sábado, 3 de dezembro de 2011

7 DIFERENÇAS ENTRE KRISHNAMURTI E OS “ AUTO-GURUS” !


O que diferencia  Jiddu Krishnamurti dos“auto-ploclamados gurus”  ? Será que muita gente não está confundindo-o com aqueles que se auto intitulam mestres por conta própria? O que torna K. um mestre ímpar na história da espiritualidade humana?  Vamos  descobrir juntos?
Devido à predominância na mídia dos auto-proclamados gurus - os "auto-gurus"- há nos dias atuais uma poluição de filosofias espirituais e pseudo-sabedorias tão parecidas que o buscador- em sua confusão- passa achar que é tudo igual. Em meio a esta profusão caótica de filosofia descartável, sobressai-se uma voz: a de Jiddu Krishnamurti. Ele não era um “auto-guru” pois não se proclamava mestre de ninguém. Nos parágrafos seguintes, eu aponto algumas características que demonstram as diferenças básicas entre os auto-gurus e o anti-guru Jiddu Krishnamurti:

 1. UMA HISTÓRIA INIGUALÁVEL

A primeira coisa que difere Krishnamurti dos auto-proclamados é sua própria história. Durante sua conturbada infância, fora educado para acreditar que seria o veículo de Buda ou Cristo, também conhecido como Maytréia. Diziam-lhe que para isso teria nascido e para isto seria preparado. Criaram então a "Ordem da Estrela do Oriente"  composta por membros da alta sociedade europeia, fundada exclusivamente para apoiar sua missão na terra. Era uma poderosa organização com  propriedades, castelos e núcleos em vários países. Seus milhares de membros estavam  dispostos a dar a vida pelo novo messias. Foi talvez o mais importante movimento messiânico
europeu dos últimos tempos . Mas as coisas não saíram como haviam planejado. À medida que o tempo passava, aquele indiano tímido mostrava-se cada vez mais incomodado e averso aquilo tudo. Até que num belo e solene dia, ele quebrou todas expectativas e decepcionou  todos que tentavam torná-lo um novo culto, uma nova gaiola ou muleta. Krishnamurti fizera um discurso enérgico e contundente, rejeitando o título de messias e desfazendo a organização criada em torno dele. Ao desfazer a ordem, tinha um destino incerto. Muitos perguntaram: o que você vai fazer agora? Ele respondia: "se apenas uma pessoa estiver disposta a ouvir a verdade- terá valido a pena."
 2. RENÚNCIA À FAMA, AO DINHEIRO E AO PODER

Ao contrário dos autoproclamaodos Krishnamurti renunciou à fama, ao dinheiro e ao poder que a organização lhe conferia. Esta atitude, foi comparável a dos grandes mestres da humanidade. Ao abdicar do título de mestre ou salvador, K. provou não ser apenas mais um dentre os outros. Aquilo que os gurus midiáticos modernos tanto procuram e desejam, K. rejeitou por livre escolha e opção. Enquanto alguns insistem em se colocar como gurus, K. lutou contra  toda autoridade espiritual, seja de mestres, organizações, livros- inclusive- dele mesmo. É de se estranhar que - ainda
hoje - muitos insistem em nivelá-lo aos “auto-gurus”.  Se há semelhanças nos ensinamentos é por que muitos gurus o plagiaram.  Há, inclusive, vídeos em que um dos “auto-gurus” mais populares  está lado a lado de K. como se fossem a “mesma coisa”. Mas não são. Se os “auto-gurus” são  um veneno espiritual Krishnamurti é o seu antídoto.  Por isso que é importante frisar as diferenças entre Krishnamurti e aqueles que exploram espiritualmente os outros. Colocar Krishnamurti no mesmo patamar dos auto-gurus me parece incoerente, insensato e ingênuo.  É como comparar a miragem de um oásis com um oásis verdadeiro. Um sonho com uma experiência real. Uma realidade virtual com a realidade concreta. Inri Cristo com Jesus Cristo. Sal com açúcar . Em, suma não é possível compará-los, e muito menos nivelá-los.
 3. ORIGEM DOS ENSINAMENTOS
                    Enquanto os ensinamentos dos auto-gurus são provenientes de leituras de livros, palestras, vídeos e ensinamentos de outros mestres- alguns bastante batidos- a sabedoria de Krishnamurti era inata. A maioria dos auto-gurus  reciclam os ensinamentos dos outros e passam a ensiná-las como se fossem suas . Alguns vivem mergulhados em leituras de livros - mas condenam a leitura para os seus pupilos.  K. dizia que nunca lera livros de filosofia, nem os livros sagrados. Mais tarde, já na maturidade, passou a gostar de ler a Bíblia e livros de detetive - este último para se entreter e o primeiro para aprimorar a linguagem. O fato é que pouquíssimos falaram como ele. E muitos dos gurus que aí estão citam-no ou usam suas palavras conforme a conveniência .

