascer como Jesus. Em três. etapas de seu passado,
simbolizadas aqui na Terra pelos três dias de morte e ressurreição, ele
alcançara o poder absoluto de subir aos céus em Espírito.
“O homem não-desenvolvido submete-se a incontáveis encarnações
terrestres, astrais e causais, a fim de desprender-se de seus três corpos. Um
mestre que conquista a liberdade final pode escolher, se há de voltar à Terra
como profeta, para ajudar outros seres humanos a regressarem a Deus, ou
se, como eu, há de residir no cosmo astral. Lá, um redentor carrega, em
parte, o peso do carma dos habitantes e assim os ajuda a abreviar seu ciclo
de reencarnações no cosmo astral, a fim de partirem definitivamente para as
esferas causais
 Ou, então, uma alma liberada pode entrar no mundo
causal para ajudar seus habitantes a encurtarem seu prazo no corpo causal
e assim conquistarem a Liberdade Absoluta.”

_ Mestre ressurrecto, quero saber mais a respeito do carma que obriga
as almas a regressarem aos três mundos. - Eu poderia ouvir meu Mestre
onisciente, pensei, por toda a eternidade. Nunca em sua vida terrena eu fora
capaz, em tão pouco tempo, de assimilar tanto de sua sabedoria. Agora, pela
primeira vez, eu obtinha percepção clara e definitiva das casas enigmáticas
no tabuleiro de xadrez da vida e da morte.

“- O carma físico, ou seja, os desejos do homem, devem ser
completamente esgotados antes que se torne possível sua residência
permanente nos mundos astrais - esclareceu meu guru com sua voz
emocionante. - Dois tipos de moradores vivem nas esferas astrais. Os que
ainda possuem carma físico insatisfeito e devem, por isso, reabitar um corpo
denso a fim de saldar suas dívidas cármicas, classificam-se, após a morte
física, mais como visitantes temporários do n-iiindo astral que seus
moradores permanentes.

“Após a morte astral, seres que não expiaram seu carma físico, não
têm permissão de entrar na excelsa esfera causal das idéias cósmicas, mas
estão obrigados a viagens de ida e volta entre os mundos astrais e físicos,
alternativamente conscientes de seu corpo físico de 16 elementos grosseiros
e de seu corpo astral de 19 elementos sutis. Contudo, uma criatura
não-desenvolvida, depois de cada perda de seu corpo terreno, permanece a
maior parte do tempo no profundo estupor do sono da morte e dificilmente
tem consciência do formoso reino astral. Terminado o descanso astral,
regressa ao plano físico para novas lições, acostumando-se gradualmente,
através de repetidas viagens, aos mundos de sutil textura astral.

“Ao contrário, residentes normais, isto é, há longo tempo no universo
astral, livres para sempre de todos os anseíos materiais, já não precisam
regressar às vibrações grosseiras da Terra. Eles só têm carma astral ou
causal para esgotar. Na morte astral, transferem-se para o mundo causal
infinitamente mais sutil e delicado. No fim de certo prazo, determinado pela
lei cósmica, estes seres evoluídos voltam, então, a Hiranyaloka ou a um
planeta astral de idêntica elevação onde renascem em novo corpo etéreo
para redimir os remanescentes de seu carma astral.

“Meu filho, agora você pode compreender melhor que ressuscitei, por
decreto divino - continuou Sri Yuktéswar - como um redentor de almas
reencarnadas no astral, especialmente das que baixam da esfera causal e
não das que sobem da Terra. Estas últimas, se ainda conservam vestígios
de carma físico, não sobem aos mais altos planetas astrais como
Hiranyaloka.

