terça-feira, 7 de janeiro de 2025

UCEM OU CARTAS DE CRISTO: QUAL É O IMPOSTOR? #ucem #cartasdecristo

 



Esse texto foi retirado de um comentário feito por uma pessoa de nome Liliane lá no vídeo que fiz  para o Youtube sobre o UCEM e as Cartas de Cristo. No vídeo, eu comparo as duas obras e defendo a tese de que o autor de um dos dois é um impostor, ou seja, não é Cristo, uma vez que falam coisas totalmente diferentes e opostas. Aqui no Blog, deixo registrado tanto o comentário dela, quanto minha refutação, comentando e, às vezes, refutando, cada  ponto de seus argumentos. O comentário foi enumerado para facilitar a compreensão e a identificação entre o argumento e a refutação.

 

“(1) Com todo respeito Alsibar, mas só de ver seus argumentos pegando trechos isolados do UCEM para comparar com as Cartas de Cristo já deu pra perceber que não entendeu o propósito prático do UCEM, em momento nenhum tem dizendo no UCEM que quem criou o ego foi o Homem, (2) esse "Tu" não se refere ao homem, mas a consciência/a observação, que se identifica com a separação (Ego), tem uma pegada de reconhecer na experiência direta isso. (3) E Ego no UCEM se refere a ideia mental de separação, a todo um sistema de pensamento de separação que é o que gera todos os conflitos e confusões que acontecem no mundo, ou é mentira?

(4) Basta olhar pro mundo e ver a realidade nua e crua, não que seja mal ou bom, mas é um equívoco que nos leva a pensar que somos todos separados e não uma Unidade como apontam todos os caminho não-duais.

(5) Já nas cartas de Cristo o Ego refere-se a mesma coisa que na psicologia, questões de individualidade no mundo para um viver cotidiano aqui, já o UCEM aponta para a não-dualidade, no não-eu não tem ego nenhum, senão não é não-eu/não-dual, tem 2,3,4....

(6) Claramente as cartas de cristo falam do relativo e o UCEM aponta para o absoluto e nos convida a ver o mundo sem um óculos cor de rosa. Essa palavra Cristo é utilizada por muitas tradições espirituais e religiosas onde cada uma dá um significado a ela,  (7) no fim as palavras pouco importam, quando se desapega das palavras e se entende para onde elas estão apontando fica mais fácil de entender para onde os caminhos apontam, (8) que é para dentro de si, onde a mente cai (Conceitos, palavras e narrativas) e o imutável UM sem segundo é reconhecido.

(9) A iluminação é um reconhecimento: Todos os caminhos não-duais falam a mesma coisa,  (10) o imutável não muda, a iluminação é o reconhecimento do imutável na prática, na sua experiência direta. (11) Se já aconteceu um mínimo de lucidez ai, já reconheceu que na verdade última não tem nem Eu, nem Você, nem Cristo, nem Krishnamurti, etc.

(12) Automaticamente com esse reconhecimento pode-se dizer que as situações melhorem, mas não pelo que acontece, mas pelo olhar que você vai ter sobre tudo a partir desse reconhecimento da verdade.

(13) Utopia achar que tudo vai ser mil maravilhas na forma onde tudo é transitório e muda o tempo todo e ficar criando expectativa, e se não acontecer cair em uma frustração, quem tem coragem para observar tudo no mundo e não só para o próprio umbigo consegue ver isso.

(14) Até se levarmos essas histórias de Jesus como verdade veremos que até pra ele próprio não foi mil maravilhas, mas com o reconhecimento da verdade imutável pouco importa o que aconteceu em um mundo onde tudo passa.

(15) Esse papo das Cartas de Cristo ainda falam muito de dualidade, não vejo nada de Não-Dual.  (16) Mas respeito e que pode ser um caminho totalmente útil para determinadas pessoas em determinados momentos, assim como o UCEM também pode ser útil para determinadas pessoas em determinados momentos, até porque tanto os livros quanto qualquer coisa que qualquer pessoa fale, serve apenas como apontamento e que cada um vai reconhecer a verdade diretamente.

 

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Minha resposta: 

Olá Liliane, tudo bem?

