sexta-feira, 8 de maio de 2026

A ORAÇÃO FUNCIONA?

 



By Alsibar Paz

 

A questão da oração é fascinante e complexa. Para entendê-la melhor, precisamos aprofundar-nos  nos tipos de oração. As orações praticadas mecanicamente e de forma superficial usando modelos padronizados têm pouco efeito sobre a humanidade como um todo. Orar pela “humanidade” enquanto você age de forma mesquinha e cruel, não tem valor nenhum. São palavras vazias jogadas ao vento. Os muçulmanos, judeus, cristãos, hindus e budistas, por exemplo, oram bastante. Isso foi, inclusive, criticado pelo próprio Jesus. O grande Avatar observou as pessoas que oravam  e viu que, em geral, tinham pouco amor em seus corações. E, obviamente, com tanta gente orando no mundo, era de se esperar que a humanidade estivesse em um elevado grau de espiritualidade, mas não é isso que vemos . Então, esse tipo de oração têm pouco ou nenhum valor em termos coletivos. Já em termos individuais, ela proporciona um pouco de relaxamento mental através do esquecimento momentâneo dos problemas, além de fortalecer a esperança de alguns.

 

A oração que mais funciona é aquela que é feita com sinceridade do coração e que é acompanhada de um trabalho sério de autoconhecimento, busca por elevação espiritual e transformação interior. Esse tipo de oração tem grande poder sobre quem a pratica pois eleva as vibrações mentais, colocando o praticante em uma maior conexão com as altas frequências da luz. Ou seja, para benefícios individuais, ela é perfeita. Mas, em termos coletivos, ela tem pouco efeito. Explico:

 

Quando, através da oração, o praticante se coloca em um estado mental de maior sintonia com as dimensões da luz, ele está, naquele momento, mais propenso a receber inspiração, força e energia das dimensões superiores. Isso impacta diretamente seu próprio espírito, sua própria consciência. Agora, em termos coletivos, o impacto não é o mesmo e por quê? Porque o coletivo é formado de mentes individuais, e apenas aquelas mentes que estão em uma vibração mais próxima da luz e se tornam receptivas a elas, conseguem se beneficiar dessas vibrações  produzidas por esse tipo de oração. Nesse caso, aquele que está nesse estado de oração impacta signficativamente  o campo mental coletivo, com certeza, mas não o individual. E por que? Porque no campo individual só “entra” aquilo que o próprio indivíduo permite. Isso é prerrogativa do chamado “livre arbítrio”. Significando que ninguém — nem nada  — poderá transformá-lo à força, a não ser que você mesmo queira e permita.

Um bom exemplo disso é Jesus. Ora, quando Jesus estava na Terra, ele certamente impactou as vibrações da humanidade tornando-as um pouco menos “pesadas”. Mas, quem sentiu isso de forma significativa? Todo mundo? Claro que não. Os romanos, os escribas, fariseus e doutores da Lei não sentiram nada. Isso porque sua densidade espiritual não lhes permitiam  sentir nada  além daquilo que estava em sua própria faixa de densidade. E quem foi tocado pelas elevadas vibrações de luz do Cristo? Aqueles que estavam de alguma forma, vibrando em uma frequência mais elevada do que a considerada normal. Aí estão inclusos os apóstolos, discípulos,  seguidores e admiradores de Jesus. E para fortalecer mais ainda esse argumento é sabido que nem mesmo os irmãos de Jesus gostavam dele. Uma boa analogia para essa situação seria o Sol: ele emana luz para todas as pessoas, mas quem vive em uma prisão hermeticamente fechada ou em uma caverna escura não tem acesso a essa luz. Assim também é a prisão ou caverna escura da mente dominada pela ignorância espiritual.

 

Portanto, “rezar pela humanidade” com o coração cheio de ódio, raiva, ressentimento, falsidade, inveja, mesquinhez, crueldade e ignorância é inútil. Ao passo que, mesmo aqueles que não oram, mas vivem uma vida compassiva, equilibrada, reta e amorosa fazem muito mais pela humanidade do que aqueles que passam o dia todo orando a Deus  pelos “outros” mas não fazem  nada de concreto para melhorar a si mesmo e ao mundo no qual vivem.

