sábado, 8 de outubro de 2011

SATHYA SAI BABA E KRISHNAMURTI: O GURU-DEUS E O NÃO-GURU


 Você já ouviu falar em Sathya Sai Baba? E Krishnamurti? Que tal conhecer um pouco mais sobre estas duas personalidades tão díspares ? Será que eles representam um mesmo caminho ou dois caminhos totalmente opostos? Leia o artigo, reflita e tire suas próprias conclusões.

O Guru-deus, aos 14 anos de idade, se auto-proclamou encarnação divina. O Não-guru foi proclamado deus pelos outros - mas, depois, rejeitou o título.
O Guru-deus fazia questão de proclamar sua divindade. O Não-guru fazia questão de negá-la.
O Guru-deus tinha um ar exótico e misterioso. O Não-guru era uma pessoa absolutamente comum e igual a todos.
O Guru-deus tinha milhares de seguidores famosos e discípulos  importantes . O Não-guru não tinha discípulos, nem seguidores.
O Guru-deus não trouxe nada de novo em termos de ensinamentos, apenas repetiu a fala das antigas escrituras e tradições . O Não-guru, rejeitou toda autoridade de livros e tradições, incentivando a liberdade, independência e a autonomia .
O Guru-deus dizia que todas as religiões leva a Deus. O Não-guru ensinava que não existem caminhos para Deus ou a Verdade.
O Guru-deus rejubilava-se em demonstrações públicas de supostos milagres e poderes de materialização . Sabe-se que o Não-guru tinha poderes  que ele usava de forma discreta e para fins terapêuticos.
O Guru-deus adorava presentear os outros com jóias caras, supostamente materializadas. O Não-guru tinha como presente sua presença e mensagem de libertação.
O Guru-deus era frequentemente visto em cerimônias oficiais, recebendo reconhecimento público das autoridades. O Não-guru, mesmo tendo amigos importantes, entre eles intelectuais, cientistas e ministros de estado, sempre manteve a discrição e costumava recusar convites de reconhecimento público.
O Guru-deus tem seu nome ligado a uma poderosa organização com  atividades sociais, hospitais, escolas e filiais no mundo inteiro. O Não-guru tem as fundações que cuidam dos seus livros e escolas inspiradas em seu ensinamento .
O Guru-deus teve seu nome ligado a centenas de escândalos de pedofilia e também de assassinatos. O Não-guru teve seu nome ligado ao "escândalo"  de ter se relacionado com uma amiga de infância - casada com seu secretário particular.
Há vários vídeos e artigos na Internet  denunciando que o Guru-deus era um prestidigitador  e pedófilo- mas muita gente se recusa a ver. Há centenas de vídeos na Internet  com palestras do Não-guru sobre meditação e autoconhecimento- mas quase ninguém quer ver, nem ouvir.


      O funeral do Guru-deus foi um acontecimento pomposo com grande repercussão na mídia. O Não-guru teve um funeral simples, com pouquíssimos amigos íntimos presentes.
       
       Ambos inspiraram milhares de pessoas no mundo todo, mas qual deles encarnou e viveu o ideal de sabedoria e humildade dos grandes mestres iluminados do passado?

         Fica aí a reflexão!

“Porque surgirão  falsos cristos  e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos”( Mateus 24:24)

Alsibar*
 *o texto acima não expõe juízo de valor, apenas os fatos. Cada um faça sua própria reflexão.
msn: alsibar1@hotmail.com



27 comentários:

  1. Mas que espécie de "guru" esta humanidade de espetáculos merece? Olhe bem quais são as "buscas" desta granja humana. A cada igreja o merecido pastor. E a grande Granja humana vai continuar a escolher gurus e mais gurus do gênero. talvez a mensagem do "não - guru" seja tão simples e tão óbvia que não interesse a mentes espetaculosas. Não acho estranho Krishnamurti ser descartado pela ,maioria. É mais cômodo deixar que um papa, um pastor, um pedófilo iluminado dirijam nossas "buscas" - Algo como negociar com a baba própria um lugar ao céu, sempre aquém do simples e desinteressante "aqui - e - agora". Não, estas aves domésticas temem a liberdade. preferem a ração de milhos piscantes. Fazer? Grande texto, meu caro!!!

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  2. Sim Lobo Caatinguenses, obrigado pela sua contribuição sempre picante e lúcida! Namaskar!

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  3. Meu amigo Alsibar,

    Gostaria de expressar o meu ponto de vista, sempre com todo o respeito. Entendo perfeitamente a sua preocupação com a espiritualidade e também a sua nobre ideia e boa intenção de alertar as pessoas sempre para o melhor. Não tenho a mínima dúvida de que você deseja contribuir sinceramente com as pessoas e com o mundo.

    O que eu gostaria de compartilhar é o seguinte: embora seja válido alertar as pessoas quanto a pessoas e seus atos ruins, internamente, em nós mesmos, não devemos considerar tal indivíduo como um ser "falso", "negativo", "contrário" ou "afastado" do divino. Se fizermos assim, estaremos julgando e dividindo uma existência que é una e que poderia se manifestar como una (mas que não vai! porque dividimos o "um" interdenpendente em "muitos" independentes).

    Não importa quem seja o outro - podemos alertar sobre possíveis comportamentos ou atos cometidos por ele - ele ainda é uma expressão da Vida de Deus. Se estivermos conectados com Deus, percebendo Deus em todas a Suas manifestações, não importa quem seja o outro nem o ato que ele possa cometer: para quem percebe Deus nele, tudo se sincroniza, se ajusta, e os supostos atos "maus" convertem-se em resultados bons. Mas, para aqueles que percebem o outro apenas segundo o que ele aparenta ser, se ele vier a cometer um ato ruim, os efeitos percebidos e experienciados serão ruins - pois estamos desprovidos/desconectados da existência e atuação coesa e única de Deus.

    Quando estamos conectados a Deus, não julgamos. Na supefície da vida, podemos até alertar as pessoas quanto a pessoas e fatos ruins, mas internamente não ficamos presos às palavras que dizemos. É muito mais sábio SABER e deixar haver a COMPREENSÃO de que Deus se manifesta e age através de qualquer coisa ou pessoa, do que julgá-la pelos atos que comete. Podemos focalizar a atenção na pessoa e seus atos(que existe aparentemente separada) ou em Deus (que Se manifesta como tudo e, por meio de Sua unidade que está em todas as coisas, age de modo a integrar o Todo).

