quarta-feira, 31 de agosto de 2011

DEUS É UMA PESSOA? Reflexões sobre a visão antropomórfica de Deus- Is God a person? Reflecting on God's Anthropomorphic Vision

A Criação e o Caos
Como explicar o fato de uma criança inocente ser raptada durante uma missa e ser cruelmente assassinada? Como entender o fato de uma pessoa sofrer um acidente fatal ao fazer uma peregrinação  religiosa de agradecimento por ter sido salva de um acidente? Abaixo refletiremos sobre estas e outras questões que desafiam a  visão antropomórfica de Deus pregada pela maioria das religiões tradicionais.

FATOS QUE DESAFIAM A VISÃO ANTROPOMÓRFICA DE DEUS

Alguns fatos são tão intrigantes que põe em cheque a  lógica das religiões tradicionais, no que concerne à visão de Deus. Estes eventos sinistros, desafiam a nossa compreensão, o bom senso, e abalam a coerência  do discurso teológico tradicional. Será mesmo que Deus pode ser considerado um ser antropomórfico? ( forma e atributos humanos). Quando, diante de tragédias dolorosas, dizemos: “é a vontade de Deus!” não estamos tornando-o igual a nós e, consequentemente, reduzindo-o a nossa condição? Mas será que esta visão de um Deus pessoal é correta? Ora, se Deus é Onipotente, Onisciente e Onipresente e se tem vontades e emoções similares aos humanos por que permitiria tais acontecimentos ? Essa tese não tornaria Deus um ser sádico, cruel e omisso? Obviamente que isso não faz sentido. Então como poderemos lidar com tais questões de maneira, no mínimo, coerente?

COMO SABER QUAL É A VONTADE DE DEUS?

Há, certamente, muitas coisas além de nossa compreensão. Todavia , este argumento não pode ser usado sempre que nossas  crenças são desafiadas pelos fatos chocantes. O problema é que muitas religiões defendem a concepção de um deus antropomórfico somente quando assim lhe parece conveniente. Por exemplo, quando querem impor regras estritamente humanas , em nome de Deus.  Como alguém pode saber o que Deus quer ou não de nós? Alguns podem responder: “está nos livros sagrados”. Mas existem tantos e vários livros sagrados, tantas traduções e interpretações que não dá pra sabermos qual a mais verdadeira ou "autorizada".

A verdade é que, durante muito tempo, as religiões tradicionais usaram tais expedientes  para explorar, dominar e oprimir. A história já nos provou que este é um caminho perigoso , cujas consequências danosas a humanidade conhece muito bem. Quando edificamos uma “autoridade espiritual” o resultado são as divisões, os conflitos e as guerras. Não há religião, livro sagrado, ou intérpretes mais verdadeiro, sagrado ou autorizado do que o outro. Tais concepções fortalecem o fanatismo possibilitando a prática da crueldade em nome do Amor. No novo milênio, a humanidade precisa ultrapassar esse nível de compreensão puramente sectária, para uma visão mais essencial e universalista acerca da vontade divina.

 NÃO EXISTEM AUTORIDADES OU INTERMEDIÁRIOS

Temos  que entender uma coisa simples: ninguém é dono da verdade e ninguém é autoridade espiritual de nada. Aqueles que se autointitulam intermediários entre Deus e o Homem estão mentindo e explorando. Ninguém deveria aceitar como VERDADE concepções  radicadas no sectarismo,  na fé cega,  em teorias e especulações . A história nos mostra que muitas dessas visões e princípios  são impostas pelo poder estabelecido como forma de dominar as massas. Muitas delas, caíram, por terra com o passar dos anos diante da incontestabilidade dos fatos. Hitler pregava  a pureza e superioridade da raça ariana sobre outras "assim chamadas" sub-raças. A igreja católica pregava que o negro não tinha alma, que a Terra era o centro do Universo e que o papa era infalível. Dizia-se na antiguidade que o Império Romano era invencível e, mais recentemente, que o Titanic era o navio mais seguro da época.  Exemplos de crenças aceitas como verdade incontestável e que posteriormente provaram-se infundadas é o que não falta. Ou seja,  frequentemente nos vemos diante de situações que desafiam nossas crenças e certezas acerca da vida, levando-nos a reinventá-las ou repensá-las. Mas, infelizmente, muitos preferem continuam acreditando cegamente em algo - mesmo que seja totalmente sem fundamento.

NADA SABEMOS

Esses fatos apontam para uma coisa básica,  mas que teimamos em não aprender : NADA SABEMOS. Os cientistas vivem refazendo suas teorias e explicações acerca do Universo. Debruçam-se anos e anos à procura de fórmulas matemáticas e equações que consigam explicá-lo e não encontram. Assim também é na nossa vida. Como explicar a crueldade? As coincidências sinistras? As fatalidades? Devemos simplesmente fazer de conta que Deus  estava ausente ou estava “ocupado” demais e não viu  o que estava acontecendo? Sabemos que não  é assim. Uma concepção antropormófica de Deus  não se sustenta diante de tais fatos . Assim , não podemos considerar Deus uma pessoa, com sentimentos e emoções humanas pois, desta forma, ele perderia seus principais atributos: o de Amor,  Sabedoria e Poder Ilimitados e não seria, portanto, Deus. Infelizmente, é devido a concepções tradicionalistas como estas, que muita gente abandona a  espiritualidade para abraçar o ateísmo. Que nada mais é do que outra forma de crença. Isso é lamentável. Essas concepções equivocadas, ao invés de aproximar as pessoas de Deus , tem o poder de afastá-las.

