terça-feira, 31 de julho de 2012

QUAL A IMPORTÂNCIA DAS ESCRITURAS SAGRADAS?


Qual a importância das escrituras sagradas?

Será que as escrituras sagradas tem alguma importância? Qual o verdadeiro valor das mensagens dos mestres? Será mesmo que tudo deve ser desprezado e abandonado? Quais os problemas com as escrituras? Qual a atitude mais sábia em relação a este assunto? Vamos refletir juntos?

Os escritos ditos, sagrados, não surgem do nada. Nem são, como dizem, obra de uma ação miraculosa ou divina. Não há nenhum livro escrito diretamente pelos deuses e entregue ao homem. Todo livro é escrito por alguém, um ser humano, que se diz inspirado por forças superiores ou divinas. Não há nenhum livro que possa ser considerado infalível por uma série de razões óbvias: o caráter falho de todo ser humano, o longo tempo em que foram escritos, as traduções, as interpretações e as distorções. Todavia, isso não tira a beleza e profundidade de boa parte dos livros sagrados. O grande problema, não está nas escrituras em si. Está na forma errada de se lidar com as mesmas. Tirando a parte histórica, um livro é sagrado porque contém mensagens de fé, sabedoria, iluminação espiritual. Este não deve ser adorado como um fim em si mesmo, mas como um meio para algo maior e mais valioso. Quando um livro torna-se mais importante do que sua mensagem surge então o partidarismo, as divisões, as violências e as guerras. Um livro é um simples objeto inanimado. O homem é que, ao usá-lo indevidamente em prol seu próprios interesses egoístas, desvirtua o verdadeiro objetivo dos mesmos.

       As escrituras são como mapas, orientações que indicam, informam sobre algo, um estado, um estágio, uma dimensão além da nossa. Noutro sentido, é o registro escrito das palavras daqueles que se libertaram. O problema é que muita gente se apega ao registro escrito, esquecendo que seu verdadeiro valor está em seu conteúdo.  Um mapa não tem valor nenhum em si mesmo. Quem encontra um mapa e o guarda é um tolo. O homem sábio usa-o para encontrar o tesouro- que é o real sentido do mesmo. E para encontrá-lo, não pode simplesmente ficar em casa, deitado, sem nada fazer. Ele tem que fazer algo para encontrar o tal tesouro. E só ficará satisfeito quando o tiver encontrado. Assim também é  o tesouro da Verdade. E mesmo que nos digam: "o tesouro nunca foi perdido! O tesouro não está em algum lugar fixo distante ! O tesouro está aqui agora". Mesmo assim, o trabalho de nos curarmos da nossas cegueira, ignorância e Ilusão assemelha-se ao esforço que alguém faria para encontrar um tesouro de inestimável valor!

Ora, onde está a Verdade e onde deve ser buscada? Não é dentro de nós? As escrituras e palavras dos mestres apenas nos ajudam, nos orientam sobre como encontrá-la. As guerras partidárias,  que discutem se A ou B ou C está mais certo do que o outro não só é irrelevante, como também estúpido. Cada um tem que encontrar seu “tesouro escondido”. Ao encontrá-lo provavelmente perceberão que as escrituras são, ao mesmo tempo, essenciais e supérfluas. Essenciais porque muitas escrituras dão suporte às pessoas de mentalidades grosseiras e fracas. São pessoas que sem o apoio das mesmas, estariam perdidos e desnorteados .  Supérfluas, por que, no final da jornada é que percebemos que  não há necessidade de mapas para encontrar aquilo que nunca esteve distante de nós. Tudo já está aqui e agora. A única coisa que precisamos fazer é  perceber, despertar para este fato.

O problema é que  dormimos o sono de milênios e acordar  afigura-se como uma tarefa muito difícil e penosa. E enquanto não acordamos, as escrituras funcionarão como “cutucadas”, ou “depertadores” no penoso trabalho de despertarmos de nosso pesado sono. Todos dormem e sonham. Mas quem percebe isso? Quem está consciente disso? Nesse sono, sonhamos que estamos presos e que precisamos de um mapa para encontrarmos a saída. Todavia, tudo não passa de uma poderosa ilusão.  É a nossa mente que nos diz que estamos presos e que temos que procurar a saída através das religiões e escrituras sagradas. Mas se nossa própria mente é nossa prisão, então como pode haver libertação? A mente só é prisão enquanto está sob domínio do sono. Ao despertar, ela se torna livre e luminosa. Para uma mente que dorme, tudo que  ajude no "despertar"  é importante. Mas quando despertamos, percebermos que nada mais é necessário.

Mas, mesmo conscientes deste fato, sabemos que o despertar da mente não constitui tarefa fácil. Tente acordar alguém que esteja em sono profundo. Ou tente lutar contra seu próprio sono quando estiveres sob o domínio do mesmo. Então você terá uma ideia da complexidade e dificuldade que é o  “Despertar da Humanidade”. Não se trata de desprezar a mensagem daqueles que amorosamente vieram antes de nós, mas de colocá-la em seu devido lugar. Todas as mensagens de luz devem ser lidas com o devido respeito e consideração evitando, no entanto, a fé cega e o fanatismo. Só poderemos dizer que um mapa é verdadeiro - e não uma falsificação barata - após encontrarmos o tesouro que ele aponta. Se alguém encontra o tesouro, não mais precisará do mapa. Mas, nem por isso, o desprezará. Pelo contrário, o guardará com felicidade e gratidão, pois sem ele,  o tesouro da Verdade não poderia ser encontrado. E não teríamos como saber que bastaria despertarmos para descobri-lo tão perto de nós.

Namastê!
Alsibar
http://alsibar.blogspot.com

quarta-feira, 25 de julho de 2012

FILME SOBRE GURDJIEFF:"ENCONTROS COM HOMENS NOTÁVEIS"


Livro: Encontro com Homens Notáveis" escrito por Gurdjieff

O filme sobre Gurdjieff  “ Encontros com homens notáveis” é baseado no livro homônimo.  O livro é muito superior ao filme que, infelizmente,  tem uma produção pobre e antiga. Mereceria um remake com uma produção melhor. O filme é bastante longo e,  por vezes, monótono e cansativo, enquanto que o livro é daqueles que prende o interesse do leitor até o final. Todavia, a película não deixa de ter seu valor . Para aqueles que apreciam o trabalho de Gurdjieff o filme é uma obra rara pois mostra a dramatização de passagens da vida de um dos maiores e mais influentes místicos do século xx.  
Veja o filme abaixo e tire suas próprias conclusões, legendas em Português (basta habilitar o CC):

terça-feira, 24 de julho de 2012

O ENCONTRO DO JOVEM INDIANA JONES COM KRISHNAMURTI

O Jovem Indiana Jones com Krishnamurti filme de George Lucas

 O Jovem Indiana Jones, ( The Young Indiana Jones- Journey of Radiance) capítulo em que ele conhece o jovem sábio e místico  Jiddu Krishnamurti é, sem sombra de dúvidas, um belo trabalho.  O diretor George Lucas mistura  realidade e ficção para recontar a história daquele que fora anunciado como Instrutor do Mundo. O episódio  narra alguns dos eventos da vida do jovem indiano e recria a atmosfera da Sociedade Teosófica onde ele passou boa parte de sua infância . O telespectador fará uma mágica viagem no tempo, percorrendo a Índia da época e convivendo com figuras famosas  como Charles Leadbeater e  Anne Besant.  Um trabalho primoroso tanto pelo valor estético, quanto histórico. Infelizmente, o filme está em Inglês, pois não foi possível encontrá-lo em português. Uma ótima pedida para todos admiradores da obra de K, teosofistas e espiritualista em geral. Faça sua própria "Jornada para a Iluminação", assistindo este filme que entretém, informa e ilumina. Namastê. ( Alsibar)


sábado, 21 de julho de 2012

QUEM FOI OSHO ( BHAGWAN SHREE RAJNEESH)? - Última Parte. Who was Osho?


Quem foi Osho ( Bhagwan Shree Rajneesh)?

( Nesta última parte do artigo, Christopher Calder continua suas considerações sobre o Osho e descreve eventos e curiosidades desconhecidos da maioria do público. Um importante estudo para se analisar o próprio fenômeno da Iluminação e para que todos possam refletir sobre a natureza "iluminada" e supostamente infalível  dos gurus)

Osho, Bhagwan Rajneesh, and the Lost Truth  por Christopher Calder
                                           (Terceira e última parte)

Rajneesh mentiu quando disse que tinha discípulos iluminados. Mentiu quando disse que nunca cometeu nenhum erro. Perto do fim da vida, ele foi forçado a admitir que era falível, uma vez que sua lista de mal-feitos tinha aumentado em proporções monstruosas. Ele mentiu ao negar que suas terapias de grupo não era nada mais do que um artifício para ganhar dinheiro. Rajneesh mentiu sobre a desobediência às leis de imigração dos Estados Unidos e ele só admitiu a verdade depois de  ter sido presenteado com evidências irrefutáveis contra ele. Ele mentiu ao dizer que foi pego em um esquema fraudulento, para conseguir status de residência permanente. Rajneesh não era um ladrão de banco, mas era literalmente um mentiroso patológico. A coisa mais ridícula é que todas suas mentiras foram totalmente desnecessárias e contraprodutivas. Por mais convencional e antiquado que pareça: honestidade é realmente a melhor política.

Rajneesh mentiu quando afirmou que não era responsável pelos horrores da comuna do Óregon. Ele foi responsável porque ele escolheu Ma Anand Sheela e as pessoas que cometeram os maiores crimes: de conspiração para assassinato, envenenamento, assalto em primeiro grau, roubo, incêndio, e grampos ilegais. O próprio Rajneesh deu aprovação verbal direta para Sheela espionar e grampear ilegalmente seus próprios discípulos. O fato de Rajneesh não ter ordenado ou não ter conhecimento prévio (espero) dos crimes mais sérios e violentos, não significa que ele não foi eticamente responsável por eles. Rajneesh nunca se voltou contra Ma Anand Sheela até ele começar a suspeitar que ela  estava roubando seu dinheiro.   
  