    Vamos supor que o Sai Baba seja um cara ruim e pegá-lo como exemplo: posso focalizar minha atenção no personagem (que existe separado e, por isso, aparentemente, tem livre arbítrio e poder de agir independentemente para prejudicar alguém, se ele quiser) ou posso focalizar minha atenção em Deus (que Se manifesta como tudo e age sempre no sentido de unificar o Todo). Se eu escolher focalizar o personagem, através de meu julgamento, a minha percepção ficará sintonizada com a existência dual e separada do personagem, assim como de todos os efeitos decorrentes de seus maus atos. Mas se ao invés do personagem eu escolher focalizar em Deus, então meu julgamento cessa, e fica somente o entendimento/compreensão de que "aquele personagem, não importa quem seja, é Deus manifestado como". A partir desse entendimento a percepção começa a se ajustar ao divino, sintonizando-se não com o mundo do personagem, mas com a existência de Deus, e Deus passa a interagir conosco através de Suas manifestações. Apesar de tudo o que ocorre nas aparências. Ele interage com aqueles que estão na percepção, mas aqueles que não estão parecem estar em um mundo jogado que foi jogado pra cima e abandonado.

    Quando fazemos um alerta sobre alguém, isso deve ficar apenas na superficialidade. Em nossas profundezas, o que deve prevalecer é que "Deus está aparecendo como quem quer que seja", "Deus está aparecendo como o que quer que seja".

    Este mundo é um teatro divino, onde somente Deus está encenando. Suas encenações são tão fidedignas e perfeitas, que os personagens encenados realmente acreditam que são somente "personagens" e mais nada. Mas por trás de cada personagem há o Eu único atuando. E é possível haver a interação entre o Eu e o personagem, desde que o personagem esteja na percepção. O que é melhor? Escolher Deus ou escolher o mundo?

    (continua...)

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Este universo tem duas faces: uma que se revela quando olhamos na direção de Deus e outra que se revela quando olhamos na direção da separação (mundo). Se escolhermos o mundo, acionamos o modo de percepção no qual podemos interagir com as pessoas como se fossem separadas. Por sua vez, se escolhemos Deus, entramos numa espécie de dimensão solitária, onde é impossível julgar o outro. Somente vemos o Eu único, existindo sozinho como tudo e todos, e atuando sozinho. Para aqueles que percebem isso, o mundo fica repleto de sincronicidades e revelações - pois o Eu estará interagindo conosco através dos personagens, do roteiro, do cenário. Os que não percebem acessam a outra face do mundo e suas experiências são condizentes com o caos e a separação em que estão focados.

    Quando estamos com Deus, estamos sozinhos. Por isso, se o escolhermos o nosso julgamento a respeito do outro tem obrigatoriamente de cessar. A partir dessa visão, quem é Sathya Sai Baba? Quem sou eu? Quem é você? Nessa perspectiva, quando percebemos que Sai Baba é Deus, estamos fazendo isso por Deus, e não pelo personagem! Não estamos elevando o personagem do Sai Baba à condição de "Deus". Antes, conservamo-nos posicionados num plano de compreensão muito mais amplo, onde Deus nunca deixou de ser nem de Se expressar.

    Assim, alerte as pessoas quanto ao que acha que deve alertar. Mas, em minha opinião, vale muito mais trilhar aquele "caminho solitário", do que permanecer o tempo todo posicionado no ambiente onde não nos vemos sozinhos (e, justamente por isso, surge a necessidade de alertar os "outros" de pessoas falsas ou más).

    Para muitas pessoas, talvez Sai Baba tenha sido uma má-influência. Mas também para muitas outras pessoas ele representou uma grande salvação. Por que as coisas mostram-se assim neste mundo? É porque essa é a natureza dele. Podemos sempre contribuir para que o mundo seja um lugar melhor, mas não podemos salvar o mundo definitivamente por causa desse seu aspecto duplo. Mas, apesar de tudo, podemos trilhar esse "caminho solitário" que, ao meu ver, é o único caminho que deveria ser buscado por todos. Dessa forma, nós nos sintonizamos com Deus, vendo-O ser tudo e se manifestar através de tudo.

    Obrigado pela oportunidade de poder compartilhar essas palavras!

    Namastê!

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  6. Gugu, apreciei bastante seu texto e cada vez mais sinto que estou próximo de descobrir algo importante sobre esse fato de sermos apenas um, ou como você disse o Eu único. De qualquer forma acho válido o alerta sobre situações que envolvem falsidade e engano. E pessoalmente fico grato quando alguém ou eu mesmo descubro que estou enganado em relação à algum fato que tinha como verdade anteriormente. Acho que se libertar de falsas crenças é um passo no caminho da auto-realização ou seja lá qual for o nome. É claro que só quem tiver o sincero desejo de aprender vai conseguir chegar até o conhecimento libertador, sejam dicas de meditação, livros, sites. Muitas pessoas as vezes me perguntam coisas que acho básicas e fico pensando que também já tive as mesmas dúvidas. Então, muitas vezes é preciso primeiro descobrir que estava enganado quanto ao tipo de julgamento sobre algo, até mesmo para mais tarde descobrir que o julgamento em si também é uma ilusão. Namastê!

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  7. Amigo Gugu,

    Primeiramente quero lhe dizer que lhe admiro muito e fico feliz com seus comentários.Sei que cada um tem sua opinião e visão. Na hora certa você poderá ampliar a sua - como aconteceu comigo- ou não. Isso é muito relativo.

    Entendo sua argumentação como a manifestação de um espírito romântico que vê Deus em tudo. Mas há um provérbio árabe que diz: " Tem fé em Deus, mas amarra teu camelo". Negar o mal manifesto não seria muita ingenuidade? Como explicaria a crueldade, a exploração, as injustiças, os maus políticos, a violência, a fome, a miséria o caos? Obviamente, na essência de tudo está Deus. Mas estas pessoas ESQUECERAM-SE disso e atuam sob o poder de Maya que á a manifestação Ilusória do Senhor. Sem esta manifestação ilusória, o universo material não existiria, e provavelmente não estaríamos aqui trocando ideias.

    O que humildemente faço é um alerta dizendo: veja, talvez a luz que estejas vendo, adorando e contemplando não seja a Luz pura da Verdade. O que diferencia uma tela de cinema das cenas reais do dia-a-dia? É a Luz? Não. É sobre o que ela se projeta. Mas se alguém ficar contemplando um filme como quem olha a realidade física, assumindo a crença de que aquela é a única verdade, estará agindo tolamente, não?