Primeiramente, quero dizer que as explicações expostas abaixo são totalmente impessoais. A intenção aqui não é mostrar mais conhecimento ou sabedoria. Mas poder mostrar com mais detalhes aquilo que penso sobre tudo o que o UCEM representa.  Então, com todo respeito, vamos por partes:

1.       “Com todo respeito Alsibar, mas só de ver seus argumentos pegando trechos isolados do UCEM para comparar com as Cartas de Cristo já deu pra perceber que não entendeu o propósito prático do UCEM…”

 

Bom, quando se compara duas obras, certamente é por partes, trechos, ou não? Já fui pesquisador de Literatura Comparada e sempre pegamos partes ou que concordam ou que discordam entre si. No caso, peguei pontos específicos que são discordantes. Uma metodologia usada universalmente nos meios acadêmicos. A própria análise que vou fazer de seu comentário, é por partes, não é necessário pegar aquilo que não interessa à tese que estou defendendo.

 

2.       “…esse "Tu" não se refere ao homem, mas a consciência/a observação, que se identifica com a separação (Ego)”

 

“Tu” é segunda pessoa do singular e se refere a quem o texto se destina, ou seja, o leitor. Por mais que vocês queiram fazer malabarismos linguísticos, isso não funciona na prática. Você pode até tentar reinterpretar o significado do que é uma pessoa, mas isso não muda o português. Aliás, a gramática não está interessada em questões filosóficas. O que você e esse tal livro considera ser a natureza do leitor é assunto para a filosofia.

 Já sobre o “tu” ser a consciência/observação, que aparentemente você interpreta como impessoal, é uma falácia. A observação sempre é pessoal porque parte de um ser humano, de uma pessoa ou de um ser vivo com olhos para ver. O problema é que o UCEM se apodera de conceitos e o mistura numa grande salada  incoerente e indigesta.

 

A observação pode ser impessoal, mas apenas no “campo psicológico”.  E para se chegar a ela, há um longo caminho a ser trilhado. Com certeza não é fácil e não decorre da repetição exaustiva de palavras e conceitos de livros.

 

Como dizia Krishnamurti: a observação é o observador. Caso queira entender melhor o que ele quis dizer com isso, eu escrevi um livro só explicando essa pequena frase dele e, de antemão, lhe aviso que ela não tem nada a ver com a destituição dos pronomes pessoais da gramática.

 

 3. “E Ego no UCEM se refere a ideia mental de separação, a todo um sistema de pensamento de separação que é o que gera todos os conflitos e confusões que acontecem no mundo, ou é mentira? “

Assim como o UCEM se utiliza sempre de meias verdades, sua afirmação acima está parcialmente correta. Senão vejamos:

a)      A sua definição de ego de acordo com a visão do UCEM está correta. Não que eu concorde com ela, estou apenas dizendo que sua explicação está de acordo com a explicação do UCEM. E eu discordo categoricamente dela.

 

b)       “ A ideia mental de separação é o que gera todos os conflitos e confusões do mundo, ou é mentira”? Sim, é mentira. A ideia mental de separação, ou seja, de me sentir separado de tudo como um sujeito, uma pessoa, um indivíduo, é totalmente salutar e importante. Simplesmente não haveria humanidade, nem vida se não houvesse a ideia mental de separação. Busque saber sobre a experiência da neurocientista Jill Bolte Taylor. Ela teve um AVC e de repente perdeu o sentido de ser uma entidade separada. E isso foi um pesadelo para ela. Ou seja, a própria criação, natureza, Divindade, etc, criou em nosso cérebro uma área específica responsável pelo sentido de separatividade. Sem ele, não seria possível ter uma vida social funcional. E essa experiência da cientista está em completo acordo com o que diz as Cartas de Cristo: o sentido de separatividade é importante e fundamental para a sobrevivência do ser humano.

 

4.       “…Basta olhar pro mundo e ver a realidade nua e crua, não que seja mal ou bom, mas é um equívoco que nos leva a pensar que somos todos separados e não uma Unidade como apontam todos os caminho não-duais.”