4. NÃO QUERO SEGUIDORES!
Um dos pontos que mais diferem Krishnamurti dos auto-gurus é que enquanto K. não queria seguidores, os gurus os adoram. Estão sempre à caça destes para fortalecer sua rede de sustentação. Estão sempre tentando fazer uma organização, um movimento, um templo ou algo no qual  possam ser o centro, o líder, o chefe. K. teve tudo isso sem  fazer nenhum esforço. Mas abdicou de tudo em prol da Verdade. E a Verdade é que todos devem ser livres. Absolutamente livres. E não há liberdade no seguir. A liberdade começa rejeitando toda autoridade seja ela de quem for- principalmente dos gurus.

 5. DISCURSO SEM ENFEITES

              K. não confortava, nem acalentava ninguém. Ele dizia: “conhece-te a ti mesmo”. Ele não o incentivava a repetir coisas como "EU SOU isso ou aquilo"-pois isso fortalece o sentido de auto importância do ego.  Ao contrário, ele leva o sujeito a perceber quem ele é de verdade, não o que ele imagina, sonha ou deseja ser. Por isso ele diz:  "veja quem você é. Perceba seus conflitos,  desejos e medos. Descubra o que está na base de suas ações, o que motiva suas atitudes". Seu foco era sempre no sentido de fazer cada
um perceber sua própria verdade sem ilusões. É importante esclarecer este ponto: quando o EGO repete mentalmente o “EU SOU”  surge  a prepotência, o sentido de poder e a ilusão do controle. Se o ego já se considera o "EU SOU", para que se libertar? Daí por diante a desordem, a prepotência e a ilusão se instalam no espírito do sujeito, gerando o conflito e a dor. K. não floria ou enfeitava seu discurso para impressionar. Ele era o que era. Falava o que era  importante e verdadeiro, sem nenhuma  outra intenção além da propagação da Verdade.Talvez, por isso, muitos o rejeitaram e o rejeitam até hoje.

6. ÊNFASE NA AUTONOMIA E NA INDEPENDÊNCIA

Um dos pontos centrais dos ensinamentos de K é a insistência na importância da liberdade, autonomia, reflexão, investigação para que a pessoa possa descobrir a verdade por si mesma. Demonstrou e provou que não é necessário se submeter a ninguém para alcançar o Eterno. Isso contrariou uma importante tradição da cultura hindu, a do “parampará" - a sucessão  “autorizada” dos gurus. K. reviveu, nos tempos modernos o espírito rebelde, autônomo e livre de Buda e Jesus. Não a rebeldia irresponsável e inconsequente. Mas a rebeldia de todos aqueles que tiveram a coragem de desafiar o stablishment.  Assim como Jesus e Buda , Krishnamurti abalou as crenças dominantes, denunciou a falsidade e a hipocrisia dos "doutores da lei" e desafiou aqueles que se autoproclamam detentores da Verdade.

7. ENTRE O CHOQUE E A CANÇÃO DE NINAR
Krishnamurti não é apenas "mais um" em meio ao “gurujísmo” que reina na sociedade atual. Ele é a negação  total de tudo isso. Ele não veio para acalentar o sono humano- que já é profundo e pesado. Seu trabalho é difícil. É como libertar alguém das drogas. É como acordar quem está em sono profundo. É como ressuscitar quem que está morrendo. Um tratamento de choque. É disso que a humanidade precisa.   Enquanto os “auto-gurus” fazem  você dormir para tirar-lhe o dinheiro, a liberdade e a vida, Krishnamurti grita do outro lado para que você acorde e não se deixe levar pelo “canto da sereia”. Toda sua vida fora um esforço para acordá-lo , para alertá-lo contra as ilusões e os perigos ao longo do caminho . Por isso ele não pode ser confundido com os “auto-gurus”. Não compre “gato por lebre”. E nem beba veneno pensando que é suco. Não rejeite a única coisa que pode libertá-lo e acordá-lo: o autoconhecimento e a meditação que K. tão bem ensina e aponta.
Que esta mensagem sirva como alerta a todos que estão  procurando pela Luz Verdadeira e Eterna. Espero que não haja mais dúvidas acerca do diferencial de Krishnamurti em relação aos outros gurus midiáticos modernos. Enquanto os outros representam o dormir, o sonhar, o "viajar na maionese" , K. representa o acordar, o despertar. Mas se depois de tudo que foi exposto você ainda achar que estou errado. Fique à vontade. Siga o seu caminho. O livre arbítrio é seu direito inviolável. Mas se, ao contrário, você compreendeu o que foi dito, não mais se deixará engabelar pelo discurso florido e poético dos gurus. E assim, poderá começar um novo caminho. Se este caminho lhe levar  à paz, a tranquilidade, e a quietude saiba que sua libertação está próxima. Essa liberdade, não pode ser dada, ou vendida. Ela está dentro de você e o caminho para encontrá-la é através da quietude, do silêncio e da atenção. Isso é meditação. E foi isso que Krishnamurti tão bem nos ensinou.
Muita Paz, Luz e Sabedoria a todos!
Obrigado!
Alsibar ( inspirado)

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