 

Alsibar Paz : terapeuta, escritor e instrutor de meditação

08/05/26

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O MITO DA TRANSIÇÃO PLANETÁRIA E DO DESPERTAR INEVITÁVEL

  


By Alsibar Paz


Uma das afirmações mais repetidas pelo movimento “nova era”  e seus simpatizantes é a de que a humanidade vive uma “transição planetária” que culminará com o despertar espiritual de toda humanidade, levando o planeta a um patamar de consciência mais elevado. Essas crenças têm um fundo de verdade mas, da forma como normalmente são apresentadas e defendidas, não passam de engodo, fantasia, ilusão e até estratégias de manipulação das massas. Algo muito parecido com o que a Igreja Católica fazia na idade média quando controlava o povo através do medo do fogo eterno. Aliás, crenças como essas que espalham temor sempre foram usadas como meio de controle por movimentos religiosos em todo o mundo e em todas as épocas. A tal da “nova era”, apesar de se apresentar como algo novo, apenas usa as mesmas velhas estratégias de manipulação que sempre foram usadas desde que o mundo é mundo. Então, o que há de verdade ou falso nessa crença? É o que vamos analisar nesse artigo.


A QUESTÃO DA TRANSIÇÃO PLANETÁRIA


É preciso explicar uma coisa: não estou defendendo que as coisas não evoluem. Nem que a humanidade não esteja, de certa forma, evoluindo e se desenvolvendo mesmo que seja a passos de tartaruga. O que estou discordando é que o fenômeno da transição propriamente dita esteja ocorrendo só agora — ou em qualquer outro tempo em específico — e que isso culminará com o despertar da consciência da humanidade. O que os fatos históricos nos mostram? Que a humanidade SEMPRE EVOLUIU. Ou seja, o mundo sempre esteve em transição. Portanto, usar tal argumento para fundamentar e motivar certos comportamentos e atitudes não faz o menor sentido. A transição é parte da natureza do universo e das coisas em geral. Usar tal fato para gerar temor ou um senso de urgência nas pessoas é simplesmente desonesto.


Crenças sobre o fim do mundo eram comuns nas civilizações antigas: egípcios e  judeus, passando pelos primeiros cristãos que acreditavam que o fim do mundo aconteceria ainda em sua época por conta de supostas profecias de Jesus (Mateus 24:3) no qual Cristo teria respondido claramente sobre o fim dos tempos e o seu retorno à Terra. Obviamente que a “nova era” não fala nada sobre um “julgamento final”, mas defende que quem não se “alinhar” com os elevados valores da nova terra não poderá  continuar vivendo no planeta e terá que renascer em mundos primitivos de vibrações mais densas e mais compatíveis com as suas. O que, na prática, continua sendo uma espécie de julgamento, apenas tiraram a imagem do “julgador personalizado” do palco dos acontecimentos. 


É importante relembrar o movimento sobre o fim do mundo em 2012 basedo na suposta profecia do calendário maia que foi explorada pela mídia e por líderes espirituais de todo mundo. A mentira e a manipulação foi tão escancarada que depois desse dia ficou claro para todos o quanto tais líderes são charlatães. Mas, infelizmente, muitos deram uma desculpa esfarrapada e continuaram com suas mentiras, devaneios e engodos e, ainda, mantiveram muitos dos seus  antigos seguidores e discípulos fiés. 


Em suma, não existe, nem existirá um “momento de transição”, como se antes estivesse parado e depois começasse. Ou como se antes estivesse devagar e depois acelerasse. Não. Como disse o filósofo alemão Leibniz : “ a natureza não dá saltos”. A humanidade continuará andando no seu “passo de tartaruga” como sempre fez. E talvez — só talvez — seguindo seu  próprio ritmo, consiga um dia alcançar um patamar elevado de consciência em um futuro muito, mas muito distante de nós. E, sendo assim, ver sinais de uma “transição planetária especial” em fatos históricos ( a vinda de Jesus, a passagem do milênio, o calendário maia, etc.) sem levar em conta tais questões  não passa de estratégias de manipulação das massas. Ou, talvez, alguém usando tais argumentos para fundamentar alguma tese em benefício próprio.