   

Quase isso. Você já ouviu falar da expressão: unidade na diversidade? Significa que ver apenas Unidade em um mundo tão diverso acarretará problemas. Assim como ver somente diversidade, sem considerar a unidade fundamental, também. A Unidade é o aspecto elementar do universo porque essencialmente somos feitos da mesma matéria prima básica. Todavia, essa Unidade se desdobra na diversidade Universal que é o próprio Universo. Não reconhecer isso representa um  grande perigo e ignorância. Em resumo: em essência somos unos. Mas quando manifestos na relatividade da existência, somos múltiplos e diversos. E é uma benção que seja assim.

 

5.       “…Já nas cartas de Cristo o Ego refere-se a mesma coisa que na psicologia, questões de individualidade no mundo para um viver cotidiano aqui, já o UCEM aponta para a não-dualidade, no não-eu não tem ego nenhum, senão não é não-eu/não-dual, tem 2,3,4...”

 

Vê-se que você não leu as Cartas de Cristo e se leu não entendeu. O conceito de “ego” das Cartas nada tem a ver com a Psicologia. A visão das Cartas é única. Sua abordagem difere de tudo o que li sobre a Psicologia. Algumas coisas “batem”, mas não tudo. Como a minha refutação já vai ser enorme, não há espaço aqui para eu entrar nos pormenores da questão. Seria bom lê-las, pois a abordagem pode ser muito profunda e complexa para alguns.

 

E a última revelação que talvez lhe choque: no “não eu” o EGO continua sim. Mas isso é um outro assunto. Sugiro ler Krishnamurti, um verdadeiro mestre advaita, ou meu livro:  “ A Observação Sem Observador” para entender melhor esse ponto. O livro está disponível no site do Clube de Autores.

 

6.       “…Claramente as cartas de cristo falam do relativo e o Ucem aponta para o absoluto e nos convida a ver o mundo sem um óculos cor de rosa.”

 

Primeiro porque não é “claramente”. E segundo que você está dizendo que as Cartas estão falando do “relativo” e não do absoluto. Há dois problemas aí: sua conceituação é dual (a relativa e a absoluta). Além disso, as Cartas tratam esse mundo como parte do absoluto e não como algo à parte dele. Significa que você e o UCEM é que estão separando as coisas apesar de falarem sempre em não separação.

De fato, como diz o Budismo: “o vazio é a forma, a forma é o vazio”. Não existem duas visões. Apenas uma. E ela é essa: tanto o mundo do fenômeno, mentalmente solidificado na 3D, quanto nas mais altas esferas, tudo É ABSOLUTO. Brahma Satyam!

 

7.       “…no fim as palavras pouco importam, quando se desapega das palavras e se entende para onde elas estão apontando fica mais fácil de entender para onde os caminhos apontam”.

Sério isso? Seu UCEM tem quase 600 páginas de pura repetição e verborragia conceitual — fora os outros dois livros — e você vem me dizer que as palavras pouco importam?  “ Tá Ok”!

 

 

8.       “…que é para dentro de si, onde a mente cai (Conceitos, palavras e narrativas) e o imutável UM sem segundo é reconhecido. “

Deixa eu ver se entendi: quer dizer que no UM “conceitos, palavras e narrativas” caem….  Mesmo assim vocês precisam se apegar a uma enorme quantidade de conceitos e narrativas para entender isso. Sim, porque o UCEM não passa de conceitos, palavras e narrativas. Nada mais do que isso.

E então” O Um sem segundo é reconhecido” quem reconhece? Questão básica de lógica, só se reconhece o que foi conhecido antes. Aquilo que é reconhecido através da memória não pode ser o Eterno que é sempre novo e não pode ser reconhecido pela mente. Além disso, se não há, como vocês dizem, a entidade, o eu, o ego, etc. Quem reconhece no reconhecimento? Simplesmente não faz sentido nenhum.

 

9.       “A iluminação é um reconhecimento: Todos os caminhos não-duais falam a mesma coisa.”

Dizer que  todos os caminhos não duais falam a mesma coisa acerca do tal “reconhecimento” é um argumento falso para defender um posicionamento. Um dos maiores mestres do advaita moderno chama-se Jiddu Krishnamurti e, ao longo de sua obra, ele repetiu varias vezes que a Verdade não pode ser reconhecida.

