quinta-feira, 28 de julho de 2011

A FREQUÊNCIA DIVINA - THE DIVINE FREQUENCY


Em que frequência vibracional operamos?E em qual frequência VOCÊ opera? Como poderemos mudar nossa vibração? O que podemos fazer para vibrar em frequências mais elevadas? Qual é a frequência Divina? Como podemos conectá-la? É o que trataremos no artigo abaixo.
Que o Universo é de natureza vibracional isto não é novidade nenhuma. A ciência quântica, em suas últimas descobertas, comprovou que as partículas sub-atômicas não movimentam-se linearmente no tempo . Elas vibram em movimentos imprevisíveis perfazendo rotas que a matemática tradicional não consegue prever, nem entender. Daí que a ciência, só agora está descobrindo o que os místicos, sábios e iogues já afirmam há séculos : que tudo no universo manifesta-se através de vibrações, desde as partículas subatômicas,  até a energia condensada que chamamos de matéria. A grande questão, prática para nós, é sabermos o que isto tem a ver com nossa vida diária. É muito simples, se até os objetos – que consideramos inanimados e inertes- vibram, o que dizer então dos seres humanos? Nessa perspectiva, estamos também sempre enviando vibrações  de todas as espécies através de nossos pensamentos, emoções, atitudes, desejos e intenções. Essas vibrações, como ondas de um radar, retornam para nós na mesma  intensidade e frequência com que foram enviadas. Daí se falar em Lei da Atração, Lei de Causa e Efeito ou Carma.
Ora, durante muito tempo, foi-nos ensinado que bons pensamentos, emoções e atitudes atraem coisas boas tais como saúde, sucesso etc. Sim, certamente isso é verdadeiro.  Mas, se fôssemos capaz de fazer uma escala de gradação de vibrações, os bons pensamentos ficariam dentro de uma frequência baixa,   mediana,  ou elevada ? Será que estas vibrações são realmente elevadas ou estão abaixo de vibrações mais sutis e avançadas? Em outras palavras, quando pensamos ou sentimos, isso nos conecta com quais vibrações ou planos ? Certamente não seria com planos divinos que operam em vibrações muito mais sutis e delicadas do que nossos grosseiros pensamentos, sentimentos, emoções e desejos. Dizer que tudo é divino é fácil e confortante, e talvez  seja verdade, dentro de uma perspectiva de potencialidade. Não algo que vivemos no agora- no atual estágio de desenvolvimento e percepção. Tudo é divino, mas nossas mentes estão pesadas de tanto lixo acumulado ao longo dos anos, que ao afirmarmos isso - soa tão vazio e carente de fundamentação. Atualmente, apenas temos a semente divina, ela está em algum lugar dentro de nós, mas isso não nos confere o status de ser divino, ainda. Isso gera muita confusão, erros e ilusões pois se não olharmos para o que realmente somos –  na realidade – e não na idealização- nunca chegaremos a realmente perceber algo além desta pobreza e mediocridade na qual vivemos atualmente.
Se realmente já fôssemos divinos, se já tivéssemos atualizado esse estado latente, o mundo estaria nesse caos em que está? Certamente que não. Então, não nos iludamos dizendo que somos divinos, deuses, ou coisas parecidas pois isso poderá trazer mais estragos do que benefícios. Não se pode dizer que a semente é a árvore. Ela contém em si a possibilidade de tornar-se uma árvore, mas precisa reconhecer-se como semente. Do que contrário, a semente, caso tivesse consciência igual a nossa, enlouqueceria. Pois, nossa consciência atual, condicionada, arrogante e limitada adora projetar-se a si mesma como grande, poderosa e divina. Quando, na verdade, ela é apenas o resíduo acumulado de experiências, vivências, emoções e pensamentos – formando um grande lixão psicológico tão pesado e solidificado que sua remoção tornar-se quase impossível. Mas, onde se acumula tanta coisa, tanto lixo, tanto resíduo? Biologicamente é nas células cerebrais  ou correntes neurais e psicologicamente é na mente abstrata, invisível e cuja natureza é límpida, pura , silenciosa e ilimitada. Na dúvida, basta lembrar-se de como éramos antes do começo do acúmulo dos resíduos, quando nossas mentes eram frescas, puras e originais como o é a mente das crianças em fases iniciais de crescimento.
O pensamento pois, só conecta-se com o que está dentro do seu próprio limite e alcance. E mesmo os bons pensamentos, apesar de úteis, só podem conectar-se com vibrações similares à da matéria. Ou seja, pensamento por ser energia, e por isso, matéria, só pode conectar-se com vibrações de energia condensadas ou matéria. Por isso que se diz que se pensares e desejares um carro  roupas, casas e outros objetos materiais - terás. Mas não se pode alcançar o divino, o imaterial, o imensurável, o que é infinito, da mesma forma com que se alcança coisas. Por que? Pela mesma lógica das vibrações: semelhante atrai semelhante. Pensamentos limitados e condicionados não alcançam o que é ilimitado e incondicionado. Mas, quando a mente, que inclui o cérebro e sua células, alcança  estados vibracionais  mais sutis e elevados ele passa naturalmente a conectar-se com planos cada vez mais elevados e sutis. Podendo, inclusive, conectar-se com os chamados planos planos divinos  tantas vezes citados em livros sobre Yoga e misticismo.
Assim sendo, na meditação a consciência se amplia cada vez mais, alterando suas vibrações  fazendo-a conectar-se com planos e reinos cada vez mais sutis e elevados. Mas, seria uma incoerência, alcançarmos estes estados somente durante a  meditação,  passando a viver nosso dia-a-dia dentro das vibrações  do pensamento condicionado. Não vamos muito longe agindo desta forma. Muitos que seguiram esta rota, tornaram-se perigosos magos negros cujo perigoso estado de degradação vai levando indivíduo a conectar-se com  planos cada vez mais grosseiros. Enquanto vivem no pesado invólucro do corpo, são considerados sábios e muitas vezes avatares, mas interiormente estão afundando sua consciência em poços cada vez mais profundos e dolorosos. Acumulando carga cármica  cada vez mais pesada.
Não é à toa que os mestres nos alertam sobre o perigo desse estágio inicial de desenvolvimento dos  poderes e percepções extrasensoriais. Nesta fase, a consciência do indivíduo já vibra numa frequência mais elevada do que a normal, mas ainda baixa, quando comparada com as frequências dos planos realmente divinos. Por isso, muitos sábios e místicos verdadeiros nos dizem para mantermos sempre a humildade e o desapego em relação a estes poderes. Eis o perigo de nos considerarmos deuses, como muitos  por aí se consideram , divulgam isso passando uma falsa convicção, fruto de sua poderosa ilusão mental. Quando a Bíblia diz “sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo” é para nos incitarmos à busca pelo crescimento e despertar espiritual através da revelação de nossa verdadeira natureza e origem divinas. Não é para nos tornar  arrogantes ou orgulhosos por algo, que por hora, só o temos enquanto possibilidade .
Sri. Yukteswar
A meditação verdadeira, aquela que nos limpa de toda sujeira do Ego, é a que pode realmente nos conectar com o divino atemporal dentro e fora de nós. Mas ela não pode tornar-se uma forma de diversão, ou comprimido para dormir  e relaxar, ela é algo que normalmente não entendemos de início ou percebemos sua ação – porquanto ela é sutil e invisível, quase imperceptível no estagio atual de nossa consciência. Os místicos e sábios chamam esses estágios de conexão por diversos nomes insight, samadhi, satori, percepção, expansão da consciência etc. Basta-nos saber que o Desconhecido já encontra-se aqui, ele não está lá distantes. São invisíveis e imperceptíveis como as ondas de rádio, telefone ou televisão, bastando apenas um aparelho receptor para que a conexão seja possível e as imagens e som se revelem. Assim também é com o Desconhecido, ele está sempre aqui mas não o percebemos. Quando a mente se esvazia de toda poeira, lixo e carga do passado, dos desejos, da ânsia e do pensamento condicionado, então a conexão se realiza, e o homem passa realmente a se conectar com os planos divinos, que muitos chamam de plano causal ou plano das idéias.
Os estados e planos  invisíveis, já foram citados e comentados por diversos avatares e iluminados ao longo do tempo, sendo conhecimento corriqueiro das chamadas sociedades secretas como Maçonaria e Teosofia. Mas Sri. Yukteswar – mestre de Paramahansa Yogananda- por ocasião de sua ressurreição e materialização, trouxe a confirmação e descrição detalhada desses mundos e planos . E também de como o homem se conecta ,  se identifica ou se movimenta pelos diversos mundos de acordo com seus pensamentos , desejos,  e ações (carma). Quem quiser saber mais sobre estes assuntos poderá ler o capítulo “ A Ressusrreição de Sri. Yukteswar no livro “Autobiografia de um Yogue" de Paramahansa Yogananda.