    Coincidentemente e sincronicamente, nosso amigo Jorge que comentou acima e tem um grupo chamado sincronicidade, fez um post em que esclareceu que a "imagem do menino fantasma" que aparece no filme dos " Solteirões e um bebê" era apenas uma foto e não a imagem de um fantasma como se acreditava. Que alívio ao saber a verdade não? Essa imagem que na realidade era do poster de um filme, tem o mesmo peso de um fantasma, ou até mesmo de um menino real? Claro que não.

    Continua...

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  8. Continuação...

    Pois então... no caso específico do Sathya, não sei qual é a versão verdadeira. Mas não podemos fechar os olhos aos fatos. Eu estou apenas divulgando-os. Se as pessoas vão aceitá-los ou não e como vão julgá-los- é do livre arbítrio de cada um.

    Não sejamos ingênuo- como um dia eu também fui. Mesmo sabendo que uma cobra é manifestação divina, assim como um coelho. Não podemos tratá-los da mesma forma. E se, ingenuamente, fizermos isso, estaremos agindo como aqueles pastores nos Estados Unidos que beijam, abraçam e tocam serpentes. Resultado? Vários já morreram por isso.

    Aí se diz: foi a vontade de Deus. Será mesmo? Permissão não é vontade. Deus permite nossas tolices e erros, para aprendermos a agir corretamente. E, também, para crescermos e evoluirmos, compreendendo que toda a ação tem reação e que temos o poder de escolher e construir nosso destino. Afinal como alguém amadurece e evolui? Não é aprendendo a cair e se levantar? Não é aprendendo a fazer as escolhas corretas?

    Abrir a mente para a Verdade não é achar que tudo é exatamente igual. Ora, se fosse exatamente igual, não existiria a diversidade. É igual em essência. Mas quando se manifesta se diversifica. É aí que entra a sabedoria - proporcional ao estágio evolutivo de cada um.

    Ou será que achas que pessoas como Jim Jones, Hitler, um psicopata , um serial Killer, pedófilo ou estuprador, um marginal qualquer são iguais a Buda, Jesus, Krishnamurti, Dogen, Chico Xavier, Masaharu Tanigutchi?

    Obviamente que não. Então existem diferenças. E são elas que nos impulsionam a nos proteger do mal, pois se te jogares na droga ou na criminalidade- certamente terás consequências pra tua vida.

    Gugu, este mundo é um mundo em que o bem e o mal, a Verdade e a Ilusão estão misturados. Saber diferenciá-los e compreender , apesar disso, sua íntima unidade, é que nos torna sábios.

    Qual a diferença entre um prestidigitador, um mágico profissional, um iogue iluminado? Qual desses você convidaria para tua casa, pra comer à tua mesa e abençoar tua família?

    Reflita sobre isso!

    Comfraterabraços!

    Ps: Também já fui devoto do Baba, mas Deus tocou uma vez no meu coração e me fez ver o que não via. Assim como os diversos casos que vi e li, me ajudou. Penso que artigos e iniciativas como a minha podem contribuir para o despertar de outras pessoas. Se não despertam, é porque não era a hora.

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  9. Grato por sua resposta, Alsibar!

    Eu, realmente, concordo com tudo o que você disse. Concordo com o provérbio árabe citado por você "confiança e fé em Deus, mas amarre seu camelo", porque reconheço a natureza deste mundo (mistura de Realidade e Ilusão). Mas você nunca ouviu dizer que se mantermos nossos olhos voltados para a Verdade, sintonizando com Ela, tal Verdade pode acabar por se projetar e influenciar as coisas até mesmo aqui neste mundo fenomênico? Por exemplo, existem ensinamentos relatando caso de pessoas que eram viciadas em bebidas, drogas, comportamentos violentos, etc. Tais pessoas problemáticas foram alvo de contemplação de pessoas que se juntaram para meditar e contemplar nela somente a presença de Deus se evidenciando, e o resultado disso tudo foi que aquela pessoa viciada foi se abrandando e perdendo espontaneamente a vontade de usar entorpecentes. A Verdade, quando contemplada, se evidencia neste mundo exatamente como a luz que expulsa a trevas ao se manifestar. Verdade e Ilusão não são existências positivas, por isso não são forças opostas. A Verdade é presença e a Ilusão é ausência, assim como são a luz e as trevas.

    O que sinceramente desejei expressar, no comentário acima, é que: podemos e até devemos fazer alertar as pessoas sobre aqueles que são falsos, charlatães, maléficos, etc. Façamos isso, mas estejamos cientes de que tais ações ocorrem a nível superficial, sevindo apenas para ajudar as pessoas a se orientarem. Após receberem o alerta, elas irão pensar na pessoa como sendo má, e se afastarão. Mas, e quanto a nós? Após fazermos o alerta, manteremos em nós mesmos os julgamentos ou pensamentos ruins sobre a pessoa? Por que não trazer a luz a essas pessoas? Nas profundezas de nosso ser, em nosso íntimo, devemos estar conscientes de que tais pessoas estão expressando ilusão, mas elas não são a ilusão. Pensar no outro como sendo pecador, mal, condenável é uma forma de aprisioná-lo em nossas mentes, pois na existência há um nível onde tudo está interligado. Os pensamentos de todas as pessoas do mundo afetam todas entre si, e o acúmulo desses pensamentos forma uma espécie de consciência ou mente coletiva. Se, por outro lado, nos dispormos em nossas mentes /consciência a libertar o outro, esse nosso pensamento ajudará. Quando reconhecemos a luz nos outros e os libertamos, estamos reconhecendo e libertando a nós mesmos também. Se, para mim o outro (que aparece fora) está aprisionado, isso é um sinal de que eu (que estou dntro) estou aprisionado. O que está fora é uma imagem refletindo o que está dentro.

    Eu vi no seu blog um post chamado "Krishnamurti fala sobre o Osho". Ali está evidente que, apesar de Krishnamurti não gostar nenhum pouco do Osho, ele se recusou a difamá-lo. Ele dise: "“Eu recebi centenas de cartas de todo o mundo me perguntando porque eu não falo publicamente contra este homem. Mas eu não farei, pois esta não é minha maneira de agir." Certamente, deveria haver um motivo para ele escolher agir assim, um motivo não só pela ética. Talvez ele soubesse de alguma coisa a mais.

    (continua...)