Apenas um mês antes da fuga de Sheela da comuna, Rajneesh falou publicamente sobre ela, afirmando que “ eu venho preparando ela como uma espada. Eu falei pra ela sair e cortar quantas cabeças fossem possíveis”. Mais tarde, Rajneesh fingiu inocência e declarou que Sheela estava controlando ele-apesar do fato óbvio que Rajneesh era a única razão para a comuna existir. Rajneesh estava rodeado por milhares de discípulos que o adoravam e que ficariam felizes em expulsar ou mesmo prender Sheela a qualquer hora que ele ordenasse.    

Sheela fazia o trabalho sujo de Rajneesh e o fato de ela ter ido mais longe  em seus crimes do que Rajneesh havia planejado, não o exonera totalmente da culpa. Quando estava pra deixar a comuna , Sheela declarou que estava cansada de “ser escrava por 16, 17 ou 20 horas por dia” e cansada de “ tirar comida da boca das pessoas para comprar relógios e Rolls- Royces”. Rajneesh então afirmou publicamente que Sheela tinha extorquido milhões de dólares da comuna. A resposta de Sheela a sua acusação foi que o próprio Rajneesh tinha gastado todo dinheiro com seus brinquedos caros , que Rajneesh era ruim em matemática e “não sabia contar”. É claro que a compra de dezenas de relógios encravado de jóias e mais de 90 Rolls- Royce custaram à comuna muitos milhões de dólares. Depois de ter sido solta da prisão, Ma Anand Sheela continuou trabalhando para viver, sem sinais explícitos de grande riqueza. Sheela cometeu muitos crimes mas  o próprio Rajneesh nunca foi “inocente”.  
   
Se um professor coloca um marinheiro bêbado no comando da direção de um ônibus escolar e as criança acabam morrendo, então o professor é responsável por suas mortes. Rajneesh sabia o tipo de pessoa que Sheela era e ele a escolheu por causa de sua corrupção e arrogância- não apesar disso. Rajneesh orientou pessoalmente Sheela em como controlar e manipular seus próprios discípulos. E foi o próprio Rajneesh quem encorajou Sheela nos infames ataques no programa da ABC, Nightline. Numa tentativa covarde de se livrar de seus próprios erros, Rajneesh mudou seu nome para Osho, como se a mudança de um nome pudesse livrá-lo de seus pecados.

         Não há nenhuma  evidência pública explícita que sugira que Rajneesh ordenou o ataque bacteriológico contra os dez restaurantes de Óregon. Também não há evidência  pública explícita que envolva Rajneesh na trama em que um piloto sannyasin voaria num avião cheio de explosivos sobre um tribunal de Oregon, a fim de intimidar a oposição política. Felizmente, o piloto sannyasin que foi convidado para executar a insana tarefa, não era tão burro quanto os conspiradores, e ele fugiu da comuna sem cometer qualquer crime.

   Rajneesh foi diretamente responsável pela mistura distorcida de escravidão totalitária e indulgência libertina que a comuna representou. De acordo com relatórios publicados altamente críveis, Rajneesh permitiu que homens de meia idade  tivesse relações sexuais com  meninas na pré-puberdade  na comuna, em nome da liberdade sexual. Todavia, seus discípulos não foram autorizados a ter uma mente própria e tiveram que se render totalmente à  vontade do grande Bhagwan. Os discípulos eram freqüentemente forçados a trabalhar 12 horas por dia em  difíceis condições de frio , enquanto ele próprio experimentava  "maravilhosos espaços " em sua piscina interna  privativa, aquecida  e assistia inúmeros filmes em sua televisão de tela grande de projeção, tudo isso enquanto desfrutava de seu suprimento diário de drogas . Rajneesh demonstrou seu amor divino por seus discípulos pelo desperdício de milhões em ativos-  duramente ganhos pela comuna- em sua coleção de carros e jóias caras,  tudo em nome do não-ego e da entrega espiritual . 



     Por que Bhagwan Shree Rajneesh possuía mais de 90 Rolls-Royces? Por que Saddam Hussein possuía dezenas de palácios luxuosos? Esses desejos foram produtos da mente animal básica de dois homens que cresceram cercados  pela pobreza. Iluminação não se preocupa com símbolos de poder e potência. Procurar explicações esotéricas ocultas para comportamento obsessivo,  é inútil. Existe alguma razão oculta que explique por que Elton John gasta mais de US $ 400.000. por mês em flores? Existe uma razão espiritual secreta para que Rajneesh tivesse uma coleção de dezenas de relógios femininos caros? A consciência cósmica universal é completamente neutra e sem qualquer necessidade de possuir, impressionar ou dominar. Ela também não pode controlar ou dizer a hora.


    
          Uma das mentiras mais flagrantes de Rajneesh foi que "o iluminado nada ganha de seus discípulos." Rajneesh queria que as pessoas acreditassem que tudo que ele fazia era uma graça gratuita, nascida de pura compaixão, e que ele pessoalmente não ganhava nada desta relação guru-discípulo. Um fato provável óbvio foi que Rajneesh ganhou muito dos seus discípulos: dinheiro, poder, sexo, e a excitação da constante adoração. Assim como estrelas do rock se tornam energizados por fãs gritando nos shows, Rajneesh ganhava energia emocional e apoio de seu exército de sannyasins. A transferência de energia era uma via de mão dupla, e não um dom totalmente gratuito de sentido único. Ser um guru era seu negócio, seu único negócio. Sem aquela renda, pelo menos no nível físico, ele era apenas um indiano baixo, calvo, deficiente físico que não poderia arranjar um emprego . A  iluminação bastante real de Rajneesh não iria pagar suas contas ou dar-lhe os luxos materiais que ele ansiava.


    A Consciência necessita de entretenimento para sobreviver, e Rajneesh usou seus discípulos como brinquedo para sua própria diversão. Rajneesh não tinha renda capaz de mantê-lo por conta própria, então ele só poderia ganhar poder materia,l  manipulando os outros para fazer sua vontade . A equação era simples. Quanto mais  discípulos ele atraísse, mais poder e riqueza obteria.


     
         Durante o encarceramento de Rajneesh na América, uma câmera de vídeo de segurança registrou-o, quando ele foi deixado sozinho numa sala de espera. Rajneesh parecia entediado e revoltado, assim como qualquer homem comum poderia ficar. Ele não parecia bem-aventurado ou iluminado- em absoluto.  Na minha opinião, esse vídeo revelou a dura verdade sobre o fenômeno que chamamos de 'iluminação'. A realização do Vazio não é suficiente para qualquer um. Todos os animais humanos, iluminados ou não, precisam de interação social e os confortos do mundo material para ficarem satisfeitos.

     Em vários níveis, Rajneesh era apenas um homem comum. Sexualmente, ele era ainda menos comum do que o normal .   Em seus primeiros anos, e fingindo ser um grande Tântrico, Rajneesh,  ridiculamente, deu péssima orientação sexual , numa época em que ele mesmo tinha pouca experiência de primeira mão  com o sexo .  Durante os anos em Bombaim, Rajneesh, frequentemente, apalpava os seios de jovens discípulos femininas. Em pelo menos uma ocasião, ele pediu a um casal para ter relações sexuais na sua frente  para que ele pudesse assistir. O casal sabiamente rejeitou seu pedido.

     Rajneesh, muitas vezes, pedia a mulheres com metade de sua idade para tirar a roupa na sua frente  para que ele pudesse "sentir seus chakras." Para facilitar essa prática, ele instalou uma fechadura elétrica na porta de seu quarto que podia ser ativada a partir de um botão em sua mesa. Rajneesh apalpou os seios de duas amigas minhas e "sentiu os chakras" de uma terceira. Logo, comecei a perceber que, como tantos outros gurus indianos agarradores de menina que se tornaram notícia, Rajneesh, no nível humano, era apenas um indiano comum sexualmente imaturo . Minha amiga, que sofreu o incidente do “sentir o chakra”, ficou tão arrasada que ela nunca mais voltou a vê-lo de novo. Ele havia lhe dito: "Não se preocupe. Você é minha agora." Esta declaração violenta assustou-a tanto quanto o avanço sexual. A jovem era uma estudante de música indiana e já havia sido explorada sexualmente por um famoso músico Indiano. Ela sabia, em primeira mão, como eram  muitos dos homens indianos . Rajneesh  provou ser previsível e decepcionante da mesma forma .

     Depois que Rajneesh começou a ter relações sexuais regularmente, sua necessidade espiritual de "sentir os chakras" de suas discípulas desapareceu misteriosamente.     Rajneesh racionalizava as relações sexuais com suas discípulas femininas, alegando que o ato as abençoaria de tal forma que a tornariam iluminadas em alguma vida futura. Sua declaração,  anos mais tarde,  de que não há tal coisa como reencarnação fez suas racionalizações sexuais parecem ainda mais ridículas e egoístas.  

     Rajneesh tinha muito coisa dentro dele que eu desejava: a energia, a luz, e um vasto e expansivo estado de ser. Infelizmente, havia muita coisa dentro dele que eu não queria ou respeitava.  Eu não vejo problemas em Rajneesh  ter os mesmos desejos sexuais que todos os homens têm. Eu vejo probleas, quando ele foi desonesto e cruel por razões puramente egoístas.

     Enquanto vivia em Bombaim, Rajneesh engravidou uma jovem  através de uma sedução agressiva e indesejada. Este não foi, por definição, um estupro , mas sim um caso de subjugação psíquica- o que não é contra qualquer lei, porque nenhum sistema jurídico reconhece que os poderes psíquicos existam. A mulher ficou muito chateada e foi forçada pelas circunstâncias a fazer um aborto. A fim de proteger sua imagem como um grande guru, Rajneesh mentiu sobre seu envolvimento e alegou que a menina tinha imaginado todo o caso. A jovem contou à embaixada americana sua história, e aquele incidente marcou o início de problemas de Rajneesh com o Governo dos Estados Unidos.

     A natureza muniu os animais humanos de um forte desejo sexual, praticamente indestrutível, como forma de garantir a reprodução das espécies. Devido à enorme importância e poder do sexo, a maioria dos gurus, iluminados ou não, têm mantido uma vida sexual ativa que, muitas vezes, são mantidos em segredo por razões puramente políticas. Em seus primeiros anos, Rajneesh mentiu sobre sua forte sexualidade alegando ser celibatário. Para ser justo, isso tem que ser entendido no contexto de uma  rígida estrutura  anti-sexual e altamente  hipócrita da sociedade indiana . Mais tarde, depois que sua posição como  guru se tornou segura, Rajneesh  passou a se gabar publicamente nos meios de comunicação americanos dizendo que ele teve relações sexuais " com centenas de mulheres ." Todas as parceiras sexuais de Rajneesh  eram suas próprias estudantes de meditação que foram usadas ​​como seu  harém pessoal.