“Muitos habitantes terrestres não aprenderam, através do olho desenvolvido
pela meditação, a apreciar as alegrias e vantagens superiores da
existência astral e, por isso, após a morte, desejam regressar aos prazeres
limitados e imperfeitos da Terra; assim também muitos seres astrais, durante
a normal desintegração de seus corpos sutis, não chegam a vislumbrar o
excelso estado de alegria espiritual no mundo das idéias; demorando-se em
recordar a felicidade astral mais grosseira e de vistosos adornos, eles
anseiam revisitar o paraíso astral. Esses seres devem redimir-se do pesado
carma astral que possam obter, após a morte astral, residência permanente
no mundo causal, o das idéias, este, aliás, tão superficialmente secionado de
sua origem, o Criador.

“Só quando um ser não deseja mais experiências no cosmo astral, tão
agradável à vista, e já não sente a tentação de voltar a ele, é que permanece
no mundo causal. Completando ali a obra de redimir-se do carma causal ou
sementes dos desejos passados, a alma aprisionada faz saltar a última das
três rolhas da ignorância e, emergindo da derradeira ânfora do corpo causal,
mistura-se ao Eterno.”

Do livro: Autobiografia de um Yogue- Paramahansa Yogananda – Self- Realization Fellowship.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

GURDJIEFF ,OSHO, RAMANA, KRISHNAMURTI E A VERDADE


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          Esse artigo não é pra iniciantes. Dificilmente eles me compreenderão. Vou falar sobre o que Krishnamurti chamou de “terra sem caminhos” . Foi assim que ele denominou a Verdade. Você é meu convidado a fazer essa viagem que nos levará a um mar desconhecido. Muitos buscadores da minha geração provavelmente estão familiarizados com os quatro mestres citados no título deste artigo. Meu objetivo não é descaracterizar, nem desmerecer nenhum. Mas manifestar minhas sinceras impressões com vistas a ajudar o buscador em sua difícil viagem espiritual. Se você tem absoluta certeza de que já encontrou a Verdade, então pare de ler aqui. Este artigo é para aqueles que estão atribulados em seu espírito. Afinal como saber que caminho trilhar? Quem estará certo? Que  mestre seguir? O que fazer nos momentos de angústia e incertezas? Quem poderá nos dá segurança? Até que ponto devo prosseguir no meu caminho, mesmo sabendo que é errado para finalmente mudar de rumo?

          Se estas dúvidas assolam seu coração, então você está no lugar certo. E por providência divina você se deparou com esta mensagem que – creio- poderá lhe ajudar muito. Leia com atenção, mas não aceite nada do que vou dizer. Reflita em seu coração e peça a Deus que lhe ajude a entender. Se houver alguma verdade e se esta lhe for de alguma forma útil, seja grato a Deus no silêncio do seu coração. Caso contrário, obrigado por sua atenção. Continue seu caminho. Talvez não esteja na hora de você despertar para certas verdades. Ou talvez, eu esteja errado e você certo. A verdade não tem caminhos, nem donos.

          Gurdjieff foi um grande mestre- não há dúvidas sobre isso. Todavia, se perdeu ao longo do caminho. Ele apresentou ao mundo uma verdade fragmentada que não levava a lugar nenhum. Seu último livro da série “Sobre tudo e todas as coisas” é o relato de um homem confuso, arrependido e angustiado. Um desabafo de um moribundo próximo à morte.  Gurdjieff se perdeu . Não somente ele mas todos os seus seguidores- desde Ouspensky, passando por J. G Bennet, até Rodney Collin. Este último enlouqueceu e cometeu suicídio. De acordo com relatos, estava obcecado pela ideia da “morte consciente como caminho direto para o Despertar” o que o levou a pular  do alto de uma torre de uma igreja no Peru. Já seu mestre, o Ouspensky, após ter se separado de G., viu-se perdido e sem rumo. Acabou se envolvendo em experiências psicodélicas, principalmente a mescalina. Em relação ao seu próprio desenvolvimento  espiritual, ele foi um grande fracasso. Descobriu tarde demais que o sistema de G. ( Gurdjieff) era um beco sem saída. Suas últimas palavras foram:

- Abandono o sistema. Comecem novamente por si mesmos!