Além disso, as próprias Cartas falam literalmente, como citei no vídeo: a iluminação NÃO é um reconhecimento, mas sim um acontecimento.

 

10.    “Todos os caminhos não-duais falam a mesma coisa, o imutável não muda”.

 

Sério que o Imutável não muda? Mas a mudança faz parte da natureza imutável do Absoluto. Assim como mudar faz parte da natureza imutável do vento ou da água, por exemplo.

 

11.“…Se já aconteceu um mínimo de lucidez ai, já reconheceu que na verdade última não tem nem Eu, nem Você, nem Cristo, nem Krishnamurti, etc.”

 

Novamente, outro argumento parcialmente verdadeiro. Isso ocorre durante o Samadhi. Mas quando o Samadhi passa ou diminui volta a existir eu, você, Cristo, krishnamurti, Buda, etc.

 

12.   Automaticamente com esse reconhecimento pode-se dizer que as situações melhorem, mas não pelo que acontece, mas pelo olhar que você vai ter sobre tudo a partir desse reconhecimento da verdade. “

 

Ou seja, uma simples questão de “ressignificação” nada mais do que isso. Mas, olha que interessante, as Cartas já dizem outra coisa. Elas afirmam não só que o seu olhar/percepção vai mudar, mas que a própria situação, a própria realidade física ao seu redor será transformada a partir dessa iluminação/mutação interior. Talvez, esteja na hora de você dar uma olhadinha no que diz as Cartas de Cristo.

 

13.   “Utopia achar que tudo vai ser mil maravilhas na forma onde tudo é transitório e muda o tempo”

Sério que tudo é “transitório e muda o tempo todo”? A mesma coisa que Buda disse há dois mil e quinhentos anos? Ou seja, o óbvio. Preciso mesmo seguir um livro estranho como esse para ver o que é tão óbvio e ululante?

 

14.   “Até se levarmos essas histórias de Jesus como verdade veremos que até pra ele próprio não foi mil maravilhas, mas com o reconhecimento da verdade imutável pouco importa o que aconteceu em um mundo onde tudo passa. “

Essa foi a “cereja” do bolo.  Pouco importa o que aconteceu? Talvez para você pouco importe mesmo. Mas não para ele. Segundo as Cartas a dor e o sofrimento foram tão grandes que ele evitou entrar em detalhes sobre o ocorrido durante a canalização das Cartas devido ao trauma que sentiu e as vibrações pesadas que ainda podiam ser sentidas ao reviver aqueles fatos. E mesmo sendo o Cristo, o Avatar dos Avatares, doeu e muito. Mas o livro de vocês, pelo que me parece, nega o sofrimento não é? Estranho isso, não? Pois no caso de uma pessoa comum, vocês podem dizer que ela sofre devido “ao não reconhecimento da verdade”. Mas isso vocês não podem dizer sobre Cristo.

 Além disso, se vocês disserem que Cristo sofreu por não reconhecer a tal “verdade”,  vocês tirariam a “autoridade” de Cristo e, consequentemente, do próprio livro que vocês dizem ser de autoria dele. Como ele pode defender uma coisa que ele mesmo não viveu?  A outra opção seria assumir uma falha na personalidade terrena de Cristo. Mas tal coisa não existe no livro de vocês. Existe para o ser humano comum, mas não para o Cristo. Defender essa última opção seria dar um tiro no próprio pé.

15.   “Esse papo das Cartas de Cristo ainda falam muito de dualidade, não vejo nada de Não-Dual.”

Engraçado, eu digo a mesma coisa sobre o UCEM. Aliás, é ele que está sempre dividindo tudo ao longo do livro ao falar de: ego x Espírito Santo; Inspiração x fadiga, luz x escuridão, miséria x alegria, professor x aluno, ego x “Ser”. Além disso, o autor passa o livro todinho condenando o EGO, apesar de se dizer contrário aos julgamentos e condenações. Estranho, não?

 

16.   E por último:”… Mas respeito e que pode ser um caminho totalmente útil para determinadas pessoas em determinados momentos, assim como o Ucem também pode ser útil para determinadas pessoas em determinados momentos, até porque tanto os livros quanto qualquer coisa que qualquer pessoa fale, serve apenas como apontamento e que cada um vai reconhecer a verdade diretamente.”