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  10. Eu também nunca fui devoto de Sai Baba e, como você, também não sei qual é a versão verdadeira. Apesar de tudo, eu escolho não vê-lo como um homem ruim, prejudicial, "não divino" ou afastado de Deus. Mas não é por isso que na superfície eu irei reverenciá-lo. A reverência e o reconhecimento são interno, e não externos. Portanto, não vejo esse modo de pensar e proceder como ingenuidade. Em minha opinião, ao contrário, significa buscar seguir um caminho de luz e sagrado. Eu jamais convidaria um prestidigitador para vir à minha casa e comer à minha mesa, mas eu nunca aprisionaria esse ser em minha mente taxando-o de "falso", "enganador", "mal feitor", "pecador". O mesmo vale para todos os outros exemplos que você descreveu no seu comentário.

    Esse modo de ver e agir (sempre internamente, o reconhecimento é sempre interno) enfraquece a força de Maya, que é alimentada coletivamente por uma humanidade que está voltada somente para fora (superfície), pensando que tudo o que Maya faz surgir diante de seus olhos é realidade. Essas ideias parecem ser apenas pensamentos bonitos e hipotéticos; mas elas estão registradas em ensinamentos e foram expressadas por homens de grande luz que já caminharam neste mundo. Só podemos ter prova de sua veracidade tentando colocá-las em prática e ver/perceber o que acontece. Os acontecimentos/frutos é que irão evidenciar se esses ensinamentos são verdades ou conversa fiada.

    E com isso, espero ter conseguido esclarecer melhor as ideias que tentei passar através do primeiro comentário feito. Superficialmente, eu não sei qual é a versão verdadeira sobre o Sai Baba, e não tenho planos de ser devoto dele, pois já tenho uma linha preferida de professores e ensinamentos. Mas internamente eu procuro vê-lo sem culpa, sem pecado, imaculado, uma luz divina em expressão. Porque tudo o que eu reconhecer nele, está na verdade em mim.

    Mais uma vez, agradeço-lhe a oportunidade de compartilhar essas ideias em palavras.

    Grande Abraço!

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  11. Olá amigo Gugu,

    Antes de tudo quero agradecê-lo por sua visita e comentários. Seja sempre bem vindo!

    Amigo, concordo com o que você disse. Mas, sinceramente falando, qual a diferença entre expor os fatos e criticá-los ? Afirmar e questionar? O que diferencia o julgamento do discernimento?

    Quando Jesus chamou os escribas e fariseus de "raças de víboras" e "hipócritas" ele estava julgando ou descrevendo os fatos?

    E quando Krishnamurti disse sobre o Osho " Este homem é um criminoso", ele estava julgando-o ou descrevendo um homem cuja atitude era criminosa?

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  12. Meu amigo Alsibar,

    Obrigado, gosto de vir aqui visitá-lo e é uma grande satisfação poder conversar com uma pessoa como você. Novamente, humildemente e com todo o respeito, tentarei compartilhar em palavras aquilo que sinto ser verdadeiro.

    Você fez esta colocação: "qual a diferença entre expor os fatos e criticá-lo?" No meu entendimento, expor os fatos não comporta um julgamento de nossa parte. A crítica, por outro lado, pode conter julgamento e "achismos" (ou seja, opiniões pessoais) sobre fatos que não conhecemos inteira ou verdadeiramente. Acredito que uma pessoa que não julga (ou seja, aquela que procura apenas expor os fatos), não se atém àquilo que está expondo. Pegando um exemplo prático: se eu desconfio que um guru como Sai Baba (poderia ser qualquer outro) seja um charlatão mal intencionado, eu posso até expor os fatos que descobri sobre ele, a fim de colaborar com as pessoas. Mas, após cumprida essa finalidade, eu não carregaria comigo a imagem dele de mal feitor. Existe uma sabedoria, um discernimento, que permite a nós procedermos assim. É uma forma de permanecermos puros, contribuir com as pessoas no nível superficial, e contribuir para o fortalecimento da Verdade e do enfraquecimento de Maya. Se fizermos assim, Maya terá uma pessoa a menos na coletividade dando sustentação para ela. Quando a maioria das pessoas começarem a despertar, Maya começará a despencar.

    Jesus realmente chamou os escribas e fariseus de "hipócritas" e "raça de víboras", e nesses casos ele estava descrevendo fatos (todos no nível da superficialidade). Mas também é verdade que, em suas pregações, Jesus falava para todos os tipos de pessoas. Fariseus, escribas, pessoas putas e humildes - todos estavam lá para escutar a mensagem de Jesus. E a mensagem de Jesus era para todos, não só para os puros de coração. Ele disse: "Vós sois a Luz do mundo". Fariseus e escribas estavam incluídos no que Jesus estava falando, porque ele estava falando da Verdade, e a Verdade não faz acepção de pessoas. Ele tinha o discernimento para falar dos fatos nos momentos oportunos. E, também nos momentos oportunos, Ele falava e lidava com a Verdade. "Dai a césar o que é de César, e a Deus o que é de Deus". Em outras palavras: dê ao mundo o que é do mundo, e a Deus o que é de Deus. Quando Cristo olhava para um escriba ou fariseu, ele sabia Quem realmente eles eram, pois tinha a sabedoria de contemplar a Imagem Verdadeira de todos eles, apesar das aparências.

    (Continua...)

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  13. E quando Krishnamurti disse: "Este homem é um criminoso", ele o fez com a intenção de descrever um homem cuja a atitude era criminosa (ou seja, ele estava expondo um fato). Apesar disso, me parece que nem mesmo isso Krishnamurto gostava de fazer. Se ele o fez naquela oportunidade, é porque todos o deviam estar pressionando e importunando durante muito tempo. Então ele teve que dizer. Mas tenho a impressão de que ele tinha o comportamento e a sabedoria de evitar até mesmo ter de dizer isso.

    Joel Goldsmith, grande curador e místico cristão do século passado, disse assim: quando Lázaro estava no túmulo, Jesus poderia vê-lo como um homem morto (pois no mundo das aparências era isso que ele era), ou poderia vê-lo verdadeiramente (a Imagem Verdadeira de Lázaro, onde ele é eternamente um ser vivente), além das aparências. Cristo conseguiu trazer Lázaro para fora do túmulo porque não deu poder às aparências que diziam que "aquele homem era um cadáver sem vida", mas reconheceu a Vida eterna de Deus que se encontrava exatamente ali, por detrás das aparências. A Ciência Cristã tem uma expplicação semelhante para esse milagre realizado por Cristo. O que dizem é que Jesus tinha uma consciência tão luminosa, tão tremenda, que sua contemplação e o seu reconhecimento das coisas ultrapassavam o nível de Maya que concebe a existência mortal como sendo verdadeira. Jesus empregava essa habilidade de ver além das aparências de modo que, ao se deparar com doentes e pecadores, percebia nitidamente a verdade de que pecados e doenças não são existências verdadeira mas sim ilusão, e assim ter o poder de fazer desaparecer do mundo o pecado e a doença das pessoas. E àqueles que ouviam suas pregações, ele também dizia: "Tendes autoridade para perdoar pecados". É por isso que podemos contribuir com o mundo num sentido bastante amplo e elevado, fortalecendo a Verdade e diminuindo Maya, quando escolhemos olhar para pecadores e, ao invés de ver "pecadores", escolhermos contemplar que na verdade eles "são a Luz do mundo".