Autor: ALSIBAR

P.S. Obrigado pela leitura do texto, quero registrar que ao escrevê-lo, senti sensações estranhas e as palavras me fluiam naturalmente, será que foi inspirado? Não sei. Mas fica aí o registro


terça-feira, 26 de julho de 2011

O PASTOREIO DO TOURO: UMA VIAGEM HOLOGRÁFICA




PASTOREIO DO TOURO
A RECUPERAÇÃO DA PUREZA ORIGINAL
Nos dez quadros do pastoreio do touro, o mestre zen Kaku-as Shi-em da dinastia Sung, ilustrou as etapas da Iluminação através de desenhos simbólicos. Ali está o homem, dividido em personalidade e espírito, esquecido da pureza original, lutando contra tudo, incapaz de distinguir entre a falsidade e a verdade. Mas, ao prestar atenção àquilo que o rodeia, percebe, através dos sentidos, a verdadeira natureza das coisas, eliminando toda noção de ganho e perda, de claro e escuro. Enfim, a dualidade desaparece quando se recupera a natureza original.

PROCURANDO O TOURO
O touro, na realidade, nunca foi perdido. Então, por que procurá-lo? Tendo dado as costas à sua verdadeira natureza, o homem não pode vê-lo. Por causa de suas ilusões, ele perdeu o touro de vista. Repentinamente, se acha confrontado por um labirinto de encruzilhadas. Desejos de ganhos e medos de perdas sobem como chamas; idéias de certo e errado aparecem como punhais.
“Desolado através da floresta, com medo, nas selvas, ele procura o touro e não encontra.
Para lá e para cá, grandes rios sem nome;
nas profundezas dos ermos das montanhas ele segue muitas veredas.
Cansado de coração e corpo, continua sua busca por aquilo que não pode ainda encontrar.
De tardinha, ouve as cigarras cantando nas árvores.”

ENCONTRANDO A PISTA

Através dos sutras e ensinamentos, ele vislumbra as pegadas do touro. Foi informado que, assim como diferentes vasos (de ouro) são todos basicamente do mesmo ouro, assim também cada coisa é uma manifestação do próprio ser. Mas ainda é incapaz de distinguir o bem do mal, a verdade da falsidade. Não entrou ainda pelo portão, mas vê, numa tentativa, a pista do touro.
“Inumeráveis pegadas ele viu na floresta e nas margens das águas.
Não é aquilo que ele vê adiante, mato amassado?
Mesmo nas mais profundas grotas ou nos mais altos picos,
não pode ser escondido o nariz do touro que alcança para os céus nas alturas.”

PRIMEIRO VISLUMBRE DO TOURO
Se ele somente escutar os sons de cada pegada, virá à realização e, naquele instante, verá a própria origem. Os seis sentidos não são diferentes desta verdadeira origem. Em todas as atividades a origem está manifestadamente presente. E análoga ao sal na água, à liga na tinta. Quando a visão interna está corretamente focada, realiza-se, que o que é visto é idêntico á origem.
“Canta o rouxinol num galho
o sol brilha nos salgueiros que ondulam;
ali está o touro, onde poderia esconder-se?
A esplêndida cabeça, os majestosos chifres,
que artista pode retratá-lo?”

SEGURANDO O TOURO
Hoje ele encontrou o touro que estava vadiando pelos campos selvagens. E verdadeiramente o pegou. Por tanto tempo se comprazeu nestes arredores que quebrar seus velhos hábitos não é fácil. Continua querendo o capim cheiroso, está ainda indócil e teimoso. Para domesticá-lo, completamente, o homem deve usar o chicote.
“Ele deve segurar firmemente a corda e não soltar
agora ele corre para as terras altas
agora demora-se nas ravinas enevoadas.”

DOMESTICANDO O TOURO
Com o nascimento de um pensamento, outro e outro mais nascem também. A iluminação traz à realização, pois estes pensamentos são irreais, já que não surgem de nossa verdadeira natureza. Somente porque a ilusão permanece, são os pensamentos tidos como reais. Este estado de ilusão não se origina no mundo objetivo, mas em nossas próprias mentes.
“Ele deve segurar o touro com força pela corda do nariz
e não permitir que vague sem cuidado.
Ele se torna limpo e claro. Sem cabrestos,
segue o dono por sua própria vontade.”

INDO PARA CASA MONTADO NO TOURO
A luta acabou, "ganho e perda" não mais afetam. Ele murmura canções rústicas dos montanheses e toca as cantigas simples da meninada da aldeia. Montado no lombo do touro, olha serenamente as nuvens que passam. Sua cabeça não se vira (na direção das tentações). Tente-se, como quiser, aborrecê-lo, e ele permanece imperturbável.
“Usando um grande chapéu de palha e capa,
montado e tão livre quanto o ar,
ele alegremente vem para a casa através das neblinas do entardecer.
Aonde quer que vá, cria a brisa fresca,
enquanto que no coração prevalece a profunda tranqüilidade.
O touro não requer nem um talo de capim.”

O TOURO ESQUECIDO, O EU SOZINHO
No dharma não há duas coisas. O touro e sua natureza original. Isso ele reconhece agora. A armadilha não é mais necessária quando o coelho foi capturado, a rede se torna inútil quando o peixe foi apanhado. Como o ouro separado da escória, como a Lua que apareceu entre as nuvens, um raio de luz brilha eternamente.
“Somente com o touro ele pode chegar a casa
mas agora o touro desapareceu e só e sereno senta o homem.
O sol vermelho passa alto no céu enquanto ele sonha placidamente.
Lá embaixo do telhado de sapé jazem, sem uso, chicote e corda.”

O TOURO E O EU SÃO ESQUECIDOS
Sumiram todos os sentimentos ilusórios e desaparecidas estão também as idéias de santidade. Ele não se demora (no estado de "eu sou um Buda") e passa rápido (pelo estado de "e agora me livrei do orgulhoso sentimento de ser") para não Buda. Mesmo os mil olhos (dos quinhentos Budas e patriarcas) não podem discernir nele qualquer qualidade específica. Se centenas de pássaros jogassem flores por sua casa, ele só se sentiria envergonhado.
“Chicote, corda, touro e homem pertencem igualmente ao vazio.
Tão vasto e infinito é o céu azul que não há conceitos que o alcancem.
Sobre o fogo flamejante o floco de neve se funde.
Quando este estado é realizado chega finalmente a compreensão do espírito dos antigos patriarcas.”

VOLTANDO A ORIGEM
Desde o começo, nunca houve nem um grão de poeira (para bloquear a pureza intrínseca). Ele observa o crescer e decrescer das coisas do mundo, enquanto permanece sem esforço, num estado de tranqüilidade inalterável. Isto (o crescer e decrescer) não é ilusório nem fantasmagórico (mas a manifestação da origem). Por que, então, é preciso lutar por algum objetivo? As águas são azuis e as montanhas verdes. A sós, consigo mesmo, ele observa o mudar sem fim das coisas.
“Ele voltou à origem, retornou à fonte primeira.
mas seus passos foram em vão.
E como se agora estivesse surdo e cego.
Sentado em sua palhoça, não procura coisas de fora;
fluem de si mesmas as águas correntes,
flores vermelhas desabrocham naturalmente vermelhas."

ENTRANDO NA PRAÇA DO MERCADO
O portão de sua palhoça está fechado. Nem o mais sábio pode encontrá-lo. O seu panorama mental finalmente desapareceu. Ele vai no seu próprio caminho, não fazendo tentativa alguma de seguir os passos dos antigos mestres. Carregando uma garrafa, passeia pelo mercado; apoiado num bordão, volta para casa. Conduz os donos de botequins e peixarias ao caminho de Buda.
“De peito nu e descalço, dá entrada no mercado enlameado e coberto de poeira;
como sorri amplamente
sem recorrer a poderes especiais
faz com que as árvores ressequidas floresçam novamente.”