Sim, concordo parcialmente com você. Livros como o UCEM, O Poder do Agora, O Livro de Urântia, O Caibalion, etc. podem realmente ser úteis em algumas situações específicas. Mas discordo totalmente que eles podem lhe revelar a verdade, muito menos através do tal “reconhecimento”.

 

 Abraços e obrigado pela oportunidade de esmiuçar tudo isso!

 

Link do meu vídeo sobre o UCEM e as Cartas de Cristo no Youtube:

https://youtu.be/xmrnf-Mv5oA?si=hKLkxjddnbyRYUnG

terça-feira, 1 de outubro de 2024

" A OBSERVAÇÃO SEM OBSERVADOR - A ESSÊNCIA DOS ENSINAMENTOS DE kRISHNAMURTI" NOVO LIVRO DE ALSIBAR PAZ



Para alcançarmos a totalidade de uma percepção gravada em qualquer mídia — seja escrita, oral, em vídeo ou áudio — é fundamental termos alguém que não esteja separado da época e da interconexão social do momento da transmissão. Um instrutor busca auxiliar as pessoas que vivem naquele contexto histórico e o impacto causado nas futuras gerações é uma consequência natural de sua ação solícita em promover uma vida social embasada na inteligência amorosa, fraternal e cooperativa.

 

Por exemplo, o emissário Paulo de Tarso conseguiu traduzir em sua vida e escritos, a essência de Cristo: profundamente amoroso e benigno para com todos os povos, muitas vezes rigoroso com as autoridades religiosas de sua cultura. Após o seu grande despertar, Saulo alcançou uma maior percepção da mensagem de Cristo compreendendo as injustiças e divisões que ele tanto combateu, injustiças essas que ele próprio, quando ainda era um extremista religioso, cometeu.

 

Avançando para a nossa era e falando de Jiddu Krishnamurti, é fundamental entender o mundo em que ele atuava: um cenário de guerras mundiais, corrupção religiosa, afloramento da psiquiatria e psicanálise, surgimento de diversas teorias científicas com grandes impactos na medicina e tecnologia. Além disso, havia uma invasão de sociedades filosóficas e espiritualistas, criando um sincretismo entre dogmas, culturas e pensamentos orientais e ocidentais, resultando em impactos profundos nos ensinamentos tradicionais como a Yoga e a meditação, com seus inúmeros autoproclamados gurus e líderes espirituais.

 

Hoje, em meio à transformação gerada pela internet, computadores e smartphones, enfrentamos um excesso de informações fragmentadas, gerando, muitas vezes, desinformação. A ideia de misturar tudo e criar uma "vitamina" para livrar o ser humano da angústia é ilusória. Nesse contexto, a Sabedoria Universal trouxe pessoas como o Professor Alsibar Paz com a missão de organizar e colocar cada coisa em seu devido lugar. Num momento em que há muita confusão sobre a equivalência entre os ensinamentos de Osho e Krishnamurti, é vital que alguém com a vivência e percepção profunda desses movimentos possa esclarecer e orientar acerca do caminho do  correto aprendizado, ou seria melhor dizer, desaprendizado?

O Professor Alsibar, com sua experiência e  profundo entendimento, afirma categoricamente que há grandes diferenças entre os ensinamentos de Jiddu Krishnamurti e os líderes da Nova Era — algo que ele pode afirmar com propriedade devido à sua experiência, práticas e vivência nesses movimentos. Muitos, como eu, já foram seduzidos por palavras bonitas e poéticas de escritores e líderes espirituais famosos. Essas palavras servem, muitas vezes,  como um anestésico para nossos conflitos internos, mas não nos libertam do ciclo vicioso do conflito, hipnose, torpor e prazer.

 

Imaginemos que estávamos na Galileia ouvindo o Sermão da Montanha diretamente de Cristo há dois mil anos. Embora maravilhados, nosso intelecto não conseguia traduzir completamente aquilo que ouvimos. Depois, ao longo dos séculos, ouvimos muitas inverdades sobre Cristo e a humanidade acabou esquecendo suas palavras. Hoje, ouvimos que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, ou que o “observador é a coisa observada”. Mas apenas saber recitar essas palavras não nos garante nada.