          Osho fora talvez, o guru mais famoso do século xx. O mais rico e mais insano também. Provavelmente, quando começou seu trabalho, sua intenções eram sinceras e verdadeiras. Não foi à toa que ele tinha tantos seguidores e admiradores- inclusive eu. Todavia, ao longo dos anos, o guru e seu movimento foi se afundando. Até o fracasso final que culminou com os fatos em Óregon e finalmente com a morte misteriosa de Osho e da sua namorada Vivek – esta última de overdose. Osho morrera um mês depois de “não-se-sabe-o-quê”. Sua morte é uma polêmica. Assim como fora toda sua vida. Oficialmente os discípulos dizem que Osho morrera em decorrência de envenenamento por Tálium causado pelo governo dos Estados Unidos  durante o tempo em que ficou preso . Extra oficialmente, alguns dissidentes e testemunhas oculares falam em suicídio por overdose. Osho era viciado em Válium ( Diazepan) e Óxido Nitroso. Vários elementos, indícios e testemunhos levam a crer que esta última versão é a mais verdadeira.

          Não se trata aqui  de macular a imagem de alguém que já morreu. Mas de analisar sua Verdade e seu caminho que , ainda hoje, influencia milhares de pessoas no mundo todo. Afinal, o caminho de Osho o levou a quê, à loucura, à tragédia? E que caminho é esse que culmina com a insanidade? Por certo, não é um bom caminho. Os discípulos quiseram distorcer os fatos, apresentando-o como uma espécie de vítima dos cristãos fundamentalistas americanos. Uma tentativa de martirizá-lo, tornando-o uma espécie de Jesus ou Sócrates. Mas o caso desses últimos é totalmente diferente. Tanto Sócrates quanto Jesus têm a seu favor não somente sua história, mas também seus ensinamentos. Qualquer pessoa pode verificar por si mesmo a eficácia daquilo que eles pregaram constatando, assim, sua veracidade.

          Isso não acontece com os ensinamentos do Osho. Qualquer um que tentar seguir seus ensinamentos, ou vira um seguidor fanático, ou simplesmente fica rodando em círculos. É um caminho que não leva a lugar nenhum- não no sentido Zen da expressão - o que seria algo positivo. Mas por que é incipiente e confuso . Osho descobriu uma forma ímpar de ensinar: bela, mas ineficaz. Seu sistema ou visão não funciona. Traz um bálsamo que só dura enquanto dura a leitura. É uma espécie de droga linguística. Dá uma sensação gostosa de paz e conforto. Mas quando defrontado com os reais problemas e desafios da vida, em nada ajudam. Nesses momentos  só nos restam duas alternativas: ou se enfrenta o fato- e isso inclui perceber que o mundo de beleza e celebração idealizado por Osho não existe- ou então fugimos novamente para seu mundo imaginário, gozando daquela paz superficialmente fabricada. Muitos procuram seus discípulos diretos - que agora posam de guru- na tentativa de perpetuar e fortalecer essa suposta “paz espiritual”.

          Ramana foi um autêntico mestre advaita ( tradição não-dualista), assim como Nisargadatta Maharaj. O problema não está nem em Ramana, nem em Nisargadatta, mas naqueles que se dizem seus seguidores e que hoje se autoproclamam gurus. A fonte é pura e verdadeira, mas em geral está poluída pelos gurus que a manipulam. Há centenas de movimentos  e “gurus” que se dizem inspirados nesses mestres. Todavia, é apenas jogada de marketing. Usam suas fotos e citações para atrair suas vítimas em potencial. Mas no fundo, seus caminhos são diametralmente opostos ao seguidos pelas suas supostas fontes. Em geral são pessoas que sofrem algum distúrbio comportamental tais como psicopatia, megalomania ou esquizofrenia.  A aparente simplicidade desses ensinamentos,  junto ao apelo da visão advaita de que tudo já é perfeito, parece uma fórmula fácil  de manipulação e exploração dos incautos.