COMENTÁRIO FINAL
O Pastoreio do Touro tem um ótimo valor didático pois descreve as etapas da viagem do autoconhecimento  de forma simples e fácil .  O que se deve entender é que esta viagem ocorre toda vez que se entra em meditação- e não apenas como etapas ao longo da vida do buscador. É como um holograma que contém em cada parte a representação do todo. Então, não é que devamos  procurar o touro e passar por todas essas etapas como se elas acontecessem ao longo da vida de forma estanque e  separada . Cada etapa repete as mesmas "fases" da grande viagem. Na meditação, segue-se basicamente as mesmas etapas, de procura, encontro, separação, unificação, até o momento de completa quietude e tranquilidade e depois o retorno ao mercado- ou seja a consciência retorna para seu estado natural, mas algo em si vai sendo transformado toda vez que o "pastoreio" é completado. Ou seja, a cada mergulho, a cada viagem interna, a mente vai se tornando cada vez mais iluminada , desperta e silenciosa até chegar ao objetivo "final". (Alsibar)

REFERÊNCIAS:
FONTE: ZEN-BUDISMO. Planeta especial. N. 188-A.

 P
ostado por Ruth Inez Valadares às 10:12
domingo, 27 de janeiro de 2008
LINK original do pastoreio: http://mundo-zen.blogspot.com/


segunda-feira, 25 de julho de 2011

O LÓTUS DA ILUMINAÇÃO - The Lotus of Enlightment

Lótus Branco
O lótus é uma planta aquática originária da Índia da família das ninfeáceas (Nymphaea lotus) cultivada em lagos. Possui flores alvas de até 25 cm de diâmetro e muitos estames e pétalas e cujas sementes são comestíveis. Por brotar do fundo das águas escuras e lamacentas, e viver majestosa acima das mesmas, é considerado um dos maiores símbolos espirituais da Índia. Citado em sermões famosos de Buda e também no Bhagavad-Gita, o Lótus simboliza o desabrochar da Iluminação. Neste texto vamos discorrer sobre algumas concepções errôneas deste processo e por que o Lótus simboliza tão perfeitamente este estado de perfeita libertação.


Todos os verdadeiros mestres são unânimes em afirmar a necessidade de ultrapassar o nível intelectual ou do pensamento como condição sine qua non à Iluminação. Uma mente tagarela não pode ir muito longe. Ficará sempre andando em círculos, incapaz de compreender ou perceber a Verdade. É certo que sem silêncio interior não há libertação do EGO – pois o barulho é o EGO.  Os mestres  só divergem na maneira de se alcançar esse silêncio: qual o caminho , o que fazer , como praticar etc etc.
 Alguns dizem que não há método, outros usam o método para chegar ao não-método. Outros pregam o auto-questionamento, a introspecção etc. Cada qual fala a partir de sua própria  percepção e vivência particular. Mas essas divergências só  existem no que diz respeito aos preâmbulos, ao que antecede "o caminho' . Mas, o certo é que não importa o caminho ou o transporte :  a pé,  a cavalo, de carro, ônibus, avião, ou teletransporte – todos buscadores sinceros chegarão ao mesmo ponto.  Provavelmente uns chegarão mais rápido do que outros - e talvez, alguns, nunca cheguem.


Mas, e se percebêssemos, desde o princípio, aquilo que muitos só perceberão no fim?  Ou seja, que não há nenhum caminho, nem objetivo, nem lugar para se ir ? Então , abandonaríamos muita coisa desde o começo. Para que as preparações, os esforços, as disciplinas, os livros sagrados, a obediência às ditas autoridades espirituais? Não é ilusão querer alcançar o que já se tem ou querer chegar onde você já está? Talvez não haja caminhos, nem objetivos, nem nada a se alcançar. E quanto mais cedo alguém percebe isso, mais rápido se libertará da ilusão do vir-a-ser- que fortalece e perpetua o EGO. Muitos dizem: “a liberdade é resultado de grandes esforços e só poderá ser alcançada após anos e anos de sacrifícios”. Será mesmo?Alguma vez refletimos seriamente sobre estas afirmações?  Será que não há aí um processo de ilusão  e , talvez, exploração?


O problema é talvez esteja na idealização da iluminação como  algo distante, quase inalcançável. Algo como o "fim" de tudo. Mas  pode ser que não seja um fim. Nem uma experiência distante e extraordinária.  Pode ser que ela não venha através de esforços, dos desejos, da busca através do tempo. Não é isso que nos ensinam os verdadeiros mestres  e Iluminados? Ora, o que é iluminação senão a percepção das coisas como elas são? Ou seja, ao se compreender a natureza do EGO, o problema do desejo, a inutilidade da busca e a ilusão do  vir-a-ser, não vem com isso uma grande claridade, liberdade e felicidade? E isso não será isso a compreensão da Verdade? A Verdade é  a visão do que é verdadeiro em oposição ao que é falso e ilusório. Todavia, o ser humano se agarra a estas ilusões  por conveniência,  segurança psicológica  e conforto e "bem estar". 


A PERCEPÇÃO é o solo onde floresce a Iluminação. O autoconhecimento e a meditação são seus melhores adubos e alimento. "Perceber" é o mesmo que compreender ou ver claramente.  Mas esse florescimento não é  produzido por você, nem pode ser produzido por ninguém. Algum ser humano é  responsável pela germinação e florescimento de uma planta?  Não. Ninguém pode dizer: "sou eu quem a faço germinar". Você prepara o terreno e lança as sementes, apenas. Você tem uma participação indireta neste processo.  Você cria as condições ideais para o florescimento. Só isso.  Mas a Natureza é quem faz tudo florescer, crescer e brotar. 


      Da mesma forma é um equívoco o discurso do "não fazer nada" absoluto. Mas é claro que cada um pode e deve fazer algo. A percepção tem que partir do sujeito. É iniciativa dele. É a sua parte no trabalho. Mas ele só pode atuar até um determinado ponto. Há limites para o "fazer"- assim como no caso das plantas. Conhecer esses limites constitui profunda sabedoria. Ao perceber, compreender e encarar a Verdade sobre si mesmo  você estará "fazendo algo". Ao sentar-se em meditação ou simplesmente abrir-se a ela, quando ela se manifesta é um "fazer algo". Mas nada mais pode ser feito.  E daí por diante começa o movimento do Sagrado. Aquela misteriosa e sagrada Energia que cria,  move, sustenta e destrói o Universo se encarrega de fazer o restante do trabalho. 


Assim também é o Lótus da Iluminação. 
Só podemos "preparar o terreno", regando-o através da meditação, da compreensão e do autoconhecimento. Aprendemos, então a parar e ficar "quieto". Nesta quietude, manifesta-se a misteriosa ação do Desconhecido, do Atemporal, do    Inonimável.


Obrigado!  
 ( ALSIBAR- inspirado em K)
http://alsibar.blogspot.com
mns: alsibar1@hotmail.com
Lótus Roséo

domingo, 24 de julho de 2011

AMY WINEHOUSE: A MATRIX FAZ MAIS UMA VÍTIMA - Amy Winehouse: Matrix 's newest victim