    Muito obrigado, novamente, por este diálogo e por tudo mais!

    Grande Abraço.

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  14. Olá amigo Gugu, Bom dia!

    Adorei suas definições e concordo com todas, como você disse:

    "No meu entendimento, expor os fatos não comporta um julgamento de nossa parte. A crítica, por outro lado, pode conter julgamento e "achismos" (ou seja, opiniões pessoais) sobre fatos que não conhecemos inteira ou verdadeiramente. Acredito que uma pessoa que não julga (ou seja, aquela que procura apenas expor os fatos), não se atém àquilo que está expondo. Pegando um exemplo prático: se eu desconfio que um guru como Sai Baba (poderia ser qualquer outro) seja um charlatão mal intencionado, eu posso até expor os fatos que descobri sobre ele, a fim de colaborar com as pessoas. Mas, após cumprida essa finalidade, eu não carregaria comigo a imagem dele de mal feitor. Existe uma sabedoria, um discernimento, que permite a nós procedermos assim. É uma forma de permanecermos puros, contribuir com as pessoas no nível superficial, e contribuir para o fortalecimento da Verdade e do enfraquecimento de Maya."

    Acho que ficou claro que estamos trabalhando no nível superficial, manifesto, diverso. Não no nível essencial, divino, uno. E você está certo ao dizer que não podemos "carregar imagens". Só acho que isso também se estende às imagens positivas, não apenas negativas. Pois se carregamos uma imagem positiva ou negativa, ambas são imagens mentais, criadas pelo pensamento e, portanto, ainda no nível da dualidade.

    E também não entendi quando você afirmou que quando Jesus disse "vós sois a Luz do Mundo" ele incluiu os escribas e fariseus. Seria mais lógico e sábio pensar que ele estava se referindo aos discípulos pois como ele poderia chamar de Luz a hipocrisia das "raças de víboras"? Não foi exatamente eles e suas atitudes que ele criticou e desmascarou ao longo de toda sua vida?

    Gosto muito do Joel Goldsmith, mas penso que ele trabalhava na transformação de padrões maléficos presentes no nível profundo de nossa psiqué. Isso é importante pra nossa própria autocura e libertação. Mas nesse nível de realidade superficial em que vivemos, temos que agir e discernir as coisas. Nesse nível, nem todos são da luz, nem todos são do bem. O sábio, apesar de compreender a profunda unidade das coisas, não deixa de agir e cumprir o seu dever, atuando no mundo sem apego ou motivações pessoais. Como diz no Gita: "o sábio age por agir, simplesmente cumprindo o seu dever , sem considerar ganhos ou perdas e sem se importar com os frutos da ação" .

    Ou seja, mesmo sabendo que "tudo é Deus", o sábio segue o conselho de Jesus :" Sede esperto como as serpentes, e simples como as pombas". Não podemos ser tolos pois, como diz minha mãe " que seria dos espertos se não fossem os bestas"?

    Considero que estamos praticando a arte do diálogo saudável e maduro - coisa cada vez mais rara em nossa sociedade .

    Muito Grato mesmo!

    Namastê!

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  15. Gratidão, Alsibar!

    Dando continuidade aos assuntos discutidos, gostaria de falar sobre alguns pontos que considero bastante importantes.

    Você escreveu: "E você está certo ao dizer que não podemos 'carregar imagens'. Só acho que isso também se estende às imagens positivas, não apenas negativas. Pois se carregamos uma imagem positiva ou negativa, ambas são imagens mentais, criadas pelo pensamento e, portanto, ainda no nível da dualidade."

    É verdade. Carregar imagens boas ou más são ambas formas de proceder no nível da dualidade. A questão está na maneira como escolhemos agir. Nossa forma de proceder no nível da dualidade pode corresponder ao que está no nível superior e sutil da Unicidade, ou pode distoar da Verdade Suprema. Se escolhermos uma forma de proceder correspondente à Verdade, estaremos alinhados com a Verdade. Como já dito, a dualidade é um lugar onde a Verdade e a ilusão aparecem misturados. Tanto o bem e o mal que existem/aparecem aqui (na dualidade) não são o que existe no plano da unidade. O que existe no nível da Unicidade está muito além, sendo muito maior do que qualquer coisa que apareça na dualidade. O ponto todo é: existem elementos aqui no mundo da dualidade que correspondem/representam o que existe na Unidade. Não são o que existe lá, mas apenas representam o que lá está. Por exemplo: quando tiramos uma fotografia de uma pessoa, a imagem "reduz" absurdamente o objeto verdadeiro. A pessoa real, que existe em três dimensões (cumprimento, largura e profundidade) fica confinada a uma existência bidimensional apenas (cumprimento e largura). A pessoa real pode se mover, enquanto que a pessoa da imagem é estática. Enfim, uma pessoa, ao ser representada em foto, perde muito de seus aspectos, tais como a espessura, a motilidade ou as sutis nuanças de cores que não aparecem nem em foto colorida. Na imagem de uma fotografia, o objeto verdadeiro perde muitas de suas complexidades é reduzido em muito de seus aspectos, embora a imagem seja capaz de representar o objeto verdadeiro. Da mesma forma, o bem que aparece aqui na dualidade não é o Bem verdadeiro que existe no nível da Verdade Suprema. O bem que existe aqui é uma "fotografia" do Bem verdadeiro, é o bem relativo ao mal, ele necessita de um opositor para "ser". Mas o Bem Supremo existe sem opositores, é o Bem que existe fora da fotografia. Isso tudo é só pra dizer que, quando a Verdade ou Unidade se traduz em dualidade, o que se manifesta na dualidade aparece alinhado com a Verdade Suprema. Por isso, é verdade que "carregar imagem positiva" é uma prática dual criada pelo pensamento. Mas não dá pra dizer que tanto "carregar uma imagem positiva" como "carregar uma imagem negativa" são a mesma coisa (como se não fizessem diferença para a Verdade), porque o bem e todas as coisas positivas nos alinham com a Verdade, ao passo que o mal e demais negatividades nos alinham com a ilusão.

