sábado, 23 de maio de 2020

DIÁLOGO SOBRE O VÍCIO DO VAZIO!



O “vício no vazio” é um dos maiores problemas dos buscadores imaturos e inexperientes. Nesses casos, o vazio mental é usado como uma espécie de fuga à realidade da vida, da agitação da mente e da dor psicológica  que tudo isso provoca. No diálogo abaixo, eu converso com um amigo que prefere ser chamado apenas de “Juninho”. O drama que ele viveu me parece ser o mesmo de muita gente, por isso, achei importante postar o diálogo aqui no blog para servir de ajuda e orientação para buscadores que estejam passando pela mesma situação. (Alsibar)

Juninho Alves: Olha que frase bonita eu recebi agora há pouco: “No dia em que não houver perguntas nem respostas dentro de você, e você estiver apenas sentado aqui, vazio, você voltou para casa — foi da ignorância à inocência.- Osho, em "Iluminações da Alma"

Alsibar: É linda mesmo mas está parcialmente correta. O problema do Osho é que ele misturava verdades com mentiras. Ele falava algo muito profundo e verdadeiro mas logo depois vinha alguma besteira.  Penso que essa frase ficaria mais correta assim:

No dia em que não houver perguntas nem respostas dentro de você, e você estiver apenas sentado aqui. E não houver nem mesmo o vazio, você perceberá que na verdade nunca saiu de  casa e que esse pensamento era apenas uma ilusão, ignorância. Perceber todo esse movimento ilusório é sair da ignorância para a inocência ou estado original apontado por Jesus quando se referiu às crianças e ao Reino dos Céus.

Às vezes acho que o Osho fazia isso de propósito .Esse negócio de "vazio" pode se tornar um perigo quando não compreendido corretamente.

 Juninho Alves : Por que você não faz um vídeo tratando sobre esse tema do vazio?

Alsibar: Às vezes penso que assuntos desse tipo não agradam muito às pessoas porque são muito profundos e específicos.  Parece só fazer sentido pra buscadores maduros e sérios como você. O que você acha?

Juninho Alves : Bom voce está certo, por isso que quanto mais pessoas você quiser atingir, mais básico tem que ser o ensino. Mas há pessoas de todos os níveis que assistem aos seus vídeos não acha?

Alsibar: Verdade. Juninho! Então, me diz aí uma questão que antes de me conhecer não estava muito clara para você e que agora está?

Juninho Alves : Rapaz... Tu já me esclareceu tanta coisa... Eu lembro que o principal era aquele condicionamento espiritual da minha má  interpretação do ensino de Ramana. Lembro-me que eu estava convicto de que deveria permanecer todo o tempo me esforçando para permanecer num estado paradisíaco  conhecido como estado de vazio ou samadhi contínuo , e você me esclareceu isso... Foi como tirar um fardo da minhas costas! Mas meu entendimento estava equivocado. Eu não afirmo que Ramana ensina esse esforço ilusório, mas era o que eu entendia.

Alsibar: Juninho, esse teu relato é muito importante. Fala ai sobre a relação entre atenção e o vazio- como você vê isso hoje?

Juninho Alves : Cara, é essa obrigação que a gente se auto impõe de estar sempre “atento”Foi disso que você me “libertou”. Como eu te falei, eu pensava que o permanecer no vazio era um fim em si.

 Alsibar: E então o que você fazia?

Juninho Alves: Eu estava viciado nesse vazio porque trazia muita paz. Ele é o lado oposto da mente confusa e agitada. E, é claro, focado que estava, eu não percebia que esse vazio era também um outro objeto que eu estava percebendo. Eu pensava que o vazio era minha real natureza. Eu pensava que quando eu saía desse vazio eu estava em “maus lençóis”. E isso causava frustração. Eu vivia “gangorrando” entre a paz do vazio e a frustração da mente que se agitava quando o esforço cessava. Eu pensava que eu deveria consolidar o vazio de uma forma contínua e permanente e não sei porque eu não aceitava o pensamento como algo normal... para mim era um estorvo pensar.