A QUESTÃO DO DESPERTAR COLETIVO INEVITÁVEL


Uma coisa está atrelada à outra. Então, se não existe uma transição planetária delimitada no tempo e espaço, também não existe  um despertar coletivo inevitável. Uma crença está intrinsecamente conectada com a outra,  se uma cai, a outra cai também. Portanto, seguindo a mesma lógica do argumento anterior, não faz muito sentido. 


A civilização humana tem mais ou menos uns seis mil anos. Basicamente e fundamentalmente, ao longo desses anos, evoluÍmos muito pouco em relação ao tempo transcorrido. Antes usávamos pedras, facas, espadas e flechas para matar os inimigos. Hoje usamos armas semiautomáticas, bombas, aviões, drones, mísseis e inteligência computacional, mas o que mudou de fato? Só a tecnologia usada, mas o impulso egoísta, predador, cruel e separativista continua basicamente o mesmo. Em todos os tempos sempre existiram algumas raras pessoas com mais consciência espiritual do que as outras e que lhes serviram de liderança, inspiração  e referência. Onde estão os tais “conscientes” que deveriam ter nascido em maior quantidade do que os “inconscientes” já que faz tempo que se fala nessa tal transição?  Será que são aqueles milhares/milhões que dão audiência a todo tipo de bobagens, fantasias e mentiras na Internet? O que mais apetece às massas: conteúdos sérios, verdadeiros e profundos ou ilusões, fantasias, mentiras e entretenimentos superficiais? Ou seja, basicamente nada mudou. As arenas foram substituídas pela internet. Mata-se  de uma outra forma, mas o impulso instintivo e cruel é fundamentalmente o mesmo.


CONCLUSÃO

Não há nada que sinalize uma etapa específica de aceleração da transição planetária e a consequente transformação do mundo. Muito menos qualquer coisa que aponte para a possibilidade de um despertar coletivo da humanidade . Quem quiser acreditar nisso, acredite. É escolha de cada um, mas sua crença tem o mesmo valor que a dos Testemunhas de Jeová, dos Mórmons, dos Adventistas do Sétimo Dia, dos Espíritas, dos Muçulmanos, etc. Não há nada de novo, nem de especial nisso. São apenas crenças como todas as outras e nada mais.


Alsibar Paz

12/02/26

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

POR QUE A LUZ DA VERDADE TEM TANTA DIFICULDADE DE CHEGAR ATÉ O CORAÇÃO DO HOMEM?

 



Se analisarmos a história dos grandes iluminados, a maioria foi  ignorado, perseguido ou assassinado.  E mesmo aqueles que não sofreram tal destino, foram mortos de uma outra forma: seus ensinamentos foram deturpados e sua memória apagada. Em seu lugar, criaram-se figuras míticas, fantasiosas que nada tem a ver com o personagem histórico real. Isso aconteceu, por exemplo, com Sidarta Gautama,  com Sócrates e Jesus. Mas qual a razão desse fenômeno? É o que explico ao longo desse texto.

 

A explicação está no ego humano.  A força egoica que domina a mente do homem vive  o seguinte dilema: se um iluminado for “humano” demais, o ego o despreza. Isso explica por que Jesus foi tão desprezado pela comunidade na qual vivia. Ninguém poderia acreditar que tal homem, que eles conheciam bem e que com eles convivia,  pudesse ser o grande messias prometido. O ego simplesmente não consegue aceitar isso. Então, poderiam perguntar, por que seus discípulos o reconheceram? Porque houve uma intervenção direta do Alto que lhes abriu a mente e o coração.

 

Mas, então, por que sua memória se manteve ao longo de tantos anos? Por que ele foi deificado, mitificado. A deificação é um mecanismo do ego para resolver esse difícil dilema: esse sujeito tem qualidades excepcionais, mas ele é um ser humano igual a mim. Como pode ser isso? Então, para resolver tal dilema, mata-se a verdadeira identidade do sujeito e, no lugar, cria-se um mito, uma imagem idealizada: o ser perfeito e infalível, o próprio Deus em carne humana, a encarnação da pureza e da perfeição. Mas qual é o problema disso?