Michael Jackson, Amy Winehouse, Elvis Presley, Elis Regina, Janis Joplin e Cássia Eller
IMarilyn Monroe, Elvis Presley, Michael Jackson, Janis Joplin, e no Brasil :Elis Regina Cássia Eller e, a  última vítima : Amy Winehouse, dentre outros, o que as mortes trágicas dos artistas famosos nos ensinam? Que lições podemos tirar de tragédias como estas? O que isto tem a ver com todos nós? É o que tentaremos explorar no texto abaixo.
 Amy Winehouse era considerada uma das maiores divas da música soul. Talento inato, voz singular e uma vida permeada por escândalos envolvendo bebida e droga, logo cairam ao sabor da imprensa sensacionalista e também da imprensa séria e especializada. Nesta última, o destaque eram elogios de público e de  crítica que tornaram-na uma estrela de talento reconhecido e valor musical incontestável. Rapidamente a diva ganhou o mundo. Milhares de fãs no mundo todo, inclusive no Brasil, reafirmava o talento da grande estrela britânica. A grande incoerência disso tudo é que a popstar, apesar do dinheiro, fama e reconhecimento, não parecia  feliz e realizada. Será isso um fato isolado ou ele diz respeito a todos nós? Não teria isso a ver com a falsa idéia de que o dinheiro e a fama podem nos trazer felicidade? Será que também não compartilhamos desta ilusão?
É fato que boa parte da estrutura social e psíquica da sociedade capitalista está cada vez mais prisioneira de concepções errôneas sobre a felicidade e o bem estar. Quando somos muito pobres, melhorar de vida passa ser nosso principal escopo na vida. Mas quando já temos tudo, de repente, vem a desgraçada constatação : já tenho tudo e mesmo assim não sou feliz, como pode ser? E então o que o indivíduo faz? Se tivesse um pouco de sabedoria – como parece ter alguns famosos como Jim Carrey e Oprah Winfrey - voltam-se para o interior, para a meditação, para o autodescobrimento e ali, encontram o equilíbrio necessário para suas vidas. Mas, se por infelicidade,  azar, ou carma, refugiam-se nas drogas e na bebida, passam a trilhar um caminho perigoso onde a perspectiva de um fim trágico torna-se  inevitável.
Alguém um dia me perguntou se a meditação pode salvar as pessoas do vício das drogas. Acredito que pode, mas é muito mais difícil e complexo. Digo isso por uma constatação muito simples: os não viciados em drogas são viciados em outras coisas como, por exemplo, no pensar automático, nos devaneios, na religião, no futebol etc – elementos que funcionam como “amortecedores” usando a terminologia de Gurdjieff. Esses amortecedores são mecanismos usados pela Matrix (Ilusão) para que não percebamos nossas próprias contradições e assim, possamos de repente, despertar ou querer despertar. Assim, os amortecedores são muito diversos e ao gosto de cada um. Pode ser jogos, sexo, pessoas, livros, cigarro, religião e daí por diante. Não há problema no uso de alguns amortecedores quando você está consnciente do que são. Mas os amortecedores que atingem o corpo físico e o prejudica, são muito perigosos pois podem levar à doenças graves e à morte.
Assim, para despertar, o viciado tem uma tarefa hercúlea pela frente: além de lutar contra os vícios normais da sociedade (normose), tem que enfrentar o vício das células cerebrais , do corpo físico e da mente (sensações) pois tudo isso está dominado pelas drogas químicas. Ou seja, não quer dizer que ela não possa ser usada como coadjuvante. Pode, mas apenas como coadjuvante, pois sabemos que é um problema por demais complexo e ainda não foram descobertas  receitas fáceis e infalíveis que combatam eficazmente este problema.
Todavia, acredito na eficácia da meditação como um tratamento preventivo. Aí eu vejo que está sua real utilidade : na fase em que o corpo ainda não tornou-se dependente da química, apesar dos vícios psicológicos e emocionais. Por isso, creio ser muito importante a divulgação e o ensino da meditação pelo mundo todo. Quando falo “meditação” não estou me referindo apenas às técnicas sentadas e ensinadas por algumas organizações e gurus. Esta pode ser de alguma valia para reintroduzir ou manter o indívíduo “são”, dentro da concepção de normose social. Falo da meditação que não tem horário – mas não impede que tenha. Que não tem posturas – mas também não impede que tenha.  Da meditação ensinada por mestres como Krishnamurti, Ramana Maharshi os patriarcas Zen. Ela começa pela busca da autocompreensão, pelao tentar descobrir o que é o EGO e como ele atua em nossas vidas. Uma meditação que motive a liberdade como primeiro e último passo para o encontro com a verdade sobre si mesmo. Uma meditação que liberte o homem de suas próprias ilusões e concepções errôneas. Que traga paz e luz fazendo-o mestre de si mesmo e não um simples seguidor de qualquer livro, guru, mestre, organização ou religião. Uma meditação que possa libertá-lo definitivamente da poderosa Matrix – tornando-o um ser realmente livre e capaz de perceber a verdade por si mesmo, onde quer que ela esteja.
Na meditação pode estar a solução para muitos problemas que afligem a humanidade, inclusive àqueles que levaram à morte Amy Winehouse e tantos outros artistas queridos. A morte trágica dos astros pops, não são fatos isolados – são sintomas de uma doença social, espiritual e psicológica que afeta a todos nós. Uns manifestam a doença de forma mais grave outros menos, mas é uma doença que atinge a todos que vivem na Matrix. Ora, o que leva uma pessoa a beber e tomar drogas ? O vazio? A tristeza? E também não fugimos de nosso vazio e tristeza através de várias fugas sociais e psicológicas? Por isso dizemos que é um problema que atinge a todos. Obviamente, que dependendo da situação e do momento em que estamos passando, esses problemas podem se agravar nos levando a situações extremas como a loucura, depressão, suicídio, drogas etc.
É bem verdade que- alguns podem alegar- vícios como o sexo, o pensamento automático, os devaneios, a religião, o futebol, os jogos, as organizações etc.são muito mais saudáveis e menos prejudiciais do que as drogas químicas. Certamente que são. Disso não há dúvidas. Mas esses vícios nos mantém escravos da Matrix, com a suave ilusão de que tudo está bem e que não precisamos buscar nossa libertação. Quero só lembrar uma coisa : por definição,  Matrix é a Máquina da Ilusão e como tal nos engana. É como o canto suave e hipnotizante de uma sereia que o põe a dormir e sonhar. Mas, quando menos se espera vem o bote, a dor, o sofrimento, as crises, a morte, a separação, as perdas e, estupefatos, não entendemos porque estas coisas acontecem em nossas vidas. É simples : na Matrix não pode haver paz duradoura. A natureza da vida e a estrutura do Universo é tal que não conseguimos dormir tranquilamente por muito tempo. Há sempre interrupções periódicas, que são as crises que já mencionei. É mais ou menos assim: sono-crise-sono;crise-sono-crise em um movimento sem fim. Não percebemos que esse círculo vicioso, esse paradgma nefasto nos acompanha a vida toda. Em parte por conta dos amortecedores, em parte porque não queremos acordar mesmo. Mas aí, é um problema de cada um. Jesus, o verdadeiro Neo da humanidade disse : “ Eis que estou à porta e bato, aquele que abrir eu entrarei e com ele cearei”. Se você não quer abrir a porta à luz da libertação, paciência! Ninguém forçará a entrada.
Mas , infelizmente, é como disse Osho “ Chame mil, cem ouvirão, dez começarão a se mexer e apenas um chegará porque dez se perderão no caminho”.Ou seja, você provavelmente não verá nenhuma relação destes fatos com sua própria vida. Sua mente dirá, algumas vezes “ Isso não tem nada a ver comigo,  problema dela que entrou neste caminho! E, muito provavelmente, você que está lendo este texto não fará nenhuma relação deste fato com sua vida, e voltará à dormir, levar sua vida “normalmente” ,sem nenhum incômodo, como se nada tivesse acontecido. Os choques que atingem os outros não são o bastante para fazer-nos refletir sobre nossa própria vida. Tragicamente, mesmo aqueles que nos atingem não nos faz procurar a libertação, pois logo vem um “amortecedor” para pôr-nos a dormir novamente.
Termino este texto deixando uma pergunta que parafraseando o Neo do século passado J. Krishnamurti que perguntava frequentemente aos seus interlocutores :“Por que você não muda?” ( Why dont you change?).  E eu pergunto : “Por que você não desperta?”.
Agora é hora de dormir : feche seus olhos!

Autor : ALSIBAR
MSN: alsibar1@hotmail.com
(Poderá ser repostado desde que informado o nome do autor, a fonte e o link de origem –obrigado)

