quarta-feira, 24 de maio de 2023

A CARTA DO LOUCO : O IMPULSO PARA O DESCONHECIDO


A CARTA DO LOUCO : O IMPULSO PARA O DESCONHECIDO 

By Alsibar Paz 

A carta do louco representa o impulso para o desconhecido, para o novo, para a mudança. Por ser a primeira carta do jogo, é ela que dá início à 'jornada do louco'  que é o próprio Tarô simbolizando a vida. É esse impulso em nós que nos empurra para o movimento, impedindo que caiamos na mesmice, no comodismo, na estagnação.

Vemos a energia psíquica do louco em ação em diversos momentos importantes de nossa vida sendo, o nascimento, a mais representativa delas. Quando o bebê nasce e se joga em um mundo desconhecido, cheio de perigos e possibilidades, lá está o arquétipo do louco em ação. Quando o filho, já adulto, deixa a proteção e segurança do lar, em busca de seu próprio destino, está lá o impulso do louco. Quando se casa e abraça uma nova etapa na vida de incertezas e novas perspectivas, nem sempre seguras, lá está o poder do louco. Quando, depois de anos casado, se separa por algum motivo e busca um novo relacionamento - é o louco atuando de maneira profunda nos recantos secretos da psique. Quando morremos e mergulhamos na dimensão desconhecida da morte, eis o louco presidindo nossa cartada final.

Você pode negar ou neutralizar o poder do louco em sua psique. Ninguém é escravo dos arquétipos psicológicos. Mas eles têm uma razão e função e, por isso, quando ignoramos o louco em nós, a vida pode, de repente, perder o sentido, a beleza e a magia. Quem nunca se entrega ao poder do 'louco" pode cair no abismo da monotonia,  tristeza e depressão. É o filho que nunca saiu da ' barra da saia da mãe' por medo e insegurança. É o casal que se mantém juntos mesmo infelizes e se odiando. É a pessoa que fez um concurso por causa da estabilidade financeira mesmo sem identificação com a profissão, mas se agarra àquela posição infeliz por causa da  segurança do cargo. É a pessoa que nunca muda de casa, de bairro ou cidade por medo do que possa encontrar. E assim por diante.

O Louco em nós tem dois aspectos: o negativo e o positivo. No primeiro caso, é o risco imaturo e irresponsável. Pessoas dominadas pelo aspecto negativo do louco não têm prudência, cuidado ou limites. Estão sempre procurando problemas, situações arriscadas e perigosas que, amiúde, terminam em tragédia, doença ou morte. Já em seu aspecto positivo, o louco aparece para nos dizer que é hora de se expandir, de se arriscar, de mudar,  crescer e amadurecer. 

No aspecto espiritual, o  louco representa aquele estranho impulso para o Desconhecido. Ou aquele momento em que o ego está para abandonar suas crenças, conceitos e conhecimentos para, finalmente, mergulhar na vastidão desconhecida do Silêncio. Já em termos premonitórios, o louco aponta para possibilidades de grandes mudanças na vida : um novo relacionamento, mudança de casa, cidade, casa, emprego, escola, viagem, etc.

Para podermos aproveitar todo potencial criativo do louco é preciso equilibrá-lo com a sensatez, a razão e a prudência. É um exercício constante de auto análise. Afinal: esse impulso é legítimo ou está apenas me levando para o abismo? Ele surge em boa hora ou é precipitado?

É isso que cada um deve analisar e responder  no seu dia a dia toda vez que  este impulso maravilhoso se manifestar. Ao ser  bem compreendido e liberado na hora certa, ele poderá nos proporcionar grandes lições que culminará em uma vida plena de significado , propósito e satisfação.

Alsibar Paz!