    (Continua...)

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  16. Alguns ensinamentos entendem que Deus é o bem e o mal ao mesmo tempo, como se Ele fosse indiferente ao bem. Desse ponto de vista, se Ele é o bem e o mal ao mesmo tempo, então pra Ele tanto faz. Mas há o entendimento de que Deus é somente o Bem, o Amor, Alegria, Paz, e uma lista infinita de outras características divinas. Afinal, se Deus é tanto o bem como o mal, porque os Avatares que vieram aqui ensinaram a humanidade a buscar somente o amor? Por que não ensinaram a amar e odiar ao mesmo tempo? Todas as escrituras sagradas e todos aqueles grandes seres como Jesus, Buda e Krishna vieram e ensinaram o homem a buscar o bem e rejeitar o mal.

    Se Deus é bem e o mal ao mesmo tempo, então porque quando transcendemos a dualidade e alcançamos a libertação encontramos somente um estado de indescritível paz e bem-aventurança? Porque a pessoa que transcende não encontra ora bem-aventurança, ora tormento? Pois, se Deus for tudo mesmo, então o tormento deverá estar lá para ser experienciado junto com tudo o mais que existe nEle. Deus é Amor, Vida, Alegria, Paz, Harmonia, Sabedoria, Luz. Ele não é "Luz e trevas" misturadas. Onde a luz está, as trevas não estão.

    Todas as coisas ruins não são de Deus, não o representam. Elas podem até estar aqui, mas não são coisas dEle. Essa existência na qual há mistura de luz e trevas também não deve ser tomada como Ele. No Gita há um verso que diz no qual Krishna diz a Arjuna: "Todas estas coisas estão em Mim, mas Eu não estou nelas.". O mal e a ilusão não poderiam existir sem o consentimento de Deus (porque Deus é tudo), de alguma forma Deus permite que isso aconteça nele, mas Ele não é a ilusão que está acontecendo.

    (Continua...)

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  17. E você também escreveu: "E também não entendi quando você afirmou que quando Jesus disse 'vós sois a Luz do Mundo' ele incluiu os escribas e fariseus. Seria mais lógico e sábio pensar que ele estava se referindo aos discípulos pois como ele poderia chamar de Luz a hipocrisia das 'raças de víboras'? Não foi exatamente eles e suas atitudes que ele criticou e desmascarou ao longo de toda sua vida?"

    Jesus estava fazendo um sermão para a multidão e lá estavam não somente os discípulos mas todo o povo em geral, pecadores ricos ou pobres. Não nos esqueçamos que a elite, escribas, fariseus, políticos e sacerdotes religiosos que eram contra Jesus estavam lá ouvindo-o pregar. Isso é evidente, pois a Bíblia diz que no final de suas pregações, os sacerdotes conhecedores das escrituras vinham até Jesus para testá-lo. Jesus sabia das pessoas que estavam escutando. Qualquer julgamento só pode ser feito baseado nas aparências, sem exceção.

    Jesus disse: “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo.” (João 8:15 ). Ele não julga ninguém segundo a carne, porque ele enxerga além da carne. Jesus vê a Luz, o ser verdadeiro (Deus) que está por trás do invólucro material. E ele ensina: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” (João 7:24). E o que é a reta Justiça? A reta justiça é o não julgar. Se um homem homem cometer uma ação má, o julgamento segundo as aparências avaliará o ser daquele homem em função de seus atos e condicionamento, enquanto que o julgamento segundo a reta justiça avaliará o homem pelo ser que ele realmente é. E a Justiça de Deus não é igual a justiça dos homens. Para Deus, não existem “hipócritas e raças de víboras”, pois Ele vê somente a Si mesmo em tudo. É o homem quem julga, Deus não julga ninguém. Diante de Deus, o homem não recebe um julgamento, ele é purificado de toda a ilusão de mistura de bem e mal, luz e tevas. “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro.” (Isaías 43:25)

    Jesus disse: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5:13-16)

    Estava falando pras pessoas sobre o Ser real de todas elas. É claro que para sermos o “sal da terra” ou a “luz do mundo” temos de lançar fora aquilo que é “sal insípido”. Jesus estava tentando despertar todos, inclusive escribas e fariseus, para a identidade real de todos eles. A "Luz do mundo", o Ser real, o "Filho de Deus", ou seja, a identidade real de todos não está no mundo, está no Céu, onde o Pai está. O filho de Deus vive com Deus.E quando isso é conscientizado pelo homem, o ser dele aqui na terra se alinha com o seu ser que está no Céu. Realmente Jesus criticou e desmascarou as ações dos escribas e fariseus, mas sua obra não consistiu só nisso, acredito que o seu trabalho tenha ido tremendamente muito além. A mensagem de Jesus lida habilidosamente com todos os níveis, ensinando a sermos “espertos como as serpentes (saber como proceder no nível da aparência) e simples como as pombas (discernir Deus em tudo, apesar das aparências)”.

    Obrigado, novamente!

    Namastê!

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  18. Olá Gugu, Bom dia!

    É com prazer que vejo seus comentários logo de manhã, o sol nascendo e os pássaros cantando. Não sei exatamente se estamos discordando ou falando da mesma coisa. Todavia vou pegar somente alguns pontos pra comentar. Existe sim o que chamamos de Bem Maior- mas este é incompreensível pra nós pois está no nível de compreensão muito além de nosso pensamento. Krishna fala disso no Gita quando explica os modos da natureza. Existe o modo da bondade- que é a bondade que praticamos normalmente no nosso dia-a-dia, porém ainda no nível dual. E existe outro nível: o transcendental. Que está além tanto do nível da ignorância, quanto da bondade. O que penso é que é impossível pra nossa mente-dual, compreender o nível-transcendental. Obviamente, que as pessoas que estão no modo da bondade, atrairão coisas boas, bons carmas pra si. Mas mesmo assim, ainda é um nível relativo.

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  19. Krishna fala que há um nível transcendental. Que transcende os modos da natureza e que é compreendido pelo "sábio de mente estável". Não gosto muito de citar o Gita por causa das inúmeras traduções deste livro, o que impede de sabermos as palavras originais. Mas grosso modo, é isso.
    Há um outro aspecto que não entendi se você concordou ou discordou. Você falou sobre escolher agir. Há um nível de compreensão em que você não escolhe agir. É o que os Taoistas chamaram de Wu-wei. A pessoa age movida pelo fluxo da vida. Deixando-se levar por uma outra força Desconhecida pra nós. É o que Jesus chamou de "movimento e repouso ao mesmo tempo". É quando a mente silencia e as forças desconhecidas da vida são ativadas. Krishnamurti também falou da "ação ou observação sem escolha. Este estado é difícil de se compreender intelectualmente. Tem que ser vivido.