          O curioso é  que, apesar de tentarem ligar suas imagens às de Ramana ,  o estilo de vida de boa parte desses “gurus”  se aproxima mais do Osho . Em geral, utilizam a mesma técnica que o consagrou o guru dos Rolls Royces: palavras belas, poéticas, frases de efeito que causam sensações agradáveis na mente. Sensações que só duram enquanto ouvimos ou lemos seus discursos. Mas sem nenhum efeito prático  - a não ser o entorpecimento, o embotamento e o isolamento do mundo. Isso pode durar  dias, meses, anos… mas  chegará um dia que a pessoa terá que acordar. Infelizmente, em muitos casos, será  tarde demais. Restará apenas contabilizar os prejuízos espirituais, psíquicos, emocionais e financeiros das vítimas.

          Krishnamurti é um caso raro de autenticidade , heroísmo e sabedoria. Cedo libertou-se das garras de uma poderosa organização que tinha tudo para corrompê-lo e destruí-lo. Mas ele conseguiu se libertar e tornou-se um dos maiores mestres espirituais contemporâneos. Assim como Buda e Jesus, Krishnamurti foi um rebelde. Não foi um rebelde sem causa – mas por uma grande causa: a libertação do homem dos seus grilhões espirituais e psicológicos.

          Krishnamurti teve, certamente, alguns percalços ao longo de sua vida secular.  Desafios que,  tanto Osho quando Gurdjieff também enfrentaram: as tentações do dinheiro-ligado à soberba, ambição e poder. E as tentações do sexo-ligados à luxúria e ao prazer. Osho sucumbiu. Gurdjieff se arrependeu. Mas Krishnamurti superou. Apesar do famoso “escândalo” em que se envolveu com a esposa do seu secretário particular, ele continuou firme em seu caminho. Noventa anos de vida, um caso apenas que talvez o tenha envergonhado pelo resto da vida. Penso que seus milhares de admiradores viram aí uma “falha” natural do seu lado humano. E, ao contrário do que pensavam seus opositores,  aumentou a admiração de seus fãs no mundo todo.  Provavelmente,  muitos se alegraram de saber que Krishnamurti era humano igual a todos eles. Um homem que também teve conflitos, falhas e  imperfeições e que, apesar disso tudo, encontrou Deus ou a Verdade. Esse episódio tirou-o do pedestal de homem-deus,  tornando-o um ser semelhante a nós.

          O caminho trilhado por cada um desses mestres nos revela grandes lições que podem nos servir de inspiração e orientação em nossa própria jornada. O fato é que Gurdjieff tentou trilhar o caminho mas falhou. Osho pareceu já ter chegado-mas revelou-se um grande fracasso. Krishnamurti não chegou a lugar nenhum. Não por fracasso, mas porque ele descobriu que não havia  nenhum lugar para se ir, nem nenhum caminho pra se trilhar. Ramana chegou à mesma conclusão que Krishnamurti. A diferença básica entre estes dois é que o primeiro não era revolucionário, ele não negou a tradição na qual ele próprio estava inserido- pelo contrário reafirmou-a. Krishnamurti negou totalmente as tradições, apesar dele próprio se inserir na tradição dos grandes iconoclastas como Buda e Jesus.

          Ramana não teve mestres, assim como Buda e Krishnamurti. Ambos não precisaram seguir ninguém. Encontraram sua própria via de libertação sozinhos. E se você ainda está seguindo alguém- seja quem for - esqueça, abandone isso. Nunca chegarás a lugar nenhum assim. Escute os mestres autênticos, absorva suas orientações mas não adore ninguém, não bajule ninguém, nem entregue sua vida a ninguém. Encontre sua própria verdade que é única. Cuidado com os exploradores que cantam música para lhe distrair, enquanto  roubam sua carteira.