 

De forma bem didática: se o iluminado parecer muito humano aos olhos do ego, ele não consegue tê-lo como exemplo e referência. O ego só valoriza aquilo que, aos seus olhos, lhe parece  ser maior do que ele. O problema é que, devido à própria cegueira do ego, ele é incapaz de avaliar os fatos com precisão e clareza. A frase: “santo de casa não faz milagre” resume bem essa questão. “Como pode “fulano” ser lá  grande coisa?” Então, a saída encontrada é deificar tal pessoa, esquecer sua personalidade humana e colocá-la em um altar, em um pedestal. Assim fazendo, ele deixa de ser  “aquele fulano que conviveu conosco” e torna-se um ser divino, puro, sobre-humano. E desta forma,  não se tem mais um ser humano comum que alcançou  a realização divina. Agora, o que se tem é um ente divino para ser adorado e venerado e não mais um exemplo para ser seguido.

 

Ao fazer isso, o ego tem uma justificativa para não buscar a mudança e a transformação interior: “tal pessoa só viveu tais ideais porque ela era especial . Eu sou um reles mortal, pecador e limitado, então, só me resta venerar e adorar tais seres divinos”. Cria-se então uma distância instransponível entre si mesmo e o “santo reverenciado” . Isso aconteceu com Sidarta Gautama, um homem comum que buscou a libertação do sofrimento e que, depois de sua morte, tornou-se Buda, o deus de boa parte dos budistas. Jesus, um homem simples que recebeu a iluminação no deserto, tornou-se a terceira pessoa da santíssima trindade, e assim por diante. E, devido a tudo isso, o esforço para se viver seus ensinamentos é substituido pela veneração e adoração o que, convenhamos, é muito mais cômodo.

 

Então, ou você tem uma pessoa como  Jiddu Krishnamurti que apesar dos defeitos e limitações conseguiu vivenciar a iluminação, mas que, exatamente por isso, é desprezado pelas grandes massas. Ou você tem um Jesus e Buda que são admirados não pelo que realmente foram, mas pela imagem fictícia criada pelos seguidores após sua morte. E, nesse meio termo, a humanidade pode descansar despreocupada, sem se sentir culpada por não realizar a  difícil viagem do autoconhecimento. E o resultado está ai: crises, guerras, doenças, conflitos e sofrimento em todos os âmbitos da vida.

 

Resumo da ópera: toda vez que a Luz da Verdade se manifesta no mundo, o ser humano a despreza, mata  ou  a substitiu por uma “luz falsa”. Essa luz torna-se, então, seu objeto de adoração e veneração. É a ela que a pessoa recorre para pedir graças e favores e depois poder dormir sossegada sem nenhum peso na consciência. Mas o certo seria seguir os passos daquele a quem se reverencia para encontrar em si mesmo a mesma Verdade que o sujeito reverenciado encontrou dentro de si.

 

Alsibar Paz

07/11/25

 

 

 


domingo, 2 de novembro de 2025

O QUE EXPLICA ESSE OUTUBRO ATÍPICO?



By Alsibar Paz 

Tudo produz  energia. Quando alguém sente, pensa, deseja ou faz alguma coisa, ela cria um campo  energético que se propaga em ondas,  atingindo toda a humanidade. Quando recebidas, essas ondas ganham um novo impulso  através de nossa própria densidade energética e se fortalecem causando mortes, doenças, furacões, violência, desastres, perdas e sofrimentos. Nunca vi tantas separações, acidentes,  tragédias,  conflitos e crises  em  tão pouco espaço de tempo.


Tudo isso é  consequência dessa poderosa onda de energia deletéria que vamos produzindo aos poucos em nosso campo vibratório individual. Como um poderoso tsunami,  essas ondas  energéticas vão se fortalecendo até explodir e atingir a tudo e a todos. Isso explica o que aconteceu nesse outubro atípico tanto em nível individual, quanto coletivo.


Diante desse quadro crítico, a oração correta, a meditação correta,  os bons pensamentos,  as boas ações e intenções, podem ajudar a  minimizar ou até bloquear os efeitos danosos dessas forças destrutivas.