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  20. Gostaria de pontuar algumas coisas sobre a segunda parte. Não é verdade que nas escrituras não se fala do aspecto dual de Deus. O Gita e a tradição védica não-dualista diz que tudo é Deus, inclusive o "mal". Que é entendido EM ÚLTIMA INSTÂNCIA como um "bem". Lembre-se que este "bem" não é o nosso "bem". Aí entra o problema da limitação da linguagem. Mas será que você não percebe que estamos falando da mesma coisa todavia focando aspectos diferentes? A questão é que, em nossa prepotência nos arrogamos o poder, a capacidade e o direito de saber a Verdade Suprema, a Vontade de Deus, a Essência Divina etc etc. Amigo, estas coisas não podem ser compreendidas por nossa mente-pensamento-limitada-dualista. Isto é dito por todos:desde Krishna, passando por Lao Tsé até Ramana e Krishnamurti. Deus, a Verdade Suprema, é INSONDÁVEL, INCOGNOSCÍVEL, INDESCRITÍVEL. Só há uma forma da mente aproximar-se um pouco desta compreensão, quando ela própria silencia e deixa Deus atuar, sem querer apreender sua essência insondável. É aí onde muitos erram, na minha opinião. "A sabedoria divina é loucura para os homens". Ou seja, nunca sondaremos a Verdade, nunca conseguiremos prendê-la nos limites do pensamento, da palavra, do conhecido. Todavia, mesmo assim, continua a arrogância de alguns achando que SABE A VONTADE DE DEUS, A NATUREZA DIVINA. Lamentável isso, ao meu ver.

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  21. Sobre se Jesus ao dizer " vós sois o Sal da Terra e a Luz do Mundo" estava se referindo aos discípulos ou aos "Escribas e fariseus hipócritas". Aí entra um aspecto que prefiro não discutir: o da interpretação, pois não leva a lugar nenhum. Há vários estudos sobre isso dizendo que ele referia-se aos discípulos que seriam, dali em diante, os que iriam levar a Luz de Jesus e sua mensagem para o mundo. Na minha Bíblia, por exemplo, diz que ele referia-se aos discípulos. Mas não quero transformar nossa conversa , em discussões teóricas inúteis. Interpretações é algo de cada um e não dá pra provar quem está certo ou errado. Não esqueçamos que há mais de dois mil anos os estudiosos se debruçam sobre isso e não chegam a um consenso. Respeito sua opinião e a de outros como sendo um ponto de vista pessoal .

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  22. No mais, amigo, no geral falamos a mesma coisa, apenas usando argumentos ou palavras diferentes. Temos que ter cuidado para não ficarmos rodando em círculos. Apesar de gostar do diálogo e achar que ele é uma ótima ferramenta de aprendizado, penso que o diálogo é saudável quando avança, ampliando nossa compreensão e visão. Acho que ficou claro que discordamos em algumas coisas. Mas concordamos em sua maioria. No fundo, estamos falando da mesma coisa, da mesma Verdade. Isso me lembra o conto dos 'Seis sábios cegos", em que cada um pegou uma parte do elefante e descreveu-o cada um a seu modo. Caso não o conheça ainda faço-lhe um convite a lê-lo, juntamente com meu comentário no final.

    http://alsibar.blogspot.com.br/search/label/OS%20S%C3%81BIOS%20CEGOS%20E%20O%20ELEFANTE

    Amigo Gugu, muito grato pelo diálogo e participação e seja sempre bem vindo.

    Namastê!

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  23. Alsibar,

    Achei suas colocações maravilhosas. Realmente, podemos estar falando da mesma verdade focando aspectos diferentes, como na história do elefante. Ao meu ver, esses diferentes aspectos se complementam, da mesma forma como fazem a cabeça, a tromba, o corpo e a perna do elefante.

    Você disse algo que me compeliu a tecer mais algumas considerações, porque acredito que possa ser uma daquelas partes que não nos deixam caminhando em círculos, mas talvez contribua fazendo o diálogo avançar. Vamos lá:

    Você disse: "Sobre se Jesus ao dizer 'vós sois o Sal da Terra e a Luz do Mundo' estava se referindo aos discípulos ou aos 'Escribas e fariseus hipócritas'. Aí entra um aspecto que prefiro não discutir: o da interpretação, pois não leva a lugar nenhum."

    Acredito que um texto merece ter sua interpretação feita, mesmo que seja difícil. Se, por um lado, fazer uma tentativa de interpretação não adiantar, por outro lado pode ser que deixá-lo como está (sem interpretação alguma) pode nos deixar nos mesmo lugar de sempre, ou seja, sem que nos leve a lugar algum. Por exemplo: Na bíblia, quando Jesus diz "Eu sou o caminho, a verdade e a vida"... se pretendemos compreendê-lo, devemos proceder a uma interpretação. Em sua literalidade, a frase, por si só, é bastante clara: Jesus está dizendo que ele é o caminho, a verdade e a vida. É por isso que é tão difícil fazer com que seguidores de determinadas linhas cristãs acreditem que ele não estava se referindo ao homem-humano-Jesus, mas ao Cristo eterno e onipresente (o filho de Deus), que ele soube conscientizar em si mesmo. Podemos perceber que, mesmo a frase sendo literalmente bem escrita a ponto de nos proporcionar uma compreensão sem a necessidade de qualquer interpretação, é necessário transportá-la para outro degrau ou nível de entendimento. Desse modo, o entendimento dessa fala de Jesus pode ser corretamente compreendido. Há inúmeras passagens na Bíblia que necessitam do mesmo procedimento. A interpretação não pode ficar de fora. Eu creio sinceramente que, se a pessoa buscar de coração o entendimento correto de um ensinamento espiritual, o Espírito Santo (falando em linguagem bíblica) arruma um jeito de se manifestar para ir conduzindo e clareando o nosso entendimento até o ponto de recebermos a revelação vívida da Verdade, na forma de uma experiência.

    (Continua...)