     Todos os seres humanos são animais, especificamente mamíferos. Os cientistas agora acreditam que o DNA humano é de aproximadamente 93% igual ao DNA de um chimpanzé.  A história do mundo, mitologia asiática, a política e o comportamento Alfa de gurus do sexo masculino faz muito mais sentido  se você mantiver esse inegável fato em mente. Nossas forças motivadoras subconscientes mais primitivas vêm do mundo animal, do qual ainda fazemos parte. 


        
       A última vez que visitei o ashram Rajneesh em Poona, na Índia, foi em 1988. O ashram literalmente mais parecia uma alta convenção dos Camisas Marrons Alemães (tropas de assalto) . Rajneesh, ou melhor, "Osho", ainda era muito popular na Alemanha, devido em parte aos seus comentários na revista alemã Der Spiegel , que foram amplamente interpretados como sendo pró-Hitler. Muitos jovens alemães, que estavam à procura de um líder forte e carismático, ficaram emocionados com suas palavras.Aqueles que perderam entes queridos durante a Segunda Guerra Mundial ficaram justamente chocados.  

     Mesmo no início de 1970 em Bombaim, Rajneesh fez declarações descuidadas que poderiam facilmente ser interpretada como sendo pró-Hitler e pró-fascista. Em uma palestra sobre "grupos esotéricos", ele afirmou que Adolf Hitler tinha sido telepaticamente apoiado por um grupo budista oculto com o qual Rajneesh estava em contato . Durante a Segunda Guerra Mundial é bem sabido que um número de Brâmanes iogues indianos e mestres Zen japoneses " haviam apoiado a causa do Eixo e do extermínio das "raças inferiores", assim a declaração de Rajneesh não era inteiramente surpreendente, se não totalmente crível. 

     Em Poona, Rajneesh deu uma palestra infame no qual afirmou que os Judeus não tinham dado a Hitler "nenhuma escolha", a não ser exterminá-los. Em seus últimos anos, Rajneesh declarou que "eu me apaixonei por este homem (Adolf Hitler). Ele era louco, mas eu sou mais louco ainda."  Rajneesh disse que queria seus sannyasins "para dominar o mundo" e que ele tinha  estudado Hitler  para obter insights sobre como realizar a tarefa. Para um homem que retratou a si mesmo como a alma mais inteligente, a mais elevada e a maior do mundo, tais comentários eram, para mim,  a prova  que seu uso de drogas havia destruído a qualidade da sua mente. 

     Os comentários de Rajneesh a respeito de Hitler poderia ser considerado como desagradável, nada além do que um inofensivo ar quente, se não fosse pelo fato de que ele colocou em prática muitas das técnicas de Hitler . Rajneesh usou o método das "grandes mentiras" de controle da mente de Hitler de forma muito eficaz, e ele exigiu a rendição total de suas tropas (discípulos). Rajneesh  manteve uma rede de espionagem ilegal sobre seus próprios seguidores e usou informantes para eliminar os desleais. Ma Anand Sheela, sua secretária pessoal, virou o jogo contra Rajneesh  ao pôr  escutas na cadeira que era a marca registrada de Rajneesh, uma traição que seu "terceiro olho" nunca detectou. A polícia de Óregon descobriu mais tarde conversas de Rajneesh gravadas ilegalmente , mas devido a regras de prova, elas não poderiam ser usadas contra ele em um tribunal de justiça. As fitas foram reportadas como sendo altamente condenável para a culpabilidade de Rajneesh, grande parte continha o dia a dia das atividades ilegais da comuna .

     Rajneesh transformou muitos dos seus discípulos no equivalente aos Camisas Marrons armados. Tenho recebido cartas de vários dos ex-guardas de segurança de Rajneesh, que admitiram que haviam caído sob o feitiço do fascismo e, agora, se arrependiam de seu comportamento e atitudes. Um deles escreveu que ele nem sequer sabia como meditar, e que "a emoção do poder" era o que o mantinha fiel ao seu grande líder. Em Poona, os guardas de Rajneesh espancaram um morador  local irritante, suas mãos foram postas por de trás das costas enquanto os guardas batiam nele. No Óregon, os guardas de Rajneesh estavam armados até os dentes com pistolas e fuzis militares de estilo semi-automáticas. Rajneesh nunca foi um admirador de Mahatma Gandhi, o grande pacifista indiano, mas ele tinha uma fascinação doentia por Adolf Hitler, assim como pelo general do Exército dos Estados Unidos, George Patton. De acordo com Hugh Milne (Shivamurti), Rajneesh assistiu ao filme Patton  várias vezes em sua grande  televisão em tela de projeção, em sua casa de rancho no Óregon.
  
     Talvez o pior traço pessoal de Rajneesh era que ele sabia exigir dos outros o que ele mesmo não suportava. Frequentemente ele colocava seus discípulos para suportarem grandes dificuldades físicas, o que resultou em doenças graves e até em morte para alguns. Enquanto que ele próprio vivia no luxo e não suportava o desconforto físico, sem que reclamasse em voz alta como um bebê. Depois de sua prisão em 28 de outubro de 1985, no Charlotte / Douglas International Airport em North Carolina, Rajneesh foi entrevistado pela ABC de televisão. Ele começou sua entrevista direto da prisão chorando, com uma voz estridente reclamando sobre as precárias acomodações  da cadeia. Seu choramingar agudo era tão estranho e irritante que o Saturday Night Live , um programa de comédia  da NBC da madrugada, usou a filmagem sarcasticamente como uma piada em que "Deus" estava reclamando.

     Durante o aparecimento de Rajneesh na prisão, no programa de televisão da ABC  Nightline , Rajneesh deu respostas evasivas e desonestas para todas as perguntas de Ted Koppel, e ele se comportou como um político excepcionalmente pomposo e inepto, preso em flagrante em atividade ilegal. Rajneesh alegou que ele não era responsável por qualquer dos crimes cometidos no município porque ele estava "em silêncio."  O fato comprovado é que, embora Rajneesh tivesse parado de dar palestras públicas por um tempo, ele nunca parou de falar com Ma Anand Sheela e outros discípulos próximos. Rajneesh foi sempre a autoridade máxima na comuna, apesar disso, Sheela cometeu um dos crimes mais graves em suas costas.

     O revendedor favorito de Rolls-Royce de Rajneesh declarou que "o Bhagwan"  passava horas no telefone falando com ele sobre suas frequentes compras semanais de novos  automóveis . Todos os seus mais de 90 Rolls-Royces foram pagos pelos fundos gerais da comuna sob  suas ordens diretas, não eram "presentes" de pessoas de fora,  como ele tentou alegar mais tarde. Rajneesh era a única pessoa que queria os carros e ele era a única pessoa autorizada a dirigi-los. Depois da falência da comuna, ele afirmou que os automóveis eram de propriedade da comuna, não dele.

     Em sua entrevista no Nightline , Rajneesh fingiu não saber que ele estava deixando os Estados Unidos durante sua tentativa de escapar de um iminente mandato Federal de captura por acusações de extorsão e imigração ilegal.  A defesa de Rajneesh era que ele estava dormindo inocentemente quando a polícia abordou o jato particular que ele havia contratado para voar para as Bermudas. Rajneesh disse que achava que Bermuda era apenas outro estado americano, e que ele estava indo de férias para descansar e fugir das "ameaças de morte." Mais tarde, as autoridades souberam que um discípulo de Rajneesh com ligações com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos havia avisado Rajneesh sobre sua prisão iminente. Nem mesmo seus próprios sannyasins sabiam que ele havia deixado o município até que eles souberam, através da mídia, da prisão de Rajneesh e de vários seguidores no aeroporto da Carolina do Norte .O fato triste foi  que seu grande guru "iluminado" tinha secretamente abandonado seus próprios discípulos, deixando-os para enfrentar a música toda por conta própria. A bagagem de Rajneesh e seus companheiros foi revistada e encontraram um saco de dinheiro, uma caixa de relógios caros  incrustados de jóias, e um revólver.

     O culto a Rajneesh teve pouca sorte para conquistar os telespectadores americanos. Ma Anand Sheela desgraçou a si mesma em Nightline, semanas antes de explodir em altas obscenidades , forçando Ted Koppel a tirá-la do ar.  Depois, o Saturday Night Live  transmitiu uma esquete sobre um leilão com o ator Randy Quaid vendendo os mais de 90 Rolls-Royce do " Bhagwan " . Anos mais tarde, os Simpsons, um desenho animado bastante popular da rede de televisão FOX , produziu uma paródia de Rajneesh, que mostrava um guru com uma luva branca dirigindo seu Rolls-Royce por uma estrada  enlameada da comuna, enquanto seus discípulos sentiam alegria em comer sua terra suja. No cartoon, o grande guru tentou escapar da comuna com sacos de dinheiro em uma reformada máquina voadora caseira.


" Quando se trata de gurus, leve o melhor e deixe o resto. "  - Ramamurti Mishra


     
     Durante minha última visita ao ashram Poona em 1988, Rajneesh estava em silêncio, porque ele estava zangado com seus próprios discípulos. Ele queria que seus sannyasins fizessem manifestações nas ruas contra algumas autoridades indianas que falaram contra ele. Sabiamente, ninguém estava interessado em criar um novo confronto. Esse "maldito surto de  sanidade" entre o rebanho, irritou Rajneesh que, como punição, cancelou as palestras públicas. Assim , eu só consegui vê-lo na fita de vídeo.

     Na palestra gravada, Rajneesh fez um discurso emocionalmente inflamado, e fatualmente incorreto, sobre como a polícia nos Estados Unidos havia roubado a sua coleção de relógios femininos incrustados de jóias . Ele disse que eles nunca seriam capazes de usá-los em público porque seus sannyasins veriam os relógios em seus pulsos nos aeroportos, estações de trem, etc, e começariam a gritar bem alto que "você roubou o relógio de Bhagwan! " Suas palavras e maneiras eram tão infantilmente irracionais que ele me lembrou o líder do culto suicida, Jim Jones. Este velho louco, agora chamado de "Osho", foi um grito distante do sereno, digno e altamente eloqüente Acharya Rajneesh que eu tinha conhecido anos antes. 