Então, por que ainda vivemos em sofrimento e conflito? Por que não existe uma transformação individual e social que faça da vida uma escola onde possamos aprender a cada dia e momento? Como alguém pode defender uma ideologia política e, ao mesmo tempo, citar Krishnamurti ou afirmar que existe um método de meditação krishnamurtiano?

Tais incongruências são esclarecidas pelo Professor Alsibar neste livro. Uma obra incrível e factual, nascida da didática e da busca de um homem comprometido em aliviar o sofrimento humano, elucidar dúvidas e que é, ele mesmo, a prova viva das suas descobertas e constatações. Ele fala com propriedade, verdade e simplicidade sobre assuntos tão complexos que ficamos perplexos e com aquele sentimento de : " poxa era só isso? Agora tudo faz sentido! ”

Os apontamentos deste livro são frutos de uma vida dedicada ao ensino e à busca sincera pela percepção clara e simples da espiritualidade. Muitos deles são respostas a questões propostas por pessoas em diálogos. De uma forma única e original,  o professor nos proporciona explicações que servem para todas as gerações, independente se a pessoa conhece Krishnamurti há anos ou nunca ouviu falar dele. A vida é exaltada nesta obra de uma forma que abrange todos os campos da nossa mente, independentemente da profissão, crença ou formação. O único requisito para a leitura deste livro é ser humano. Se você deseja ter um encontro profundo e genuíno com a sua humanidade, é isso que encontrará nas páginas seguintes.

Já para os fãs e admiradores de Krishnamurti, o autor  possibilita uma tradução fidedigna do grande instrutor indiano, graças ao seu profundo conhecimento do inglês e a vivência direta  dos ensinamentos. Meu propósito com estas palavras é unicamente incentivar aqueles que estão na caminhada espiritual a se aprofundarem em cada apontamento aqui publicado. Não percam a oportunidade de perceber, aprender e desaprender.

É uma grande oportunidade, e se este livro chegou até nós, é porque a graça nos sobreveio.

Por: Paulo Pacheco

Link para adquirir o livro em formato ebook pela Amazon:

https://a.co/d/bWQmxQE

 

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

A VIAGEM CÍCLICA DO DESPERTAR by Alsibar Paz

 

Quando começamos a busca espiritual imaginamos que ela é uma viagem única com começo, meio e fim. Nada mais equivocado. O problema é que só vamos descobrir isso muito tempo depois com o despertar. E, como nem todos despertam, dificilmente ficam sabendo disso. A viagem do despertar é marcada por vários ciclos e fases que terminam e se abrem para novas experiências, perspectivas e percepções.

Portanto, imaginar que a pessoa irá passar alguns anos investigando, conhecendo gurus, praticando métodos e "sadhanas" até se iluminar e tornar-se um mestre espiritual famoso e rico - não passa de uma grande ilusão alimentada pela cultura, literatura e por nossos próprios desejos. Como bem representado no ' Pastoreio do Touro' Zen, depois do despertar, o sujeito volta para a sua vida comum, se íntegra à sociedade, sem nenhum traço ostensivo de iluminação.

Isso explica muita coisa. Por exemplo: muitos têm um despertar na juventude ou adolescência, depois esquecem e vão viver suas vidas ' comuns'. Outros, seguem uma vida dedicada à espiritualidade, mas então vêm as demandas da sociedade moderna, a fama, o dinheiro e acabam 'caindo' vítima de forças que não aprenderam a lidar. Algumas vezes, se metem em escândalos, problemas e até crimes que terminam por destruir sua carreira de guru ou instrutor espiritual.

Toda essa reflexão nos leva à seguinte conclusão: nem todos seguirão a carreira de "guru" após o seu despertar. E o motivo é simples: só depois que a pessoa desperta para a verdade acerca de si mesma, é que ela vai encontrar sua verdadeira vocação que pode não ter nada a ver com espiritualidade. O sujeito pode ser "chamado" a aprender novas lições e desenvolver novos potenciais na família, no matrimônio, na gestação de um filho, na arte, na educação, medicina, tecnologia, ciência, comunicação social, engenharia ou qualquer outra área/atividade. Tudo depende do 'chamado', da vocação e do momento/fase de cada um.