          Expus, em poucas palavras um pouco da minha própria experiência e visão. Todavia, sei que a minha não é única, nem pretende ser absoluta. As críticas são normais e esperadas. Mas sei também que tudo o que escrevi aqui, poderá ser de grande utilidade àqueles que realmente e sinceramente querem encontrar a Verdade e não apenas um conforto superficial, uma felicidade passageira , uma paz  ilusória . Se é este o seu caso, então preste atenção, não quero que aceite, mas reflita com carinho sobre a minha última mensagem:

“Não há caminho, nenhum lugar pra se ir, ninguém pra ser seguido, nem ninguém pra caminhar”

Se entendeu isso, então  meu esforço não terá sido em vão e minhas palavras não terão sido desperdiçadas.

Namastê!

Alsibar


Todas informações polêmicas aqui apresentadas podem ser checadas nos seguintes livros e links :

GURDJIEFF – George I.-  Life is real only then, when “ I am”-  All and Everything/ third series

SMITH, Joyce Collin- Não chame ninguém de mestre. Siciliano- 1993

MINE, Hugh -Bhagwan: O Deus que falhou Imprensa de São Martinho .

FRANKLIN, Satya Bharty -Promessa do Paraíso: vida íntima de uma mulher com 'Bhagwan' Osho Rajneesh - imprensa Colina Barrytown / Estação.

E o artigo de Christopher Calder sobre o Osho em Inglês e Português:




terça-feira, 25 de dezembro de 2012

GURDJIEFF : A VIDA SÓ É REAL QUANDO “ EU SOU”



( Mais uma vez a afirmação de Ouspensky de que é preciso separar a pessoa  Gurdjieff de seus ensinamentos ganha força . Não se trata aqui de diminuir o valor de um mestre que tanto contribuiu para a expansão do verdadeiro conhecimento. Todavia, é importante encararmos a verdade, pois esta é a única forma de  aceitarmos nossas próprias limitações e jornada. Gurdjieff nos deixou um grande legado, mas compreender sua verdadeira história, falhas e imperfeições é fundamental à compreensão de nossa complexa jornada interior- cheia de percalços, dificuldades e acontecimentos que- muitas vezes não conseguimos compreender - alsibar.)


Eu sou…?
Mas o que aconteceu com aquele vasto-sentido da totalidade de mim mesmo, que antes estava sempre em mim nos exatos momentos de auto-questionamentos, durante o processo de  lembrança de si?

Será possível que esta habilidade interna  -alcançada  por mim graças a todo tipo de auto-negação e persistente auto-motivação– deva  simplesmente desaparecer,  exatamente agora quando sua influência para meu Ser é mais necessária  do que o próprio ar?
Não pode ser!... Algo aqui não está correto!

Se isto é verdade, então tudo na esfera da razão é sem lógica!
Mas em mim ainda não está atrofiada a possibilidade de realizar um trabalho consciente e sofrimento intencional!...
De acordo com todos os eventos passados eu ainda devo ser.
 Eu desejo!... e  eu serei!

Além disso, meu Ser é necessário não apenas para meu egoísmo pessoal mas também para o bem estar de toda humanidade.
Meu Ser é realmente necessário para todas as pessoas;  mais necessário para eles do que sua própria alegria e felicidade de hoje.
Eu ainda desejo ser, eu ainda sou!

George I. Gurdjieff – da série “ Sobre tudo e todas as coisas”

Tradução: alsibar


sábado, 22 de dezembro de 2012

…E O MUNDO NÃO ACABOU.




   O mundo não acabou, nem vai acabar tão cedo. Cientistas estimam mais alguns bilhões de anos até isso acontecer. Como tudo no Universo, o Sol um dia vai envelhecer e morrer . Tornar-se-á uma Supernova, um buraco negro onde nem mesmo a luz escapa de ser sugada. Mas por que , com tudo isso, ainda existem tantas pessoas presas a esta crença obsessiva? Por que os tais "profetas do terror" continuam espalhando o medo e a ilusão ? E por que há tanta gente os seguindo?