SOMOS CO-CRIADORES DO UNIVERSO

Também é comum vermos alguns religiosos pregarem que se deve “exigir” coisas de Deus.  Alguns pedem, gritam, tentando impor suas vontades, como se Deus fosse alguém que cedesse às pressões humanas. Agimos com Ele como se fôssemos crianças choronas e teimosas  que pedem aos pais coisas que não podem ser atendidas. E, por incrível que pareça, boa parte dos desejos são atendidos ( não esqueçamos que a própria Bíblia diz que "somos deuses", portanto, co-criadores do Universo). Assim, quando pelejamos ou insistimos com Deus, muitas vezes somos atendidos. Mas isso não significa que essa seja “a vontade de Deus”- talvez seja a nossa própria vontade posta em ação.  Apesar de Jesus ter dito “pedi, pedi e dar-se-vos-á”, ele enfatizou várias vezes, que devemos nos resignar à Vontade do Pai que sabe, melhor que ninguém, o que é melhor pra nós. Não é à toa que na oração do Pai Nosso, ele  diz " Seja feita a tua Vontade assim na terra como no céu." 

SEJA FEITA A TUA VONTADE !

No Pai Nosso, Jesus diz : seja a feita a Tua Vontade.  Significando que não devemos pelejar contra a vontade de Deus. Mas, muitas vezes não ficamos satisfeitos. Vivemos reclamando ou infelizes e, muitas vezes, praguejando. O que se deve entender é que há momentos na vida para cada coisa. Há momentos de  ação e momentos de resignação. Aprender a diferenciar os dois é o começo da sabedoria.  Certa feita, Jesus disse : até o cabelo de vossas cabeças estão contados e não cai uma folha que não seja pela vontade do Pai. Eis então  o argumento perfeito para os ateus : se Deus é ilimitadamente poderoso e compassivo porque não age de forma a evitar calamidades, injustiças e crueldades? A resposta do senso comum  seria: ele é bom, mas é justo. Todavia, há centenas e milhares de casos em que crianças inocentes são vítimas de crueldade e injustiça. Sabemos que as religiões orientais, notadamente budismo e hinduísmo,  explica tudo isso através da crença na reencarnação e no carma. Mas será que essas explicações são capazes de nos trazer a paz e conforto? Para alguns, talvez sim. Todavia, não podemos considerar as crenças como sendo fatos. O fato é que são crenças. Será que não haveria uma outra forma de se considerar a questão, sem precisarmos recorrer às crenças?

 CONHECER A VERDADE PELA EXPERIÊNCIA DIRETA

Os verdadeiros místicos e sábios dizem que sim. Eles não defendem qualquer posição radicada na fé cega ou crenças. Em geral, são contra todo tipo de radicalismos e sectarismos, pois sabem  que tanto a crença quanto a descrença , impedem a experiência direta da Verdade ou Deus. Por isso defendem que o homem deve conhecer a Verdade diretamente. Sendo este o única caminho capaz de nos trazer a verdadeira paz e libertação da dor. 

A IDÉIA  ANTROPOMÓRFICA DE DEUS TRAZ DIVISÕES

Deus não pode ser reduzido às proporções humanas. Quando assim o fazemos, nós o destruímos . Como o Imensurável pode se encaixar dentro dos estreitos limites e medidas humanos? A idéia antropomórfica de Deus, torna-o mais próximo da gente mas, ao mesmo tempo, o distancia pois deixamos de vê-lo como a Essência de tudo que há no Universo. Essa centelha essencial se manifesta em todas as coisas, inclusive no homem. O deus antropomórfico, traz divisões e guerras pois as religiões dominantes  sempre brigam pela supremacia do seu deus, em detrimento dos outros "deuses". A verdade é que, as diversas formas e  imagens existentes sobre Deus refletem a cultura de um determinado povo, região e época. Talvez o Hinduísmo seja uma das poucas religiões tradicionais que aceitam a multiplicidade de manifestações divinas. Mesmo assim, ainda há grupos que discutem sobre qual é  a forma mais original, a mais poderosa ou suprema se é Brahma, Krishna, Shiva, Kali etc

DEUS É INFINITO, INCONCEBÍVEL E INCOGNOSCÍVEL

Os grandes místicos e sábios não se preocupam com tais dilemas. Suas experiências de Deus vão além de todo sectarismo . Assim, se entendemos que Deus é inconcebível, incognoscível, atemporal e ilimitado então resolvemos vários dilemas. Quando consideramos Deus como sendo "alguém"- no sentido humano, os fatos tomam aparência de crueldade e injustiça. Ora, se Deus é ILIMITADO e INFINITO, não podemos querer “abarcá-lo” ou “prendê-lo” nas garras da nossa lógica finita e limitada . Consciente disso é que o sábio reconhece sua própria limitação e lida com a questão de outra maneira  : se a vida no parece incompreensível isso se deve ao fato de atribuirmos a Deus  valores e medidas estritamente humanos. Então, concluímos que há coisas no Universo que nossa limitada capacidade nunca compreenderá. Ora, se não conseguimos compreender o simples universo visível, como compreenderemos o que é Invisível, Incondicionado, Atemporal e Infinito? Por isso, Lao Tsé dizia no Tao Te Ching: “o Inconcebível que se pode conceber não é o Inconcebível… o Sábio deve auscultá-lo no silêncio”. Posições bastante similares são compartilhadas por outros místicos e iluminados como Krishnamurti, Buda,  dentre outros.

