quinta-feira, 7 de maio de 2020
sexta-feira, 1 de maio de 2020
quinta-feira, 23 de abril de 2020
UM DIÁLOGO SOBRE O INSIGHT
Nesse diálogo, eu converso com o Juninho- um amigo e buscador sincero -
sobre o tema do “insight”. Devido a importância e o papel fundamental desse assunto para a jornada espiritual, resolvi disponibilizá-lo aqui para que todos
os buscadores sinceros possam se beneficiar, ou tirarem algum proveito dele.
Boa leitura e comentem à vontade!
Juninho: Na sua experiência pessoal, existe algo que pode ser dito estando além da mente e do pensamento, um algo
que não depende de esforço, nem de raciocínio, um algo presente por si só?
Alsibar: Sim,
claro. Isso é dito desde Buda. E eu também vi por mim mesmo que isso existe. O “insight”
é isso.
J: Mas isso é passível de ser
perdido ou depende das condições mentais? Há Algum momento que você não está
nisso e no outro penetra nisso mediante alguma atitude mental?
A: Isso não é
"perdido", nem "achado” porque não é uma "coisa" - não é como um objeto que você pode achar ou perder. Não é
possível afirmar que isso dependa das condições mentais ou não- pois parece não depender de nada. Isso vem
por si mesmo, e também se vai da mesma forma que veio. Vamos pensar numa
analogia: o insight é como um raio. Nem todo raio toca o chão, mas há aqueles que
são tão poderosos que acabam causando danos
como incêndios e mortes. O insight
é como um raio, ele vem e desaparece. Mas o que ele causa em você vai
depender da intensidade do mesmo. Ele pode trazer uma compreensão parcial de
algo- o que JK chamou de "insight parcial”- o que para ele não tinha muito
valor. Mas os verdadeiros insights têm
poder de destruir/transformar o centro do eu, do ego- o que JK chamou de “mutação”. O insight, assim como um raio, vem e vai. Mas seus resultados ficam ,
permanecem, assim como o raio físico que
deixa seus rastros de destruição por onde passa.
J: Quais os mecanismos pelos
quais isso se vai? Atenção pode evidência-lo? Existem algumas
características que podem trazer a percepção disso? Seria possível que isso se
firmasse? Será que isso veio para JK e ficou?
A: Entenda:
1. o ego não pode controlar nem causar isso. É um
movimento que se origina fora do tempo e espaço. Então não há
"mecanismos" nem para trazer, nem para liberar isso.
2.Não tem nada a ver com a atenção da mente ordinária,
nem do esforço, nem de prática nenhuma .
3. Não há certeza nenhuma nesse campo. É algo sagrado,
como uma espécie de "graça". Ninguém sabe ao certo como ele funciona.
Há apenas suposições pois é um grande mistério.
4. Não se firma, não é fixo, não é morto- é algo
vivo. Pode durar um instante, dias,
meses ou anos.
5. Não. Não ficou em ninguém de forma permanente e
constante. Pelo menos é o que se infere de todos os místicos que li- inclusive
Jesus.
J:
Mas se é assim então não é um algo que está sempre presente sempre disponível?
Sempre experienciável? Como uma luz sempre acesa na qual as experiências
acontecem?
A: Não. Não é algo “experienciável”
. Aquilo que se experimenta não é "isso". Só se pode “experimentar” algo no campo do tempo, do espaço, da memória e da mente. Aquilo que
se pode “experimentar”- como alguém experimenta uma comida, um passeio, ou um
carro- não é “isso”. “ Isso” não tem nada a ver com experiências. Nesse estado
não ha experimentador, nem experiência. Toda divisão cessa. Isso já aconteceu a diversas pessoas. Mesmo àquelas não
religiosas ou espirituais, que nunca leram, nem praticaram nenhum tipo de exercícios espirituais. Mas, por outro lado,
isso também aconteceu a muita gente que tinha sede pela
Verdade. Buda, Jesus, Paulo de Tarso, Santo Agostinho, Padre Pio, UG Krishnamurti,
Dogen, Joyce Collin Smith, Rodney Collin, Vimala Tankar - são alguns desses exemplos.
J:
Mas no momento que isso não está acontecendo, de alguma forma eu sou inferior
ou menos luz e vida em relação ao estado de quando isso está acontecendo?