     Obviamente, Rajneesh  não era "sem ego", como ele costumava afirmar. O cérebro humano é uma máquina de pensar biologicamente criada, que evoluiu  em ambos os lados: auto-preservação  pessoal e sobrevivência das espécies. O ego, que é uma força motivadora egoísta, é necessário para proteger nossa colônia de células vivas (corpo físico) contra o perigo e manter nossas células reabastecidas com água e comida. Se você não tivesse um ego, você não seria capaz de pensar, falar ou encontrar comida, abrigo e roupas.

     Imagens de scanners  de ressonância magnética (fMRI) de monges tibetanos e iogues hindus demonstraram que durante a meditação profunda as partes do cérebro que nos dá uma sensação de localização no tempo e espaço são menos ativos. Se você retardar o processo de pensamento, e ao mesmo tempo reduzir o sentido de localização do cérebro, a consciência perde seu conteúdo e suas fronteiras. Você se sente infinito, eterno, e vazio. Este sentimento de um Vazio infinito dá a falsa impressão de que o ego não existe mais. O não-ego é uma ilusão, porque a função do ego é uma parte fundamental da estrutura física básica do cérebro em si. O Ego não pode ser perdido a menos que seu cérebro morra, o que causará a morte de todo seu corpo .

     Muitos seres humanos iluminados foram enganados pela redução da função de localização espacial do cérebro e acreditaram que não mais tinham o egoísmo pessoal que poderia causar problemas. Meher Baba passou grande parte de sua vida se gabando sobre o quão grande ele era, e ainda, na sua consciência sem fronteiras, ele não sentia seu ego pessoal. Meher Baba chegou até mesmo a proclamar ao mundo que " Ninguém me ama tanto quanto eu mereço ser amado ". Na verdade, Meher Baba era muito egocêntrico e ele deveria ter percebido que mesmo o fenômenos cerebral que chamamos de "iluminação" não é desculpa para se gabar. O mesmo equívoco  fundamental atormentou Rajneesh. Ele tornou-se iludido achando que  estava acima da arrogância e ganância, mas este simplesmente não era o caso.   O ego é um fio duro em nossos caminhos neurais e não pode ser destruído-a menos que o corpo físico morra. 

     Até mesmo os seres humanos iluminados têm que se importar com suas maneiras e perceber que o Atman é o maravilhoso fenômeno que eles devem promover, não suas próprias personalidades temporárias.  Ramana Maharshi tinha a abordagem correta a esse respeito, e essa é uma razão pela qual ele ainda é amado por todos. Ramana Maharshi promoveu o Átman, a consciência cósmica universal, mas nunca o seu próprio corpo e mente mortais. 

     A energia espetacular de Rajneesh era prova de que ele era um iluminado no sentido Oriental, esotérico da palavra. A definição Oriental, esotérica de "iluminação" é um fenômeno de energia, alcançado apenas por aqueles que estão totalmente abertos para o infinito poder do universo. A definição Ocidental é simplesmente  ser um homem muito sábio, que Rajneesh, na minha opinião, não era.

     Mesmo depois de voltar para Poona, Rajneesh continuou seu uso de Válium e óxido nitroso e parecia incapaz de aprender com seus próprios erros. Rajneesh muitas vezes taxou seus críticos de "idiotas". Ainda em seus anos finais, Rajneesh não tinha voz sã dentro de si capaz de dizer “Não! Basta!”.  Como um demente alcoólico, Rajneesh não conseguia parar seu próprio comportamento auto-destrutivo, e a qualidade do seu julgamento caiu abaixo até mesmo do ser humano não-iluminado mais comum . Rajneesh tinha usado os mitos do Tantra para racionalizar sua desonestidade e egoísmo, e agora ele não podia parar. Mais cedo na vida, Rajneesh tinha deixado de pagar uma conta de hotel, enganou um agente imobiliário devido à uma comissão, e obtivera milhões de dólares dos seus próprios discípulos através de mentiras e fraudes. No final, Rajneesh havia se tornado um viciado em drogas sem esperança de recuperação, além disso nenhuma racionalização espiritual poderia alterar esse fato.

     O ensinamento  ao longo da vida Rajneesh tinha sido que a iluminação é um perfeito estado de não-ego que traria sabedoria, compaixão, e no seu caso único, a completa infalibilidade. Nos últimos meses de sua vida, Rajneesh, agora rebatizado como "Osho", finalmente admitiu que o ego não podia ser destruído, mas apenas ", observado." A própria base de sua demanda pela entrega total dos seus discípulos foi a de que os seguidores, que eram contaminados pelo ego, tinham que submeter sua vontade ao mestre perfeito, porque somente o mestre perfeito não tinha ego e, portanto, não poderia fazer nada de errado. Se isso não fosse verdade, então por que alguém deveria entregar-se a outro ego humano falível e corruptível?

     Rajneesh ainda  admitiu finalmente que não há reencarnação , e que o próprio conceito de reencarnação era apenas uma "má interpretação" de outros fenômenos .   Esta admissão chocante significava que suas frequentes afirmações anteriores de ser um famoso guru em vidas passadas eram pura ficção, projetado para impressionar, manipular e controlar os seus discípulos. O principal ensinamento de Rajneesh foi baseado na alma, reencarnação, e no alcançar a liberdade de renascimento (moksha) através da prática espiritual. Sua ingestão maciça de droga parecia atuar como uma espécie de soro da verdade, às vezes, permitindo a admissão de verdades que ele já tinha mantido em segredo, a fim de manter o controle de do império que era seu culto. O curso da vida de Rajneesh e suas admissões induzidas por drogas provou-me que seus ensinamentos mais básicos estavam errados e eram uma mentira. 

     Em seus últimos dias, Osho discutiu com seus médicos para ignorar sua ética médica e dar-lhe ainda mais óxido nitroso. Osho racionalizou seu vício em drogas, exatamente como um adolescente que é pego fumando maconha pela mãe. O Deus "Bhagwan Shree Rajneesh" havia caído e se tornado o tropeço embriagado Osho, e um número substancial de seus discípulos eram tão viciados em suas palavras artisticamente sedutoras e em sua falsa imagem, que eles não puderam nem mesmo ver o que estava acontecendo bem na frente de seus próprios olhos.  No final de 1989, em um ato final bizarro, Osho ordenou a seus dentistas que removessem a maioria dos seus dentes sem nenhuma razão médica legítima. Se Osho tinha suspeitado que as obturações de mercúrio em seus dentes estavam causando-lhe problemas de saúde, ele poderia facilmente ter substituído as obturações antigas por modernas obturações dentárias de plástico branco. Por que Osho queria ter  tantos dentes removido é um mistério até hoje. É desnecessário dizer que a  remoção não fez nada para melhorar sua saúde.

     Nos primeiros anos após a morte de Osho, o ashram (mosteiro) de Poona havia se transformado em um "cashram" (moneysteiro) e administrado em função do lucro. Punção de Cor,  Tarô Tântrico, grupos de encontro, e cada golpe  editorial era vendido por discípulos de Osho por grandes somas de dinheiro. Quando eu lembro do dia em que ao acabar de completar 40 anos de idade, o Acharya Rajneesh instruiu uma mulher Japonesa dizendo que " A meditação não deve ser transformada em negócio . " O meio corrupto ficou tão fora de controle  que a intenção original dos fins foi esquecido. Seria maravilhoso acreditar que os homens iluminados eram perfeitos em todos os sentidos. Isso tornaria a vida mais simples e mais doce, mas seria ficção, não um fato.


A ÚLTIMA IMAGEM - abaixo é a face da loucura e superconsciência vivendo juntas.  Infelizmente, uma não exclui a outra. Consciência é apenas uma função do cérebro como a memória, não uma cura milagrosa para tudo. Meditação sozinha não resolve todos problemas . A meditação dá-nos o relaxamento necessário , fazendo-nos esquecer os problemas reais com que todos nós nascemos. Acima de um nível modesto, o alargamento da consciência não tem  nenhum benefício funcional de qualquer tipo. As pessoas tomam um caminho errado quando elas igualham  expansão da consciência com expansão de sabedoria e virtude. A história prova que a superconsciência  leva, muitas vezes, à auto-ilusão e delírios de grandeza.

     A consciência cósmica acrescenta ênfase e êxtase à vida, mas isso não muda o resultado final de nossas vidas, e não ajuda a alimentar, vestir e abrigar a raça humana. Não há outro mundo "espiritual" para onde possamos escapar. Estamos todos juntos aqui compartilhando este ÚNICO MUNDO (WORLD ONE) , que é formado por células vivas e tempo-energia-matéria-espaço, não por almas, reencarnação e karma. A meditação é um fenômeno do cérebro absolutamente maravilhoso e espetacular, mas não devemos exagerar ou criamos as maldições da religião, cultos, e "sistemas de crenças", baseado na ignorância e na ilusão.  



    Christopher Calder      site Nota * Christopher de Calder não existe mais. Seus ensaios são arquivados aqui. *: http://meditation-handbook.50webs.com/osho2.html
Aviso de copyright :  Por favor, sinta-se livre para copiar, postar ou publicar Osho, Bhagwan Rajneesh, a Verdade Perdida (© 1998 Christopher Calder) para o e uso, educational não comercial. Você pode repassar ou publicar qualquer um dos meus ensaios sem custo, mas você deverá indicar claramente que os ensaios foram escritos por Christopher Calder, você não deve alterar qualquer das minhas palavras ou seus significados, e ninguém tem permissão para utilizar meus escritos venda de quaisquer produtos ou serviços.  Este é um site 100% gratuito, publicado apenas em benefício de outros estudantes de meditação.