RECONHECENDO NOSSAS LIMITAÇÕES

Desta forma, quanto mais tentamos entender as razões e o sentido das coisas, mais confusos e perturbados ficamos. Por isso é dito que o “sábio cala”. Não há nada a se falar ou discutir sobre Deus pois nunca teremos capacidade para compreendê-lo em sua magnitude e amplidão. Neste particular, os mitos e os símbolos exercem uma função  importante : são tentativas de comunicar de maneira simples e inteligível, concepções complexas e profundas. Como entender quando Krishna diz no Bhagavad- Gita: “ Eu sustento todo o Universo com apenas uma centelha do meu esplendor”? Como entender o Amor de Deus? Como entender a morte, a solidão, as perdas, as tragédias e o sofrimento que atingem a todos- muitas vezes sem   nenhum motivo aparente e de forma "injusta" pelos padrões humanos? Como entender o episódio que envolveu Hitler e sua escalada ao poder, permitindo assim, o Holocausto?  Só nos resta reconhecer nossas limitações e abandonarmos essa mania de querer entender as razões de tudo.

SOBRE A NECESSIDADE DAS CRENÇAS

Uma outra questão seria : será que as crenças  são necessárias a uma conduta ética e uma vida plena, equilibrada e saudável? Talvez para algumas pessoas a resposta seja sim. Todavia, algumas vezes, elas são verdadeiros empecilhos e até mesmo prejudiciais. Mas se tua crença não cria divisões, não incita ao ódio,  ou à ilusão, então não há problemas, desde que você esteja plenamente consciente de que  crenças não são a VERDADE. É algo que você escolhe confiar porque lhe parece razoável, ou lógico, ou porque lhe ensinaram assim. Mas temos que compreender que podem não ser exatamente como acreditamos que seja.  Então a questão sobre se Deus existe, qual sua aparência e quais suas "vontades e desejos"- nunca serão completamente respondidas. E qualquer que seja a conclusão que cheguemos, por mais confortadoras que sejam, não deixarão de ser crenças. Falando isso não estou afirmando que são falsas- as crenças podem ser verdadeiras ou não. Simplesmente não temos como comprová-las, se tivéssemos não seria crença. Mas, será possível irmos além das crenças? Sim, é possível.

INDO ALÉM DAS CRENÇAS E CONCEPÇÕES INTELECTUAIS

Para aqueles que não se satisfazem com as crenças, mas querem encontrar a Verdade, experimentá-la e vivê-la como uma experiência direta, então só resta um caminho : a MEDITAÇÃO. Todos os grandes mestres sem excepção, a ensinaram.  A meditação pode  transformar, iluminar, libertar  e unir os homens pois não está radicada em concepções teóricas,  mas na experiência direta e objetiva da verdade . A meditação pode libertar os homens das falsas concepções e fazê-los penetrar na dimensão do Desconhecido. Lá estão todas as respostas e o bálsamo para todas as dores. Quando o homem se liberta das limitações do pensamento, do tempo e do desejo passa ele a sintonizar-se com aquela Energia ilimitada, infinita e atemporal chamada Deus. Chegando aí o indivíduo não se questiona mais, não se confunde mais, nem exige, nem pede mais nada. Passa também a compreender que  Deus é simplesmente o Absoluto, sendo assim, é tudo o que existe: o perceptível  e o imperceptível,  o imanente e o transcendente; o que está dentro, fora, acima, abaixo e além.

HUMILDADE E FÉ DO HOMEM SÁBIO

Quando a mente questionadora silencia, não há mais espaço para sectarismos, radicalismos ou discussões teóricas acerca do transcendental. Ao  reconhecer suas limitações, o homem sábio demonstra humildade e fé no Absoluto. Também demonstra verdadeira confiança no Amor e na Proteção Divina pois não suplica ou impõe nada à Divindade. Se Deus é o criador e mantenedor Supremo, ele  nunca pode estar “ausente” ou “omisso”. Mas não compete a nós questionar suas atitudes e os movimentos do Destino Inexorável. Quando sentimos a existência de uma Força Superior do Universo, então qual o sentido da inquietação, medo ou preocupação? O sábio  relaxa pois sabe que Universo  existe por si mesmo e que sua vida não depende de sua medíocre e limitada vontade. Tudo que existe vive pela “vontade” do PAI. A "vontade do Pai" é apenas uma metáfora usada por Jesus  para expressar o fato de que o Universo é regido por Leis e Forças Superiores, matematicamente exatas, Infinitas, Inteligentes e Autocriadoras.

DEUS “É  O QUE É”

E se aceitamos que Deus  é o Absoluto Insondável, e portanto cria, destrói, comanda, sustenta e controla tudo no Universo, desde o pequeno átomo até as galáxias infinitas, então compreenderemos quando Ele afirma na Bíblia que “É O QUE É”.  E assim compreendemos quando os sábios afirmam que perceber  "o que é", é perceber a Verdade, o Desconhecido, Deus, enfim.

AUTOR : ALSIBAR (inspirado)

http://alsibar.blogspot.com



domingo, 28 de agosto de 2011

OS ESTÁGIOS MEDITATIVOS : EM QUAL VOCÊ ESTÁ? The meditative stages:in what are you?