Tarólogo e Psicanalista 

@alsibarpaz

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sábado, 4 de março de 2023

DEUS AGE NA INCONSCIÊNCIA por Alsibar Paz

 


DEUS AGE NA INCONSCIÊNCIA

Por Alsibar Paz

O pequeno exemplo que vou dar aqui é apenas representativo de um padrão que se repetiu ao longo de toda minha vida, em todas as áreas. Eis o relato:

Todos os dias, eu compro pão na mesma padaria que fica a umas seis quadras da minha casa. Às vezes, quando estou mais cansado e já é tarde, vou de carro. Mas, quando ainda é cedo, gosto de ir à pé. Nessa padaria, não falta  pão sempre novinho e quentinho e, por isso, sempre que posso, vou lá. Hoje, foi um dos dias que decidi ir à pé. A primeira “coincidência” foi que decidi fazer um outro trajeto, passando antes em um mercadinho para comprar banana. A segunda, foi que ainda pensei em pegar uma rua diferente no começo, mas acabei decidindo  ir pela de sempre até certa altura e, de lá, desviar o caminho para comprar as frutas.

Lá na frente, peguei um atalho para o mercadinho das bananas antes de passar pela padaria, quando dobro na esquina, que olho para minha esquerda, tenho um susto. Por alguns instantes, fico totalmente confuso sem entender o que está acontecendo. De repente, a padaria que sempre compro pão — e que faltavam ainda umas quatro quadras para chegar— estava do meu lado, com logotipo, balcão, balconistas e tudo . Ou seja, rapidamente conclui que eles haviam se mudado no final de semana para um local mais próximo da minha casa. Mas, o mais “estranho” nisso tudo, foi eu ter ido exatamente na direção da padaria, por uma rota totalmente improvável, tudo de forma natural e inconsciente.

Ao recapitular todos os grandes eventos da minha vida, vi que eles ocorreram em momentos de inconsciência e espontaneidade : a compra do terreno no qual morei boa parte da minha vida e onde meus irmãos e minha mãe estão morando agora, relacionamentos diversos, conhecer pessoas maravilhosas que foram — e continuam sendo — muito importantes na minha vida, compra de apartamento, concursos, empregos, etc. Tudo veio naturalmente, eu não precisei “pensar” nessas coisas, nem ficar “consciente” para que elas chegassem até a mim. Pelo contrário, vieram em momentos de completo esquecimento de mim mesmo, de forma totalmente despretensiosa, espontânea e inconsciente. Ou seja, aconteceram quando eu não estava  esperando, nem praticando nada, nem técnica, nem meditação nenhuma, tampouco “observando” nada.

Daí, só posso concluir uma coisa: a falácia dos defensores da tal “consciência” como canal de conexão com Deus. Não estou falando aqui sobre "tomar consciência" de um pensamento, um sentimento, uma crença errada, uma contradição, um comportamento inadequado, um bloqueio ou trauma, vê-los, compreendê-los e  depois  “soltá-los” — não é isso. Estou me referindo ao que "todos" os gurus, líderes, instrutores, psicanalistas, influenciadores, youtubers, psicólogos, terapeutas, etc. falam em uníssono: "FIQUE CONSCIENTE !' como se a inconsciência o apartasse  da possibilidade de “ascensão e conexão divina " — o que quer que isso signifique.

O episódio de hoje, apenas me fez relembrar e reafirmar aquilo que já defendi em um capítulo inteiro do meu livro “ Lúmina – A Jornada do Despertar”: essa  “meditação consciente”, como ensinada modernamente, reforça e potencializa o ego. E, por isso, que quanto mais “consciente” você for, menor será a probabilidade de penetração da luz divina com seus insights, intuições e inspirações. Isso  acontece por que o ego funciona como uma espécie de barreira impedindo a passagem da Luz Divina.