 Alsibar: Muito interessante. E como você está agora?

Juninho Alves : Agora, eu não ligo mais. Agora o “vazio e o pensamento” não têm diferença- são instrumentos. Mas, foi muito difícil sair desse vício porque bastava eu me deitar ou meditar que a mente já queria cair no vazio de novo.

 Alsibar: E como está agora? Está melhor do que antes?

Juninho Alves: Claro que está. Agora eu estou muito me sentindo muito mais livre porque estou livre da obrigação de permanecer no vazio a todo instante. Obrigação essa que eu mesmo, meio que, me auto impus devido a um entendimento incorreto daquilo que o advaita ensina.

Alsibar: Verdade. Muito interessante seu depoimento. Você diria que agora tem paz?

Juninho Alves:: Isso. Porque você sabe que eu sou teimoso e gosto de caminhar com minhas próprias pernas, por isso eu segui esse caminho errado por um longo tempo.

 Alsibar: “Vício” é uma  palavra que define bem isso.

Juninho Alves: Mas, olhando para o passado, eu vejo que isso aconteceu porque eu fui muito torturado pelo pensamento acelerado, pelo pensamento sem controle, desenfreado que causava sofrimento. Por isso, o vazio da mente foi tão fascinante pra mim, ele foi refrescante . Hoje eu vejo que esse vazio não é um problema em si ,até porque ele é meu amigo. O problema era que eu o desejava a todo custo e acima de todas as coisas, e quando a mente pensava, eu me sentia derrotado entende? Como se eu estivesse perdendo a luta para a mente. Cara hoje eu olho pra trás e vejo o absurdo disso!


 Alsibar:  Mas, com o tempo,  esse vazio se tornou  um  outro drama, um outro problema né?

 Juninho Alves: Sim! Agora, eu estou em paz porque eu não quero nenhuma coisa nem outra, eu não desejo um vazio acima do pensamento comum e normal. Agora, é como se eu tivesse descansando numa rede e vendo a vida acontecer e se desenrolar. Sem entrar em conflito com aquilo que aparece.

 Alsibar: Que lindo!

 Juninho Alves : Você que me apontou isso!

 Alsibar: Então... Já que você descobriu que o vazio não é sua natureza essencial, o que você responderia hoje para alguém lhe perguntasse sobre  isso?

 Juninho Alves: Essa natureza essencial, como eu a vejo hoje, está fora de toda descrição!

 Alsibar: Cara, vejo que você entendeu mesmo! Fico muito feliz com isso. Sinceramente.

Juninho Alves : Eu tenho absoluta certeza que as nossas conversas me auxiliaram muito e aceleraram esse processo. Eu acho que esse vazio é um perigo que todo meditador sério vai cair um dia. Então, se você fizer um vídeo  vai ajudar muita gente.

Alsibar: Certíssimo. Farei sim e vou postar essa nossa conversa no blog pode ser?

Juninho Alves : Claro! Manda brasa!

Alsibar: Obrigado!

vídeo sobre o "vício do vazio" no you tube:

link do vídeo no you tube sobre o vício do vazio:



(Edição: Alsibar)



5 comentários:

  1. Pô, cara ! Estive muito mais. Ainda me cobro. E cansativo. Cria culpa. Cobrança, leva a culpa. Chega a tirar a paz que sinto. Por outro lado, percebo que passou o tempo da meditação. Cessou o esforço, sabe. Agora, a paciência, a espera. Você me tirou um peso, como escreveu o Juninho. Muito agradecido

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    1. Olá Euclides, obrigado por sua participação e palavras amigo. Seu feedback foi valioso pois mostra a importância desse trabalho! Abraços e fica na paz!

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    2. Parabéns por ajudar Juninho, ilustre amigo, a quem conheço desde de pequeno. Pessoa franca, inteligente e sensível. Arremato: o Real Ser, foi, É, é sempre será. Namastê.

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    3. Obrigado pela participação nobre amigo do Juninho- pena que não deixou o nome. Abcs!

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