Leitura sugerida :

Bhagwan: O Deus que falhou , por Hugh Milne, Imprensa de São Martinho . Hugh livro contém os detalhes sórdidos da queda de sanidade de Rajneesh . Este livro pode ser comprado de segunda mão através Amazon.Com.  
Promessa do Paraíso: vida íntima de uma mulher com 'Bhagwan' Osho Rajneesh , por Satya Bharti Franklin, publicado pela imprensa Colina Barrytown / Estação. Documentos Satya grande parte da corrupção do estranho culto Rajneesh e descreve em detalhes a exploração ilegal sexual de crianças na comuna do Oregon. Seu livro também está fora de impressão, mas podem ser comprados de segunda mão através Amazon.Com .
(Osho) Rajneesh livros    Esteja avisado que Rajneesh / Osho usou palavras como um dispositivo para influenciar e controlar as pessoas, e ele não estava preocupado em falar a verdade . Na minha opinião, menos de 25% do que ele disse era realmetne verdade, e seus livros pertencem à seção de ficção das livrarias ao lado de Harry Potter e o Senho dos Anéis Muitos de seus ensinamentos representou uma espécie de auto-serviço da pornografia espiritual, uma mistura de falsos ensinamentos antigos e suas próprias distorções motivados pela ambição . No seu pior, Rajneesh saiu com títulos como O Mundo de Rajneesh e Autobiografia de um Místico Espiritualmente Incorreto . Isto é como um jornalista de televisão primadona que pensa que ele é a notícia em vez de os títulos importantes do dia.

Nota   As opiniões expressas nesta página devem ser vistas como as idéias de um  estudante normal de meditação. Enquanto eu realmente acredito em tudo que eu digo, você não deve acreditar em qualquer coisa menos que você veja isso, sinta isso, e saiba disso por si mesmo. Eu não faço nenhuma reivindicação de infalibilidade.   Na verdade eu afirmo absolutamente minha falibilidade.  Além disso, este autor sofre de dislexia. Se você encontrar qualquer erros ortográficos ou de pontuação em qualquer um dos meus ensaios, por favor me avise.



*Nota do tradutor: Nesta parte do adendo no original o autor explica sobre técnicas de meditação. A primeira e a segunda parte em Português podem ser lidos nos links abaixo:
( Tradução Alsibar com ajuda do Google Translater)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

SATHYA SAI BABA : UMA FRAUDE?


Sathya Sai Baba- Uma fraude?

( Esse artigo me pareceu bastante apropriado. Há muito tempo desconfio da suposta divindade de Sai Baba, não apenas pelas centenas de depoimentos atestando seus abusos, como pelos documentários e vídeos que evidenciam suas falcatruas. É sabido que os verdadeiros mestres não divulgam publicamente seus poderes - a não ser em situações raríssimas e seguindo ordens dos planos superiores. Mesmo seres de indubitável luz e sabedoria como Ramana e Yogananda não demonstraram seus poderes publicamente. Sabemos que estes poderes não pertencem a ninguém e que mesmo os iluminados não o controlam a seu bel prazer. São na verdade concessões dos planos superiores com vista a um objetivo muito especial e raro. Esse artigo é apresentado como uma mensagem dos planos superiores. Independente de sua real origem, afigura-me como mais uma fonte de informação desmascarando uma das maiores fraudes envolvendo supostos e auto-intitulados iluminados. Vale a pena conferir !)

Sai Baba, A  Grande Fraude
"Quanto maior a mentira mais eles creem"

O QUE OS MESTRES DE LUZ DIZEM SOBRE SAI BABA?
SESSÃO 18/SEPT/99
Médio: R. Jorge Olguin
Interlocutor: Horacio Velmont.
Entidade que veio para o diálogo: Johnakan Ur-El


Interlocutor: ... Qual é a verdade sobre os curadores psíquicos? Quero dizer sobre os curandeiros filipinos e brasileiros em particular, eles dizem que fazem cirurgia psíquica, eles removem tumores e curam. A questão concreta é se é possível usar as mãos como se fossem bisturis, ou seja, para cortar a carne de um homem e depois curá-lo de uma só vez sem deixar qualquer vestígio da cirurgia.
Johnakan Ur-El: Eles são malandros!

Interlocutor: Tão categórico assim?
Johnakan Ur-El: Absolutamente. Embora existam muitas pessoas que dizem ter testemunhado isso, eles trabalham de forma, com tanta habilidade que aqueles que vêem, mesmo a poucos centímetros deles não descobrem o truque.

Interlocutor: Os curandeiros filipinos ou brasileiros, então, são perfeitamente conscientes de que são trapaceiros? Eu pergunto isso para saber se não há algo obnubilação, fanatismo religioso, ou algo assim que os cega para a verdade e acreditam honestamente no que eles estão fazendo.
Johnakan Ur-El: Claro que eles sabem que são trapaceiros! Mesmo jornalistas e estudiosos com bastante conhecimento do assunto têm sido enganados, uma vez que esses falsos curandeiros são muito hábeis para enganar.
E esses jornalistas não só foram enganados pelos "curandeiros filipinos", mas também por uma outra entidade que os seguem ...

Interlocutor: Será que estamos falando de um  suposto avatar que vive na Índia, chamado Sai Baba?
Johnakan Ur-El: Sim.

Interlocutor: Não é o “avatar” um ser de Luz?
Johnakan Ur-El: Não, não, em tudo. Ele é um ser cuja Thetan* está no terceiro nível de vibração.
Interlocutor: Então ele é um espírito de Erro!
Johnakan Ur-El: Correto!

Interlocutor: Será que ele usa a hipnose para enganar as pessoas?
Johnakan Ur-El: Não, ele simplesmente tem boa dialética.
Interlocutor: Ele fez algumas coisas como David Copperfield ?
Johnakan Ur-El: Não, porque seus truques são muito elementares. Em algumas ocasiões ele realmente fez transubstanciação ajudado pelas entidades de erro, dos planos 2  e 3.

Interlocutor: E como eles conseguiram isso?
Johnakan Ur-El: Uma infinidade de espíritos de erro se juntam para "concentrar o foco" e conseguir que os objetos sejam materializados e desmaterializados.

Interlocutor: Como é que este suposto avatar  "Sai Baba" obtém ajuda dessas entidades inferiores?
Johnakan Ur-El: Porque ele está diretamente em combinação com essas entidades. Ele absorve  energeticamente muitas das pessoas com que ele tem conexão e mais tarde ele transmite essa energia para os espíritos que o ajudaram, deste modo eles conseguem poder em seu respectivo plano de vibração. E essas entidades, em troca, apoiam-no no plano físico. É uma simples troca de favores.

Interlocutor: Eu entendo. O ponto foi devidamente esclarecido.

*Thetan- Átman ou Alma ( Nota do Tradutor)

Tradução: Alsibar e Google Translater
Site Original em Inglês:
Unveiled Secrets and Messages of Light



segunda-feira, 16 de julho de 2012

REFLEXÕES SOBRE J. KRISHNAMURTI, SUA ÚLTIMA GRAVAÇÃO E O LIVRO DE RADHA RAJAGOPAL


Jiddu Krishnamurti
(O escritor espanhol Carlos Silva descreve suas experiências pessoais com Krishnamurti. Ao longo deste artigo ele tece  comentários sobre assuntos importantes como: a última gravação do velho Jiddu, o cotidiano das escolas  K. e o livro de Radha Sloss sobre o caso de Krishnamurti e sua mãe Rosalinda Raja Gopal. O autor, no entanto, vai além e analisa  a própria história de K. , manifestando uma visão pessoal bastante peculiar e curiosa sobre o fenômeno Krishnamurti . Leitura imprescindível a todos os fãs de Krishnamurti, buscadores e pesquisadores em geral. Boa leitura!)

Reflexões sobre "Krishnaji", a última gravação e outros assuntos

Isto foi escrito em Fevereiro de 1996 em Londres . Tem o significado de um testemunho, sem relação com a moral social ou religiosa. Eu faço isso a partir de um sentimento incondicional de afeto e sem medo do que as outras pessoas possam pensar. Que pode ser lido a qualquer momento, sem perder seu significado. Não é um ataque ou uma defesa.

Um áudio-cassete foi gravado por J. Krishnamurti em Fevereiro de 1986, poucos dias antes de deixar o corpo pela última vez, fato conhecido como morte. O conteúdo total é desconhecido. Apenas alguns estavam presentes e ouviram tudo e então eles decidiram o que os outros não deveriam ouvir. Alguém disse que o que ele expressou era muito triste ... e queria poupar os leitores. Esta negação de acesso livre ... É uma prova de censura? É difícil saber  qual foi a mensagem real . Quanto, onde e por quem ela foi censurada, (se é que foi) não sabemos. Algumas partes deste cassete foram publicados.

A declaração gravada por K.  parece ter sido a resposta a uma pergunta feita em uma carta de um membro da Fundação K. da Inglaterra. A questão, aparentemente, era: "O que vai acontecer com o extraordinário foco de consciência e energia que está em K., quando seu corpo não mais existir?" A resposta filtrada para o público foi:

Krishnamurti:. "Eu estava dizendo esta manhã, que durante setenta anos aquela super energia … não, aquela imensa energia, imensa inteligência, tem utilizado este corpo. Eu não acho que as pessoas percebam que tremenda energia e inteligência passou por este corpo… é como um motor de doze cilindros. E foi assim por setenta anos ,  foi um tempo muito longo, e agora o corpo não aguenta mais. Ninguém, a não ser  o corpo, foi preparado, com muito cuidado, protegido e assim por diante. Ninguém pode entender o que passou por este corpo. Ninguém. Ninguém alegue entender. Ninguém repito isso:...... ninguém entre nós ou o público, sabe o que aconteceu. Eu sei que eles não sabem. E agora, depois de setenta anos chegou ao fim. Não que aquela  inteligência e energia não esteja aqui, todos os dias, e principalmente à noite. Depois de setenta anos, o corpo não aguenta mais. Não pode. Os indianos têm um monte de malditas superstições  sobre isto . Que você vai e o corpo fica, e todo esse tipo de absurdo. Você não vai encontrar outro corpo como esse, ou aquela  suprema inteligência operando  em um outro corpo por muitas centenas de anos. Você não vai vê-lo novamente. Quando ele for, foi. Não há consciência deixada para trás daquela consciência, daquele estado. Todos eles vão pretender ou tentar imaginar que eles podem entrar em contato com isso. Talvez eles possam de alguma maneira, se eles viverem os ensinamentos. Mas ninguém fez isto. Ninguém. É isto ".
http://www.terra.es/personal/jcarlos12silva/OMTRANSP.GIF
A primeira questão que surge depois de ler  suas palavras é: K. foi um incompetente? A segunda é: esta declaração foi condicionada pela morfina,  com a qual ele estava sendo tratado ? Se alguém atua por 65 anos fazendo uma coisa,  pode ser médico, engenheiro, professor, ou o que quer que seja, e a pessoa não consegue transmitir nada  para os ouvintes, ele é incompetente. E será que K. foi um incompetente? Por não estar presente e sem experiência pessoal sobre os efeitos da morfina, não posso dizer nada sobre a segunda questão. Presumo que uma droga reveladora não afetaria o estado de consciência K. .. mas uma depressivo-repressiva , provavelmente o faria.