A verdade é que o despertar nada mais é do que ciclos de aprendizagem que se completam e finalizam, mas que se abrem para novos e maiores percepções em ciclos de aprendizagem sem fim.

Alsibar Paz

16/11/23

Participe do nosso grupo de MENTORIA para o DESPERTAR pelo whatsapp *. Adicione:

085 99246 7667.

*As contribuições são voluntárias.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

A CARTA DO LOUCO : O IMPULSO PARA O DESCONHECIDO


A CARTA DO LOUCO : O IMPULSO PARA O DESCONHECIDO 

By Alsibar Paz 

A carta do louco representa o impulso para o desconhecido, para o novo, para a mudança. Por ser a primeira carta do jogo, é ela que dá início à 'jornada do louco'  que é o próprio Tarô simbolizando a vida. É esse impulso em nós que nos empurra para o movimento, impedindo que caiamos na mesmice, no comodismo, na estagnação.

Vemos a energia psíquica do louco em ação em diversos momentos importantes de nossa vida sendo, o nascimento, a mais representativa delas. Quando o bebê nasce e se joga em um mundo desconhecido, cheio de perigos e possibilidades, lá está o arquétipo do louco em ação. Quando o filho, já adulto, deixa a proteção e segurança do lar, em busca de seu próprio destino, está lá o impulso do louco. Quando se casa e abraça uma nova etapa na vida de incertezas e novas perspectivas, nem sempre seguras, lá está o poder do louco. Quando, depois de anos casado, se separa por algum motivo e busca um novo relacionamento - é o louco atuando de maneira profunda nos recantos secretos da psique. Quando morremos e mergulhamos na dimensão desconhecida da morte, eis o louco presidindo nossa cartada final.

Você pode negar ou neutralizar o poder do louco em sua psique. Ninguém é escravo dos arquétipos psicológicos. Mas eles têm uma razão e função e, por isso, quando ignoramos o louco em nós, a vida pode, de repente, perder o sentido, a beleza e a magia. Quem nunca se entrega ao poder do 'louco" pode cair no abismo da monotonia,  tristeza e depressão. É o filho que nunca saiu da ' barra da saia da mãe' por medo e insegurança. É o casal que se mantém juntos mesmo infelizes e se odiando. É a pessoa que fez um concurso por causa da estabilidade financeira mesmo sem identificação com a profissão, mas se agarra àquela posição infeliz por causa da  segurança do cargo. É a pessoa que nunca muda de casa, de bairro ou cidade por medo do que possa encontrar. E assim por diante.

O Louco em nós tem dois aspectos: o negativo e o positivo. No primeiro caso, é o risco imaturo e irresponsável. Pessoas dominadas pelo aspecto negativo do louco não têm prudência, cuidado ou limites. Estão sempre procurando problemas, situações arriscadas e perigosas que, amiúde, terminam em tragédia, doença ou morte. Já em seu aspecto positivo, o louco aparece para nos dizer que é hora de se expandir, de se arriscar, de mudar,  crescer e amadurecer. 

No aspecto espiritual, o  louco representa aquele estranho impulso para o Desconhecido. Ou aquele momento em que o ego está para abandonar suas crenças, conceitos e conhecimentos para, finalmente, mergulhar na vastidão desconhecida do Silêncio. Já em termos premonitórios, o louco aponta para possibilidades de grandes mudanças na vida : um novo relacionamento, mudança de casa, cidade, casa, emprego, escola, viagem, etc.

Para podermos aproveitar todo potencial criativo do louco é preciso equilibrá-lo com a sensatez, a razão e a prudência. É um exercício constante de auto análise. Afinal: esse impulso é legítimo ou está apenas me levando para o abismo? Ele surge em boa hora ou é precipitado?

É isso que cada um deve analisar e responder  no seu dia a dia toda vez que  este impulso maravilhoso se manifestar. Ao ser  bem compreendido e liberado na hora certa, ele poderá nos proporcionar grandes lições que culminará em uma vida plena de significado , propósito e satisfação.

Alsibar Paz!

Tarólogo e Psicanalista 

@alsibarpaz

Consultas on-line : 085 99246 7667