O que é meditação e qual sua importância? Como saber se você está meditando corretamente e não se auto hipnotizando ou  se iludindo? Quais as características dos estágios meditativos e em qual você se encontra? Qual a importância da auto avaliação e auto percepção no processo de amadurecimento espiritual? Acompanhe-nos neste artigo e vamos refletir  juntos sobre tais questões imprescindíveis para o buscador e meditador sincero.
Meditar é um “ato” tão vital como respirar, comer, dormir e evacuar. Uma pessoa que não medita vive uma vida que carece de sentido, sabedoria e clareza. Poderíamos dizer que o indivíduo vagueia, caminha perdido de um lado para o outro, mergulhado na escuridão de sua própria ignorância . Sem meditação, somos escravos de forças obscuras e desconhecidas que nos manipulam como verdadeiros marionetes . Somos jogados de um lado para o outro, como um tronco em meio a um rio sem rumo . Ficamos ao sabor do turbilhão das águas e das ondas do destino- para onde vamos? Não sabemos. A vida torna-se uma tenebrosa floresta escura, cheia de surpresas, riscos, desafios e constantes perigos . Por isso pedimos, rezamos,  oramos como forma de tornar a jornada menos dolorosa, perigosa e insegura.
A meditação não muda a vida. Ela muda o indivíduo. A vida continua com sua imprevisibilidade, inconstância e riscos, mas a percepção da pessoa muda completamente. Enquanto um homem sem meditação é vítima das forças inconscientes que ele não controla , o homem que medita  percebe claramente a origem dessas forças e aprende a lidar com elas. A meditação traz o autoconhecimento, a sabedoria , a luz e a energia necessária  ao bem viver e ao enfrentamento dos grandes desafios da vida. Resulta daí a serenidade,  a harmonia e a clareza interior, sem as quais não há  paz, nem felicidade.
Por isso, é tão importante compreender o que é meditação- esta  dimensão esquecida do ser. Lá – dizem os mestres- encontra-se uma parte de nós que trazemos ao mundo quando nascemos. Esta natureza primal, original, pura e rica continua aqui, em algum lugar, debaixo das “camadas” dos nossos pensamentos, condicionamentos, preocupações e ansiedades. A meditação é como uma sonda  que nos leva até as profundezas abissais do oceano. Dentro de nós há uma dimensão escura, misteriosa e desconhecida. Quem não desce até lá torna-se um  indivíduo vazio, doente, fragmentado e neurótico . Sem meditação não há transformação interior, sem a qual ninguém amadurece, cresce ou evolui.
Mas para meditar, é preciso saber como meditar. Então como saber se estamos meditando corretamente? Se “aquilo” que estamos “praticando” é a meditação verdadeira e eficaz? Para aprofundarmos nestas questões, refletiremos sobre os estágios meditativos, comuns às pessoas geral, considerando que todas estão de alguma forma meditando, mesmo que não tenham consciência disso.
PRIMEIRO ESTÁGIO: A NORMOSE
O primeiro estágio é a “normose” em que vive a massa em geral.  Ou seja, é a vida “normal” de todo mundo. Esta normalidade  parece saudável mas é doentia- daí o termo “normose”  . Neste estágio vive boa parte das pessoas que conhecemos. Elas nunca ouviram falar em meditação e - se ouviram- nunca praticaram ou deram a menor importância a ela. São pessoas que vão vivendo a vida sem muitas preocupações  até que a morte, a doença, a perda e a dor batem-lhes às portas e lhe “cobram” por tudo que pensaram, sentiram, fizeram- ou deixaram de fazer.  É o momento das crises. Muitos mudam de atitudes à partir dessas crises. Alguns, ao perceber as consequências dos  maus hábitos, tentam abandoná-los e, para isso, procuram tratamentos,  convertem-se a alguma religião ou entram para  algum movimento ou organização . Outros , ao contrário, não estão nem aí pra nada. Continuam vivendo da mesma forma -apesar das crises- sem perceber nenhuma relação de causa e efeito entre suas ações e os acontecimentos críticos de sua vida .  Estes  vão “vivendo” aos trancos e barrancos , muitas vezes de forma inconsciente e inconsequente. Surgem, então novas crises, às vezes de forma sucessiva até chegar a velhice, a doença e a morte. Muitos não conseguem passar do primeiro para o segundo estágio pois estão- como quê- mortos em vida.
SEGUNDO ESTÁGIO: PERCEBIMENTO DA RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO
O segundo estágio é daqueles que percebem claramente a relação entre suas atitudes e sua vida.  Compreendendo que seu universo interno influencia os acontecimentos externos, busca ele se auto melhorar. Mas,  logo, logo sente que o  auto- melhoramento não é algo tão simples e fácil de se realizar. Nessa hora, muitos se convertem a alguma religião. Todavia, não tarda para o indivíduo se deparar com uma dura verdade: a religião só melhora uma coisinha aqui e outra ali- não toca na essência. Pois o “centro” gerador das ilusões e da dor (EGO) continua agindo sutilmente. O egoísmo continua disfarçado de ações sociais, de amor, fé, caridade etc. E se o indivíduo for sincero, perceberá o quanto é difícil extirpar as raízes do ego. O buscador sincero observará, intrigado, que a ignorância, a inveja, a inquietação, a ambição e o desejo continuam tão fortes quanto antes. Ou seja, fica claro que qualquer força externa não pode trazer a transformação interna. Neste estágio, algumas pessoas começam a procurar por vias mais “alternativas’ como ioga, meditação e terapias na esperança de transformar o centro. Nessa hora, fica claro para o sujeito que ele tem que realizar um trabalho de dentro pra fora e, assim, ele chega ao terceiro estágio.
TERCEIRO ESTÁGIO : DEPENDÊNCIA DE TÉCNICAS E  GURUS
O terceiro estágio é o da dependência de técnicas e gurus. É quando o sujeito começa a “praticar” técnicas de meditação, ou seguir os "gurus" na esperança de finalmente encontrar a paz  e a luz tão desejada. Todavia, se for sincero, perceberá que as técnicas e os gurus “funcionam” até um certo ponto, mas não vão muito longe. É verdade que ele passa a sentir-se mais sereno, seguro e auto-centrado. Talvez chegue até mesmo a sentir  ondas de êxtase e desperte alguns poderes- resultado de mantras e técnicas que expandem a consciência. Mas , ao constatar que essas coisas são instáveis e passageiras e que os gurus só podem ajudar até certo ponto- o sujeito vê-se novamente mergulhado na depressão, tristeza e frustração. É uma fase confusa pois ele achava que já havia chegando "lá" e , de repente, vem um “vento” que derruba todo seu castelo de sonhos. Nessa fase ele aprende que não deve se apegar aos gurus,  nem aos estados internos de bem aventurança- mesmo que tenham lhe custado bastante tempo, esforço e dedicação . Confuso, sua mente explode em questionamentos: tanta meditação, esforços e dinheiro gastos em "satsangas" pra quê? Essa é uma hora delicada pois, em geral, ele está ligado ao guru e ao movimento- que lhe deu amizades e um sentido pra viver. Mas  se for sincero e corajoso haverá uma chance de avançar mais um estágio no aprendizado. Caso contrário, poderá se revoltar, tornando-se amargo e descrente , voltando ao velhos hábitos doentios e à antiga vida desregrada da qual se absteve  com grande esforço e sacrifício .
O QUARTO ESTÁGIO: O PERCEBIMENTO DO EGO