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  24. Como você disse, essas Verdades são difíceis de abordar e expressá-las em palavras, porque são transcedentais. Mas o transcendental está em nós. Nosso ser não é somente corpo-mente separado do transcendental. Nós podemos entendê-las, não com a mente, mas com algo a mais que está em nós. Temos o instrumento divino que nos faz perceber "as coisas do Alto". A Bíblia chama esse instrumento de "Mente de Cristo".

    "Nós não recebemos o espírito do mundo que só vê as coisas do mundo, mas que foi-nos dada a Mente de Cristo para que pudéssemos dircernir tudo o que nos foi dado gratuitamente por Deus." (I Coríntios 2:12)

    Há mais: a bíblia diz que "a mente humana é a inimizade contra Deus". Por que? É porque ela impede o ser humano de olhar com a visão crística. A mente humana proporciona a percepção que prende/conserva o homem na dualidade, enquanto que a Mente de Cristo percebe a unidade em tudo e todos. Daí, podemos saber que o homem é dotado de dois instrumentos de percepção, sendo capaz de observar/perceber o mundo de dois modos: do modo como Jesus Cristo (o filho de Deus) percebia, ou do modo como Jesus de Nazaré (o filho do homem) percebia.

    Se descobríssemos ser verdade que temos duas percepções, qual delas preferiríamos acessar? Esse é um assunto bastante interessante. Acerca dele, eu gostaria de sugerir a leitura deste texto, no link:

    http://busca-espiritual.blogspot.com.br/2011/07/e-vos-quem-dizeis-que-eu-sou.html

    De fato, eu compartilho de todas as suas visões e explanações tecidas sobre Deus, o ser humano e o mundo. Acredito que juntando a "cabeça", a "tromba", o "corpo" e a "perna" do elefante,isso fará com que tenhamos uma visão mais ampla do quadro todo.

    Grato por todas as suas explanações e também sua boa vontade em conversar!

    Grande Abraço!

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  25. Olá Gugu, nós aqui de novo!

    Amigo, peço então desculpas se não ficou claro minha posição acerca das interpretações. As interpretações são inevitáveis, pois é como cada um compreende algo. Essas interpretações passam pelo filtro da nossa mente com suas vivências, história , condicionamentos, idiossincrasias etc. Não sou contra as interpretações . O que rejeito são as DISCUSSÕES sobre elas. Nesse ponto é impossível-ou quase impossível- chegarmos a um consenso. Cada um percebe apenas o que quer, ou o que sua mente ou nível espiritual, mental, e cultural permite. São estas várias interpretações o que deu origem às várias seitas e divisões dentro de uma mesma corrente filosófica espiritual. Isso eu aprendi muito cedo quando presenciei uma discussão acirrada- quase uma guerra mesmo- sobre esta simples passagem da Bíblia:

    1. "Em verdade, em verdade te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso".
    2. "Em verdade, em verdade te digo ainda hoje: que estarás comigo no Paraíso"

    Nessas duas frases ainda havia a questão gramatical que mudava conforme a tradução. Mas há algumas que a frase é literalmente a mesma, mas cada um compreende ou interpreta diferente.

    Terminando minha fala sobre isso: só estou dizendo que não vejo utilidade em se DISCUTIR. Interpretações bíblicas pois além das questões que já levantei, há ainda outras como o das traduções, da época em que foi escrita, a descontextualização, a fidelidade das palavras de Cristo, as alterações dos copistas e o próprio direito de cada acreditar no que quiser.

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  26. Por último, veja a confirmação do que eu disse acima. Vamos pegar os próprios exemplos que você citou: "mente de Cristo "- o que é a Mente de Cristo? Os gnósticos dirão uma coisa, os espíritas outras, os budistas outra, os Mórmons, os Testemunhas de Jeová, você de um jeito, eu de outro e assim por diante. Cada um interpreta conforme suas conveniências e convicções, não?

    Agora quem estará certo? Quem será o juiz que dirá que este ou aquele tem a verdadeira interpretação? Entramos novamente na questão do Elefante.

    Por último você afirmou que o homem é " dotado de dois instrumentos de percepção" o que é outra interpretação, pois só vejo um: a mente. Não estou com isso desmerecendo sua interpretação, estou apenas demonstrando os fatos. Isso não tem mal nenhum pois no momento em que dou uma opinião isso parte de uma visão pessoal minha que tem a ver com a forma com que eu interpreto o mundo. O que não podemos é achar que esta visão profundamente subjetiva e parcial seja A ÚNICA VERDADE ABSOLUTA!

    Agora, pra não ficarmos só nisso quero deixar uma reflexão: existe um estado mental em que não há espaço para interpretações? Um estado em que não saio interpretando tudo o que vejo, mas apenas percebo os fenômenos sem sentir necessidade de juízo de valor? Um estado em que minha visão deixa de ser importante pois passo a perceber as coisas de uma forma direta e objetiva como num espelho? E se existir este estado não será ele o fim das guerras e conflitos por causa de divergências de opiniões e interpretações?

    Fica então a Reflexão!

    Fraterabraços amigo e até a próxima!

    Namastê!

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  27. Por último, veja a confirmação do que eu disse acima. Vamos pegar os próprios exemplos que você citou: "mente de Cristo "- o que é a Mente de Cristo? Os gnósticos dirão uma coisa, os espíritas outras, os budistas outra, os Mórmons, os Testemunhas de Jeová, eu , você e assim por diante. Cada um interpreta conforme suas conveniências e convicções, não?

    Agora quem estará certo? Quem é o juiz que dirá que este ou aquele tem a verdadeira interpretação? Entramos novamente na questão do Elefante.

    Por último você afirmou que o homem é " dotado de dois instrumentos de percepção" o que é outra interpretação, pois só vejo um: a mente. Não estou com isso desmerecendo sua interpretação, estou apenas demonstrando o quanto nossa visão de mundo é interpretativa- o que não há mal nenhum. No momento em que dou uma opinião sobre algo, isso parte de uma visão pessoal minha que tem a ver com a forma com que eu interpreto o mundo. O que não podemos é ser radicais e achar que esta visão, profundamente subjetiva e parcial, seja A ÚNICA VERDADE ABSOLUTA!

    Agora, pra não ficarmos só nisso quero deixar uma reflexão: existe um estado mental em que não há espaço para interpretações? Um estado em que não saio interpretando tudo o que vejo, mas apenas percebo os fenômenos sem emitir juízo de valor? Um estado em que minha visão deixa de ser importante pois passo a perceber as coisas de uma forma direta e objetiva como num espelho? E se existir este estado não será ele o fim das guerras e conflitos por causa de divergências de opiniões e interpretações?

    Fica então a Reflexão!

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