A: Sim , claro. O que difere o insight que eu tive ano passado do de Jesus por exemplo ? A
intensidade, a força, o poder. O que
difere os insights que eu tive na
adolescência desse último? A mesma coisa : esse último, por ter sido mais forte,
trouxe mudanças mais drásticas e profundas.Quanto mais intenso é o insight mais revelador e transformador
ele será.
J:
Acho que você está se contradizendo agora .
A:
Por que?
J: Você cita esses estados
como bons, desejáveis, bem vindos, agradáveis. Mas você já me disse que o
desejar esses estados causa prisão, apego... e agora?
A: Ótima pergunta. Você não pode desejá-lo. Você
só pode desejar uma coisa : conhecer a Verdade. Se desejar esse estado,
provavelmente nunca o encontrará. Mas se desejar conhecer a Verdade certamente a
encontrará. Todos que desejaram com toda sinceridade do coração conhecê-la, encontraram-na. Todos que tenho conhecimento tais como :Buda, Jesus,
Santo Agostinho, O Canal das Cartas de Cristo, UG Krishnamrti etc etc- dentre outros.
J: Olha como são as coisas. O curioso é que Sua
experiência é a mesma descrita no advaita
* a forma que você explica é similar ao advaita,
apenas não usa os mesmos termos.
A:
Pois é, mas quando falo sobre isso, que essa compreensão é a verdadeira não-dualidade,
ninguém acredita. Por isso prefiro nem
citar o advaita. Tem sempre um guru,
ou um “especialista” pra discordar de mim. Também não dou muita importância a
isso. Não estou aqui pra provar nada a ninguém e nem quero convencer ninguém de
nada.
J: Eu
acredito. E se você disse aquele dia que eu tenho algum entendimento de advaita. Eu declaro que você realizou
aquilo que o advaita aponta.
A: Grato amigo! Fica na paz!
(Editado e revisado por Alsibar)
* Advaita quer dizer “não-dualidade” e se refere ao ramo
do Vedanta que defende a não- dualidade como essência última da existência.
Repostagem permitida desde que seja dados os devidos
créditos e o endereço eletrônico da postagem:
https://alsibar.blogspot.com/2020/04/um-dialogo-sobre-o-insight.html
https://alsibar.blogspot.com/2020/04/um-dialogo-sobre-o-insight.html
quinta-feira, 16 de abril de 2020
quinta-feira, 2 de abril de 2020
quinta-feira, 26 de março de 2020
sábado, 14 de março de 2020
Ramana Maharshi: sobre a “consciência sem escolha” de Krishanmurti
(Encontrei esse raro relato
em Inglês e resolvi repostá-lo aqui.
Apesar de não concordar nem com a pergunta – que afirma que Krishnamurti ensina
um “método”- nem com a resposta de Ramana- que defende a importância do esforço
na meditação, além do que, pelo que me parece, noutras conversas o próprio Maharshi
dispensa o “esforço” da meditação- fica aí o registro dessa conversa, no
mínimo, inusitada- Alsibar)
Um jovem de Colombo, no Ceilão, disse a Bhagavan:
J. Krishnamurti ensina
o “método” da consciência sem esforço e sem escolha como distinto do da
concentração deliberada. Sri Bhagavan ficaria satisfeito em explicar como
praticar melhor a meditação e qual a forma que o objeto da meditação deve
assumir?
Ramana Maharshi: A consciência sem esforço e sem escolha é a
nossa natureza real . Se pudermos atingir esse estado e permanecer nele, tudo
bem. Mas não se pode alcançá-lo sem esforço, o esforço da meditação deliberada.
Todas as vásanas antigas (tendências
inerentes) voltam a mente para objetos externos. Todos esses pensamentos devem
ser abandonados e a mente voltada para dentro e isso, para a maioria das
pessoas, exige esforço. Obviamente, todo professor e todo livro diz ao
aspirante que fique quieto, mas não é fácil fazê-lo. É por isso que todo esse
esforço é necessário.