Em segundo lugar, também é necessário perguntar-se sobre a intenção desta Energia super inteligente. O escritor, fez esta pergunta a K., enquanto lavavam o carro juntos em Brockwood Park. De um jeito diferente, eu perguntei a ele em relação à liberdade e autoridade: "Você é um fator de liberdade ou um novo condicionamento ?" K. parou o que estava fazendo e arregalou os olhos. Então ele quase os fechou, enquanto  arqueava as sobrancelhas. Olhou penetrantemente para mim, depois respirou fundo, tomou um 90: se virou e ficou completamente imóvel durante alguns segundos, sem proferir nenhuma palavra. Ele não respondeu verbalmente, ao contrário, uma forte onda de energia amorosa cobriu-me até que eu senti minhas pernas perderem a força. Continuamos a lavar o carro devagar e em silêncio. Portanto, o amor não tem intenção.

A última gravação das palavras de K. parece indicar que a Energia amorosa e inteligente, sobre a qual ele fala , realmente tinha um programa de condicionamento, como acontecera antes com Jesus Cristo. Krishnaji, de fato, mostrou três condicionamentos gerais para os quais pagou um preço elevado. Provavelmente foi o preço que a inteligência tem de pagar à ignorância, a fim de manifestar-se sem deixar sinais de sua passagem na Terra.

O primeiro condicionamento foi a sua formação de classe alta Vitoriana e a influência das pessoas que o cercaram em seus primeiros anos. O segundo surgiu a partir de sua negação total de seguidores, discípulos e organizações. Sua rejeição definitiva do que tinha acontecido 2.000 anos antes e do que se seguiu desde então, até os dias atuais. O terceiro foi a sua batalha constante contra as tradições indianas com seus gurus, professores, discípulos e, especialmente, toda dependência, obediência cega e  submissão. Como os gurus podem  ter alguma importância afinal?  Se alguém é um guru real ou falso, isto é um problema apenas para si mesmo. Se o buscador não é um verdadeiro buscador, o que importa o guru? Se o guru é autêntico, então não importa em absoluto se o guru é falso. As únicas coisas que importam é a natureza do descontentamento.

Tentando evitar a repetição do erro antigo e lutando contra o terceiro condicionamento , K. foi obrigado a dizer as coisas de uma maneira muito particular. Ele estava constantemente evitando que esses erros acontecessem de novo e, assim, limitou suas palavras e perdeu a liberdade de nomear “o que é como é”. Ele, assim, caiu numa armadilha auto-criada e gerou muita confusão em torno dele, causou paralisia psicológica e constipação no coração. Sua educação vitoriana o fez profundamente respeitoso com as formalidades e temeroso com "o que diriam se ..." Com estes três condicionamentos dominantes, ele nunca permitiu que as escolas florescessem além de meras cópias de outras centenas de escolas: talvez  boas em conhecimentos acadêmicos formais, mas sob o peso de preconceitos, hipocrisia e cinismo. É inevitável que a hipocrisia e o cinismo existam nos relacionamentos e educação?

Quem concluiu que eu esteja criticando ou atacando K. está totalmente equivocado. Estou apenas descrevendo fatos, assim como K. adorava fazer. Quando entrei em contato pessoal com K. em 1962 e, em seguida, a partir de 1971, eu só tinha lido um de seus livros: palestras de 1948 traduzidas para o espanhol como "O conhecimento de si mesmo".

No início do nosso contato, eu  não sabia  nada de  Inglês. Eu tive sorte, porque fui obrigado a prestar profunda atenção ao que estava por trás de suas palavras. Durante suas conversações, eu estava profundamente interessado em saber de "onde" ele falava . Eu estava ciente de todos os movimentos, especialmente de sua língua, que eram muito incomuns e que me ensinou coisas fundamentais. Eu seguia suas mãos como elas gesticulavam, observava o movimento de seus olhos e a forma como ele usava seu corpo. Como eu observava atentamente tudo isso, eu sempre tentava entrar em contato com o que movia K. e o fazia pronunciar o que ele estava dizendo, independentemente do assunto. Eu também prestava muita atenção para a área circundante de seu corpo, e não o próprio corpo. Conforme o tempo passava eu ​​pude entender Inglês corretamente, não por causa de estudos especiais, mas como um desenvolvimento natural, e por causa da prática acima descrita, desde então  suas palavras se tornaram totalmente desinteressantes para mim.

Devido à forma como tudo isso aconteceu, eu nunca estive realmente ligado às suas palavras ou a uma imagem de K.. Para mim K. é um Sentimento, uma Energia dentro do meu coração que é “O Coração”. Um perfume no Coração. Ele sempre esteve lá e nunca parou. Desde o seu desaparecimento físico, essa energia tornou-se ainda mais forte.Consequentemente, eu não aconselho supor ou concluir qualquer coisa sobre  minha relação com K. e o que eu escrevo agora. Isto não é literatura.

Para mim, Krishnaji foi o ser mais belo e puro que eu já conheci. Eu duvido que tenha havido outro como ele ou se haverá. A maioria dos krishnamurtianos tornaram-se aprisionados pelo condicionamento de K. e passaram a funcionar como autômatos. Eles parecem robôs humanos agindo “krishnamurtianamente” , corretos ou não, reagindo exatamente como os cristãos ou muçulmanos fazem. O que significa agir de uma forma Krishnamurtianamente correta? Será que isso significa em conformidade com as expectativas dos gurus-burocratas que estão no poder? Para eles, a palavra “compreensão” é altamente perigosa. A falta de consciência e insensibilidade dos outros torna-se sua tábua de salvação.

Nas escolas K. o dia era totalmente preenchido com atividades programadas. Organizadas nos mínimos detalhes. O medo de lazer e ócio criativo eram profundos. Espaço livre e vazio eram assustadores lá. Cada minuto tinha que ser preenchido com atividades. Havia uma longa lista de coisas proibidas.
Lá, eles adoram as expectativas sociais e o que “deveria ser” e ,ao mesmo tempo, todos krishnamurtianos “não deveriam”.

Uma pergunta óbvia surge: se K. diz neste cassete que durante os 65 anos, em que esta energia maravilhosa vibrava nele, ninguém entendeu o que ele estava dizendo, nem sentiu, nem viveu. Como pode ser  possível para qualquer pessoa despertar agora, sem essa Energia e com apenas alguns vídeos ou fitas com todo o condicionamento e limitação terminológica? A resposta é tão óbvia que não é necessário colocá-la em palavras. Então, qual deve ser a razão para a existência de arquivos, escolas, robôs que agem corretamente e Centros de Estudo vazios? Em 1973, em BP, vendo a inevitável burocracia que foi criado, escrevi uma carta convidando-o a pôr fim à sua relação com as escolas e Fundações. Poucos dias depois ele me disse: "Sabe porque eu faço tudo isso?” “ Na verdade, não”, respondi. Em voz muito baixa, quase um suspiro, ele disse: " Eu sei . Eu sei. Eu faço isso por amor ". A palavra amor foi o fato e ela veio com aquela Energia indescritível, que dissolve toda separação ou divisão.

Por que K. falou por tantos anos, transmitindo uma Energia que não queria ser vivida ou compreendida pelos outros? Por que aquela Energia demonstra grande  interesse em manter tudo como sempre foi e um grande respeito pela ordem estabelecida?
Poderia ser  possível para qualquer um nessa situação despertar? Não  é inveja a força principal em tais condições? Sem CW Leadbeater e Annie Besant, que teve a grandeza de "ver" e descobri-lo, o que teria acontecido com J. Krishnamurti?

Um cristão, um muçulmano, um judeu, diferem muito pouco de um Krishnamurtiano que fez de K. uma autoridade e leva as suas palavras como referência e limites. Pode alterações, modificações, avanços ou retrocessos acontecer só na fantasia? Podemos alterar o que já aconteceu? Qualquer problema que você é capaz de descrever ou nomear, não é mais um problema. Pode alguém modificar no futuro o que já aconteceu no passado? A verdadeira mudança só acontece no presente. É apenas no presente que você pode estar ciente de consciência de ser, e nesse instante você está fora da sala da fantasia. É no presente que o coração bate. Ele não pode bater no futuro, se não está batendo agora.

Para que a consciência do “estar-consciente”  surja,  você deve cessar  todos os seus desejos de alterar ou modificar o mundo-você, e você deve aceitar incondicionalmente sua sentença. Você está condenado a ser como você é e não a ideia que eles venderam a você, que você deveria se tornar algo… que eles possam explorar.

Em agosto de 1929, Krishnamurti dissolveu a Ordem da Estrela, e entre outras coisas, ele disse: "Eu agora decidi dissolver a ordem.  Você pode formar outras organizações e esperar  alguém mais. Eu não estou preocupado com isso. Nem com a criação de novas gaiolas ou decorações  para essas gaiolas. Minha única preocupação é tornar os homens absoluta e incondicionalmente livres ".

Quase 65 anos depois deste discurso, ele fecha sua vida com a gravação transcrita acima e deixa uma dúzia de escolas e Fundações K.. Todos eles deveriam, supostamente, viver os ensinamentos e tentar propagar uma mensagem que nunca existiu e que, portanto, é impossível de se  compreender e viver? Poucos anos após sua morte, alguns deles começaram a publicar novos livros nunca escritos ou falados por ele. Compilações de frases sobre vários temas, tirados fora de contexto. Um tal livro correlaciona cada dia do ano com um parágrafo ou citação. Eu nunca soube que K. gostava e tinha tanta familiaridade com a astrologia! Seja qual for a intenção das pessoas que tinham a autoridade para fazê-lo ... Eu evito fazer o comentário que merece. Ou, será que é  questão de sobreviver a qualquer preço?