Mas, se for humilde e franco consigo mesmo, poderá ir para o quarto estágio. É quando ele percebe o seu erro : a prática deliberada das técnicas de meditação reforça e perpetua o EGO. O próprio desejo pelo céu, nirvana,  êxtase  ou iluminação eram obstáculos à libertação. Além disso, sem perceber alimentava o ego ao considerar-se sábio, iluminado ou salvo-pura prepotência e arrogância disfarçada. Os pensamentos e os condicionamentos ainda o aprisionavam de forma sutil e quase imperceptível. Nessa hora ele compreende que a mente encontra o que ela deseja. Mas o que se encontra não é a “verdade” mas apenas uma falsa verdade, uma ilusão resultante de seu próprio desejo. Esta, como uma miragem, esvanece-se ao primeiro sopro dos inconstantes ventos da vida. Assim percebendo, ele procura meditar corretamente, agora não mais desejando alcançar nada. Compreende que para entrar na “outra dimensão” não pode ir com seu EGO, com seus desejos e pensamentos. Tem que “abrir”  mão de tudo que lhe é querido e caro: sonhos, pensamentos, anseios, conhecimentos, lembranças, desejos, arrogância, orgulho, bondade, caridade ,  falsa humildade, busca, iluminação etc. Somente quando “morrer” completamente para tudo que ele representa e pela qual vive- é que poderá finalmente renascer na dimensão do Desconhecido. Então estará preparado para o quinto estágio.
QUINTO ESTÁGIO : APRENDENDO A MEDITAR
O quinto estágio começa quando o indivíduo aprende realmente a meditar. Nessa fase, o ego começa a ser consumido na chama da verdadeira meditação. E assim o ego vai perdendo sua força e poder. É neste estágio que o meditador aprende duas coisas importantes: a identificar o EGO e a tratá-lo adequadamente com cautela e cuidado, reconhecendo sua ação sutil, sua natureza traiçoeira e enganadora.  O mais importante durante a meditação é que o OBSERVADOR (ou seja, o "centro") esteja ausente. E como ele fica ausente? Tornando-se uma simples testemunha ocular e passiva de tudo o que é observado. É importante lembrar que o OBSERVADOR é o verdadeiro EGO. Aquilo que é observado ( pensamentos, sentimentos, sensações, emoções, desejos etc) não deve induzir à ação de qualquer tipo.  Quando “o observador” se intromete na observação - criticando, julgando, condenando, ou nomeando- na mesma hora o ego se fortalece  e se perpetua. Alcançar o estado de ‘ completa ausência’ do OBSERVADOR é o maior desafio do meditador. Sem este estágio, a meditação não acontece, não se realiza, tornando-se  uma “prática” inútil e até mesmo prejudicial. Se não atentar para estes cuidados, o sujeito fica preso num círculo vicioso e não avança para o próximo estágio.
O SEXTO ESTÁGIO: O SILÊNCIO E A PAZ INTERIOR
O sexto estágio é o do silêncio pleno e da paz interior. É quando não há mais a divisão OBSERVADOR (você que está se auto observando) e objeto OBSERVADO( as coisas que você percebe em si mesmo), havendo tão somente a OBSERVAÇÃO ou CONSCIÊNCIA SILENCIOSA , QUIETA E NÃO DIRECIONADA. Neste estágio entramos na UNIDADE , não há eu, nem ego, nem deus (ideia), nem nirvana (a concepção), nem céu (idealizado) há apenas a percepção de uma dimensão ou  estado ILIMITADO  e ATEMPORAL do qual não podemos dizer muita coisa e cujas definições são incapazes de descrevê-lo. É uma fase misteriosa e muito sutil. A paz e a tranquilidade são sinais claros desta fase. Não é resultado de um ato deliberado da mente- mas já é em si- um vislumbre do próximo estado meditativo: o da Iluminação .
O SÉTIMO ESTÁGIO : INDESCRITÍVEL E IMENSURÁVEL
Do sétimo estágio em diante nada podemos dizer ou descrever. Mesmo os grandes iluminados- não se atrevem a descrever o que é isso. Palavras como Nirvana, moksha, céu, libertação, iluminação- são apenas rótulos que nem de longe conseguem definir os estágios mais avançados e profundos da meditação. Os hindus dizem que Deus se manifesta como bem-aventurança ilimitada e sempre renovada. Esses estados avançados e profundos são indescritíveis em nossa linguagem. Nada, em nossa limitada experiência humana, se compara à experiência do Samadhi, ou União Divina.
RESUMO DOS SETE ESTÁGIOS
Lamentavelmente, a grande maioria das pessoas não conseguem sair do primeiro estágio da "normose"- a normalidade doentia. Outros, conseguem chegar ao segundo estágio e passam a reavaliar seus atos  e pensamentos ao conhecerem a presença da lei de causa e efeito como determinante em suas vidas . Alguns chegam no terceiro estágio - o das técnicas e gurus- e se dão por satisfeito- acreditando que as sensações de paz e alegria que sentem por conta das técnicas ou da presença do guru- é tudo e que não há nada mais além disso. Difícil encontrar aqueles que conseguem chegar ao quarto estágio: o do percebimento das artimanhas sutis do seu próprio ego. É raro encontrar alguém que tenha chegado ao quinto estágio - pois precisa de humildade e coragem para admitir os próprios erros e enganos- que poucos tem. E mais raros ainda são aqueles que alcançam o sexto estágio , o do silêncio interior,  quando não existe mais a separação sujeito-objeto, mas apenas a unidade da observação ou consciência. E finalmente, raríssimos, são os que alcançam o sétimo estágio, a libertação final,  também chamada de Iluminação, Céu ou Nirvana.
EM QUAL ESTÁGIO  MEDITATIVO VOCÊ ESTÁ?
Leia o texto com calma e analise em qual estágio você está. Lembre-se que não há regras, nem sequência a ser seguida. Estes estágios podem se alternar, acontecerem em ordem inversa ou aleatória. Não existe nada que determine a ordem do crescimento, evolução ou despertar espiritual. Você pode, de repente, estar no primeiro ou segundo estágios e ter vislumbres do sexto e último estágio. Talvez não precise viver as dificuldades dos primeiros estágios, ou ainda, pule direto para o quinto sem  ter necessidade de passar pelos outros estágios. Pode ser  que já nasça no quinto e rapidamente pule para o sexto e sétimo – como aconteceu com alguns iluminados. Talvez nunca passe do primeiro e  ainda há a possibilidade de "cair" dos últimos estágios, para os primeiros- e assim por diante. Não há absolutamente regras nesta escala evolutiva, constituindo objeto pessoal, subjetivo e íntimo de cada um.
NÃO ACREDITE, MEDITE!
Ao concluir, quero esclarecer que expus minha visão sobre estes estágios de forma didática e simples para   ajudar as pessoas a avançarem em sua caminhada evolutiva, através de sua própria percepção sobre si. Lembrando que não precisam aceitar ou acreditar em nada do que eu digo, nem do que ninguém diz. Muitos dizem que é necessário várias encarnações para se alcançar o "despertar". Outros dirão que é necessário esforços enormes, anos de treinamento  e disciplina para se chegar aos estágios finais . Não dê ouvidos a ninguém. Os  sábios e iluminados dizem que já somos Budas, já somos deuses e  que não há nenhum degrau ou caminho a percorrer - mas apenas perceber, acordar, descobrir, manifestar o que já existe dentro de todo ser humano.  Mas, ninguém precisa aceitar ou acreditar em nada. Descubra a Verdade diretamente, através de sua própria experiência e vivência. E só existe um caminho pra isso: a meditação que leva ao autoconhecimento.
AUTOR : ALSIBAR (Inspirado)
MSN: alsibar1@hotmail.com
http://alsibar.blogspot.com