Mesmo que encontremos alguém que tenha alcançado esse estado
supremo de quietude, você pode considerar que o esforço necessário já havia
sido feito em uma vida anterior. Portanto, a “consciência sem esforço e sem
escolha” só é alcançada após a meditação deliberada. Essa meditação pode
assumir qualquer forma que mais lhe agrade. Veja o que ajuda você a afastar
todos os outros pensamentos e adote isso para sua meditação.
segunda-feira, 9 de março de 2020
KRISHNAMURTI FALA SOBRE GURDJIEFF
O LÍDER ESPIRITUAL
Disse que seu guru era um homem grande demais para ser descrito, e que tinha sido seu discípulo por muitos anos. Este
instrutor —
prosseguiu — transmitia seus ensinamentos por meio de
choques brutais,
linguagem grosseira, insultos e ações contraditórias;
e, acrescentou,
muita gente importante se contava no número dos
seus discípulos.
A própria rudeza dos seus métodos compelia as
pessoas a
pensar, obrigando-as a ficar acordadas e a refletir, o que
considerava necessário, pois a
maioria das pessoas estão dormindo
e precisam ser sacudidas. Este
instrutor dizia coisas terríveis a
respeito de Deus, e parece que seus discípulos tinham de beber
muito, porque ele próprio bebia excessivamente às refeições.
Seu ensino, entretanto, era
profundo; durante algum tempo fora
mantido secreto; mas agora estava
sendo posto ao alcance de todos.
O sol daquele fim de outono
entrava pela janela junto com o
barulho da rua movimentada. As
folhas das árvores brilhavam na sua
palidez mortal e o ar era frio e
cortante. Como acontece em todas
as cidades, reinava uma atmosfera
de depressão e indizível tristeza,
em contraste com a luz
crepuscular; e a alegria artificial era, por isso
mesmo, mais triste ainda.
Parecemos ter esquecido o que é ser
natural, o que é sorrir
francamente; nossos semblantes mostram-se
fechados pelas preocupações e
ansiedades. Mas as folhas cintilavam
ao sol, e uma nuvem ia passando.
Até nos chamados movimentos
espirituais são mantidas as divisões
sociais. Com quanta solicitude é recebida uma pessoa importante,
e se lhe cede o melhor lugar!
Como os seguidores se quedam extáticos
ao redor dos famosos! Que fome
nós temos de distinções e
rótulos! Esta ânsia de distinção
se torna o que chamamos de evolução
espiritual: os que estão perto e
os que estão longe, a divisão hierárquica
de Mestre, iniciado, discípulo,
noviço. Esta ânsia é natural e
compreensível na vida ordinária;
mas, quando esta mesma atitude
é transportada para um mundo onde
estas distinções estúpidas nada
significam, isso revela o quanto estamos profundamente condicionados
pelas nossas ânsias e apetites.
Sem a compreensão destas ânsias, é totalmente
inútil procurar ficar livre do
orgulho.
“Mas” — prosseguiu ele — “
necessitamos de guias, gurus, Mestres.
Podeis estar acima desta
necessidade, mas nós, pessoas comuns,
precisamos deles pois, do
contrário, seremos como ovelhas desgarradas.”
Escolhemos os nossos guias- políticos ou espirituais- a partir da
nossa confusão, e, por
conseguinte, eles também estão confusos. Queremos
ser persuadidos e confortados,
estimulados e lisonjeados, e por
isso, escolhemos um Instrutor para
nos dar o que
desejamos com tanta ânsia. Não queremos
investigar a Realidade, mas andamos atrás
da satisfação e da sensação. É essencialmente por autoglorificação que criamos
o instrutor, o Mestre; e sentimo-nos
completamente desorientados,
confusos e ansiosos quando o eu é negado. Se não
tendes nenhum instrutor físico direto,
inventais um Mestre secreto e misterioso que está muito distante. O primeiro depende de
várias influências físicas e emocionais,
e o segundo é uma autoprojeção,
um ideal criado por vós mesmos;
ambos, porém, são
resultados de vossa escolha, e a
escolha se baseia,
invariavelmente, no preconceito, na discriminação. É
provável que prefirais dar um nome
mais respeitável e mais confortável
ao vosso preconceito, mas é por
causa da vossa confusão e dos vossos
apetites que escolheis. Se
buscais satisfação, achareis naturalmente o
que desejais, mas não chameis isto de verdade.
A verdade desponta depois que se
acaba o desejo de satisfação, o desejo de sensação.
“Não me convencestes de que não
necessito de um Mestre” —
disse ele.