Outro conceito básico em suas palestras, desde aquela primeira vez no mesmo discurso em 1929, foi: "Eu sustento que a Verdade é uma terra sem caminho e você não pode aproximar-se dela por nenhum caminho, nenhuma religião, por qualquer seita. Esta é minha visão e eu a defendo absoluta e incondicionalmente ... " Muitas vezes, K. afirmou que não sabia como ele tinha chegado a Verdade. Ele sempre colocou a terra da Verdade separado e longe de tudo. Durante 65 anos ou mais K. tentou, no pobre idioma Inglês  e sem sucesso, explicar o significado da Verdade e da Consciência. Para isso ele usou quantidade inumerável de palavras e símbolos. Seu trabalho para separar Verdade e Consciência das possibilidades humanas, foi um esforço sem fim.

A palavra é a rainha corrompida no mundo da dualidade. Isso significa que tudo o que se afirma ou se nega, logo gera o seu oposto. Se é um facto que não existe nenhuma via, nenhuma técnica, nenhum caminho para a verdade, isto torna-se uma via, um caminho em si mesmo. Se você o nomeia, você o transforma num caminho e, portanto, já é um falso ...

Na divina linguagem que é o Espanhol, a palavra verdade, "verdad", não precisa sequer de um dicionário para ser entendido. É formado por dois verbos: "ver" que significa ver, e "dar", que significa dar. Você realmente precisa de alguém para dizer-lhe o sentido da Verdade, então? No caso, é necessário e devido à sua beleza, não vou resistir à tentação de dizer: o significado da Verdade é : “ver é dar. E dar é ver”.
Eu acrescento, se me permitem, que a Verdade não é relativa. Isso não significa coisas diferentes em diferentes culturas ou religiões ou entre as pessoas instruídas ou ignorantes. Onde quer que esteja, a verdade é e sempre será: ver é dar. Entre o ver e o dar, existe o eu-ego discutindo. Calculando. Supondo. O ego-eu faz tudo isso e muito mais, ao afirmar que ele está à procura da Verdade. Mas, como K. disse: " AVerdade é uma terra sem caminhos", você pode deixar que seu ego-eu descanse em paz, porque você nunca vai encontrá-la.

Mesmo se você não tem isso claro agora, é certo não há maneira de viajar em direção a algo que está tão perto de si mesmo, mais perto do que seu próprio sangue. Isto não é um símbolo, uma imagem para transmitir um conceito. É um fato, uma realidade. A verdade não é algo para pesquisar, ou algo distante, além do horizonte. Está muito mais perto do que qualquer outra coisa. A verdade está aqui e agora. Mesmo antes. É necessário estar ciente do antes.

K. também usou muitas palavras tentando explicar o significado de Consciência. Em espanhol é "darse cuenta ". A palavra "dar-se" também é formado por dois verbos. O verbo "dar"  (give) e o verbo "ser" (to be). A segunda palavra é "cuenta" e significa atenção, é um espelho verbal. Consciência significa dar-ser. A consciência da consciência ", darse cuenta de Ser siendo", significa “dar atenção ao ser-sendo”.
O Inglês falado não ajudou o meu amado Krishnaji em suas explicações. Nem a Rainha Vitória, nem sua própria luta contra a herança dos gurus e Jesus .

Outro ponto-chave em seus ensinamentos era a sua guerra contra o pensamento positivo. Ele passou a maior parte de sua vida descrevendo os horrores do pensamento positivo e do mundo que ele criou. Ele pretendia, ao mesmo tempo e com igual intensidade, promover a idéia de que no final do pensamento negativo, nós chegaríamos  "Àquilo". Esta se tornou uma arma nas mãos de muitos seguidores que usam o pensamento negativo para dominar e submeter os alunos a uma espécie de fome afetiva.

A autoridade do pensamento negativo não é visto como uma autoridade. Agora, que a energia amorosa de K. se foi, apenas conceitos frios e vazios permanecem como condicionamentos. Um grande erro .
O pensamento negativo é a forma budista de descrever o que uma coisa não é para entender o que ela é. Ele não leva a lugar nenhum. O pensamento negativo precisa ser usado na investigação científica séria, mas psicologicamente, quando se lida com a mente humana, a descrição negativa só leva à paralisia psicológica e constipação do coração.

É preciso dizer que tanto o pensamento positivo quanto o negativo devem ser igualmente deixados de lado, sem discriminação. Isto deveria ser feito agora. Neste mesmo instante. Se você tem a força e determinação para fazê-lo, você cancelou todos os seus sistema de defesa. Você ficará totalmente nu e sozinho. Então, o que resta? Somente o ver e o sentir . Entre você e os outros não há conflitos, não há barreiras. Não há tal coisa como proibido ou permitido. Há apenas o ser e o silêncio.

Eu não estou interpretando, eu posso realmente ver e sentir que aquilo que chamamos de vida, a sociedade, os outros, é o seu próprio coração . A maneira que você se relaciona com os outros é o relacionamento que você tem com seu próprio coração.Tudo o que separa você do outro, separa você do seu coração . Sua reação contra os outros é uma reação contra seu  coração. Você reage a partir do centro do seu coração, e este é o ar que você respira. Não é um conceito, um símbolo. É um fato real e absolutamente tangível para quem quiser vê-lo. Você pode vê-lo aqui e agora.

Variações sobre o mesmo tema: "Você é o mundo e o mundo é você?", "O observador é o observado?" Ou você não é nem o mundo nem o mundo é você ? E você não é nem o observador nem o observado? No mundo dos opostos, da dualidade, ambas as coisas são verdadeiras e falsas. Verdadeiras se você vivê-las e falsas se você repeti-las.

Tenho a forte impressão de que os três condicionamentos acima mencionados  foram assumidos por K., embora eu realmente não saiba. Eu sei que ele tinha o poder e a velocidade mental para impedir que alguém reflectisse sobre as suas contradições humanas. Ele era um instrumento muito sensível, tão magnífico e totalmente entregue à Energia Divina que o permeava  e que era tangível ao redor dele. Isso era tão forte que tornou-se praticamente impossível para ele estar ciente de seu outro lado humano, por vezes demasiado visível e pobre para os outros.

Eu sinto que é necessário  tentar mostrar mais do que a mente vê. Há uma "linha" que separa o certo do errado e isto é marcado pela necessidade. O que é necessário está totalmente fora dos limites de certo e errado. Opostos, dualidade, surgem a partir do desnecessário. A ignorância considera necessário aquilo que não é. Outra fronteira ainda mais sutil entre o certo e errado é a presença ou ausência de afeto e amor. Quando algo é feito com carinho é bom e quando é feito sem ele, é ruim. Por exemplo: se considerarmos o ato sexual, vivido sem afeto, torna-se um hábito, uma rotina, uma fuga, ou uma obrigação. Quando o mesmo ato sexual é feito com carinho e amor, é uma comunhão que pode ser sublime.

Na mente, há um outro problema profundo que surge a partir da longa história das ideias, idealizações, conceitos e preconceitos de todos os tipos que a humanidade produziu. Em primeiro lugar uma ideia é projetada sobre a maneira de como algo deveria ser e, em seguida, começa um enorme esforço para cumprir essa ideia. Desde os tempos da mulher de César, que não apenas tinha que ser decente, mas também tinha que parecer ser assim. Criamos diferentes modelos idealizados e a demonstração constante das virtudes inerentes ao “escolhido” ocupa a maior parte de nossas vidas. Se nós somos políticos, pais ou mães, padres, advogados, veterinários, atletas, todos estão  constantemente se guiando por tais modelos. Buda, Jesus, Krishnamurti e todos os santos ou seres iluminados, todos eles têm sido sufocado por nossas próprias ideias de virtude ou de outras características que projetamos sobre eles. Uma vez que a fórmula ideal é conhecida, não fica fácil diferenciar o  real do falso.

A humanidade sempre tentou criar uma relação entre o que é dito e o que é feito. Ela tentou descobrir a contradição, olhando pelo buraco da fechadura e encontrar algo que invalidasse o que foi dito. Como se as palavras pudessem ter qualquer valor ...
A humanidade tem dado grande valor às palavras. O problema poderia estar escondido dentro disso? Quantas pessoas percebem que as palavras são apenas símbolos usados ​​como uma substituição para os fatos? Quantos estão, realmente, cientes de que a palavra não é a coisa?

A palavra nunca é o fato , quer seja algo material ou mental. É necessário lembrar que a palavra amor não tem nada a ver com o fato de amar? E as palavras liberdade, morte, vida, sofrimento, sexo, ou  mesa, nada tem a ver com os fatos que elas representam?
O problema pode surgir ao se dar às palavras um valor que elas não têm? Você é capaz de não nomear? Você pode parar os pensamentos?

Devemos questionar que relação existe entre a Justiça e a estrutura dos julgamentos e decisões jurídicas. Obviamente, nenhum. Que relação existe entre a democracia e o fato de que abandonamos o poder e a liberdade em prol de um outro quando votamos?
Perto de Krishnaji eu poderia sentir em meu coração um amor-compaixão que é impossível descrever. Sua capacidade de fazê-la fluir era tão poderosa que ele parecia fazê-lo sempre que quisesse. O escritor não só sentiu quando estava perto dele, mas às vezes pôde até mesmo ver essa energia em torno de K..
Seja o que for  que K. fizesse ou dissesse, mesmo  falso ou errado ou ofensivo e violento, esta energia amorosa sempre estava presente e fluindo. Sinto muito por aqueles que, tendo estado perto dele fisicamente, não perceberam ou sentiram tal imensa energia  amorosa  .