sexta-feira, 26 de agosto de 2011

BABAJI – O AVATAR DO NOVO MILÊNIO ?- Is Babaji- the New Mileniun's Avatar ?


Babaji

Você já ouviu falar em Babaji? Se não, conheça a história deste  iogue extraordinário. Se já conhece, conheça mais detalhes sobre sua vida e reflita conosco sobre os principais eventos  envolvendo este verdadeiro avatar do novo milênio.

Babaji não é um nome.         É um título como Cristo e Buda. Etimologicamente significa “pai” e Ji é um sufixo de respeito e reverência . Por exemplo, Krishnamurti era carinhosamente chamado de Krishnaji, por seus amigos indianos. Babaji, da mesma forma, é um título de carinho e reverência – mas é provável que ele  tenha usado vários nomes e formas, em diferentes épocas e regiões.
Babaji  foi o guru de Lahiri Mahasaya, mestre do mestre de Paramahansa Yogananda – autor do best seller “Autobiografia de um Iogue”. Ninguém o conhecia, a não ser, poucos devotos privilegiados. Coube a Yogananda divulgar ao mundo a existência desse avatar extraordinário, cuja idade, sabedoria e poder são incalculáveis.  Apesar de idade indefinida, se apresenta frequentemente como um jovem bonito, de longas cabeleiras cor de bronze. Outros autores  afirmam que ele já fora um ser humano mortal como nós, que nasceu 200 anos d.c. na Índia, tendo alcançado o estado de imortalidade plena após longos anos de prática ióguica. Mas é estranho, que nunca se tenha ouvido falar em Babaji antes de Yogananda. O fato é que após o “Autobiografia” apareceram vários relatos de supostas visões e aparições de Babaji.
A fama de Babaji e sua extraordinária presença causou tal “frisson” no mundo que houve até mesmo um Babaji “fabricado”.  Suas fotos e vídeos “fervilham” na Internet,  ao simples digitar de seu nome. Todavia, sabe-se que não é o mesmo Babaji de Yogananda. Esse rapaz já era conhecido na região de Haidakhan como Wilson Baba, filho de mãe indiana e  pai inglês. Devido a sua incrível aparência com as descrições do grande iogue imortal, não custou ser confundido com Babaji- coisa que ele pessoalmente nunca afirmou -mas também não negou. O fato é que este rapaz foi crescendo e, ao poucos, foi engordando,  distanciando-se, assim, da imagem do grande Babaji descrita por seus verdadeiros discípulos. Suas últimas aparições em vídeo,  mostram um homem triste, parecendo desconfortável com toda aquela  reverência , adoração e provável farsa. Morreu cedo, aos 28 anos, no ano de 1984- causa morte não divulgada.
Mas sobre  o verdadeiro Babaji, sabemos pouco, muito pouco. Nunca teremos como saber se as pessoas que dizem tê-lo visto- realmente o viram. Além disso, há muitos “gurus” por aí se auto intitulando encarnação de Babaji. Obviamente há muita mistificação e comércio em torno deste nome. O verdadeiro Babaji, passou séculos, ou até milênios sem se mostrar ao mundo. Por que agora iria aparecer na Internet, através de organizações religiosas pouco confiáveis? A imagem de um “avatar popstar’ não combina com a imagem do iogue recluso e humilde que Yogananda tão esmeradamente cuidou em nos repassar.
Tudo que sabemos de Babaji não fora contado por ele próprio, mas nos chegaram através de relatos dos próprios discípulos. Yogananda nos oferece testemunhos em terceira, segunda e primeira mão. Na sequência: aqueles contados por Lahiri Mahasaya e seus discípulos diretos. Depois, aqueles contados por seu mestre Sri Yuktéswar- que foi abençoado com um encontro com o mahavatar em uma Kumb Mela (Festival Religioso). E finalmente, por Yogananda que descreve seu memorável encontro com o guru imortal. O que passa disso é contestável, não podendo se afirmar se é verdadeiro ou falso. Assim sendo, está no âmbito das possibilidades e não da Verdade. Já o testemunho de Yogananda e seus mestres antecessores são dignos de nossa confiança e gratidão.
No âmbito das possibilidades, afirmam alguns autores que Babaji, iniciou importantes santos , sábios e iluminados famosos entre eles: "Shankaracharya, o grande reformador do Hinduismo do século 9º d.C., e Kabir, o santo do século 15 amado pelos Hindus e por muçulmanos. No século 19, Madame Blavatsky, a fundadora da sociedade de Teosofia, o identificou como “Matreiya”, o Buddha vivo, ou o “Professor do Mundo para a era vindoura"*.Tendo sido um dos mestres que iniciou Krishnamurti e provavelmente acompanhou-o  durante toda sua missão na Terra. Fato que não surpreende, pois o próprio Krishnamurti refere-se em seu diário sobre a presença constante do “outro”,  “uma presença”, “o abençoado” sentida não apenas por ele, mas por outras pessoas também. Se  tais afirmações forem verdadeiras, Babaji foi responsável pelos maiores acontecimentos no âmbito da espiritualidade, contribuindo decisivamente para a elevação da consciência espiritual da humanidade.