      Os tais "espíritos de luz", "videntes" e "mestres ascensionados"  passam o dia contando estórias que levam o povo a dormir mais ainda. Prender sua atenção e interesse é a palavra de ordem. Sua atenção é muito valiosa. Quanto mais atenção eles conseguirem de você- mais energia vital lhes será sugada. Energia esta que poderia ser utilizada em um trabalho sério de despertamento e amadurecimento espiritual.  Mas eles não querem que ninguém se liberte do sono de Maya, da Ilusão. Mas isso é o que realmente deveria interessar a todos nós.

         Maya é considerada uma espécie de demônio em algumas religiões. Mas não é uma entidade. Maya é invisível e está em tudo e em todos. É o outro lado da moeda. A escuridão, o falso, a mentira, a Ilusão. O véu de Maya está dentro de nós e também fora de nós. São como as bactérias e os vermes. Não há como se livrar dela facilmente. O maior trunfo de Maya é inventar uma luta contra si mesma que não é, em absoluto, verdadeira. E é isso que fazem a maioria – senão todos- os que participam de movimentos  conhecidos como“ Nova Era”. Empunham a bandeira da libertação, quando, na verdade, estão a serviço da escravidão das mentes , contribuindo para o fortalecimento do sonho de Maya. É preciso que se compreenda: não há libertação através do EGO. Mas eles dizem a mesma coisa. O discurso é muito parecido com o da maioria dos verdadeiros mestres libertadores. Mas, o que fazem realmente? Espalham o MEDO e a MENTIRA. Contribuem para que mais pessoas ao redor do mundo se conectem com eles, ajudando a espalhar suas crenças escravizantes. Se alguém defende uma crença de forma fanática e radical já é um claro indício de auto-engano. Não de LIBERTAÇÃO.

     Acompanhei esta história sobre fim de mundo desde os anos oitenta. Muita gente dedicou sua vida à isso. Mas é um movimento sem nenhum fundamento ou verdade. É hora de encarar os fatos: não há fim do mundo. É tudo uma grande bobagem e mais uma das mentiras, dentre as milhares que existem e existiram ao longo da história . Mentiras essas que serviram a movimentos totalitários, que escravizaram e levaram milhões a morte.  Temos que acordar para este fato e ter sim a coragem de encarar a realidade seja ela qual for.  Que seja o fim do mundo da ILUSÃO sobre nós mesmos. Que possamos deixar de nos iludir com tanta falácia, com tantos movimentos e figuras messiânicas, com tantas organizações e religiões que em nada- absolutamente nada - contribuem para a transformação do homem e do mundo.

O homem desperto não é escravo do medo, nem de nenhuma ilusão. Ele não vende sua consciência, nem sua valiosa atenção. Contempla a VERDADE em si, e por isso sabe diferenciar a ilusão da verdade- onde quer que ela esteja. É alguém que realmente contribui para o DESPERTAR- a única ação que realmente interessa nesse mundo de sonâmbulos e dorminhocos.    Essa é a verdadeira revolução e o verdadeiro começo de uma NOVA ERA. Vamos deixar o mundo de sonhos para trás e que nesse novo ano possamos trabalhar com seriedade e dedicação para o que realmente importa nessa vida. É assim que contribuiremos para a construção de uma nova terra e um novo homem. Que cada um possa fazer sua parte, mesmo que pequena, mesmo que pareça insignificante. Não é.

Vale muito mais uma pequena atitude que ajude o homem a despertar, do que ações grandiosas e vistosas que em nada contribui para tirar o homem do seu sono milenar. Fica aqui a minha mensagem.

NAMASTÊ!

Alsibar
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sábado, 10 de novembro de 2012

LIBERDADE OU VERDADE: O QUE VEM PRIMEIRO? Freedom or Truth: what comes first?