Em 1995 ouvi pela primeira vez que a filha do Rajagopal, Radha, tinha escrito um livro biográfico, no qual ela descreve a relação de sua mãe Rosalind e seu pai com Krishnaji. Eu nunca tinha sequer sabido de sua existência até janeiro de 95 quando eu visitei Elena Greene. Ela não o tinha, e eu saí para comprá-lo, mas no final eu não pude encontrá-lo. Com Elena G. eu tive uma relação de profundo afeto e simpatia desde o primeiro dia quando nos encontramos em Brockwood Park no, início dos anos setenta.
É impossível saber  e sintetizar quem foi o pai de Radha e seu verdadeiro relacionamento com K.. Podemos dizer, só para se ter uma idéia, que ele desistiu de sua brilhante e promissora vida de  advogado e professor para dedicar-se inteiramente à K. por mais de 40 anos. Ele dirigiu as publicações das obras de K.  e organizou tudo o que envolveu sua vida pública. Ele manteve sua palavra dada à Dr. Annie Besant que dedicaria sua vida ao Instrutor do Mundo. É difícil ou impossível saber o que aconteceu e o que os separou.

O maior absurdo que conduz à arrogância é acreditar que se pode saber o que aconteceu entre duas ou mais pessoas. Mesmo sendo uma testemunha, não é possível ter a mínima ideia da quantidade de fatos objetivos e não objectivos, que se juntam em um único instante. Porque esse erro é um dos movimentos mais habituais que a mente humana comete, isto acontece quase inadvertidamente. É a assim-chamada liberdade de opinião.

Um ano se passou até que um amigo na Espanha me emprestou o livro. Como muitas vezes acontece comigo em relação aos livros, não me senti inclinado a lê-lo. Eu raramente consigo ler um livro por mais de alguns minutos por vez. Ao invés disso, devido à sua importância, eu o li em poucos dias com interesse. Eu não tenho dúvidas sobre sua veracidade ...
Melhor dizendo: eu não gastei nem um segundo considerando se o que ela disse tinha acontecido ou não. É irrelevante. Foi-me dito que ele  causou confusão entre os krishnamurtianos e que não é bem visto nas escolas de K.. O mais piedoso não quer lê-lo.

"Vidas nas sombras com J. Krishnamurti" parecia um livro ... talvez necessário para preencher as lacunas e áreas escuras nas piedosas biografias oficiais. Um ser iluminado não tem vida privada e não deixa de sê-lo porque ele  está bebendo chá, café, vinho ou tendo relações sexuais.
Eu ainda me pergunto como Radha pôde acumular tanto ódio contra Krishnaji? Que oportunidade perdida! Ela também havia mudado e distorcido coisas que somente o ódio  pode fazer.

A filha de Rajagopal, escreveu um livro que me fez chegar mais perto de K.. Eu poderia até dizer que isso me fez entrar em contato mais profundo com K.. Muito mais do que eu já tinha sido antes e mais do que eu poderia ter sonhado ser possível. Muitas pessoas pretendem se relacionar com a vida através de imagens e idéias. Para elas, o K. descrito em seu livro é um engano. A imagem que eles tinham de  K. foi quebrada. Graças a Deus isso aconteceu.

Aqueles que leram "O  Quarto Movimento" terão uma visão mais completa de K. e talvez eles descobrirão outras maneiras de se relacionar com Krishnaji.
K. era um incompetente? Aqueles que se escondem dentro de sua sala de fantasia, são prisioneiros da segurança proporcionada pelo seu sistema de defesa. Será impossível para tal pessoa se relacionar com uma outra. Nem mesmo com seu próprio eu. Na sala de fantasia só pode existir conflitos e contradições. Você já teve um relacionamento com K.? Você já esteve fora do seu próprio quarto de fantasia, consciente do seu eu? Se você nunca esteve fora de sua própria sala de fantasia, e você tem a honestidade de admitir isso então, talvez, seja possível ver o seguinte: que você está constantemente nele, inventando histórias de todo tipo e através de sua repetição, você está finalmente convencido de sua veracidade.

Quem já teve um relacionamento com K. pode responder à pergunta da forma que quiser. O que significa estar em relação com alguém ou alguma coisa? De dentro da sala de fantasia só pode existir dependência e algum pequeno intercâmbio de  prazer-dor, exatamente como prisioneiros numa prisão podem ter alguma troca através das barras da cela.

Para o escritor, Krishnaji definitivamente não era um incompetente. Ele foi um Mestre da mais indescritível eficiência. O que em algum momento da minha vida eu considerei ser suas falhas, suas limitações e seus mal-entendidos descobri, mais tarde, que eram meus. Sua passividade, por vezes exasperante para mim, apenas escondiam uma sabedoria infinita. Também é verdade que alguns de seus  assim-chamados funcionamentos humanos, visto de dentro da sala de fantasia, muitas vezes pareciam contradizer o supracitado. Dentro da sala de fantasia nada pode ser justificado ou contrariado. Contradizer: dizer  algo contra si mesmo.

Na página 300 do livro de Radha, ela afirma: "... Uma dia a história vai revelar tudo, mas a divisão no próprio Krishnamurti  lançará uma sombra muito escura sobre tudo o que  ele disse ou escreveu" e, em seguida, ela faz uma pergunta hipotética : "Porque a primeira coisa que os leitores vão dizer é: se ele não pôde viver, quem pode?". Que  extraordinária arrogância!

A história nunca revela a realidade ou eventos como realmente aconteceram. É simplesmente impossível. É simplesmente um absurdo. Apenas  disposição comercial .
Esta é a "confissão" e a aceitação de Radha por ter sido incapaz durante toda sua vida de sentir amor em seu coração e, portanto, ter sido incapaz de sentir o amor que fluía de Krishnaji. Ela deveria ter sentido isso mais do que qualquer outra pessoa, quando se pensa na quantidade de tempo que ela passou em seus braços desde o nascimento. (?)
Assim, a pergunta: "se ele não pôde vivê-lo, quem será  capaz de fazê-lo?", não é uma questão real e como afirmação não faz sentido.
Ela reconhece, sem fadiga nem senso do ridículo, que ela é uma mulher feita de madeira. "Invasão dos ladrões de corpos??

O amor é sentido por quem ama. Quem ama não é o amor. Quem sente isto é instrumento do amor. Como o violão é o instrumento da música, mas não é a música ... e sem uma guitarra não há música. Sem o instrumento, não há o sentimento do amor e nem a música pode ser ouvida. O amor é sentido por aquele que ama, e se você estiver esperando por outra pessoa para te amar, você perdeu o trem da vida. Sra. Radha, em seu ardente desejo de defender seus pais e desacreditar Krishnaji, perdeu um link: sentir o amor.

Sinta o amor amando agora. Outras coisas são contos de fadas. Ângulos, pontos de vista, perspectivas, são sempre muito incompletos e pequenos embora eles pretendam expressar o todo. Quem quer que tenha força igual a K. e ser simultaneamente a totalidade e absolutamente nada, pode ter tantas personalidades quantas deseje ou precise.O que realmente marca a diferença é o que ele transmite. A amorosidade que estava em K. nunca o abandonou, não importa a sua personalidade no momento. Ele teve, por vezes, que assumir o comportamento de alguém, mas transitoriamente e por algum propósito.

Quando alguém não é capaz de ser ao mesmo tempo o todo e o nada, cai prisioneiro do ego-eu. Alguém tenta com desespero  mudar de marcha e ir para a frente e para trás. Para trás e para frente. Sim e não. Sim, mas não. Não, mas sim. Dúvidas sem fim em que se finge se decidir, o que já foi decidido: não ser. O ego-eu divide o “ ser”, em “ser ou não ser” e Shakespeare tornou isso famoso.

Mas, acima de todas essas descrições, Krishnaji assim como Jesus, é um sentimento no coração e não é uma idéia ou uma soma de conceitos.
Quem realmente anseia pela liberdade, não tem outro caminho além daquele que leva ao seu próprio coração, viajando nu e sozinho. Durante 65 anos K. trabalhou muito para deixar uma porta ou mesmo uma janela ou melhor ainda, um espaço vazio dentro do seu próprio coração. Use-o agora.

A vida a partir do instante do nascimento até o momento da morte é um labirinto. O sentido da vida é encontrar a saída antes de morrer. Quanto mais cedo melhor. Onde está a saída? Como escapar do labirinto? Não há saída ou escape.Tudo está na entrada. Ela existe antes de a pessoa entrar, no momento antes de entrar lá.
Se  nós morremos sem ter encontrado a saída, então nós alimentamos o labirinto como fizemos ao longo de nossa vida. A ignorância e a escuridão irão continuar. Isso é o que faz com que o mundo permaneça como está.

Para escrever sem erros, com uma sintaxe correta, organizando habilmente as palavras guardadas na memória é algo que qualquer pessoa com alguma formação pode fazer. Este não é o meu caso. Escrevo rápido e sem dúvidas ou esforço, vendo entre as palavras o que está sendo descrito. Isso é outra coisa completamente diferente. Conhecimento, que consiste de deduções, suposições, comparações, conclusões e opiniões, tem que ser demonstrado e precisa de cúmplices para apoiá-lo. Isso é que é ciência. “Ver”, não precisa de nada disso.

Eu não quero deixar dúvidas que eu não tenho, sobre o que eu vejo e sinto sobre J. Krishnamurti.

Tudo o que K. foi capaz de dizer e fazer durante sua vida, não tem qualquer valor,  sentido ou significado, isolado da energia amorosa que fluía através dele.
Este algo, que não é alguma coisa , que é inominável e que fluía através Krishnaji, era o amor, a compaixão, a inteligência e a beleza. A intensidade foi tal que, para dar uma ideia, eu faço uma sugestão absurda: imagine que nunca ocorreu antes, e que não pode acontecer novamente com a mesma intensidade. Estas são formas de dizer e nomear o que é Inominável. O Ser-sendo está sempre lá. Não é algo que vem e vai.
Aconteceu também em Arunachala, na Índia. Vinte e cinco anos depois,  Sri Ramana Maharshi deixou o seu corpo, a mesma poderosa compaixão, amor, inteligência, beleza e silêncio estavam presentes e vivos.

O que é ilusão nunca existiu e nunca existirá, o que é real nunca deixou de ser.
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Nota final 
"O quarto movimento" é uma biografia escrita pelo autor, onde, entre outras coisas, ele fala de sua relação com J. Krishnamurti, Poonja HW, Nisargadatta Maharaj e Ananda Mai-ma.
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© 1999 Carlos Silva. Todos os direitos reservados.
O Krishnamurti Fundações K. é livre para publicar isso. 
Original escrito em Castellanus (espanhol)
 
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por Carlos Silva
 
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( Tradução para o português : Alsibar e Google Translater)