Capa do Album Sgt Peppers


Em destaque Sri. Yuktéswar, Babaji, Yogananda e Laíri Mahasaya
 

Huberto Rohden
 Saindo do âmbito das possibilidades, é fato que Babaji iniciou um movimento espiritual no mundo moderno sem precedentes. Sua vida, seu exemplo, sua história e o de seus quatro iogues discípulos ( Lahiri Mahasaya, Sri, Yuktéswar e Yogananda), promoveram um grande reavivamento espiritual no mundo todo. É difícil encontrar um buscador ou espiritualista que não conheça Yogananda ou Babaji. Aqui no Brasil, o grande espiritualista e escritor Huberto Rohden era discípulo indireto de Yogananda.  Até mesmo os Beatles prestaram homenagens a Babaji e seus discípulos diretos, estampando-os na capa do famoso álbum Sgt Peppers . O livro  Autobiografia foi lido por milhares, milhões de pessoas e quem o lê sente acender a chama da busca pela evolução espiritual. É difícil não querer emprestá-lo ou presenteá-lo a um amigo ou parente , foi assim que ele veio ao meu conhecimento e ao conhecimento de muitos.
Mas, é bom que se diga, Babaji não é propriedade de ninguém.  Assim como os cristão não são “donos” de Cristo, nem Buda é propriedade dos budistas. Babaji é da humanidade. Assim também é sua mensagem, ela não é de ninguém, mas de todos.  Apesar de haver muita gente querendo tirar vantagem ou explorar os incautos usando o nome sagrado de Babaji, sabemos que ele mantém-se acima dessas mesquinharias e pobreza humanas. Algumas organizações e movimentos se arvoram em únicas autoridades sobre a legitimidade de  seus ensinamentos. Assim, criam um falso mistério, um hermetismo tolo e medievalesco. Babaji, autorizou dar iniciações em Ioga, a todos que sinceramente se interessassem pela senda espiritual. No entanto, sabemos que estas iniciações, se tornaram  objetos valiosos no mercado- onde quem manda é quem tem dinheiro. Mas, “não há nada de oculto que não venha ser revelado” já dizia o Cristo. Para que esse hermetismo estúpido? Os ensinamentos de todos os mestres nunca foram reservados a poucos escolhidos. Se não, estaríamos impedindo que todos tivessem acesso igual ao Reino dos Céus, Nirvana ou Moksha ( Libertação). Não há nenhum segredo. Todos os que pagaram para “conhecer” a “verdadeira ioga de Babaji” são unânimes : é a mesma mensagem do Bhagavad Gita, de Sankara, de Buda, de Cristo , de Krishnamurti e outros mais. Em essência é exatamente a mesma. Então para que tanto mistério? Seria por causa do dinheiro arrecadado com os cursos por correspondência?
Não sejamos tolos.  Babaji está além de todas as organizações e movimentos religiosos, e acima todas essas “querelas” infantis . Quem realmente é BABAJI, o que disse, o que ele fez, ou faz, não temos como saber e ninguém, ninguém está autorizado a se fazer porta-voz do Infinito- a não ser os grandes – os iluminados- que ele próprio escolheu cujos nomes são centenas de vezes citados aqui. Pode ser que Ele esteja juntamente com outros avatares, cuidando de questões cósmicas sobre o destino do Universo,  pode estar - humilde e anonimamente- servindo aos famintos e necessitados – como fez quando Sri. Yuktéswar o encontrou num festival religioso na Índia ( Kumb Mela). Pode estar socorrendo os aflitos- em suas orações e dores profundas . Pode estar influenciando e comandando acontecimentos de magnitude mundial ou cósmica. Pode estar inspirando escritores e buscadores no mundo todo. Pode estar em nossos corações, na natureza, num cachorro que chutamos por desprezo e arrogância. Como saberemos? Então o que nos resta fazer?
Resta-nos MEDITAR . Quanto mais profunda for nossa meditação, maiores serão nossas chances de entrar em sintonia não só com Babaji, mas com Cristo,  Buda etc. Lá, na região do imensurável, além de todas palavras, descrições , pensamentos e desejos é que poderemos ter um vislumbre dos avatares, seres que são a própria divindade encarnada.  Krishnamurti, pouco antes de morrer disse:  “se vocês viverem os ensinamentos poderão tocar aquela energia imensa, vasta e infinita”. Sri Yuktéswar, por ocasião de sua ressurreição, disse que a meditação é a porta para contatar os planos superiores- o Causal Superior- onde pairam as grandes almas libertas ( A. Y.-463). Muitas pessoas, já sentiram ou perceberam a  presença abençoada dos mestres, tanto em meditação, quanto em profunda e verdadeira oração ( Unidade Frequencial).  Essas manifestações são íntimas e pessoais e não devem ser divulgadas, ou usadas para fins de autopromoção pessoal- exceto quando atendem a uma orientação superior.