Liberdade ou Verdade: o que vem primeiro? http://alsibar.blogspot.com

Jesus diz no Evangelho de João 8-32 …“ Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”.  Alguns interpretam que a Verdade deve vir antes da Liberdade. Mas, outros – como Krishnamurti- não concordam. Para ele, a  liberdade  surge no começo como condição  necessária à percepção da Verdade. Ao longo desse artigo, analisaremos os dois pontos de vista e suas possíveis implicações.  A questão não é discutir se  JC ou JK está certo. Pode ser que ambos estejam corretos – ou não. Ou até mesmo, falando da mesma coisa sob óticas diferentes. E você o que acha? Leia o artigo, reflita e depois tire suas próprias conclusões.

Primeiro de tudo, temos que entender o que é a Verdade. Antes de K. havia a ideia predominante de que a Verdade era um ensinamento através do qual as pessoas poderiam encontrar a  felicidade, paz, libertação etc. Os livros sagrados seriam o registro dessa Verdade. Ao segui-los, o homem trilharia seguramente o caminho do céu, Nirvana, Moksha (libertação) etc. Ora, será  mesmo que a Liberdade deve ser encontradaa apenas no final do caminho? Seria o coroamento de todo um processo que envolve esforços, luta, disciplina etc? Ou será que Krishnamurti  estava certo ao afirmar que a liberdade está no começo- e não no final?

Durante sua infância e juventude, Krishnamurti viveu o drama humano universal do condicionamento social, cultural e religioso de uma forma intensa e singular. Isso permitiu-lhe perceber claramente os males que os mesmos causam ao homem. Excetuando-se os dois primeiros- pois são inevitáveis e necessários à convivência social- pergunta-se: é possível ser  interiormente livre de condicionamentos ? Krishnamurti defende que sim. Mas ele foi além disso e fez da liberdade o fundamento de todo o seu ensinamento. 

Ao dissolver a ordem da Estrela do Oriente, K. proclamou solenemente: “ Minha missão é tornar o homem absoluta e incondicionalmente livre”. Toda sua vida fora pautada nisso. Por isso não fundou organizações religiosas- apenas administrativas e educacionais. E repetia frequentemente a importância do duvidar, do não-seguir, do não aceitar . Daí sua insistência em criticar as religiões organizadas, os livros , as tradições e os gurus. Não como males intrínsecos. O problema real encontra-se no fato de que o homem que segue seja o que for perde a condição sine qua non para o encontro com a Verdade: a Liberdade.

Isso significa ser livre de tudo e de todos no sentido  interior. Não aceitar a autoridade espiritual de ninguém. Como disse Buda, em um famoso discurso : “não acrediteis em coisa alguma apenas pela autoridade dos mais velhos ou dos vossos instrutores”.Não é uma exortação ao ateísmo ou anarquismo. É mostrar que sem liberdade é impossível à Verdade manifestar-se .

A Verdade  não é um conhecimento morto que deva ser cultuado, reverenciado ou seguido. É um estado de percepção direta daquilo que é bom , verdadeiro e sagrado. Daquilo que traz o bem, a paz e a plenitude. Daquilo que  torna o homem realmente livre e feliz.

 Uma mente livre para refletir, analisar, pensar,  decidir, meditar, vivenciar e experimentar é, sem dúvida, fundamental ao descobrimento da Verdade. Não é à toa que iluminados como Buda, Ramana Maharish e Krishnamurti  não tiveram mestres. Não seguiram as tradições. Trilharam um caminho próprio, pessoal e solitário.  Tiveram a coragem de ser livres desde o começo. Fizeram da Liberdade seu mestre e por isso encontraram a Verdade.

Quando Jesus diz “ conhecereis  a Verdade e a Verdade vos libertará” sua proposição está correta pois somente a Verdade liberta. A questão não é saber o que vem antes ou depois pois trata-se de um só processo. No momento em que percebo a Verdade, esta já me liberta. E se a percebi é porque minha mente estava livre. Do contrário não a perceberia. Mas esta liberdade surge da percepção de que sem liberdade a Verdade não se revela.

Em resumo, para encontrar a Verdade, preciso, antes ser livre. E se percebo a Verdade, nessa própria percepção me liberto. E a própria percepção desta Verdade é o começo da Liberdade.

Namastê!

Alsibar

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