A verdade não é uma questão de
argumentos e convicção; não
é produto de opinião.
“Mas o Mestre me ajuda a vencer a
ambição, a inveja” —
insistiu.
Pode um outro, por maior que
seja, ajudar-vos a operar uma
transformação em vós mesmo? Se
pode, não ficais transformado;
ficais apenas dominado,
influenciado. Esta influência poderá durar
muito tempo — mas transformado
não estais. Fostes conquistado,
e, quer tenhais sido conquistado
pela inveja ou por uma influência
supostamente nobre, continuais a
ser escravo e não um homem livre.
( gostamos de ser servis, de ser
dominados por alguém, um Mestre ou
qualquer outro, porque achamos
segurança neste estado. O Mestre
se torna o nosso refúgio. Dominar é ser dominado; entretanto, dominação
não é libertação da ambição.
“Eu tenho que resistir à ambição” —
dizia — “ tenho que lutar com
veemência, fazer todos os esforços para
destruí-la, pois só então ela desaparecerá.”
Pelo que dizeis, deveis estar em
conflito com a ambição há muitos
anos e, no entanto, não estais
liberto dela. Não afirmeis que
isto é por não haverdes lutado,
ainda, com a necessária energia —
que é a resposta obvia. Pode-se
compreender alguma coisa por meio
do conflito? Vencer não é compreender. Uma coisa que se vence
tem de ser vencida de novo,
repetidamente, mas a que se compreende
completamente, desta ficamos
livres. Para compreender, é necessário
o percebimento do processo da
resistência. Resistir e muito mais
fácil do que compreender; e, além
do mais, somos educados para
resistir. Na resistência não há necessidade de observação, de reflexão,
de comunhão; a resistência é um
indício do estado de embotamento da
mente. A mente que resiste é egocêntrica e, portanto, incapaz de sensibilidade,
de compreensão. Compreender a
resistência e seu modo de
operar, é muito mais importante do
que nos livrarmos da ambição.
Na realidade, não estais
escutando o que estou a dizer; estais pensando
nos muitos compromissos
resultantes de todos estes anos de luta e
resistência. Estais comprometido
e, em torno dos vossos compromissos
— a respeito dos quais
provavelmente já tendes feito conferências
e publicado muitos
escritos — tendes granjeado amigos;
“investiste vosso capital” no
vosso Mestre que vos tem ajudado a
resistir. Por esta razão o
passado vos impede de escutar o que se
está dizendo.
“Concordo e discordo de vós” —
observou.
O que demonstra que não estais
escutando. Estais confrontando o que se diz com
os vossos compromissos, e isto não é escutar. Tendes
medo de escutar e, por isso, estais
em conflito, concordando e discordando
ao mesmo tempo.
“Talvez tenhais razão” — disse
ele — “ no entanto, não posso largar
tudo o que juntei — amigos,
conhecimentos, experiência. Sei que
tenho de fazê-lo, mas
simplesmente não o posso- aí está.”
O conflito existente dentro deste
homem continuará agora maior
do que nunca; se, depois de ficar
cônscia do "que é", embora relutantemente,
uma pessoa o nega por causa dos
seus compromissos, começa
a operar uma contradição
profunda. Esta contradição é dualidade.
Não se pode lançar uma ponte
entre desejos opostos e, se esta ponte
é criada, é resistência, ou seja,
conformidade. Só na compreensão do
que é, encontra-se a
libertação do que é.
É um fato singular este: os
seguidores gostam de ser intimidados
e dirigidos, suavemente ou com
rudeza. Acham que o tratamento
rude faz parte de seu treinamento
— treinamento para o sucesso
espiritual. O desejo de ser
maltratado, sacudido rudemente, faz parte
do prazer de maltratar; e esta
mútua degradação do guia e do
seguidor é produto do desejo de
sensação. É por desejardes mais
sensações que quereis seguir,
e portanto criais um guia, um guru; e
por causa desta nova satisfação
fareis sacrifícios, suportareis desconfortos,
insultos e desencorajamentos. Tudo
isto pertence à exploração
mútua, não tem nada a ver com a
Realidade, e jamais conduzirá à
felicidade.
Do livro “ Comentaries on living Series 1- página 98”
(Revisão da tradução feita por Alsibar)
domingo, 8 de março de 2020
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