Todavia, aqueles que estão mentalmente equilibrados e em paz - por conta do autoconhecimento - funcionam como um escudo que bloqueia os efeitos dessas energias, impedindo sua propagação.


Além disso, ao não permitirem que o medo, a raiva, o ódio, a violência, a agressividade, a tristeza, a angústia, o desespero, os pensamentos e sentimentos negativos façam morada em seus corações,  eles neutralizam  tais energias maléficas, diminuindo seu poder de  propagação . E mesmo quando tais energias os atingem - o que é inevitável pois somos o mundo e estamos mergulhados nele - o homem sábio mantém sua mente  conectada  com as mais altas  vibrações de luz, amor e paz  do universo.


Assim fazendo, ele protege não só a si mesmo dos efeitos nocivos de tais oscilações energéticas, mas ajuda a proteger e transmutar o campo vibratório do próprio planeta como um todo.


Alsibar Paz 


02/11/25

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

O PODER VEM DO ALTO

 



 Quem já tentou controlar um hábito ruim ou um vício, sabe o quanto isso é difícil. Parece que quanto mais tentamos, menos conseguimos. Krishnamurti costumava dizer que o “controlador é o controlado”, obviamente que ele não estava se referindo aos vícios, mas à questão dos pensamentos, sentimentos, etc. No que diz respeito aos vícios, é muito óbvia a impotência do ego em relação à capacidade de autocontrole. Muitas vezes, passamos anos e anos experimentando mil e um métodos para dominar nossos apetites indesejáveis, mas com pouco ou nenhum sucesso. Chega, enfim, o dia em que nos encontramos no fundo do poço, sem nenhuma energia, ânimo ou autoestima. Tudo parece escuro, sem sentido e nos sentimos um verdadeiro “lixo”.

É nessa hora que nos convencemos da nossa incapacidade para lidar com essa situação e nos voltamos para o  poder misterioso do Universo, seja através de uma oração sincera, uma forte intenção ou um grito silencioso da alma. É aí que  vemos claramente a verdade acerca de nossas próprias fraquezas e limitações e “entregamos” a ele o controle de nossas vidas. E, de repente, algo maravilhoso acontece: a graça se manifesta e, “do nada”, nos libertamos daquele impulso que nos escravizou durante tantos anos de forma tal que esquecemos a sensação de ser livre.

Então, depois desse processo, nos sentimos limpos, renovados e gratos pela nova oportunidade que nos foi dada. Mas temos a consciência de que precisamos fazer a nossa parte. Por exemplo: quando é problema com bebidas ou drogas procuramos os grupos de autoajuda. Quando é o problema com sexo, nos afastamos dos lugares e pessoas que possam nos influenciar negativamente. Se for problema com jogos de azar, nos ocupamos com outras coisas que possam preencher nosso tempo. Um novo caminho e uma nova esperança se abrem para nós.

E, assim, o que antes parecia impossível acontece: recuperamos o poder de dizer não e de fazer escolhas responsáveis e conscientes. Isso é como uma epifania. Uma experiência mística semelhante  à iluminação espiritual, só que em escala menor. É a Ordem Suprema se fazendo presente através de sua infinita misericórdia e poder.

Finalmente, retomamos as rédeas de nossas vidas. Daí por diante, as decisões e escolhas são feitas da forma certa e sem grandes dificuldades. Rejeitar o que nos prejudica se torna tão fácil quanto ajeitar a posição de um quadro na parede. Mas é importante compreender que esse controle não vem de você. Vem do alto. O ego por si mesmo não pode fazer nada. É o poder Supremo que reconfigura a mente, fortalecendo o espírito para que ele recupere o comando da máquina mental.

Resumindo: diante de nossos impulsos e desejos intintivos, o ego precisa ser forte o suficiente para poder freá-los evitando, assim, prejuízos para si mesmo e para os outros. Mas, nem sempre ele consegue. Nesses casos, é necessário a intervenção de um Poder Divino. E este só vem quando o ego  “se entrega”, admitindo sua insignificância, fraqueza e incompetência para lidar com essas questões. Só então, o Poder Superior pode atuar e restaurar aquilo que estava danificado: a capacidade do ego de decidir, organizar e administrar sua própria casa interior.

Alsibar Paz

02/10/25