sábado, 23 de julho de 2011

“ O SEGREDO” E A MATRIX - " The Secret” and The Matrix

 ( A LEI DA ATRAÇÃO E AS ILUSÕES DA MENTE)
(The Law of Atraction and the Ilusions of the Mind)
By ALSIBAR
O mundialmente famoso livro e DVD “ O segredo” da escritora Rhonda Byrne alcançou seu sucesso, em parte, por estimular nas pessoas a confiança de que elas podem alcançar quase tudo que desejarem. Até aí, tudo bem. O problema é que o livro, apesar de conter verdades incontestáveis, esquece de enfatizar a dimensão do despertar espiritual o que pode ter consequências graves quando não entendido corretamente. Este artigo tem como objetivo analisar as verdades e ilusões abordados neste best seller, e alertar para os riscos advindos de uma compreensão errada que pode levar não à libertação, mas ao fortalecimento dos grilhões da poderosa Matrix ou Maia – a máquina das ilusões.
Durante muito tempo eu acreditei e ainda acredito que a mente é poderosa e que ela pode realizar qualquer desejo. O primeiro livro que li a esse respeito foi “ O poder infinito da sua mente” de Lauro Trevisan, depois vieram outros do mesmo autor, depois Joseph Murph, Lair Ribeiro e por último o livro “ O segredo”. Ora, o que este último traz de tão especial em relação aos outros? Em essência pouca coisa. Mas foi a primeira vez que vi um DVD tão bem produzido sobre um assunto que eu já conhecia há muito tempo. Os testemunhos e a forma “científica” com que os conceitos são abordados  são muito originais e impactantes. Os recursos audio-visiuais, a dinamicidade com que são apresentados os temas, a computação gráfica, as fotografias e a direção de arte estão impecáveis. É impossível manter-se indiferente ou neutro. O livro “ o segredo” nos toca, nos estimula, mexe com nossas estruturas, nos faz reagir e sonhar. Sonhar que podemos ter tudo bastando, para isso, que confiemos, que mudemos nossos pensamentos, emoções e atitudes e  tudo o mais virá a nós, com uma certeza quase matemática. Mas será assim mesmo?
The book " The Secret"
Ora, nada que foi exposto no livro é novidade. Jesus já dizia que a fé remove montanhas. Os hindus há séculos conhecem a Lei da Atração, lei do Carma, ou lei de Causa e  Efeito como dizem os espíritas. Isso não é nenhuma novidade. Mas aquele ar de mistério, aquela atmosfera mística que o DVD nos apresenta – como se estivéssemos tendo acesso a um segredo valiosíssimo, guardado há séculos sob o mais absoluto sigilo é o que, em parte, mais nos fascina. Mas, mesmo isso, afigura-se muito mais como um teatro de marketing, do que um fato. Rhonda Byrne, expõe ensinamentos que, até certo tempo, eram restritos às chamadas sociedades secretas ou iniciáticas como a Maçonaria, a Rosa-Cruz, a Amorc, a Teosofia etc. Mas, faz tempo que os conhecimentos dessas organizações se tornaram populares e, já há algum tempo, deixaram de ser domínio restrito a alguns poucos iniciados ou privilegiados. Ou seja, o mérito de “O segredo” está na forma interessante, original e pioneira com que descreveu o que todo mundo já sabia: que tudo o que você faz, pensa ou sente retorna na mesma medida para você; que você colhe o que você planta. Todo mundo já conhecia estes ensinamentos. Mas há outros aspectos neste livro que o tornaram tão singular e perigoso ao mesmo tempo - é o que veremos no próximo parágrafo.
O livro “O segredo”  estimula em nós a ambição, o desejo e a ilusão de que nós podemos tudo. As consequências disto podem ser devastadoras, frustrantes e até traumatizantes. O EGO se inflama e a Matrix- com sua mega e poderosa estrutura- reafirma seu poder e  domínio, pois aí, neste ponto, encontra-se um grande equívoco que é pouco enfatizado no livro/DVD : o verdadeiro poder não provêm do EGO, este é “homicida desde o começo” como diz a Bíblia cristã. O verdadeiro poder vem da entrega à vontade do Pai. Pois quando o EGO (Ilusão-Satã) usurpa esse poder, ele nos faz pensarmos que podemos contrlar nossa vida e  a nosso bel prazer. Mas, no final, tudo o que encontraremos é trevas e frustração. Poderemos  conquistar tudo : fama, poder, dinheiro, mulheres e riqueza – mas sem termos a sabedoria e o despertar da verdadeira consciência e sabedoria, o resultado  disto tudo pode ser desastroso. O poder real não provém do EGO, a saber do DESEJO e do PENSAMENTO, mas pela sintonia com algo maior, com o Desconhecido em nós, com a vontade  de Deus, que se manifesta quando o ego se extingue, quando morremos para nós mesmos e renascemos para o Cristo ( Consciência). “Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua Justiça e tudo mais vos será dado em acréscimo”- já dizia Jesus. No Bhagavad Gita já é dito que Deus é o único ator do universo e se ilude aqueles que se consideram os atores.
Em outras palavras, o livro mantém e sustenta uma visão dual do Universo, como se fossêmos entidade separadas. Reforça assim, a força do EGO pela qual a Matrix mantém os homems aprisionados. O poder existe. A Lei da Atração existe. Mas o EGO não existe- enquanto essência- mas somente enquanto miragem ou Ilusão. Ou seja, estamos tão identificados com nossos pensamentos e desejos, que perpetuamos a existência de uma entidade ilusória. Mas há outro grande e grave perigo para todos os que lêem o livro sem o discernimento correto : ele perpetua uma das crenças mais perigosas da Matrix : a de que os bons pensamentos são vibrações elevadas. Não são. Pensamentos são as principais armas de dominação da Matrix. Não existe pensamento elevado, todo pensamento é memória, é passado, é desejo, é ego e está ainda – dentro dos domínios de Maia. Somente os pensamentos conscientes e funcionais – aqueles que não são reativos nem automáticos- e que devem ser usados apenas como instrumentos de comunicação e raciocícinio - podem ser considerados de alguma valia e importância. Todo pensamento positivo, atrai coisas positivas, mas sempre dentro do âmbito da Matrix,  mantendo-o apegado à coisas materiais, à dualidade sujeito-objeto. Mas esses pensamentos não podem libertá-lo da  prisão dos pensamentos ou Samsara .
Vibração elevada encontra-se quando o pensamento naturalmente se extingue e a consciência se faz presente- como no caso da Meditação. Nesses momentos de ausência do Ego-desejo o homem deixa de  ser uma entidade complexa, separada e fragmentada e entra em contato com sua dimensão infinita, atemporal e desconhecida, que muitos chamam de Deus, Self ou Átman. Mas isso não está ao alcance dos pensamentos, nem podeis desejá-lo como se deseja um carro, uma casa, ou qualquer outra coisa material. Somente quando nos despojamos da vontade de dominar ou alcançar qualquer coisa neste nível ou em qualquer outro, é que aquela outra  coisa vem à tona. Ela se encontra além do pensamento, dos desejos ou da vontade. Ela é a verdadeirao sintonia com dimensões inconcebivelmente mais elevadas e somente por este caminho poderemos sintonizar-mo-nos com as vibrações do Pai, que é atemporal e inonimável.
Para terminar este texto, quero citar uma fala de Sri. Yukteswar, mestre de Paramahansa Yogananda, por ocasião de sua Materialização e Ressurreição:
“ Enquanto a alma do homem se encontra encerrada em um, dois ou três  recipientes corporais, fechados hermeticamente com a rolha da ignorância e dos desejos, não pode fundir-se com o mar do espírito(…). Quando se alcança, por meio da sabedoria, a ausência de desejos, seu poder desintegra os dois vasos remanescentes. A diminuta alma do homem emerge, finalmente livre, unificada com a Amplidão Universal” ( A.Y.-458).
“ Na Terra, no estado de vigília, o ser humano está mais ou menos consciente de seu três veículos. Quando está ocupado com os sentidos, sentindo o gosto, cheirando, tocando, ouvindo e vendo, ele opera principalmente com o seu corpo físico. Quando exercita seus poderes de vontade e visualização , está operando, sobretudo por meio do corpo astral. Seu instrumento causal  expressa-se quando o homem mergulha profundamente  em instrospecção ou meditação. (A.Y- 463)

CONCLUSÃO

O livro “ O segredo” é um livro útil para se alcançar coisas boas dentro da Matrix, mas não é nada útil para a libertação do domínio desta prisão mental. Enquanto desejarmos apenas coisas como dinheiro, poder e fama e enquanto a noção de felicidade estiver ligada à conquista de pessoas e coisas “O segredo” tem sua utilidade. Mas existe felicidade na Matrix? Existe, mas ela é relativa, dual e passageira como todas as coisas que existem nesse plano. Não sendo, portanto, verdadeira felicidade. Como pode haver felicidade no Reino da Ilusão ?A verdadeira felicidade está em libertar-se da Matrix. Estabelecer-se no estado de liberação que a tradição hindu chamou de Moksha e que os budistas chamaram de Nirvana. Por mais que nos sintamos felizes em alcançar um objetivo, um emprego, um carro ou um relacionamento, não podemos esquecer que  enquanto vivermos dominados pelos nossos pensamentos reativos e fragmentados, identificados com nossos desejos conflitantes e contraditórios seremos  prisioneiros da mega estrutura de Maia ou Matrix, sem qualquer chance de encontrar a verdadeira e real felicidade.
Autor : Alsibar
( repostagem autorizada, desde que seja informado o autor e o link da fonte)

Referências Bibliográficas :
·        Autobiografia de um Yogue – Paramahansa Yogananda- Self Realization Fellowship – Brasil, 2009.
·        O Segredo – Rhonda Byrne


sexta-feira, 22 de julho de 2011

A ABORDAGEM DE KRISHNAMURTI -KRISHNAMURTI ‘S APPROACH

By Alsibar
(Parte 1 de  10)


INTRODUÇÃO
Uma das características mais notáveis de Krishnamurti é, sem dúvida, a forma como ele abordou o Dharma, ou Verdade Universal. A originalidade e profundidade de sua visão, aliados a sua revolucionária abordagem, tornou-o um dos maiores – senão o maior- iconoclasta religioso do século passado. Personalidade ímpar na história da espiritualidade humana, este sábio foi considerado o marco de uma nova era – no que concerne à evolução da consciência espiritual da humanidade.