A consciência é importante como forma de autodescoberta e autoconhecimento, mas ela não pode ser transformada em uma técnica a serviço do ego. Ela vem por si mesma, naturalmente, ao longo do dia. De repente, nos damos conta de algo errado, contraditório ou inadequado em nós e é essa percepção que nos faz mudar de rumo. Mas isso não tem nada a ver com a “prática da consciência” como um ato intencional, constante e contínuo  resultante da intenção, do esforço e da vontade. Não. Nesse caso, não é meditação. É apenas o ego se autoenganando, se autorreforçando e se autoiludindo.

Alsibar Paz

27/02/23

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quarta-feira, 23 de novembro de 2022

A LIBERTAÇÃO DA MORTE - Estudos Avançados do Krishnamurti libertação da ...

QUANDO A MEDITAÇÃO SE TORNA UMA PRISÃO by Alsibar Paz

Uma das grandes descobertas do caminho espiritual é, sem dúvidas, a Meditação. Praticada por monges e adeptos de quase todas as religiões, meditar traz benefícios não só espirituais, mas também físicos. No campo terapêutico, ela ajuda a diminuir o stress, a pressão alta, insônia, ansiedade, nervosismo; melhora  a concentração, o equilíbrio, etc. além de vários outros benefícios para a saúde e o bem estar. Todavia, no campo "espiritual' ou 'psicológico', sua ação é bastante limitada.

Para entender esse problema é preciso saber o que é Meditação. Meditar é uma técnica ou ação que visa a um resultado. Por exemplo, se tenho algum medo, ou fico muito nervoso diante de alguma situação - puxar papo com alguém, falar em público, andar de avião, etc.- a meditação ajuda a estabilizar a mente, levando-a a um estado de maior equilíbrio e relaxamento. 

Durante a meditação, a mente tende a se acalmar por conta da desaceleração causada por pequenas ações como, por exemplo, a observação da respiração, dos pensamentos, do silêncio mental, do momento presente, etc. Em todos esses casos, há sempre um 'fazedor", uma entidade, um 'eu' atuando sobre a realidade, além de um objetivo - aquilo que pretendo alcançar: calma, equilíbrio, paz, saúde, autocontrole, etc. É importante notar que há sempre uma dualidade (eu e o problema que quero resolver ) e um conflito entre 'aquilo que é ' (o fato, a realidade) e aquilo que 'deveria ser' ( o ideal, o objetivo). Para aqueles que buscam resultados de ordem física e psiquíca, a meditação é perfeita como parte da terapia. Mas se você busca resultados de ordem espiritual, a meditação técnica tem pouca utilidade, podendo, inclusive, tornar-se um obstáculo.

Explico: se você procura a Verdade, Realidade, Deus, iluminação ou despertar espiritual, então a meditação poderá até lhe ajudar no começo, mas depois terá que ser abandonada. O motivo é bem simples: se você anseia transcender a dualidade, alcançando a unidade, a meditação - enquanto prática ou técnica - mantém justamente aquilo que você quer se libertar. Como já citei antes, na meditação existe um 'meditador' manipulando conscientemente uma técnica, visando um determinado fim. A dualidade será mantida enquanto psicologicamente houver um observador (eu) de um lado e a coisa observada (situação que quero me livrar) do outro. E também enquanto existir o 'agora' e o 'futuro" que é aquilo que pretendo alcançar ( tempo psicológico). Como sair desse dilema?

É o seguinte: na verdadeira Meditação não pode haver prática, nem praticante, nem técnica nenhuma ( incluindo a tal da observação dos pensamentos ou do agora). No verdadeiro estado meditativo não existe um  ' eu' consciente da meditação, do problema, do agora ou do objetivo futuro, pois todos esses elementos são verdadeiras prisões para aqueles que buscam a libertação do tempo, do conflito e do ego.

Tudo isso é confirmado por Krishnamurti que, certa vez, ao responder a seguinte pergunta feita por seu sobrinho Jiddu Narayan:

' Qual é a essência da meditação?', disse:

- É nunca estar consciente de que se está meditando!

 By Alsibar Paz

22/11/22

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