Babaji não é “mais um deus”, ele é um ser divino, um avatar, como Cristo, Buda, Krishnamurti e outros. São nossos irmãos que amorosamente descem ao mundo, num esforço hercúleo para, através de seus ensinamentos e exemplo, nos mostrar a luz da VERDADE e o caminho da LIBERTAÇÃO, para que um dia possamos despertar  nossa própria  natureza divina e, assim, realizarmos o que o próprio Deus e Cristo afirmam na Bíblia:
 “SOIS DEUSES! SOIS TODOS FILHOS DO ALTÍSSIMO!” (JOÃO 10:34; Sl 82:6)
AUTOR : ALSIBAR
htpp://alsibar.blogspot.com
MSN: alsibar1@hotmail.com
Referências:
·         Autobiografia de um Iogue- Paramahansa Yogananda- Self Realization Fellowship – Brasil- 2008.
·        * Babaji Kriya: http://www.babaji.ca/portuguese/babaji.php

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O VERDADEIRO MESTRE- THE TRUE MASTER


O verdadeiro mestre
Por definição é alguém sem EGO
Ele não se sente mestre de ninguém,
Está além dos desejos  e das mesquinharias
Humanas.
Não se orgulha de sua sabedoria
Nem do seu conhecimento.

O verdadeiro mestre
É um mistério em si
Um paradoxo
Pois
É
Sem ser
E exatamente por não ser
É que ele
É.
Na verdade é muito difícil
Definir um mestre verdadeiro
E mais difícil ainda
Reconhecê-lo
É muito fácil enganar
É muito fácil iludir
Tanto a si mesmo
Quanto aos outros.

Um verdadeiro mestre
Simplesmente abomina este título
Títulos e reverências são
Adubos para o EGO
Que o verdadeiro mestre
Vigia constantemente
Para que não cresçam
No solo do seu
Coração.

Os verdadeiros mestres
São como crianças
São Oceanos
Infinitos
Sem
Os
Limites
Do
EGO.

Um mestre verdadeiro
Não aceita sua própria
Autoridade

Consequentemente
Não a impõe
A Ninguém .
Ensina pelo exemplo
Sua Luz é sua vida
Sua presença,
Não sua
Verborragia.
Ele sabe
Que a Verdade não está nas palavras,
Ajuda seus irmãos a
Descobrirem sua
Própria luz interior.
É sábio
Sem saber.
É mestre,
Sem querer.
Nada quer para
Si
Nem honras nem glórias
Nada é seu,
Nada é de si,
Uma flauta,
Que o Universo
Sopra.
Mas onde encontrá-lo?
Onde estão os mestres?
Com certeza estão
Em todos os lugares,
Visíveis e invisíveis,
Ao nosso lado,
Nos nossos amigos,
Familiares,
Na natureza,
Dentro de nós.

O verdadeiro mestre é um amigo,
Um irmão,
Um facilitador
Da nossa eterna
E infinita
Aprendizagem
Ele não nos impõe novos
Conhecimentos-
Verdadeiro fardo
Mental.
 Ele nos ensina como aprender de
Tudo.
Pois o Todo,
O Grande Mestre,
Está sempre nos ensinando
 como viver
Como ser
Como agir.

O verdadeiro mestre
É cirúrgico
Opera
nossos ouvidos,
olhos,
e  mente
Para que aprendamos
A ouvir
Ver
E
Entender
A linguagem
 do Universo,
Do nosso coração,
Da natureza,
Da vida,
E de tudo que
Está ao nosso redor,
Para que todos sejam
Independentes,
 Encontrem
Sua própria
Luz
interior
e
 tornem-se
Mestres
De
Si
Mesmos.

Autor: ALSIBAR (inspirado no Tao)