 Krishnamurti é muitas vezes considerado complexo até mesmo por aqueles que conviveram com ele . Na verdade, à luz de uma análise mais acurada e serena, percebemos que pode ser exatamente o contrário .  O problema reside, talvez, na nossa resistência. Quebrar crenças profundamente arraigadas em nossa psiqué, frutos de anos de educação condicionadora e alienante, não constitui tarefa fácil. Em outras palavras, parece que nós é que somos entidades bastante complexas e, por isso, temos uma grande dificuldade de compreender aquilo que é simples . Afinal,  libertar-mo-nos dessas complexas, poderosas e intrincadas estruturas pscicossociais exige muita dedicação, seriedade  e energia que, muitas vezes, não queremos dispor.

Krishnamurti é, algumas vezes, considerado repetitivo e evasivo . Como alguém pode passar uma vida toda ensinando a mesma coisa? Mas, dizia ele, cada vez que pregava, exprimia-se a partir da percepção do momento, pensava novamente no assunto como se fosse a primeira vez. Desta forma, ele não procurava lembrar-se do que tivera dito no passado, pelo contrário forjava um novo e fresco raciocínio. Todavia, penso que houve algumas mudanças em sua abordagem ao longo dos anos .  Aos diversos leitores de seus livros, fica a constatação dessas mudanças. Basta que se compare as diversas fases de seu trabalho : antes da Ordem da Estrela do Oriente; após o rompimento; os primeiros anos após o rompimento; o processo de amadurecimento da linguagem ; o uso de uma oratória mais prolixa e rebuscada, até culminar com sua última fase, onde retoma  uma linguagem mais simples, enxuta e objetiva. Essas mudanças, não se operaram na essência dos ensinamentos, mas apenas em  aspectos mais superficiais e periféricos. Certas inclusões posteriores, algumas alterações nas ênfases e ângulos dos ensinamentos, o ajustamento de algumas expressões e termos - mas a essência permaneceu a mesma . 


 Por que será que K. parecia evasivo às vezes? Ou seja, dava a impressão de não responder as perguntas e até mesmo fugir delas? Lembremos que K. tinha como principal missão contribuir com a libertação da consciência humana . Tarefa nada fácil, tendo em vista a complexidade e armadilhas da mente – ansiosa por respostas fáceis e prontas.  Geralmente, eram perguntas do âmbito das crenças e que ele, se recusava a respondê-las de forma simplória e direta. Tais perguntas, em geral, eram consideradas por ele como “incorretas”. E perguntas incorretas levam à respostas incorretas -costumava dizer. Mais importante do que discutir sobre “o sexo dos anjos”, K. levava o leitor ao confronto com própria mente questionadora em si. O segundo passo, seria a transcendência da mesma, de forma que não houvesse mais  questionamentos nenhum mas apenas um grande silêncio e tranquilidade. Em seus discursos costumava asseverar que o importante não é saber se existe Deus, reencarnação, vida após morte etc. Mas se podemos nos libertar do sofrimento psicológico e encontrarmos a Verdade libertadora. Esta atitude era muito parecida com a de Buda, que também evitava responder questões metafísicas.

K. também é visto como um sábio sem grandes “atrativos” pelas mentes sedentas pelo “miraculoso” ou “fantástico”.  K. raramente citava, ou demonstrava poderes e percepções extrassensoriais. Não que não os possuíssem, há muitos relatos de curas e experiências fantásticas sobre ele. Todavia, dizia não ser esta sua missão. K. priorizou a mensagem de libertação pura e simples. Mesmo assim, não deixou de reconhecer a existência do miraculoso, chegando até mesmo a citá-lo algumas ocasiões como no livro “Nossa luz Interior” em que disse : “Há diversas formas de percepção sensoriais e extra-sensoriais. A clarividência, os processos de cura, tudo isso acontece, mas são fatores secundários, pois a mente que está de fato preocupada em descobrir a verdade, nunca toca nessas coisas”.

 Ao longo deste texto, não vamos “explicar” os ensinamentos de Krishnamurti . Mas vamos refletir sobre  as características de sua abordagem, tentando entender porque ele exerceu tanta influência sobre toda uma geração de buscadores, pensadores, sábios, cientistas, educadores, místicos e pessoas em geral.

(PARTE 2)

 “A VERDADE É UMA TERRA SEM CAMINHOS”  

Krishnamurti,  no discurso de rompimento com a Estrela do Oriente, deu o tom de rebeldia que iria se tornar sua marca pelo resto da vida: “Eu afirmo que a verdade é uma terra sem caminhos”. Ao proferir sentença tão original, K. rompe não só com seus antigos seguidores, mas também com toda uma tradição milenar que afirmava haver um caminho, ou vários caminhos para a Verdade. Dizer que não há caminhos para a Verdade soa, à primeira, vista chocante e enigmático. O que ele realmente queria dizer com isso? Será mesmo que ele afirmou que não há uma estrada, uma via de acesso para o Desconhecido? Sim. É isso mesmo. E ele continuou fiel à essa premissa durante toda sua longa vida.

Ao afirmar que não há caminhos para a Verdade, K deu um golpe certeiro em todas as religões e gurus que afirmavam o contrário. Todos eles afirmam- ter, ser ou conhecer o caminho para a Verdade ou Deus, sendo este um dos principais instrumentos de exploração e dominação.  De uma só vez, K. libertou o homem do esforço cruel e penoso que muitos enveredam na busca pela  libertação final. Derrubou também o fundamento da maioria das organizações religiosas, esotéricas e espiritualistas. Estas alegam ser as únicas autorizadas para ensinar o verdadeiro caminho para os céus. Mas, os cristãos poderiam perguntar:  Jesus não afirmara ser ele o Caminho, a Verdade e a Vida? Fugindo ao escopo deste artigo, mas sem querer deixar os leitores mais confusos – principalmente os principiantes – afirmo: essa sentença é verdadeira, mas ao longo dos séculos vem sendo maquiavelicamente manipulada pelas miríades de religões e seitas cristãs. Quando Cristo diz que é o Caminho, não refere-se à sua personalidade histórica de Jesus, mas à Consciência Universal, à Verdade Universal e Atemporal, Braman - que habita em todos nós. Basta lembrar  de Lucas 17:21 “ O Reino de Deus está dentro de Vós”. Então, esta Verdade, ou Reino de Deus é o mesmo que Krishnamurti chamou de Desconhecido , Atemporal, Impensável– são apenas nomes diferentes e nada mais.

( PARTE 3)

 “O PRIMEIRO PASSO É O ÚLTIMO PASSO”

Como pode o primeiro passo ser o último passo? Simplesmente não vemos sentido nessa sentença. Nossa mente não está acostumada a movimentos que não sejam lineares, progressivos e temporais. Mas, as premissas estão interrelacionadas pois se não há caminhos para a Verdade, então não há como caminharmos até ela. O primeiro passo é compreender isso. Não há como nos dirigirmos até a Deus, pois, na verdade, Ele não se encontra distante, como um alvo  fixo a ser alcançado  no tempo e no espaço. São nossos pensamentos e nossa ilusão de separação que nos mantém distante da Verdade ou de Deus. Mas essa separação simplesmente não existe. Ela é uma ilusão. E se é uma ilusão, o primeiro passo é compreender isso. Se não existe buscador separado do objeto buscado então, você não caminha mais em direção nenhuma. Você nem procura mais pois você percebe que a Verdade sempre esteve aqui agora, em você e em tudo aquilo  “que é”.

( PARTE 4)

 “NÃO EXISTE O ‘COMO’, NEM MÉTODO, NEM SISTEMA”

Algumas pessoas nunca entenderam muito bem porque as perguntas sobre o "Como" nunca eram respondidas.  “Como devo me libertar? Como devo parar meus pensamentos? Como devo vencer meus medos ? Como faço para melhorar? " etc Ele sempre respondia insistentemente “ não há ‘como’, não há nada a se fazer, apenas perceber passivamente o fato e dele ficar cônscio”. Confesso que cheguei a duvidar desta abordagem de K. e durante muito tempo fiquei desconfiado, duvidando se realmente não existia o tal “como”. Mas, finalmente pude perceber que realmente não existe . K. costumava dizer que a exigência do método ou da prática só pode mantê-lo preso ao conhecido, impedindo a manifestação do Desconhecido. Ora, se não há caminhos, nem há buscador, como pode haver um "como'? Isso já era dito por outros mestres iluminados do passado, mas nunca com tanta ênfase como o fez Krishnamurti. 


Uma visão geral sobre o Zen-budismo e Taoísmo em sua visão antiga, mais pura e original podem nos dar algumas pistas. Peguemos dois conceitos básicos destes dois movimentos espiritualistas: o Wu-wei (ação pela não ação) dos Taoístas e o Zazen (sentar-se sem fazer nada) dos Zen-budistas. Lá no fundo, o que são esses dois senão a não-prática e o não-método? Se não há nenhum lugar a se chegar e não há ninguém para chegar ou  nada para se alcançar, então paramos e descansamos em nosso ser, sem fazer ou praticar nada. Para os cristãos isso é o mesmo que entregar-se à vontade do Pai e deixar que ele aja em nossa vida. A diferença é que K. aborda isso de uma forma diferente, usando uma outra ótica mas que, em essência é a mesma coisa. Se desistimos de fazer, praticar ou seguir métodos e sistemas então deixaremos de alimentar o EGO. Quem pratica algo, ou segue algo, tem algo em vista, todavia só há libertação quando morremos para todos os desejos de ser, não-ser ou vir-a-ser. Se não há nenhum lugar para se ir, ninguém para ir, nem nada para se alcançar, onde fica o ‘como’?

(PARTE 5)

 “QUEM CRIA O PENSADOR É O PENSAMENTO, NÃO O CONTRÁRIO”

Krishnamurti repete esta sentença várias vezes e de diversas formas. Dizer que o “pensador é o pensamento” é mesmo que dizer que o “controlador é o controlado”,  ou  que o “observador é o observado”, ou que “a experiência é o experimentador”. Essa compreensão, raramente divulgada pelos “gurus”, lança novas luzes sobre o homem e o seu eterno conflito consigo mesmo. Este conflito marcou tanto a humanidade que, em determinadas épocas, chegou a influenciar até mesmo o estilo artístico como, por exemplo, a Arte Barroca. Ou seja, o conflito era tão comum que passou a ser considerado algo natural que ninguém questionava, como se fosse  imanente à condição humana.

K. quebrou com este paradigma e estabeleceu uma visão profundamente esclarecedora: porque haver conflito se  o controlador é o controlado? Não há porque lutar para controlar os pensamentos pois “o pensador” é o próprio pensamento. Ao se  dividir entre "pensador" separado do "pensamento", instala-se um conflito dentro dele mesmo. K. percebeu que é uma armadilha da mente, um processo errôneo e desgastante. Quando percebemos a verdade de que "só há pensamentos" - o conflito é extinto de um golpe só.

Mas a quem interessaria, a manutenção de tal conflito? Parece-me que esta guerra interior não somente era aceita, como também servia aos propósitos de pessoas e organizações opressoras ( até hoje serve). Ora, tudo que é dividido é fraco. Jesus dizia que um reino dividido contra si mesmo não se mantém de pé. Imagina o homem dividido contra si mesmo. Ao ser massacrado pela dor do conflito, este seria  facilmente manipulado e explorado. Mas, K. alertou-nos: o sofrimento resultante do conflito não é condição necessária à percepção da verdade. Pelo contrário, pode ser um estorvo, um obstaculo. Uma mente em conflito é uma mente confusa, sendo assim, o primeiro passo é libertar-se da confusão e do conflito, pois este se torna um círculo vicioso no qual o homem se vê preso.

Novamente K. quebra um paradigma secular.  O conflito sempre escravizou e oprimiu o homem em sua eterna busca pela ascensão espiritual. O conflito, pois , é mais uma ilusão da Matrix, do Ego. Ora, se o controlador é o controlado, então é como se eu lutasse com minha própria sombra. Ou, talvez, como se minhas mãos lutassem contra si mesmas. É uma divisão medonha, terrivelmente forjada ao longo dos séculos. Um perverso processo que serve apenas para manter a ilusão de que o homem está progredindo quando, na verdade, está estagnado. Dizem os líderes espiritais conservadores : "você não está se esforçando. Seja forte! Lute mais, tente mais, não desista!" E quanto mais se luta, mais energia é desperdiçada, mais fraco se fica .Caminha-se em círculos, não chegando a lugar nenhum. Quer situação mais confortável para Maya (Ilusão), ou, como diria os cristãos, para Satã?

( PARTE 6)

 “O CONHECIMENTO É UM ESTORVO”
Muita gente não compreende ou não aceita quando Krishnamurti afirma que o conhecimento é um obstáculo à compreensão da Verdade. Os religiosos tradicionalistas, tão apegados aos seus livros sagrados e às suas tradições criticam veementemente esse posicionamento de K. O que não é de se estranhar, pois, novamente os livros e as tradições são as colunas em que sustentam suas organizações e seu poder. Que seria das várias seitas cristãs e das várias religiões sem  a valorização e defesa radical dos seus livros sagrados? Não que eles devam ser desprezados. Não é isso. Mas não podemos confundir “a lua com o dedo que aponta para a lua”- como se diz no zen. Os livros são importantes na medida em que nos informam sobre a história, ciência, atualidades, conhecimentos gerais etc. Mas NUNCA como sendo a VERDADE. Pois nunca devemos confundir os meios com o fim.

Claro que, para conhecer sobre Krishnamurti, Buda e Cristo precisamos dos livros - mas os livros não podem nos revelar a Verdade, pois ela  se encontra dentro de nós. Buda costumava dizer : use o barco para atravessar o rio, depois abandone-o, é tolice carregá-lo ou a ele apegar-se. Do mesmo jeito é o conhecimento. Ele te ajuda a compreender onde está a Verdade, mas só podemos encontrá-la após abandoná-lo, superar o nível das palavras e dos conceitos. Isso não quer dizer que você esquecerá tudo o que aprendeu, como se sofresse de amnésia. Você, simplesmente saberá que o conhecimento tem seu lugar na realização de tarefas específicas, mas nunca poderá ser usado como meio de compreensão ou percepçaõ da verdade. Esta é sempre nova e irreconhecível – pois, como dizia K. se fosse reconhecível, não seria a Verdade. O Real, Deus dever ser algo sempre novo ,vivo, nunca dantes experimentado. Por isso o nível das palavras mortas e das experiências do passado tem que ser transcendido.

( PARTE 7)
 “O TEMPO PSICOLÓGICO É UMA ILUSÃO”
Outro aspecto pouco ou mal compreendido da abordagem de Krishnamurti é a assertiva de que  o tempo psicológico é uma ilusão. Mas, o que K. entende por tempo psicológico? É simplesmente o tempo que leva para você transformar o que você é no que você deseja ser. Estamos tão acostumados em pensar em termos de transformações e mudanças que cremos piamente que este processo é algo natural e necessário. Ora, para transformar processos físicos e químicos realmente preciso do tempo cronológico. A questão é: posso considerar os processos psicológicos nos mesmos parâmetros dos processos físicos? Obviamente que não. E é aí que Krishnamurti desponta, novamente, como um grande iconoclasta, derrubando paradigmas e crenças dominantes. Todas religiões, com raras exceções , insistem que devemos melhorar, devemos nos tornar mais amorosos, mais bondosos, mais isso , mais aquilo.

Krishnamurti percebeu que o processo do “mais”  constitui, na verdade, um dos aspectos de fortalecimento do EGO. Tornar-se melhor, mais amoroso, mais caridoso, mais bondoso, ou menos violento, menos ciumento etc. apenas perpetua e vitaliza a entidade ilusória criada pelo pensamento.  O EGO camufla-se sob a capa da bondade e respeitabilidade e, por consequência, não sente nenhuma necessidade de se libertar do sono. Assim sendo, sob esta perspectiva, vemos que o processo do "mais" ou "menos"  é, la no fundo, uma atividade egoísta. O ego se perpetua e se fortalece à medida que torna-se cada vez mais virtuoso e respeitável. Não quer dizer com isso, que a pessoa tenha que se tornar má, cruel ou avarenta.  K. advoga que existe um estado de virtude e bondade que está além do domínio  venenoso do EGO e isso só poderá ser encontrado na extinção deste último.

Assim, todo  desejo de ser, tornar-se, não ser ou vir a ser, ainda é o EGO. As mudanças feitas neste nível são superficiais. Todavia, sabemos que, em alguns casos,  certas mudanças são necessárias para o bom convívio social. O indivíduo se ajusta aos padrões morais e sociais da sociedade tornando-se um cidadão melhor e mais respeitável mas e depois? Isto é o que os psicólogos chamam de normose: a “normalidade doentia” da sociedade moderna. Temos que superar o nível da normose. A sociedade está neurótica, doente e fragmentada em seu eterno e tortuoso conflito. Isso apenas sustenta a Ilusão e o domínio da Matrix, enquanto a neurose toma conta da sociedade.

Por último, quero dizer que a transformação para Krishnamurti existe, mas não se realiza no tempo. Nem sendo o desejo de mais ou de menos, o caminho para sua efetivação. Apenas na extinção do EGO é que a verdadeira transformação pode acontecer, do contrário o centro continuará. E se o EGO, o centro, continua então a mutação é superficial e ilusória – o que não constitui transformação verdadeira mas apenas “continuidade modificada do que é”.

( PARTE 8)

“ O ÁTMAN É UMA INVENÇÃO DA MENTE”

Outra posição polêmica de Krishnamurti foi a negação da existência do Átman ou Alma- o que chocou os conservadores hindus e cristãos.  Na tradição hindu, o ser humano é considerado um ser dual: existe o Eu Superior, também chamado de Átman, Alma ou centelha divina, e existe o Eu inferior, também chamado de ego ou falso eu. O problema é que, ao longo dos séculos, o homem foi cada vez mais se identificando com o Eu Superior, esquecendo-se que era Ego. Assim, ao se considerar como sendo  o EU SUPERIOR o homem esqueceu-se da necessidade de  " matar" o EGO. Ora, se já sou o "EU SOU", então por que devo me preocupar? Por que devo meditar? Por que devo procurar minha libertação? Todavia, basta uma simples reflexão para se perceber o erro: quem diz a si mesmo " eu sou o Eu Superior"? O ego não? Se o Átman existe mesmo, só pode estar além do pensamento e do EGO, então como posso saber com certeza quem ele é se antes não vencer, transcender o nível do pensamento? Neste ponto, Krishnamurti usa de extrema sabedoria e sutileza. Ele não afirma categoricamente a existência do Átman ou Eu Superior,  mas sempre disse que, ao libertar-se do desejo, do tempo e do pensamento (EGO),  o Desconhecido, o Eterno e Atemporal poderia manifestar-se . Jesus falou a mesma coisa usando de metáforas: se não morreres não entrarás no Reino dos Céus. Não estou afirmando que K. pregou a existência do Átman. De forma alguma. Pois isso seria apenas mais uma crença, fator de discórdias e opiniões. Mas, substitua a palavra Atemporal ou Desconhecido por Átman, que vai dar no mesmo. Simples questão de nomenclatura.

Tradicionalmente os gurus e as religiões  afirmam que somos   divinos, (Aham bramasmi – Eu sou Deus) e que não percebemos isso por causa de nossas ilusões e do ego. Krishnamurti diz a mesma coisa subvertendo apenas a ordem das coisas. Para ele, somos EGO ( pensamento, tempo, memória e desejo) no cessar deste é que o  Eterno poderá se manifestar. A diferença é que K. não denomina esse “algo”. Ele não o chama de " Eu Superior".  São apenas termos diferentes para um mesmo fenômeno. Em outras palavras, você pode dizer para a lagarta que ela  não é uma larva, mas uma borboleta em potencial. Ou você pode dizer para a lagarta que ela é uma larva e somente quando a larva morrer é que nascerá a borboleta. O ego-lagarta nunca se encontrará com o Eu-borboleta, somente quando um morrer é que o outro nascerá. O problema é que, em geral, queremos encontrar Deus ou a Verdade e continuar sendo o EGO que somos. O Ego-limitado nunca poderá encontrar o Átman- ilimitado, somente com a morte de um é que o outro nascerá. Agora, o nome que se dá a esse algo divino – centelha divina, alma, Deus, Verdade, Desconhecido, Atemporal , Eterno- não tem muita importância.

( PARTE 9)

“A LIBERDADE ESTÁ NO COMEÇO, NÃO NO FIM”

Tradicionalmente, considera-se a libertação, ou Moksha como o coroamento de um processo. O resultado de uma empreeitada longa, difícil e espinhosa em que o buscador após anos e anos de esforços, disciplina e luta poderá finalmente desfrutar do gozo da libertação ou Nirvana . Na perspectiva de Krishnamurti a libertação está no começo, pela compreensão do que é falso e do que é verdadeiro. Assim, seria perda de tempo, energia e um grande erro protelar a libertação para o futuro. A libertação não é o resultado final de todo um longo processo. Para que alguns iniciantes não achem que K. estava louco, essa afirmação concorda completamente com a posição de muitos patriarcas do Zen –budismo. Para eles nós já somos budas, o que nos falta é a percepção desse fato .  Ora, porque deixar para se libertar dos falsos conceitos no final se podemos nos libertar já, no aqui-agora?

Outra falácia criada ao longo dos séculos pelas organizações religiosas e gurus espertos. Sustentar que a libertação é algo que será alcançado, talvez, no futuro após longos anos de dedicação e esforços, estabelece uma estrutura de poder que propicia o controle das massas,  garantindo o estabelecimento, a manutenção e a continuidade do domínio das organizações religiosas. K. nos convida à libertação desde o começo, talvez, por isso, tanta gente se assuste com sua abordagem revolucionária – pois muitos temem a responsabilidade que a liberdade traz. Mas, nosso próprio raciocínio nos diz que realmente não faz sentido usar os meios errados para se atingir fins corretos. Meios errados levam a fins errados, meios corretos levam a fins corretos e para K. o próprio meio é o fim. Ou seja,  se começo meu caminho, fundamentado em premissas erradas, não posso "chegar" ao lugar certo. Se percebo que toda minha estrutura de crenças acerca da Verdade está errada, consequentemente me liberto da mesma. Esta própria percepção me liberta, fazendo com que eu não mais cometa os erros e equívocos de antes.  A liberdade só pode surgir desde o começo, pois não posso começar a construir uma casa de maneira errada. Devo, desde o começo fazer o certo, só assim minha casa poderá ser corretamente erguida. Se sou livre no começo, o serei também no meio e no fim.


(PARTE 10)
CONCLUSÃO


Concluindo, a originalidade de Krishnamurti não se encontra na essência de seus ensinamentos – que é a mesma de todos os grandes avatares e iluminados que passaram pela terra.  Mas na forma original, singular e pessoal com que abordou pontos mal compreendidos pela humanidade. O Everest é tão vasto que você pode falar dele de várias maneiras, pode descrever vários de seus aspectos, mas será muito difícil descrevê-lo fielmente em toda sua vastidão e riqueza . Alguns podem tentar descrevê-lo numa visão de cima, outros lá de baixo, ou de lado, ou focalizar aspectos pouco conhecidos pelas pessoas . Mas será sempre o mesmo Everest. Assim, também, penso eu, acontece com o Dharma . As muitas visões, explicações e descrições que existem sobre a Verdade Universal são aspectos, características ou facetas de uma mesma e única Verdade tão vasta e ampla que comporta diversas visões e versões.  


Além disso, devido à complexidade e heterogeneidade da espécie humana com sua miríade de diferenças de percepção, de desenvolvimento e visão, Deus por sua natureza infinita e incognoscível manifesta sua mensagem em diversas épocas, culturas e povos para alcançar o máximo de pessoas possíveis, ajudando-as a se libertar da ilusão do EGO e da prisão de Maya . Krishna disse no Bhagavad-Gita que ele se manifesta ao mundo sempre e onde quer que haja um declínio do Dharma ou princípios religiosos originais. Afirma, ainda, que o próprio Deus desce para salvar os piedosos e aniquilar os canalhas bem como para restabelecer os princípios da verdadeira religião, ele próprio desce milênio após milênio.


Nunca saberemos se Krishnamurti foi um pensador, místico, sábio, mestre da espiritualidade moderna ou um Avatar- de acordo com o que reza o Gita. Todavia, sua abordagem é absurdamente original, inovadora e revolucionária. Ao rever conceitos e tradições dominantes, K. certamente reconstrói conceitos antigos, ajudando o homem moderno a compreendê-los, adaptando-os à necessidade e exigência de uma nova era e de um novo homem que surge com a pós-modernidade. Krishnamurti ajudou e continuará ajudando centenas e milhares de pessoas do mundo todo a se libertarem das falsas concepções e dos falsos ensinamentos, levando a cabo sua principal e grande missão  proferida por ocasião da dissolução da Ordem : “tornar o homem absoluta e incondicionalmente LIVRE”.

Autor : ALSIBAR

Referências : As ilusões da mente – Krishnamurti – Edições de ouro
                      A luz que não se apaga – Krishnamurti- ICK -2004